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quinta-feira, 15 de março de 2018

Golpe político é debatido nas Universidades.

 A reação em cadeia das disciplinas sobre o golpe de 2016
A tentativa de censura à UnB leva universidades a oferecer outros cursos sobre o tema.
A universidade reverbera a visão majoritária no Brasil: o impeachment foi golpe
ministro da Educação, Mendonça Filho, conseguiu transformar um caso isolado em uma reação em cadeia. Em 22 de fevereiro, ele dedicou parte de seu expediente para publicar mensagens em sua conta no Twitter, onde combatia o curso “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”, recém-criado pelo Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Brasília.
Ao longo da tarde, foram 16 mensagens, entre elas a de que havia “indicativos claros de uso da universidade pública para proselitismo político e ideológico do PT”. O discurso ganhou destaque na mídia, quando o ministro declarou que a investida iria adiante e anunciou a decisão de acionar, entre outros, o Ministério Público Federal para “a apuração de improbidade administrativa por parte dos responsáveis pela criação da disciplina”. 
A investida de Mendonça Filho contra a grade de aulas surgiu do seu conceito pessoal, a partir do cargo público que exerce no governo e de dentro do grupo político que assumiu o poder, de que a destituição da ex-presidenta Dilma Rousseff do cargo para o qual foi eleita não caracteriza um golpe de Estado, e que, portanto, o tema não poderia ser discutido em sala de aula, como proposto na ementa. Em suas palavras, “não há base científica para a criação do curso, assim como a aderência do tema à realidade brasileira”.
Não é o que pensa a massiva maioria dos cientistas políticos e a comunidade acadêmica. Para o coordenador do curso na UnB, Luiz Felipe Miguel, a se entender que foi um golpe, não a mera substituição da presidenta, o debate é fundamental para compreender a natureza, a profundidade e a abrangência das transformações em curso no País. Além de obrigação dos estudos contemporâneos na ciência social e política. 
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A reação da academia à investida de Mendonça Filho contra a coordenação do curso foi imediata e reacendeu o debate sobre a autonomia universitária e a liberdade de cátedra. Universidades de todo o Brasil passaram a anunciar a oferta da extensão, cujo motivo da obra é o golpe de 2016, com nome e ementas similares àquela proposta por Miguel.
A primeira a anunciar foi a Universidade Estadual de Campinas, e pelo menos outras 31 instituições confirmaram o curso em suas grades para este semestre. Entre elas, as federais da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro, além da Universidade de São Paulo e da Universidade Estadual Paulista. 
Para o professor, a compreensão de que houve golpe de Estado em 2016 é amplamente majoritária na sociedade, dentro e fora das universidades, inclusive em campos populares que divergem politicamente entre si, e não uma extravagância de um pesquisador, como o ministro tentou fazer parecer. “Existem vozes que dizem que não houve ruptura democrática. Na academia são vozes minoritárias. Quem assiste ao GloboNews vai ouvir essas vozes, mas isso não é representativo. Fica claro que vetar a palavra golpe busca aprofundar esse processo de ruptura.”
Embora o ministro tenha anunciado a ofensiva, até agora não existe nenhuma representação contra a coordenação do curso na UnB, e a tendência é de que ela não saia do papel. Desde a reação das universidades e da sociedade em geral, Mendonça Filho minimizou o discurso.
Deputado federal licenciado, o demista comunicou que vai deixar o ministério em abril, para concorrer às eleições deste ano. “O ônus do recuo ficará para o seu sucessor. Ele jogou a polêmica para a plateia, o que, para nós, era seu objetivo principal. O caso vai morrer [na instância jurídica] porque não tem nenhuma base”, diz Luiz Felipe Miguel. 
O debate sobre a liberdade de pensamento, ideia seminal das universidades, foi reativado a partir do movimento de resistência da academia contra o ensaio de censura. O ministro é acusado de ferir a autonomia universitária e, nesse caso em especial, a liberdade de cátedra, que é o direito de a universidade, a partir dos seus colegiados, decidir o que e como ensinar, independentemente dos governos e de quem está no poder. Foi na Constituição de 1988, nos artigos 205, 206 e 207, que a autonomia didático-científica apareceu pela primeira vez com força de lei no Brasil. 
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Segundo o professor Luiz Araújo, especialista em educação, agredir o pensamento crítico é uma tendência histórica dos grupos hegemônicos. “Eles não querem que nada mude, ou seja, que não se questionem coisas que parecem eternas. E os governos incomodam-se com a crítica que as universidades lhes podem fazer. A indústria também se comporta assim.”
Para o coordenador do curso originário da querela, a atitude do ministro está alinhada a uma ideia de que quem fala em golpe no Brasil é petista, fecundando a dualidade política a serviço dos grupos ultraconservadores.
“O que me incomoda é que eu teria o direito de ser militante e professor ao mesmo tempo, mas não sou. Tentaram me emparedar numa posição partidária que nunca foi minha, o que não significa que não tenho posicionamento político. Se tivessem se dado ao trabalho de ler alguma coisa que já escrevi, saberiam que sou bastante crítico às limitações do PT.”
O movimento das universidades provou que a academia está disposta a resistir à exposição de condições que comprometem sua própria existência, e uma vitória contra a censura e o autoritarismo. As aulas na UnB começaram como programado na segunda-feira 5 e, ao que tudo indica, o golpe de 2016 será extensivamente debatido nas universidades. 
Fonte: Carta Capital, por Carolina Scorce — publicado 15/03/2018 00h15, última modificação 14/03/2018 16h49

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Cortes do MEC indicam o fechamento de Universidades e Institutos Federais, em Minas

Cortes orçamentários comprometem universidades federais

Parlamentares alertam que educação superior de qualidade é essencial para o desenvolvimento do País.Twitter Facebook Email Versão para impressão

Comissão de Educação debateu a situação de colapso das instituições federais de ensino em Minas Gerais
Comissão de Educação debateu a situação de colapso das instituições federais de ensino em Minas Gerais - Foto: Sarah Torres
Os cortes nos orçamentos de universidades e institutos federais de educação foram alvos de crítica dos convidados da audiência pública que a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou nesta terça-feira (12/9/17).
Solicitada pelos deputados Rogério Correia, Doutor Jean Freire e Cristiano Silveira, do PT, a reunião buscou debater a crise financeira dessas instituições. Participaram parlamentares, servidores, representantes de sindicatos e entidades estudantis.
Margarida Salomão disse que, em Minas, 95 municípios hospedam universidades federais
Margarida Salomão disse que, em Minas, 95 municípios hospedam universidades federais - Foto: Sarah Torres
Presidente da Frente Nacional pela Valorização das Universidades Federais, a deputada federal Margarida Salomão (PT-MG) afirmou que é impossível pensar em soberania nacional sem essas instituições.
Ela informou que, em Minas, 95 municípios hospedam universidades federais e que grande parte desse avanço se deu com o governo Lula (2003-2010), no qual elas chegaram às pequenas cidades.
Como resultado desse processo de expansão, destacou a parlamentar, atualmente o Brasil conta com 20% dos jovens de 18 a 24 anos em universidades: cerca de 20% nas públicas e 80% nas privadas. “Hoje temos na universidade grande percentual de jovens de famílias com renda de até três salários mínimos. Esse é um instrumento poderoso, do qual não podemos abrir mão”, comentou.
“Cortar dinheiro das universidades é comprometer o desenvolvimento do estado brasileiro”, continuou a deputada. Ela acrescentou que a luta da sociedade deve ser por uma universidade pública, gratuita e de qualidade. “Isso é desenvolvimento estratégico. É assim que se faz nos grandes países do mundo”, concluiu.

Dr. Jean Freire corroborou com a deputada: “A universidade tem um papel importante em todos os setores: na construção civil, na segurança, na emancipação das pessoas; na saúde, com os hospitais universitários; na área de medicina e enfermagem, com o internato rural, dentre outros. E tem um papel fundamental na emancipação das regiões, como as regiões do Mucuri e Jequitinhonha avançaram com a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), que agora passa tanto aperto. Será que é porque não querem o empoderamento das pessoas?”, refletiu.
Bloqueio de recursos - Cláudio Eduardo Rodrigues, vice-reitor da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), disse que a redução de recursos está comprometendo o atendimento oferecido.
Ele afirmou que a universidade, inicialmente com dois campi, em Teófilo Otoni e Diamantina, já criou mais dois, em Unaí (Noroeste) e Janaúba (Norte). As novas unidades deveriam oferecer cinco cursos cada, mas com a redução de investimentos, ofertarão quatro cursos em Unaí e dois em Janaúba. “Em 2017, a previsão era de investimentos de R$ 18 milhões, mas foram bloqueados quase R$ 13 milhões”, informou.
Instituições federais se destacam em avaliação internacional
Carlos Bernardes disse que, em 2016, o Brasil ficou em quarto lugar na pontuação geral de avaliação global
Carlos Bernardes disse que, em 2016, o Brasil ficou em quarto lugar na pontuação geral de avaliação global - Foto: Sarah Torres
Carlos Bernardes Rosa Júnior, vice-reitor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG), enfatizou que as instituições federais têm alcançado notas excelentes no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que analisa a qualidade do ensino fundamental. Ele completou que dados de 2016 mostram o Brasil em quarto lugar na pontuação geral.
Na rede federal, o Brasil ficou perto do topo do ranking, com 517 pontos em ciências, 528 em leitura e 488 em matemática, acima da média geral do Pisa (493, 493 e 490, respectivamente) e à frente de países como Canadá, Estados Unidos e Japão.
“Quando mostram reportagens do Brasil em ‘milésimo’ lugar no Pisa, vemos que é uma maneira de desprestigiar a educação de qualidade, porque nunca apresentam o resultado dos institutos federais”, criticou o vice-reitor.
Ele destacou ainda que o número de institutos federais em Minas saltou de cinco, em 2008, para 18, atualmente. “São mais de cem cursos ofertados a cerca de 15 mil alunos, a maioria de cidades pobres, como Ribeirão das Neves, Sabará, Santa Luzia, Ibirité e Betim”, disse. Ele ressaltou que a política atual de cortes orçamentários pode comprometer esse atendimento.
Sindicatos se mobilizam contra cortes

Dificuldades financeiras afetam ensino público
Beatriz Cerqueira, presidente regional da Central Única dos Trabalhadores (CUT-MG), afirmou que as universidades e os institutos federais estão sendo estrangulados. “Neste novo estado brasileiro, não cabem essas instituições”, reforçou ela, acrescentando que o objetivo final é privatizá-los.
Como propostas para tentar reverter esse quadro, a sindicalista propõe ampliar o diálogo com a população, fazendo audiências em todos os municípios com universidades federais.
A coordenadora-geral do Sindicato dos Trabalhadores nas Instituições Federais de Ensino Superior (Sindifes), Cristina del Papa, conclamou todos para o protesto em defesa do serviço público nesta quinta-feira (14). A concentração será às 14 horas, na Praça Afonso Arinos, em Belo Horizonte, de onde saem em passeata.
O deputado Rogério Correia informou que foi criada uma frente parlamentar mineira em defesa das instituições de ensino. Ele qualificou os cortes orçamentários previstos para 2018 como “o desmanche do Brasil”. No ensino superior, o orçamento de 2015 foi de R$ 13 bilhões e em 2018, deve ser reduzido para R$ 5,9 bilhões, segundo o deputado.
Por sua vez, o deputado Doutor Jean Freire defendeu que, diante do desmonte das políticas públicas no País, é necessário somar forças e estudar medidas a serem tomadas.
Estudantes - Os representantes de entidades estudantis presentes, como Késsia Cristina de Paula, presidente da União Colegial de Minas Gerais, criticaram o governo federal por cortar recursos para os setores de educação, ciência e tecnologia, justamente em um momento de crise, em que se faz necessária a busca por novas soluções para os problemas econômicos.
Também para o movimento estudantil, está em curso no País um plano de governo que visa a privatização e a consequente extinção da gratuidade das instituições de ensino públicas.^
RESULTADO DA REUNIÃO

COMISSÃO DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA

RESULTADO DA 5ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA - AUDIÊNCIA PÚBLICA

Terça-feira 12 Setembro 2017, 15:30
Local: Auditório José Alencar Gomes da Silva
Presentes (Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia):
Dep. Doutor Jean Freire / PT (Substituindo Dep. Celise Laviola / PMDB)


Outras presenças: Dep. Rogério Correia / PT



Assessor: Neide Meire da Silva Rosa (Tel: 21087169)


Finalidade da reunião: apreciar a matéria constante na pauta, receber, discutir e votar proposições da comissão e realizar audiência pública.

1ª PARTE (EXPEDIENTE)

Leitura e aprovação da ata;
Leitura da correspondência e da matéria recebida;
Designação de relator;


2ª PARTE (ORDEM DO DIA)

2ª FASE: DISCUSSÃO E VOTAÇÃO DE PROPOSIÇÕES QUE DISPENSAM A APRECIAÇÃO DO PLENÁRIO.
Dá denominação a escola estadual de ensino fundamental localizada no Município de Catuji.

Autor: Dep. Doutor Jean Freire
Relator: Dep. Ione Pinheiro
Resultado: Matéria não apreciada por falta de quorum 


3ª PARTE

1ª FASE: AUDIÊNCIA PÚBLICA
Finalidade da audiência: Debater a situação de colapso das instituições federais de ensino no Estado.
Autores do(s) requerimento(s):
Dep. Rogério Correia
Dep. Doutor Jean Freire
Dep. Cristiano Silveira

Resultado: 
Reunião realizada com as seguintes presenças: 


Deputada Federal Margarida Salomão, presidente da Frente Nacional pela Valorização das Universidades Federais - Brasília(DF); 



Claudio Eduardo Rodrigues, vice-reitor, representando Gilciano Saraiva Nogueira, reitor da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM; 



Carços Bernardes Rosa Junior, vice-reitor, representando Kléber Gonçalves Glória, diretor do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Minas Gerais - IFMG; 



Beatriz da Silva Cerqueira, presidente do Central Única dos Trabalhadores; 



Cristina del Papa, coordenadora-geral do Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Federais de Ensino Superior - Sindifes; 



Rosângela Carrusca Alvim, membro da Diretoria Executiva do Sindicato dos Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte, Montes Claros e Ouro Branco, representando Carlos Barreira Martinez, presidente; 



Antônio Francisco Cruz Arapiraca, diretor do Sindicato dos Docentes do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais - SindCefet -, representando Suzana Maria Zatti Lima, presidente; 



Gabriel Luna, vice -presidente, da UNE/MG; 



Késsia Cristina Teixeira de Paula, presidente da União Colegial de Minas Gerais - UCMG; 



Daniel Sucupira, Prefeito de Teófilo Otoni e presidente da associação dos municípios do Mucuri - Amuc.

Fonte: ALMG

sexta-feira, 5 de junho de 2015

UFVJM adere à greve geral das Universidades federais

Técnico-administrativos da UFVJM estão em greve desde 28 de maio. 
Professores também aderiram ao movimento dia 03 de junho.


Os servidores técnico-administrativos e os professores da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) decidiram aderir à greve nacional de todas unidades educacionais federais. No dia 28.05, os técnico-administrativos que atuam nas secretarias, bibliotecas, laboratórios e vários outros setores das unidades educacionais definiram pela greve. Na terça-feira, 03.06, foi a vez dos professores. 
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores de Instituições Federais (Sindifes), a greve é nacional e foi convocada, em 28.05, pela Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra). 

Servidores de outras Universidades federais e Institutos Federais de Minas têm aderido ao movimento como a UFMG, CEFET, UFOP, UFJF, UFV, unidades do IFNMG,  UFLA e outros.

O conjunto das reivindicações dos docentes e técnico-administrativos poderia ser agrupado em vários níveis que na luta se apresentam de forma conjunta.
Um primeiro tem relação com uma pauta específica dos docentes e a reestruturação de carreira que tem impacto salarial apresentando critérios que eliminem as atuais distorções com valorização da dedicação exclusiva, melhoras nas condições de trabalho e contra os cortes em educação. 
Um segundo nível expressa a pauta comum do conjunto dos servidores públicos federais, que entre outros pontos da pauta inclui: exigir uma data-base em 1º de maio e a retirada dos projetos do Congresso Nacional que atacam os direitos dos servidores, assim como uma política salarial permanente com correção das distorções e reposição das perdas inflacionárias; índice linear de 27,3% e a paridade salarial entre ativos, aposentados e pensionistas.
O Governo federal antecipa que qualquer concessão que tenha impacto orçamentário, deve estar subordinada ao ajuste fiscal, tendo como o objetivo do governo a diminuição do custo da folha de pagamento destes em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
Nas reuniões de deflagração da greve foi anunciada que além das políticas de contingenciamento para o ano 2015, existem já políticas de pré-contingenciamento para o ano 2016, o que levaria a não realização de concursos públicos nas universidades em um contexto de forte sucateamento destas.
Está em curso a legalização de uma das formas da terceirização no setor público, para que as universidades uma vez sucateadas encontrem como “única” resposta a contratação de professores via Organizações Sociais - OS. O presidente da CAPES, Jorge Almeida Guimarães, afirmou que o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Ministério da Educação (MEC) pretendem criar uma OS para contratar docentes para as IFES por meio da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), acabando com o Regime Jurídico Único (RJU). 
Reivindicações dos  Técnico-administrativos
Entre as reivindicações pretendidas pela categoria está a reposição de perdas e o aprimoramento da carreira; melhores condições de trabalho e qualidade no serviço público; a democratização das Instituições federais de ensino; entre outras pautas gerais dos servidores públicos federais. 
Veja a lista com todos os pontos pretendidos pelos servidores técnico-administrativos federais:
Reposição de Perdas e Aprimoramento da Carreira:

- Índice de 27,3% no piso da tabela considerando as perdas de janeiro de 2011 a julho de 2016;

- Pelo aprimoramento da Carreira com correção das distorções, levando em consideração a racionalização dos cargos, piso de três salários mínimos e step de 5%; reposicionamento dos aposentados e pensionistas, e concurso público via Regime Juridico Único - RJU para todos os níveis de classificação;
- Pela não retirada de ganhos administrativos e judiciais da Categoria – pagamento imediato;
- Reabertura de prazos para que os Técnico-Administrativos em Educação que ainda estejam no PUCRCE possam migrar para o PCCTAE;
- Reconhecimento dos certificados de capacitação dos aposentados quando os mesmos se encontravam na ativa;
- Aproveitamento de disciplinas de curso de graduação e pós-graduação para todas as classes do PCCTAE para fins de progressão por capacitação;
- Reconhecimento de títulos de mestrado e doutorado obtidos fora do país.
- Posicionamento hierárquico em padrão de vencimento equivalente na tabela quando do reingresso de servidor em outro cargo do PCCTAE.
- Efetivação do Plano Nacional de Capacitação lançado em 2013;
- Extensão, para os Técnico-Administrativos em Educação, do art. 30 da lei 12772/12, que trata de afastamento para realização de estudos de pós-graduação;

Condições de Trabalho e Qualidade no Serviço Público:

- Turnos contínuos com redução da jornada de trabalho para 30 horas, sem ponto eletrônico e sem redução de salário;

- Pela revogação da Lei que cria a EBSERH para gerir os Hospitais Universitários das Instituições Federais de Ensino e pela contratação de trabalhadores via concurso público (RJU);
- Revogação das orientações normativas (nº 6, 15 e 16) relativas à insalubridade, assegurando os direitos dos trabalhadores que já se aposentaram e dos que estão na ativa;
- Pela suspensão imediata dos cortes orçamentários nas Instituições de Ensino e recomposição do orçamento;
- Construção/ampliação de creches nas Instituições Federais de Ensino, atendendo a demanda da comunidade acadêmica;
- Construção de uma política de combate efetivo ao assédio moral nas Instituições Federais de Ensino;

Democratização das Instituições Federais de Ensino:

- Por um processo eleitoral no mínimo paritário para a escolha de gestores no âmbito das universidades públicas, de forma autônoma, com lista uninominal;

- Por uma composição paritária nos conselhos superiores;
- Pelo fim da criminalização das lutas e das perseguições aos dirigentes sindicais e ativistas nas Instituições Federais de Ensino Superior;

Pauta Geral dos Servidores Públicos Federais:
- Pela Revogação das Leis que criaram a EBSERH e a FUNPRESP;
- Por uma politica salarial permanente com correção das distorções e reposição das perdas inflacionárias;
- Índice linear de 27,3%;
- Estabelecimento de Data-base em 1º de maio;
- Pelo direito de negociação coletiva (convenção 151 OIT) e liberação de dirigentes para o exercício de mandato classista;
- Pela instituição da Ascensão Funcional;
- Pela paridade salarial entre ativos, aposentados e pensionistas;
- Pela retirada dos projetos do Congresso Nacional que atacam os direitos dos trabalhadores;
- Por isonomia salarial e de todos os benefícios entre os poderes;
- Pela anulação da reforma da previdência de 2003, realizada por meio de compra de votos de parlamentares;
- Pela extinção do fator previdenciário;
Pela incorporação de todas as gratificações produtivistas;
Pelo fim da terceirização que retira direito dos trabalhadores;
Pela imediata realização de concurso público pelo RJU.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

'Ajuste fiscal do governo ameaça universidades federais', diz presidente do Andes-SN.

Com corte no Orçamento, expansão universitária e campus da UFVJM ficam ameaçados.

Previsão de campus em Capelinha, Araçuaí e Almenara podem ser adiados do planejamento da UFVJM, em 2015. 

Artigo de Najla Passos, abaixo, analisa a crise das universidades federais com os cortes no orçamento do MEC. Isso implica em cortes orçamentários em  novas ações ou projetos como a expansão universitária com a criação de novos campi. 
Além disso, a nomeação do governador cearense Cid  Gomes como Ministro da Educação pode ser um entrave  para a  criação de novas unidades universitárias no sudeste  do país. 

Dilma Rousseff, que prometeu fazer da educação a prioridade
de seu governo,  impingiu ao país um ajuste fiscal que resultou 
no corte orçamentário do MEC.
Najla Passos, no site www.cartamaior.com.br
Wilson Dias / ABr



A partir da próxima segunda (23.02), cerca de 500 professores universitários de todo o país se reúnem em Brasília para discutir os rumos da educação brasileira, no 34º Congresso do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), a principal entidade representativa da categoria, que reúne profissionais das redes pública e privada.

O evento cresce em importância porque ocorre no momento no qual se inicia o segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff, que prometeu fazer da educação a prioridade do seu novo governo, mas, ao mesmo tempo, impingiu ao país um ajuste fiscal que resultou, entre outras coisas, no corte orçamentário do Ministério da Educação (MEC) e na retirada de direitos dos trabalhadores.

Para o presidente do Andes-SN, Paulo Rizzo, um dos principais objetivos deste Congresso será avaliar a nova conjuntura para, a partir daí, definir o plano de lutas da categoria. “Nós estamos frente a um ajuste fiscal rigoroso, aplicado com ataques aos direitos dos trabalhadores, como é o caso da medida provisória que aumenta o prazo para acesso ao seguro desemprego, e com contingenciamento de recursos públicos, inclusive para as universidades. De todos os ministérios, o MEC foi o que sofreu o maior corte”, afirmou.

Crise chega às universidades federais
De acordo com ele, as universidades públicas federais, em especial, já terminaram 2014 com graves problemas de financiamento, anunciando o grave contingenciamento que viria este ano. “Vivemos uma situação de muita dificuldade para o próprio funcionamento das universidades, porque o corte orçamentário está afetando os serviços terceirizados, que são pagos com verbas de custeio, exatamente as que sofreram o contingenciamento”, esclarece.

O professor explica que o não pagamento das empresas terceirizadas ameaça serviços essenciais ao funcionamento dos campi, como segurança, limpeza, transporte e alimentação. “As universidades não estão conseguindo pagar as empresas terceirizadas, o que nos coloca frente a uma possibilidade real de paralisação de algumas atividades. Na Universidade Federal Fluminense (UFF), por exemplo, os salários dos terceirizados já atrasaram”, acrescenta.

Rizzo explica que as instituições federais de ensino superior, hoje, dependem muito dos serviços terceirizados porque, ao longo das últimas décadas, foram abrindo mão de gerir várias das atividades necessárias ao seu funcionamento, no contexto da privatização da educação, e, com isso, acabaram perdendo o controle que tinha sobre elas. “Durante o Congresso, vamos aprofundar a discussão sobre os efeitos da terceirização, que prejudica não só as universidades como vários outros serviços prestados pelo Estado”, ressalta.

Em relação à questão docente, o presidente do Andes-SN alega que os professores das universidades federais ainda sofrem os efeitos do Reuni, o programa de expansão das universidades implementado no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Com a expansão, há uma precariedade muito grande nas universidades, seja física, seja de pessoal. O Reuni exige sempre novos investimentos, a cada ano requer mais contratações para suprir a demanda dos novos cursos criados, mas não está tendo as contratações necessárias”, justifica.

Campanha salarial unificada

Na quarta (25), em conjunto com as demais categorias dos servidores públicos federais, os docentes das universidades federais lançam a campanha salarial 2015, em ato unificado em frente ao Ministério do Planejamento, a partir das 9 horas. O protesto está sendo convocado pelo Fórum Nacional de Servidores Públicos Federais, que reúne 32 entidades representativas das várias categorias.

Rizzo afirma que os professores sofrem com a defasagem nos salários, agravada pela volta da inflação. “Com os cortes orçamentários, não há perspectivas de reajuste salarial feita por parte do governo. E a inflação esta aí. Os últimos reajustes, inclusive o que vamos receber uma parcela este mês, não repôs a inflação que irá continuar até ano que vem. E até mesmo para termos alguma coisa em 2016, a previsão tem que entrar no projeto de Lei Orçamentária até agosto deste ano. Vamos ter que mobilizar porque senão não vai ter negociação”, avalia.

Segundo ele, o contexto exige uma mobilização urgente dos servidores públicos federais para que tenham força suficiente para convencer o governo a negociar a tempo de garantir ganhos para 2016. Na pauta de reivindicações unificada, eles pedem reajuste linear de 27,3%,  data-base em 1 de maio, direito de negociação coletiva, conforme previsto na Convenção 151 e paridade salarial entre ativos e aposentados, entre outros pontos.

Hospitais universitários
Na pauta do 34º congresso do Andes-SN também consta a polêmica discussão sobre a melhor forma de gestão e controle dos hospitais universitários, que se prestam tanto ao ensino das áreas de saúde quanto ao atendimento de pacientes das redes pública e privada. Para o Sindicato Ncional, a gestão dessas instituições de saúde deve ser feita pelas universidades, que melhor percebem seu caráter múltiplo.

Já o governo Dilma propõe um outro modelo, por meio da adesão dos universitários à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), criada em 2011 para geri-los. “Com a Ebesrh, os servidores não são mais contratados pelas universidades, que perdem também o controle de gestão dos hospitais. Com isso, é grande a dificuldade para fazer com que cumpram seu papel de hospital escola”, explica Rizzo.
  

De acordo com ele, no dia 6 de março, o Andes-SN promoverá um ato público na capital do Rio de Janeiro contra a empresa pública.  “Nem todas as universidades aderiram, mas 23 já e estão tendo problemas. A Ebserth foi vendida como algo que iria contratar pessoal e não está fazendo isso. E esta é uma luta que nós continuaremos ao longo deste ano, para tentar impedir que novas instituições adiram à Ebserth e reverter a adesão das que já o fizeram”, acrescenta.

Créditos da foto: Wilson Dias / ABr

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Diamantina: UFVJM abre 60 vagas em Medicina, em março de 2014

MEC autoriza 160 novas vagas para cursos de medicina em federais de MinasUFVJM-Diamantina e UFAL - Alfenas terão 60 vagas cada e UFSJ - São João del-Rei vai oferecer 40 vagas

O Ministério da Educação (MEC) autorizou a criação de mais 160 vagas para cursos de medicina no interior de Minas Gerais. Serão 60 novas vagas para graduação na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), 40 para a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e 60 para Universidade Federal de Alfenas (UFAL). 
No caso da UFVJM, o curso será ofertado no campus de Diamantina.
Saiba mais...
A autorização foi publicada nesta quinta-feira por meio da Portaria 654/2013 e faz parte do esforço do governo federal, no âmbito do Programa Mais Médicos, para ampliar o número de vagas de graduação. 

Em breve, outras quatro mineiras devem receber cursos de medicina. O MEC escolheu Muriaé, Passos, Poços de Caldas e Sete Lagoas para implantação de cursos de graduação em instituições particulares de educação superior. 
Publicado no Estado de Minas, em 13.12.13.


Comentário do Blog:
Médicos para o interior, para o Vale
Esta decisão do governo federal está vinculada ao Programa Mais Médicos que tem o objetivo de interiorização dos profissionais de medicina no país.

O Reitor da UFVJM, Pedro Ângelo, afirmou em várias ocasiões, que a criação do curso de medicina, na Nossa Universidade, tinha o objetivo de formar profissionais para servir a região. Tanto é que a própria universidade já reservava uma boa quantidade de vagas destinadas aos estudantes do Vale, através do Processo Seletivo Seriado - SASI. Assim, a possibilidade do futuro profissional continuar morando e atuando na região, seria maior. 

Ele declarou a uma comissão do Movimento A UFVJM é nossa ! (a médica e vice-prefeita de Araçuaí, Rita Capdeville; e representantes de Capelinha, Álbano Silveira Machado, Vicência Guimarães e a professora Élida) que seu desejo é vincular o aprendizado dos estudantes de medicina às necessidades do povo do Vale do Jequitinhonha. 

Assim, a Comissão e principalmente Rita Capdeville, debateu com o Reitor as possibilidades de utilização dos hospitais de Itamarandiba, Capelinha, Turmalina, Minas Novas, Araçuaí, Itaobim, Almenara e outras unidades de saúde da região, serem laboratórios de formação dos estudantes de Medicina da UFVJM.

Com a experiência de trabalho na UFMG, Rita acredita que o ensino médico na UFVJM pode inovar com a formação de profissionais comprometidos com a realidade do Vale.  

Este debate aconteceu, em junho de 2012, na Reitoria da UFVJM, em Diamantina, no Alto Jequitinhonha.