terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Zema coloca Minas Gerais à venda

Minas Gerais S.A.

"Inspirado nas Casas Bahia, [futuro governador] enxerga o estado que o elegeu como uma futura Casas Minas Gerais" / Gil Leonardi / Imprensa MG
Minas Gerais vem sendo apontada como laboratório do Partido Novo
O governador eleito de Minas Gerais, Romeu Zema, do Partido Novo, se apresentou na eleição como um empresário de sucesso. Dono de lojas de eletrodomésticos, de sofás, financeiras populares e outros negócios, antes mesmo de tomar posse se desfez de parte de seu patrimônio, vendendo dezenas de postos de combustível para um grupo estrangeiro. Até aí, a decisão é dele, as empresas são dele e a lógica de mercado domina a racionalidade dos negócios.
No entanto, Zema defende levar o mesmo método para as empresas públicas, que não são dele, e que respondem por outra lógica que não a do mercado. Em entrevistas, tem apontado a necessidade de sanear empresas, como a Cemig, por exemplo, para aumentar seu valor de mercado, com o uso de práticas de austeridade. Não fala de energia, desenvolvimento, papel social e outras quimeras que estão na origem da estatal nos tempos de JK. O mesmo raciocínio já se ouve em relação a outras empresas públicas.
O governador eleito tem obsessão por caixa, certamente em razão de sua formação para o comércio de miudezas. Inspirado nas Casas Bahia, enxerga o estado que o elegeu como uma futura Casas Minas Gerais. Não falou nada ainda de saúde, educação, saneamento, segurança, cultura e outras áreas decisivas, que não fosse pelo viés do dever e haver. Há uma naturalização de todas as áreas da administração, como se houvesse um consenso sobre o que fazer, cabendo apenas passar a régua nas contas e demitir funcionários.
Zema, desde a campanha, rifando até mesmo o candidato de seu partido à presidência, deixou claro seu alinhamento com Jair Bolsonaro em matéria de economia. Sua aparente postura técnica e sucesso nas atividades empresariais o protegeria da contaminação com o lado escuro da força que emana do capitão reformado. Ele seria um bolsonarista em economia sem o bolsonarismo nos valores regressivos em costumes. A estratégia parece boa, já que daria ao governador eleito o conforto de técnico e a anistia moral.
No entanto, isso não é possível. Em matéria de Bolsonaro, o pacote é completo, como vem sendo evidenciado na composição do próximo governo federal. Nada é tão ruim que não possa piorar no dia seguinte. Podemos esperar para breve em Minas os acenos reacionários, o moralismo comandado pela teocracia sedenta de protagonismo, e o ataque aos direitos sociais a partir do desmonte dos serviços públicos. O militarismo ainda não surgiu no horizonte, mas nunca se sabe.
A ideia de gerir o setor público a partir dos métodos do mundo empresarial não se sustenta na história. Não se trata apenas de atitudes gerenciais distintas, mas de objetos diferentes que exigem ações também singulares. O Estado precisa de práticas fiscais competentes, mas não existe para dar lucro. O interesse público deve ser soberano e estratégico. A administração pública deve ainda obediência à vontade popular, sempre, e não apenas com a chancela da eleição. Democracia direta não é ideologia, mas determinação constitucional.
O mais importante não é a questão dos meios, mas dos fins. A escolha pela gestão empresarial tem como resultado a defesa de interesses também empresariais num contexto no qual eles não podem ser considerados prioritários. O Estado existe para servir aos cidadãos, não à economia de mercado. É sintomático como hoje, em toda a apresentação de políticas públicas, o grande objetivo é sempre “gerar empregos”. Não bons, mais e melhores empregos, como um dia se defendeu, apontando o círculo virtuoso que começa na valorização da educação e das condições gerais da economia, mas qualquer emprego.
A ideia de emprego, como um valor em si, parece dar conta de todos os problemas. Empregados, por exemplo, pressionam menos a saúde e a educação públicas. Se tudo der certo, podem comprar esses direitos na forma de serviços, acelerando ainda mais a roda da empregabilidade. O mesmo argumento serve para todas as áreas, como a segurança bélica, na qual vale tudo para que o trabalhador tenha tranquilidade para voltar para casa. Estamos a um passo de recuperar o crime de vadiagem no código penal. No julgamento moral, ele já está valendo.
Por isso, pelo incentivo ao emprego vale até mesmo abrir mão de direitos trabalhistas. Num paradoxo cruel, retirada de conquistas do trabalho é argumento para valorizar a perspectiva de emprego. Você decide: direitos ou emprego. Nunca emprego com direitos. A carteira de trabalho deixa de ser azul pelo verde-amarelismo da submissão voluntária. A picada aberta por Temer, com o aplauso das classes produtoras e dos tribunais (anti)trabalhistas se tornou uma avenida transitada por terceirizados e precarizados.
Minas Gerais vem sendo apontada como laboratório do Partido Novo, como um experimento que tem como objetivo mostrar que a ideia de gerir a máquina pública com os métodos do setor privado é a salvação da lavoura. Não é uma aposta apenas programática, mas pragmática. Se der certo, pode ser a plataforma para voos mais altos na próxima eleição para presidente. A participação de técnicos ligados ao setor empresarial deverá ser expressiva, formando uma frente para dar suporte ao estado. Minas será cada vez menos Gerais e mais S.A.
A defesa das empresas públicas, entre elas Cemig, Copasa, BDMG, Codemig e até mesmo a incipiente Empresa Mineira de Comunicação, formada pela Rede Minas e Rádio Inconfidência, é uma bandeira já posta na pauta de uma oposição responsável e de uma sociedade que precisa ficar atenta. Sem elas, não teremos serviços de energia, água e saneamento destinados ao cidadão (e sim ao consumidor), política de desenvolvimento e comunicação pública.
O mesmo privatismo selvagem pode chegar logo a outras áreas, com a abertura de espaço para o mercado da saúde, segurança, mobilidade. No caso da educação pública, já vêm sendo anunciado vouchers para cursos complementares, que serão negociados com as empresas do setor. A sirene dos interesses já se faz ouvir. A oportunidade é tentadora e não precisa nem mesmo do tão festejado risco do empreendedorismo: o mercado é cativo e o consumidor não tem escolha, já que precisa viver, beber água, educar os filhos…
Não há melhor negócio que os serviços públicos privatizados. 
Isso não é novo, tem a idade do mundo.
Edição: Joana Tavares, no jornal Brasil De Fato, Minas Gerais

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Acovardado, STF manterá Lula preso?

STF , emparedado, não tem chance de fazer justiça com Lula.

*Jeferson Miola

 Publicado no www.brasil247.com, em 3 de dezembro de 2018.

A segunda turma do STF julgará nesta terça-feira, 4 de dezembro, o habeas corpus do ex-presidente Lula. A defesa alega parcialidade do ex-juiz e agora ministro bolsonarista Sérgio Moro, pede a nulidade do processo e a liberdade do Lula.
A infinidade de arbítrios e atropelos até aqui perpetrados não admite ilusão quanto ao nível de maldade e violência que a oligarquia está disposta a continuar praticando para atingir Lula.
O vale-tudo dos agentes do Estado de Exceção para aniquilar o PT e, à continuação, liquidar o conjunto da esquerda, está longe do fim. Com Bolsonaro, a cruzada macarthista de juízes, procuradores e policiais federais ganhou relevante impulso e o reforço de segmentos das Forças Armadas, em especial do Exército.
O desempenho eleitoral do PT – bastante positivo, apesar da circunstância especial em que a eleição ocorreu, de tutela militar do STF para impedir a candidatura do Lula – é a chave para se entender o motivo para o imediato recrudescimento da vilania do judiciário e do MP contra o PT. No breve intervalo de 7 dias, multiplicaram-se os ataques:
[1] em 23/11, juiz da 10ª Vara do DF acolheu denúncia absurda do ex-PGR Rodrigo Janot que acusa Lula, Dilma, Gleisi e outros petistas de constituírem, “desde meados de 2002 até 12 de maio de 2016”, […] “uma organização criminosa, com atuação durante o período em que os dois primeiros denunciados sucessivamente titularizaram a Presidência da República, para cometimento de uma miríade de delitos”. Esta montagem jurídica nasceu com o objetivo pré-concebido de condenar e proscrever o PT [ler aqui] não por supostas irregularidades, mas por ter governado o Brasil e retirado da miséria quase 40 milhões de pessoas e oportunizado o ingresso do povo pobre e negro na Universidade;
[2] em 26/11, a falange paulista da Lava Jato transformou uma doação recebida pelo Instituto Lula em 2012 em “tráfico internacional de influência” [sic]. Na época, Lula já não exercia cargo público, mas era o palestrante mais requisitado e mais bem pago em todo o planeta. No processo, Lula sequer foi convidado a prestar esclarecimento;
[3] em 30/11, juiz da 15ª Vara do DF aceitou denúncia da PGR contra vários petistas em relação às pedaladas fiscais – aquela farsa fabricada sob medida no TCU pelo conselheiro Nardes para Cunha e Aécio promoverem o impeachment da Dilma. O irônico é que a denúncia contra Nardes por receber quase R$ 2 milhões de propina do Grupo RBS/Globo [Operação Zelotes], continua engavetada por Raquel Dodge, a chefe da PGR;
[4] em 30/11 Raquel Dodge pediu ao TSE a instauração de procedimento para cobrar do PT a devolução de R$ 19,4 milhão do fundo partidário usado na campanha do Lula antes da cassação ilegal do registro. A chefe da PGR teria coisa mais importante a fazer, como pedir o impeachment de Luiz Fux/STF pela manobra que manteve o pagamento ilegal de auxílio-moradia a juízes e procuradores desde 2014 e causou prejuízo de mais de R$ 6 bilhões. Mas Dodge agiu como líder corporativa e pediu a manutenção do privilégio para os procuradores que, mesmo proprietários de imóvel próprio, como é o caso de Deltan Dallagnol, recebem auxílio-moradia [Dallagnol adquiriu também imóvel no programa Minha Casa Minha Vida].
A lógica indica que o habeas corpus será indeferido, e Lula continuará em cárcere político. A lógica das escolhas feitas pela elite até aqui autorizam conjecturar-se essa possibilidade.
Lá atrás, pouca gente acreditava que Lula poderia ser processado, mas seus perseguidores não somente o processaram a primeira vez como abriram outras frentes de acusação sem provas.
Ninguém acreditava que Lula poderia ser condenado com acusações farsescas; mas a Lava Jato não só o condenou, como os tribunais superiores endossaram a tese do direito penal do inimigo aplicada por Moro e pelos procuradores para condená-lo com base em convicções, sem uma única prova.
Enquanto o mundo inteiro duvidava da prisão infame do Lula, Moro nem esperou o acórdão da sentença do TRF4, o julgamento dos embargos declaratórios ou o trânsito em julgado da sentença condenatória e mandou a PF encarcerar o ex-presidente em 5 de abril passado. Tudo com a complacência do STF.
No julgamento do habeas corpus do Lula, o STF, emparedado pelo bolsonarismo, não terá a menor chance de decidir contra Moro para fazer justiça com Lula – mesmo que isso ofenda os princípios da justiça e o Estado de Direito, a Constituição, a Lei Orgânica e o Código de Ética da Magistratura.
Na guerra de extermínio do PT, o establishment mostra-se disposto a esgarçar todas as regras, indiferente ao risco concreto que esta aposta comporta, de morte do Lula no cárcere político.
Para a oligarquia, é preferível Lula morto na prisão a vê-lo com um mínimo de liberdade para fazer o que ele sabe fazer com maestria: animar a resistência democrática e popular.
A luta pela libertação do Lula da prisão ilegal, inumana e hipócrita a que foi submetido pelo Estado de Exceção é o elemento central da luta antifascista e pela restauração da democracia e do Estado de Direito.
Jeferson Miola

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Esquerda erra ao não questionar legitimidade de Bolsonaro


Há vários indícios que a eleição de Jair Bolsonaro como presidente da República foi uma farsa. A grande irregularidade foi a utilização das redes sociais, impulsionada por milhões de mensagens de fake news, financiada por empresas que gastaram milhões de reais para prejudicar o adversário Fernando Haddad.  Estas despesas não foram contabilizadas nas prestações de contas do candidato eleito.

Vai tudo ficar como está?

por *Marcos Coimbra

Enquanto não forem esclarecidas as suspeitas que cercam a eleição de Jair Bolsonaro, será cedo para analisá-la.
Os sinais de que alguma coisa estranha aconteceu só aumentam. Tudo indica que houve uma interferência na eleição, centrada na manipulação de redes sociais, semelhante à que ocorreu em outros países, mudando seu rumo e ensejando a vitória de Bolsonaro.
Quem se precipita na busca de grandes explicações sociológicas tende a equivocar-se duas vezes. De um lado, pela pressa em compreender algo cuja dinâmica sequer foi ainda adequadamente descrita. De outro, e mais grave, por tratar as suspeitas de interferência como se fossem descabidas ou irrelevantes.
É possível, ainda que improvável, que, após uma investigação bem conduzida, cheguemos à conclusão de que Bolsonaro venceu limpamente a eleição. Que as evidências de jogo sujo são falsas e que o retrato mais exato do eleitorado brasileiro é esse revelado pelas urnas. Que a vitória de Bolsonaro foi "natural".
Há forças que se aliam no desejo de que essa versão prevaleça. O bolsonarismo, claro está, não admite o questionamento do processo que o levou ao poder. Com ele, a "turma do deixa disso", que defende a tese de que, depois de anos de instabilidade, é preferível fingir que não há motivos para colocar a eleição em discussão.
O Judiciário e o Ministério Público fazem parte dessa turma. Com Sérgio Moro, seu símbolo maior, no lugar de honra do governo bolsonarista, nada melhor que fazer de conta que o resultado é "justo". Não foi por falta de denúncias fundamentadas e documentadas (com detalhes de onde funcionava e quem manejava a máquina de falsificações suspeitas), que a Justiça Eleitoral preferiu se omitir.
Estão de mãos dadas com um parceiro inesperado, as gigantes mundiais de tecnologia, a começar pelo Facebook e seu satélite o WhatsApp. Junto com as outras, Google, Amazon e Twitter, nenhuma quer que seus negócios bilionários sejam analisados pela opinião pública internacional. Também para elas, melhor simular que a eleição brasileira foi "normal".
Dois anos depois da suspeitíssima vitória de Donald Trump, o sentimento progressista nos Estados Unidos mais se dá conta de que essas empresas não são aliadas na busca por uma sociedade democrática. Elas, a menos que sejam pressionadas, preferem oferecer suas plataformas a quem tem dinheiro para usá-las. Nenhum compromisso têm com a transparência.
Os democratas americanos perceberam que as guerras eleitorais mudaram de figura. Como disse recentemente Ro Khanna, um dos principais deputados da bancada da tecnologia e anteriormente um aliado incondicional das gigantes do setor: "2016 expôs o lado negro da tecnologia".
Aqui, ao que tudo indica, isso aconteceu em 2018. E, se preferirmos fazer vista grossa e jogar as evidências para debaixo do tapete, terá sido apenas o primeiro capítulo. De ora em diante, as eleições serão todas disputadas e vencidas com recurso ao lado negro.
E continuaremos a nos perguntar candidamente o que terá acontecido com o eleitorado, em especial o mais pobre e mais vulnerável à influência de manipuladores de todos os tipos, incluindo os empresários da religião. Como fazem analistas respeitáveis, atônitos com o tamanho de sua ignorância a respeito de um Brasil que julgavam conhecer.
É possível que o Brasil que imaginavam seja o real e que esse que saiu das urnas não passe de seu retrato distorcido. Que uma milionária e ilegal campanha de manipulação tenha sido desfechada nos dez dias que antecederam o primeiro turno, para mudar as opiniões de determinados segmentos, ampliando a rejeição a Fernando Haddad e ao que representava.
Com Lula fora do páreo, por ato do futuro ministro da Justiça de Bolsonaro, uma eleição que seria resolvida por margem estreita (como fora a de Dilma Rousseff, em 2104) se desequilibrou em função de trapaças. O eleitorado popular, que mal havia sido apresentado a Haddad, foi atordoado com doses maciças de falsas informações. Face ao demônio que pintaram, até Bolsonaro pareceu melhor.
Há muitas maneiras de vencer. Nos esportes, pode-se ganhar jogando limpo ou tomando anabolizantes às escondidas. No automobilismo, usando o combustível permitido ou misturando aditivos proibidos. Em um concurso, estudando à sério ou colando dos outros. Em uma eleição, fazendo o que a lei permite ou roubando.
O Brasil tem o dever de esclarecer o que ocorreu na última eleição, por razões nossas e porque somos importantes globalmente. Antes de saber o que aconteceu de verdade, é prematura a autocrítica e a lavagem de roupa suja na esquerda (por mais necessária que seja).

Marcos Coimbra


sábado, 24 de novembro de 2018

"A esquerda foi burra e incapaz nessas eleições", diz sociólogo Jessé Souza

Entrevista do sociólogo jessé souza, professor da Universidade federal do ABC.
Sociólogo, já chamado de 'Olavo de Carvalho da esquerda', defende a popularização da linguagem da esquerda. Foto: Gabi Di Bella/The Intercept Brasil.

Publicada por Juliana Sayuri, em 19.11.2018, às 00;03 h, em
https://theintercept.com/2018/11/18/jesse-souza-entrevista/ 
“DUAS COISAS SALVARIAM o Brasil: interpretação de texto e consciência de classe.”
A frase é de um meme das eleições, mas funciona para resumir o pensamento do sociólogo Jessé Souza, professor titular da Universidade Federal do ABC, em seu novo livro, A Classe Média no Espelho (Estação Brasil, 2018), que chega às livrarias na próxima semana.
Na obra, Souza analisa os movimentos da classe média brasileira nos últimos anos – especialmente aquela que, segundo sua expressão, se mostrou “dócil e manipulável” ao ir às ruas contra a corrupção política e, mais tarde, engrossou as fileiras de apoio a Jair Bolsonaro. “Um tiro no pé”, descreve.
Para o sociólogo, faltou à classe média entender as causas reais da crise econômica. Por não compreender a lógica do capitalismo financeiro e erroneamente se imaginar como parte integrante da elite, a classe média abriu mão do pacto democrático para abraçar a ideia de que a corrupção do estado é a fonte de todos os males no Brasil – e não o assalto “legalizado” promovido por bancos e grandes corporações. “O vínculo orgânico entre empobrecimento e corrupção política é uma mentira. É óbvio que a corrupção política é recriminável, mas não foi ela que deixou a população mais pobre. Esta é a grande questão que ficou fora do quadro. E era o que importava nas eleições”, afirma.
Ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, entre 2015 e 2016, e autor de títulos como A Ralé Brasileira (2009), A Tolice da Inteligência Brasileira (2015), A Radiografia do Golpe (2016) e A Elite do Atraso(2017), Souza vem criticando duramente a imprensa e os intelectuais alinhados à elite econômica que, a seu ver, “imbecilizaram” a sociedade. Nesta entrevista ao Intercept, o autor martela: “O país inteiro foi feito de imbecil. Não há melhor palavra”.
Você inicia A Classe Média no Espelho com uma parábola sobre verdade e mentira. Em tempos de discussões sobre pós-verdade, fake news e agora “disputa de narrativas”, qual foi o peso da confusão entre verdade e mentira na ascensão de Bolsonaro?
A elite econômica expropria a maior parte da população em seu benefício, e isso só acontece a partir de uma mentira socialmente aceita, isto é, uma visão distorcida sobre o funcionamento da sociedade. É como dizer: o mundo é assim, ponto. A mentira legitima os interesses da opressão econômica e da dominação moral. E uma das mentiras é “querer é poder”: se você fracassa, a culpa é só sua – e não de um sistema injusto e explorador. Se você não compreende as causas de sua miséria econômica no capitalismo, você está condenado a atribuir seu fracasso pessoal a você mesmo ou, como foi feito, a políticos corruptos. Assim, uma dominação econômica de uma classe só se sustenta ao longo do tempo se é moralizada.
Obviamente, a única forma de combater a mentira social é com a prática da verdade, a arma dos frágeis. É disso que trata a parábola, e que vale para o atual contexto: as pessoas são historicamente acostumadas a ouvir a mentira, pois a verdade muitas vezes pode ser bastante incômoda.
Apesar de esforços (de parte da imprensa, intelectuais e movimentos sociais) para esclarecer fatos nas eleições, como a ideia de que o presidente eleito é antissistema e anticorrupção acabou vingando?
Desde que o Brasil é Brasil, e principalmente a partir de 2013 de modo mais insidioso e perverso, a elite econômica conseguiu consolidar, junto a seus intelectuais e sua imprensa, a ideia de que o empobrecimento da população teria sido causado apenas pela corrupção política, o que é uma mentira.
‘A esquerda foi singularmente 
incapaz e burra nessas eleições.’
A esquerda foi singularmente incapaz e burra nessas eleições. Tanto Haddad quanto Ciro Gomes elogiaram a Lava Jato, o bode expiatório da corrupção política. Na minha visão, o país inteiro foi feito de imbecil, não há melhor palavra. Poderia dizer “falsa consciência” e agir contra os próprios interesses, mas, na linguagem do senso comum, isso é simplesmente ser “imbecil”. Dentro da própria esquerda, ninguém problematizou o rentismo, ninguém questionou: nós todos pagamos juros que vão para o bolso de quem? Esse assalto econômico não é visto como corrupção, como o engano de meia dúzia sobre 200 milhões de brasileiros. O principal dispositivo do poder é se tornar invisível. E o poder econômico é ainda mais invisível.
A imprensa e a Lava Jato criminalizaram a Petrobras, deixando-a pronta para vendê-la a preço de banana. O estado deixou de ganhar royalties, o pessoal perdeu emprego. A Lava Jato prendeu meia dúzia e deixou invisível o saque real trilionário de uma elite proprietária e uma alta classe média, que inclusive empobrece a massa da classe média. O foco na corrupção política invisibilizou a continuidade dos juros extorsivos embutidos nos preços, da estarrecedora exploração do rentismo e da corrupção legalizada dos donos do mercado. A boca de fumo da corrupção está no Banco Central, que assalta legalizadamente a população. Mas as classes exploradas economicamente acreditaram na balela: ficamos mais pobres por conta do roubo de políticos. É óbvio que a corrupção política é recriminável, mas não foi ela que deixou a população mais pobre. Esta é a grande questão que ficou fora do quadro. E era o que importava nas eleições.
Qual é a sua definição de classe média?
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Souza foi presidente do Ipea até 2016 – saiu com o impeachment de Dilma Rousseff.

Foto: Gabi Di Bella/The Intercept Brasil

Classe social não é definida pela renda. Renda é um resultado, considerando a vida adulta. Mas é preciso pensar que diabo acontece na infância e na adolescência de alguém, que faz com que um ganhe mil vezes mais do que o outro? Esta é a questão, que implica a reprodução de privilégios, positivos e negativos. O privilégio da elite econômica é econômico, a propriedade.
O privilégio da classe média, que corresponde a 20% da população brasileira, é principalmente o acesso a capital cultural, isto é, conhecimento, cursos de línguas, universidades etc. Isso explica, por exemplo, a raiva de parte da classe média ao ver pobre entrando na universidade, que era seu “bunker” que garantiria salários melhores, mas também reconhecimento e prestígio.
Você diferencia “alta” (equivalente aos segmentos superiores da classe A) e “massa” da classe média (as chamadas classes A e B). Seguindo esse paralelo, onde estaria a dita classe C?
[A classe C] foi uma bobagem da propaganda do PT. No Brasil, temos quatro grandes classes: uma ínfima elite econômica proprietária, uma classe média de 20%, uma classe trabalhadora majoritariamente precária e uma classe marginalizada que está fora do mercado competitivo. O PT ajudou os marginalizados subirem à classe dos trabalhadores, o que é histórico e extremamente importante. Por miopia política, isso foi interpretado por marketing malfeito como “chegar à classe média”, o que também é uma mentira. E é preciso saber a verdade: seria preciso montar um projeto político de longo prazo e dizer “um dia” vamos chegar a uma sociedade de classe média real. Dizer que renda média é classe média é uma idiotice. Renda média de um país pobre equivale à renda da classe trabalhadora, que é precária.
Se há uma vocação vira-lata da alta classe média, “que considera melhor tudo o que vem de fora”, segundo sua expressão no livro, os alertas de diversos veículos da imprensa internacional, como The Economist, The New York Times e Le Monde, não deveriam ter pesado nas eleições?
Classe não é definida por critérios econômicos. As pessoas procuram se distinguir umas das outras – e se sentir melhores do que as outras. A classe média é moderna, nasce com o capitalismo e começa a ficar realmente importante com o capitalismo industrial. E se cria uma alta classe média, que representa interesses da elite: o CEO de um banco, por exemplo, não é um banqueiro. O primeiro é alta classe média, o segundo é elite.
Mas o CEO tem a ilusão de se considerar parte da elite e, portanto, defende interesses de seus patrões. E assim molda uma distinção diante das outras classes, a partir do alto consumo de bens importados, por exemplo. Ele quer se sentir um pouco europeu, um pouco americano, dentro de seu próprio país. Só que a alta classe média é muito conservadora e faz qualquer negócio para manter seus privilégios. Ela não tem sensibilidade em relação ao restante da sociedade, portando-se como uma elite estranha ao próprio país.
‘O que antes era ódio ao escravo, agora é ódio ao pobre. E parte da classe média tem muito medo de descer à condição de pobre.’
Se antes o escravo era submetido a trabalho desqualificado, agora a maior parte da população brasileira faz trabalho semiqualificado ou desqualificado. E é excluída das benesses do mundo moderno. O que antes era ódio ao escravo, agora é ódio ao pobre. E parte da classe média tem muito medo de descer à condição de pobre. Afinal, classe não é só um cálculo econômico, mas um cálculo moral de distinção social.
Há ainda divisões dentro da alta classe média: uma fração da indústria mais “democrática”, digamos, que depende e se importa com um mercado interno pujante; e uma fração predominante do agronegócio e mercado financeiro, voltada para o mercado externo, que fica rica independentemente se o país vai bem ou vai mal. Temos, afinal, uma elite de herança escravocrata que pensa a curto prazo: quero o meu agora, não me importa projeto de futuro. Isso amesquinha o país como um todo.
No livro, você projetou que muitos se voltariam “ao voto de protesto desesperado e irracional” de apoio a Bolsonaro. Passadas as eleições, pensa a vitória como “voto de protesto”? Ou de uma busca genuína por mudança?
O que está acontecendo hoje faz parte de um processo de luta de classes. Um processo que se estende desde 1930. O que foi que a elite fez? A elite montou, a partir da imprensa e das universidades, o domínio simbólico, moldando a visão de mundo da classe média. Agora, para a alta classe média, esse discurso é racional e pautado pelo interesse econômico: estou ganhando mais. Mas, para a massa da classe média, é irracional: para pensar que está ganhando algo, uma recompensa moral, a massa da classe média protestou e se portou como “ah, sou moralmente superior do que as classes populares, estou escandalizada porque me incomoda e combato a corrupção política”. Foi explorada.
Mas a ideia de que o empobrecimento ou o risco de empobrecimento estaria ligado organicamente à corrupção…
Corrupção política. Desculpe interromper, mas veja que, sem querer, você equalizou corrupção e corrupção política.
Sim, corrupção política. Você diria que a construção desse discurso escapou ao controle de quem o construiu – parte da imprensa, como indica no livro? Se a população brasileira fosse tão “manipulável” por uma imprensa a favor de interesses da elite econômica, como compreender críticas tresloucadas que atribuem à Folha de S.Paulo a alcunha Foice, de referência comunista, e o bordão “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo” capturado por militantes de direita a partir de 2013?
Quando se começa uma coisa, só se sabe como ela começa, mas não sabe como termina. Nossa imprensa é venal, desde o início comprada pelo mercado. Nunca tivemos uma rede pública [de comunicação] como existe na Europa – e às vezes alguns até confundem TV pública com TV estatal. Nunca tivemos uma imprensa confrontando o poder de forma plural.
A imprensa atacou o governo, pois a presidenta, um pouco estabanadamente, atacou o juro, o lucro dessa elite, a partir de 2012. Isso foi usado contra o governo eleito e que era tudo menos corrupto – a presidenta não roubou um lápis que seja. Mas o ataque midiático se voltou a todos os consensos morais de uma democracia. Não é a letra legal de uma Constituição que dá sangue à democracia, mas os consensos morais: não se pode expurgar a presunção de inocência, banalizar vazamentos ilegais, banalizar desrespeito de direitos fundamentais. Isso é a base de uma democracia.
‘A imprensa toda foi muito burra. Ela pisoteou a democracia, e agora vai ter uma vida muito difícil.’
Nos últimos tempos, o caráter fascista ou não das ideias representadas por Bolsonaro foi muito discutido. Você teme que a expressão “fascismo” se desgaste tal qual “populismo”, que a palavra se torne um coringa para desqualificar adversários?
A imprensa ajudou a fazer terra arrasada disso e, depois, veio a eleição de Bolsonaro como uma espécie de vingança das classes médias e parte das classes populares contra esse estado retratado como corrupto. Se você ataca a democracia como um todo, obviamente você ataca a liberdade de expressão. Tecnicamente, a imprensa toda foi muito burra. Entenda-se: burrice é pensar a curto prazo, seja para o bem seja para o mal; inteligência é pensar a longo prazo, seja para o bem seja para o mal. Ela pisoteou a democracia, e agora vai ter uma vida muito difícil. Parte da imprensa e setores da alta classe média deram um tiro no pé. Se isso terminará num banho de sangue, numa tribalização da sociedade ou numa tomada de consciência, ninguém sabe dizer. Mas que será problemático, será.
Não. O principal mecanismo do fascismo é a desumanização, o não reconhecimento do outro. Na minha opinião, obviamente há elementos fascistas nas ideias do presidente eleito: apologia da tortura, assassinato de adversário político etc. Historicamente foi assim que o fascismo se expandiu no entre-guerras: pega a raiva e o ressentimento da classe média e do povo e joga num bode expiatório socialmente aceitável. Logo, estamos num contexto de neofascismo, junto a uma dominação do capitalismo financeiro: na economia, invisibiliza, deixa opacos elementos econômicos; na política, provoca desmobilização popular.
Nos Estados Unidos de Donald Trump e no Brasil de Bolsonaro, o capitalismo financeiro quebra e destrói relações sociais e vida associativa, provocando desorientação e isolamento do indivíduo. E, novamente, é dito a ele que o fracasso é culpa dele – e não de um sistema injusto. É uma estrutura fascista, sim, de novo tipo. Que está se internacionalizando e que vive do mesmo tipo de desrespeito e desumanização que fazia o fascismo anterior. Que quer dizer que o outro, por pensar diferente, merece morrer. E a classe média, que sempre odiou o pobre, agora está se sentindo mais à vontade para expressar, explicitar esse ódio. No fim, o ódio é exatamente o que o fascismo produz.
Você usou muito a palavra “golpe” para tratar do impeachment de Dilma Rousseff. Pensa que a palavra foi desgastada?
Não. Foi um golpe de novo tipo, articulado por uma situação econômica. O dado econômico é incrível, porque é sempre o mais invisível. A causa de tudo foi a tentativa de se apropriar do orçamento público e do mercado interno via juros. Foi um golpe parlamentar, mas qual é a independência que esse parlamento tem? Um parlamento de baixíssimo nível, eleito com dinheiro de bancos e grandes corporações. No ano anterior [ao impeachment], a presidenta tinha feito um enorme esforço para diminuir os juros e usado os bancos públicos para isso. De uma hora para outra, empresas deixaram de investir, e a imprensa inteira passou a atacá-la.
Mas, veja, a elite se apropria do que é público mediante parcerias público-privadas – um exemplo, como as estradas. Entretanto, foi ensinada a imbecilidade de que o Brasil é corrupto por causa da herança de Portugal, uma mentira legitimada com prestígio científico nas universidades. Um povo ladrão por conta da herança portuguesa e, agora, ladrão dentro do estado. Sendo que o estado é a esfera que se pode contrapor a um mercado desregulado.
Dias antes do segundo turno, universidades se tornaram alvo de diversas ações de fiscalização – e justamente faixas contra o fascismo foram censuradas. Dias depois do segundo turno, investidas do Escola Sem Partido avançaram com a convocatória de denúncias contra docentes “doutrinadores”. Ainda há pensamento crítico e resistência nesses espaços?
Como você mantém uma população inteira precarizada? Você pega a escola, um elemento de classificação e acesso a conhecimento que está relegado à classe média. O privilégio positivo específico da classe média é este: estímulo para estudo, domínio de línguas, capacidade de concentração. Você chega aos cinco anos na escola particular como um vencedor, pois é aparelhado psicológica e moralmente: espera bons salários e prestígio. O pobre já é tratado como um perdedor, num abandono secular e cumulativo. Depois, você vê a classe média culpando a classe pobre, dizendo que ela é preguiçosa e indolente – e que o mérito do seu sucesso é só seu. Assim, a sociedade brasileira sacramentou dois caminhos: um, da felicidade; outro, do fracasso.
‘Nenhum povo pode ser senhor do seu próprio destino sem conhecimento. E conhecimento deve ser compreensível.’
Você declarou, certa vez, que o “que provoca efetiva dor de cotovelo nos meus detratores é o fato de ter conseguido, com muito esforço, expor questões complexas de modo simples e compreensível para a maioria das pessoas”. No seu novo livro, a atenção à acessibilidade da linguagem também está presente. Para quem você escreve?
Agora, quais são os dois pilares do desenvolvimento de um país? Indústria e educação. Só que a educação está toda montada dentro de um contexto elitista. É Paulo Freire, pensamento crítico e educação libertadora para a classe média; e trevas para a classe trabalhadora. É loucura dizer que essa estrutura de educação classista é de esquerda. E apenas tende a transformar e sacralizar esse caminho perverso que monta a opressão de classes entre nós: duas educações, duas classes, dois tipos de indivíduo.
Não quero falar para seis pessoas. Nisso está embutida uma crítica ao próprio saber acadêmico. Passei minha vida juntando capital acadêmico, acumulando trabalho. Penso que estou usando um capital acadêmico de vanguarda com uma linguagem acessível. Nenhum povo pode ser senhor do seu próprio destino sem conhecimento. E conhecimento deve ser compreensível.
Tenho tentado fazer um esforço enorme de dizer coisas complexas que, com boa vontade e interesse, qualquer pessoa possa compreender. Não é por falta de conhecimento prévio e formação acadêmica que a pessoa não vai entender o livro. É por falta de coragem. A gente não nasce sabendo, é preciso aprender: aprender é um ato de coragem. A ciência pode ser libertadora; o conhecimento, empoderador. Imagina se o povo brasileiro compreende que está sendo enganado?
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Sociólogo diz que autocrítica em relação à sua própria posição o levou a uma ‘epifania’.

Gabi Di Bella/The Intercept Brasil
No campo da linguagem, destacaram-se autores de direita como Olavo de Carvalho, tido inclusive como intelectual vencedor dessa eleição. Como ele conseguiu arregimentar tantos adeptos?
A sociedade brasileira está em uma esquina em que uma série de aprendizados são necessários. Algumas pessoas estão começando a compreender o tamanho da fera que está a um metro de nós. Algumas pessoas que estavam muito acomodadas no seu mundinho. E, agora, ou a gente reformula esse comportamento, ou nós todos, como país, vamos perder. Esta questão está muito presente agora. Principalmente entre a esquerda colonizada por uma linguagem que só beneficiou a direita.
Você chegou a ser chamado de ‘Olavo de Carvalho da esquerda’. O que pensa da comparação?
Elite do atraso teve muita repercussão, muito além do que eu imaginava. Retornos de pessoas simples, o público que eu gostaria de atingir, me comoveram muito. A escola de samba Paraíso do Tuituti usou elementos; o presidente Lula leu o livro na prisão. Efetivamente, penso que pude fazer, pela primeira vez, uma interpretação crítica da sociedade brasileira de fio a pavio. Sei que é ambicioso dizer isso, e fico à disposição para quem queira contrapor meus argumentos. [O que propus no livro] compromete toda uma tradição de pensamento, de direita e de esquerda. O núcleo dessa tradição, esse liberalismo chique, aceita a ideia de corrupção política. O que fiz foi articular uma visão crítica, com encadeamento explícito dessas ideias. O novo livro A classe média no espelho é uma continuidade. Trago uma visão mais sofisticada e crítica do que a tradição intelectual brasileira. Estudei todas as classes anos a fio, dediquei uma vida inteira a isso. Logo, interpreto esse tipo de interpelação como inveja.
Por fim, professor, o livro propõe posicionar a classe média brasileira diante do espelho e revelar suas concepções do mundo. Enquanto integrante da classe média, como você afirma no livro, como você se vê diante do espelho?
No fundo, minha atividade é intelectual. E o intelectual, para criticar e inclusive para se autocriticar, precisa conhecer. Eu também tinha esse academicismo antes. Achava que meu público se limitava a uma dezena de pessoas que poderia compreender o que eu estava dizendo, como se “só eu e mais alguns aqui eleitos entendemos como o mundo funciona”. É isso, afinal, que as classes procuram: se distinguir uns dos outros. Isso move o ser humano tanto quanto dinheiro.
Embora eu tenha vindo de estratos mais baixos da classe média, como professor universitário pertenço à massa da classe média. E me questionei: numa sociedade perversa como a nossa, que peso a massa da classe média tem sobre a pobreza dos pobres?
Foi uma epifania quando compreendi que alguns, pensando que estavam à esquerda, estavam montando de uma forma ideológica o poder de meia dúzia de proprietários. Você cria uma distância em relação a você mesmo, uma autocompreensão. A partir da crítica da minha própria posição e dos pressupostos que ela envolve legitimando uma lógica, tentei a começar uma autocrítica e uma crítica da própria sociedade que tinha me marcado essa visão de mundo.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Estudante agredido no Instituto de Educação é enterrado em Turmalina

Velório aconteceu em Minas Novas e enterro em Turmalina, junto ao jazigo da mãe.

O corpo de Luiz Felipe Siqueira de Sousa, de 17 anos, foi velado em Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, na manhã desta quarta-feira (21,11), e seguiu para Turmalina, na mesma região, onde foi velado na casa do avô e enterrado no fim da tarde. O adolescente foi sepultado junto à mãe, que morreu quando Luiz tinha apenas 3 anos de idade.
O jovem morreu na manhã dessa terça-feira (20.11). Ele estava internado há uma semana no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII após ter sido gravemente agredido por um colega de escola de 18 anos.
O crime aconteceu no pátio do Instituto de Educação de Minas Gerais. A vítima jogava futebol com os colegas, quando houve um desentendimento entre os adolescentes. Imagens de câmeras de segurança mostram que Luiz Felipe foi agredido com socos e pontapés. Ele tentou fugir, mas foi perseguido pelo agressor.
A vítima caiu sobre uma escada e machucou a cabeça em um degrau. Alunos do Instituto de Educação teriam contado que, ao perceber a gravidade da situação, o agressor também tentou ajudar, mas os colegas do jovem o levaram para a sala dos professores. O suspeito foi preso preventivamente.
Luiz foi criado em Minas Novas e há cerca de três anos se mudou para São Paulo com o pai e o irmão mais novo. Ele foi trazido para Belo Horizonte por um tio, que conseguiu para o adolescente uma vaga no Instituto de Educação, uma das escolas mais tradicionais da capital mineira.
Luis Felipe Siqueira de Souza tinha 17 anos (Foto: Divulgação)

Reincidente
O rapaz preso por agredir Luiz Felipe tinha um histórico de atos violentos dentro do Instituto de Educação. Segundo um documento assinado pela diretora da escola, Alexandra Aparecida Morais, e endereçado à Justiça, o aluno “sempre apresentou comportamento agressivo com seus colegas em ambiente escolar. Tem dificuldades de obedecer regras e normas estabelecidas pela escola. Havendo, como provas, vários registros do seu comportamento durante os anos em que esteve presente no Iemg até o momento atual”. O documento pede que o suspeito não seja solto, em nome da segurança dos alunos que testemunharam o crime.
A reportagem ouviu a defesa do agressor, que afirmou que o jovem está assustado e arrependido por tudo o que aconteceu. Segundo William Vaz, defensor público responsável pelo caso, a defesa vai pedir que ele seja julgado por lesão corporal. “Ele não teve a intenção de matar o colega. Houve, sim, a agressão, mas ela não foi iniciada com esse intuito. A pena deve ser maior agora porque a lesão resultou em morte, mas a própria família dele defende que a justiça seja feita, mas da forma certa”, justificou.
Fonte: Hoje em Dia

Governador Zema nomes dos Secretários de Fazenda e Planejamento e Gestão

Conheça os dois primeiros secretários anunciados por Romeu Zema

O governador eleito de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO), fez o anúncio em suas redes sociais, nesta quinta-feira (22/11/2018), dos nomes dos futuros secretários estaduais de Fazenda e de Planejamento e Gestão. O secretário da Fazenda é o contador Gustavo Barbosa, 53 anos, e o de Planejamento e Gestão, o engenheiro Otto Alexandre Levy Reis, 53 anos.
“Definimos que o anúncio dos secretários vai seguir um alinhamento entre as pastas. Dessa forma anunciamos hoje os nomes que vão comandar as secretarias de Fazenda, Planejamento e Gestão”, disse o governador Romeu Zema, que participou, nesta quinta-feira, de encontros com empresários e investidores em São Paulo (SP), seguindo o planejamento de já começar a atrair novos negócios e empresas para Minas antes mesmo de tomar posse no dia 1º de janeiro de 2019.
Perfis:
Gustavo Barbosa é mineiro de Uberaba. Graduado em Ciências Contábeis e pós-graduado em Gestão Executiva de Fundos de Pensão, no Distrito Federal, ele tem a experiência de ter sido secretário de Finanças e Planejamento do Estado do Rio de Janeiro, responsável pelo plano de recuperação fiscal do estado. Ele também foi Gerente Nacional de Previdência Pública e Privada e Gerente de Relacionamento Institucional da Caixa Econômica Federal.
Gustavo Barbosa (Foto: Divulgação/NOVO)

Otto Levy Reis é natural de Belo Horizonte (MG) e graduado em Engenharia Metalúrgica pela UFMG. Já foi vice-presidente de Gente e Gestão, vice-presidente Comercial e de Marketing, tendo sido mais recentemente o Chief Operating Officer (COO) da Magnesita Refratários. Tem diversos cursos no Brasil, Estados Unidos e Japão em Recursos Humanos (RH) e Gestão.
Otto Alexandre Levy Reis (Foto: Divulgação/NOVO)

Fonte: Ascom - Novo