terça-feira, 20 de março de 2012

Francisco Badaró define seus candidatos a prefeito

Francisco Badaró caminha para a 
definição de seus candidatos a prefeito
Vista parcial da cidade de Francisco Badaró
O município de Francisco Badaró, no Médio Jequitinhonha, no nordeste de Minas, vem vivendo momentos de expectativas sobre a indicação de seus candidatos a prefeito para as eleições deste ano. O prefeito José João Figueiró (2005-2012) está fazendo suas articulações para fazer seu sucessor. Ou sucessora. Pois, uma possível candidata é a Secretária Municipal de Saúde, Maria Aparecida Rodrigues, a Cida. Outro nome que corre à boca pequena como possível candidato da atual administração é Adelino da Prefeitura. Ele tem uma boa experiência na gestão das coisas públicas.

Já Cida é reconhecida como uma das mais destacadas gestoras de saúde da região, em um setor que geralmente é mal avaliado pela população. O inverso acontece em Francisco Badaró. A população elogia a gestão da saúde. 


Participei da Conferência Municipal de Saúde, em 2011, e vi os profissionais e usuários de saúde debatendo números, acesso e o acolhimento nos serviços. 
Os usuários formaram e participam ativamente dos Conselhos Comunitários, realizando o controle social da área pública. Os profissionais de saúde - principalmente os médicos - sempre estão presentes nas unidades de saúde, até mesmo nas mais distantes da sede urbana. Estes dois fatos não são comuns na maioria dos municípios da nossa região. 

Cida tem um perfil de gestora pública eficiente e rápida nas soluções dos problemas da sua área, além de prestativa e dedicada.

A oposição política acredita que pode ter sucesso nas eleições de outubro. O candidato do PT, em 2008, que perdeu as eleições por pequena diferença, o professor Sérgio, filiou-se ao PV, e se candidata de novo. Deseja fazer alianças com seu ex-partido, além da já clássica com o PSDB, comandada pelo ex-prefeito Clésio Viana.

No PT, fala-se em candidatura própria do vereador Reginaldo, da região do Pacheco, e Osvaldo da Emater. Porém, aposta-se, em todas as rodas, que só sairão dois candidatos a prefeito, com o/a apoiado/a pelo prefeito e outro da oposição. 


Como bom articulador político José João tenta atrair o PT pra sua aliança que se tornou o fiel da balança na política local. 

500 vagas no Concurso de Almenara


Prefeitura de Almenara abre concurso com 500 vagas

A Prefeitura oferece vagas para candidatos de todos os níveis de escolaridade, com o salário de até R$ 2.400,00.

Vista parcial da cidade de Almenara, polo regional 
do Baixo Jequitinhonha
A Prefeitura de Almenara, no Baixo Jequitinhonha, nordeste de Minas, publicou mais novo edital.almenara de concurso público nº 01/2012.
Serão abertas 500 vagas, sendo 316 imediatas e 184 para formação de cadastro de reserva. O salário previsto é de até R$ 2.400,00, por jornadas de 20 a 40 horas semanais.

As vagas são para os cargos de contador, nutricionista, psicólogo, pedagogo, engenheiro civil, professor, fiscal de obras e posturas, fiscal de rendas, fiscal sanitário, mecânico, motorista, operário, serviços gerais, vigia, auxiliar em desenvolvimento infantil, inspetor escolar e demais cargos.

As inscrições poderão ser feitas via internet, através do site www.grupoantonioroza.com.br, organizadora do Concurso, no período de 8h do dia 7 de abril até às 22 horas do dia 7 de maio de 2012. 

Estará disponível a qualquer interessado um posto de atendimento para inscrição, na Sede da Prefeitura Municipal de Almenara, Praça Dr. Hélio Rocha Guimarães, 27 - centro - Almenara - MG, no mesmo período acima citado, exceto sábados, domingos e feriados, das 9h às 16h.

A taxa de inscrição varia de acordo com o nível de escolaridade, sendo R$ 30,00 para nível fundamental, R$ 50,00 para nível médio e R$ 80,00 para nível superior.

As provas objetivas serão realizadas nos dias 9 e 10 de junho de 2012 e as provas práticas serão aplicadas no dia 10 de junho de 2012. O horário e local serão informados na ficha de inscrição definitiva.

Os gabaritos serão divulgados no dia 10 de junho de 2012 no local de realização das provas, logo após a conclusão das provas, e no dia 11 de junho de 2012 estarão disponíveis no site www.grupoantonioroza.com.br e na sede da Prefeitura Municipal de Almenara.

O prazo de validade do concurso é de 02 (dois) anos, a contar da data de publicação de sua homologação, podendo ser prorrogado uma única vez por igual período.

Política nacional parece com a mineira


Algo parecido nas políticas mineira e nacional

Ontem, o senador Clésio Andrade recebeu tratamento de dia de noivo. Sua filiação ao PMDB foi digna de estrela nacional da política, com presença do vice-presidente Michel Temer, presidente nacional do PMDB  e o líder no senado, Renan Calheiros. Um certo exagero, diga-se de passagem. De qualquer maneira, Clésio já é candidato ao governo mineiro. 
O cenário de sucessão do governador Antonio Anastasia se complica. O PSDB mineiro não possui, no momento, um candidato de peso. O PT já lançou Fernando Pimentel. Agora, o PMDB se apresenta na disputa.
A história tem algo de similar com o drama do governo Dilma. Se Lula não retornar ao centro da política nacional, a "falta de jeito Dilma de governar" alimentará que todos partidos aliados lancem seus candidatos à sucessão presidencial.
Dilma e Anastasia compartilham pesadelos.

Texto do cientista político Rudá Ricci, professor da PUC-MG, no seu Blog 

Regional de Pedra Azul capacita profissionais sobre classificação de risco

Regional de Pedra Azul capacita médicos e enfermeiro sobre classificação de risco

Allan Campos/GRS Pedra Azul
Profissionais aprenderam a operacionalização do sistema Alert instalado no equipamento chamado de Trius, que é o posto de triagem
Profissionais aprenderam a operacionalização do sistema Alert instalado no equipamento chamado de Trius, que é o posto de triagem
Com o objetivo de capacitar os médicos e enfermeiros da microrregião de Pedra Azul, no Médio Jequitinhonha, nordeste de Minas, certificados no protocolo de Manchester para que possam utilizar o sistema Alert de classificação de risco, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG)e a Gerência Regional de Saúde de Pedra Azul, em parceria com a empresa ToLife, realizaram uma capacitação sobre a operacionalização do sistema Alert instalado no equipamento chamado de Trius, que é o posto de triagem.
Os municípios que aderiam ao protocolo de Manchester receberam os Trius que possuem equipamentos acoplados - medidores de temperatura timpânica e oxímetro de pulso. Estes equipamentos irão ajudar os profissionais a realizar a classificação de risco, garantindo uma maior segurança, já que os medidores integrados permitirão o envio automático das medidas aferidas, buscando eliminar a ocorrência de erros.
A enfermeira e representante da empresa ToLife, Lívia Teixeira, afirmou que o equipamento Trius tem como vantagem o uso exclusivo para a classificação de risco de paciente, evitando, com isso, o desvio da função dos equipamentos para outras finalidades, além de maior agilidade e confiabilidade no processo de classificação de risco.
“A partir do momento que o paciente estiver na unidade de saúde para ser atendido, o médico ou o enfermeiro irão utilizar o sistema baseado no Manchester para classificar o paciente, definindo assim a sua prioridade. O sistema informatizado será muito importante neste processo, porque irá evitar erros que o profissional pode vir a cometer caso o processo seja feito de modo manual”, explicou Teixeira, ao ressaltar que o profissional não pode deixar de realizar a classificação do paciente, mesmo no caso do equipamento apresentar qualquer problema.

Diamantina: Ginástica Para Todos tem adesão de crianças e adolescentes

Diamantina: Ginástica Para Todos tem
adesão de crianças e jovens
O Programa Ginástica para Todos tem sido aceito por vários municipios. Um deles é Dimantina, no Alto Jequitinhonha.. Coordenado pela Secretaria de Estado de Esportes e da Juventude (Seej) em parceria com a Federação Mineira de Ginástica (FMG), o programa ganhou  a adesão de crianças e jovens, além de adultos que por iniciativa própria ou por recomendação médica estão buscando alternativas para ter uma vida mais saudável.
A dona de casa, Maria José Pereira entende que a prática de exercícios físicos deve ser incentivada à população de todas as faixas etárias
A instalação de um conjunto de oito equipamentos na Praça Sagrado Coração, próxima ao Largo Dom João, no centro de Diamantina, agradou o comerciante Oliveira Rodrigues dos Santos, 69 anos. Diariamente, preferencialmente nos finais de tarde, o comerciante utiliza os equipamentos para a prática de exercícios físicos em substituição a quatro quilômetros de caminhada que fazia anteriormente.
“Fazer exercícios utilizando os equipamentos instalados na praça tem me proporcionado melhor qualidade de vida. Isso porque movimento todas as partes do corpo e me sinto melhor, tanto no que se refere à condição física como a disposição para continuar trabalhando. Estou satisfeito com a iniciativa do Governo do Estado, uma vez que é preciso incentivar a população a ter uma vida saudável”, observa o comerciante.
Por recomendação médica, a dona de casa Maria José Alves Pereira, de 56 anos, também passou a utilizar os equipamentos do Programa Ginástica para Todos para a prática de exercícios físicos. Diariamente, ela aproveita os passeios de finais de tarde com o neto Thiago Augusto para praticar exercícios físicos.
Maria José revela que no início deste ano, durante viagem ao Nordeste, sentiu-se mal e ao procurar um cardiologista tomou conhecimento de que está com problemas de pressão alta. Logo que retornou a Diamantina, obteve a confirmação de um médico de que está com a pressão alta e, aliado ao uso de medicamentos, foi orientada a praticar exercícios físicos.
“Com a instalação dos equipamentos do Programa Ginástica para Todos em espaço público, tenho mais facilidade para seguir as recomendações médicas, aliando a prática de exercícios físicos com a natação que já vinha praticando anteriormente. Aproveito os finais de tarde para, desde cedo, incentivar meu neto a ter uma vida saudável. Afinal, a obesidade infantil tem se tornado um problema de saúde pública”,  diz Maria José.
A contabilista Adenilse de Fátima Ribeiro também elogia o Programa Ginástica para Todos, iniciativa que o Governo de Minas tem procurado difundir no Estado em parceria com as prefeituras. Ela destaca o fato do Programa aliar campanhas de saúde à instalação de equipamentos de ginástica em ambientes públicos e diz que ele tem funcionado como um importante estímulo para que a população passe a praticar exercícios físicos com regularidade. “Muitas pessoas não têm condições financeiras para pagar uma academia de ginástica e, com os equipamentos instalados em praças públicas, basta disposição para que crianças, jovens e adultos pratiquem exercícios com regularidade”, conclui Adenilse.

Almenara: Instituto Federal oferece 5 vagas para professores

Instituto Federal de Almenara abre 5 vagas para professores
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, Campus Almenara, abriu o Processo Seletivo, oferecendo 5 vagas para professores, para contratação temporária de 12 meses, podendo ser prorrogado o prazo por igual período.

As vagas oferecidas são para professores de Língua Inglesa, Informática, Zootecnia, Matemática e Geografia.

A carga horária de trabalho é de 40 horas, para um salário de R$ 2.130,33 a R$ 3.678,74, dependendo do nível de graduação do candidato. O menor salário é para graduação e o maior para quem possui doutorado, além do Auxílio – Alimentação de R$ 304,00 .

 As inscrições serão no período de 20 a 27 de março de 2012, na sede do IFNMG, situado na Rodovia BR 367, Km 07, s/n – Almenara-MG. Informações poderão ser obtidas no (33) 3508-1106..

Mais informações no Edital:  www.ifnmg.edu.br/almenara

Itaobim inaugura SAMU

SAMU é inaugurado em Itaobim

SAMU TERÁ EQUIPAMENTOS DE PONTA
A inauguração mostrou o esforço conjunto desenvolvido pelos municípios a fim de que o serviço começasse a funcionar na região. 

O atendimento de urgência e emergência entrou na era tecnológica em Minas Geriais. Agora, as Equipes do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) estão testando o uso de GPS e de tablets nas ambulâncias.


O objetivo é agilizar atendimentos numa área da saúde em que qualquer minuto perdido pode representar a morte de um paciente com complicações graves.

Com os dados do GPS, a central de regulação do serviço, conseguirá acompanhar em tempo real os veículos e saber qual está mais próximo e disponível para atender a uma ocorrência.

A localização das ambulâncias aparece sobre um mapa da região na tela. A inovação serve para agilizar os resgates, reduzindo tempo de deslocamento e otimizando os recursos materiais e humanos. Com os computadores portáteis, a equipe de resgate pode enviar durante o deslocamento a ficha do paciente para o hospital de destino, fotos do local.

Os tablets também servem para registro de informações do atendimento e dos materiais utilizados. Com isso, a gerência do serviço saberá como está o estoque de determinado suprimento, por exemplo.

Recursos que estão ou estarão à disposição dos profissionais

-GPS - 
Na central do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), a localização de todas as ambulâncias aparecem sobre o mapa.
-Tablets - Os computadores portáteis têm software para registrar procedimentos, materiais gastos e transferir ficha dos pacientes para o hospital de destino.
-Videoconferência - Tablets poderão ser usados na comunicação da equipe no local do atendimento com a da central de regulação.

FONTE: FOLHA DOS VALES

Comentário:
Os serviços de resgate, urgência e emergência realizados pelo SAMU são um grande ganho para as populações do interior do país. O Vale do Jequitinhonha está bem servido nesta área com unidades espalhadas por toda a região, muitas já iniciando suas atividades, como esta de Itaobim, com total apoio da administração do prefeito João Pereira. O presidente Lula e o Ministério da Saúde acertaram em cheio quando iniciaram este projeto que só existia em grandes cidades brasileiras.

segunda-feira, 19 de março de 2012


O PAPA EM CUBA

Virgem da caridade do cobre.
Frei Betto
Para desgosto e fracasso das pressões diplomáticas da Casa Branca, o papa Bento XVI chega a Cuba dia 26 de março. Fica três dias na Ilha, após entrar na América Latina pelo México. A 28 de março, celebra missa na Praça da Revolução, em Havana.

Bento XVI celebrará, em Santiago de Cuba – histórica cidade do Quartel Moncada, onde Fidel iniciou sua luta revolucionária, em 1953 – os 400 anos da aparição da Virgem da Caridade do Cobre.

Em 1998, logo após o papa João Paulo II encerrar sua visita a Cuba, participei de almoço oferecido por Fidel a um grupo de teólogos. Em certo momento, um teólogo italiano manifestou, do alto de seu esquerdismo, indignação pelo fato de o pontífice haver presenteado a Virgem da Caridade com uma coroa de ouro.

Fidel não escondeu seu desconforto. E reagiu: “A Virgem do Cobre não é apenas padroeira dos católicos de Cuba. É padroeira da nação cubana.” E passou a relatar como sua mãe, Lina Ruz, católica devota, fez ele e Raúl prometerem que, se saíssem vivos de Sierra Maestra, haveriam de depositar suas armas junto ao santuário, para pagar a promessa que ela fizera. Em 1983, ao visitar o santuário pela primeira vez, vi ali as armas.

Por essas “cristoincidências” que só a fé explica e as pesquisas elucidam, a Virgem da Caridade e Nossa Senhora Aparecida têm tanto em comum quanto Cuba e Brasil. Como disse Inácio de Loyola Brandão, “Cuba é uma Bahia que deu certo”. As duas imagens foram encontradas durante a colonização: lá, em 1612, a espanhola; aqui, em 1717, a portuguesa. As duas, na água. As duas achadas por três pescadores. Lá, no mar; aqui, no rio Paraíba. As duas são negras.

O papa chega a Cuba no momento em que o país passa por mudanças substanciais, sem, no entanto, abandonar seu projeto socialista. Há um processo progressivo de desestatização, abertura à iniciativa privada, e mais de 2 mil prisioneiros foram soltos nos últimos meses.

Hoje, as relações entre governo e Igreja Católica podem ser qualificadas de excelentes. Já não há na Ilha resquícios do clero de origem espanhola e formação franquista, que tanto incrementou o anticomunismo nos primeiros anos da Revolução, quando um padre promoveu a criminosa Operação Peter Pan: convenceu os pais de 14 mil crianças de que haveriam de perder o pátrio poder e que seus filhos passariam às mãos do Estado… Carregou as crianças para Miami, sem pais e mães, e o resultado, como se pode imaginar, foi catastrófico. A Revolução não foi derrotada pela invasão da Baía dos Porcos, patrocinada pelo governo Kennedy, e nem todas as crianças escaparam de um futuro de delinquência, drogas e outros transtornos. Milhares jamais foram localizadas depois pelas famílias.

Tanto o Vaticano quanto os bispos cubanos são contrários ao bloqueio que os EUA impõem à Ilha. Pode-se discordar de muitos aspectos do socialismo daquele país, mas ninguém jamais viu a foto de uma criança cubana jogada na rua, famílias morando debaixo da ponte e máfias de drogas. Em Havana, um outdoor exibe um menino sorridente com esta frase abaixo da foto: “Esta noite 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma delas é cubana”.

Cuba tem muitos defeitos, mas não o de negar a 11 milhões de habitantes os direitos humanos fundamentais: alimentação, saúde, educação, moradia, trabalho e arte (vide o cinema e o Buena Vista Social Club). O que mereceu elogios de João Paulo II durante sua visita de sete dias – uma das mais longas de seu pontificado.

Hoje, Cuba recebe, proporcionalmente, mais turistas que o Brasil. O que é uma vergonha para nosso país de dimensões continentais e com tantos atrativos. A diferença é que Cuba promove não apenas turismo de lazer (suas praias são paradisíacas), mas também turismo científico, cultural, artístico e desportivo.

A Revolução Cubana resiste há 54 anos, malgrado os atos terroristas contra aquele país, descritos em detalhes no best-seller de Fernando Morais, Os últimos cinco soldados da guerra fria (Companhia das Letras, 2011). E o fato de suportar, no seu litoral, a base estadunidense em Guantánamo, que lhe rouba parte do território, para utilizá-lo como cárcere de supostos terroristas sequestrados mundo afora.

Quem sabe a resistência cubana seja mais um milagre da Virgem da Caridade…

Frei Betto é mineiro de Belo Horizonte. Teólogo, escritor, cronista e assessor de movimentos populares. Foi Assessor Especial do Presidente Lula, entre 2003 e 2005. Já publicou mais de 40 livros, entre eles Mosca Azul e Caleidoscópio do poder.

O que o Aécio anda fazendo nestas eleições


Os passos de Aécio para 2012 e 2014

Há novidades no ar em relação aos passos do senador Aécio Neves:
1) Acertou apoio a Carlin Moura (PCdoB) para as eleições de Contagem (governada pelo PT). Onde o PSDB não tem candidato, tenta apoiar um partido que retire a prefeitura do PT. Onde isto não é possível, tenta aliança com o PT;
2) Estuda, para 2014, apoiar Fernando Pimentel ou.... destruí-lo em 2013 para viabilizar a candidatura de Walfrido Mares Guia (PSB-MG).

Muita água vai rolar por baixo desta ponte.

Publicado pelo cientista político Rudá Ricci

Vale do Jequitinhonha: Municípios que se emanciparam estão mais pobres do que antes


Municípios do Jequitinhonha que se emanciparam
estão mais pobres do que antes
Por Daniel Camargos, do Estado de Minas 
Nos vales do Jequitinhonha e do Mucuri, a população das novas cidades ainda aguarda pela promessa de um futuro promissor. IDH dos municípios de origem é maior que dos novatos

Angelândia e Setubinha - Rafael, Samuel, Luciene, Lucimar, Luiz, Ana Luiza e Maria Luiza são todos filhos de Antônia Luiza Neta, de 35 anos. Os sete também são herdeiros da triste realidade de Setubinha, no Vale do Mucuri, a cidade com o mais baixo índice de Desenvolvimento Humano (IDH)de Minas Gerais. Tranformada em município desde o final de 1995, na última onda de emancipações das cidades mineiras, o povoado que era distrito de Malacacheta potencializa um problema comum às novatas: não consegue viabilizar oportunidades para os moradores e se sustenta essencialmente do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

"Melhorou porque a cidade tem médico. Antes tinha que fazer uma
vaquinha para alugar um carro e ir até Malacacheta". 
Antônia Luiza Neta, sete filhos, de Setubinha
“Vem um pessoal de Belo Horizonte aqui e faz caridade. Deixam sempre uma cesta básica. Eles também ajudaram a fazer dois cômodos na minha casa”, conta Antônia. Os dois primeiros filhos, de 16 e 12 anos, são de um casamento já desfeito. Os outros cinco (9,7,5,2 anos e três meses de idade) são filhos do atual marido, Luiz Teixeira Salomão, de 79 anos. A renda do salário mínimo da aposentadoria de Luiz é que sustenta os sete filhos. Os outros oito filhos do primeiro casamento de Luiz não contam mais com a ajuda do pai, que com problemas de visão ficou impedido de fazer as cangaias (artefato usado nos burros para carregar lenha), antes usadas para complementar a renda.

A situação da família de Antônia é pior porque Luiz, de 5 anos, teve que fazer uma colostomia. “O que chega do salário do meu marido é R$ 140. Fizemos vários empréstimos para tratar do Luiz e agora é tudo descontado”, lamenta Antônia. Mesmo assim ela entende que antes, quando Setubinha era apenas um distrito, a situação era pior. “Melhorou porque a cidade tem médico. Antes tinha que fazer uma vaquinha para alugar um carro e ir até Malacacheta”, lembra Antônia.
O nome de Setubinha é pomposo. Vem dos colonizadores portugueses, que chamaram um dos rios que cortam a terra que povoaram de Setúbal, homenagem ao distrito português. A região ficou conhecida como pequena Setúbal e, mineiramente, foi transformada em Setubinha. Porém, as semelhanças com a inspiradora européia param aí. Setubinha, no Vale do Mucuri, no limite com o Vale do Jequitinhonha, ostenta o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre as 853 cidades mineiras.

O prefeito de Setubinha, João Barbosa, o João do Téo (PSDB), recebeu a cidade já com o fardo do IDH. Mas João não pode colocar a culpa da realidade nos antecessores políticos, pois seu pai, Téo Barbosa, foi o primeiro prefeito da cidade emancipada, ficando no cargo de 1997 até 2004. O prefeito atual também não pode se gabar de ter experiência para o imenso desafio, pois é o segundo prefeito mais jovem do Brasil, com 26 anos. Quando eleito, tinha 23.

O pai de João foi também vereador em Malacacheta, antes da emancipação, de 1988 a 1995, e um dos entusiastas para que Setubinha se transformasse em cidade. Os ganhos, segundo o prefeito, foram muitos. “Construí seis policlínicas na área rural, tenho três equipes do Programa de Saúde da Família e três dentistas”, enumera João, que administra uma cidade com 10,8 mil habitantes, sendo 80% na área rural.

Salário de R$ 8 mil

Com um orçamento mensal que varia entre R$ 500 mil e R$ 550 mil, mais de 90% são provenientes do FPM. Somente com pagamento dos funcionários da prefeitura os gastos chegam a R$ 420 mil. O prefeito também tem um pedaço farto desse bolo, com o salário de R$ 8 mil. Mas os principais gastos, segundo o prefeito, são com a saúde. “Para conseguir atrair um médico para trabalhar aqui preciso pagar um salário de R$ 17 mil”, afirma.

“O principal problema na cidade é moradia, principalmente na área rural, e banheiro. Muitas famílias não o tem dentro de casa”, detalha o prefeito. É o que ocorre na casa de Geraldo Rodrigues Marques, de 51 anos. Morador da Zona Rural, do local conhecido como Promotório, Geraldo tem nove filhos, sendo que o mais velho tem 18 anos e o mais novo 6. “Planto mandioca, abacaxi, milho e feijão. Tiro parte para alimentação e vendo o resto”, explica Geraldo, que consegue cerca de R$ 100 por mês e conta para a sobrevivência com o Bolsa-Família, que garante mais R$ 268 por mês.

IDH revela pobreza

Ferramenta usada pelas Nações Unidas para avaliar o grau de desenvolvimento dos países, estados e cidades, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) ajuda a entender que a emancipação nem sempre é sinônimo de desenvolvimento. Setubinha tem IDH de 0,568, o mais baixo do estado, bem inferior ao cidade que lhe deu origem, Malacacheta (IDH de 0,653). O mesmo acontece com Angelândia (IDH de 0.635) e Capelinha (0.673). Quanto mais próximo de 1, maior o grau de desenvolvimento da cidade. O melhor IDH de Minas Gerais é de Poços de Caldas, na Região Sul: 0,841. O IDH da Noruega, o mais alto do mundo, é 0,943. O do Congo, na África, 0, 286.

Fuga de divisas e empregos

Angelândia, no Vale do Jequitinhonha, também foi emancipada na mesma época de Setubinha, no final de 1995. Antigo distrito de Capelinha, inicialmente chamada de Vila dos Anjos, a cidade não sofre com a miséria de Setubinha, mas sofre do mesmo problema: a dependência do FPM. A prefeita Zélia Cardoso de Souza (PSDB) explica que dos R$ 500 mil de receita por mês mais de 80% vêem do FPM, sendo que o restante é proveniente do Imposto de Circulação sobre Mercadoria e Serviços (ICMS).

“Somos grandes produtores de café, mas o café não é faturado aqui. Vai todo para Capelinha, que fica com o ICMS”, reclama a prefeita, que diz pleitear a instalação de um posto da Receita Estadual na cidade para evitar a fuga de divisas. Outro problema, típico das cidades jovens, é o grande compromisso do orçamento com o pagamento dos funcionários públicos. “Tenho 49% do dinheiro comprometido com o funcionalismo. Estou próxima do limite permitido pela lei, que é de 54%”, lamenta a prefeita.

Para não ficar totalmente dependente do FPM, o desejo da prefeita é conseguir atrair uma indústria para a cidade, aumentando assim a arrecadação do ICMS e a disponibilidade de empregos. “São pouco mais de 8 mil habitantes aqui. Porém, muita gente saiu da cidade para trabalhar. É gente que gosta da cidade e que, se tivesse emprego, continuaria aqui”, entende a prefeita. Estimativas da prefeitura calculam que 2 mil pessoas vivem e trabalham em Nova Serrana, no Centro-Oeste do estado, onde a indústria de calçados é forte em Conchal (SP), nas lavouras, principalmente de cana-de-açúcar.

Elisângela Fagundes de Oliveira, de 27 anos, é viúva e tem três filhos. Conseguiu um emprego de babá, gosta da vida em Angelândia e é justamente a pouca oferta de empregos o que a desagrada na cidade. “Tem pouca oportunidade. A maioria trabalha na prefeitura ou em algum comércio, mas não tem para todo mundo”, entende Elisângela. (DC).

A grande aula do povo do Jequitinhonha na luta pela UFVJM


A luta pela UFVJM: 

uma grande lição de democracia


Por Alexandre Macedo e Douglas Lima

Chegou o grande dia da decisão do Conselho Universitário (Consu) e, enfim, recebemos uma boa notícia: a UFVJM realmente é nossa! Um momento a ser comemorado por todos nós, pois é essencialmente histórico. Nunca na história do Vale, houve um coletivo tão combatente em prol de uma causa como aconteceu no caso da UFVJM.

Cidadãos, prefeitos, vereadores, deputados, empresários e outros se uniram todos em torno desse objetivo tão nobre e importante à todos os Jequitinhonhenses: o sonho de ter uma Universidade Federal instalada em nosso território.

Foi uma luta árdua, com vários embates com o reitor, que envolveu busca por apoio político e articulações com pessoas que, de uma maneira ou outra, ajudaram a fazer com que o grito do povo do Vale reverberasse. Luta também que contou com o grande apoio das mídias impressas e virtuais do Vale e recolheu milhares de assinaturas em abaixo-assinados. Sem também esquecer das várias reuniões, onde muitos cidadãos discutiram estratégias para que esta indicação se concretizasse.

Em todo este processo, não devemos nunca nos esquecer de uma lição tão importante aprendida nessa empreitada: a de que sem uma sociedade civil organizada e atuante é impossível uma grande conquista. Nada acontece quando a sociedade civil deixa de exercer seus direitos civis e políticos.

Para quem não se lembra, a luta pela UFJM foi iniciada por cidadãos comuns, indignados com a decisão do MEC-Sesu de criar campi universitários em cidades de outras regiões. O fato ganhou rapidamente grande repercussão, iniciada pelos blogs e também por usuários do Facebook (onde maior parte das estratégias foram traçadas). Quando a ideia ganhou força entre a sociedade civil, a sociedade política foi despertada, e a partir de então, começaram a surgir os primeiros representantes do Executivo e Legislativo Municipais e Estaduais a apoiar a causa. Sociedade civil e política, a partir de então, formaram uma parceria, na qual unidos, chegaram ao resultado que se deu definitivamente na tarde do dia 16 de março.


A intenção desse texto é justamente despertar para essa realidade. Sem a nossa participação na vida social de nossas cidades e Estado não existe dinâmica política eficiente. Desta vez, tivemos a certeza de que não se pode mais esperar com que as coisas aconteçam somente por meio de nossos representantes, pois é a sociedade civil que deve impulsionar o trabalho destes. Afinal, o nome “representante” não é por acaso. Tal denominação é dada justamente porque somos representados por eles. Seremos representados verdadeiramente quando manifestarmos a nossa vontade por meio de nossas reivindicações. Quando nos calamos a representação não vai existir e a partir disso, deixaremos a responsabilidade somente aos nossos representantes, que nunca darão conta de todos os nossos anseios. 


Portanto, é chegada a hora de mudarmos essa dinâmica de uma vez por todas. Por isso, é importante a criação de Associações de Bairros, clubes de mães, grêmios estudantis e outras organizações para que se inaugure uma sociedade civil articulada e conectada ao que acontece em nosso meio político. 

São muitos os trabalhos que podemos desenvolver como: fiscalização de verbas, cobrança de promessas eleitorais, reunião com representante para cobrança de melhorias, etc.

Afinal, nós cidadãos podemos fazer muito por nossas cidades por meio do exercício de nossa cidadania. Que essa conquista seja apenas o início de grandes lutas que travaremos também em outras áreas como a tão precária saúde pública, habitação, lazer, cultura, saneamento básico e outros. 


Juntos, podemos muito! Quando o povo quer e reivindica não tem outro jeito!

Finalizamos parabenizando a todos aqueles que se envolveram diretamente ou indiretamente na luta pela indicação de Capelinha como polo da UFVJM. Sabemos que a batalha foi vencida, mas a guerra ainda continua. Que sigamos incansáveis em todo este processo, pois a vitória já está no papel, restando agora a concretização de fato. E esta parte ainda necessita muito de nossa luta. Avante todos! Pois o futuro sinaliza bons tempos...

A luta das mulheres por campus da UFVJM em cidades do Vale

Uma mulher, uma pesquisa 

e o sonho do povo

 A História da mulher que transformou o sonho das mulheres do Vale na maior luta da história por universidade no Brasil

"Nós não somos cidadãos de segunda classe, queremos
 respeito para com a nossa luta". Maria do Rosário Sampaio 

Hélio Souza 

A história do movimento em prol de um Campus da UFVJM em Cidades do Vale, remonta um período um pouco mais distante do já conhecido. Essa luta, tem 
como personagem a pesquisa de doutorando realizadano período de Novembro
de 2010 a março de 2011, nos 4 cantos do vale, para saber o real anseio das 
“Viuvas de Maridos Vivos”  do Vale do Jequitinhonha

Ao realizar diversas entrevistas com mulheres e grupos sociais do vale, Maria do
Rosário Sampaio que é Jornalista, Pesquisadora FUNDACENTRO/MTE e 
Doutoranda PPGSS/UERJ, ou Zara Sampaio como gosta de ser chamada, 
descobriu algo comum entre elas:o sonho de que seus filhos possam  aceder à 
universidade pública na própria Cidade, já que não viam o PROUNI como solução,
pois não dispõem de recursos que este  requer.Para elas, uma universidade 
poderia estancar o fluxo migratório do qual sua família tem 
historicamente participado.Além disso, sabem que as inovações 
técnicas-científicas, cada vez mais rapidamente, expelirão  a força de 
trabalho dos processos produtivos.

Neste cenário, a sensibilidade da Jornalista, voltou-se para o interesse
em mobilizar essas “filhas sofridas do vale” pela luta por educação superior 
gratuita em Capelinha, cabendo-lhes como tarefa inicial, coletar assinatura 
de adeptos à causa e envio da documentação produzida às autoridades 
competentes.

Vendo que isso não suficiente, Zara Sampaio conta que decidiu enviar  
mensagens a muitos que pautam "o andar brasileiro " seja pelo prestígio, 
seu poder econômico ou político.

Com efeito, em agosto de 2011, a Presidente Dilma anunciou que a expansão
da UFVJM não contemplava o seu próprio território. Tal notícia contrariou o 
povo do Jequitinhonha, que através das redes sociais, postaram diversos 
protestos, contra a decisão. 

Álbano Silveira, Banu, foi um dos Fazedores do vale, que respondeu no mesmo]
tom e dose de insatisfação com as decisões reveladas pelo governo. Ali,na 
mesma hora e juntos, decidiram lançar uma petição pública on line, com a
marca do Movimento “A UFVJM é Nossa surgia.

Eram então um grupo pequeno,mas,muito produtivo formado por Maria 
do Rosário Sampaio, Albano Silveira,Eric Renan Ramalho,Bernardo Vieira,Pedro
Higino Freire,Omar Freire, Marta Sampaio,Douglas Lima,Anna Angélica 
Soares, Francianny Bezerra,Marlice Ornellas,Hélio Silva, Fábio Xavier (moderador
do blog avança Jequi,onde reuniões on line aconteciam inicialmente), etc.

Em encontros diários via facebook, discutiam as estratégias para enfrentamento
da questão e elaboravam documentação a ser enviada à Reitoria e  
Conselho Universitário- CONSU da UFVJM.

Em nome do movimento, correspondências foram enviadas ao Reitor da
UFVJM.  Participaram da reunião de CONSU quando foi anunciada a decisão de
acatar nossa reivindicação: instalação de 3 (três)campi da UFVJM no 
Jequitinhonha adentro.

Assim que esta decisão se tornou pública, o Vale do Jequitinhonha se 
envolveu completamente na luta tendo o movimento recebido milhares 
adeptos de todos os cantos em poucos meses.

Na avaliação da idealizadora, Maria do Rosário Sampaio, o movimento social 
teve uma importância muito grande para que tudo se concretizasse.

A mulher, forte e guerreira, hoje se sente aliviada, e se prepara para a próxima 
etapa: A construção do Campus Universitário em Capelinha, Araçuaí e Almenara.
Publicado no Jornal A cidade, de Capelinha