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quarta-feira, 21 de abril de 2021

Os inconfidentes corruptos do Vale do Jequitinhonha

 Os inconfidentes Domingos de Abreu Vieira e Padre Rolim participaram da Inconfidência Mineira para fugir do fisco,  por posse de riquezas, não abrindo mão da escravidão dos negros .

A Inconfidência também passou pelo Vale do Jequitinhonha. 
Quem diria? 
E foi a sua parte mais podre - se é que tem alguma que é sadia - que se destacou.

Domingos de Abreu Vieira e Padre Rolim são os tristes personagens da nossa história colonial. Eles viveram no Vale ,  no século XVIII, e exploraram as riquezas regionais.

Abreu Vieira na Vila do Água Suja, atual Berilo, no Médio Jequitinhonha, e em Minas Novas, ambos no nordeste de Minas. Padre Rolim, no Tejuco, atual Diamantina.

Três grupos de interesses
O movimento da Inconfidência Mineira tinha três grupos de homens com interesses diversos. O primeiro era considerado o dos ideólogos formado por Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manoel da Costa.
O segundo grupo era de ativistas que propagava as idéias entre o povo e nos mais diferentes lugares. São os que mais se expunham à perseguição da polícia de Portugal. Tiradentes era o mais exaltado e mais conhecido deste grupo.
Por trás dos ativistas e dos ideólogos, havia um terceiro grupo de homens, mais discretos, também interessados na ruptura com Portugal.
A pólvora tinha sido assegurada aos conspiradores por Domingos de Abreu Vieira. O velho contratante português era intimamente vinculado a muitos dos principais inconfidentes.
Abreu Vieira estava em dívida com a Fazenda Real: devia muito mais de dois milhões de réis, e é evidente que o velho negociante português envolveu-se na conspiração só por um motivo: porque ela proporcionava um meio de eliminar suas dívidas .

Elite inconfidente
Assim, é equivocada a versão que se tinha de que os 24 inconfidentes condenados por crime de lesa-majestade eram pessoas de posses muito modestas.
Os inconfidentes estavam distantes dos ideais de igualdade e liberdade defendidos pela Revolução Francesa. A prova disso é que 60% deles eram proprietários de escravos e não se mostravam dispostos a aderir às teorias abolicionistas.
O que se percebe é que todos eles buscavam burlar a autoridade da Coroa Portuguesa em benefício próprio e muitos entraram para o grupo dos inconfidentes em busca justamente de ajuda financeira.
Entre os idealistas estão os poetas Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga (autor de "Marília de Dirceu") e entre os pragmáticos que se aproveitaram do movimento para para ganhar mais poder e fortuna estão os coronéis Domingos de Abreu Vieira e Francisco Antônio de Oliveira Lopes, os padres Rolim e Carlos Corrêa.

Foto: Casarão colonial, na Rua do Porto, em Berilo, construído por Domingos de Abreu Vieira. Esta edificação foi restauradam em 2011, pelo IEPHA e Prefeitura Municipal.


Domingos de Abreu Vieira, de Berilo, Minas Novas e Ouro Preto
Domingos de Abreu Vieira, na época da elaboração dos planos de liberdade, além de contratador de dízimos era Tenente Coronel, auxiliar da Companhia de Dragãos de Minas Novas. Ocupou o posto de Capitão da Companhia do Distrito do Arraial de Água Limpa (atual Berilo, no mèdio Jequtinhona, nordeste de Minas) e de Regimento de Cavalaria.
Domingos de Abreu Vieira tinha casa em Ouro Preto, na Região Central, mas visitava com freqüência o seu Sobradão em Vila do Água Suja, atual Berilo, como também sua casa em Minas Novas, na Praça da Rodoviária, propriedade da família Badaró, onde funciona, hoje, a Rádio Bom Sucesso.

Ele exerceu o cargo de contratador dos dízimos, em Vila Rica, entre 1784 e 1789. Era padrinho da filha de Tiradentes, que também teria passado temporadas na sua casa de Berilo.

Ele foi condenado à forca junto com outros 10 acusados de conspirar contra o Reinado português, do qual era funcionário graduado. Ele jurou fidelidade à Rainha "Maria Louca" de Portugal e negou qualquer participação na Inconfidência Mineira. Como outros espertalhões da elite colonial foi preso e deportado. Somente Tiradentes assumiu defender os ideais da Independência do Brasil. Por isso, foi o único a ser enforcado.

Abreu Vieira teve os bens penhorados e enviado para Angola, tendo vivido em Luanda, na África Ocidental, e morrido no presídio de Nossa Senhora da Conceição de Muxima.

PADRE ROLIM, DE DIAMANTINA
José da Silva e Oliveira Rolim (Diamantina, 1747 - Diamantina, 1835), o Padre Rolim, foi um dos conspiradores da Inconfidência Mineira.

Filho do contratador de diamantes (Caixa na Real Extração Diamantina) da cidade, o sargento-mor José da Silva de Oliveira, era amasiado com Quitéria Rita, filha de Chica da Silva e do antigo contratador João Fernandes de Oliveira, e com ela teve os filhos Thadeo José da Silva, Domingos José Augusto, Maria Vicência da Silva e Oliveira e Maria da Silva dos Prazeres. Envolvido em negócios ilegais, foi o mais rico participante da Inconfidência.

Quando da mudança da Extração Diamantina, seus pais, em casa de quem morava, foram prejudicados financeiramente. Foi então que a família passou a se dedicar ao contrabando de pedras preciosas. Também traficavam escravos e praticavam a usura.
Foto: Construído em 1749, este Casarão da Rua Direita, em Diamantina, foi da família do Padre Rolim. Hoje funciona o Museu do Diamante.

Procurou a carreira eclesiástica para se ver livre de um processo criminal, como testemunhou Joaquim Silvério dos Reis. Ordenou-se ao 32 anos em Coimbra, sem gostar de estudar, tendo dificuldades para escrever e sendo péssimo em comunicação verbal.

O Padre Rolim era um homem inescrupuloso e corrupto e quando o Visconde de Barbacena se negou a revogar uma ordem de banimento contra ele, uniu-se à Inconfidência Mineira no final da década de 1780, da qual participou ativamente, tendo se comprometido a arranjar 200 cavaleiros armados para a revolução. À essa época, já tinha grande influência sobre a região do Serro, na região de Diamantina, no Alto Jequitinhonha, região Central de Minas, motivo de a Coroa Portuguesa temê-lo.

Após serem denunciados, foi julgado junto com seus companheiros da Inconfidência Mineira e passou quinze anos preso, primeiro na Fortaleza de São Bento da Saúde - até 1796 -, e depois no Mosteiro de São Bento da Saúde, em Lisboa. Já em 1805 estava de volta ao Brasil com a esposa e filhos.
Lutou, então, para reaver seus bens que haviam sido confiscados, mas só o conseguiu com a declaração da Independência do Brasil, quando foi também indenizado.
                                                                                                                                                                          
Morreu aos 88 anos, em 1835, tendo sido sepultado na Igreja Nossa Senhora do Carmo,  em Diamantina, após ter sido velado com paramentos da Maçonaria.

Leia mais sobre corrupção na Inconfidência Mineira, clicando aqui:

Elaborado por Álbano Silveira Machado, tendo como fontes de pesquisa a Wikipedia, mgquilombo  e o livro "A devassa da devassa", de Kenneth Maxuell.
Este texto foi publicado em abril de 2010; 21 de abril de 2015 e reproduzido, hoje, 21.04.2021,  na íntegra.

sábado, 18 de abril de 2020

Sicoob faz doação de R$ 100 mil para sete hospitais do Alto Jequitinhonha


Nova Agência do Sicoob será inaugurada no dia 23 de Abril em ...

O Sicoob Credijequitinhonha aprovou, na última quinta-feira (16/04/2020), a doação de R$ 100.000,00 para instituições hospitalares das cidades de Capelinha, Turmalina, Itamarandiba, Minas Novas e Diamantina. O valor será integralmente utilizado pelas instituições no combate ao novo coronavírus (que provoca a Covid-19).
Para o Presidente do Conselho de Administração, Iesser Láuar, a doação representa o verdadeiro cooperativismo. “No Sicoob, nossa prioridade são as pessoas. Sabemos que, com o avanço da Pandemia, nossas instituições necessitarão do apoio de toda a comunidade. Por isso, para cuidar da nossa gente, seguimos apostando na cooperação entre todos como forma de minimizar os impactos do vírus. A destinação dos recursos é uma forma de agradecimento pelo valioso trabalho que os hospitais fazem e estão fazendo nesta luta contra a pandemia”, afirma.
Serão beneficiados:
  • Hospital Municipal São Vicente de Paulo (Capelinha) – R$ 20.000,00
  • Hospital São Vicente de Paula (Turmalina) – R$ 20.000,00
  • Hospital de Itamarandiba – R$ 10.000,00
  • Hospital Geraldo Ferreira Gandra (Itamarandiba) – R$ 10.000,00
  • Hospital Doutor Badaró Júnior (Minas Novas) – R$ 20.000,00
  • Hospital Nossa Senhora da Saúde (Diamantina) – R$ 10.000,00
  • Santa Casa de Caridade de Diamantina – R$ 10.000,00
A doação foi articulada pela Diretoria Executiva e Conselhos de Administração e Fiscal, tendo a importante participação dos delegados, representantes dos associados da Cooperativa.
Sobre o Sicoob Credijequitinhonha:
O Sicoob Credijequitinhonha é uma instituição financeira cooperativa fundada há 26 anos por líderes cooperativistas da região de Capelinha. Sua responsabilidade social é captar recursos nas mesmas comunidades para que o desenvolvimento integrado aconteça. Conta com 6 agências, nas quais os associados encontram todos os serviços financeiros.

terça-feira, 3 de março de 2020

Morre Arnô Maciel, o cantor de voz límpida e suave de Minas Novas

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Arnô em uma das suas apresentações românticas.
Aos 80 anos, morre o cantor Arnô de Minas Novas, na tarde dessa segunda-feira, 02 de março. Os admiradores o consideram a voz de ouro do Vale do Jequitinhonha.
Arnaldo de Castro Maciel, o Arnô, nasceu em 30/07/1939, filho de João Ferreira de Castro e Auta Maciel de Castro. Quinto filho de uma família de 8 irmãos: Odete, João, Vanda, Plínio, Arnaldo, Vany, Arlindo e Achiles.
A família residiu em Turmalina, Berilo, chegando em Minas Novas no início da década de 50, no Vale do Jequitinhonha, nordeste de Minas.
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Desde criança, Arnô mostrou aptidão para a música, cresceu participando dos tradicionais auditórios nas escolas e programas musicais na Liga Católica Jesus, Maria e José.

Residindo em Belo Horizonte, foi funcionário dos Correios, logo retornando a Minas Novas onde começou a lecionar na Escola Municipal de Ribeirão dos Santos, onde desenvolveu um belíssimo trabalho junto a comunidade, participando ativamente da vida social, cultural e religiosa da comunidade, organizando saraus, coroações e atuando como Catequista.
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Arnô, comemorando 76 anos de idade, com amigos, em Minas Novas.

No inicio da década de 80, Arnô se firmou como um dos maiores intérpretes e compositores do Estado de Minas Gerais, tendo inclusive uma de suas principais canções gravadas no disco “O melhor dos Festivais de Minas” com a música “Pintura”.
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 Arnô numa roda de músicas de seresta e MPB, junto a amigos músicos e admiradores. 

Participou, brilhou e elevou o nome de Minas Novas e do Vale mundo afora, com sua voz e talento inconfundíveis, com destaque para grandes festivais como o Festival da Canção em comemoração ao aniversário de 250 anos de Minas Novas. Participou do 1º Violarte em 1985, venceu vários FESTIVALES, onde recebeu inúmeros prêmios com músicas como a Carta de Arnô, O canto da Mãe da Lua, Pintura, dentre outras. Suas músicas denunciavam o desmatamento irresponsável, as mazelas da ditadura, os maus tratos com o Rio Fanado, natureza e a política coronelista que imperava na época. Sempre enalteceu as belezas de nosso povo guerreiro, cantando o Vale, os pássaros, as águas, manifestações culturais e tudo que acontecia.

Durante muitos anos, lecionou na Escola Estadual Presidente Costa e Silva,   em Minas Novas, sendo um dos pioneiros na alfabetização de jovens e adultos, inovando na arte de ensinar, desenvolvendo projetos culturais, fortalecendo e incentivando nossa arte e cultura.
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Arnô e seu instrumento predileto, o órgão, que o acompanhava em casa e nos cantos da igreja.

Teve seu grande sonho realizado, no inicio do ano 2000, com a gravação do 1º CD “O Canto da Mãe da Lua” com grande repercussão no mundo artístico. Realizou turnês em todo o Vale, Belo Horizonte e diversas cidades mineiras. O destaque foi o memorável show no Palácio das Artes, com participações especiais de grandes artistas mineiros com destaque para Saulo Laranjeira, Paulinho Pedra Azul, Gilvan de Oliveira, Cinthia Martins, dentre outros.

Durante 20 anos, Arnô foi a estrela principal do show da Janela, ponto alto da cultura minasnovense, por ocasião da semana santa, mais precisamente na Procissão do Encontro. O show acontece sempre nas janelas da Prefeitura Municipal. 

Arnô emocionava os minasnovenses e visitantes com sua voz inconfundível, sempre acompanhado pelos músicos Dásio Figueiredo, Heraldo Wilton e Aroldo Camargos.
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Arnô, da janela do Solar da Tia Auta, sua casa e de sua família, no Cetro de Minas Novas.

Realizava no ‘Solar da tia Auta” grandes encontros musicais com os artistas Álvaro Freire, Canutinho, Tristão Pinheiro, Dalton, Vânia, Vicentinho, Heraldo, dentre outros, vivendo momentos inesquecíveis nas maravilhosas noites enluaradas.

Lecionou ainda em Belo Horizonte na Escola Estadual do bairro Betânia, onde desenvolveu um belíssimo trabalho junto a comunidade escolar e religiosa.

Arnô de Minas Novas é tudo isso e muito mais, a voz de Minas Novas, a voz de Minas Gerais.. Nessa segunda-feira, ele nos deixou, encantou-se.

Texto de Adão Domingos e Vany Mota, de Minas Novas.

O cantor e compositor Paulinho Pedra Azul publicou, na sua página do facebook, um saudação poética ao seu amigo Arnô de Minas Novas:

PINTURA DE DEUS

Mais uma chamada de Deus
Arnô acabou de partir
E o meu triste adeus
Acabou de existir.

Mais um irmão, um amigo
Bateu asas e voou
Seguirei e ainda sigo
O que ele mais sonhou.

Sua voz foi doçura
Recado de paz e amor
Nunca teve censura
Bordava com o espinho da flor.

Esse anjo foi longe demais
Visitou estrelas e luas
Com suas cordas vocais
Abençoou casas e ruas.

Foi bom filho, padrinho e Tio Avô
Seu caráter e amizade são provas
De que, esse nome: ARNÔ
É orgulho de Minas Novas.
(PPAzul).
BH, 03.03.2020, às 11:01 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Carnaval do Vale movimenta cerca de 100 mil foliões

Povo do Vale é folião por natureza. 
Alegre, dança e canta o tempo todo.
Diamantina tem blocos, criatividade e irreverência 
Minas Novas vai de trio elétrico e Bloco Magalhães 
O Carnaval do Sol de Jequitinhonha apresenta quatro grandes blocos, bloquinhos, bandas e trios elétricos  
Trio elétrico em Minas Novas, abraçado por foliões muito animados.

Trio elétrico e praia do rio Araçuaí. É o Carná Berilo! 
Itamarandiba tem bandas, blocos e matinês
Almenara resgata carnaval de rua.
Foliões migrantes invadem praias do sul da Bahia
O povo do Vale faz festa, dança, canta e transforma a alegria na manifestação da vida. É por isso que os carnavais do Vale são criativos e diferentes.
Diversas cidades têm tradição de realização do Carnaval: trios elétricos, blocos, fantasias, desfiles, concursos de marchinhas, matinês, bailes de idosos, samba, frevo, marchinhas e o escambau. Tem de um tudo um pouco.
Muitos blocos já acabaram no tempo, outros renasceram. Fantasias muitas, esquecidas, são resgatadas pela galera jovem, tiradas do baú dos pais ou dos avós. 
Mas, ainda são poucos que se fantasiam.

A moda é o bloco com vestimenta padronizada com bermuda e camiseta – bem gourmet -, música axé e o renascimento dos trios elétricos.

Nesses dias, as cidades se agitam e fervem de aprontações. 
Já entra em ebulição com a chegada de foliões, os filhos ausentes do Vale, o coração presente que vale.
O clima de festa, folia, farra, alegria, cantoria, dança, irreverência, criatividade, já transforma cada lugar, cada rua, cada praça.

Carnavais mais antigos na animação e desfile de gente bonita são os mais
chamativos: Diamantina é atração sem igual, mas tem perdido muitos foliões pro carnaval de BH. Minas Novas é do mais antigo trio elétrico e do, cada vez mais envolvente, Bloco Magalhães. Berilo tem bandas, trio elétrico, o Bloco Ressaca e praia de rio. Coronel Murta explode com bandas na praça e na praia no rio Jequitinhonha. Jequitinhonha  faz festa no praça de eventos, nas ruas e à beira do rio com muitos blocos. Itinga realiza Concurso de Mascarados. A Grãofolia  de Grão Mogol agita o norte de Minas. 

Os foliões de municípios vizinhos vão para essas cidades. 
Geralmente, são contratadas bandas de música axé com um palco fixo na praça principal ou em praias dos rios Araçuaí e Jequitinhonha.
Algumas cidades procuram na realização do Carnaval botar fogo na energia 
festiva da moçada. 

Outras cidades esperavam que as prefeituras contratassem bandas, mas a crise não deixou. 
Algumas fizeram isso, outras não, reclamando da crise e do dinheiro curto.
Porém, aqueles que gostam de carnaval e moram nesses e outros lugares já programaram viagens para outras cidades vizinhas do Vale.

Ou então, vão para as folias das praias de Porto Seguro, Prado, Alcobaça e Belmonte, no jequitinhonha baiano. O que o povo do Vale não quer é perder a oportunidade de fazer festa nos dias de carnaval. Empresas de ônibus calculam que cerca de 150 ônibus cheios viajaram para as praias baianas. Afora, carros e vans.  
O movimento em todas as cidades deve chegar a 100 mil pessoas brincando carnaval.

Diamantina: o Carnaval dos turistas
O carnaval mais famoso e diferente das cidades do Vale é o de Diamantina.
Diamantina tem característica específica com desfiles de blocos caricatos, 
com músicas próprias. 

O grande espetáculo é dos Blocos BatCaverna e o Bartucada que acontece há mais de 30 anos. 
Mas tem também os desfiles de 50 Blocos tradicionais como Rato Seco, Sapo Seco, Xai xai, Barata Tonta e outros.

Embora, todos as ruas do centro histórico e Largo do São João sejam tomados por foliões, o grande point acontece na praça do Mercado Municipal.


Nos último anos, a Prefeitura e o Conselho de Patrimônio Cultural dividiram espaços na cidade para vários tipos de manifestações carnavalescas, indo de blocos, batuque, desfiles, som automotivo e shows de MPB. 


Embora o carnaval de Diamantina tenha caído em número de participantes, a Prefeitura estima que cerca de 20 mil visitantes por dia passarão na cidade.

Minas Novas dança, pula e vai atrás do trio elétrico
“Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu...” 
O povo de Minas Novas conhece bem este canto frevoso de dança, de paz e folia do Caetano Veloso. Só que o povo não obedece: vai atrás, dos lados e na frente do trio elétrico.
O trio elétrico em Minas Novas arrasta multidões.

"O carnaval de Minas Novas é bom dimais...” Desde a década de 80, este frevo do Dalton Silveira Magalhães virou hino da festa foliona da cidade.
O carnaval de rua, com trio elétrico, é um dos mais tradicionais de Minas. 

Começou em 1975, com o Bloco A Patota que saía atrás de uma camionete
do Embrava.  Em 79, a caminhonete do Embrava, baiano radicado em Minas Novas, colocou caixa de som e uma banda comandada por Dázio Cisquim. 
A partir da década de 80, a Prefeitura e o comércio local  assumiram a organização da festa.
Há 40 anos, há um grande trio elétrico rodando pela principal avenida da cidade, saindo do alto da cidade, em frente ao Estádio Municipal, descendo até a Praça da Câmara Municipal. O cortejo vai de 11 horas da noite até 5 horas da manhã. 

Há músicas axé, mas também rola marchinhas e frevo. Ninguém precisa
comprar abadá para dançar e pular atrás do trio elétrico.

Para Minas Novas, além dos moradores locais, vai uma legião de minasnovenses que moram em outras cidades, principalmente de BH, que voltam pra terra. E contam também com foliões de Chapada do Norte, Capelinha, Novo Cruzeiro, Aricanduva, Angelândia, Turmalina, Veredinha, Leme do Prado, José Gonçalves de Minas, Francisco Badaró e Jenipapo de Minas.




Nesse ano, muitas bandas e artistas se apresentarão no trio elétrico, de Minas Novas e da Bahia: Rapazola, Ismael Novaes, Pedro Morais, Dalton Magalhães, Tati Meira, Barco a Vela, Alma Santa e muitos outros. 

Confira videos do Carnaval de Minas Novas:




A organização prevê carnaval 20 horas por dia como o Mercado do Samba, Carnaval na Barragem e festa nos Camarotes. E tem ainda os Blocos. 


O Bloco Magalhães, tradição de 12 anos, sai no sábado, pouco antes do Trio elétrico. 

Neste ano, a temática é o artesanato de cerâmica do Vale: “Eu vim da terra onde o barro é ouro”, homenagem à arte popular dos artesãos e artesãs do barro.
O Bloco Magalhães se apresentou no sábado anterior, no Carnaval de BH, o que acontece há 5 anos.
Neste ano, no bairro Floresta, na Rua Sapucaí, no dia 15.02, arrastou cerca de 2 mil foliões que acompanharam um mini trio elétrico, com uma banda afinadíssima.
Já virou atração no grande Carnaval de BH.   
Veja video sobre o Bloco Magalhães que se apresentou nas ruas de BH:

Durante o dia, os carnavalescos minasnovenses vão para a Barragem
 das Almas, no rio Fanado, a 3 quilômetros da cidade.
Minas Novas sempre atrai cerca de 15 mil foliões todos os anos. 
Berilo: carnaval de rua com elétrico trio, bloco e rio
A cidade de Berilo tem um dos carnavais que mais crescem no Vale. 

No Médio Jequitinhonha, os foliões sempre se  divertiram com as bandas de axé, marchas e samba que tocam na Praça da Prefeitura, mas nesse ano haverá um trio elétrico que rodará pelas ruas. A festa vai de 22 horas até 5 horas da manhã, de sábado até terça-feira. 
Há estimativas de mais de 3 mil pessoas brincando carnaval este ano.
No domingo e na terça, de manhã, sai o Bloco Ressaca, com a irreverência de crianças, jovens e adultos.

À tarde, a galera vai pra beira do rio Araçuaí, na prainha, onde há um som maneiro que agita todo mundo.

O Bloco Ressaca sai todos os domingos e terça do Carnaval, desde 1996.

Durante o dia, a população e os foliões vão para a beira do rio Araçuaí, onde há praias e barracas, com som de músicas de carnaval, funk, batuque e axé.
Aqui, uma turma da velha guarda do Bloco Ressaca: Banu, Altemar, Altair, Eric e Dim de Osvaldo.
Toda a festa carnavalesca é patrocinada pela Prefeitura Municipal, Câmara dos Vereadores e Conselho de Patrimônio Cultural.
Coronel Murta faz folia na praça e na praia

O carnaval de Coronel Murta nasce e renasce com um força potencial: 
o povo da cidade é folião por natureza. Faltava a iniciativa de organização. 
Nesse ano, haverá bandas na Praça Inácio Murta.



A praia do rio Jequitinhonha atrai o povo do lugar e das cidades vizinhas de Araçuaí, Rubelita, Taiobeiras e Salinas. 

A marca de Carnaval em Coronel Murta é alegria! 
Durante o dia, a moçada vai para a beira do rio Jequitinhonha, curtindo a 
praia  que restou após a construção da Barragem de Irapé, a montante, a cerca de 70 km, pros lados de Berilo e Grão Mogol.

Jequitinhonha: Carnaval de rua com mais de 10 blocos pra fazer a folia

O carnaval de rua da cidade de Jequitinhonha, no Baixo Jequitinhonha, é um dos mais animados do Vale do Jequitinhonha. 
Além das bandas na rua, há mais de 10 blocos que juntam e animam a galera, turma, gueto ou que tais, em uma identidade qualquer. 



Tem bloco com preço de abadá que espanta o povão.
Os blocos mais populares são a Mulinha, Banda Mole, Bloco das Negas, Bloco do Calango e o Avemalia. 
Mas tem bloco pra todo gosto. Os abadás ou camisetas são preços simbólicos para a turma da periferia ou mais pobres. 
O Bloco Avemalia homenageia o professor Adão Nunes, o grande mestre dos esportes de Jequitinhonha.

Veja o video e ouça o samba-enredo em homenagem ao professor Adão Nunes:
Confira o video com os Blocos Banda Mole e Mulinha:

Nos blocos da turma da elite os valores altos dos abadás são até mesmo para "não misturar".

Jequitinhonha é palco de um dos melhores carnavais do interior de Minas Gerais. Blocos caricatos, shows na praça de eventos com bandas diversas, muita gente bonita e aquela animação que só o povo jequitinhonhense tem.

Muitos vão, levam a família e amigos e se divertem no Carnaval do Sol de 
Jequitinhonha.

Outros preferem os pequenos grupos de batucadas, à beira do rio Jequitinhonha.
A organização prevê mais de 10 mil foliões nas ruas de Jequitinhonha.

Almenara resgata o carnaval de rua
Almenara, no Baixo Jequitinhonha, vem promovendo o carnaval de rua, procurando resgatar a tradicional festa dos foliões almenarenses. Esse é o 2º Carnaval de Rua de Almenara.
Dois minitrios elétricos puxam um cordão de animados foliões pelas principais ruas e avenidas da cidade.


A Associação Cultural e Carnavalesca de Almenara - ACCAL, Associação Comercial de Almenara,  Prefeitura de Almenara com o apoio da Câmara Municipal de Almenara realizam a segunda edição em 2020. Tudo começou quando a três anos, um grupo de amigos reuniu e resolveu sair fantasiados pelas ruas de Almenara, criando assim o primeiro Bloco de Rua “Vigia Que Eu Vou”, que serviu de inspiração para criação dos demais blocos. 

Assim, a ACCAL, além de organizar e dar visibilidade a todos os blocos existentes, serviu de inspiração para outros blocos surgirem: Vai toma no chevette, Uai Mainha, A mais famosa, Império, Capim Mexeu - Pau na preá,  Entrometeu, Bloco Só Nós, Amigos da Rua e muitos outros blocos anônimos. 

O Carnaval de 2020 tem como atrações musicais artistas locais e baianos: Mania de Boteco, Renatinho Axé Retrô, Maysa Santos, Bomba Baiana, Jarley Rosa, Márcio Rogério e Fred Tabaréu.  

A Grão Folia tem banda na praça e os tradicionais Blocos caricatos

A histórica Grão Mogol, na margem esquerda o rio Jequitinhonha, no norte de Minas, promete promover um dos carnavais mais animados do interior de Minas. 


Na cidade, além de curtir a folia, os foliões podem  desfrutar da beleza do antigo casario (feito de pedra) e dos atrativos naturais dos arredores, como a praia do Vau no rio Itacambirassu com sua areia muito branca, águas claríssimas, límpidas e cachoeiras.  

De acordo com a prefeitura, que organiza a festa, a expectativa é de receber 15 mil visitantes (mesmo numero da população do município) durante o período momesco. 

Muitos moradores aproveitam a ocasião para ganhar uma renda extra, alugando suas casas para os foliões. Também existem duas áreas de camping, oferecendo uma alternativa para a galera que prefere ficar nas suas barracas.  

“Durante o carnaval, muitas pessoas que nasceram aqui retornam para curtir a festa e também para rever os parentes. O carnaval se torna uma grande festa das famílias de Grão Mogol”, afirma os moradores.

Situada numa área montanhosa,  Grão Mogol tem como diferencial o clima ameno. Nem parece que é a cidade fica no Norte do estado, região conhecida pelas altas temperaturas. 

A folia acontece no circuito do carnaval, entre a praça Coronel Janjão (a conhecida praça  beira rio) e rua Cristiano Relo, no centro histórico da cidade. 

A festa é aberta na sexta-feira à noite, indo até a terça feira, com muitas bandas. A Banda de Música A Furiosa toca marchinhas de antigos carnavais. Há também matinês, carnaval infantil, desfiles de blocos caricatos, com destaque para o Bloco das Virgens.

Confira o video do desfile do Bloco das Virgens, de Grão Mogol:

Há dois palcos armados para a apresentação das bandas.
O carnaval tem a realização da Prefeitura Municipal.

Itamarandiba apresenta quatro blocos e bandas na Praça dos Agricultores
O carnaval de Itamarandiba , o Itafolia, promete ser um dos mais animados da região. Tem uma vasta programação com bandas na praça, blocos, matinês e som mecânico.

As bandas são de primeira linha: começa na sexta com o Barco a Vela, de Minas Novas. No sábado, o grande bloco do carnaval de BH, Baianas Ozadas. Domingo, Dani Almeida. Segunda, Bartucada, de Diamantina. Terça-feira, Jean Vitor e Felipe.

O Itafolia 2020 terá a animação dos blocos “Só K’minha Dentro”, “Abusados”, “Itazero” e “Tô Atoa”.  A Prefeitura Municipal definiu uma premiação dos três melhores com a avaliação de uma comissão nos seguintes quesitos: criatividade, originalidade, animação, evolução, harmonia, organização, participação popular, pontualidade, fantasia, alegorias, adereços e disciplina. O julgamento será na terça-feira.

Programação de saída dos blocos: sábado - Itazero; domingo - Só K'minha Dentro; segunda - Abusados; terça - Tô Atoa.  

O Itafolia é de organização da Prefeitura Municipal com o apoio de patrocínio das empresas locais.