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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Mineração no Serro: Suspensão de pauta no Codema e compromissos do prefeito de ouvir a população

Prefeitura assume compromisso após mobilização popular contra mineração no Serro, no Alto Jequitinhonha.

Votação foi tirada de pauta até que irregularidades no empreendimento sejam resolvidas.

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)
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Empresa anunciou que vai recorrer da decisão. Por outro lado, as comunidades anunciam o fortalecimento da luta / Foto: Tiago Geisler
A reunião do Conselho de Desenvolvimento do Meio Ambiente (Codema) do Serro, em Minas Gerais, marcada para esta quarta-feira (16.01) foi cancelada ao final da tarde de terça-feira (15.01). O presidente do conselho, Paulo Sergio Torres Procópio, comunicou aos demais conselheiros sobre o cancelamento da reunião após receber uma recomendação do Ministério Público de Minas Gerais orientando a retirada de pauta do pedido de anuência ambiental efetuada pela mineradora Herculano até que as irregularidades constatadas no empreendimento denominado “Projeto Serro” sejam resolvidas.
De acordo com o documento do Ministério Público, o Codema deve consultar o Ibama antes da apreciação do pedido da empresa devido à previsão de destruição de áreas de Mata Atlântica pelo projeto. A recomendação aponta ainda outras irregularidades no projeto da Herculano, como a ausência de prova suficiente que comprove a posse do direito minerário envolvendo o empreendimento; inexistência de processo válido de licenciamento ambiental e a ausência das necessárias audiências públicas.
Concomitante à recomendação do MPMG, o juízo da comarca do Serro deferiu, em parte, as medidas liminares pleiteadas pelo mandado de segurança impetrado pela Federação Quilombola de Minas Gerais - N’Golo. O professor de direito da PUC e advogado da Federação, Matheus Mendonça, explica o que implica a decisão do juízo. “A medida liminar deferida pelo juízo da Comarca do Serro ordena que o Codema se abstenha de deliberar sobre a conformidade do empreendimento minerário até que sejam sanadas as seguintes questões procedimentais: primeiro, seja comprovada a titularidade do direito minerário, com apresentação da cessão de direito minerário averbada pelo DNPM (Departamento Nacional de Política Minerária); segundo, a formação de autos de processo administrativo, com a autuação, rubrica e numeração de todos os documentos; e, terceiro, a realização de consulta livre, prévia e informada dos órgãos representativos da comunidade quilombola de Queimadas, com obtenção do consentimento da comunidade”.
Sobre o procedimento adotado pelo Ministério Público, Mendonça comenta que será necessária uma autorização do Ibama antes de o Conselho decidir sobre a declaração de conformidade para a empresa.
Mobilização popular conquista compromissos da Prefeitura 
Foto: Tiago Geisler
Apesar de a reunião do Codema ter sido cancelada, cerca de 150 pessoas realizaram um ato nas ruas do Serro para denunciar o projeto da Herculano e pressionar o Conselho e Prefeitura para demarcarem a área pretendida pela mineradora como um território livre de mineração. A manifestação foi realizada com muita animação e diálogo com a população na rua. Havia inúmeras faixas, cartazes, músicas e gritos de ordem.
Os manifestantes foram recebidos pelo prefeito Guilherme Simões Neves. “Estou preocupado, acompanhando a discussão e não irei fazer nada contra a vontade popular”, afirmou o prefeito.
Ao final da reunião, o prefeito se comprometeu com os presentes que vai se esforçar para convencer o Codema a analisar o pedido de declaração de conformidade somente após a empresa apresentar o EIA/RIMA ao Conselho, for realizado um processo de consulta à comunidade quilombola de Queimadas e uma Audiência Pública sobre o tema no município.
Juliana Stelzer, coordenadora estadual do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), celebra as repercussões ocorridas na semana. “A recomendação do Ministério Público e a decisão da juíza do Serro são elementos importantes que comprovam as inúmeras irregularidades do processo conduzido pela Herculano. A mobilização de hoje foi fundamental para dialogar com a população e pressionar o prefeito sobre a necessidade de demarcação da área pretendida pela empresa como um território livre de mineração. Temos percebido que cada vez mais pessoas estão se somando na luta com clareza de que o projeto trará mais prejuízos que os supostos benefícios propagandeados pela empresa. Isso é uma conquista da luta popular e iremos intensificá-la no próximo período”, afirma Stelzer.
Para Stelzer, a situação econômica do Serro é muito vulnerável e isso facilita o discurso da empresa de que a implantação do projeto pode trazer benefícios à cidade. “Essa é uma estratégia utilizada pelas mineradoras, tentar persuadir a população prometendo benefícios econômicos. Porém, é muito comum um grande descontentamento do conjunto das cidades após a implantação do empreendimento. Os empregos exigem formação técnica que muitas vezes os moradores do município não possuem, e isso faz com que a maioria das contratações sejam de outros locais. Além do mais, os prejuízos causados com a vinda desses projetos na vida do povo são muito grandes e, no caso do Serro, a questão da água e os impactos nas comunidades rurais são muito preocupantes. Um dos compromissos que assumimos com o prefeito foi de contribuir para busca de melhorias econômicas para o Serro. A mineração não é solução e não pode ser vista como uma alternativa econômica para o município”, defende a coordenadora do MAM.
Devido à decisão judicial, o Codema fica impedido de deliberar sobre a anuência para empresa enquanto ela não certificar a devida regularidade do processo. A empresa anunciou que vai recorrer da decisão. Por outro lado, as comunidades anunciam o fortalecimento da luta pelo direito de dizer “não” à mineração e em defesa de um projeto econômico que traga benefícios ao conjunto da população com emprego, renda e justiça social.       

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Mineração em Minas promete ações de terra arrasada

TERRA   EXPLORADA

Minas passa por dezembro de pressão para aumentar mineração.

Ambientalista afirma que todas as minerações têm sido autorizadas, ainda que os estudos mostrem prejuízos à população e ao ambiente / Foto: Google Earth

Cinco casos estão em pauta. Mineradoras se favorecem de lei que facilita licenças ambientais.

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)
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"Meu sentimento de moradora e cidadã é de não estar sendo ouvida nem respeitada. Quando a gente se levanta contra a mineração, nos tratam como se fôssemos criminosos”. Essas são as palavras doloridas de Clara Paiva Izidoro, consultora de empresas e moradora do distrito Casa Branca, em Brumadinho (MG). Há 10 anos a população protesta contra os efeitos da mineração no local, mas não são considerados.
Nesta semana, os habitantes de Casa Branca tiveram mais uma notícia infeliz. O Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) aprovou a ampliação de 88% de duas minas no local e a construção de uma estrada dentro do Parque Estadual Serra do Rola Moça. O Movimento das Águas de Casa Branca denuncia que os projetos vão atingir seis mananciais, responsáveis pelo abastecimento de 40% da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Alta do minério e nova lei
Este é só um dos casos deste ano. A ambientalista Maria Teresa Corujo, integrante do Copam, afirma que todas as minerações têm sido autorizadas, ainda que os estudos mostrem prejuízos à população e ao ambiente. “Não importa o que a gente traga de elementos e provas de que os processos não estão devidamente instruídos, que há informações inverídicas. Eles votam e aprovam”, relata.
É no Conselho que as minas recebem a Licença Prévia, a Licença de Instalação e a Licença de Operação – autorizações necessárias para funcionar. Essas licenças ficaram mais rápidas e simples depois da Lei 21.972 de 2016, de autoria do governador Fernando Pimentel (PT). A mudança diminuiu a participação da comunidade e do Ministério Público, e colocou um prazo de seis meses para a finalização do processo.
“Com o objetivo de ampliar investimentos, o estado tem liberado todos os pedidos de licenças ambientais na mineração, independente dos impactos e consequências que serão geradas pelos projetos”, examina Luiz Paulo Siqueira, biólogo e coordenador do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM). “O rompimento da barragem de Mariana deu um impacto na mineração, paralisou por um tempo, mas o setor começou a contratar agências de comunicação para convencer o povo da importância da mineração. Saiu da defensiva e foi pra cima”.
O motivo dessa jogada, segundo Luiz Paulo, foi o aumento do preço dos minerais, em especial do minério de ferro. “[O preço] veio numa ascensão desde o começo do ano. O preço internacional do minério faz as empresas acelerarem a obtenção de licenças ambientais, porque elas querem surfar nessa onda para ampliação das margens de lucro. Ao mesmo tempo, o governo tem cedido às pressões das empresas, o que leva a um prejuízo na análise dos critérios ambientais e uma sistemática violações de direitos das comunidades atingidas”, lamenta.
Falta de transparência nas informações
A Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Semad) informa que não há uma lista pronta e pública de quantas minas estão ativas no estado. No site do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) - que dá as autorizações para uso de água - a última listagem é de 2015. De janeiro a dezembro daquele ano, o IGAM autorizou 86 empreendimentos a captar água para fazer extração de minério. Em 2014 tinham sido 27 autorizações.
Deputados aprovam mudanças na lei de licenciamento
Nessa quinta (17.12), os parlamentares mineiros votaram sim a dois projetos de lei que podem facilitar ainda mais as licenças ambientais. O PL 1454 estipula um prazo de noventa dias para que o Poder Executivo ou órgãos relacionados atendam as solicitações de atendimento prévio. Caso os órgãos não se manifestem, a atividade pode ser iniciada, sujeita a avaliações e adequações, se necessário. Já o PL 1602 estabelece as condições para que os municípios possam realizar fiscalização, licenciamento e controle ambiental de empreendimentos classificado com risco 3 e 4. 
Fim de ano: aperto total
O preço do minério teve alta em 2018. O site Exame elogiou, por exemplo, o “Espetacular 2018 da Vale”, sobre os altos lucros da mineradora. Pegando essa onda, empresas usam os últimos dias de dezembro para pressionar mais liberações de minas em MG:
SERRO Dia 19 de dezembro o Conselho Municipal do Meio Ambiente (Codema) discute a aprovação - ou não - da mineração na cidade histórica de Serro. A mineradora é a Herculano. A aprovação do projeto colocará em risco a integridade do patrimônio e o abastecimento de água da cidade, alertam especialistas.
CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO Dia 21 de dezembro o Copam vota licença para ampliar mineração. A Anglo American constrói uma barragem 7 vezes maior que a de Fundão, que rompeu em Mariana. A Anglo rompeu seu mineroduto duas vezes neste ano e ainda não cumpriu as condicionantes exigidas pela Semad.
SERRA DO CARAÇA Rumores de que a mineradora Vale S.A. vai pedir nos próximos dias a licença para reativar a mina do Tamanduá. O local é o principal ponto de captação de água da Copasa. Já existe uma mina em operação e pretensão de reativar outras duas.
CASA BRANCA Dia 17 de dezembro o conselho do Parque Estadual Rola Moça vai analisar pedido da empresa Extrativa Mineral Ltda para alocar rejeitos no Morro do Chapéu. Em 11 de dezembro foi aprovada a expansão em 88% de duas minas no entorno do parque.
SERRA DO BRIGADEIRO A mineradora CBA quer aumentar a exploração de bauxita próxima ao Parque Estadual da Serra do Brigadeiro. São 27 requerimentos de lavra. Uma mobilização dos moradores inviabilizou 10 deles. Porém, apesar da conquista em Belisário, as prefeituras da região estão sendo pressionadas a ceder outras áreas.
Fonte: Informações do Movimento Pela Soberania Popular na Mineração.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Movimentos Sociais de Minas realizam Encontro e ato público de 1° de maio

6° Encontro Estadual dos Movimentos Sociais debate conjuntura e define bandeiras de lutas

Programação tem debate sobre terceirização e ato com concentração na Praça Afonso Arinos

De 30 de abril a 3 de maio de 2015, acontecerá em Belo Horizonte, o 6º Encontro Estadual de Movimentos Sociais de Minas Gerais, onde estarão reunidos integrantes de diversos movimentos interessados na construção da unidade das forças populares.
As principais bandeiras destes movimentos são:
- A luta contra o PL 4.330, que torna a terceirização sem limites
- Redução das tarifas públicas (água, energia, transporte)
- Educação de qualidade (pagamento do Piso salarial dos professores da rede estadual de MG)
- Reforma do sistema político com Constituinte; contra a corrupção e pelo fim do financiamento empresarial de campanha
- Pela reforma agrária e reforma urbana
O primeiro encontro de movimentos sociais ocorreu em 2006, como afirmação de um projeto alternativo ao projeto neoliberal que se instalava em Minas.
De lá pra cá essa unidade que se criou veio se fortalecendo e não é atoa que já estamos em nossa 6ª edição. Mas, mais do que comemorar essa unidade, é o momento de lutar.
Estamos vivendo um momento de acirramento da luta política. O Congresso recentemente eleito tem se mostrado extremamente conservador e disposto a atender às demandas dos mais ricos em detrimento dos direitos do povo.
A direita através do Congresso e dos meios de comunicação trazem a tona pautas que retrocedem conquistas sociais, como a redução da maioridade penal, o PL 4330 que permite a terceirização total, retira direitos trabalhistas e enfraquece a organização e liberdade sindical e buscam enfraquecer a Petrobras no intuito de privatizá-la.
Diante desse quadro, é mais que urgente a nossa organização para garantirmos, de forma unitária, a defesa dos nossos direitos, denunciar os traidores do povo que estão no Congresso, pressionar o governo federal e o governo de Minas para exigir “as promessas de campanha”.
As atividades serão realizadas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na Rua Rodrigues Caldas, 30, Santo Agostinho – BH.:
30 de abril – quinta
19h – Debate sobre terceirização e PL 4330, promovido pela OAB e CUT
(Faculdade de Direito da UFMG – Praça Afonso Arinos)
01 de maio – sexta
08h – Missa do Trabalhador (Praça da Cemig)
10h – Ato do 1º de maio – Concentração na Praça Afonso Arinos
13:30h – Almoço
16h – Abertura (Praça da ALMG)
16:30 - Formação de núcleos de organização do encontro
19h – Janta
20h – Cultura
02 de maio – Sábado  
7h – Café da manhã
08:30h – Elementos para a conjuntura e orientação para trabalho em grupos
9h – trabalho de grupo
12h – almoço
14h Oficinas e Grupos de Debate
19h – Jantar
20h – Cultura
3 de maio – Domingo
07h – Café da manhã
07:30h – Intervenção na cidade
09:30h – Plenária de mulheres
12h – Plenária de síntese da conjuntura e calendário de lutas
13h Encerramento.