Mostrando postagens com marcador Geraes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Geraes. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Dia dos Gerais em Matias Cardoso, no norte de Minas

Dia dos Gerais em Matias Cardoso, no norte de Minas
Em sua terceira edição, o município ribeirinho de Matias Cardoso comemora nesta quinta-feira 08/12, o “Dia dos Gerais”, com a entrega das Medalhas Mathias Cardoso e Maria da Cruz - Comenda Civismo e Consciência dos Gerais. O evento que acontece às 10 horas, na praça da Matriz Cônego Marinho, será presidido pelo governador Antonio Anastasia e o prefeito de Matias Cardoso, João Cordoval de Barros, com homenagens a 24 personalidades (homens e mulheres) que de alguma forma fazem parte do Norte de Minas ou que lutam pelo seu desenvolvimento e que se destacaram nas áreas de ação social, agropecuária, cultura, educação, infraestrutura, meio ambiente, saúde e turismo.

Mesmo com a elevação de Matias Cardoso a capital do estado, no dia 8 de dezembro, ainda fica a e expectativa de que o município seja reconhecido oficialmente como o mais antigo povoamento de Minas Gerais, além da primeira igreja do Estado, dividindo a condição de primeira cidade mineira entre Mariana e Matias Cardoso.

Durante o “Dia do Governo de Minas nos Gerais”, ocorrido no dia 15 de julho deste ano, no auditório da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (AMAMS), o governador Antonio Anastasia assinou o decreto criando a Medalha dos Gerais.

DIA DOS GERAIS - As comemorações do Dia dos Gerais fazem referência à lendária figura do bandeirante Mathias Cardoso de Almeida, que, em 1660, se fixou às margens do Rio Verde Grande e, posteriormente, do Rio São Francisco, sendo o fundador do Arraial de Morrinhos, hoje a cidade de Matias Cardoso.
Entre os agraciados de 2011, com a Medalha Mathias Cardoso e Maria da Cruz – Comenda Civismo e Consciência dos Gerais estão:
MEDALHA MATHIAS CARDOSO
Afonso Florence – Ministro do Desenvolvimento Agrário; Diniz Pinheiro – Presidente da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais; Olavo Machado Júnior – Presidente da FIEMG; Gabriel Guimarães – Deputado Federal; João Leite – Deputado Estadual; José Maria Junqueira – Vice-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais – FIEMG; Olavo Bilac Pinto Neto – Secretário de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana de Minas Gerais; Tiago Ulisses – Deputado Estadual; Thiago Conalgo Cabral Vala – Juiz de Direito de Governador Valadares; Valmir Alexandre – Artista Plástico; Paulo César Mendes Barbosa – Professor da UNIMONTES; Francisco Maia Neto – Advogado
MEDALHA MARIA DA CRUZ
Carla Anastasia -Professora da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG; Elda Aléssio- Artista Plástica; Felicidade Patrocínio – Artista Plástica; Felicidade Tupimambá – Arista Plástica; Marisa de Melo Porto – Juíza de Direito; Maria Coeli Simões Pires – Secretária de Estado de Casa Civil e de Relações Institucionais de Minas Gerais; Maria Jaci de Oliveira Ribeiro – Educadora; Odete Terezinha Costa Maciel – Professora da UNIMONTES; Eliana Parreiras – Secretária de Estado de Cultura de Minas Gerais; Maria José Colares – Grupo Folclórico Banzé; Carmem Lúcia Costa – Coordenador da Pastoral da Criança Montes Claros; Maria do Socorro Pimenta Moura – Empresária.
Arthur Júnior-ASCOM/AMAMS

O Movimento denominado Catrumano constituído pela Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (AMAMS), Instituto Histórico de Montes Claros, Departamento de História da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e Prefeitura de Montes Claros. Há dois anos que essas entidades e a prefeitura de Matias Cardoso já realizam programações por ocasião do “Dia dos Gerais”, no dia 8 de dezembro, que inclui a entrega das Medalhas Mathias Cardoso e Maria da Cruz à personalidades responsáveis pelo desenvolvimento da região.
Antropólago Joba Costa, da Unimontes, de Montes Claros, que realizou pesquisa sobre uma nova leitura da história de Minas
JUSTIFICATIVA - O antropólogo João Batista Costa Almeida, o Joba, autor da pesquisa que reconhece o Norte de Minas como primeiro povoamento, justifica o “Dia dos Gerais”, no dia 8 de dezembro, em Matias Cardoso, a partir de uma carta encontrada recentemente em São Paulo. Na carta aparecem duas datas, dia 23 de março, com a chegada de Mathias Cardoso em solo norte-mineiro, porém, o dia 8 de dezembro é de Nossa Senhora da Conceição, que é padroeira da Igreja do município de Matias Cardoso e deu nome a mais antiga igreja construída em território mineiro, que é a prova mais robusta de ser a região o primeiro povoamento. “Mariana comemora o Dia de Minas em 16 de junho, que é da Padroeira de Nossa Senhora do Rosário. Nós comemoraremos o Dia do Geraes em 8 de dezembro, que é de Nossa Senhora da Conceição” – salienta.
Ainda de acordo com o antropólogo, a partir de um Marco Cronológico do Geraes que ele criou, a partir de 1500, época da descoberta do Brasil foi descoberto, até 2005, quando surgiu o Movimento Catrumano, onde é salientada a data de povoamento de Mathias Cardoso. Uma das alternativas discutidas foi fazer viagens a vapor e cavalo, para chegar neste dia a Matias Cardoso, permitindo uma grande festa. Os primeiros entendimentos para a viagem de vapor foram mantidos com a Prefeitura de Pirapora, onde a embarcação sairia de Pirapora e atracaria em Matias Cardoso. O problema é que são necessários seis dias de viagem.
Outra opção é a cavalgada, que poderia sair de várias cidades para se concentrar em Matias Cardoso.
Comentário:

A elite política e econômica de Minas aparece se homenageando em um momento como este. Quase todos os agraciados com a comenda Matias Cardoso são políticos ou do poder constituído. Na da personagem popular. Ministro do Desenvolvimento Agrário ( ainda bem que homenageia a agricultura familiar), deputados estaduais e federais, secretários de Estado, juíz de direito e empresário. De 12 homenageados, somente 3 do norte de minas, e, para variar, de Montes Claros.
No meio da mulheres com a Medalha Maria da Cruz, concentrou-se as homenagens em figuras de destaque de Montes Claros, muito bem merecidas, por sinal. Porém, deixou de fora figuras de luta do resto do norte de minas.
Aqui, nenhuma homenagem à algum personaglem do Vale do Jequitinhonha, que, segundo o escritor Guimarães Rosa, não são parte das Minas, mas do Geraes, com e mesmo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Um passeio pela identidade cultural do Vale do Jequitinhonha

Um passeio pela identidade cultural do Vale do Jequitinhonha
GERAES, Festivale e a Importância da criação de uma identidade regional
No segundo dia do VI Seminário Visões do Vale, evento de debates realizado pela UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais/Polo Jequitinhonha, em Belo Horizonte, a mesa Movimentos Culturais no Vale do Jequitinhonha abriu o ciclo de palestras.
Da esquerda para a direita: Luiz Santiago, Tadeu Martins, João Valdir e Mateus Servilha, debatendo movimentos culturais no Vale do Jequitinhonha

Entre os objetivos dessa discussão está discutir a importância que os movimentos culturais tiveram na formação do Vale e na mudança de imagem de Vale da pobreza, para vale da riqueza cultural.

A Mesa foi mediada pelo professor João Valdir, de Turmalina, da Faculdade de Educação da UFMG e contou com 3 palestras, além de debates sobre o tema.

A primeira palestra foi do escritor Tadeu Martins, de Itaobim, que contou um pouco da história Jornal GERAES, que circulou no Vale do Jequitinhonha entre março de 1978 e julho de 1985. O jornal foi criado e desenvolvido por estudantes universitários do Vale, que moravam em Belo Horizonte, e se tornou um importante mecanismo de resistência à ditadura militar e de valorização e promoção das manifestações populares do Jequitinhonha. "O Vale avançou muito sim na saúde, educação, cultura; mas ainda tem muito que avançar", afirma Tadeu Martins. Ele também ressaltou os problemas estruturais, educacionais e financeiros que o Vale enfrenta e como esses problemas tem afetado a cultura.

Entre as ações culturais, o jornal foi responsável pela criação do Festivale, um importante evento de expressão da cultura. Luiz Santiago, de Pedra Azul, professor e pesquisador da UNIMONTES, realizou a segunda palestra e enfatizou bastante o papel do Festivale na formação cultural daquela região. Santiago falou da história, dos desafios que o evento enfrentou e que vem enfrentando para ser realizado e da necessidade de se criar um registro (livro) sobre o Festivale.

O terceiro a falar foi o professor e pesquisador da Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), Mateus Servilha, que abordou a trajetória e formação da região do Vale do Jequitinhonha. Ele também comparou os problemas enfrentados pelo Vale com outras regiões do mundo, além de comentar sobre a sua viagem de seis meses pela região. Outro ponto bastante explorado pelo pesquisador foi a criação de uma identidade regional no Vale. "Em 30 anos de luta pela identidade regional, o vale conseguiu mudar o olhar sobre ele, da pobreza para a riqueza cultural", afirma Servilha.
Fonte: Polo Jequitinhonha/UFMG

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Livro Geraes será lançado em Belo Horizonte, nesta terça-feira

Livro Geraes será lançado em Belo Horizonte, nesta terça-feira

Documento registra período histórico do Vale do Jequitinhonha, de 1978 a 1985 No dia 13 de setembro, será lançado em Belo Horizonte o livro Geraes. A publicação é uma reunião de todas as edições do Jornal GERAES, que circulou no Vale do Jequitinhonha entre março de 1978 e julho de 1985.


O evento contará com a presença dos fundadores do Jornal e organizadores do livro Aurélio Silby, Carlos Figueiredo, George Abner e Tadeu Martins.
O jornal foi criado e desenvolvido por estudantes universitários do Vale, que moravam em Belo Horizonte, e se tornou um importante mecanismo de resistência à ditadura militar e de valorização e promoção das manifestações populares do Jequitinhonha.


"O Geraes foi responsável por mudar a idéia de pobreza e miséria e introduzir uma idéia de riqueza cultural ao se falar no Vale do Jequitinhonha", afirma Tadeu Martins.
O lançamento será realizado no dia 13 de setembro, às 19 horas, no Jequitibar (Av. Assis Chateaubriand, 573 - Floresta - Belo Horizonte).
Entrada Franca.
Outras informações pelo telefone: (31) 3271 6522.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Diamantina lança livro "Geraes, a realidade do Jequitinhonha"

Diamantina lança livro "Geraes, a realidade do Jequitinhonha", nesta sexta-feira, 19.08
O livro GERAES, a realidade do Jequitinhonha que foi lançado em 8 cidades do Vale, desde o dia 09.08, será lançado nesta sexta-feira, 19.08, em Diamantina, no Alto Jequitinhonha. Este lançamento estava prevista para o dia 8 de agosto, mas foi adiado.
O conteúdo do livro é formado por reportagens e artigos publicados nas edições do jornal GERAES que circulou no Vale do Jequitinhonha, de 1978 a 1985.
O mesmo grupo que fundou e manteve o jornal, desencadeou o movimento de cultura popular, a partir de 1979, dando origem ao Festivale, no ano seguinte, e a várias manifestações de cultura de raiz, que levaram muitos estudiosos e a mídia a classificar o menosprezado "Vale da Miséria" em Vale da Cultura.

DIA 19 DE AGOSTO DE 2011 (sexta-feira)
Horário: 19:00 às 20:00

Local: Livraria Espaço B
Beco da Tecla, 26
Centro - Diamantina/MG
Organizado por Aurélio Silby, George Abner e Tadeu Martins.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Berilo: Livro "GERAES, a realidade do Jequitinhonha" será lançado hoje

Berilo: Livro "GERAES, a realidade do Jequitinhonha" será lançado hoje
Nesta quinta-feira, 11.08, às 19 horas, no Clube SAB

O livro "Geraes, a realidade do Jequitinhonha" será lançado nesta quinta-feira, 11.08, no Clube local, no centro da cidade de Berilo, no Médio Jequitinhonha, nordeste de Minas. Livro "GERAES, a realidade do Jequitinhonha" será doado às escolas, biblioteca municipal e entidades presentes
O conteúdo do livro é formado por reportagens e artigos publicados nas edições do jornal GERAES que circulou no Vale do Jequitinhonha, de 1978 a 1985. Lá o leitor encontrará registros como a luta pela terra dos posseiros do Cardoso contra a grileira empresa Cavalinho, o apoio e formação do Sindicato de Trabalhadores Rurais, o artesanato de tecelagem de Roça Grande, a enchente de 1979 e o impacto da tragédia na vida do povo pobre de Berilo, Araçuaí e outras cidades.


No evento da noite, estarão presentes os fundadores do jornal GERAES, o economista Aurélio Silby, o jornalista George Abner e Tadeu Martins, engenheiro, professor, poeta e contador de casos. Eles também são os precursosres do Festivale, maior evento de cultura popular de Minas Gerais.
Eles darão depoimento sobre a cultura do Vale e ouvirão depoimentos sobre a cultura e história de Berilo.
Uma edição especial do jornal GERAES foi publicada sobre a realidade atual do Jequitinhonha
Serão exibidos videos sobre as Lavadeiras do Caititu e da Viação Cipó, video da TV Alterosa, que aborda a história, a cultura de Berilo, a cultura do abacaxi, receita de pequi com arroz, Lelivéldia, Escola de Tabuleiro, comunidades negras, o rio Araçuaí, produção de rapadura, o artesanato de tecelagem e muito mais.

Cada escola e instituição receberá um exemplar do livro.
Não deixe de comparecer!


Entrevista coletiva na Rádio Arai FM, às 15 horas. Assistam! Debate sobre a "Cultura do Jequitinhonha".


Faça a conecxão:http://www.radioaraifm.com.br/


Leia mais sobre o livro e o registro do lançamento em Turmalin, na última terça-feira, 09.08, no Sindicato dos Trabalhadores Rurais:
blogdobanu.blogspot.com.livro-geraes-turmalina
O livro será lançado em 10 cidades do Vale: Diamantina, Turmalina, Minas Novas, Berilo, Virgem da Lapa, Araçuaí, Rubim, Almenara, Jequitinhonha e Itaobim. Veja aqui a programação completa:
blogdobanu.blogspot.com.livro-geraes.cidades.programadas


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Jornal Geraes: veículo de resistência, denúncia e cultura

Jornal Geraes: veículo de resistência, denúncia e cultura
Tadeu Oliveira (*)
Imagem cedida por José Claudionor - Fonte: Blog do Onhas

Em fins da década de 1970, o quadro político nacional permitiu o surgimento e fortalecimento da imprensa alternativa, possibilitando aos estudantes e trabalhadores do Vale do Jequitinhonha que migraram para Belo Horizonte e outros centros urbanos o contato com várias destas publicações. Alguns destes estudantes militavam nos movimentos de esquerda durante o período mais crítico da ditadura. Influenciados pelas idéias dos movimentos sociais, estudantis, políticos e culturais emergentes veiculadas nas páginas da imprensa alternativa, idealizaram juntamente com outros jovens residentes no Vale, a criação de um jornal alternativo.

Assim, em março de 1978, nascia o jornal Geraes. Inicialmente, a idéia dos fundadores era que sua circulação fosse restrita à região de Pedra Azul, Araçuaí, Almenara, Padre Paraíso, Jequitinhonha, Itaobim e cidades circunvizinhas. Entretanto, uma reportagem feita no jornal O Estado de São Paulo[1], sobre o Vale do Jequitinhonha fez este grupo mudar de idéia, conforme consta em diversos estudos sobre o tema.

A principal bandeira do Geraes era proporcionar ao povo do Vale um veículo onde se pudesse discutir os problemas da região, escutando e dando voz a todos que viviam em condições subumanas como forma de buscar “o melhor caminho para uma vida mais justa e humana”. Propunha ser uma “ferramenta de denúncia” frente à ditadura militar e desestruturar as organizações políticas instituídas com base no ranço coronelista. A estratégia era a divulgação das “formas de manifestações e organização” que surgiam “no Vale do Jequitinhonha (comunidades, associações, sindicatos)”. Outra estratégia utilizada era a interatividade com os leitores ao criar uma “rede de informações para construção e circulação do jornal” que contribuiu inclusive para cravar o conceito de homogeneidade à região.

Impresso em Belo Horizonte, o jornal era distribuído de forma gratuita. Jornal independente, posteriormente buscou se manter através de assinaturas de leitores residentes em algumas cidades do Vale e de patrocínios de algumas empresas e comerciantes regionais. O período de vigência do jornal foi de 1978 até o ano de 1985, através de 23 edições (não havendo consenso sobre este número), o que compreende o fim do período ditatorial e início da abertura democrática da política brasileira.

Festivale: o Geraes na trilha da cultura
A partir de 1977, com a volta do movimento estudantil às ruas e, a partir de 1978, com o advento das grandes greves promovidas pelo movimento operário do ABC paulista, novos ventos sopraram sobre a discussão política e a luta pela democracia. No campo da cultura, entre os artistas e intelectuais de esquerda, renovou-se a vontade de uma participação política mais intensa, passando de uma fase de resistência para outra mais crítica e agressiva. Assim, os artistas tiveram participação decisiva junto aos movimentos de luta pela democracia. Por este período, a televisão já tinha se tornado um poderoso veículo de comunicação que, além de consolidar sua vocação para a teledramaturgia, promoveu a socialização e massificação da cultura.

Nesse contexto, muitos desses movimentos alternativos[2] influenciaram os editores e leitores do jornal Geraes, forjando o embrião do Festivale. Era o que faltava para dar a forma do movimento cultural do Vale como um movimento alternativo.

  Edição histórica do Jornal Geraes - Foto: Vilmar Oliveira

Cabe ressaltar dois fatos marcantes que antecederam ao surgimento do Festivale e que podem ser compreendidos como elementos catalisadores que impulsionou o jornal Geraes dar uma guinada estratégica para a cultura do Vale.

Trata-se do lançamento do álbum Jequitinhonha – Notas de Viagem e o I Encontro de Compositores do Vale do Jequitinhonha. Com relação ao álbum, Luiz Santiago descreve, no seu livro O Vale dos Boqueirões – História do Vale do Jequitinhonha (1999), que ouviu-se falar “primeira vez em cultura do Vale do Jequitinhonha no fim de ’79. Estávamos no Palácio das Artes,. (...) Encontramos Leri, da dupla Leri e Melão. Ele contou que viajara pelas barrancas do Jequitinhonha, pesquisando música popular na região, que é fantástica – ele disse. Desde menino, já conhecíamos algumas cidades por ele mencionadas; a partir daí (...) a cultura do vale passou a nos interessar. Mais tarde, com o material reunido, mais alguma gravação em estúdio, a dupla Leri e Melão lançou o disco Notas de Viagem, que contou com a participação do Boi de Janeiro, de Itaobim, e dos tamborzeiros do Rosário, de Araçuaí” (pág. 325).

E ao promover, em 1979, o I Encontro de Compositores do Vale do Jequitinhonha, na cidade de Itaobim, que também sediou o primeiro Festivale em 1980, o movimento cultural usou da criatividade ao se apropriar de estratégias utilizadas pela ditadura militar para divulgar o evento. Para isso, fixaram cartazes em faculdades, bares e ruas do centro de Belo Horizonte, com cerca de quinze fotos três por quatro ampliadas e o título de “Procurados”, copiando o modelo das “peças de propaganda antiterroristas do regime militar”. Observando o cartaz de perto, percebia-se que os “procurados” eram “acusados de fazer música do Vale do Jequitinhonha e de serem desconhecidos do grande público (SANTIAGO, 1999)”. Em tempos marcados pela censura e pela perseguição política, o audacioso cartaz chamou a atenção da imprensa mineira, o que contribuiu para a divulgação do Encontro.

O sucesso do encontro de compositores serviu para que os artistas participantes “excursionassem” por diversas cidades do Vale do Jequitinhonha e Mucuri e também por Belo Horizonte. O mais importante foi que nesse encontro definiu-se o nascimento do I Festivale como um evento cultural anual e itinerante, com participação restrita a compositores nascidos ou residentes no Vale.

Outro fato importante nesse encontro foi a criação do CCVJ - Centro Cultural do Vale do Jequitinhonha que, juntamente com o jornal Geraes se encarregaram de organizar o movimento cultural do Vale. Porém, movimentos de dissidência provocaram a criação de outras entidades representativas. Mas isso é uma outra história.

Tadeu Oliveira é educador, mora em Capelinha e publica o http://cantaminas.blogspot.com/