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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

III Encontro de Tamborzeiros do Rosário acontece em Diamantina

Durante os quatro dias de encontro serão realizados debates, cortejos, lançamentos, mesas redondas, mostras, oficinas, palestras, rodas de conversa e muitas manifestações da cultura dos tambores.

FOTO: arquivoIII Encontro de Tamborzeiros do Rosário acontece em Diamantina
A programação do encontro contempla “situações em que os tamborzeiros serão motivados a mostrarem suas práticas
Começa hoje (26.11.14)  e vai até o dia 30 de novembro, o 3º Encontro dos Tamborzeiros do Rosário do Vale do Jequitinhonha.
  
O encontro será realizado em Diamantina e no Distrito de São João da Chapada, daquele município.
  
Buscando promover um espaço de intercâmbio, convivência e aprendizagem para os grupos de  tamborzeiros, o Encontro de Tamborzeiros do Rosário reunirá os grupos de chula do município de Diamantina, um grupo coral de Araçuai, e ainda um grupo de Moçambique .


Durante os quatro dias de encontro serão realizados debates, cortejos, lançamentos, mesas redondas, mostras, OFICINAS, palestras, rodas de conversa e muitas manifestações da cultura dos tambores.

 Todas as atividades do encontro são gratuitas.
  
A programação do encontro contempla “situações em que os tamborzeiros serão motivados a mostrarem suas práticas dentro de um contexto de valorização, mostra, repasse e troca de seus saberes e habilidades.
  
O III Encontro dos Tamborzeiros do Rosário do Vale do Jequitinhonha tem o apoio da Secretaria de Estado de Cultura, através do Fundo Estadual de Cultura, Pró-reitora de Extensão e Cultura da UFVJM, do PROGRAMA Música de Minas da Secretaria de Estado de Cultura, Prefeituras Municipais e Irmandades do Rosário.
  
Confira a programação:
  
26 a 29 de Novembro

Em São João da Chapada e Diamantina

OFICINAS de cantigas, batuques e outras práticas tradicionais da região
Conversa com os mestres

29 de Novembro

8h - Palestra:  A terra dos diamantes e a tradição do garimpo no Alto Jequitinhonha

Profa. Mariana Lacerda- CASA da Glória/UFMG-IGC

8:30h -Passeio turístico

15h- Cortejo pelas ruas da cidade com os tamborzeiros e vários grupos convidados

16h -Instalação do Espaço do Tamborzeiro-Abertura solene-Mercado Velho.

16:30h - Mesa-Políticas públicas para as culturas populares

Representantes das instituições: MINC-IPHAN; IEPHA;UFVJM;UFMG

17 às 18h OFICINAS abertas de batuques, dança da garrafa, dança do porretim- Pça do Mercado.

18h -Mostra das OFICINAS

20h - Noite do tambor: brincadeiras de disputa, dança do porretim, dança da garrafa, grumentação, cantos e batuques-

Show MUSICAL: Saldanha Rolim e os Tambores de Cantaria-Mercado Velho.

30 de Novembro

Mercado Velho

8h - Cantos de abertura da manhã-

8:30h- Palestra e BATE PAPOSons dos tambores do rosário-passado e presente

Profa. Leda Martins-UFMG e Daniel Magalhães- Músico e pesquisador

Lançamento da cartilha: O Bem Comum: Imagem, Canto, Palavra

9:30h - Mesa dos capitães, irmandades e convidados: Experiências de transmissão de saberes e fazeres

10:30 às 11:30h OFICINAS abertas de batuques, dança da garrafa, dança do porretim – Pça do Mercado

10:30h - Grupo de trabalho com os gestores municipais e tamborzeiros

12h - Leitura: Carta do Encontro

Almoço
Tambores de despedida.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Mestre Antônio e os tambores do Vale do Jequitinhonha retornam à UFMG

A Universidade promove a segunda etapa das oficinas do tamborzeiro.

FOTO: arquivoMestre Antônio e os tambores do Vale do Jequitinhonha retornam à UFMG
Mestre Antonio vive em Minas Novas, onde faz tambores artesanais
Dando continuidade as atividades desenvolvidas em outubro, está sendo realizada desde o dia  17 e  vai até 21 de novembro, na Estação Ecológica/campus UFMG, a segunda etapa das oficinas do tambozeiro, descendente de africanos e índios, de Minas Novas, Antônio Luís de Matos, o  Mestre Antônio, 75 anos.

Ele é  um dos últimos conhecedores das técnicas e práticas dessa arte no Vale do Jequitinhonha e aprendeu durante sua infância com o avô o ofício da luteria de tambores e caixas de linha africana.

Nos últimos anos, ele  trabalha incessantemente para que essa tradição não se perca. como ele mesmo diz: “ O som dos tambores bate forte no coração do ser humano. Os tambores são fonte de vida, de tudo”.

O tambozeiro que tem licença ambiental para utilizar a madeira necessária à confecção dos tambores e faz o replantio das espécies afirma com convicção e sabedoria que “é preciso tratar a natureza com cuidado: colher e devolver”.

Na primeira parte do projeto “Construção de tambores e instrumentos musicais”, os participantes aprenderam as técnicas, processos e delicadezas necessários à construção de seus próprios instrumentos, o que envolveu sensibilidade para o traquejo com os materiais e conexão com a natureza.

Nesse segundo encontro “Tocando os tambores e os instrumentos musicais”, os participantes iniciaram suas atividades com o plantio de mudas de pitangueira, quaresmeira, tambucuri, entre outras.

O plantio ocorreu devido à preocupação de Mestre Antônio em devolver à natureza aquilo que é utilizado para construir os tambores.

Após o plantio das mudas, foi dada continuidade à construção dos tambores, para que, posteriormente, os participantes possam aprender a tocá-los.

Além dessas atividades, está prevista a realização de um cortejo musical realizado pelos membros da oficina e pelo grupo de maracatu da Escola de Música, que partirá da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) às 17h30min do dia 21 de novembro e terminará na Praça de Serviços do campus Pampulha.

Fonte:UFMG

quarta-feira, 5 de outubro de 2011


Diamantina: Minas bate tambor - show e oficina gratuita de Tino Gomes

Chega a Diamantina a tournée do projeto Minas Bate Tambor do cantor e compositor, ator, humorista e escritor Tino Gomes, comemorando seus 40 anos de carreira. Será no dia 11 de outubro, às 21h, na Praça do Bonfim, fazendo parte da programação oficial do Festival de História de Diamantina. O show, que tem o patrocínio da Cemig e da Lei de Incentivo à Cultura, traz Tino Gomes cantando músicas de sua autoria e interpretando canções de Gilberto Gil, Chico Cesar e Jackson do Pandeiro. Misturando a batida dos tambores do norte de Minas com instrumentos como violão, guitarra, bateria, baixo e outros, Tino produz uma sonoridade contemporânea para a legítima música mineira.

OFICINA DE TAMBOR
Um dia antes, no dia 10 de outubro, segunda-feira, Tino Gomes já estará na cidade para ministrar a Oficina de Tambor, para o público geral interessado. Não há pré-requisitos, basta ter interesse no instrumento. A oficina tem sido realizada pelo artista, com sucesso absoluto, nas cidades da turnê Minas Bate Tambor.

A oficina é gratuita e as vagas são limitadas. As inscrições devem ser feitas no site:
http://tinogomes.blogspot.com/


Na opinião de Tino Gomes, as oficinas proporcionam um contato muito rico com o público e é uma oportunidade de difundir um pouco mais a cultura dos tambores do Norte de Minas. Por isso, em seu show, Tino inova e leva para o palco os participantes das oficinas. Segundo ele, “é uma oportunidade de os alunos vivenciarem a música e a resposta da plateia, mesmo que em um curto espaço de tempo.”

Conhecido como um artista com múltiplos talentos, além de cantor e compositor, Tino Gomes é, também, ator, humorista e escritor de livros infantis. Comemorando 40 anos de carreira, para ele, o que mais o estimula como artista é o constante processo de se recriar, de buscar novos caminhos para o seu trabalho.
CONHEÇA:
http://tinogomes.blogspot.com/

MINAS BATE O TAMBOR:
Show e Workshop com Tino Gomes
FHIST 2011 - Diamantina
Workshop: 10 de outubro, segunda-feira -

Inscrições gratuitas, http://tinogomes.blogspot.com/

Show: 11 de outubro, terça-feira, 21 horas, na Praça Bonfim

domingo, 28 de agosto de 2011

História de Tamborzeiros do Rosário de Araçuaí em Medina

História de Tamborzeiros do Rosário de Araçuaí em Medina

Há 30 anos mais ou menos, o prefeito da cidade de Medina foi convidado por alguns araçuaienses que moram na cidade a serviço da Copasa para assistir as comemorações da Festa do Rosário . O prefeito veio com muito interesse, pois já tinha ouvido muitas histórias que a festa era uma maravilha. De fato. O prefeito e família ficaram encantados. Ele gostou tanto que ofereceu a cidade de Medina por um dia aos tamborzeiros.Não precisava demonstração do rei e rainha nem juízes, mas sim, só dos tamborzeiros.


Foram eles que chamaram a atenção do prefeito. Ficou marcado a data da apresentação: 13 de dezembro, dia consagrado a Santa Luzia, santa de devoção do Prefeito Ficou tudo combinado.


O prefeito foi pra sua cidade muito alegre. Chegando lá avisou seus auxiliares que espalharam o comentário por toda a cidade. O João Lolôsca, filho de Felisbino Sapateiro era na época o presidente da Irmandade do Rosário, e o João Mocó era o capitão do tambor. Os dois com alguns membros da irmandade, como Pedro de Meia, Luiz de Meia, Luiz Sapateiro, Nilton Curió e outros; fizeram uma reunião pra estabelecer o procedimento dos tamborzeiros. Numa cidade diferente que o povo nem o prefeito sabem que todos têm apelidos, iriam estranhar quando estivessem tomando todas. Começariam a chamar Zé de Meia de Zé Cuão, Antônio de Zilá de Tono Cú Sujo, João Evangelista de João Mocó, Zé Lopes de Tó Bufão e outros mais.


Foi estabelecido umas normas, como por exemplo, chamar todos pelo nome correto, e Ave Maria de beber pinga na hora do tambor. E assim as normas foram passadas para os tamborzeiros que acataram com toda prontidão, mas exigiram que depois que terminasse o Tambor iriam beber e comer até morrer. Deram as mãos e negócio fechado.


Chegado o dia combinado o prefeito mandou um ônibus apanhar os tamborzeiros. Começou a arrumação para a viagem que foi rápido, mas também não faltou alguns penetras, porém, os organizadores não importaram porque os penetras geralmente cobrem a falta dos que embebedam.


Chegando à cidade de Medina foram bem recebidos pelo povão. Os tamborzeiros foram para o alojamento em uma escola e sem tambor nem gole, jantaram e foram dormir. No outro dia, o dia da festa, tinham muito que fazer.


Acordaram cedo e, foram arrumando a casa. João Evangelista, mais conhecido por João Mocó, foi dizendo: cambada vamos ensaiar pra gente “ mostrá” que somos bons!. O ensaio começou. Minutos depois, o pátio estava cheio de curiosos. tamborzeiro não gosta de exibir nem um pouco, isso para não falar o contrário.

No ensaio fizeram até a demonstração da cobra que era feito pelo tamborzeiro Capiano. Foram muito aplaudidos. Deram até autógrafos, mas, sem tomar nem um gole. Àquela altura já tinha muitos reclamando da falta do “ me”. Tudo bem. Tinham feito compromisso, e, palavra de tamborzeiro não volta atrás.

Chegando então à hora marcada o ginásio já estava lotado: o Prefeito e família, vereadores, o padre da cidade, delegado, enfim , quase todas as autoridades da cidade.

Agora o momento culminante: os tamborzeiros foram para o centro do pátio da escola. Fizeram a roda. João Evangelista fez a oração e começou o ronco dos tambores e as cantigas. Nos primeiros minutos, muita euforia. Depois, foi enfraquecendo e com 10 minutos parou. Todos colocando a alma para fora, perdendo o fôlego. João Almeida, ou João Lolosca que era o presidente, foi logo chegando à roda e exclamou: gente, gente! o que aconteceu !Desse jeito vocês me matam de vergonha! A parada do tambor tem de ser no mínimo de meia hora. Anda!


Vamos começar que o povão já esta reclamando. E começou novamente, mas, bem devagar. E parou de novo , com menos tempo. Tamborzeiro é assim: um colocando culpa no outro. E começaram as rusgas. João Almeida chamou o pessoal do tambor e disse: gente! Será que não ta faltando uma pinguinha? Todos tamborzeiros bateram palmas e gritaram: é isso mesmo.


Seu João, que chegou ao prefeito e deu o toque. Logo apareceu cinco litros da boa. E foi só alegria. Um gole daqui outro dali e o pau quebrou. Foi tamborzeiro equilibrando o litro cheio de pinga na cabeça, deitava e pulava com o litro e por ai afora.... Quando deram uma parada o suor estava caindo por toda parte, mas também foi uma hora sem parar.


O João Almeida comentou para o prefeito: sem o “ me “ eles não tocam. De repente João Evangelista gritou: Cambada, vamos começar. E perguntou bem alto : Zé Cuão cadê To Bufão? Zé Cuão respondeu : Tó Bufão saiu com Antônio Cú Sujo e Antônio Cafubira, disseram que iam ao boteco comprar um “ paieiro”. João Mocó ordenou, Zé Cuão a chamar Zé Cobra para trazer todo mundo. Zé Cobra retrucou: João Mocó, eu não vou. porque esses tamborzeiros são muito pirracentos. Manda Adilson Capeta e To Barriola que não vou não.


E o povo caiu na risada juntamente com o prefeito, porque nunca tinham ouvido tantos apelidos engraçados. E foi só festa a noite toda e o povo começou a chamar os tamborzeiros pelos seus apelidos.


Parabenizando todos os tamborzeiros, o prefeito disse que nunca tinha visto uma festa tão animada e engraçada .
Naka e Zé Cobra

Gazeta de Araçuaí, por Sérgio Vasconcelos

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Cadê eu?

Cadê eu?
Banu



Se eu sair daqui, cadê eu?
Não consigo me encontrar, cadê eu?

Eu vou lá ni São Paulo, trabalho eu?
E um dinheiro vou ganhar, tou bem, meu!

Saudade dos meus amores, cadê eu?
Fim de ano vou voltar, achar eu!

Esta cana até me engana, sonhei eu!
Sem saúde, mas com grana, sofri eu!

O podão já me cortou, podei eu!
Coração já me sangrou, pulsei eu!



Aêaêaêaêaêêêêêêêêê
Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu!
Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu!


Companheiros, vamusimbora!
Para o Vale, vamusimbora!
Que dia, que dia, que dia que é?
É fim de ano, se Deus quiser!


Esperança acende a chama, liguei eu!
Festa, prazer, comida e cama, gozei eu!

Esta história aqui se encerra, cadê eu?
Já voltei pra minha terra, achei eu!

Fui do trecho, fui do mundo, perdi eu!
Sou raiz, lugar profundo, finquei eu!

Tou feliz em aqui morar, viva eu!
Plantar, colher, criar, amar, você mais eu!

Aêaêaêaêaêêêêêêêêê
Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu!
Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu!

Companheiros, vamusimbora!
Para o Vale, vamusimbora!
Que dia, que dia, que dia que é?
É amanhã se Deus quiser!


Esta é uma composição lítero-musical inspirada nos sentimentos dos irmãos quilombolas, dos fiéis da Festa do Rosário, no ritmo marcado pelo tambor de congadeiros, em homenagem aos migrantes temporários do Vale do Jequitinhonha, que se assalariam no corte de cana, no interior de São Paulo, por 8 meses, todo ano.
Aliás, este é um canto de todo trabalhador que luta para sobreviver e viver feliz em todo canto e lugar do mundo que escolheu para viver.