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sábado, 15 de agosto de 2015

Mais de 400 mulheres do Vale participaram da Marcha das Margaridas

Marcha das Margaridas une o país em busca de direitos. Mulheres do Vale do Jequitinhonha marcaram presença.

A Marcha das Margaridas de 2015, realizada nos dias 11 e 12 de agosto, em Brasília, contou com a presença do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma Rousseff. O movimento, que reuniu mais de 70 mil pessoas na caminhada rumo ao Congresso Nacional, marchou pelo desenvolvimento sustentável com democracia, justiça, autonomia, igualdade e liberdade. Do Vale do Jequitinhonha foram mais de 400 mulheres e de 3 mil de Minas Gerais, segundo a Fetaemg - Federação dos Trabalhadores na Agricultura em Minas Gerais.

Na noite da terça-feira (11.08), no Estádio Nacional Mané Garrincha em Brasília (DF), a abertura do evento foi ao ritmo dos vários gritos de mulheres do campo, da floresta e das águas, que mostraram que os ideais de Margarida Alves continuam vivos mesmo depois dos 32 anos de seu brutal assassinato, na Paraíba.

“Seguiremos na construção de luta das mulheres. A Marcha é um referencial de mudança dos rumos, de conquista de politicas públicas para nosso país”, ressaltou a coordenadora geral da Marcha e secretária de Mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), Alessandra Lunas.

“De peito aberto, independente do governo que aí estiver, sempre diremos as políticas que esperamos. São muitas as conquistas. Se a gente listar, temos muito a comemorar. Como exemplo, cito o programa de documentação para a trabalhadora rural”, destacou Alessandra, fazendo referência ao fato da Marcha não ser um evento estático, mas um processo que segue continuamente.

O deputado estadual Dr. Jean Freire (PT-MG) foi apresentado pela locutora do carro de som da Marcha das Margaridas e seguiu na caminhada até o encerramento, que contou com a presença da presidenta Dilma Rousseff: "Foi uma experiência muito rica. No Vale do Jequitinhonha posso acompanhar a luta destas mulheres trabalhadoras que sobrevivem no campo. É importante reconhecer sua força e apoiar sua luta. São todas guerreiras e vencedoras”.











Marcha das Margaridas levou mais de 400 mulheres do Vale do Jequitinhonha à Brasília.

De acordo a coordenadora da Comissão Estadual de Mulheres Trabalhadoras Rurais (CEMTR), Alaíde Bagetto, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg), por meio da Comissão Estadual das Trabalhadoras Rurais, mobilizou cerca de 3000 mulheres para marcar a participação em 2015.

Cerca de 20 ônibus saíram dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri, Rio Doce e norte de Minas rumo à Marcha em Brasília sob o lema “Margaridas seguem em Marcha por Desenvolvimento Sustentável com Democracia, Justiça, Autonomia, Igualdade e Liberdade”.

Maria das Graças, do Polo da Fetaemg do Médio-Baixo Jequitinhonha, afirma que esta é uma das maiores mobilizações de mulheres da região similar ao Fórum da Mulher, realizado pela UFMG, no Vale.
“A Marcha é feita por companheiras que atravessam o Brasil para fazer história. Aqui está um povo que tem ocupado as ruas e vem construindo proposições para transformar realidades depois de tanto tempo de invisibilidade”, destacou a vice-presidente da CUT Nacional, Carmem Foro.

Representando o governo federal, o Ministro do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Patrus Ananias, aproveitou para reafirmar dois compromissos com as margaridas. “O primeiro, é a Luta pela Reforma Agrária, na qual temos como meta assentar até o final do Governo Dilma todas as trabalhadoras e trabalhadores rurais que vivem debaixo da lona. O 2º, é trabalhar por políticas que garantam vida digna e decente para as mulheres”, ressaltou.

A ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, aproveitou para enaltecer duas mulheres que não se envergaram diante da luta, Margarida Alves e Dilma Rousseff. “São mulheres que não se calaram mesmo diante das pressões e desafios enfrentados por serem mulheres”, destacou.
Presidente Lula, ao lado do deputado estadual Dr Jean Freire, apoia a luta das mulheres do campo
Presente na abertura, o ex-presidente Lula pontuou o processo democrático de reivindicação feito pelas margaridas, citando como um exemplo de persistência a ser seguido. “Vocês aprenderam, depois de muitas Marchas, que é possível mudar a história desse país. Quanto mais a gente quer, mais a gente conquista. Democracia não é um ato de silêncio, mas é o povo da rua reivindicando seus direitos”, disse.

Lula ainda acrescentou a necessidade de comunicação com o povo: "É preciso sempre manter o diálogo com a base, assim quero afirmar: estou preparando para voltar a caminhar nesse país. Eu quero ver nossos adversários pensarem no país como nós queremos”.

A presidenta Dilma Rousseff, que participou do encerramento, afirmou que a união das mulheres é imprescindível para sua gestão: "Quero me somar a vocês nessa manifestação por justiça, igualdade, liberdade, democracia e não ao retrocesso", disse. "Vocês, mulheres, inspiram a mim, Presidente da República, e todo o meu governo", completou.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Marcha das Margaridas reúne milhares de mulheres em Brasília

Manifestação é considerada a maior do mundo na defesa do direito das mulheres.
Coordenadora da Contag afirma que governo tem de ser cobrado por mais diálogo e para que reveja política ecônomica. Mas vê machismo e golpismo em pressão política concentrada na presidenta
por Eunice Pinheiro, para a RBA 
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ARQUIVO/ABR
Marcha das Margaridas
Marcha das Margaridas é considerada a maior manifestação pelos direitos das mulheres no mundo
Brasília – A quinta edição da Marcha da Margaridas foi realizada em um momento delicado para a conjuntura política do país, avalia a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), que organiza o movimento. O objetivo foi apresentar uma pauta de reivindicações que atenda às necessidades das mulheres que vivem e trabalham no campo e se contrapor ao conservadorismo político atual, que pode levar ao retrocesso das conquistas históricas dos trabalhadores brasileiros.

A marcha contou com a participação de 27 federações e 11 entidades parceiras. Entre os pontos principais da pauta, estão o fim da violência contra a mulher e o combate ao uso de agrotóxicos. Na quarta-feira, a presidenta Dilma Rousseff participará de um ato, no estádio Mané Garrincha, onde apresentará o compromisso do governo federal com as reivindicações listadas na pauta do movimento.

Dezenas de milhares de mulheres de todo o Brasil participaram da manifestação. Do Vale do Jequitinhonha, foram 7 ônibus que conduziram 350 mulheres para o evento.

Este movimento tem como grande homenageada a líder sindical da Paraíba, Margarida Alves, assassinada em sua casa, em Alagoa Grande, em 12 de agosto de 1983, com tiros de uma espingarda 12 em seu rosto, quando abriu a porta da casa para atender a um chamado. É um movimento contra toda forma de violência contra a mulher.

A Marcha das Margaridas é considerada a maior manifestação pelos direitos das mulheres no mundo. De acordo com a secretária de Mulheres Rurais da Contag, Alessandra Lunas, nos últimos meses o conservadorismo em diversos setores da política tem dificultado o acesso das mulheres a uma série direitos, como o direito a educação, participação igualitária na política e ocupação de cargos nas esferas decisórias do país – além de colocar em risco direitos sociais já conquistados e a própria democracia. “Chegamos ao ponto de assistir a agressões machistas feitas à presidenta da República, sem nenhum pudor”, afirma.
Para ela, os ataques são um reflexo das diversas formas de violência dirigidas às mulheres no Brasil. Um ataque que vai além do que está sendo verbalizado. “O que nós mulheres vemos hoje é uma ofensiva raivosa contra o governo, mais do que algo real que esteja acontecendo. A gente sabe que tem segundas intenções neste processo.”

Alessandra afirma que os movimentos sociais não devem deixar de cobrar o governo federal para que reveja posições na área econômica que estão comprometendo o orçamento de políticas públicas e o crescimento econômico. Mas vê nos ataques da oposição a tentativa de atingir e desmoralizar todo o governo por questões de disputada partidária, sem nenhuma preocupação com a consequências para o país. “Quando se diz, com a prisão de José Dirceu, que o alvo é atingir quem o comandava, o recado já está sendo dado. Só não vê quem não quer”, afirma.

Em relação à presidenta Dilma, a dirigente da Contag avalia também que o machismo é um fator de peso nessa pressão política focada exclusivamente nela. E isto tem sido demonstrado em diversos momentos, como o tratamento desrespeitoso contra ela, manifestado em diversos momentos, como o que aconteceu durante a abertura dos jogos da Copa do Mundo e as próprias piadas envolvendo a figura da presidenta.

Para Alessandra, o momento é preocupante e exige uma reação efetiva da militância nas ruas, principalmente porque envolve a defesa da democracia e das conquistas históricas dos trabalhadores.

Marcha das Margaridas debate autonomia e igualdade para mulheres trabalhadoras

Ex-presidente Lula participou da abertura da Marcha das Margaridas (Fotos: Fabio Rodrigues Pozzebom /Agência Brasil)

Com reivindicações como o enfrentamento à violência contra as mulheres, políticas públicas para mulheres do campo, autonomia econômica e defesa da agroecologia, além da preservação da cultura das camponesas, foi realizada nesta terça, em Brasília, a cerimônia oficial de abertura da 5ª Marcha das Margaridas.

De acordo com Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), cerca de 20 mil pessoas de vários estados participaram do evento no Estádio Nacional de Brasília, Mané Garrincha.

Presenças também do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva os ministros da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, da Previdência, Carlos Gabas, do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, da Pesca, Elder Barbalho, da Secretaria de Política para as Mulheres, Eleonora Menecucci, e da Saúde, Arthur Chioro. 

A manifestação é considerada como de apoio ao ex-presidente Lula e presidenta Dilma.

A Marcha das Margaridas ocorre desde 2000 em homenagem a Margarida Maria Alves, assassinada por latifundiários no dia 12 de agosto de 1983.