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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Matias Cardoso: Fiéis usam guarda-chuvas em igreja com goteiras no Norte de Minas


Goteiras têm mudado a rotina das missas (Foto: Padre Daniel)
O telhado da igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Matias Cardoso (Norte de Minas Gerais), tem apresentado diversas goteiras durante o período chuvoso na região. O problema já danificou alguns documentos do templo, considerado como o mais antigo de Minas Gerais.
A cobertura do local passou recentemente por obra, finalizada em maio de 2017. O valor pago na reforma do telhado foi de R$ 726 mil e, desde o mês de novembro, os problemas apareceram e atrapalham as celebrações na igreja, que faz parte do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
“A obra foi entregue em período de seca. Então, no mês de novembro, quando teve a primeira chuva, percebemos as goteiras e avisamos a empresa responsável pela reforma. Agora que as chuvas estão mais constantes tem molhado bastante. De fato, chove dentro da igreja”, explica o pároco, padre Daniel Cordeiro.
De acordo com o padre, a preocupação aumenta diante do risco de perder outros artigos históricos com a água que escorrem pelas paredes. “Esta água desce do telhado e forma quase uma cachoeira nas paredes. Minha preocupação maior é com o risco de danificar elementos artísticos que temos aqui. Muitos já estão deteriorados”, lamenta.
Uma construtora de Belo Horizonte foi a vencedora da licitação. Segundo o engenheiro responsável, Denis Helbert de Araújo Martins, a empresa já foi notificada e uma visita técnica está prevista para verificar a real situação do telhado da igreja. “Temos que verificar como está o telhado agora, já que não é normal um telhado novo apresentar infiltração. Durante o período chuvoso não podemos subir no telhado, mas nossa preocupação agora é criar uma medida paliativa para que não gere danos à igreja”.

Matias Cardoso
O povoamento mais antigo de Minas Gerais, também abriga a primeira igreja construída no estado. A importância histórica da Matias Cardoso pode ser simbolizada pela Matriz de Nossa Senhora da Conceição, erguida há 342 anos por padres jesuítas.
Fonte: G1 Grande Minas
Saiba mais sobre Matias Cardoso
Nesta cidade, 
encontra-se a primeira Igreja  de Minas Gerais

Foto Manoel Freitas
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Vista aérea da cidade de Matias Cardoso.

Matias Cardoso é um município brasileiro do estado de Minas Gerais. Situado na região da Serra Geral, no Norte de Minas, Matias Cardoso foi emancipado de Manga em 27 de abril de 1992. O município fica na margem direita do rio São Francisco, com acesso pela MG-401, que liga Janaúba a Manga.
Conforme o Censo 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população estimada de Matias Cardoso era de 9.979 habitantes. Parte do Projeto Jaíba está situada no município de Matias Cardoso.

O nome do município é uma homenagem ao bandeirante Matias Cardoso de Almeida, desbravador da região.

Foto Manoel Freitas

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Igreja Nossa Senhora da Conceição, em Matias Cardoso, a primeira igreja de Minas Gerais construída há 319 anos.

HISTÓRIA DO MUNICÍPIO

Por volta do ano 1612, conforme o historiador paulista Affonso de Taunay (1948), bandeiras anônimas paulistas começam a percorrer o rio São Francisco criando o que veio a se chamar, posteriormente, de Caminho Geral do Sertão. 

Na década de 1650, a sociedade do Recôncavo baiano começou a ser invadida por grupos indígenas aliados a negros aquilombados no sertão. Como diversas expedições baianas não foram capazes de debelar essa ameaça que pairava sobre as populações dedicadas à produção de açúcar, o governo da Capitania Bahia entendeu de pedir auxílio a paulistas. 

Dentre eles, Mathias Cardoso de Almeida que comandava a bandeira herdada de seu pai, conduziu um grupo de mais de cem “bandeirantes”, além de escravos negros e indígenas para a região média do rio São Francisco, objetivando aprear índios e exterminar com os quilombos, cuja existência ameaçavam constantemente as povoações dedicadas ao cultivo da cana de açúcar e à criação de gado. 

Foto Manoel Freitas
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Igreja em Matias Cardoso, no Norte de Minas.

Ao chegar, por volta de 1660, na região do rio Verde Grande, Mathias Cardoso de Almeida e seu grupo aí se estabeleceu. 

Foram fundados alguns arraiais e algumas fazendas, dentre eles o Arraial do Meio ou de Mathias Cardoso e a fazenda Jaíba de Antônio Gonçalves Figueira nas cabeceiras do rio das Rãs. 

Entretanto, pouco depois de estabelecidos os arraiais nas margens do rio Verde Grande tiveram que mudar suas localizações devido às inundações e à insalubridade da área. Fundou-se então, nas margens do rio São Francisco e amparado por algumas elevações rochosas, o povoado de Morrinhos, hoje cidade de Matias Cardoso. Essa a primeira povoação duradoura a se estabelecer no território mineiro, apesar de na época pertencer à Capitania da Bahia.

Desde sua fundação por volta de 1660, a sociedade pastoril disseminada a partir de Morrinhos se dedicou à criação de gado e à produção de gêneros alimentícios, que comercializavam com a cidade de Salvador. Daí a existência de um caminho que ligava as duas cidades e que posteriormente fizeram parte dos chamados caminhos do sertão ou caminhos da Bahia. 

O comércio com a sociedade baiana era tão intenso e lucrativo que possibilitou à população de Morrinhos construir uma imensa igreja, a primeira de Minas Gerais, ainda hoje existente na cidade de Matias Cardoso. Ela era e é dedicada a Nossa Senhora da Conceição. 

Constituiu-se como primeira freguesia no território do Estado de Minas Gerais. Fato que ocorreu no ano de 1695, antes mesmo da fundação do Arraial de Nossa Senhora do Carmo, hoje Mariana, que ocorre em julho de 1696, alguns meses depois.

 Fonte: http://oliveirajunior2.blogspot.com.br/

sábado, 24 de junho de 2017

Minas Novas: Descaso e abandono ameaçam Sobradão

Prédio está fechado há quatro anos, à espera da liberação de recursos para restauração.

Foto: Gazeta de AraçuaiDescaso e abandono ameaçam Sobradão em Minas Novas
Sobradão é orgulho da população de Minas Novas
O primeiro “arranha-céu” do Brasil corre o risco de cair por terra e levar junto parte da história mineira. A Justiça determinou a interdição do prédio conhecido como Sobradão da Vila do Fanado ou simplesmente Sobradão, em Minas Novas, na Região do Vale do Jequitinhonha, a 520 quilômetros de Belo Horizonte.

Na ação proposta pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), foi pedida a recuperação, pela prefeitura local, do imóvel de quatro pavimentos datado do século 18, que abrigava setores administrativos, escola de música, museu e loja de artesanato até pouco tempo. “A situação é deplorável. Trata-se de uma edificação histórica, do período colonial, sofrendo com a falta de cuidados” disse o promotor de Justiça , Daniel Lessa Costa, autor da ação.

Deputado dr. Jean e Zito Neiva, secretário municipal de Cultura, defendem ampla campanha para salvar o Sobradão
Deputado dr. Jean e Zito Neiva, secretário municipal de Cultura, defendem ampla campanha para salvar o Sobradão



Com tombamento municipal e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Sobradão “poderá ruir” se não forem tomadas medidas urgentes. “Nesse imóvel, de propriedade da prefeitura, funcionava uma escola de música para crianças, daí aumentar nossa preocupação. Além de vidas humanas – que devem ser prioritariamente acauteladas – o patrimônio cultural nacional corre iminente risco de perda irreparável e não podemos nos calar”, acrescentou o autor da ação civil pública. Nesse trabalho, atuou também o titular da Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais (CPPC), Marcos Paulo de Souza Miranda. 

​O atual secretário municipal de Cultura, Zito Neiva, disse que a prefeitura enviou em abril, um projeto para o Ministério da Cultura com pedido de R$ 2 milhões, para realizar as reformas. " O projeto ainda está em análise", diz Neiva.

Ele informou que ano passado foi feita uma licitação mas a empresa vencedora do processo, não oferece condições técnicas e estruturais para executar os serviços. Por conta disso, a licitação foi anulada.

" A prefeitura tem condições de realizar alguns serviços emergenciais, como por exemplo, reparar o telhado e retirar as goteiras, mas o IPHAN  não aceita", reclama Felipe Motta, vice-prefeito 

O deputado estadual , dr. Jean Freire (PT), esteve na cidade dia 23 de junho último, durante os festejos da Festa do Rosário, uma das mais tradicionais da região. Ele defendeu uma ampla campanha na região em prol das reformas do prédio. " Trata-se de uma parte da história de Minas e do Vale do Jequitinhonha, que está em risco", afirmou o deputado, prometendo empenho junto aos orgãos do governo, na tentativa de liberar recursos para a restauração.

Estrutura do prédio está se deteriorando com a ação do tempo.
Estrutura do prédio está se deteriorando com a ação do tempo.
Na ação proposta pelo Ministério Público, os promotores,  explicam que, “apesar da extraordinária relevância para todos os entes da Federação, o imóvel está completamente abandonado e corre o risco iminente de ruir. O proprietário, município de Minas Novas, tem se omitido no dever de realização de medidas rotineiras de conservação e o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), enquanto guardião do patrimônio cultural mineiro, apesar de ter realizado intervenções no prédio na década de 1980 e ter prometido, recentemente, investimentos em prol da edificação, nada fez além do exercício retórico”. O promotor explica que a prefeitura recebe recursos do ICMS Cultural (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e poderia aplicar no imóvel para preservá-lo.

PROVIDÊNCIAS

O Sobradão está fechado há quatro anos. Ele já abrigou a Secretaria de Cultura, o Museu Regional do Artesanato do Vale do Jequitinhonha, loja de artesanato e o Grêmio Lítero-musical Euterpe Conceição. Ano passado, a superintendente do Iphan em Minas, Célia Corsino,  defendeu  que os serviços emergenciais deveriam ser feitos com dispensa de licitação, para evitar demora.

A direção do Iepha reconhece a importância histórica do imóvel e esclarece que ele não tem proteção por tombamento na esfera estadual. “A responsabilidade de manutenção e conservação é do proprietário, de forma compartilhada com o Iphan, órgão federal que fez o tombamento. O Iepha prioriza a preservação de bens culturais que não têm nenhuma forma de proteção. Entretanto, o Iepha está à disposição para prestar apoio técnico e orientações para busca de recursos para a recuperação do imóvel”, dizem os técnicos da instituição.


Prédio foi construído em 1821
Prédio foi construído em 1821

 HISTÓRIA

Surgida no início do século 18, Minas Novas, antigo Arraial do Fanado, é uma das mais importantes cidades do período colonial mineiro, ainda guardando templos, ruas, além de edificações residenciais, comerciais e oficiais que contam parte da história do estado.

A principal referência arquitetônica da cidade é o Sobradão, que conta com quatro pavimentos e é considerado o primeiro arranha-céu de Minas e do Brasil Colônia. Construído em 1821, tem estrutura de madeira e taipa, com dimensões incomuns para a época. A fachada considerada como principal apresenta quatro portas de loja no térreo, em vergas alteadas e vedação tipo calha.

Nas laterais, há 30 janelas, três portas de loja e a porta principal. O prédio serviu como sede da Câmara. Escola Normal,  e do Fórum de Minas Novas e, em 1856, quando o deputado Gabriel de Paula Fonseca apresentou à Assembleia Geral do Império projeto de lei propondo a criação da Província de Minas Novas – englobando o Sul da Bahia e o Norte – Nordeste de Minas Gerais, o Sobradão foi indicado para ser aproveitado como o Palácio do Governo

Fonte: Gustavo Werneck, do jornal Estado de Minas. e Sérgio Vasconcelos, da Gazeta de Araçuaí

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Sobradão de Minas Novas em risco ameaça desabar

Ministério Público interditou prédio colonial 

Postado em 17/02/2016 06:00 por  Gustavo Werneck, jornal Estado de Minas.

O primeiro “arranha-céu” do Brasil corre o risco de cair por terra e levar junto parte da história mineira. A Justiça determinou a interdição do prédio conhecido como Sobradão da Vila do Fanado ou simplesmente Sobradão, em Minas Novas, na Região do Vale do Jequitinhonha, a 520 quilômetros de Belo Horizonte. Na ação proposta pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), foi pedida a recuperação, pela prefeitura local, do imóvel de quatro pavimentos datado do início do século 19, que abrigava setores administrativos, escola de música, museu e loja de artesanato até pouco tempo. “A situação é deplorável. Trata-se de uma edificação histórica, do período colonial, sofrendo com a falta de cuidados” disse o promotor de Justiça da comarca de Minas Novas, Daniel Lessa Costa.

Com tombamento municipal e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Sobradão “poderá ruir” se não forem tomadas medidas urgentes. “Nesse imóvel, de propriedade da prefeitura, funcionava uma escola de música para crianças, daí aumentar nossa preocupação. Além de vidas humanas – que devem ser prioritariamente acauteladas – o patrimônio cultural nacional corre iminente risco de perda irreparável e não podemos nos calar”, acrescentou o autor da ação civil pública. Nesse trabalho, atuou também o titular da Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais (CPPC), Marcos Paulo de Souza Miranda.

No documento, os promotores explicam que, “apesar da extraordinária relevância para todos os entes da Federação, o imóvel está completamente abandonado e corre o risco iminente de ruir. O proprietário, município de Minas Novas, tem se omitido no dever de realização de medidas rotineiras de conservação e o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), enquanto guardião do patrimônio cultural mineiro, apesar de ter realizado intervenções no prédio na década de 1980 e ter prometido, recentemente, investimentos em prol da edificação, nada fez além do exercício retórico”. O promotor explica que a prefeitura recebe recursos do ICMS Cultural (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e poderia aplicar no imóvel para preservá-lo.
PROVIDÊNCIAS O secretário municipal de Cultura, Turismo e Comunicação de Minas Novas, Adão Domingos Ramalho Coelho, informa que todas as providências foram tomadas, pela prefeitura, para resolver a situação. “Estamos em entendimentos com o Iphan e fomos informados de que a reforma da estrutura e obras emergenciais serão feitas”, disse o secretário. No prédio agora vazio, funcionavam a Secretaria de Cultura, o Museu Regional do Artesanato do Vale do Jequitinhonha, loja de artesanato e o Grêmio Lítero-musical Euterpe Conceição. A superintendente do Iphan em Minas, Célia Corsino, diz que os serviços emergenciais deverão ser feitos com dispensa de licitação, para evitar demora.

A direção do Iepha reconhece a importância histórica do imóvel e esclarece que ele não tem proteção por tombamento na esfera estadual. “A responsabilidade de manutenção e conservação é do proprietário, de forma compartilhada com o Iphan, órgão federal que fez o tombamento. O Iepha prioriza a preservação de bens culturais que não têm nenhuma forma de proteção. Entretanto, o Iepha está à disposição para prestar apoio técnico e orientações para busca de recursos para a recuperação do imóvel”, dizem os técnicos da instituição.

Referência arquitetônica

Surgida no início do século 18, Minas Novas, antigo Arraial do Fanado, é uma das mais importantes cidades do período colonial mineiro, ainda guardando templos, ruas, além de edificações residenciais, comerciais e oficiais que contam parte da história do estado, conforme pesquisa do MPMG. A principal referência arquitetônica da cidade é o Sobradão, que conta com quatro pavimentos e é considerado o primeiro arranha-céu de Minas e do Brasil Colônia. Construído em 1821, tem estrutura de madeira e taipa, com dimensões incomuns para a época. A fachada considerada como principal apresenta quatro portas de loja no térreo, em vergas alteadas e vedação tipo calha. Nas laterais, há 30 janelas, três portas de loja e a porta principal. O prédio serviu como sede da Câmara e do Fórum de Minas Novas e, em 1856, quando o deputado Gabriel de Paula Fonseca apresentou à Assembleia Geral do Império projeto de lei propondo a criação da Província de Minas Novas – englobando o Sul da Bahia e o Norte – Nordeste de Minas Gerais, o Sobradão foi indicado para ser aproveitado como o Palácio do Governo.

Sobradão de Minas Novas - YouTube

https://www.youtube.com/watch?v=JAaisPi5FJA
23 de set de 2008 - Vídeo enviado por Alex Pereira
Um pouco da História do Sobradão de Minas Novas narrada pelo repórter Gustavo Coura e escrita com ...