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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Louvado em Oxford e Harvard, pensamento de Paulo Freire é contestado no Brasil de Bolsonaro

OXFORD E HARVARD AMAM PAULO FREIRE, O PEDAGOGO QUE BOLSONARO QUER TIRAR DO MEC COM UM LANÇA-CHAMAS


RECENTEMENTE, FIZ um relato no Twitter sobre a importância da pedagogia crítica na formação de professores da Universidade de Oxford, e o tema despertou tanto o interesse de professores quanto raiva de haters, me chamando de mentirosa. Achei prudente, então, contar um pouco mais aqui da minha experiência.



É claro que uma grande parte do público mais engajado de Bolsonaro acha que o jornal norte-americano The New York Times ou as universidades de Oxford ou Harvard estão minadas pelo “marxismo cultural” – e ter Paulo Freire na formação de professores seria apenas a prova cabal disso. Só que ainda existe uma grande parte das elites brasileiras que, mesmo sendo bolsonarista e adepta ao projeto Escola Sem Partido, sonha que seus filhos estudem nas melhores universidades norte-americanas ou europeias. Ou seja, em universidades cuja a formação dos professores se dá em grande parte por meio da pedagogia crítica.

Infelizmente, ainda prevalece no Brasil uma profunda ignorância e uma obsessão quase fantasmagórica sobre a obra Paulo Freire – o suposto guru da doutrina satânica gayzista, feminista e marxista que reina em nosso sistema educacional. Quando era candidato à Presidência, Bolsonaro prometeu “entrar com um lança-chamas no MEC e tirar Paulo Freire lá de dentro”. Sobre tal doutrinação, no entanto, não há qualquer evidência empírica.
Paulo Freire é muito mais celebrado lá fora do que no próprio país de origem: ele é terceiro autor mais citado no mundo na área de ciências humanas, superando Karl Marx e Michel Foucault. O livro A Pedagogia do Oprimido (1968) tem 75 mil citações no Google Scholar e é a única obra brasileira que está entre as cem mais lidas nas disciplinas de países de língua inglesa.
Dito isso, é possível que cientistas sociais no Brasil – como eu – passem sua formação inteira sem serem confrontados como a obra de Paulo Freire. O mesmo dificilmente irá acontecer nos principais centros de excelência acadêmica no mundo. Ou seja, o problema da educação no Brasil, ao contrário da fantasia que assombra as mentes bolsonaristas, é justamente a falta de uma educação que incentive a autonomia e o pensamento crítico.
Os 12 anos do PT certamente fizeram muito pela educação brasileira, especialmente no que se refere ao acesso ao ensino superior. Mas ao contrário do que muitos acreditam, não houve (por falta de vontade ou de tempo) a tão necessária transformação da estrutura pedagógica do sistema educacional, capaz de fomentar o espírito democrático de sujeitos críticos. As eleições de 2018, aliás, comprovam  isso.

Formação de professores na Universidade de Oxford

Quando assinei meu contrato para trabalhar na Pós-Graduação em Desenvolvimento Internacional, o Oxford Learning Institute começou imediatamente a me contatar para que eu me inscrevesse no curso de um ano de formação de professores – o que era “altamente recomendado”.
Matriculei-me, então, no curso, cujo resultado final era a elaboração de um portfólio de ensino que, se aprovado, nos daria o título de membro vitalício (fellow) da Academia de Ensino Superior, cujo diploma certifica que você é um professor universitário que segue os principais padrões de excelência de ensino no Reino Unido.
Na minha turma estava toda uma leva de novos professores na área de humanidades e ciências sociais (as ciências exatas tinham uma turma separada, mas o programa era o mesmo).
Mas o que, exatamente, eles chamavam de excelência de ensino?
No primeiro dia de aula, o professor nos alertou: “Se vocês estão em busca de dicas de técnicas didáticas, aqui é o lugar errado. Cada professor tem seu estilo. Um bom professor é o que consegue ser claro e sabe refletir sobre o seu entorno e, ao mesmo tempo, é capaz de estimular a reflexão ao seu entorno”.
O curso tinha uma metodologia tão simples como profunda. Líamos textos diversos, mas fundamentalmente os de pedagogia crítica sobre a importância de os professores refletirem sobre as relações de poder em sala de aula. A principal obra do curso era o famoso livro de Stephen Brookfield, Becoming a critically reflective teacher, que tem influências de Paulo Freire e Antonio Gramsci.
O curso não doutrinou ninguém.
Fazíamos debates profundos em pequenos grupos sobre o papel dos professores, exercícios autobiográficos críticos (quais relações de opressão e ou emancipação que tínhamos experimentado no passado e que estávamos reproduzindo como professores?), reflexão crítica de nossas avaliações por alunos. Observamos e fomos observados em sala de aula por nossos pares (o que é muito desafiador!) e, por fim, formulamos nossos valores enquanto professores.
O curso não doutrinou ninguém. Eu era uma das únicas pessoas de esquerda na turma. Meus colegas liberais, de centro ou de direita, continuaram liberais, de centro e de direita. Mas todos nós entendemos e discutimos com seriedade as formas de opressão que existem em uma sala de aula, bem como sobre nossa atuação e clareza em sala de aula.
Observei a aula de meu colega liberal, que era professor do curso de Políticas Públicas. Ele também assistiu minhas aulas e me ajudou a ser mais clara em minha comunicação (eu tendo a ter um pensamento circular que pode prejudicar a atenção de alunos, especialmente em língua estrangeira). Foi ele que me alertou para o fato de que eu deixava que a discussão fosse dominada pelos dois únicos homens na sala de aula, em contraposição a 16 alunas mulheres.
Eu também aproveitei o método crítico reflexivo para refazer meus questionários de avaliação, possibilitando e encorajando meus estudantes a serem mais críticos. Descobri, por meio das avaliações dos alunos, que eu poderia ser mais direta nas minhas aulas, o que confirmava a observação de meu colega. Na avaliação seguinte (monitorada pelos meus pares e pelos tutores do curso), os estudantes apontaram que havia tido um salto qualitativo na qualidade de minhas aulas.
Todo o grupo de novos professores refletiu criticamente sobre sua própria postura em sala de aula, seja como técnica didática, seja como relação de poder. Após um ano de encontros do curso, nos foi colocada a seguinte pergunta: “qual o papel do professor?”
Apenas uma parte da turma escolheu “mudar o mundo”, e a outra metade disse que era fornecer instrumentos técnicos para os estudantes resolverem problemas. Estava tudo bem. Não havia uma resposta correta: o correta era o próprio diálogo entre os pares.
O curso também ajudou a desconstruir o mito da genialidade, de que existiriam alunos “fracos” e “fodas”.
Eu, particularmente, aprendi a me colocar como professora mulher, jovem e latina e a detectar e desarmar o machismo implícito e inconsciente de alunos.
Não sei se eu me tornei uma professora melhor desde então. Mas espero que sim. Aprendi a dar mais atenção ao estudante quieto, às mulheres e minorias em sala de aula. Aprendi a me colocar em uma posição de quem erra em sala de aula, mas está aberta mudar e ouvir críticas. Aprendi a falar menos e ouvir mais e, principalmente, desenvolvi minhas habilidades de ensinar via métodos dialógicos de conversa e debates.
O curso também me ajudou a desconstruir o mito da genialidade, de que existiriam alunos “fracos” e “fodas” (e isso até gerou meu texto mais lido até hoje, O Precisamos Falar sobre Vaidade na Vida Acadêmica). Com o método da pedagogia crítica e da “autocrítica reflexiva” eu apenas me tornei mais sensível a minha própria postura e ao meu entorno.
A única coisa que eu, infelizmente, não aprendi a fazer neste um ano de curso foi revolução. Também não foi me dado o super poder da doutrinação. Qualquer pessoa que encara uma sala de aula sabe que esse não é um dom que temos: nossa realidade é muito mais burocrática do que deveria ser. Se tivéssemos o dom de mudar as pessoas, é bem provável que teríamos um outro cenário político – e não este afundado na mediocridade, nas notícias falsas e no obscurantismo.
*Rosana Pinheiro-Machado, cientista social e antropóloga, docente da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

domingo, 30 de dezembro de 2018

Aguenta, Brasil! Ultracapitalismo vem aí!


"Isso que vem aí não é neoliberalismo. 
É ultracapitalismo!"

O neoliberal compra e suborna político para gerar lucro. 

O ultracapitalismo sequestra o Estado e elege seu lobista ou representante de vendas. O ultracapitalismo não tem nenhuma responsabilidade com a democracia. 
Pra ele, melhor sem.

Não estranhem o descaramento. O golpe do mercado rentista, contra democracias do mundo, é descarado.

O neoliberalismo escondia o interesse da elite, num candidato com "jeitão que o povo gosta e respeita".

O ultracapitalismo compra eleição com Caixa 2 e resolve o problema, se não der muito na cara, já no primeiro turno.

Pro ultracapitalismo não existe nem direita, nem esquerda, nem democracia.

Isso que está aí também não é "direita", são youtubers, são fakes, são memes, são trolls...

Essa é a trash política do ultracapitalismo.

A elite brasileira sempre acompanhou o movimento global de capitais, até por questão de sobrevivência e permanência no poder. Usou e abusou do país pra enriquecer. Destruiu o solo do nordeste, levou até o último pau-brasil daqui, contrabandeou minério e pedras preciosas, enriqueceu com comércio e exploração escrava, ingressou na política e manteve 4 ou 5 gerações com dolo do patrimônio público e exploração de mão-de-obra, no poder. Nos anos 90, ingressou no mundo dos negócios e passou a viver do rentismo. Vendeu empresas familiares pra marcas estrangeiras, ficava com 20% das ações da nova empresa, passando a vida de pernas pro ar, jogando golfe, tomando sol nas praias virgens da Bahia.

Nossa elite roubou o que tinha que roubar, explorou o que tinha que explorar, enganou o que tinha que enganar, sai da economia patrimonial e vira sócia dos donos do mundo.

Não cabe indignação da nossa parte, porque Bolsonaro só indica lobista. Porque o #Caixa2doBolsonaro elegeu governadores-empresários, inquilinos do NOVO, num mesmo #ZapGate.

Tá tudo desenhadinho. O golpe da Janaina Paschoal, a "Ponte para o Futuro", o processo contra Lula, a condenação unânime... Era isso que queria o mercado. Os que dominam o mercado do petróleo, da energia, do combustível, de fármacos e de serviços, em todo o planeta.

Nossa elite entregou o Brasil com comida, água, luz e gasolina pagas por 30 anos, mais 210 milhões de pessoas pra lavar, passar, cozinhar e carregar peso, de graça.

Com o controle do Estado, do Banco Central, da Casa da Moeda com todo o tipo de informação privilegiada, pra ganhar mais dinheiro nas bolsas mundiais e articular golpes financeiros, nossa elite já elegeu seus trash-memes e, como eles mesmos confessaram, gastaram muito menos dinheiro em whatsapp.

Não cabe indignação. Cabe denúncia. O ultracapitalismo comprou a Democracia Brasileira em pacotes do whatsapp. 

O "elenco Bolsonaro" é a distração de mais 4 anos, enquanto os mais criminosos lobistas atuam no ingresso da nossa elite, na festa dos donos do mundo.

A elite que já vendeu vida que não era dela, já vendeu terra que nunca foi dela, já comprou juiz e bandeirinha, agora está vendendo um país inteirinho que não é dela. 

Não cabe indignação. Cabe denúncia".
Cristiana Araújo

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Lula, o personagem do ano no Brasil


Emir Sader*
Nada de importante que tenha ocorrido este ano no Brasil pode ser explicado sem referência ao Lula. De esperança para muitos, de pânico para alguns.
Nunca o destino de um país esteve tão intrinsecamente ligado ao destino de uma pessoa, como os destinos do Brasil e do Lula.
O ano começou em meio às Caravanas do Lula. Começadas em agosto com a Caravana do Nordeste, tiveram continuidade na Caravana de Minas, depois na Caravana do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, para concluir, vitoriosamente, com a Caravana do Sul que terminou com a concentração em Curitiba, com participação de muitos milhares de pessoas. (Bolsonazi disse que faria concentração maior no dia seguinte, no mesmo lugar, mas não conseguiu fazer nem um simulacro de reunião, porque não apareceram nem 10 pessoas).
Era um tempo de retomada da esperança de que o Brasil poderia voltar a sorrir, a ter alegria, a ser feliz. Lula aparecia já como o candidato favorito para ganhar as eleições no primeiro turno e voltar a ser presidente do Brasil.
Nem bem terminou a Caravana do Sul, veio a decisão negativa do STF do habeas corpus e, de forma totalmente sincronizada, a decretação da prisão do Lula. Começou a segunda fase do ano, com a apresentação do Lula, começou o período de sua detenção na PF de Curitiba.
Lula seguia candidato, cada vez mais favorito para ganhar no primeiro turno. Recebia as visitas e a solidariedade, cada vez maior, de gente do Brasil e de todas as partes do mundo. A mídia ficava pendente da transmissão das declarações do Lula aos que o visitavam.
Quando foi proibido, uma vez mais de maneira arbitrária, de ser candidato, Lula lançou Haddad como seu candidato, o que o substituiria para realizar o mesmo programa. Haddad começou a campanha, empunhando um livro numa mão e uma carteira de trabalho na outra, como expressão simbólica do programa de prioridade das questões sociais. Haddad foi crescendo nas pesquisas, conforme circulava por todo o país e os apoios ao Lula iam sendo transferidos para ele.
No momento em que Haddad superava o Bolsonazi nas pesquisa de segundo turno, veio à tona a ofensiva da extrema direita, combinando "fakenews" com centenas de milhares de robôs, financiado por grandes empresários, que mudaram o quadro eleitoral definitivamente. Em poucos dias reverteram a situação, projetando, pela primeira vez, a terrível ideia de que um tipo como aquele poderia ser presidente do Brasil.
E por que a elite se entregaria nas mãos de um cara tão tosco, tão imprevisível, tão extremista de direita, que dá vergonha em qualquer lugar do mundo?
Impossível entender o fenômeno Bolsonazi sem referi-lo a Lula. Ao retorno do Lula ao governo ou de quem representasse o Lula, com seu programa e com sua presença determinante, de onde quer que fosse, num novo governo.
Então, nem candidatura do Lula, nem sequer entrevistas do Lula. Sua presença, por ser tão forte na cabeça do povo, tinha que ser proibida, impedida, bloqueada. Combinando a continuidade da mais brutal campanha de acusações sem fundamento a alguém no Brasil, com a proibição de que sua imagem circulasse pelo país, com a campanha sórdida, de mentiras, calúnias, comportamentos antidemocráticos, da parte do candidato que sobrou para a direita tratar de manter o governo. Ter apelado para alguém tão desclassificado e incompetente como o Temer, se compreende pelo mesmo mecanismo: qualquer um, menos o Lula, meno o PT, menos quem representasse o Lula.
O ano termina e a presença do Lula continua a ser gravitante. O anúncio da possibilidade de ele ser libertado gerou de novo pânico nas elites e nos seus representantes. Um milico – chefe do Exército já havia dito que a liberdade do Lula deveria o processo "fora de controle"(deles, quer dizer). Lula Livre gera um pânico, a tal ponto que a primeira reunião do Bolsonazi, presidente eleito, com seu ministério, foi desfeita, quando chegou a notícia da possível liberdade do Lula, pela consciência de que aquela farsa só seria possível com o Lula excluído da vida política, preso, sem liberdade e sem palavra.
Bolsonazi, Moro e toda a direita brasileira seguem morrendo de medo, de pânico, do Lula. Sabem que ele continua sendo o único grande líder nacional com apoio popular e com legitimidade para governo o Brasil e tirá-lo da crise.
Lula termina o ano de 2018 e começa o ano de 2019 como a grande presença para todos – de esperança para o povo, de pânico para as elites. Aquele que dá sentido às coisas, de forma positiva para tantos, negativa para outros. Por isso Lula é o personagem do ano no Brasil.
Fonte: brasil247.com
Emir Sader