quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Salinas: Primeiro lugar geral de vestibular da Unimontes é pobre, cotista e estudou em escola pública

Weliton Durães, natural  de Salinas, no Vale do Jequitinhonha, teve que trabalhar desde os  7 anos para ajudar nas despesas da família.
Estudante passou em Medicina, obtendo 214,9 de 230 pontos possíveis, com um aproveitamento de 93,4%.  

Foto ASCOM/UNIMONTES.


Texto de Leia Oliveira, publicado no Folha Regional, de Taiobeiras-MG.

Primeiro lugar geral no Processo Seletivo 2014 da Unimontes – Universidade Estadual de Montes Claros Weliton Durães foi aprovado para uma vaga no curso de Medicina. Ele foi aprovado com 214,9 pontos em um total de 230 pontos. Isso equivale a 93,4 % de acertos. Inscrito na categoria de egresso da escola pública – carente, concluiu o ensino médio na Escola Estadual Coronel Idalino Ribeiro, em Salinas, no Vale do Jequitinhonha, no norte de Minas Gerais, onde nasceu. 

Aos 26 anos, enfatiza que o ingresso na Unimontes, no curso de Medicina,  é a realização de um sonho.  “Estou entrando em uma instituição que é referência na região e que permite que pessoas como eu tenham acesso ao ensino superior “, disse Weliton. E completou: "Por isso agradeço a minha família e a Deus, em especial, que é a fonte principal do meu conhecimento”.

O campeão do vestibular da Unimontes fez questão de contar a sua história de vida até a conquista da vaga. Considera o primeiro lugar como um exagero, mas , ao mesmo tempo, o vê como um troféu diante de inúmeras adversidades. De origem humilde, Weliton teve que trabalhar aos 7 anos de idade para ajudar em casa. “Vendia salgados e sucos na rua, mas nunca abri mão dos estudos. Depois, entrei para a Guarda Mirim de Salinas, que é um projeto social no qual  jovens carentes se tornam aprendizes em bancos, escritórios e empresas”,  relatou.

Weliton revela que o interesse por Medicina foi despertado por traumas pessoais: a doença degenerativa do avô e a crise com convulsões que o seu pai teve em casa. “Já era para eu ter saído de casa, mas eu me atrasei e foi justamente neste tempo a mais que fique i por lá que o meu pai passou mal. Eu que o socorri com massagem cardíaca e respiração boca a boca. Consegui salvar a vida dele”.  Nos exames a seguir, seu pai teve detectada uma disritmia cerebral, mas sem sequelas.

O mal súbito do pai o fez adiar um sonho: o de se mudar para Montes Claros e tentar o ingresso em um curso superior. Somente um ano depois resolveu se mudar para tentar um vestibular. Não conseguiu a vaga em Medicina, mas foi aprovado em Odontologia,na própria Unimontes. Weliton chegou a vender doces na Universidade para custear os gastos extras. Neste intervalo se casou.

"Durante um ano, acordava às seis da manhã e dormia às onze da noite, todos os dias. Era apenas os livros e eu, em casa".

Um ano e meio depois de cursar as aulas de Odontologia, com muitos atropelos, como ele mesmo diz, Weliton desistiu do curso. “Eu queria mesmo era Medicina, um objetivo de vida. Durante um ano, acordava às seis da manhã e dormia às onze da noite, todos os dias. Era apenas os livros e eu, em casa. Só minha esposa trabalhava e tive que contar com ajuda da família para comer, me vestir, calçar, praticamente tudo. Minha esposa só conseguiu trabalho há seis meses”.

Segundo ele, valeu a pena.  “Não quero ser mais um acadêmico de Medicina, quero fazer a diferença”. Nos planos, se tornar um cirurgião e pediatra. “Ainda não tenho filhos, mas gosto muito de crianças. A pediatria é uma área carente de profissionais. Mais um motivo para eu ter compromisso com a causa”.     

Um comentário:

Arquimedes oliveira disse...

Weliton , parabéns , com certeza Deus te deu essa chance porque você realmente merece , agora é só agradecer a Deus e se consagrar um dos melhores médicos desta região !!! Parabéns .

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