sábado, 25 de janeiro de 2014

O Vale do Jequitinhonha pertenceu à Bahia

Povo do Vale do Jequitinhonha é baianeiro:  metade baiano, metade mineiro
Mapa da Província de Minas Gerais, nos séculos XVIII e XIX

A identificação do povo mineiro do Vale do Jequitinhonha, no nordeste de Minas Gerais, com a Bahia, não é de agora. As regiões do Baixo Jequitinhonha e Salinas foram povoadas pelo povo nordestino. A região de Eunápolis, Porto Seguro, Belmonte e Prado faz parte do Vale do Jequitinhonha, no extremo-sul da Bahia.
De 4 de fevereiro de 1730 a 13 de maio de 1757, o Vale do Jequitinhonha esteve sob o governo da Bahia, pois toda a região e parte do norte de Minas, à margem direita do rio Verde Grande, pertenceu à Minas Novas, no nordeste de Minas Gerais. O Mapa acima da Província de Minas Gerais, nos séculos XVIII e XIX, é apenas ilustrativo, mas impreciso. Uma parte caracterizada como Sertão do Rio Doce é o Vale do Mucuri.
“Por volta de 1727, um grupo de bandeirantes, chefiados por Sebastião Leme do Prado, localizarou a ocorrência de ouro em um dos afluentes do Rio Fanado que, por essa razão, recebeu o nome de Bom Sucesso. A notícia de grandes jazidas atraiu os faiscadores. Entre o Rio Fanado e o seu afluente Bom Sucesso, formou-se o primeiro núcleo populacional, em torno de uma capelinha, erigida em homenagem a São Pedro. Assim nasceu o Arraial de São Pedro do Fanado, que rapidamente prosperou, recebendo, dois anos depois, o título de Vila do Bom Sucesso do Fanado de Minas Novas ( atual município de Minas Novas).
Sebastião Leme do Prado estava comissionado pelo Governador de Minas Gerais (Gomes Freire de Andrade) como guarda-mor das terras minerais que foram descobertas. Entretanto, seguindo orientação de seus primos, Domingos e Francisco Dias do Prado, líderes em Itacambira ( atual Itacambira, a 70 km de Montes Claros), preferiu comunicar a descoberta do Bom Sucesso ao Governador da Bahia, embora as divisas entre essa Província e a de Minas Gerais já estivessem definidas pelo Rio Verde, desde as nascentes até a foz.
(O rio Verde nasce nos limites de Grão Mogol com Itacambira, indo desembocar no rio São Francisco, perto da Jaíba).
Assim que o Governador da Bahia e Vice-Rei do Brasil (Vasco Fernandes César de Meneses, o Conde de Sabugosa, como representante do Rei de Portugal)  recebeu o manifesto, apoderou-se das terras e comunicou sua atitude ao Rei, que mandou estabelecer uma intendência na região onde o ouro era quintado.
A rápida prosperidade de Minas Novas provocou protestos da população, que passou a exigir uma justiça mais próxima. Reconhecendo a procedência das reclamações, o Conselho Ultramarino, em 1730, sujeitou a Vila de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Minas Novas à Comarca do Serro ( atual cidade do Serro, no Alto Jequitinhonha), que passou à vinculação jurídica de Minas Gerais permanecendo, entretanto, subordinada à Bahia nos planos administrativo, militar e eclesiástico. Com a criação da comarca de Jacobina, no sul da Bahia, Minas Novas ficou temporariamente sob sua jurisdição.
Gomes Freire de Andrade (poderoso general português, governador da Capitania do Rio de Janeiro, que acumulou sob seu comando os territórios de Minas Gerais, São Pulo, Mato Grosso e sul do Brasil) representou, então ao Governo Real contra o ato de transferência alegando, entre outras razões, a existência do garimpo clandestino de diamantes e os descaminhos deles e do ouro, já que o Intendente Geral, residindo no Tijuco ( atual Diamantina), quase não tinha meios de reprimir os abusos. Suas decisões, para receberem o beneplácito do Governo da Bahia, tinham de percorrer duzentos léguas ( 1.200 km) de distância, ao passo que as autoridades de Serro estavam a menos de quarenta léguas ( 240 km) do local.
Acrescia, ainda, a circunstância de o distrito diamantino ( atual região de Diamantina, no Alto Jequitinhonha) estar localizado, parte em território baiano e parte no mineiro. As justificativas do Governador, aliadas à conveniência de se alargar o âmbito de Minas Gerais, para os efeitos da derrama, concorreram para a Resolução Ultramarina, que mandou incorporar o território de Minas Novas à comarca do Serro e ao Governo da Capitania de Minas Gerais”.
O Conselho Ultramarino, por provisão de 04 de fevereiro de 1730, sujeitou a nova Vila de Nossa Senhora do Bom Sucesso das Minas Novas ( atual Minas Novas) à Comarca do Serro, ficando assim vinculada judicialmente a Minas Gerais.

Permaneceu, no entanto, subordinada à Bahia, nos planos administrativo, militar e eclesiástico. Só em 13 de maio de 1757, o território foi incorporado ao Governo da Capitania de Minas Gerais.

Portanto, quase toda a região do Vale do Jequitinhonha, no nordeste de Minas, pertenceu à Bahia, por um breve período, no século XVIII. Somente a área do Serro e parte do Distrito do Tejuco pertencia à Província de Minas.
A região 3 ( Vale do Jequitinhonha), região 10 (Vale do Mucuri) e parte da região 6 (norte de Minas) pertenceu à Bahia, entre 1730 e 1757.

A Vila de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Minas Novas tinha uma vasta extensão, indo da região do Alto Jequitinhonha ( Itamarandiba, Capelinha, Turmalina), passando pelo Médio Jequitinhonha ( Berilo, Virgem da Lapa, Araçuaí, Coronel Murta, Itinga, Itaobim, Novo Cruzeiro, Pedra Azul, Padre Paraíso), na região do semi-árido mineiro ( Rio Pardo de Minas, Mato Verde, Espinosa, Salinas, Taiobeiras, Rubelita, Fruta de Leite, Águas Vermelhas), cobrindo o Vale do Mucuri (Ladainha, Malacacheta, Nanuque, Teófilo Otoni, Águas Formosas)  e o Baixo Jequitinhonha (Jequitinhonha, Joaíma, Felisburgo, Almenara, Jacinto, Salto da Divisa).

A identificação como baianeiro, metade baiano e metade mineiro, cai bem para nós do Vale do Jequitinhonha. 
A história comprova.
Os nascidos e moradores do Vale do Jequitinhonha têm uma identidade muito forte com o nordeste, principalmente com a Bahia. Temos traços culturais, sociais, econômicos e políticos parecidos com os baianos, tudo junto e misturado com características mineiras.  

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