quarta-feira, 26 de abril de 2017

Poesia em homenagem ao Dia do Trabalhador: Operário em Construção

Operários, obra da artista plástica Tarsila do Amaral, pintada em 1931.


O Operário em Construção

Vinicius de Moraes

E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
- Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
- Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
Lucas, cap. V, vs. 5-8.
Veja o video com declamação do cantor e compositor Taiguara.

Taiguara - "O Operário Em Construção 1" (Vinícius de Moraes ...

https://www.youtube.com/watch?v=nYUqvm8tIdk
11 de mar de 2007 - Vídeo enviado por Imyra77
http://www.taiguara-imyra.com "E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de ...

Ou em outro video:

operario em construcao - YouTube

https://www.youtube.com/watch?v=vZOPTJ7S-Fo
6 de nov de 2009 - Vídeo enviado por s2aisinha
Analogia ao poema "O Operário em Construção" de Vinicius de Moraes, através de figuras polêmicas 


Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão -
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Exercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.
Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
- "Convençam-no" do contrário -
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.
Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.
Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.
Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!
- Loucura! - gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

Breve Análise 

O poema O operário em construção, escrito por Vinícius de Moraes, em 1956, descreve o trabalho como base da vida humana; descreve o processo de tomada de consciência de um operário, partindo de uma situação de completa alienação: “tudo desconhecia / de sua grande missão”, sem saber “que a casa que ele fazia / sendo a sua liberdade/ era a sua escravidão”. 

No nível simbólico Operário em Construção trata de um operário que entra em processo de conscientização individual e resiste à exploração através da palavra “não”. É um dos poemas de lírica comprometida com o cotidiano. 

O poeta encerra sua grande edificação poética. Vive-se a construção do operário, de sua consciência e da coragem para negar à ordem, quando esta não representa o seu trabalho.

O patrão, ao se dar conta de tal reviravolta, tenta por todos os meios enfraquecer o operário: através da violência, do suborno... Mas nada consegue, pois o operário vê na sua liberdade o maior dos bens.

Vinícius de Moraes (Rio de Janeiro, 19 .10.1913 — Rio de Janeiro, 09.07.1980) foi diplomata, jornalista, dramaturgo, poeta, compositor e cantor), marcou sua passagem com um olhar verdadeiro e uma ampla consciência da condição humana e deixou os versos do seu trajeto para os que querem viver mais do que as alienadas aparências possam trilhar em busca de uma vida mais significativa.

Fontes: Helena Sut Mariana Cruz, Filosofia, Educação Pública, CIERJ |

Filho de Joaima, Eduardo Araújo retraça sua jornada em memórias

O músico acompanhado de sua banda relembra suas canções atemporais como ‘O Bom’ e“Vem quente que estou fervendo, durante show produzido por Jackson Martins, dia 17 de maio no Pampulha Iate Clube- PIC- em BH.

Foto: arquivoFilho de Joaima, Eduardo Araújo retraça sua jornada em memórias
Eduardo Araujo nasceu em Joaima, cidade do Baixo Vale do Jequitinhonha. Fez sucesso na época da Jovem Gaurda.
Antonio Aguillar, apresentador da TV Paulista, Eduardo Araújo e Ronnie Von
Antonio Aguillar, apresentador da TV Paulista, Eduardo Araújo e Ronnie Von
  
“Pelos Caminhos do Rock” é o nome de um dos mais importantes discos e, agora, do livro de memórias de Eduardo Araújo, 74, cantor e compositor mineiro, que é um dos precursores do rock nacional. Engana-se quem associa, de maneira redutora, o artista apenas à movimentação em torno da jovem guarda. Jovem guarda não é gênero musical, o rock é.

Sob a alcunha de rei do rock de Minas Gerais, Araújo galgou os píncaros da glória, vendeu muitos discos, teve programa de sucesso na televisão, seu próprio estúdio de som e sua própria gravadora, além de ter feito inúmeros shows traçando uma carreira que ainda não acabou. Sim, o homem que também sabe montar, criar cavalos e burros parece ter aprendido com os mais chucros a teimosia. Continua na ativa.


Na bolachona de 1975 da gravadora RCA, a banda que acompanha Araújo é formada por músicos excelentes. Entre eles, Hermeto Pascoal (flauta), Silvia Góes (arranjos, teclado e voz), Nestico (sax), Chico Medori (bateria), além do multi-instrumentista argentino Tony Osanah, garantindo a qualidade musical do trabalho.


As músicas? Imagine as irretocáveis “Construção” e “Deus lhe Pague”, de Chico Buarque, arrockalhadas progressivamente. Adicione “Na Baixa do Sapateiro”, de Ary Barroso (1903-1964), com um arranjo suingado de metais – escrito por Silvia Góes –, e mais sete músicas formando um repertório direcionado para o mercado internacional. Assim é “Pelos Caminhos do Rock”, o LP.

Contudo, quando o disco ficou pronto, houve uma mudança radical na diretoria da gravadora. Um novo presidente assumiu, e o trabalho ficou sem verba para divulgação, além de ter sido boicotado nas rádios, embora tenha aparecido em dois videoclipes no “Fantástico”, programa da Rede Globo.



Segundo Araújo, no livro, esse foi um momento crucial no mercado fonográfico brasileiro. Foi esse mesmo presidente da RCA que trouxe para o Brasil uma nova forma de divulgação, o famoso jabá (pagou, tocou), escreve o artista, sem no entanto revelar o nome do executivo. Além de documentar o nascimento do jabá, o livro reúne histórias engraçadas, cabulosas, românticas, fortes e boas de ler sobre um homem que tomou a decisão de montar a vida a pelo.

Quem é Eduardo Araújo.


Eduardo Araújo no programa de Jô Soares
Eduardo Araújo no programa de Jô Soares

Eduardo Oliveira Araújo, nasceu em Joaíma, no Vale do Jequitinhonha, em  23 dejulho de 1942.

 Cantor e compositor brasileiro, integrou a Jovem Guarda e estourou com o hit "O bom", canção gravada em 1967.

Eduardo é filho do fazendeiro Coronel Lídio Araújo. Na infância, seus ídolos eram Luiz Gonzaga e Pedro Raimundo. Na adolescência, Eduardo se deixou influênciar pelo rock and roll (principalmente por Gene Vincent) e em 1958 participou da banda "The Playboys". Em 1960, se apresentava no programa de rádio de Aldair Pinto.

Em 1960, Eduardo se mudou para o Rio de Janeiro e passou a se apresentar no programa de televisão "Hoje É Dia de Rock" apresentado por Jair Taumaturgo. No ano seguinte gravou um disco de 78 rotações intitulado "Eduardo Araújo".

Também participou do "Clube do Rock", apresentado por Carlos Imperial. Desapontando com o pouco sucesso, Eduardo voltou para Joaíma.
 Década de 60: a Jovem Guarda
 Em 1966, Eduardo, Erasmo Carlos e Carlos Imperial foram acusados de corrupção de menores, após alguns meses sem aparições públicas, Eduardo e os demais são inocentados pelo Juizado de Menores. 

Em 1967, após gravar os The Fevers e assinar um contrato com a TV Excelsior, gravou dois de seus maiores sucessos, as canções, "O Bom" e "Vem Quente Que Estou Fervendo" (gravada anteriormente por Erasmo).
  
Eduardo Araújo, com sua esposa Silvinha ( já falecida )
Eduardo Araújo, com sua esposa Silvinha ( já falecida )


Eduardo assinou contrato com a TV Excelsior para apresentar o programa "O Bom", ao lado de Sylvinha, com quem se casaria em 1969.

Em 1968, gravou o álbum de soul music "A Onda é Boogaloo", produzido por Tim Maia. 

Década de 70


Com o fim da Jovem Guarda, Eduardo gravou discos influenciado pela psicodelia] e o rock progressivo, nessa época recriou canções de compositores brasileiros como Chico BuarqueAry Barroso e Luiz Gonzaga.

Eduardo Araújo e seu Mustang
Eduardo Araújo e seu Mustang

 

Década de 80

 

Após ficar cinco anos sem se dedicar a carreira musical, Eduardo compôs uma canção em homenagem ao cavalo Mangalarga Marchador e gravou um disco com influências da música country e do country rock. 

Década de 90

Nos anos 90, seguiu com o estilo da década anterior. Apresentou dois programas de televisão, "Pé na Estrada" (exibido pelo SBT) e "Brasil Rural" (exibido pela TV Bandeirantes).

Em 1995, participou das comemorações dos 30 anos da Jovem Guarda gravando uma coletânea lançada pela PolyGram.
Em 1997, gravou o álbum Pó de Guaraná em Nova Jersey, o álbum conta com a participação da banda brasileira Dr. Sin. 

Década de 2000


Nos anos 2000, passou a dedicar-se a gravadora Number One, fundada por ele em parceria com Sylvinha. Em 2007, lançam um DVD comemorativo dos 40 anos da Jovem Guarda, cuja divulgação foi interrompida com a morte de Sylvinha em 2008, vítima de câncer de mama, o que abalou profundamente Eduardo.

Em 2014, Eduardo Araújo lançou um DVD comemorativo dos seus 50 anos de carreira, com participações de Sérgio ReisRenato Teixeira e Victor & Leo.

  
Show Eduardo Araújo e Banda em BH

Apresentação DJ Eduardo Aum – Música Anos 80.

Data:  17  /  05  / 2017  - quarta-feira.  Horas: 21h00

Local: PIC – Pampulha Iate Clube – Belo Horizonte/ MG

Endereço: Rua Cláudio Manoel, 1185, Funcionários ( Sede Social).

Ingressos:

Mesa com 04 cadeiras: 400,00 Pistas: 80,00
Ponto de Vendas:

Online

Produção Executiva: Jackson Martins Produções  & Eventos.

Apoio Cultural TV BHNEWS

Assessoria de Imprensa: Paula Granja (31) 99649.2968
 Fonte: Carlos Bozzo Junior