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sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

"Minas, um sentimento". Poesia de estudante viraliza nas redes sociais


 Poesia de estudante de Escola Família Agrícola do norte de Minas sobre os "300 anos de Minas" bombou nas redes sociais 

Vanessa Madureira, de 17 anos, poetizou o sentimento de ser mineiro e o pertencimento do morador do norte de Minas.

A poesia impactou jovens, estudantes, professores, poetas e muitas pessoas sensíveis. Mais ainda: impressionou a percepção de sentimento da talentosa estudante, de 17 anos, de uma Escola pública, administrada por organizações de trabalhadores rurais, em uma comunidade rural do município de São Francisco, no norte de Minas, banhada pelo rio de mesmo nome, o Velho Chico.

Segundo a diretora da EFA Escola Família Agrícola de Tabocal , Nilva Vieira da Paz,"a ideia do poema surgiu numa formação de Monitores das Escolas Família Agrícola de Minas Gerais, que aconteceu  de 23 a 27 de novembro, promovida pela Associação Mineira das Escolas Família Agrícola - AMEFA, em que a nossa escola ficou responsável pela Mística. Reunimos todos os monitores para discutir o que iríamos apresentar. Como estávamos prestes a comemorar os "300 anos de Minas", pensamos em pedir à Vanessa para fazer um poema que retratasse Minas, São Francisco e a  EFA Tabocal. Isso aconteceu no final de uma tarde. No dia seguinte, logo pela manhã, ela nos encaminhou o poema pronto".

Momentos de compartilhamento da EFA Tabocal

A Vanessa tem muita facilidade para escrever. É uma menina que aprecia muito a leitura. Independente de qualquer coisa, ela lê de tudo. Muito inteligente, tranquila, como expressa no poema. Gosta muito de ajudar as pessoas. Na sala de aula, Vanessa faz questão de formar pequenos grupos de estudos onde ela pode dar assistência e ajudar seus colegas a entenderem melhor os conteúdos, sobretudo aqueles que têm maior dificuldades no aprendizado. Está sempre pronta para ajudar quem quer que seja.

Ela é tida como uma "biblioteca ambulante" que entende de tudo e ama escrever, expressar seus sentimentos, através da poesia. Assim como este poema, intitulado  "MINAS, UM SENTIMENTO", existem outros, também de sua autoria. 


"Essa é a nossa Vanessa Madureira que escolheu a EFA Tabocal para fazer o Curso Técnico em Agropecuária com a Pedagogia da Alternância, por se identificar com o campo, com as atividades rurais, onde vive com sua família. Menina simples, humilde, de um coração imenso e cheio de sonhos de uma vida intelectualmente realizada, para servir o maior número possível de pessoas", conclui a diretora Nilva.

Vanessa Madureira é filha de Conceir Damião Vieira e Vanusa Ferreira Madureira Vieira, residentes no povoado Travessão, no município de São Francisco, no norte de Minas Gerais. 

O Projeto Memórias de São Francisco registra que "Vanessa se projeta com luz própria: é uma escritora nata. Desde os onze anos ela se sentiu atraída pelas letras – escrever e ler – e desde então aventura-se pelo mundo mágico da literatura, escrevendo belíssimos poemas e crônicas. Passeia, de preferência, pelas crônicas e contos de Clarice Lispector e Machado de Assis, que admira. Ficou impressionada com a grande obra de Guimarães Rosa "Grande Sertão: Veredas" que, para compreender aquela linguagem criativa, leu o livro várias vezes.  E foram tantas, que decorou parte dele. E foi além no gosto pelos livros lendo obras de filósofos alemães.
Perguntei-lhe como se inspirava para escrever. Foi de uma simplicidade tamanha no seu explicar: “Escrevo porque necessito, por inspiração, pelo que tenho na cabeça, o momento”. Ela pretende escrever um romance de ficção, com inspiração na vida sertaneja, e crônicas para relatar o cotidiano.
O nome dela explodiu na rede (Face e WhatsApp) dias atrás quando a EFA postou um belíssimo vídeo, que tem como fundo o impressionante (pelo conteúdo e profundidade telúrica) que ela escreveu para homenagear os 300 anos de Minas Gerais. Foi um hino de louvor em que aparecem, com encanto, São Francisco, o rio; e São Francisco a cidade".



Veja video produzido pela Minas Gerais Turismo de Diamantina e alunos da Escola Família Agrícola de Tabocal, em São Francisco, com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas – SECULT.

https://www.instagram.com/tv/CITK7yhh3fF/?igshid=xos5qyphvsq8 

Leia e sinta o poema da Vanessa:

Minas, um sentimento

*Vanessa Madureira Vieira

Me pediram que, em poesia, eu falasse de um Estado,

 falar de sua cultura, sua tradição

e falar principalmente do sentimento

que é pertencer a essa região.

E poderia eu, em um repente, bem de repente,

expressar apressadamente o pertencer,

nunca querendo sair daqui,

 mas eu quero é lentamente.


E pertencendo, eu falo de Minas, o nosso Estado,

tão velho e cansado

 por isso, rico e lotado de cultura e tradição.

Se eu começasse a contar da ginga que a vó dança,

da folia que o velho avô cantou,

da saia de renda pra quadrilha que a tia costurou,

do milho que o seu pai plantou,

seria a poesia fresca e pura que nasce dentro de Minas,

 dentro de nós... nosso Estado.

Estado de alegria, o trabalho é todo dia

e o sofrimento do homem do campo acaba virando poesia,

pois quando seu Francisco deita cansado seu esforço é a valia.

 

Minas por ser Estado acaba sendo sentimento.

Ser mineiro é um segredo, não dá pra explicar,

tá no sotaque puxado, o jeito de conversar,

no tempero da comida, jeito bão de cozinhar,

é um trem no meio de tudo

e um negócio que a gente nunca sabe onde tá.


Volto a dizer, Minas é um sentimento, é um Pertencer,

não importa pra onde vai, vai desembestar querer correr,

voltar pro seu pai pra sua mãe pra terra velha que te viu crescer, 

terra velha que viu a história acontecer,

 viu o povo negro sofrer,

a senzala acorrentar não só o corpo,

 mas também a idéia de viver.

A história não nos deixa esquecer,

o ouro roubado, o sangue derramado,

pedras sobre pedra que construíram o Estado.

 

Minas tem de tudo,  pode até não ter mar,

mas não é um desafio

porque magnífico é o nosso Rei conhecido como Rio,

que tem nome  de Santo... 

Santa seja sua água.

O São Francisco é um mistério desde quando nasce

e corre menino,  quando deságua já é Velho Chico.

Aqui no Norte, banhada  pelo rio,

também  com nome de Santo também com nome de Rio

tem uma cidade.

E o povo ainda se lembra como se canta folia,

como o Boi  de Reis dança, como se gira uma quadrilha,

como em roda se recita uma poesia

e a cultura de plantar a terra

pra nunca ter barriga vazia.

 

Ainda nessa cidade,  banhada por um rio,

dentro desse Estado, que é um sentimento,

tem uma escola, onde se aprende um ensinamento

que é respeitar a terra e sua riqueza,

entender a beleza do respeito  à natureza.


A  EFA Tabocal sempre teve esse conceito,

como nosso Estado tão amado,

respeitar tudo que estiver ao nosso lado.

Não há  nada mais simples e singelo do que cultivar,

quando se planta a terra, se cultiva uma semente

ou um sentimento cultivando o verbo amar.

Tanto Estado quanto Cidade, quanto Escola,

mostra que a agricultura é a base de uma nação,

desde o pequeno plantio ou a grande produção,

se o homem do campo não planta  e enfrenta a luta contente,

não há pra onde correr, a cidade não vai pra frente.

 

Então, não é só uma poesia, é também uma gratidão

por todos que cultivando a terra que sustentam essa nação

e principalmente por aqueles que lutam pelo campo,

e ainda assim, têm forças pra lutar pela Educação.

*Vanessa Madureira Vieira tem 17 anos. É estudante do 2º ano de Técnico Agropecuária da Escola Família Agrícola- EFA de Tabocal, no município de São Francisco, no norte de Minas, à beira do rio São Francisco. Vanessa é moradora do povoado do Travessão, próximo à EFA, escola administrada por organizações de agricultores familiares.

Conheça mais sobre Vanessa Madureira:

  1. https://www.youtube.com/watch?v=-d5OjHnzUwohá 17 horas ... O SAL DA LÁGRIMA, POR VANESSA MADUREIRA VIEIRA POEMA: VANESSA MADUREIRA VIEIRA RECITAÇÃO: VANESSA MADUREIRA ...
  2. https://www.youtube.com/watch?v=3rlH70BptUshá 5 horas ... ENTREVISTA COM VANESSA MADUREIRA VIEIRA, AUTORA DO POEMA "O SAL DA LÁGRIMA" - 04/12/2020Entrevistador: Eduardo Leal de ...

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Minas Novas: Estudante concorre a prêmio de identidade visual de Ciência e Tecnologia

Estudante minasnovense está na final de concurso que selecionará a identidade visual da SNCT 2018oogle+

A estudante do Curso Técnico em Agropecuária do Campus São João Evangelista do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), Náthali Benigna Martins Ramalho, de 17 anos, é a única mineira na disputa final do concurso que selecionará a identidade visual da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) 2018. 
A marca elaborada por Náthali está concorrendo com outros nove desenhos de vários Estados. A seletiva faz parte do II Concurso de Desenhos promovido pelo Museu Itinerante Ponto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Natural do distrito de Lagoa Grande, no município de Minas Novas, Náthali é a autora do desenho E. 
Em seguida, será necessário preencher um formulário com seus dados para confirmar o voto.
Caso seja vencedora do concurso, Náthali será premiada com uma viagem para participar da cerimônia de abertura da SNCT 2018, em Brasília, com direito a um acompanhante. Ela também receberá um notebook, um kit científico e certificado de participação.
Será computado apenas um voto por CPF. 
Saiba mais em http://museu.cp.ufmg.br.

Náthali e a marca desenvolvida por ela .

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Governo de Minas doa imóvel para criação da Casa do Estudante Mineiro

Entrega é uma devolução simbólica da sede 

dos estudantes mineiros tomada 

durante a ditadura militar.

imagem de destaque
Fernando Pimentel destacou a importância simbólica do ato e o significado da entrega,
 no Palácio da Liberdade

O governador Fernando Pimentel autorizou nesta quarta-feira (14/6), durante evento no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, a doação de um imóvel na capital para a criação da Casa do Estudante Mineiro. A entrega é uma devolução simbólica da sede dos estudantes mineiros que foi tomada durante a ditadura militar.

O espaço abrigará as entidades estudantis mineiras de representação universitária e secundarista - União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais (UEE-MG) e União Colegial de Minas Gerais (UCMG), e receberá atividades de formação, capacitação profissional e ações culturais. No espaço, também funcionará um curso pré-vestibular para estudantes de baixa renda, cursos de línguas e informática, entre outras atividades. 

Emocionado, Pimentel destacou a importância simbólica do ato e o significado da entrega. “Estamos resgatando uma dívida histórica com a UEE e com a União Nacional dos Estudantes (UNE). A sede foi tomada pela ditadura e, agora, o governo democrático faz o certo, que é devolver aos estudantes a sede da entidade. Ano que vem comemoramos 50 anos das jornadas estudantis de 1968. Só estou aqui hoje porque estive nas jornadas de 68, eles (os estudantes) têm de persistir. Fico muito feliz e emocionado de ser mais do que testemunha - ser protagonista desse momento”, afirmou.

Para a presidente da UNE, Carina Vitral, o espaço ajudará na organização e avanço não só do movimento estudantil em Minas Gerais, mas também na discussão em torno de outras demandas sociais. “O movimento estudantil de Minas Gerais ganha muito com a retomada da sede da UNE. Esse vai ser um ponto de encontro da juventude, um pondo de articulação das lutas, de atividades de educação. Isso, com certeza, vai fortalecer o movimento estudantil, que já é muito pungente e que cada vez mais será articulado. Agora o movimento estudantil tem um lugar seu de volta”, destacou.

 A presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE-MG), Luanna Ramalho, acredita que uma nova sede auxiliará na divulgação dos propósitos dos movimento no estado por meio da participação dos estudantes e da população em geral.  “É a consolidação de um sonho de várias gerações de juventudes, que lutaram pela mesma conquista que se dá aqui hoje. Agora, foi cicatrizada uma ferida que foi deixada desde a ditadura militar. Esse é um espaço muito importante, e essa doação reforça o que esse governo tem feito, que é ouvir para governar’”, completou.

Também participaram do ato os secretários de Estado de Educação, Macaé Evaristo, de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania, Nilmário Miranda, de Desenvolvimento Integrado e Fóruns Regionais, Wadson Ribeiro, e de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Miguel Corrêa, além do deputado estadual Geraldo Pimenta e lideranças de movimentos sociais.

55º Congresso da UNE

A capital mineira recebe, desta quarta-feira (14/6) até domingo (18/6), o 55º Congresso da União Nacional dos Estudantes (Conune). A expectativa é que cerca de 10 mil estudantes participem da edição deste ano.

Na pauta do encontro estão temas como conjuntura, educação e os rumos do movimento estudantil, além da eleição da nova diretoria da UNE. O evento vai relembrar ainda os 40 anos do III Encontro Nacional dos Estudantes (III ENE), que virou símbolo da resistência à ditadura militar.
Fonte: Agência Minas

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Estudante da UFVJM é primeira mulher aceita na Escola de Engenharia de Oxford para doutorado

ImprimirBábara Emanuella fará pesquisa de terapia do câncer a partir da nanotecnologia.

A colação de grau no curso de Engenharia Mecânica, do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), realizada no último mês de abril, teve um sabor especial para a estudante Bárbara Emanuella Souza. Bárbara também comemorou o fato de ter sido aceita para doutorado no programa DPhill Engineering Science Departament, da University of Oxford. Soma-se a essa conquista o fato de ser a primeira mulher brasileira aceita no departamento, segundo Jin-Chong Tan, professor associado do Department of Engineering Science.
Ser aceita numa instituição que atualmente ocupa a primeira posição no ranking das melhores universidades do mundo (sendo seguida por Caltech, Stanford, Cambridge, MIT e Harvard), segundo o Times Higher Education, coroa a vida acadêmica de Bárbara com mais um sucesso, após ter cursado parte dos seus estudos em Harvard e ser premiada, recentemente, na 5ª edição da Semana da Integração: ensino, pesquisa e extensão (Sintegra) da UFVJM por um dos melhores trabalhos do evento.
Bárbara Emanuella Souza ingressou na UFVJM no 1º semestre de 2011, pelo processo de seleção seriada da universidade, denominado Sasi, quando ficou classificada em 1º lugar para o curso de Ciência e Tecnologia, bacharelado que tem o curso de Engenharia Mecânica como uma das habilitações decorrentes possíveis. Durante os anos de 2014-2015, participou do programa Ciência sem Fronteiras, do governo federal, permanecendo nos Estados Unidos por um ano e meio.
A primeira instituição na qual ingressou ao chegar aos EUA foi a University of California – San Diego, onde completou parte do bacharelado em Engenharia Mecânica, buscando ampliar seus conhecimentos em ciência dos materiais, biomateriais e bioengenharia. Foi em cursos ministrados por professores reconhecidos internacionalmente nessa área que sua paixão cresceu a ponto de definir como seu objetivo de carreira realizar uma pesquisa de doutorado sobre o desenvolvimento e caracterização de biomateriais.
E foi a partir dessa experiência lá que assumiu o compromisso de aumentar a participação das mulheres na ciência e engenharia.
Após assistir a uma artroplastia para uma substituição total do joelho nessa universidade, sentiu-se motivada a ajudar a encontrar potenciais novos métodos para o processamento de biomateriais com propriedades mecânicas superiores que minimizariam as falhas dos implantes. “Após a cirurgia, fiquei apaixonada por próteses e, ao mesmo tempo, percebi como esse procedimento é invasivo”, conta Bárbara.
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(foto: Bárbara Souza/ArquivoPessoal)
Admitida no verão de 2015 para trabalhar com pesquisa nessa área no laboratório de Anuj Bellare, na Harvard Medical School, desenvolveu um trabalho que chegou a ser apresentado no Congresso Mundial de Biomateriais (WBC, 2016).
Em março deste ano, já perto de se formar no curso de graduação, submeteu à 5ª Sintegra o trabalho “Estudo in Vitro do Efeito do Dimetilsulfóxito (DMSO) nas Propriedades Mecânicas de Linfócitos Humanos: uma análise por meio da Microscopia Óptica e Confocal”. Desenvolvido numa parceria entre membros do Grupo de Pesquisa em Biomecânica e Bioengenharia (GBB) do ICT e pesquisadores do Laboratório de Imunologia (Labimuno) do Departamento de Farmácia da UFVJM, o trabalho foi selecionado como o melhor dentre os apresentados na área de Ciências Biológicas.
No ICT, Bárbara foi orientada pelos professores Libardo Andrés González Torres e Bethânia Alves de Avelar Freitas. O objetivo desse estudo foi investigar o efeito do DMSO sobre proteínas do citoesqueleto (actina e tubulina) através da avaliação de mudanças geométricas nas células do sangue humano in vitro, já que se sabe que o DMSO é um composto com diversas propriedades farmacológicas e terapêuticas. No entanto, o seu efeito isolado sobre as propriedades mecânicas das células é pouco conhecido.
Bárbara decidiu aplicar para University of Oxford desde que voltou do Ciência sem Fronteiras, motivada principalmente pelo prestígio da academia. Em dezembro de 2016, já estava preparada para o processo de seleção, composto por provas como o TOEFL®, teste de Língua Inglesa reconhecido em todo o mundo, e o Graduate Records Examination - GRE, feito por alunos nos países estrangeiros ao saírem da graduação, que inclui Inglês e Matemática avançados.
Além disso, o Departament of Engineering Science também exige a escrita do projeto a ser desenvolvido no programa. Por fim, cartas de recomendação e análise de currículo.
O curso tem início em 2017 e previsão de duração de 3 a 3,5 anos. A estudante terá bolsa integral e ajuda de custo para cursar o doutorado em Ciências da Engenharia.
Pela sua trajetória, Bárbara demonstra que a receita de sucesso começa com a perspectiva que cada um tem a respeito de si mesmo. "Gostaria de lembrar a todos para acreditar no seu próprio potencial e no potencial da nossa universidade. Muitas vezes, pelo fato de a UFVJM ser uma universidade pequena e ainda pouco conhecida, muitos alunos acreditam que suas oportunidades aqui são limitadas. No entanto, a única coisa que nos limita somos nós mesmos. Coisas incríveis estão acontecendo dentro dos campi e nós precisamos tirar o máximo proveito delas”.
Projeto de pesquisa pretende contornar barreiras atuais na terapia do câncer a partir da nanotecnologia
O projeto submetido por Bárbara Emanuella ao Departament of Engineering Science, da University of Oxford, é “Next-Generation Nanocomposites Integrating Metal-Organic Frameworks (MOFs) for Engineering Biomedical Applications”.
As redes metal-orgânicas (Metal Organic Frameworks - MOFs), uma classe emergente de materiais híbridos, estão entre os tópicos mais fascinantes de pesquisa em nanotecnologia. Sua composição química e estrutura ajustáveis ​​e funcionalidade de alto nível leva os MOFs a serem uma plataforma promissora para aplicações de bioengenharia e dispositivos médicos, como, por exemplo, a administração controlada e direcionada de fármacos.
As funcionalidades ajustáveis ​​de nanopartículas de MOFs excedem significativamente as capacidades de nanocarregadores e de agentes de imagem existentes, com vantagens significativas sobre os sistemas aplicados atualmente. Devido ao grande número de MOFs existentes e às vastas aplicações bio-orientadas possíveis, há uma grande oportunidade para alcançar grandes avanços nesse campo emergente.
Uma possível abordagem para superar os desafios existentes é o desenvolvimento de nanocompósitos de MOFs. Embora tenha sido recentemente desenvolvida uma série de novos fármacos, muitos deles não são aplicados em razão da ausência de vias de distribuição eficazes, o que acarreta uma baixa biodisponibilidade.
No caso do tratamento quimioterápico, por exemplo, a escassez de alternativas que permitam o ataque preciso às regiões tumorais reduz a eficiência do fármaco, prolongando os tratamentos e seus graves efeitos colaterais nos tecidos normais. Tais circunstâncias destacam a necessidade de desenvolver novas plataformas que combinem função diagnóstica e terapêutica.
A nanotecnologia, aplicada à encapsulação de moléculas de fármacos, apresenta potencial para contornar as barreiras atuais na terapia do câncer. A confluência desses fatores pontua a demanda no desenvolvimento de dispositivos MOF para bioaplicações, como pretendido pelo projeto.
Fonte: UFVJM

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Estudante negra, pobre e de escola pública fica em 1º lugar, em curso de Medicina da USP



"A casa-grande surta quando a senzala vira médica", provoca Bruna.

Arquivo pessoal
Bruna Sena, 17, comemora º lugar em medicina da USP de Ribeirão, o mais concorrido da Fuvest
Bruna Sena, 17, comemora o 1º lugar em medicina da USP de Ribeirão, o mais concorrido da Fuvest

É com uma frase provocativa estampada em uma rede social que Bruna Sena, 17, primeira colocada em medicina da USP de Ribeirão Preto, carreira mais concorrida da Fuvest-2017, comemora e passa um recado de sua conquista: "A casa-grande surta quando a senzala vira médica".

Negra, pobre, tímida, estudante de escola pública, criada apenas pela mãe, que ganha R$ 1.400 como operadora de caixa de supermercado, Bruna será a primeira da família a interromper o ciclo de ausência de formação superior em suas gerações. Fez em grande estilo, passando em uma das melhores faculdades médicas do país.

A mãe, Dinália Sena, 50, que sustenta a casa desde que Bruna tinha nove meses e o pai deixou o lar, está entre a alegria e o pavor. Tem medo que a filha seja hostilizada. "Por favor, coloque no jornal que tenho medo dos racistas. Ela vai ser o 1% negro e pobre no meio dos brancos e ricos da faculdade."

Já a filha mostra-se tranquila. Acredita que será bem recebida e tem na ponta da língua a defesa de sua raça, de cotas sociais e da necessidade de mais oportunidades para os negros no Brasil. "Claro que a ascensão social do negro incomoda, assim como incomoda quando o filho da empregada melhora de vida, passa na Fuvest. Não posso dizer que já sofri racismo, até porque não tinha maturidade e conhecimento para reconhecer atitudes racistas", diz a caloura.

"Alguns se esquecem do passado, que foram anos de escravidão e sofrimento para os negros. Os programas de cota são paliativos, mas precisam existir. Não há como concorrer de igual para igual quando não se tem oportunidade de vida iguais."

GEORGE ORWELL
Para enfrentar a concorrência de 75,58 candidatos do vaga, Bruna fez o básico: se preparou muito, ao longo de toda sua vida escolar. "Ela só tirava notas 9 ou 10. Uma vez, tirou um 7 e fui até a escola para saber o que tinha acontecido. Não dava para acreditar. Falei com o diretor e ele descobriu que tinham trocado a nota dela com um menino chamado Bruno", orgulha-se a mãe.

George Orwell, autor do clássico "A Revolução dos Bichos", fábula que conta a insurreição dos animais de uma granja contra seus donos, está entre os favoritos da garota, que também gosta de romance e comédia e é fã da série americana "Grey's Anatomy", um drama médico.

No último ano do ensino médio, que cursou pela manhã na escola estadual Santos Dumont, conseguiu uma bolsa de estudos em um cursinho popular tocado por estudantes da própria USP, para onde ia à noite. "Minha escola era boa, mas, infelizmente, tinha todas as dificuldades da educação pública, que não prepara o aluno para o vestibular. Falta conteúdo, preparo de alguns professores. Sem o cursinho, não iria conseguir."

Segundo Bruna, que mora em um conjunto habitacional na periferia de Ribeirão Preto, vários de seus colegas de escolas nem "nem sabem que a USP é pública e que existe vestibular para passar".

Com ajuda financeira de amigos e parentes, Bruna fazia kumon de matemática, mas o dinheiro não deu para seguir com o curso de inglês. "Tudo na nossa vida foi com muita luta, desde que ela nasceu, prematura de sete meses, e teve de ficar internada por 28 dias. Não tenho nenhum luxo, não faço minhas unhas, não arrumo meu cabelo. Tudo é para a educação dela", declara a mãe.
Ainda segundo Dinália, "alguns conhecidos ajudaram. Uma amiga minha sempre dava livros para ela. Uma vez, essa amiga colocou R$ 10 dentro de um livro para comprarmos comida e escreveu: 'Bruna, vence a vida, não deixe que ela te vença, estude'".
Arquivo pessoal
Bruna Sena, 17, estudou a vida toda em escola pública e é defensora das cotas sociais
Bruna Sena, 17, estudou a vida toda em escola pública e é defensora das cotas sociais

FUTURO
A opção pela medicina aconteceu há cerca de um ano, por influência de professores do cursinho popular que frequentou o CPM, ligado à própria Faculdade de Medicina da USP-Ribeirão. "Claro que não sei ainda qual especialidade pretendo seguir, mas sei que quero atender pessoas de baixa renda, que precisam de ajuda, que precisam de alguém para dar a mão e de saúde de qualidade", declara.

Engajada na defesa de causas sociais como o feminismo, o movimento negro e a liberdade de gênero, a adolescente orgulha-se do cabelo crespo e de sua origem, mas é restrita nas palavras sobre o pai, que não paga pensão e não a vê há anos. "Minha mãe ralou muito para que eu tivesse esse resultado e preciso honrar isso. Sou grata também a minha escola, ao cursinho. Do meu pai, nunca entendi o desprezo, me incomoda um pouco, mas agora é hora de comemorar e ser feliz." 

Surpresa
Apesar de ter superado todos os concorrentes, Bruna diz que não se deu conta que havia obtido a primeira colocação geral até dias depois das notas terem sido divulgadas e de ter sido recebida pelos veteranos da medicina.

"Foi uma corrente do bem. No primeiro dia saiu a lista e depois vinha a opção de olhar o desempenho. No primeiro dia eu apenas olhei e só dois dias depois, quando fui ver a classificação, que notei que tinha sido a primeira. Eu bati o olho, mas não tinha me tocado."
Agora, Bruna diz que deverá efetuar sua matrícula já nesta primeira semana. Ela diz que a família não poderia estar mais orgulhosa e espera que organizem uma festa para celebrar sua conquista, afinal de contas, ela é a primeira pessoa da família que irá cursar o ensino superior.
"Não achei nem que fosse passar da primeira fase, te juro. Minha mãe, coitada, não acreditou. Sou a primeira da família a fazer faculdade e não sei se vão fazer alguma comemoração aqui em casa, mas espero que sim", explica aos risos.
Bruna diz que fará sua matrícula até o fim da semana na USP (Foto: Bruna Sena / Arquivo Pessoal)
Bruna diz que se matriculará até o fim da semana
na USP (Foto: Bruna Sena / Arquivo Pessoal)
Escolha

Bruna diz que a admiração e eventual escolha por prestar medicina foi algo que ocorreu com o tempo e contato que ela mantinha com estudantes da área. Mas, para ela, prestar Fuvest e entrar na USP sempre foram seus principais objetivos há muito tempo.

"Eu comecei a querer medicina no começo do ano passado. Fui pegando admiração porque, como fiz um cursinho que funciona dentro da faculdade de medicina, a gente via os alunos, já que eles eram os professores, e fiquei admirada, mas sempre tive a ideia de prestar Fuvest, era meu foco desde o primeiro ano do ensino médio", diz.
Apesar disso, ela afirma que ainda não sabe em qual área deverá se especializar e conta que a decisão deverá ser tomada com o passar dos anos dentro do curso com o auxílio de professores e após ter contato com todas as áreas possíveis. "Ainda não sei no que vou me especializar, não tenho a menor noção. Primeiro vou fazer a matrícula on-line agora no dia 6, e só me apresentarei depois, no dia 13."
Bruna se formou no Ensino Médio em dezembro de 2016 e começará a faculdade de medicina aos 17 anos (Foto: Isabela Veloso / Arquivo Pessoal)
Bruna se formou no ensino médio em dezembro de
2016 (Foto: Isabela Veloso/Arquivo Pessoal)
Preocupação

Apesar de estar feliz com a aprovação e a realização do sonho de estudar na USP, Bruna confessa que está um pouco preocupada com eventuais casos de preconceito e possíveis assédios. Negra e vinda de família pobre, ela afirma que já pensou sobre o assunto, mas diz que o primeiro contato com veteranos do curso foi animador. Ela diz ter sido recebida com muita simpatia – e tinta.
"Eu fico um pouco preocupada, mas muitos veteranos falaram comigo e me disseram que se acontecer alguma coisa eu posso falar, denunciar. Tem o disque trote que podemos ligar e dizer se algo ocorrer. Fico um pouco preocupada, mas, pelo que vi, o pessoal é bem legal."
Fonte: Folha de S. Paulo e O Globo

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Estudante de Turmalina ganha medalha de ouro na Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro


Os vencedores da edição deste ano da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro foram conhecidos em cerimônia de premiação realizada em São Paulo. Os estudantes mineiros se destacaram mais uma vez na competição. Entre os 20 vencedores da Olimpíada, cinco em cada gênero literário, três são de escolas da rede estadual de ensino de Minas Gerais.
Natália Godinho Amaral, aluna da Escola Estadual Lauro Machado, no município de Turmalina, noAlto Jequitinhonha, nordeste de Minas, venceu no gênero Poema. Já os estudantes Giovanna Lucciane de Assis Monteiro Resende, da Escola Estadual Coronel Xavier Chaves, no município de mesmo nome, e Maria Victória Alves Dos Santos, da Escola Estadual Dom Lúcio, em Espinosa, estão entre os vencedores do gênero Memórias Literárias. O estudante Mauro Marques Canhão Filho, do IF Sul de Minas, em Poços de Caldas, também está entre os vencedores. Ele se destacou na categoria Artigo de Opinião.
Os 20 alunos vencedores e seus professores receberam medalha, um notebook e uma impressora. Já as escolas dos estudantes que se destacaram receberão 10 computadores, uma impressora, um projetor, um telão para projeção e livros.
Natália Godinho Amaral e o professor Marcone Mendes da Conceição comemoram medalha de ouro na categoria Poema da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro (Foto: Reprodução/Facebook)
Olimpíada
O tema da edição deste ano da competição foi “O lugar onde vivo”, que propiciou aos alunos estreitar vínculos com a comunidade e aprofundar o conhecimento sobre a realidade, contribuindo para o desenvolvimento de sua cidadania.
O professor inscrito orientou seus alunos a escrever um texto, em língua portuguesa, original e de autoria exclusiva de cada aluno, nas categorias: Poema (dedicado aos alunos do 5º e 6º ano do ensino fundamental), Memórias Literárias (alunos do 7º e 8º ano do ensino fundamental), Crônica (estudantes do 9º ano do ensino fundamental e do 1º ano do ensino médio) e Artigo de Opinião (2º e 3º ano do ensino médio).
A Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro é um concurso de produção de textos para alunos de escolas públicas de todo o país. Iniciativa do Ministério da Educação e da Fundação Itaú Social, com coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), este ano está em sua 5ª edição.
Conheça os mineiros vencedores da Olimpíada 2016
CategoriaAlunoTítuloProfessorEscolaUFCidade
PoemaNatália Godinho AmaralDa minha janelaMarcone Mendes da ConceiçãoEE LAURO MACHADOMGTurmalina
MemóriaGiovanna Lucciane de Assis Monteiro ResendeAndorinha de louçaMaria Magali Vale RodriguesEE CORONEL XAVIER CHAVESMGCoronel Xavier Chaves
MemóriaMaria Victória Alves Dos SantosFerrovia da saudadeEdilson Moreira BragaEE DOM LÚCIOMGEspinosa
ArtigoMauro Marques Canhão FilhoExploração ou tradição?Larissa Cristina Arruda de Oliveira BenediniIF SUL DE MINASMGPoços de Caldas
Natália Godinho Amaral e o professor Marcone Mendes da Conceição antes da premiação da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro no Sambódromo do Anhembi (Foto: Reprodução/Facebook)
Fonte: Agência Minas