Solidariedade que transforma o Vale do Jequitinhonha
Artesanato em cerâmica na comunidade de Moça Santa - Chapada do Norte
Os conhecimentos produzidos na universidade podem auxiliar no desenvolvimento sustentável de comunidades rurais?
Projeto-ação da Geografia promove intercâmbio de conhecimento e cultura entre duas comunidades do Vale do Jequitinhonha, auxiliando no desenvolvimento de hortas agroecológicas e na difusão do artesanato em cerâmica.
Texto: Bárbara Altivo
Texto: Bárbara Altivo
Os conhecimentos produzidos na universidade podem auxiliar no desenvolvimento sustentável de comunidades rurais?
O núcleo Terra & Sociedade de Estudos em Geografia Agrária, Agricultura Familiar e Cultura Camponesa, ligado ao IGC - Instituto de Geociências da UFMG, arregaça as mangas para encarar o desafio lançado. E, nesse sentido, atua o projeto de extensão
"Capacitação cidadã entre as mulheres agricultoras familiares e produtoras de alimentos em comunidades quilombolas de Chapada do Norte e de artesãs do Córrego dos Coqueiros, em Minas Novas", dirigido pela coordenadora do Terra & Sociedade e professora do Departamento de Geografia da UFMG, Maria Aparecida dos Santos Tubaldini, e por sua orientanda de doutorado e diretora de projetos do núcleo, Lussandra Martins Gianasi.
Coordenadora do núcleo Terra & Comunidade, Maria Aparecida Tubaldini
O projeto, segundo Maria Aparecida, baseia-se em ações planejadas a partir de um amplo trabalho de mapeamento e análise da agricultura familiar no recorte territorial de Capelinha, Minas Novas e Chapada do Norte, no Vale do Jequitinhonha, processo realizado em parceria com o professor da UFMG, José Antônio de Deus, da área de Geografia Cultural, e Bernardo Machado Gontijo, da área de Biogeografia, bolsista de iniciação científica e mestrandos.
Apresentação do grupo de dança quilombola Curiango
Os resultados das ações do núcleo já podem ser observados. Em Moça Santa, 36 famílias contam com canteiros em produção, e são 11 deles em Coqueiro Campo. Algumas mulheres quilombolas que não migraram, segundo Maria Aparecida, já estão desenvolvendo o artesanato em utilidades domésticas para a população local e comunidades vizinhas, obtendo seus primeiros rendimentos e vasos tipo “moranga”, idealizados para plantios da espécie de tomates cerejas samambaias. A intenção é que essas mulheres participem da feira que acontece em dezembro na Praça de Serviços da UFMG.
O próximo passo, expõe Maria Aparecida, é desenvolver processo de educação alimentar das comunidades. Uma vez colhidas as verduras e legumes, como introduzi-los na mesa das pessoas? Uma resposta seria conjugar os novos sabores a ingredientes já conhecidos. “Uma pegada são as farofas. O ovo e a farinha já fazem parte da tradição deles. Não podemos romper com os hábitos existentes, para conseguir atrair o paladar, principalmente das crianças, para uma alimentação mais saudável.”
Além disso, serão distribuídas cartilhas educativas elaboradas pelas professoras Valéria Roque, Sandra Maria Lucas Pinto Silva e a mestranda Gisele Miné sobre diversos temas, dentre eles, a questão cultural e territorial das comunidades, bem como dicas para a confecção da cerâmica, com a professora Valéria Amorim e Adriana Monteiro. A cartilha sobre a produção das hortas agroecológicas éobjeto específico da professora Maria Aparecida Tubaldini e orientandos de extensão e iniciação científica. A parte cartográfica está sob a supervisão da doutoranda Lussandra Gianasi. O intuito é que a população tenha acesso ao conhecimento construído ao longo do projeto.
Fonte: FAFICH - UFMG , com dica do Blog do Jequi

O projeto, segundo Maria Aparecida, baseia-se em ações planejadas a partir de um amplo trabalho de mapeamento e análise da agricultura familiar no recorte territorial de Capelinha, Minas Novas e Chapada do Norte, no Vale do Jequitinhonha, processo realizado em parceria com o professor da UFMG, José Antônio de Deus, da área de Geografia Cultural, e Bernardo Machado Gontijo, da área de Biogeografia, bolsista de iniciação científica e mestrandos.
O objetivo desse primeiro trabalho, que durou dois anos, foi identificar alternativas sustentáveis para as atividades socioagrícolas das regiões sondadas. “A questão teórica que sustentou essa etapa e sempre permeia as nossas pesquisas é o desenvolvimento sustentável, que envolve três dimensões: a socioeconomia, o meio ambiente e a cultura”, explica a coordenadora. Dessa forma, ela ressalta a importância de tomar o território trabalhado para além de sua configuração dimensional, considerando as relações de poder estabelecidas, a sociabilidade existente, os laços de solidariedade, bem como a identidade cultural da população.
Ao longo do trabalho de mapeamento e análise da agricultura familiar no Vale do Jequitinhonha, a comunidade quilombola Moça Santa, na Chapada do Norte, destacou-se por apresentar carência na alimentação. A região, se comparada com as outras que integraram o estudo, conta com índice significativo de pobreza. A comunidade reivindicou ao grupo Terra & Sociedade uma ação voltada para a melhoria do plantio para alimentação, ou seja, o aprimoramento do cultivo de verduras e legumes.
Ao longo do trabalho de mapeamento e análise da agricultura familiar no Vale do Jequitinhonha, a comunidade quilombola Moça Santa, na Chapada do Norte, destacou-se por apresentar carência na alimentação. A região, se comparada com as outras que integraram o estudo, conta com índice significativo de pobreza. A comunidade reivindicou ao grupo Terra & Sociedade uma ação voltada para a melhoria do plantio para alimentação, ou seja, o aprimoramento do cultivo de verduras e legumes.
Outra demanda específica de Moça Santa, que também faz parte do projeto de ação para capacitação cidadã, diz respeito ao aprendizado de técnicas artesanais em cerâmica. O pedido é motivado pelos ganhos econômicos da atividade, mas também pelo recorrente uso de potes e panelas de barro pela população local.
O núcleo da UFMG, para atender a essa última necessidade apresentada, apostou no diálogo entre Moça Santa e a comunidade de Coqueiro Campo, em Minas Novas, já com tradição no artesanato em cerâmica. Assim, uma artesã dessa comunidade ministrou cursos sobre a atividade em Moça Santa. Coqueiro Campo, por sua vez, reivindicou também a ajuda do núcleo para montar hortas alimentares. Como conta Lussandra Martins, para concretizar a interlocução das duas populações camponesas, foi realizada uma visita solidária. No total, 35 mulheres quilombolas de Moça Santa foram para Coqueiro Campos com a intenção conhecer os processos de cerâmica do local e fazer apresentação artística, com o grupo de dança Curiango, do qual fazem parte. “Falamos de um intercâmbio de conhecimento e cultura. Uma comunidade visita a outra para conhecê-la e enxerga ali as potencialidades para reverter a sua realidade a partir dessa integração”, afirma Lussandra. Para Maria Aparecida, esse momento de contato age motivando e sensibilizando as mulheres de ambas as comunidades.
Mas afinal, por que o projeto volta-se especificamente para as mulheres camponesas? Maria Aparecida salienta que todos os homens migram para trabalhar na colheita do café e no corte da cana-de-açúcar, principalmente na região de São Paulo. Nesses períodos de viagem, algumas mulheres permanecem na comunidade com o objetivo de cuidar das crianças menores. Assim, elas são as potenciais artesãs e responsáveis pelas hortas alimentares.
Em trabalho de campo, Terra & Sociedade realizou, junto à população camponesa de Moça Santa e Coqueiro Campo, montagem de canteiros agroecológicos. “Consideramos que cada família deveria possuir pelo menos dois canteiros de até três metros para o cultivo de diferentes alimentos”, diz Maria Aparecida. Mas, ao invés de impor seus conhecimentos à comunidade, os geógrafos do núcleo buscam resgatar e aproveitar os hábitos e saberes locais.
O núcleo da UFMG, para atender a essa última necessidade apresentada, apostou no diálogo entre Moça Santa e a comunidade de Coqueiro Campo, em Minas Novas, já com tradição no artesanato em cerâmica. Assim, uma artesã dessa comunidade ministrou cursos sobre a atividade em Moça Santa. Coqueiro Campo, por sua vez, reivindicou também a ajuda do núcleo para montar hortas alimentares. Como conta Lussandra Martins, para concretizar a interlocução das duas populações camponesas, foi realizada uma visita solidária. No total, 35 mulheres quilombolas de Moça Santa foram para Coqueiro Campos com a intenção conhecer os processos de cerâmica do local e fazer apresentação artística, com o grupo de dança Curiango, do qual fazem parte. “Falamos de um intercâmbio de conhecimento e cultura. Uma comunidade visita a outra para conhecê-la e enxerga ali as potencialidades para reverter a sua realidade a partir dessa integração”, afirma Lussandra. Para Maria Aparecida, esse momento de contato age motivando e sensibilizando as mulheres de ambas as comunidades.
Mas afinal, por que o projeto volta-se especificamente para as mulheres camponesas? Maria Aparecida salienta que todos os homens migram para trabalhar na colheita do café e no corte da cana-de-açúcar, principalmente na região de São Paulo. Nesses períodos de viagem, algumas mulheres permanecem na comunidade com o objetivo de cuidar das crianças menores. Assim, elas são as potenciais artesãs e responsáveis pelas hortas alimentares.
Em trabalho de campo, Terra & Sociedade realizou, junto à população camponesa de Moça Santa e Coqueiro Campo, montagem de canteiros agroecológicos. “Consideramos que cada família deveria possuir pelo menos dois canteiros de até três metros para o cultivo de diferentes alimentos”, diz Maria Aparecida. Mas, ao invés de impor seus conhecimentos à comunidade, os geógrafos do núcleo buscam resgatar e aproveitar os hábitos e saberes locais.
Maria Aparecida e Lussandra esclarecem que as hortas já existiam, muito pequenas, configurando um verdadeiro quintal agroecológico, “um oásis que permite que eles tenham sombra, que é favorável ao plantio”, comenta a primeira. As mulheres já dominavam, por exemplo, o uso de biodefensivos, como o fumo e o alho. Além disso, a existência de gado na região representou a matéria orgânica para a produção: o esterco de boi, transformada em “compostagem”.

Os resultados das ações do núcleo já podem ser observados. Em Moça Santa, 36 famílias contam com canteiros em produção, e são 11 deles em Coqueiro Campo. Algumas mulheres quilombolas que não migraram, segundo Maria Aparecida, já estão desenvolvendo o artesanato em utilidades domésticas para a população local e comunidades vizinhas, obtendo seus primeiros rendimentos e vasos tipo “moranga”, idealizados para plantios da espécie de tomates cerejas samambaias. A intenção é que essas mulheres participem da feira que acontece em dezembro na Praça de Serviços da UFMG.
O próximo passo, expõe Maria Aparecida, é desenvolver processo de educação alimentar das comunidades. Uma vez colhidas as verduras e legumes, como introduzi-los na mesa das pessoas? Uma resposta seria conjugar os novos sabores a ingredientes já conhecidos. “Uma pegada são as farofas. O ovo e a farinha já fazem parte da tradição deles. Não podemos romper com os hábitos existentes, para conseguir atrair o paladar, principalmente das crianças, para uma alimentação mais saudável.”
Além disso, serão distribuídas cartilhas educativas elaboradas pelas professoras Valéria Roque, Sandra Maria Lucas Pinto Silva e a mestranda Gisele Miné sobre diversos temas, dentre eles, a questão cultural e territorial das comunidades, bem como dicas para a confecção da cerâmica, com a professora Valéria Amorim e Adriana Monteiro. A cartilha sobre a produção das hortas agroecológicas éobjeto específico da professora Maria Aparecida Tubaldini e orientandos de extensão e iniciação científica. A parte cartográfica está sob a supervisão da doutoranda Lussandra Gianasi. O intuito é que a população tenha acesso ao conhecimento construído ao longo do projeto.
Fonte: FAFICH - UFMG , com dica do Blog do Jequi
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