sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Itaobim: Despejo da EFA Bontempo deixará 205 jovens rurais sem estudos


Itaobim: Padre Felice consegue 
despejo da EFA Bontempo
205 filhos de agricultores familiares ficarão sem a Escola Família-Agrícola construída pelos trabalhadores rurais do Médio Jequitinhonha 
Trabalhadores rurais do Médio e Baixo Jequitinhonha, na Audiência Pública, 
em 2010,  na Assembléia Legislativa, lutando pela educação de seus filhos.
A AMEFA - Associação Mineira de Escolas Família-Agricola comunica que o Padre Felice Bontempi conseguiu na Justiça a reintegração de posse do terreno da Escola, na Fazenda Santa Luzia, em Itaobim, no Médio Jequitinhonha, nordeste de Minas. 

Com esta decisão, a Justiça garante ao Padre Felice o despejo da EFA Bontempo, colocando os 205 estudantes matriculados e seus familiares em situação de perplexidade, sem saber que rumo tomar.
Leia a Nota de Repúdio da AMEFA, publicada em vários jornais de Belo Horizonte, circulando pelas redes sociais: 

NOTA DE REPÚDIO CONTRA O DESPEJO DA EFA BONTEMPO DE ITAOBIM
AMEFA - Belo Horizonte, 23 de fevereiro de 2012.
Comunicamos à imprensa e à sociedade em geral que hoje, 23 de fevereiro de 2012, segundo o Diretor Ricardo Vital, um oficial de justiça apareceu na sede da Escola Família Agrícola Bontempo, situada em Itaobim, Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, para comunicar o mandado de reintegração de posse dos prédios onde a referida EFA funciona, há mais de 10 anos.
Não bastasse os dados estarrecedores da situação da educação da juventude rural no Brasil, que não vem ao caso comentar agora, é lamentável tal episódio.
É sabido que a EFA Bontempo surge da necessidade dos trabalhadores resolverem o problema da educação de seus filhos com uma escola diferenciada, contextualizada em sua realidade.
A EFA Bontempo foi construída pelos trabalhadores rurais num terreno doado em comodato por tempo indeterminado pela Fundação Brasileira de Desenvolvimento, cujo presidente é o padre católico, Sr Felici Bontempi. Ele e sua fundação reivindicam o terreno e os prédios construídos ali pela Associação gestora da EFA, AEFAMBAJE.
São 200 jovens matriculados cursando 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio e Profissional Técnico em Agropecuária.
A luta na justiça vem se protelando há mais de 5 anos. Em todo este tempo a EFA Bontempo buscou saídas através do diálogo apelando para as autoridades que ajudassem a encontrar alternativas para que seus alunos não sofressem prejuízos com o despejo: Audiência Pública na Assembléia Legislativa em 2010, tentativas de conciliação no Tribunal de Justiça de Minas Gerais e no Fórum de Medina.
Os trabalhadores responsáveis por este projeto já afirmaram que “dali não saem”. 
Esperamos que providências sejam tomadas para evitar conflitos maiores.
Não seria o momento de o Estado ou a Prefeitura de Itaobim tomar uma atitude e desapropriar aquela área para fins sociais?

A Diretoria da Escola e Associação mantenedora solicitam apoios de toda a sociedade e informa que 

a Escola Família Agrícola não está somente a serviço dos jovens. Além disso, atende 160 mulheres no projeto ATER Mulheres, projeto do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Na Escola realiza-se reuniões do ITAVALE – Instituto dos Trabalhadores na Agricultura do Vale do Jequitinhonha, do Território da Cidadania Médio Jequitinhonha e de diversos eventos educacionais, culturais, sociais e políticos da região. 
Contatos: 

Alcísio – Presidente da AEFAMBAJE – (033) 88069509 / Ricardo Ferreira Vital -  Diretor EFA Bontempo – (033) 88680848 / Escola Família Agrícola Bontempo (033) 99855847 / Arilton Praxedes Evangelista – (033) 88289470.

Comentário de um professor da EFA, reproduzido no Face Book, página "A UFVJM é nossa!":
Infelizmente, o PADRE FELICE BONTEMPI conseguiu na justiça a reintegração de posse do terreno onde está situada a ESCOLA FAMÍLIA AGRÍCOLA BONTEMPO, marcada para amanhã (24/02/2012) as 8 horas da manhã, aproveitando o feriado do carnaval e a ausência das pessoas responsáveis pela EFA Bontempo.
O pior de tudo que um Padre faz votos de pobreza, mas o Padre Felice não. A Igreja Católica divulga ser contra os poderosos e a favor dos pobres e desfavorecidos. 
Cadê eles agora para ajudar os jovens filhos de trabalhadores rurais de mais de 20 municípios do Médio e Baixo Jequitinhonha? 
E o poder politico de Itaobim, todos filhos do padre “para não falar o vocabulário correto”, também não fazem nada?
Quem perde com tudo isso não são os funcionários da EFA, pois emprego tem outros e todos são qualificados, nem os membros da Associação.
Quem perderá serão os 205 estudantes, matriculados nesta instituição de ensino e as suas famílias que sonham com um futuro melhor para seus jovens.

Será que os dez anos de existência não foram suficientes para mostrar a importância da EFA Bontempo para os jovens que hoje estão ocupando vagas nas universidades federais, nos movimentos sociais, EMATER, IMA, STR's, Secretarias de agriculturas municipais?

Jovens que poderiam estar no corte de cana, mas estão ajudando a desenvolver o Vale do Jequitinhonha.

Entenda o caso:
A EFA - Escola Família Bontempo, sediada em Itaobim, no Médio Jequitinhonha, nordeste de Minas, é uma escola de educação no campo que utiliza da metodologia da formação pedagógica da alternância. Os estudantes matriculados permanecem um tempo na escola - geralmente 15 dias - e outro período nas suas residências de origem, nas comunidades rurais, praticando aquilo que aprendeu na escola e reciclando o conhecimento com os pais e vizinhança. Este método é considerado revolucionário onde a teoria e a prática se encontram em permanente construção. 
A Escola foi fundada em 1992, mas teve suas atividades iniciais em 2001. Formou vários Técnicos em Agropecuária, com orientação agroecológica. Ela é administrada por uma  Associação de agricultores familiares e pelos próprios pais dos alunos de 23 municípios do Médio e Baixo Jequitinhonha.
O padre Felice que participou da fundação e concepção da Escola - inclusive sendo homenageado com o nome Bontempo, derivado do seu sobrenome Bontempi, em italiano - se sentiu alijado do projeto de construção coletiva da Escola, com uma intensa participação de agricultores familiares.
Ele havia doado um terreno para a escola, em regime de comodato, por tempo indeterminado, dentro da Fazenda Santa Luzia, de propriedade da Fundação Brasileira de Desenvolvimento. O padre é o dono desta entidade. 
A Escola caminhou com suas próprias pernas, com captação de recursos no exterior e no Ministério da Educação, construindo uma excelente estrutura de Escola de Ensino Médio. Estabeleceu convênio de manutenção com a Secretaria de Estado da Educação. 
A Escola passou por sérias dificuldades para se construir e se manter. Este é um  dos melhores momentos deste projeto de educação no campo com o estabelecimento de diversas parcerias.
Assim, a atitude do Padre Felice Bontempi é polêmica e pouco compreendida na sociedade e no movimento de trabalhadores rurais do Vale do Jequitinhonha. 
Para que quer o Padre Felice tomar conta da escola neste momento?  Por que seus interesses particulares, não-confessáveis, devem sobrepor aos dos jovens estudantes e suas famílias agricultoras?
Estas são perguntas feitas por várias lideranças de Sindicatos de Trabalhadores Rurais da região, entre eles Evina de Medina e Zezinho de Virgem da Lapa. 


Conheça mais sobre a EFA Bontempo, assistindo o video:
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Um comentário:

netta disse...

nossa a efa e a nossa vida !!!!!!!!!!!!!
nao aceitamos a decisao desse padre pois a efa td na nossa vida

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