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sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

"Minas, um sentimento". Poesia de estudante viraliza nas redes sociais


 Poesia de estudante de Escola Família Agrícola do norte de Minas sobre os "300 anos de Minas" bombou nas redes sociais 

Vanessa Madureira, de 17 anos, poetizou o sentimento de ser mineiro e o pertencimento do morador do norte de Minas.

A poesia impactou jovens, estudantes, professores, poetas e muitas pessoas sensíveis. Mais ainda: impressionou a percepção de sentimento da talentosa estudante, de 17 anos, de uma Escola pública, administrada por organizações de trabalhadores rurais, em uma comunidade rural do município de São Francisco, no norte de Minas, banhada pelo rio de mesmo nome, o Velho Chico.

Segundo a diretora da EFA Escola Família Agrícola de Tabocal , Nilva Vieira da Paz,"a ideia do poema surgiu numa formação de Monitores das Escolas Família Agrícola de Minas Gerais, que aconteceu  de 23 a 27 de novembro, promovida pela Associação Mineira das Escolas Família Agrícola - AMEFA, em que a nossa escola ficou responsável pela Mística. Reunimos todos os monitores para discutir o que iríamos apresentar. Como estávamos prestes a comemorar os "300 anos de Minas", pensamos em pedir à Vanessa para fazer um poema que retratasse Minas, São Francisco e a  EFA Tabocal. Isso aconteceu no final de uma tarde. No dia seguinte, logo pela manhã, ela nos encaminhou o poema pronto".

Momentos de compartilhamento da EFA Tabocal

A Vanessa tem muita facilidade para escrever. É uma menina que aprecia muito a leitura. Independente de qualquer coisa, ela lê de tudo. Muito inteligente, tranquila, como expressa no poema. Gosta muito de ajudar as pessoas. Na sala de aula, Vanessa faz questão de formar pequenos grupos de estudos onde ela pode dar assistência e ajudar seus colegas a entenderem melhor os conteúdos, sobretudo aqueles que têm maior dificuldades no aprendizado. Está sempre pronta para ajudar quem quer que seja.

Ela é tida como uma "biblioteca ambulante" que entende de tudo e ama escrever, expressar seus sentimentos, através da poesia. Assim como este poema, intitulado  "MINAS, UM SENTIMENTO", existem outros, também de sua autoria. 


"Essa é a nossa Vanessa Madureira que escolheu a EFA Tabocal para fazer o Curso Técnico em Agropecuária com a Pedagogia da Alternância, por se identificar com o campo, com as atividades rurais, onde vive com sua família. Menina simples, humilde, de um coração imenso e cheio de sonhos de uma vida intelectualmente realizada, para servir o maior número possível de pessoas", conclui a diretora Nilva.

Vanessa Madureira é filha de Conceir Damião Vieira e Vanusa Ferreira Madureira Vieira, residentes no povoado Travessão, no município de São Francisco, no norte de Minas Gerais. 

O Projeto Memórias de São Francisco registra que "Vanessa se projeta com luz própria: é uma escritora nata. Desde os onze anos ela se sentiu atraída pelas letras – escrever e ler – e desde então aventura-se pelo mundo mágico da literatura, escrevendo belíssimos poemas e crônicas. Passeia, de preferência, pelas crônicas e contos de Clarice Lispector e Machado de Assis, que admira. Ficou impressionada com a grande obra de Guimarães Rosa "Grande Sertão: Veredas" que, para compreender aquela linguagem criativa, leu o livro várias vezes.  E foram tantas, que decorou parte dele. E foi além no gosto pelos livros lendo obras de filósofos alemães.
Perguntei-lhe como se inspirava para escrever. Foi de uma simplicidade tamanha no seu explicar: “Escrevo porque necessito, por inspiração, pelo que tenho na cabeça, o momento”. Ela pretende escrever um romance de ficção, com inspiração na vida sertaneja, e crônicas para relatar o cotidiano.
O nome dela explodiu na rede (Face e WhatsApp) dias atrás quando a EFA postou um belíssimo vídeo, que tem como fundo o impressionante (pelo conteúdo e profundidade telúrica) que ela escreveu para homenagear os 300 anos de Minas Gerais. Foi um hino de louvor em que aparecem, com encanto, São Francisco, o rio; e São Francisco a cidade".



Veja video produzido pela Minas Gerais Turismo de Diamantina e alunos da Escola Família Agrícola de Tabocal, em São Francisco, com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas – SECULT.

https://www.instagram.com/tv/CITK7yhh3fF/?igshid=xos5qyphvsq8 

Leia e sinta o poema da Vanessa:

Minas, um sentimento

*Vanessa Madureira Vieira

Me pediram que, em poesia, eu falasse de um Estado,

 falar de sua cultura, sua tradição

e falar principalmente do sentimento

que é pertencer a essa região.

E poderia eu, em um repente, bem de repente,

expressar apressadamente o pertencer,

nunca querendo sair daqui,

 mas eu quero é lentamente.


E pertencendo, eu falo de Minas, o nosso Estado,

tão velho e cansado

 por isso, rico e lotado de cultura e tradição.

Se eu começasse a contar da ginga que a vó dança,

da folia que o velho avô cantou,

da saia de renda pra quadrilha que a tia costurou,

do milho que o seu pai plantou,

seria a poesia fresca e pura que nasce dentro de Minas,

 dentro de nós... nosso Estado.

Estado de alegria, o trabalho é todo dia

e o sofrimento do homem do campo acaba virando poesia,

pois quando seu Francisco deita cansado seu esforço é a valia.

 

Minas por ser Estado acaba sendo sentimento.

Ser mineiro é um segredo, não dá pra explicar,

tá no sotaque puxado, o jeito de conversar,

no tempero da comida, jeito bão de cozinhar,

é um trem no meio de tudo

e um negócio que a gente nunca sabe onde tá.


Volto a dizer, Minas é um sentimento, é um Pertencer,

não importa pra onde vai, vai desembestar querer correr,

voltar pro seu pai pra sua mãe pra terra velha que te viu crescer, 

terra velha que viu a história acontecer,

 viu o povo negro sofrer,

a senzala acorrentar não só o corpo,

 mas também a idéia de viver.

A história não nos deixa esquecer,

o ouro roubado, o sangue derramado,

pedras sobre pedra que construíram o Estado.

 

Minas tem de tudo,  pode até não ter mar,

mas não é um desafio

porque magnífico é o nosso Rei conhecido como Rio,

que tem nome  de Santo... 

Santa seja sua água.

O São Francisco é um mistério desde quando nasce

e corre menino,  quando deságua já é Velho Chico.

Aqui no Norte, banhada  pelo rio,

também  com nome de Santo também com nome de Rio

tem uma cidade.

E o povo ainda se lembra como se canta folia,

como o Boi  de Reis dança, como se gira uma quadrilha,

como em roda se recita uma poesia

e a cultura de plantar a terra

pra nunca ter barriga vazia.

 

Ainda nessa cidade,  banhada por um rio,

dentro desse Estado, que é um sentimento,

tem uma escola, onde se aprende um ensinamento

que é respeitar a terra e sua riqueza,

entender a beleza do respeito  à natureza.


A  EFA Tabocal sempre teve esse conceito,

como nosso Estado tão amado,

respeitar tudo que estiver ao nosso lado.

Não há  nada mais simples e singelo do que cultivar,

quando se planta a terra, se cultiva uma semente

ou um sentimento cultivando o verbo amar.

Tanto Estado quanto Cidade, quanto Escola,

mostra que a agricultura é a base de uma nação,

desde o pequeno plantio ou a grande produção,

se o homem do campo não planta  e enfrenta a luta contente,

não há pra onde correr, a cidade não vai pra frente.

 

Então, não é só uma poesia, é também uma gratidão

por todos que cultivando a terra que sustentam essa nação

e principalmente por aqueles que lutam pelo campo,

e ainda assim, têm forças pra lutar pela Educação.

*Vanessa Madureira Vieira tem 17 anos. É estudante do 2º ano de Técnico Agropecuária da Escola Família Agrícola- EFA de Tabocal, no município de São Francisco, no norte de Minas, à beira do rio São Francisco. Vanessa é moradora do povoado do Travessão, próximo à EFA, escola administrada por organizações de agricultores familiares.

Conheça mais sobre Vanessa Madureira:

  1. https://www.youtube.com/watch?v=-d5OjHnzUwohá 17 horas ... O SAL DA LÁGRIMA, POR VANESSA MADUREIRA VIEIRA POEMA: VANESSA MADUREIRA VIEIRA RECITAÇÃO: VANESSA MADUREIRA ...
  2. https://www.youtube.com/watch?v=3rlH70BptUshá 5 horas ... ENTREVISTA COM VANESSA MADUREIRA VIEIRA, AUTORA DO POEMA "O SAL DA LÁGRIMA" - 04/12/2020Entrevistador: Eduardo Leal de ...

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

A benzeção e a cura pelas plantas

AS PLANTAS E A BENZEÇÃO
Imagem se encontra na obra " Caminhos da Arte Popular: O Vale do Jequitinhonha" de Ângela Mascelani

Os jovens estudantes secundaristas da EFA apontam, de acordo com o Plano de Estudos, manifestações que ainda existem com certo vigor nas comunidades, e outras que, ao contrário, estão enfraquecendo ou já se extinguiram como as manifestações de pastorinhas, quadrilhas e brincadeiras infanto-juvenis.
Interessante notar que os jovens secundaristas, preocupados com as ameaças de extinção de algumas manifestações culturais, parecem motivados para resgatar as tradições, como é o caso do uso das plantas medicinais e as benzeções. Tal posição ficou evidente a partir de uma roda de conversa entre os universitários e os secundaristas da EFA que levaram amostras de plantas medicinais e discorreram sobre suas características.

Na continuidade das atividades, houve momentos, também, de conversas acerca do ato de "benzer" ou "rezar", como alguns ainda falam. Trata-se de um processo que pressupõe conexão espiritual por meio de orações e outros rituais, como com plantas, voltados para a cura. A benzeção está diretamente ligada a fé, independente da religião que a pessoa professe, e é comum na região do Vale Jequitinhonha, bem como em outros lugares do estado e até do país. Procurar a pessoa que reza para cuidar de um mal-estar, enfermidades, ou até mesmo quando se perde algo importante, é tradição na região que se recorra à benzeção. No ato de benzer em sim, os benzedores e benzedeiras usam sempre um objeto em suas mãos, seja ele um ramo de planta, uma fita, uma peça de ferro. Justificam que o objeto absorve a malignidade e favorece, assim, o equilíbrio do corpo e do espírito do benzido. Ainda, ao final do ritual, costuma-se recomendar chás e remédios alternativos, naturais, conservados em garrafas, homeopáticos ou fitoterápicos, sejam para beber ou passar no corpo. Assim, as plantas compõem o cenário destas práticas.
Ainda como atividade do TC, foi debatido também se a fé das pessoas está comprometida, o que, teoricamente, atrapalharia na preservação da tradição. Na trilha das crenças pessoais, os participantes foram levados a refletir sobre algumas questões. Perguntados sobre o que fariam se fossem acometidos por uma picada de uma cobra venenosa, 50% dos jovens presentes chamariam o SAMU. No entanto, 33% procuraria o rezador ou rezadeira. No debate sobre o ofício de benzedor/benzedeira poderia ser reconhecido como profissão, 75% consideram que não sob a justificativa de que se trata de uma dádiva, um dom, em que o(a) escolhido(a) não repassa para qualquer pessoa, da mesma forma que não se aprende. Entendem que há uma espiritualidade envolvida e que o benzedor ou benzedeira são predestinados. Os demais, sobre essa última questão, consideram sim o ato de benzer uma profissão, pois apesar do rezador (rezadeira) não ser remunerado(a), dedicam a vida inteira em ajudar o próximo, em um trabalho de muita responsabilidade.
Na continuidade das discussões, o tópico passou a ser a efetividade das plantas medicinais e os benefícios do remédio de farmácia. Nesse debate surgiram vários exemplos de efeitos curativos das plantas medicinais, mas compreendem que uma planta não consegue resultados emergenciais, com rapidez, enquanto o alopático atende melhor às emergências. Citaram exemplos como o de uma das estudantes que sofreu depressão e, apesar dos vários chás caseiros preparados pela mãe não melhorava. Por outro lado, a partir do momento que iniciou um tratamento alopático sentiu-se melhor.
Ao final dos debates propostos no encontro, nota-se que o interesse desses jovens em conhecer melhor as plantas medicinais - quanto ao uso, o cultivo e à manipulação - impressiona, bem como a curiosidade pelas tradições da benzeção. Embora divirjam-se no quesito de resolução imediata, demonstram muito respeito e consideração por aqueles que conduzem ensinamentos tão valiosos para as comunidades.
REFERÊNCIAS:
MASCELANI, Ângela. Caminhos da Arte Popular: O Vale do Jequitinhonha/Ângela Mascelani. Rio de Janeiro: Museu Casa do Pontal, 2008

Fonte:

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Mais de mil jovens do campo exigem mais recursos para Escolas Famílias Agrícola

Escolas Família Agrícola de Minas participam de audiência pública na Assembléia Legislativa.



21 Escolas Famílias Agrícolas, com 2.561 estudantes, exigem R$ 12 milhões de recursos públicos.

11 EFAs estão nos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e norte de Minas, regiões de baixo IDH.

Mais de mil representantes das escolas família agrícola (EFAs), entre estudantes e pais, cobraram, na tarde desta quarta-feira (14/6/17), em audiência pública da Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), mais recursos do Orçamento do Estado. O objetivo é amenizar os problemas na manutenção dessas unidades, como atrasos nos pagamentos dos funcionários, e fazer investimentos em infraestrutura e na ampliação da rede.


Mesa da Audiência Pública com presença de dois Secretários de Estado, um deputado federal e 4 estaduais, além de representantes da AMEFA, pais e estudantes. 

A audiência atendeu a requerimento do presidente da comissão, deputado estadual Doutor Jean Freire (PT), e aconteceu no Espaço Democrático José Aparecido de Oliveira, que ficou lotado com cerca mil estudantes de 21 escolas de todo o Estado. Os jovens começaram a chegar ao local ainda pela manhã e, empunhando faixas e cartazes em defesa desse modelo pedagógico e de protesto contra o Governo Federal, se revezaram em várias apresentações musicais e teatrais. Eles vieram de diversos municípios de Minas, conduzidos por 21 ônibus, um de cada escola.
Estudantes se orgulham da escola que frequentam.
Conforme foi reforçado ao longo da reunião, a maior esperança para pôr fim às dificuldades das EFAs é a implementação das sugestões de um grupo de trabalho constituído ainda em 2016, entre elas um plano de ação orçamentária que daria mais segurança e regularidade no repasse de recursos às escolas. Esse grupo ainda não concluiu seu trabalho, mas já teve seu prazo de funcionamento prorrogado.

O temor geral era de que, com as dificuldades financeiras do Estado, os repasses de 2017 estariam ameaçados, mas um acordo ao final da audiência, intermediado pelos deputados, teria afastado essa possibilidade.
Participam desse grupo de trabalho representantes da Associação Mineira das Escolas Família Agrícola (Amefa) e de várias instâncias do Executivo. Outro objetivo do grupo é apresentar uma proposta de adequação do Programa Estadual de Apoio Financeiro à Escola Família Agrícola, instituído pela Lei 14.614, ainda em 2003. Todas essas contribuições devem ser encaminhadas pelo Executivo à ALMG na forma de um plano estadual de educação rural, ainda sem data definida.
Precariedade no funcionamento das Escolas
Um resumo dos problemas enfrentados pelas EFAs foi feito pelo secretário-executivo da Amef, Isalino Firmino dos Santos. Segundo ele, muitas unidades, por funcionarem em condições precárias, vivem sob ameaça de fechamento, o que é contraditório. “O mesmo Estado que não cumpre seu papel de garantir educação de qualidade para todos não permite que a escola funcione em um casarão velho. Mas tem muita escola pública em condições até piores”, criticou.
Trabalho no campo e ações práticas são alternados com os estudos nas salas de aula.
Saiba mais sobre Escolas Família Agrícola
A Escola Família Agrícola (Efa) é uma experiência exemplar na educação para o jovem do campo e que se tornou vitoriosa no interior do Brasil. Em Minas já surgiram muitas delas, como instituições sem fins econômicos, formadas a partir da união de famílias de agricultores familiares e grupos afins, para oferecer uma experiência de educação apropriada aos seus filhos que permanecem no campo.
Este modelo de escola adota a Pedagogia da Alternância, que surgiu na França e chegou ao Brasil nos anos 1980, baseada na divisão dos estudantes em dois tempos e espaços letivos alternativos. A cada mês, eles passam duas semanas na escola e duas semanas na família e comunidade. 

A AMEFA é a entidade que congrega e representa as EFAs de toda Minas Gerais, desde 1992.
Existem hoje 21 unidades em Minas, que atendem, segundo a AMEFA, 2.561 alunos nos ensinos fundamental e médio, nos mesmos padrões da rede estadual. São escolas comunitárias, sem finalidade econômica, formadas a partir de uma associação de famílias de agricultores. Elas adotam uma linha pedagógica própria, a Pedagogia da Alternância, que surgiu na França. Como o nome sugere, alternam-se atividades na escola e no campo.
Também são oferecidos cursos técnicos agrícolas certificados pelo Ministério da Educação (MEC). O problema é garantir a viabilidade financeira sem um apoio maior do poder público. “Tem funcionário que até agora não viu um centavo pelo serviço que prestou no ano. Educador não trabalha sem salário e estudante não aprende sem alimentação”, queixou-se Isalino.


Antes da Audiência Pública, os estudantes cantavam e dançavam, em confraternização do encontro das escolas e puxavam seus gritos de lutas (Foto de Bruno Barbosa).

Mas, ao final da reunião, Isalino informou ter sido fechado um acordo entre os deputados e representantes do Executivo presentes na audiência para agilizar os repasses de recursos estaduais deste ano, com R$ 4,3 milhões a serem pagos às EFAs já na próxima semana. O restante dos recursos viriam no segundo semestre, em duas parcelas: a primeira de R$ 6,1 milhões e a segunda de R$ 1,5 milhão. 


Veja Video elaborado pela TV Assembléia:

tv_assembleia/videos/EFAs.e.o.desenvolvimento.rural.sustentável.
Descrição: As escolas, criadas por cooperativas familiares, oferecem atividades relacionadas ao dia a dia no campo, além dos ensinos fundamental e médio. Um ato público em apoio a essas escolas mobilizou agricultores, durante a manhã de quarta-feira (14.06).
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Mais da metade das Escolas Família Agrícola estão 
nos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e norte de Minas.
Das 21 Escolas Família Agrícola de Minas, 11 estão na região do norte e nordeste de Minas, em municípios de baixo IDHM -  Índice de Desenvolvimento Humano Municipal.

A Pedagogia da Alternância pegou bem nas terras do Vale do Jequitinhonha. Hoje, já são 7 EFAs funcionando. A primeira foi a da EFA de Jacaré, no município de Itinga, no Médio Jequitinhonha, no início da década de 90. Depois, foram surgindo outras: Araçuaí, Comercinho, Itaobim, Jequitinhonha, Veredinha e Virgem da Lapa. Portanto, são 5 EFAs no Médio Jequitinhonha, 01 no Baixo e 01 no Alto Jequitinhonha.

No Vale do Mucuri, surgiram as EFAs de Itaipé e Malacacheta. Uma nova unidade vem sendo implantada em Serra dos Aimorés, próximo a Nanuque.

As EFAs de Tabocal, no município de São Francisco, e de EFA Nova Esperança, em Taiobeiras, são as representantes do norte de Minas.

Depois do Vale do Jequitinhonha, a Zona da Mata tem sido o solo mais fértil da Pedagogia da Alternância, com 6 EFAs: Acaiaca, Araponga, Ervália, Jequeri, Sem Peixe e Simonésia. 

Outras regiões contam com uma EFA, em um município: no Vale do Rio Doce, Conceição de Ipanema; no Sul de Minas, Cruzília; no Noroeste, Natalândia; e no Campo das Vertentes, Catas Altas da Noruega.
Escola Família Agrícola Bontempo, em Itaobim, é uma das EFAs referência na educação no campo.
Governo de Minas garante que repasse está em dia e supera o da União
Há duas fontes principais de recursos para as EFAs. O principal é o programa estadual. O outro é o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Segundo o secretário adjunto de Estado de Educação, Wieland Silberschneider, para cada R$ 100 do Fundeb, o Estado repassa às EFAs R$ 133.
O secretário adjunto elogiou o modelo de ensino desenvolvido pelas EFAs e garantiu ainda que os repasses financeiros, por parte do Estado, estão em dia e vêm até crescendo na atual administração. “A escola família agrícola ocupa um espaço que a escola tradicional não consegue, e por isso tem merecido nossa atenção. Os alunos podem atestar essa melhora nos últimos dois anos”, apontou.
Segundo ele, foram R$ 4,3 milhões repassados pelo Estado às EFAs em 2014, valor que dobrou para R$ 8,6 milhões em 2015; depois subiu para R$ 9,4 milhões em 2016 e deve chegar neste ano a R$ 10 milhões. “Até 2014, era só uma lei estadual que garantia esses recursos. A lei federal que autorizou repasses do Fundeb é de 2015”, exemplificou. Segundo ele, normalmente o Estado repassa os recursos entre junho e agosto.

Porém, a AMEFA solicitou o aumento para R$ 12 milhões, em 2017, o que foi acordado com o Governo de Minas. Uma parcela já foi paga. A segunda parcela está prevista para a semana de 19 a 23.06.17.
EFA Tabocal, de São Francisco, no norte de Minas, esteve presente na Audiência Pública.
Governo e representantes das EFAs mantêm diálogo
O deputado Doutor Jean Freire, que coordenou os debates, garantiu que o Poder Executivo está aberto ao diálogo com os representantes das EFAs, que têm como maior mérito garantir a permanência das novas gerações de agricultores no campo. O deputado afirmou que a Pedagogia da Alternância só será implantada efetivamente com a estruturação das EFAs e com a garantia de recursos públicos suficientes para a formação dos jovens do campo. 
O deputado Padre João (PT-MG) falou da luta para a aprovação da lei 14.614/2003 que instituiu o Programa de Apoio Financeiro às Escolas Famílias Agrícolas , em Minas Gerais, com sua regulamentação só acontecendo em 2005. Padre João também levou a temática das EFAs para o Congresso Nacional. A Medida Provisória 562/2012 se transformou na Lei 12.695/2012 que garantiu recursos financeiros do FUNDEB para as EFAs.
O deputado acredita que nosso Governo de Minas não pode deixar de apoiar e garantir os recursos para as EFAs. E arrematou: “Educação no campo é direito, e não esmola”, puxando o coro dos estudantes.

Veja matéria jornalístca e video da Assembléia Legislativa:




Estudantes e professores da EFA Bontempo, de Itaobim.

Pedagogia da Alternância reforça a Agricultura familiar
Também presente a audiência, o secretário de Desenvolvimento Agrário, Neivaldo de Lima Virgílio, chamou a atenção para a importância que os movimentos sociais rurais e as iniciativas como as Efas, possuem para o equilibrio da sociedade; “Nós acreditamos na força dos pequenos agricultores, na força da agroecologia, das sementes criolas e das iniciativas criativas de trabalho em pequenas propriedades”, declarou o secretário.


Os estudantes da EFA Araçuaí estavam animados com a luta (Foto: Bruno Barbosa AMEFA Araçuaí)

Confira a animação da galera, abaixo:
 vídeo de Bruno Barbosa da EFA Araçuaí.

Para o 1º Secretário da ALMG, deputado Rogério Correia (PT), as Efas são uma experiência vitoriosa de estudos que permite ao aluno estar no ambiente escolar e também na agricultura: “ As causas das escolas agrícolas precisam de todo nosso apoio, pois elas sãouma experiência exitosa, que mostram a força que o trabalho comunitário tem na melhora da qualidade de vida das pessoas”, completou Rogério Correia.

André Quintão destacou que é de suma importância que os governos federal, estadual e municipal apoiem as Efas, pelo potencial de realização que elas apresentam. “Em Minas, o governo estadual quer garantir para as escolas família agrícola, toda a condição de remuneração, de infraestrutura e de permanência dos jovens na educação no campo”, finalizou o deputado.

Foto: Bruno Barbosa, EFA Araçuaí.

Com informações da ASCOM da ALMG e do deputado estadual Jean Freire e contribuições da AMEFA.

sábado, 12 de novembro de 2016

Governo inicia repasse de recursos do 2º semestre para Escolas Família Agrícola

Atualmente, Minas Gerais conta com 21 Escolas Família Agrícola que atendem, juntas, cerca de 1.880 alunos do Ensino Fundamental, do Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA). 

O Vale do Jequitinhonha conta com EFAs em Araçuaí, Comercinho, Itaipé, Itinga, Itaobim, Padre Paraíso, Veredinha e Virgem da Lapa.



Foto: arquivoGoverno inicia repasse de recursos do 2º semestre para Escolas Família Agrícola
EFA do Jacaré, no município de Itinga 

A Secretaria de Estado de Educação (SEE) iniciou o repasse do recurso financeiro destinado ao pagamento do segundo semestre das bolsas dos estudantes que participam do Programa de Apoio às Escolas Família Agrícola (EFA) do Estado de Minas Gerais.
 O recurso é repassado em duas parcelas, sendo uma referente ao primeiro semestre e, a outra, ao segundo. Ao todo, em 2016, a SEE irá repassar às EFAs R$ 9.447.485,04, sendo R$ 4.924.181,10 no segundo semestre.  
EFA Bontempo, em Itaobim
EFA Bontempo, em Itaobim
​A Escola Família Agrícola é uma Escola Comunitária, sem finalidade econômica, formada a partir de uma associação de famílias de agricultores familiares, instituições e/ou pessoas afins que, organizadas, a criam para oferecer educação apropriada aos seus filhos.
Atualmente, Minas Gerais conta com 21 Escolas Família Agrícola que atendem, juntas, cerca de 1.880 alunos do Ensino Fundamental, do Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Repasse de recurso

EFA Araçuai
EFA Araçuai

O Programa de Apoio Financeiro à Escola Família Agrícola do Estado de Minas Gerais foi instituído pela Lei 14.614, de 31 de março de 2003.

O programa visa beneficiar as escolas que são gerenciadas por uma associação autônoma, composta de pais, pessoas e entidades comprometidas com o desenvolvimento da agricultura familiar; que oferecem cursos gratuitos de Ensino Fundamental e Ensino Médio, com educação profissional; que aplicam o método pedagógico da alternância; e que têm como objetivo a formação integral do aluno, com a transmissão, inclusive, dos conceitos e conteúdos do desenvolvimento sustentável.

A escola que atende às determinações da Lei e entrega a documentação correta dos alunos para a SEE recebe uma bolsa que é calculada a partir da per capita do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).


Pedagogia da alternância


O objetivo das EFAs é levar a educação especializada a localidades isoladas no meio rural. Elas são administradas pelas cooperativas familiares dos agricultores e oferecem o Ensino Fundamental e o Ensino Médio nos mesmos moldes das escolas estaduais. Além disso, incluem na grade curricular atividades relacionadas ao dia a dia no campo, como acompanhamento da safra, plantio sustentável, colheita, uso adequado de agrotóxicos, entre outros temas. Também são oferecidos cursos técnicos agrícolas certificados pelo Ministério da Educação (MEC).
Fonte: Agência de Minas

terça-feira, 8 de abril de 2014

Atentado em escola motiva audiência pública em Itinga

Comissões vão cobrar investigação de tentativa de homícidio de professores de escola família agrícola no Jequitinhonha.


Debater as providências tomadas em relação ao atentado contra os coordenadores da Escola Família Agrícola de Jacaré, em Itinga (Vale do Jequitinhonha), ocorrido em 1º de abril de 2013. Esse é o objetivo da reunião que as Comissões de Direitos Humanos e de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizam na sexta-feira (11/4/14) nesse município. 
A reunião será na própria escola, situada na Rua das Flores s/nº - Jacaré, zona rual de Itinga.
O autor do requerimento para a audiência é o deputado André Quintão (PT), presidente da Comissão de Participação Popular, que foi provocado por membros da própria escola e da Associação Mineira das Escolas Família Agrícola. Também assinam o documento solicitando a reunião: o Instituto de Direitos Humanos, o Núcleo de Atendimento a Vitimas de Crimes Violentos e o Programa Estadual de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos.
As entidades reivindicam medidas no sentido de garantir a devida investigação e a punição dos autores do crime, além de ações pela recuperação das vítimas Adair da Silva Santos e Noessandro Gonçalves Freire. Os representantes reivindicam ainda assistência para todas as famílias de estudantes e de funcionários da escola.
Adair e Noessandro, que também são educadores na escola, relatam que, na noite do atentado, um homem de moto e com capacete disparou um tiro de espingarda contra eles, que estavam no pátio central da instituição. Os dois coordenadores foram atingidos nas costas, sofrendo perfuração perto da clavícula.
De acordo com documentos encaminhados ao gabinete do deputado André Quintão, apesar do abalo físico e emocional, Adair e Noessandro estão se recuperando. Após a tentativa de homicídio, ambos foram incluídos no Programa de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos. Os dois também têm sido acompanhados pelo Núcleo de Atendimento a Vitimas de Crimes Violentos. Segundo a Escola Família Agrícola de Jacaré, o atentado abalou a continuidade dos trabalhos da instituição, pois Adair e Noessandro não puderam retomar as aulas em razão do medo gerado nos alunos.
Os convidados para a reunião conjunta são: o deputado federal Padre João (PT-MG); o chefe da Polícia Civil, Cylton Brandão da Matta; as delegadas de polícia Maria Aparecida Motta Martins e Ana Paula Lamego Balbino; o promotor Leonardo Morroni Araújo de Mello; a coordenadora do Programa Estadual de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos, Maria Emília da Silva; o secretário executivo da Associação Mineira das Escolas Família Agrícola, Idalino Firmino dos Santos; e o coordenador interino da Escola Família Agrícola de Jacaré, Geraldo Márcio Jardim.