quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Ser jovem é ser diferente, ser muitos num só corpo e mente

Juventude, juventudes.
Tem tanto tipo de jovens. Acho que tem mais de uma juventude.Descobri um tantão assim, variado. Eu mesmo, sou muitos. Não sou um só não. Uma salada, de muitos gostos, muitas cores.

Às vezes, maduro, adulto, revolucionário, guerrilheiro, criativo, acomodado, inquieto, sonhador. Conservador, medroso, amante, atirado, irado, heróis de si mesmo, querendo ser das mina e da sua galera, deprê.

Os ricos, os trabalhadores. Uns ralando, outros só curtindo a riqueza que o outro cria. Meus grandes amigos tão tudo no interior de Sumpaulo. Corte de cana, no café, queimando o pé na areia quente, vendendo na praia. Fim de ano, chega tudo aí com motos, zuando, com grana, com gana. Largou os estudos, sonho do canudo, de ter tudo. Quer ter logo. A hora é agora.
Uns desengonçados, tentando equilibrar no corpo que ainda não é seu. Cresceu duma vez. Estirão. Acha que naum parava mais de crescer. Ficou com medo do tamanho das pernas. Pensou até em cutucar estrelas.

Descobri o amor, o sexo, sem nexo, complexo. Cheio de X, cruzamentos, sentimentos.
Viver em grupos, zoando, criticando a todos, depreciando, donos do pedaço e do mundo. 

Ser jovem é arrumar tudo a seu jeito: no falar, vestir, provocar, namorar. Nosso jeito de namorar é bem diferente dos coroas. Pegar na mão pra eles era o mesmo que transar.

Ser jovem é ser diferente, ser muitos num só corpo e mente.

Estudar? É um saco. Fala sério, ô pai! Vou à escola porque vc quer, eu não quero. Aliás, quero ir pra ver minha galera, minha gang, meus manos. Tá ligado? Professor tudo é um saco. Acha que é pai ou mãe da gente, e consegue ser mais chato, cara.
Trabalhar, então. Tô fora. Vc q me pôs no mundo, se vira. Não pedi pra nascer. Também não sabia falar.

Meu pai, minha mãe, se chateiam. Onde foi que eu errei? Que que esse menino viu? Só pode ser as companhias. Ele não aprendeu isso aqui em casa. Depois, matuto: se naum estudar vou pro podão da cana, acabar com minha saúde. E por pouco tempo. Esse serviço vai acabar logo. A modernização chegou e mandou o povo de volta pra casa, pra rocinha dele, cá.

Meu pai, minha mãe. Os dois querem meu bem e fico aí botando os véio pra baixo. Eu tb quero o bem dos dois. Eles não me entendem, nem eu entendo eles. A gente fica numa queda de braço das brava.


Quero tudo pronto, na minha mão, do jeito que eu quero. Mas, diferente, manja? do jeito que vou mudar, não sei inda como, mas que tem ser diferente. Meu mundo é meu, sacou? Naum pode ser de outras gerações.

Os tiozão querem comandar nosso traçado. Os veio naum abre mão, nem pé, de fazer meu caminho. Ora, quem anda no mesmo caminho, chega sempre no mesmo lugar. Vou procurar o atalho, a viagem, a fantasia do meu horizonte.
Eles sempre mandaram no mundo e naum aceitam dividir não.


As outras gerações são tudo caretas. Quero mandar uma legal lá em casa com minha mina e sou tramelado. Tou ficando. Naum quero ir. Quero descobrir o amor de verdade, o amor que me completa. Cá pra nós, ninguém é tudo, cheio, redondo, pleno, né mermo?

Sexo naum tem coisa melhor. Mas dá um trabalho. Ou medo do que vem depois, nè? Podia ser mais simples. A hora da vontade vou lá, pimba! Se eu não cuidei com a camisinha, vou atrás da retrô, da do dia seguinte. Ou esqueço e fico torcendo pra naum sujar, dar BO, naum entrar areia.

Na net, vou de tudo: msn, skype, face, blog, twitter, instagram, whatsapp, email. É inteiro, indo aos pedaços. Tropeçando. O pior, o virtual é quase real. Bem perto, muito longe. O tempo e a distância se acasalaram. Misturou tudo. É um estica e puxa.
Tou tateando, descobrindo caminhos, aprumando o corpo, engrossando a voz, achando rumos, apurando conquistas. É por aí.

Caminho se faz no caminhar, afastando pedras, plantando flores e sonhos. Quebrando espinhos, espremendo espinhas, colhendo frutos e amor.

Vida, é isso aí.

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