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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Ora-pro-nóbis: a carne de pobre de mil benefícios pra saúde

Os benefícios do ora-pro-nóbis para a saúde

Veja para que serve essa planta consagrada por seus atributos 

nutricionais e culinários.

No princípio era o estado de Minas Gerais. Em tempos de colônia, o ora-pro-nóbis, planta de nome científico Pereskia aculeata, frequentava as mesas dessa região, especialmente das chamadas cidades históricas que foram povoadas no ciclo do ouro. Nos últimos anos, sua fama se esparramou, inclusive pelos benefícios para a saúde.
Vem do Sul uma revisão de estudos que confirma sua riqueza nutricional. “A espécie oferece minerais como manganês, magnésio, ferro, cálcio, além de vitamina C e fibras”, enumera a pesquisadora Larissa Wainstein Silva, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Santa Catarina. Um arranjo protetor da imunidade. Outros trabalhos revelam ainda uma grande quantidade de compostos fenólicos que resguardam as artérias.
Seu teor proteico, porém, sempre foi o mais alardeado. “Ele pode concentrar de 17 a 32% de proteína em matéria seca”, quantifica o engenheiro-agrônomo Nuno Rodrigo Madeira, da Embrapa Hortaliças, no Distrito Federal. Essa exorbitância inspirou a criação de um tipo de farinha que enriquece bolos, pães e massas, deixando as receitas com um tom esverdeado.
Desconfia-se também que tanta fartura esteja por trás de um de seus mais antigos apelidos: carne de pobre. Relatos dão conta de que, na falta de um filé no prato, o povo menos favorecido recorria ao alimento para suprir a necessidade do nutriente.
É certo que as folhas frescas não valem por um bife, mas são muito bem-vindas. “Trata-se de um ingrediente que promove a nossa biodiversidade e que pode colaborar para o combate à monotonia alimentar”, avalia o nutricionista José Divino Lopes Filho, da Universidade Federal de Minas Gerais.
Realmente é um sacrilégio priorizar hortaliças vindas de outros continentes diante de uma opção nativa, abundante, deliciosa e que carrega tanta história.

Para que serve o ora-pro-nóbis, das flores ao broto

Flores: elas também são comestíveis e colaboram na finalização de pratos. Além disso, atraem abelhas e se fazem essenciais para a produção de mel.
Fruta: a coloração alaranjada denuncia a presença de betacaroteno, substância aclamada pela ação antioxidante. É matéria-prima de geleias, sucos, licores, compotas…
Broto: cheio de fibras, o talinho, que muitos chamam de ponteira, é a parte jovem do ora-pro-nóbis e lembra o aspargo. Crocante, costuma ser degustado cru.

De cerca viva a alimento

A Pereskia aculeata é considerada parte do time das plantas alimentícias não convencionais, as chamadas Pancs. A nutricionista Irany Arteche, de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, é uma das responsáveis por cunhar a sigla. “Mas, no caso do ora-pro-nóbis, o P pode ser sinônimo de Patrimônio”, brinca.
“Como ele não está inserido nas cadeias produtivas, é raro encontrá-lo em feiras e supermercados”, avisa Madeira, um dos grandes entusiastas da espécie. Embora haja um movimento pela sua valorização na cozinha, ele segue sendo bastante utilizado exclusivamente como cerca viva nos quintais Brasil afora.
Inclusive, antigamente, as igrejas mineiras contavam com essa proteção natural. Graças à altura de seus arbustos — que alcançam até 10 metros de altura — e a presença de espinhos, a planta ajudava a impedir a entrada de intrusos na hora da missa.
Essa relação eclesiástica explica a origem de seu nome. Ora-pro-nóbis significa “rogai por nós” e fazia parte de orações dirigidas a Nossa Senhora. Há relatos de que alguns fiéis costumavam devorar a “cerca” durante os intermináveis sermões proferidos em latim, tão recorrentes no passado.
A nutricionista Andrea Matias, professora da Universidade Mackenzie, em São Paulo, e integrante do projeto Biodiversidade para Alimentação e Nutrição (BFN), iniciativa que visa ampliar o consumo de alimentos brasileiros, conta que a espécie também é chamada de outras maneiras. “Muitos não conseguiam pronunciar o latim, assim surgiram derivações como lobrobó, orabrobó, entre outros”, conta.
Historiadores dizem que os padres não só foram os responsáveis por batizar a espécie como auxiliaram na sua disseminação para outros cantos por meio de viagens — eles inclusive teriam ensinado receitas com o alimento. Será obra de um sacerdote a tradicional mistura da planta com angu de fubá ou costelinha de porco? Vai saber…

Como plantar e cultivar ora-pro-nóbis

Onde achar: a muda não é comercializada em centros convencionais. A solução é procurar em viveiros e até em feiras de produtos orgânicos.
Dê apoio: escolha vasos grandes e apoie a espécie com estacas enfiadas na terra. Por ser uma trepadeira, ela necessita desse sustento.
Banho de sol: como é da família dos cactos, o ora-pro-nóbis precisa de luz solar. Em apartamentos, aconselha-se deixá-lo próximo a janelas.
Nada de encharcar: em ambiente externo, o ideal é plantar na primavera por causa das chuvas. Quanto à rega, não abuse — mas jamais deixe a terra seca.
Tempo de colher: em geral, a primeira colheita das folhas ocorre 120 dias depois do plantio. Daí é só fazer experimentações na cozinha.
A manutenção: para que não cresça demais, realize podas, em média, a cada dois meses. Use luvas ao manusear a planta, já que ela tem espinhos.

    Festival de sabores e receitas
Na cidade mineira de Sabará, há um festival dedicado especialmente à planta — ele ocorre há mais de duas décadas. Durante três dias, geralmente no mês de maio, milhares de pessoas se reúnem para ouvir música e, claro, comer muitas delícias feitas com a matéria-prima sacralizada. “Resgatar ingredientes e saberes antigos, que caíram em desuso, ajuda a ampliar a oferta desses alimentos no dia a dia”, defende Irany.
Sem contar que é um delicioso convite para testar e conhecer receitas. “O gosto neutro do ora-pro-nóbis confere versatilidade culinária e garante sua presença em pratos diversos”, comenta uma grande fã da espécie, a médica Marcela Voris, da Associação Brasileira de Nutrologia.
Desde saladas até refogados, passando por sopas, molhos, doces e farofas, o ora-pró-nobis percorre a cozinha de acordo com a criatividade do mestre-cuca — cabe ressaltar que combina com todos os tipos de ervas e temperos.
Das folhas suculentas destaca-se um tipo de mucilagem, substância que, além de dar aquela força ao funcionamento do intestino, atua na consistência das preparações culinárias. Por isso, anda despertando o interesse da indústria alimentícia. Trata-se de um dos agentes por trás da viscosidade que surge quando o vegetal vai ao fogo, engrossando cozidos e ensopados.
Eloi Moreira, chef de cozinha de Belo Horizonte, revela um truque aos que não gostam do líquido “quiabento”. “Para atenuar essa baba, basta acrescentar gotas de limão”, ensina.
Outra estratégia é manter a folha inteira, sem picar. E pode mandar para a panela sem medo de acabar com suas benesses. “A maioria dos nutrientes encontrados na espécie se mantém. Há poucas perdas”, garante Irany.
Só não pode cometer o pecado de esquecer o vegetal cozinhando. “A sugestão é incluir ao final do preparo dos pratos e deixar alguns minutinhos para garantir sua textura”, sugere Moreira.
Se você ainda não provou o ora-pro-nóbis, saiba que está perdendo uma experiência celestial.

Dicas de preparo nas receitas

Ao natural: as folhas suculentas podem entrar cruas em saladas. Misture com outras verduras nacionais, caso da major-gomes e da beldroega.
Cozida: compõe receitas de refogados, omeletes, caldos e acompanha costelinha de porco, frango caipira e outras carnes.
Farinha: leve as folhas ao forno e asse, em fogo baixo, por cerca de uma hora ou até secarem. Triture-as. Vai bem em bolos, pães, pizzas…
Molhos: o chef mineiro Eloi Moreira criou um molho pesto com ora-pro-nóbis e castanha-do-pará. A planta ainda dá um toque especial a vinagretes.
    Poderes fora da cozinha
Não bastasse sua tradição culinária, o ora-pro-nóbis sempre foi utilizado como um tipo de unguento para aliviar feridas e outras encrencas da pele.
A antiga aplicação medicinal deu as pistas para a pesquisa do farmacêutico Nícolas de Castro Campos Pinto, da Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais. “Identificamos substâncias de efeito anti-inflamatório nas folhas da espécie”, explica.
Além de impedirem a inflamação, os compostos químicos extraídos da planta são capazes de favorecer a cicatrização e a produção de colágeno. “Desenvolvemos um creme que está em fase de testes”, revela o pesquisador.

domingo, 5 de janeiro de 2020

Pequi tem cheiro de festa e renda

Para superar a seca e a falta de trabalho, comunidades rurais do Norte de Minas apostam no pequi, um fruto do cerrado, que ganha cada vez mais consumidores pelo país. A fruta retirada do quintal gera renda e auxilia na preservação do meio ambiente.


Foto: Dione Afonso
Na comunidade rural Sambaíba, em Januária, os produtores rurais aliam o extrativismo com a consciência ambiental. Proteger córregos e rios e preservar as árvores frutíferas do cerrado são algumas das medidas adotadas pelas 300 famílias que participam do projeto de divulgação do pequi no Estado.
No pequeno centro de beneficiamento, mulheres da comunidade são responsáveis pelo manuseio do fruto, que vai desde a retirada da polpa até a venda do pequi beneficiado. “Fazemos a retirada do fruto da cabaça, higienizamos e cozinhamos. Daqui o pequi vai direto para a mesa do consumidor”, disse a produtora rural Sercina Lopes de Araújo, de 53 anos.
A receita tradicional de “arroz com pequi” deu espaço a novas iguarias. Farinha, conservas, licores, óleo e até sabão são alguns dos itens vendidos pelos cooperados. “Descobrimos que do pequi podemos extrair várias coisas”, disse o presidente da Associação dos Usuários da Sub-bacia do Rio dos Pochos, José Geraldo Ribeiro Matos.
As comunidades também apostam em novas receitas, como tortas, doces e bolos. “Ainda estamos em fase de teste”, completou a produtora rural Jucelina da Mota Almeida, de 57 anos.
Há nove anos, 186 famílias de Japonvar são responsáveis pela comercialização do pequi em Minas e em São Paulo e Goiás. “Até na merenda escolar nosso pequi está presente. A criançada gosta porque está acostumada a comer em casa”, disse o presidente da Cooperativa de Produtores Rurais e Catadores de Pequi, Josué Barbosa de Araújo.
A produção de pequi movimenta a economia da cidade de 8.822 habitantes. “O pequi gera trabalho, movimenta o turismo e auxilia na preservação da tradição do Norte de Minas”, disse o secretário municipal de Agropecuária, José Afonso Pereira de Aquino.
Para se ter uma ideia da dimensão da produção, no ano passado, apenas a cidade de Japonvar escoou uma média de 10 toneladas do fruto. Neste ano, no auge da produção, a prefeitura contabiliza 15 toneladas do fruto in natura.
Castanha será subproduto da fruta
Um desafio dos produtores rurais é tornar o pequi atrativo para todos os paladares. O fruto, que é conhecido pelo forte aroma, chega de forma tímida a regiões em que é pouco conhecido.
Para conquistar mais apreciadores, o Departamento de Biologia da Unimontes está criando a castanha do pequi. Assim como a castanha de caju, o produto beneficiado do pequi possui alto valor nutricional e maior volume de óleo, conforme estudos da universidade.
De acordo com o professor Sérgio Avelino Nobre, para que a castanha ganhe mercado é preciso garantir maior durabilidade dela. “Estudamos a melhor forma de extrair a água da castanha. Com isso, o produto poderá ser fornecido para outras localidades”, disse. A castanha do pequi é extraída do embrião do fruto presente na semente.
Visibilidade
A capacitação por meio de parcerias com universidades e entidades de classe está auxiliando as comunidades no aperfeiçoamento da produção e na ampliação nas vendas do pequi. “Assim, o produto ganha uma visibilidade maior, o que ultrapassa as fronteiras de Minas”, disse o professor.
E, para isso, membros do Conselho Pró-Pequi, uma entidade civil que auxilia os produtores rurais, querem conquistar uma espécie de selo geográfico. Com ele, o pequi terá uma identificação de origem que comprova a qualidade do produto. A ideia é a de que o fruto seja conhecido como “Pequi do Norte de Minas”, assim como acontece com o queijo Canastra ou a cachaça de Salinas.
Safra de dezembro a março garante farra
O início da safra, entre dezembro e março, é marcado também por festejos e trabalhos nas comunidades do Norte de Minas. Em Montes Claros, a Festa Nacional do Pequi reúne uma média de 35 mil pessoas durante os cinco dias do evento, conforme a Secretaria Municipal de Cultura.
O principal atrativo está nos pratos que valorizam o sabor do pequi. “É, na verdade, uma oportunidade para o produtor rural colocar em evidência as receitas tradicionais de família. É uma forma de manter a tradição viva no Norte de Minas”, disse o secretário Carlos Roberto Borges Muniz.
E foi de uma brincadeira entre amigos durante o festival que surgiu outro evento que tem o mais famoso fruto do cerrado como prato principal. “Após participar de um concurso culinário em que foi premiada, a receita ganhou tanta repercussão entre amigos e parentes que acabou virando festa”, contou a jornalista Felicidade Tupinambá.
Há 14 anos, a Festa do Pequi, como é conhecida na região, preserva o sabor tradicional da iguaria, com o diferencial de trazer a polpa fora da semente. “Quem não é do Norte de Minas não sabe roer o pequi. Acho que isso torna a receita mais gostosa”, brincou a jornalista.
Fonte: Jornal Hoje em Dia

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Expedição Vale do Jequitinhonha: Ser-tão Vale do Jequitinhonha

 

QUARTO DIA

Caminhos por Minas Novas, Chapada do Norte, Berilo e Virgem da Lapa.

31/12/16 - 21H15
Do Alto para o Médio Jequitinhonha muitas coisas vão mudando. A vegetação vai se tornando menos verde, o sol endurece, as estradas de terra se ampliam e pioram e a dificuldade do povo parece aumentar. Ao mesmo tempo, a simpatia e acolhimento das pessoas também parece crescer proporcionalmente à dureza de suas vidas.
Como tínhamos muito chão de terra pela frente (no total cerca de 60 km) não deu para ficar o tempo que queríamos em cada cidade que passamos. Mas ainda assim conseguimos pegar umas coisas interessantes.
Em Minas Novas, o Sobradão das janelas e portas azuis, do qual tanto já ouvimos falar – inclusive como sendo o primeiro arranha-céu de Minas Gerais – frustrou nossas expectativas por estar abandonado, com rebocos soltos e o aspecto desagradável. Segundo apuramos com moradores, já está correndo a licitação para reforma do Sobrado. Compramos alguns artesanatos de barro, observamos e fotografamos o prédio e a igreja octogonal de São José e seguimos viagem.
A primeira igreja aberta de toda a viagem encontramos em Chapada do Norte, uma capela de Nossa Senhora do Rosário que repete a simpatia, beleza e simplicidade da população e da cidade.
Ainda antes de Chapada, paramos para conversar com o Mestre Zé do Ponto, que faz bancos, redes, tambores e outros objetos com madeira. Os problemas relatados por ele sobre viver do artesanato é semelhante ao que escutamos das outras artesãs que visitamos: a venda é espaçada, é cada vez mais difícil viver exclusivamente do artesanato e falta apoio dos governos sobretudo para a logística de comercialização.
Seguindo adiante paramos em Berilo para almoçar. Já era 13h30 e após rodar um pouco vimos aberto e cheio o Bar Monte Carlo. Só havia farofa e arroz, mas como não encontraríamos outro local, resolvemos topar. Perguntamos o valor e o Seu Ailson disse simplesmente: “pode servir”. Enquanto comíamos, nos trouxe carne de churrasco. Quando fomos pagar, a boa surpresa: em todo dia 31 de dezembro ele serve comida de graça para seus fregueses! Por sorte, viramos fregueses nesse dia e ele ainda lamentou que havíamos chegado tarde e então já não tinha muito churrasco para oferecer. Sem querer, lidamos com essa interessante, bondosa e prazerosa oferta no meio das terras do Vale do Jequitinhonha.
Terra adentro, passamos uma agradável tarde em Virgem da Lapa, na casa de Dona Luzia e Seu Nivaldo Prates, velhos conhecidos da família de meus sogros. E pela simplicidade, aconhechego e lotação, o mercado da cidade nos chamou a atenção.
A noite, chegamos em Araçuaí a tempo de tomar uma cerveja na famosa venda de Seu Lidirico. Como aqui tem muita coisa, provavelmente ficaremos até o dia 2.
Direto dessa cidade maravilhosa, desejamos um feliz 2017 a todos e brindamos por todas as pessoas, histórias e vidas deste rico Vale do Jequitinhonha!
Fonte: OTEMPO / Blog Expedição Jequitinhonha

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

É tempo de pequi!

Pequi: macio, espinhento, afrodisíaco, fedorento e gostoso

Pequi, o rei do Cerrado
Macio, espinhento, afrodisíaco e gostoso
Cheiroso ou fedorento? Depende do roedor de pequi e das narinas atentas.
O pequi é um fruto que ninguém tem sentimentos meia-tigela com ele. Ou adora ou detesta. "Ame-o ou deixe-o", se possível num prato à mão, defende os apreciadores.
Quem não gosta reclama do cheiro, dos espinhos, da falta de educação à mesa, comendo com os dedos lambuzados daquele óleo amarelo avermelhado, brilhante.Em dezembro/janeiro, as ruas de Montes Claros e cidades do norte de Minas e Vale do Jequitinhonha são perfumadas, - pra nós que gostamos-. com o odor embriagante deste amarelão querido e adorado. É uma verdadeira denúncia da intimidade dos lares cheios de cadeados e muros altos. Até nos condomínios fechados o cheiro grita nos nossos narizes.

No Vale do Jequitinhonha, as feiras são invadidas com os gritos: "Olha o pequi de Montsclaro". Metido a conhecedor, consumidor ferrenho, sem medo dos espinhos, questiono: "Não é de daqui perto mesmo, da Chapadão do Lamarão? Tá com pouca carne...". O vendedor arregala o olho e diz:"Deixa pra lá, Banu. Pequi daqui é tudo assim mesmo, magrim,magrim... Mas é gostoso, pode levar!"E lá vou eu com um saco de pequi, pensando nos carnudos de Lontra, no norte de Minas, terra do meu amigo Luis Carlos Gusmão, o Lunga, jornalista de sangue no olho. Ou nos de Japonvar, também no norte, a verdadeira capital mundial do pequi.
Montes Claros ganha no marketing e no comércio da fruta do cerrado. Igualzinho Teófilo Otoni que vende as pedras preciosas do Vale do Jequitinhonha e leva a fama de solo produtor de belezas raras.O pequi exerce uma magia no povo do cerrado e da caatinga. Tem homem que acha que dá no couro roendo uma dúzia de caroços, como se @ frut@ milagros@ fizesse marcar 12 horas, num estalo.
O pequi, segundo os livros escolares
O pequi, fruto do pequizeiro, é nativo do cerrado brasileiro. É muito utilizado na culinária da região Nordeste, Centro Oeste e norte de Minas Gerais. De sabor marcante e peculiar, o pequi é consumido cozido, puro ou misturado com arroz, frango, carne de sol.
Da polpa pode se extrair também o azeite de pequi, um óleo usado para condimento e na fabricação de licores. Na língua indígena, pequi significa “casca espinhenta”.

De cor verde, quando maduro, possui em seu interior um caroço revestido por uma polpa macia e amarela, a parte comestível.O consumo do pequi requer cuidado, em razão dos inúmeros e minúsculos espinhos encontrados debaixo da polpa. Assim, é indicado que se roa o caroço, lentamente, ao invés de mordê-lo.O pequi pertence à família das cariocáceas, pode ser encontrado em toda a região Centro Oeste (considerada a capital da fruta), nos estados de Rondônia, Minas Gerais, Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí, Bahia e Ceará, visto que somente em Goiás podem ser encontradas todas as espécies. A frutificação ocorre entre os meses de setembro e fevereiro.

O pequi faz parte da culinária goiana há séculos, desde o início do século XVIII, nas antigas vilas de Meia Ponte (hoje Pirenópolis), e Vila Boa (cidade de Goiás). Por ser rico em óleo insaturado, vitaminas A, C e E; fósforo, potássio, magnésio e carotenóides; sua ingestão previne tumores, problemas cardiovasculares e evitam a formação de radicais livres.
Informação importante: uma unidade de pequi (aproximadamente 50g) possui 40 calorias.

Pequi, o rei do Cerrado, vaticina o violeiro, cantador e pesquisador da "Universidade da Natura", Téo Azevedo, de Alto Belo, em Bocaiúva, no norte de Minas.

Post publicado em 2009, 2011 e 2014, neste Blog, nos janeiros e dezembros. 

sábado, 13 de julho de 2013

Araçuaí: Do Vale para Paris, da cozinha do Jequitinhonha para professora de culinária na França

Conheça a mineira de Araçuaí que de doméstica se tornou chefe de cozinha em Paris


Ana Ribeiro veio de Minas. 
Será possível fazer uma carreira de sucesso trabalhando como doméstica?
Foto: Divulgação
Dos fogões à lenha da cidade de Araçuaí, Ana chegou às cozinhas mais chiques da França. De empregada doméstica a chef de cuisine.

“É um voo e tanto, do Vale do Jequitinhonha para Paris”, comenta a repórter Isabela Assumpção.

Uma caminhada vitoriosa, que começou ainda menina. Órfã, aos 7 anos, foi criada na casa onde a mãe trabalhou como doméstica.

Globo Repórter: Mas você ficou como filha da família ou como empregada?
Ana Ribeiro, chef de cuisine: No início é engraçado, porque só depois que você cresce, que você tem entendimento da vida você sabe que você é só um agregado  daquela família.

Globo Repórter: Você não fazia comida de boneca, você fazia comida de verdade?

Ana Ribeiro: Comida de verdade mesmo. Eu não tive muito adolescência ou infância pra brincar. Eu tive uma infância pra cozinhar mesmo, pra trabalhar na casa.

Ana mudou de vida. Reescreveu sua história, através dos livros. “Eu tenho uma gana, uma vontade de aprender sempre”, conta.

Mas, para estudar, ela tinha que deixar tudo arrumadinho. “Eu tive que barganhar muita coisa. Por exemplo, eu tinha que deixar o jantar pronto, eu tinha que torrar o café antes, eu tinha que fazer os biscoitos”, lembra.

A vida era de doméstica, mas o sonho era muito maior. “Eu sempre me vi no Rio de Janeiro. Cristo Redentor. Tudo que falava em Rio de Janeiro era aquilo que me movia. Então. Eu falei: ‘eu vou sim’”, revela.

E ela veio. Trabalhava na casa de amigos mineiros, que tinham vindo morar na cidade maravilhosa. “E aí nessa época, eu me lembro que teve o boom dos congelados. E aí eu comecei a fazer congelados para outras pessoas”, lembra.

Um dia, Ana viu no jornal o anúncio de um curso de culinária italiana. Mas não tinha como pagar a inscrição. “‘Infelizmente eu não vou poder pagar’. Aí a pessoa do outro lado me fala assim: ‘a gente está precisando de alguém para ajudar. Você não quer?’. Tudo conspirando. ‘Você não quer?’. ‘Posso?’. ‘Pode’”, diz.

E Ana foi parar no restaurante de um dos hotéis mais famosos do Rio de Janeiro: além de contratada ganhou um superprêmio. “Foi um prêmio que eu ganhei pelo próprio hotel de ficar 40 dias lá na França. Fiquei com Paul Bocuse. Foi uma experiência maravilhosa, tudo pago pelo hotel. Então, eu fiquei assim muito feliz”, afirma.

O hotel funcionava em um prédio na Praia de Copacabana.

Globo Repórter: Nunca tinha havido uma chef de cozinha mulher lá?

Ana Ribeiro: Não. Até então eu nem sabia disso. Mais precisamente, quando eu cheguei ao Rio vindo da Ilha do Governador, você vê que tudo conspira. Nunca esqueço, eu peguei o ônibus 472, desci na Central. Ele faz aquele contorno da Atlântica para pegar o ponto final. Aí eu olho para aquele prédio imenso e falo assim: ‘ainda vou trabalhar aqui’. E dez anos depois, estou eu lá no 37° andar, com aquela vista, aquele mar de Copacabana, aquela praia aos meus pés. Eu olhava pro Cristo, e falava: ‘Aqui estou’.

Ana ensina, para a equipe do programa, uma receita que faz desde mocinha, lá em minas.

“Aqui está com minha letrinha o rocambole que era um dos pratos que eu sempre fazia aos domingos”, conta Ana.

Um rocambole de batata com recheio de frango. Frango refogadinho. Com temperos simples.

“Às vezes, o Globo Repórter vai chegar em regiões que não tem alho poró. Aí a pessoa não vai fazer porque não tem alho-poró? Mas tem cebola. Tem alho. Então, fica muito mais fácil”, diz Ana.

Tá aí a dica. Qualificação. Quanto mais conhecimento, mais chances de conseguir um bom emprego, um bom salário.

“Quais que são as ferramentas básicas do trabalho das domésticas?”, pergunta a repórter.

“Ela tem que ser uma pessoa organizada. Ter conhecimento da rotina de serviço e de materiais e equipamentos”, responde Laura do Nascimento, professora.

Em um curso do Senac, no Recife, a turma aprendeu técnicas de limpeza, cuidados com a higiene e muito mais.

“Tem muita gente que acha que você tem que fazer tudo. Você tem que lavar, passar, arrumar, engomar, tomar conta das crianças. Ainda tem quem tem criança. E ainda levar o cachorro pra passear. Tem muitas delas que acham que você tem que fazer isso. Achei ótimo essa história dessa Lei de Doméstica, porque determina o que você vai fazer”, conta Patrícia Pereira, camareira.

“Vocês precisam especificar um contrato. O que é que eu faço? Meu contrato é o que? É limpeza? É cozinha? É lavar roupa? Por que? São dias específicos e tarefas diferenciadas”, diz a professora.

“A doméstica hoje em dia continua a vida inteira a fazer o mesmo trabalho ou dá pra fazer carreira?”, questiona a repórter.

“Dá pra fazer carreira. Ela vai sair da residência pra hotelaria que abrange muito dessas profissões”, responde a professora.

Patrícia já está empregada como camareira de um hotel.

“A minha profissão me sustenta, sustenta meu filho, paga minhas contas e faz me vestir do jeito que eu quero. E as pessoas acham que a empregada é aquela que usa um lencinho, aquela que é a coitadinha. E não é por aí. Não mais hoje, graças a Deus que a gente tem o direito de ir e vir, de ser o que a gente quiser. Pelo amor de Deus, acabou a escravidão, aquela história de sentar na beira do fogão e esperar a patroa dizer ‘pode comer’, ‘pode dormir’. Duas horas da manhã, você lavando casa. Por favor, minha mãe era assim. Por favor”, revela Patrícia.

“O que diferencia as empregadas do passado das empregadas de hoje?”, pergunta Isabela.

“Acho que a questão da escolaridade. E hoje tem as pessoas que gostam do serviço doméstico, gostam da cozinha. Então, é uma opção”, diz a professora Laura do Nascimento.

Ana que o diga. Hoje ela ganha a vida como banqueteira e professora de arte culinária.

Globo Repórter: Paixão da sua vida é a cozinha?

Ana Ribeiro: Sim, a cozinha. eu gosto muito. da cozinha, dos livros e futebol. Cheguei a jogar. Lá em Minas a gente jogava na areia, na rua”.

Globo Repórter: Que posição você jogava?

Ana Ribeiro Adivinha? No ataque.

Alguém duvida?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O dicumê gostoso do Vale

Projeto Ambiente Gastronômico no Vale
O dicumê gostoso do Vale
Fonte: Sebrae/MG
A vida das pacatas localidades rurais de Minas Gerais, com paisagens pitorescas, costumes e artes seculares, linguajar típico e o sabor inesquecível de alimentos saudáveis, inspirou uma nova parceria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE-MG e do Governo do Estado para estimular o resgate da cidadania e o desenvolvimento econômico e social de comunidades das diversas regiões mineiras. Pirão, comida típica do Vale do Jequitinhonha
O programa Turismo Solidário criou roteiros para despertar a imaginação e os sonhos dos visitantes, que viram protagonistas do processo de valorização da sabedoria popular, das tradições, da arte e da cultura, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da gente simples do interior.

A coleção Ambiente Gastronômico do Vale registra a história, o ambiente e o saber culinário dos moradores de Alecrim, Bonfim, Capivari e Mendanha, distritos do Jequitinhonha que já desenvolveram atividades de organização do turismo receptivo familiar.

Os quatro volumes foram produzidos com a participação das comunidades, que buscaram, nos tradicionais cadernos de receitas preservados e ampliados de geração em geração, as anotações pessoais sobre os pratos mais saborosos e informações sobre remédios caseiros para diversos males. A publicação também fala das rezadeiras e de bênçãos que a força da crendice popular ainda prefere no lugar de modernos tratamentos médicos.

Na sua mais atualizada concepção, o turismo considera que a originalidade dos destinos e a emoção que provocam são marcas indispensáveis à atração de visitantes cansados da padronização mundial dos roteiros. Com esta coleção, o SEBRAE-MG entende que, além de divulgar um inovador programa turístico que possibilita a geração de emprego e renda, contribui para recuperar e preservar a rica culinária de Minas.

Os sabores e cheiros dos salgados, doces e quitandas mineiros oferecem aos turistas, em singelas mesas de confraternização, o sonho e a fantasia. E, nas conversas sobre habilidades e conhecimentos culturais, artísticos e práticos, é possível reconhecer aquilo que, ao longo dos séculos, forjou o jeito de ser do povo mineiro.

Clique aqui para fazer download gratuito dos livros:
projeto gastronômico do Vale

Fonte: Sebrae-MG, a partir do Blog Passadiço Virtual, de Diamantina

sábado, 7 de agosto de 2010

Diamantina apresenta Festival de TirAgosto

Diamantina faz Festival de TirAgosto
O Festival de Tiragosto é um festival grastronômico e musical em que os bares e músicos concorrerão, em sua respectiva categoria.
Durante todos os dias de agosto os bares oferecerão o prato que concorrerá ao prêmio.
Os músicos se apresentarão todas as sextas e sábados em bares alternados, conforme programação.
No último sábado de agosto, dia 28, haverá a Festa de Encerramento, com a apresentação de todos os músicos concorrentes, de 19 às 22 horas.

Fonte: Passadiço Virtual