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sábado, 6 de junho de 2020

Jequitinhonha: De Belmonte, na Bahia, a Diamantina - uma via de conhecimento, arte, design, gente e identidade cultural

De Belmonte a Diamantina, 
do mar ao sertão.
Confira o texto, fotos e o video dos principais momentos da expedição da Casa Vogue ao Vale do Jequitinhonha, 
em 2018.
·        
·         TEXTO MARIANA CONTE | ESTILO ADRIANA FRATTINI | PRODUÇÃO RAFAEL ALVES | FOTOS RUY TEIXEIRA | PROGRAMAÇÃO VISUAL HARDY DESIGN
06 DEZ 2018 - 06H04 ATUALIZADO EM 02 SET 2019 - 17H46.

Durante dez dias, Casa Vogue percorreu a região do Vale do Jequitinhonha para explorar as expressões culturais da região que influenciam o design brasileiro. Rio acima, de Belmonte, na Bahia, a Diamantina, em Minas Gerais, encontramos beleza, inspiração e pessoas que lutam – e realizam. A seguir, os registros dessa emocionante expedição.
BELMONTE
Em terra de Zanine Caldas

“AS PESSOAS SÃO COMO OS RIOS, SE FORTALECEM QUANDO SE ENCONTRAM”. De autor desconhecido, a frase apareceu no meio da jornada desse primeiro Casa Vogue na Estrada, como que a evidenciar, em palavras, o que vivemos e presenciamos nos inúmeros encontros à beira do Rio Jequitinhonha: força, afeto e identidade.

Museu das Cadeiras de Belmonte chega a São Paulo durante o DW ...
Em frente ao recém-inaugurado Museu das Cadeiras Brasileiras, em Belmonte, BA, da esq. para a dir., as cadeiras: Esqueleto (2012), de Pedro Franco, da A Lot Of; Cobra Coral (2016), de Sérgio Matos; Menna (1978), de Sergio Rodrigues, na Dpot; Sem nome (anos 1950), de José Zanine Caldas; Assimétrica (2017), de Fernando e Humberto Campana para Tok&Stok; Torno (2017), de Gustavo Bittencourt; Guapa (2018), de Inês Schertel; Broto (2008), de Morito Ebine; e Girafa (2018), de Juliana Vasconcellos ( Ruy Teixeira)

A expedição começou num dos endereços mais bonitos que um lugar pode ter: a esquina deste rio com o Oceano Atlântico. Ali está Belmonte, cidadezinha pacata no sul da Bahia, com cerca de 20 mil habitantes, que se alimenta da foz do rio, do cacau, das belas paisagens e da arquitetura histórica. É também cidade natal do mestre José Zanine Caldas (1919-2001), arquiteto, designer e maquetista autodidata cuja memória permanece vivíssima graças ao filho, o designer Zanini de Zanine.
Casa Vogue na Estrada: os melhores momentos da nossa expedição pelo Vale do Jequitinhonha (Foto: Ruy Teixeira)
A casa onde nasceu Zanine Caldas, que hoje abriga o Sindicato Rural de Belmonte, sediará o museu sobre a obra do arquiteto ( Ruy Teixeira).
Belmonte acaba de inaugurar o Museu das Cadeiras Brasileiras, uma iniciativa que nasceu do encontro de Zanininho, como é conhecido, com Daniel Katz, da Katz Construções, e que pretende registrar a cultura nacional e perpetuar o legado do design nacional. “Vai funcionar como um apêndice do museu Zanine Caldas”, explica Zanini, revelando a próxima empreitada: um espaço em homenagem ao pai, com estreia em 2019, ano do centenário do mestre. O local escolhido não poderia ser mais simbólico: a casa onde Zanine Caldas nasceu e viveu até os 17 anos – atual sede do Sindicato Rural de Belmonte. O projeto terá assinatura do arquiteto Marcio Kogan e o museu vai contar com um acervo de móveis, maquetes, croquis, fotos, vídeos e itens pessoais. “É a realização de um sonho, dividir uma obra de extrema importância e brasilidade nessa área cultural com o povo de Belmonte e os amantes de arquitetura, arte e design”, afirma Zanini.

Casa Vogue na Estrada: os melhores momentos da nossa expedição pelo Vale do Jequitinhonha (Foto: Ruy Teixeira)
Da esq. para a dir., Lissa Carmona, CEO da Etel, o designer Zanini de Zanine e Etel Carmona, com os protótipos dos móveis de Zanine Caldas que serão reeditados pela Etel em 2019. ( Ruy Teixeira)

Além da atuação como maquetista de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, e de projetar com extremo respeito aos contornos da natureza, Zanine Caldas foi um notável designer. Pioneiro da indústria moveleira moderna, amante das madeiras nacionais, na década de 1970, ele se dedicou ao design artesanal e às formas brutas, essenciais. Todo esse repertório foi estudado e esmiuçado pela Etel, marca que valoriza o traço brasileiro e mantém em produção peças de grandes nomes, e que lançará, também no próximo ano, uma coleção com poltrona, cadeira, espreguiçadeira, mesa lateral, escrivaninha, estante, revisteiro e outras peças de Zanine Caldas. “Serão entre 12 e 15 móveis reeditados e realizados em intensa parceria com a família Caldas, com total supervisão do seu filho”, diz Lissa Carmona, CEO da Etel. Esse trabalho de reviver ícones do mobiliário nacional, preservando suas identidades e usando a tecnologia atual, é uma especialidade da empresa, que tem no portfólio criações de Oscar Niemeyer, Lina Bo Bardi, Sergio Rodrigues, Jorge Zalszupin, entre outros. “Para nós, é como um resgate da história, do legado desses profissionais. Queremos dar vida ao universo de Zanine Caldas e preservar sua herança”, conclui.
Casa Vogue na Estrada: os melhores momentos da nossa expedição pelo Vale do Jequitinhonha (Foto: Ruy Teixeira)
A artesã Dagmar Muniz esculpe um de seus vasos de 2 metros ( Ruy Teixeira)
Completando nossa passagem por Belmonte, outra descoberta notável foi dona Dagmar. Aos 76 anos e com 1,60 m de altura, a artesã produz, num vai e vem e sobe e desce constantes, peças de cerâmica que incluem vasos de 2 m. “Deus me deu saber e me deu o poder de subir nos bancos para ir a dois metros de altura”, fala, enquanto demonstra sua arte e sua energia incansável. E tudo isso sem usar torno: são as próprias mãos e o auxílio de cartões de plástico e galhos que dão forma e autenticidade às suas obras.
Casa Vogue na Estrada: os melhores momentos da nossa expedição pelo Vale do Jequitinhonha (Foto: Ruy Teixeira)
Manuelle Ferraz, cozinheira e idealizadora do restaurante A Baianeira ( Ruy Teixeira)
ALMENARA
A Baianeira

Seguindo em direção à nascente do Rio Jequitinhonha, paramos em Almenara, MG, cidade natal de Manuelle Ferraz (acima), cozinheira e idealizadora do restaurante A Baianeira, em São Paulo. Ela nos recebeu com sua família na casa onde passou boa parte da infância, e preparou uma refeição recheada das raízes e da alma do Vale do Jequitinhonha. No cardápio, abóbora com quiabo, maxixe e mamão verde com carne-de-sol, receitas típicas de um almoço de domingo da região. A energia de Manu, do seu fazer com simplicidade e da essência que mistura Minas e Bahia, transparece quando ela fala da comida, das suas influências e do poder das mulheres de sua vida. E todas essas forças somadas estão no sabor de sua culinária. Com Manu, passeamos pelo Mercado Municipal de Almenara, de onde ela importa boa parte dos ingredientes que usa no restaurante paulistano, fortalecendo e valorizando a rede de produtores da região.

Casa Vogue na Estrada: os melhores momentos da nossa expedição pelo Vale do Jequitinhonha (Foto: Ruy Teixeira)
O artesão seu Paulo, de 83 anos, usa pedaços de madeira achados soltos pela natureza para construir brinquedos ( Ruy Teixeira)
ARAÇUAÍ
Madeira lúdica

No caminho para a comunidade rural de Córrego da Velha, no município de Araçuaí, MG, estradas de terra e um cenário com cactos descortinava o sertão mineiro. Casinhas comuns, dessas que desenhamos quando criança, margeavam nossa travessia. Apesar do clima árido da região, a chuva veio forte naqueles dias, a poeira baixou e a vegetação acendeu: um lindo contraste de cores.
Casa Vogue na Estrada: os melhores momentos da nossa expedição pelo Vale do Jequitinhonha (Foto: Ruy Teixeira)
Brinquedos feitos pelo seu Paulo ( Ruy Teixeira)

À direita da estrada, uma árvore potente e um portãozinho feito de lascas de madeira dão as boas-vindas ao universo do seu Paulo (mais acima), um senhor de 83 anos que usa pedaços de madeira achados soltos pela natureza para construir brinquedos. Vacas e bezerrinhos, cavalos, meninos, meninas, mulheres e homens fazem parte do repertório do artesão – são referências presentes no seu dia a dia. A criatividade vai longe, encanta crianças e adultos, mas a energia para produzir já não é a mesma de alguns anos atrás. “A gente vai seguindo. Tem gente que fala que vou fechar os 90, mas 100 acho que não fecho não. É só Deus que sabe. Nós não sabe de nada” [sic], reflete.
Casa Vogue na Estrada: os melhores momentos da nossa expedição pelo Vale do Jequitinhonha (Foto: Ruy Teixeira)
A tecelã dona Ana e a diretora criativa da Coven, Liliane Rebehy, no Curtume, com as bolsas da grife feitas a partir das mantas tecidas por dona Ana ( Ruy Teixeira)
JENIPAPO DE MINAS
Unidas pelo bordado

Por onde passávamos, a recepção combinava abraços apertados, uma felicidade guardada em sorrisos ora tímidos ora escancarados, e um cafezinho com biscoitos e queijo. Ao chegarmos na Associação Jenipapense de Assistência à Infância (Ajenai), na cidade de Jenipapo de Minas, não foi diferente. Elisângela Pedroso Lopes, coordenadora da associação, guiou-nos rumo a um dos encontros mais preciosos da expedição, na comunidade do Curtume. Lá, vivem mulheres fortes. Muito mais fortes e resistentes depois de terem se conhecido e formado o grupo das Bordadeiras do Curtume.

Casa Vogue na Estrada: os melhores momentos da nossa expedição pelo Vale do Jequitinhonha (Foto: Ruy Teixeira)
As bordadeiras, com Ana Vaz ao centro, e seus estandartes, que estão à venda na loja Marcas Mineiras, em Tiradentes, MG, pelo instagram @tecelas_ bordadeiras e, a partir de fevereiro, nas lojas da Coven
( Ruy Teixeira)
Com a coordenação da consultora de projetos sociais Viviane Fortes e o apoio da Ajenai, essas mulheres foram estimuladas a fazer companhia umas às outras e a resgatarem sua autoestima e cultura. “O dia a dia delas é muito duro. Os maridos saem para procurar trabalho, normalmente no corte de cana ou em plantações de café, e ficam meses, às vezes anos, fora de casa. Elas vivem um abandono, adoecem, ficam deprimidas e, ainda assim, precisam dar conta de sustentar a família, trabalhando na roça e plantando o que comem”, relata Viviane.
Foi durante essas reuniões que manifestou-se o conhecimento do bordado. Quem sabia ensinou para quem não sabia e o filho de uma delas, Diogo, fez os desenhos, que são imagens que ele vê na comunidade: as mulheres, os bichos, as plantas. As bordadeiras preenchem e dão vida a esses contornos com a técnica do ponto cheio. O resultado é um bordado com muita identidade. “A gente conversa, ri, canta, brinca e se distrai. Bordar ajuda não só financeiramente, mas psicologicamente. É um prazer ver a nossa arte agradar outras pessoas”, orgulha-se Marli, umas das artesãs.

Casa Vogue na Estrada: os melhores momentos da nossa expedição pelo Vale do Jequitinhonha (Foto: Ruy Teixeira)
As camisas da Coven assinadas pelas Bordadeiras do Curtume (Foto: Ruy Teixeira)
Uma vez engrenado o trabalho, veio a ideia de torná-lo fonte de renda. Para dar suporte, Viviane convidou a designer têxtil Ana Vaz, que auxiliou a estruturar o processo e, em conjunto com as bordadeiras, deu luz a uma coleção de estandartes com bordados de desenhos autorais e tecidos tingidos com cascas e plantas nativas, tudo feito por elas. “É como se a gente estivesse levantando uma bandeira.  A bandeira do afeto, do amor, porque mesmo com tantas dificuldades, é incrível a generosidade dessas mulheres”, diz Ana.

A rede de colaboração foi aumentando, e Ana contatou Liliane Rebehy, diretora criativa da Coven, que doou tecidos e fios para o projeto. Mais do que isso, Liliane foi conhecer de perto o Curtume. Da sua imersão, nasceu a coleção inverno/2019 da marca mineira, referência fashion em todo o Brasil. “A moda precisa ser movida por uma paixão. A Coven está fazendo 25 anos e eu estava me sentindo muito desmotivada. Quando voltei do Vale e comecei a mexer nas coisas que eu trouxe, relembrar o que vi e vivi, percebi que estava tudo ali”, conta Liliane. 

Lá, ela também conheceu outras duas figuras fundamentais, dona Ana e dona Cena, que trabalham com teares pequeninos e tecem lindas mantas com uma noção estética genuína. Essas tramas estão nas novas bolsas da grife, e os bordados aparecem em camisas que terão todo o lucro revertido para as bordadeiras. 
“Me entreguei ao desafio de criar a coleção com uma temática regionalista, para direcionar atenção para essas pessoas, mas sem deixá-la literal, caricata, acrescentando meu olhar e a identidade da Coven. É muito mais prazeroso e faz muito mais sentido quando você tem esse envolvimento com pessoas, quando essa inspiração não é só material ou estética, ela é afetiva, humana”, completa Liliane, com a preocupação de manter esse compromisso social após a temporada chegar ao fim. 
“Pretendo expor e vender as peças da comunidade tanto nas lojas em Belo Horizonte e São Paulo quanto no e-commerce, que está quase pronto”.

Casa Vogue na Estrada: os melhores momentos da nossa expedição pelo Vale do Jequitinhonha (Foto: Ruy Teixeira)
Zé do Ponto, o famoso artesão de Chapada do Norte ( Foto: Ruy Teixeira)

CHAPADA DO NORTE
Design naif

A caminho de Turmalina, paramos na cidade de Chapada do Norte, MG, para encontrar o famoso Zé do Ponto (acima). Filho de tropeiro, aos 12 anos ele já produzia caixas de couro para ajudar no transporte de secos e molhados. Hoje, é famoso por seus itens de madeira, com tramas em couro e palha de milho. São bancos, cadeiras, baús, tamboretes e bolsas com marca registrada. “O trabalho dele tem puro estilo rural, campestre. É genuíno, como arte naïf. Ele produz de forma espontânea, mas com muito senso estético, peças que estão no imaginário coletivo”, resume Adriana Frattini, diretora de estilo da Casa Vogue, que se encantou pelo seu Zé do Ponto.

Casa Vogue na Estrada: os melhores momentos da nossa expedição pelo Vale do Jequitinhonha (Foto: Ruy Teixeira)
Fábrica Divina Terra, em Turmalina, MG (Ruy Teixeira).
TURMALINA
Artesanato industrial

Chegando em Turmalina, MG, uma mudança de perspectiva: das microproduções para uma escala maior. Era a fábrica da Divina Terra, onde o fazer artesanal ainda prevalece na produção industrial de revestimentos, tornando únicas as mercadorias saídas dali – que são, em sua grande maioria, prensadas, cortadas e esmaltadas à mão.

Casa Vogue na Estrada: os melhores momentos da nossa expedição pelo Vale do Jequitinhonha (Foto: Ruy Teixeira)
Cobogó Mão, assinado pelos irmãos Campana em parceria com a Divina Terra (Foto: Ruy Teixeira).
Foi essa prática manual e cuidadosa que atraiu o Instituto Campana, dos irmãos Fernando e Humberto, para desenvolver, em parceria com a Divina Terra, o cobogó Mão (acima), peça que celebra o design autoral brasileiro e chama atenção para o desastre ambiental ocorrido em Mariana, MG, em 2015. Aproximar o design de técnicas ancestrais de diferentes regiões do Brasil e, com isso causar uma transformação na sociedade, é a bandeira levantada pelo Instituto Campana.

Casa Vogue na Estrada: os melhores momentos da nossa expedição pelo Vale do Jequitinhonha (Foto: Ruy Teixeira)
O banco Trio, de Juliana Vasconcellos, feito com mogno africano do Grupo Khaya Woods .
(Foto: Ruy Teixeira)
CAPELINHA
Mogno africano

Seguindo pelo Vale do Jequitinhonha, a paisagem começa a mudar quando plantações de café despontam no horizonte. O destino da vez era a Fazenda Primavera, no município de Capelinha, MG. Por lá, junto à produção cafeeira, árvores altas roubam a cena. São os mognos africanos, plantas de uma madeira nobre com excelentes propriedades físicas e mecânicas para a indústria moveleira, e uma opção ao mogno brasileiro, que teve seu corte proibido pelo Ibama devido ao desmatamento ilegal e à quase extinção da espécie. “É uma árvore de crescimento relativamente rápido em comparação com outras madeiras de lei”, conta Patricia Fonseca, diretora executiva da Associação Brasileira dos Produtores de Mogno Africano.

Casa Vogue na Estrada: os melhores momentos da nossa expedição pelo Vale do Jequitinhonha (Foto: Ruy Teixeira)
Plantação de mogno africano na Fazenda Primavera e estátuas esculpidas nessa madeira por Ricardo das Artes, de Prados, MG. (Foto: Ruy Teixeira)
Segundo ela, ao unirem as plantações, os produtores perceberam que o café se beneficiava do sombreamento das árvores de mogno. A associação tem se encarregado de estimular testes com a matéria-prima e criou o Mahog Project, que incentiva o uso do material em peças de design, como o banco Trio, da arquiteta e designer mineira Juliana Vasconcellos.

Casa Vogue na Estrada: os melhores momentos da nossa expedição pelo Vale do Jequitinhonha (Foto: Ruy Teixeira)
Uma das salas da Pousada Relíquias do Tempo, sediada em um casarão do século 19 no centro de Diamantina, que guarda preciosidades como fotografias do renomado retratista Chichico Alkmim, boneca de Durvalina Gomes Francisco e arraiolo de Maria Tadeu (sobre o sofá). (Foto: Ruy Teixeira)
DIAMANTINA
Design final

Próxima à nascente do Rio Jequitinhonha, que fica em Serro, Diamantina, MG, foi a parada final do primeiro Casa Vogue na Estrada. Pelas ruelas de pedra, íngremes e sinuosas, estão casarões históricos de arquitetura colonial, que enchem de charme a cidade. A beleza de suas construções e de seu povo foi amplamente admirada e registrada pelo fotógrafo Chichico Alkmim (1886-1978) entre as décadas de 1910 e 1950. Chichico tinha uma sensibilidade única para retratar pessoas. Mulheres, homens e crianças, negros e brancos, ganhavam vida e um registro na história através de suas lentes. Em busca destes retratos, chegamos à Pousada Relíquias do Tempo, com obras raras do fotógrafo e um patrimônio cultural da história diamantinense. Fomos apresentados a cada cantinho do local, que conserva pequenos “museus” sobre a cidade, por Carmen, nascida em um daqueles quartos, e Leonardo, seu marido.

Casa Vogue na Estrada: os melhores momentos da nossa expedição pelo Vale do Jequitinhonha (Foto: Ruy Teixeira)
Clube Social, obra de Oscar Niemeyer no centro histórico de Diamantina, MG, hoje completamente abandonado (Foto: Ruy Teixeira).
Em meio aos prédios históricos, é possível achar obras modernas de Oscar Niemeyer, como o Hotel Tijuco, ainda em operação, e o Clube Social, que teve importante papel na cidade e, hoje, encontra-se totalmente abandonado. Os edifícios fazem parte da modernização do município, iniciada um pouco antes de um de seus cidadãos mais ilustres assumir o governo de Minas Gerais: Juscelino Kubistchek.

Casa Vogue na Estrada: os melhores momentos da nossa expedição pelo Vale do Jequitinhonha (Foto: Ruy Teixeira)
A pequena capela da Pousada Relíquias do Tempo (Foto: Ruy Teixeira).
Outra riqueza local é a música. Todos os anos, entre abril e outubro, Diamantina recebe as Vesperatas. Em dias específicos, a partir das 20 h, músicos diversos se apresentam por mais de duas horas das sacadas dos casarões seculares enquanto os maestros regem do meio da rua. Em 2016, o evento foi considerado Patrimônio Cultural de Minas Gerais. A música diamantinense, no entanto, já aparecia em crônica de Carlos Drummond de Andrade, em 1972: 
“Quem, conhecendo Diamantina, será capaz de não gostar de Diamantina? Mesmo não conhecendo: ouvindo falar. Pois, entre outras excelências, o povo de Diamantina é povo que canta, e isto significa riqueza de coração.” 
Impossível discordar do poeta!

Confira a publicação original e o bonito video da expedição Casa Vogue:
casavogue.globo.com/LazerCultura/Viagem/noticia/2018/12/os-melhores-momentos-da-nossa-expedicao-pelo-vale-do-jequitinhonha.html

Fonte: Revista Vogue, 06.12.2018

Outras informações do Blog:
O Vale do Jequitinhonha é retalhado em muitas partes e microrregiões pelos técnicos planejadores do Estado. Isso cria desinformações sobre o território da Bacia Hidrográfica do Rio Jequitinhonha. 
A Bacia do Rio Jequitinhonha forma o Vale do Jequitinhonha que ocupa um vasto território em Minas, parte da região central, nordeste e norte de Minas, e também no sul da Bahia. 
O rio Jequitinhonha nasce na Serra do Espinhaço, na região de Milho Verde, no município de Serro, região Central de Minas, percorre 1.090 km até chegar na sua foz no município de Belmonte, na Bahia. A bacia do rio Jequitinhonha compreende uma área de 70.315 km², sendo que 66.319 km² situam-se em Minas Gerais, enquanto 3.996 km² pertencem à Bahia representando 11,3% da área do estado mineiro e apenas 0,8% do baiano.
Confira o Mapa do IBGE:
Vale do Jequitinhonha - Blog do Banu: Mapa do Vale do ...

sexta-feira, 13 de março de 2020

Coronavírus: notícia de registro em cidades do Vale é fake news

Notícia circulou nas redes sociais no final de semana. 

Confirmados pela Secretaria de Saúde, apenas 4 casos de coronavírus em Minas:  Ipatinga, Divinópolis, Juiz de Fora e em Patrocínio.


Foto: Gazeta de AraçuaiÉ falsa a noticia sobre registro de Coronavírus em Araçuai
Hospital São Vicente de Paulo em Araçuai

É falsa a noticia que está circulando pelas redes sociais, dando conta que as cidades de Araçuai, Berilo, Chapada do Norte, Coronel Murta e Itaobim, no Vale do Jequitinhonha, registraram o primeiro caso de coronavírus da cidade. 
De acordo com o Fake News, o paciente seria um conhecido comerciante da cidade, que estaria em uma área isolada do hospital São Vicente de Paula, em Araçuaí. Ao final da informação, um link conduz a pessoa que está lendo a notícia,  a uma foto de um homem negro e musculoso, completamente nu.
Este texto se repetia em mensagens similiares nas outras cidades. 
Noticia está circulando pelas plataformas digitais
Noticia está circulando pelas plataformas digitais


No final da manhã desta sexta-feira (13.03) o diretor do hospital, Geraldo Silva, afirmou que não procede a informação. “ É fake News e peço a todos que não compartilhem esse conteúdo”, disse ele.

 O Brasil registrou ao menos 151 casos confirmados de Covid-19, a infecção causada pelo novo coronavírus. O número foi atualizado nesta sexta-feira (13) a partir de balanços divulgados pelas secretarias estaduais de Saúde e pelo Hospital Albert Einstein em São Paulo.

Minas Gerais  tem pelo menos 2 casos já confirmados.


Fonte: Gazeta de Araçuaí e complemento do Blog.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Painel artístico mostra a história cultural do Vale do Jequitinhonha

O artista Ernani Calazans, professor do IFNMG - Campus Araçuaí, no Médio Jequitinhonha, nordeste de Minas, presenteou o campus com uma obra memorável: Um painel de aproximadamente 40 metros quadrados, que conta a história do Vale do Jequitinhonha, a partir dos elementos da sua cultura.
ernani3aO painel contempla as três meso-regiões do Vale (Baixo, Médio e Alto Vale do Jequitinhonha), a partir da história do canoeiro, que vai subindo o rio até chegar à sua nascente.
Na canoa já estão presentes elementos importantes, como o teatro, a religiosidade, as esculturas em cerâmica e ainda duas peças da artista D. Izabel Mendes (1914-2014). Saiba mais sobre a arte de D. Izabel aqui. A arte popular também está representada pelas máscaras de Lira Marques, artista de Araçuaí. Conheça o trabalho de Lira Marques aqui.
Mostra a fundação do município de Araçuaí, a partir das representações do povoado de Itira, ponto de encontro dos rios Araçuaí e Jequitinhonha e da Luciana Teixeira, fundadora do Arraial do Calhau. (Saiba mais aqui). As araras também são vistas, já uma das traduções de Araçuaí da língua indígena significa "Rio das Araras Grandes". É retratada a antiga estação da cidade, que trazia a grafia Arassuaí, rememorando a chegada e o fim da estrada de ferro Bahia-Minas.
O canoeiro vai percebendo as culturas rurais nas proximidades do rio: O bananal, o milharal, o canavial, os lavradores e a agricultura familiar, a melancia, o abacaxi, a pecuária, a vegetação típica do semi-árido, os animais - peixes, tatu, cotia, pássaros, lagartos, besouros - e sobre todos eles, em cores bem quentes, o sol do Vale do Jequitinhonha. O canoeiro se encontra também com o garimpeiro, que faz também alusão a outras cidades do Vale fundadas a partir do garimpo, como Berilo, Chapada do Norte e Francisco Badaró, terra natal do artista. Francisco Badaró, antiga Vila de Nossa Senhora da Conceição de Sucuriú, teve esse nome em função da grande cobra sucuri ali encontrada, que também está no painel.
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No Alto Jequitinhonha, encontramos os casarões históricos e as ruas de pedra de Diamantina, os diamantes, a religiosidade e a figura de Chica da Silva, lembrando de todo o povo negro que fez história aqui. Encontramos ainda o queijo do Serro, e na nascente do rio, a imponência dos Ipês amarelos, brancos e rosas.ernani1a
Não poderiam deixar de estar representados todos aqueles que fundaram as cidades: Os bandeirantes, os tropeiros, os indígenas, representando a aldeia Cinta Vermelha, localizada em Araçuaí, e varias outras que ocupavam a região, os elementos da cultura afro e as heranças europeias, como as festas religiosas - o rosário, o São João e Divino - que no Vale adquiriram outras cores e texturas, como o xadrez, a chita, o ponto-cruz e o pau-a-pique.
Toda essa diversidade, e a construção do painel em forma de colcha de retalhos, traduz também a intenção do artista: "A colcha tem também o sentido de agasalho, de proteção. Vemos muitos elementos unidos. Uma história feita de muitas histórias e de muitos sentimentos, e nisso esta sua beleza. Representa memórias da infância do povo do Vale" (Ernani Calazans).
Na reportagem feita pela TV Araçuaí (veja aqui), a obra é descrita como um "colorido exuberante, para estampar os elementos que nos identificam nessa região, com muitos sabores, cores e valores".
ernani5aNas palavras do professor Ernani, "a intenção é tenhamos um lugar ativo de construção do conhecimento, e não só com elementos visuais, através da história que estou contando".
Venha conhecer essa obra de arte incrível! IFNMG - Campus Araçuaí - Prédio Administrativo.
Para entrar em contato com o professor Ernani, envie e-mail para ernani.oliveira@ifnmg.edu.br ou comunicacao.aracuai@ifnmg.edu.br.
 Colaborou com a reportagem: Luiz Augusto Otoni, estudante do 3° Ano - Técnico em Informática.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Chapada do Norte: moradores da zona rural protestam contra situação precária de estradas

Foto: MEPE
Um protesto de professores, estudantes e cidadãos da zona rural de Chapada do Norte, no Médio Jequitinhonha, nordeste de Minas, paralisou as estradas municipais que dão acesso aos distritos de Santa Rita, Cachoeira do Norte e Boa Vista, na região norte do município.
Representante da igreja católica e um manifestante morador. Foto: MEPE
O fato aconteceu na segunda-feira, 23.09.19, de 5 às 9 horas, articulado pelo Movimento Educadores pelas Estradas (MEPE), composto por professores que trabalham nas escolas públicas da zona rural, com o apoio de diversos cidadãos das comunidades rurais e da igreja católica.
Foto: MEPE
Bem cedinho, 5 horas da manhã, representantes do Movimento realizaram um bloqueio da estrada na ponte sobre o rio Araçuaí, no distrito de Santa Rita, a 12 km da cidade. Pouco a pouco o movimento foi crescendo.  

Foto: MEPE
A população aderiu aos professores e estudantes. Os manifestantes fizeram uma oração, ouviram depoimentos sobre o estado precário das estradas, a importância daquelas vias de acesso dos moradores das comunidades rurais, de professores que lecionam nas escolas públicas da região, dos estudantes que são conduzidos pelo transporte escolar e da população em geral.  
Foto: MEPE

Aqueles que desejavam transitar pela ponte sobre o rio Araçuaí que dá acesso à cidade e às comunidades rurais eram abordados, mostrando os objetivos do movimento de cobrança dos poderes públicos municipais e os benefícios para todos os usuários da estrada. Além do bate-papo, havia garrafas de café para todos que ali se encontravam.
Foto: MEPE

O MEPE surgiu a partir dos professores e estudantes que sentiam na própria pele as dificuldades em se locomover nas estradas em estado tão precário. Debateram entre eles o  direito de ir e vir de toda a população e da insegurança pública nas estradas que ameaça a integridade física de quem as usa.

Com cartazes mostrando os objetivos do Movimento, os manifestantes diziam que aquele bloqueio era pacífico, independente, democrático e suprapartidário, tendo a proteção da Polícia Militar. 
O movimento ocorreu por quatro horas, no período de de 5 às 9 horas da manhã.
Foto: MEPE
Um documento foi elaborado para ser encaminhado ao poder público municipal e outras instâncias como o Ministério Público Estadual. 

domingo, 30 de junho de 2019

Governo Zema entrega títulos agrários no Vale do Jequitinhonha e promete conceder mais de 3 mil

Em Minas Novas, governador Romeu Zema entrega 267 títulos de regularização fundiária a famílias da região.


Na foto, o governador Zema ladeado pelo prefeito Aécio Guedes,deputado estadual Jean Freire, Secretária de Agricultura, Ana Valentini. Foto: Renato Cobucci/Imprensa MG . 

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, entregou nesta sexta-feira (28/6), em Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, 267 títulos de regularização fundiária. A ação faz parte do pacote de políticas públicas da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), em favor do desenvolvimento rural e vai permitir que agricultores familiares recebam o documento que lhes concede a posse da propriedade rural após anos sem o direito legal da terra.

Os títulos são referentes a propriedades nos municípios de Chapada do Norte, Minas Novas e Turmalina, no Vale do Jequitinhonha. Ao todo, cerca de 1,2 mil pessoas serão beneficiadas com a entrega.
A regularização de terras rurais devolutas, ou seja, sem registro, é um importante instrumento para a solução de conflitos sociais, garantia do direito à terra, além da melhoria da qualidade de vida de agricultores familiares, na medida em que promove a cidadania no campo.
Ao entregar pessoalmente os títulos às famílias Romeu Zema pontuou o trabalho iniciado pela sua gestão e a intenção de contemplar ainda mais produtores rurais com a medida. 
“O foco da minha gestão é facilitar a vida de quem trabalha. Essas pessoas aqui nunca poderiam ter ficado tantos anos aguardando um título que vai permitir a eles produzir mais. Esse trabalho que já foi iniciado será intensificado. Quero ser o governador que mais entregou títulos de terra, pois isso significa mais produção, mais riqueza circulando e empregos gerados”, afirmou.
O governador também ressaltou o compromisso que tem com o desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha. “Estamos atentos à questão da falta de água, já fizemos mudanças na Secretaria de Estado de Meio Ambiente para facilitar a construção de barragens que vão ajudar a sanar o problema da água. Conheço muito bem a região. Sei dos problemas graves que enfrenta. O que aconteceu em Minas nos últimos anos foi extremamente grave. Não se conserta em meses, mas nós já começamos a resolver. Já avançamos bastante”, completou Zema, citando a criação de mais de 75 mil empregos no estado nos primeiros cinco meses deste ano, além da previsibilidade aos servidores quanto ao pagamento dos salários e do 13º que não foi pago pela última gestão.
A secretária de Estado de Agricultura, Ana Valentini, explicou que o governo tem trabalhado incansavelmente para dar a mais famílias o título de posse das terras. “Com o título pode-se acessar programas importantes, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)”, disse. Outro ponto positivo é a garantia de segurança jurídica por meio do direito à propriedade para futuras gerações, o que evita o êxodo rural.
Agora, as famílias deverão registrar a posse das terras em cartório. O registro da propriedade em cartório é gratuito e assegurado pela Lei Estadual 20.397/2012.
O agricultor Cleuso Costa, que recebeu o título nesta sexta-feira, comemorou a conquista e afirmou que é a realização de um sonho para ele e sua família. “É um dia de muita felicidade, um sonho realizado para todos nós que estamos aqui. As terras onde moro foram de várias gerações da minha família e agora eu consegui o título. Vou registrar em cartório, pois sei que é um passo importante para acessar outros programas do governo”, comemorou.
O Programa Estadual de Regularização Fundiária Rural é uma das principais ações do Governo de Minas para garantir a democratização do acesso às terras devolutas (sem registro). A medida de solução de conflitos sociais visa garantir o direito à terra e contribuir para a melhoria da qualidade de vida de agricultores e agricultoras familiares, promovendo a cidadania no campo.
Representando a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o deputado Jean Freire agradeceu a iniciativa do governo. “Sabemos que 70% do que comemos em todo o país vem da agricultura familiar. Só quem esperou anos por esse título sabe a importância desse ato. Vindo até o povo, como o senhor está fazendo, é que se sabe os problemas do povo”.
Deputado estadual Jean Freire, o então Secretário de Desenvolvimento Agrário, Professor Neivaldo, Vilson da Fetaemg e Rogério Correia entregando título agrário a agricultora familiar, em 2018.
Já o prefeito de Minas Novas, Aécio Guedes, finalizou citando o impacto positivo da posse da terra na vida da população. “O título traz segurança a essas famílias”.
Critério
Qualquer pessoa que detenha a posse mansa e pacífica de terra devoluta rural, até o limite de 250 hectares, é considerada beneficiária.
A primeira etapa do processo é realização de audiência pública, momento em que é apresentado o plano de trabalho para dar mais transparência ao processo. Na sequência, é promovido o mutirão para o cadastramento dos posseiros, em parceria com a Emater-MG e lideranças locais. Depois, é feita a medição das terras dos posseiros cadastrados, seguido de análises técnicas e jurídicas. Ao final, caso o posseiro se enquadre no programa, o título de propriedade rural é emitido e assinado pelo governador do Estado.
Também participaram da cerimônia o presidente da Emater, Gustavo Laterza; o secretário de Estado Adjunto de Saúde, Bernardo Ramos; vereadores e lideranças da região.
Fonte: Agência Minas
Comentário do Blog
Se o Governador Zema cumprir a  promessa de ser o Governador que mais  entregou títulos de regularização fundiária essa será uma das áreas exitosas do seu governo. Até 2015, há séculos não se fazia regularização fundiária em Minas. 
Os governos mineiros eram omissos simplesmente para abrirem chances para a grilagem, ocupação de terras devolutas por poderosos locais ou para grandes empresas incentivadas pelo próprio governo estadual (ver casos do plantio de eucalipto com mais de 500 mil hectares plantados de forma contínua na maior floresta artificial do mundo), ou plantios de café, etc. 
Minas Gerais tem mais de  400 mil propriedade  rurais. As pequenas propriedades  de agricultores familiares chegam a 350 mil. Maior produtor de café e leite, essa atividade em família responde por 50% da produção do grãos e 60% do leite e derivados, segundo estimativa da Emater. Os produtores familiares receberam em financiamentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) cerca de R$ 635 milhões, em 2017.
A retomada do Programa Estadual de Regularização Fundiária Rural, em 2015, pelo Governador Pimentel, foi uma das realizações exitosas do seu governo. O balanço feito em novembro de 2018 aponta os seguintes resultados:
ACESSO À TERRA - Destaques da retomada do Programa Estadual de Regularização Fundiária Rural:
– Mais de 3.200 mil títulos de propriedades rurais entregues;
– 16.700 processos analisados e concluídos;
– Cerca de 91 mil hectares de terras rurais medidas;                                                          - Mais de 1.100 hectares de regularização de terras quilombolas;
– 54 audiências públicas e mutirões realizados em 10 Territórios de Desenvolvimento.
Embora tenha extinguido a SEDA - Secretaria de Desenvolvimento Agrário, o compromisso de Zema em ser o governador que mais entregou títulos de regularização fundiária pode dar um novo impulso à agricultura familiar. Começou bem, entregando os títulos já  prontos desde o ano passado.                                            Garantindo o que prometeu, é só agilizar os 16.700 processos já concluídos, regularizar os 91 mil hectares de terras rurais medidos. 
Não pode fazer como o Governo Anastasia (2011-2014) que fez barulho danado com a regularização fundiária, mas entregou apenas 50 títulos. Somente em Minas Novas , havia 4.700 processos de títulos agrários parados.

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