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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Deputados vão discutir combate ao crack no Vale do Jequitinhonha

Comissão de Prevenção e Combate ao Crack está preocupada com o avanço do consumo de drogas e da violência na região

Foto: Clarissa BarçanteDeputados vão discutir combate ao crack no Vale do Jequitinhonha
Os requerimentos foram aprovados na terça-feira (8)
Quatro audiências da Comissão de Prevenção e Combate ao Uso de Crack e Outras Drogas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) terão como objetivo a prevenção e o combate no uso do crack em diversas cidades do Estado.
 Os requerimentos, aprovados nesta terça-feira (8/9/15), são do deputado Celinho do Sinttrocel (PCdoB), e as reuniões serão feitas em conjunto com a Comissão de Segurança Pública.
 Dois requerimentos fazem referência à região do Vale do Jequitinhonha. Serão tratadas questões como as causas e consequências da violência, a estrutura das Polícias Civil e Militar e as Áreas Integradas de Segurança Pública (AISPs).
 Em outra audiência, serão debatidas a situação atual e ações necessárias para o combate às drogas em Nanuque, Serra dos Aimorés e Carlos Chagas, no Vale do Mucuri.
 Por fim, será discutida a prevenção e o combate ao uso de crack em Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipatinga e Ipaba (Vale do Rio Doce), e também será averiguada a situação das penitenciárias e presídios nessas cidades.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Araçuaí: em Audiência Pública com mais de 300 pessoas, população cobra providências para combater a violência


Araçuaí clama por Programa Olho Vivo, Regional das Polícias Civil e Militar e políticas públicas sociais.
Tráfico e consumo de drogas foram apontados como principais causas da violência na cidade.



Em audiência pública em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, o deputado estadual Dr. Jean Freire propôs a instalação do Programa Olho Vivo na cidade como uma forma de prevenir e combater o crime que assusta os moradores. Solicitou ao comando da Polícia Militar de Minas Gerais e à Polícia Civil um estudo técnico e se comprometeu a destinar recursos de emenda parlamentar para viabilizar e executar o projeto. A reunião foi realizada pela Comissão de Segurança Pública da ALMG, a pedido do parlamentar.

Mais de 300 pessoas, entre estudantes, moradores, líderes comunitários e autoridades dos municípios de Itinga, Turmalina, Jenipapo de Minas, Francisco Badaró, Salinas, José Gonçalves de Minas, Comercinho e Coronel Murta lotaram a Câmara Municipal para demandar medidas pela segurança da cidade e região.


Visivelmente emocionado, o Deputado Dr. Jean Freire quebrou o protocolo e falou da plateia, onde se colocou não apenas como parlamentar, mas como morador. Parabenizou e agradeceu a população pela presença massiva e principalmente aos estudantes, ressaltando a importância destes nos debates e nas discussões políticas. “Venho solicitado ao governo estadual, em parceria com várias lideranças municipais, ações para coibir os roubos, assaltos e mortes que tomaram conta da região, levando centenas de pessoas às ruas em protesto pela  situação de insegurança vivida”, enfatizou ao lembrar as reuniões com os chefes da Polícia Militar e Polícia Civil recentemente realizadas.

Dr. Jean relatou sua indignação com a inversão dos papéis imposta pela atual situação da cidade, onde cidadãos e cidadãs de bem estão atrás das grades e bandidos vivem livres aterrorizando os moradores indefesos. “É revoltante ver lojas e comércios com grades nas portas e lojistas tendo que fechar seus estabelecimentos por conta de assaltos sucessivos” disse.


Tráfico — Os participantes da audiência ainda destacaram a necessidade de ampliar a confiabilidade da polícia e de políticas públicas para combater o tráfico de drogas, apontado como a principal causa do crescimento da violência na região. A instalação de casas de recuperação e outras ações sociais para apoiar usuários de drogas, bem como de ações voltadas para crianças em situação de vulnerabilidade, também foram enfatizados em depoimentos da população. Outra reivindicação é a instalação de câmeras de segurança nas ruas, para dar mais tranquilidade aos comerciantes.

O deputado lembrou a todos que, mesmo antes de se tornar membro do legislativo estadual, alertava quanto à necessidade de se criar soluções para combater uma das maiores portas de entrada dos jovens na criminalidade, que é o uso de drogas. “Como médico, via o crescimento da criminalidade ao atender constantemente pacientes vítimas de violência causada pelo álcool e pelas drogas. Principalmente pacientes jovens” completou.

O alto índice de crimes decorrentes do uso e tráfico de drogas é uma das principais preocupações da população local. “O crack e a maconha estão se tornando mais consumidos do que o álcool pelos jovens. É preciso inserir essa discussão nos currículos escolares e pensar politicas públicas para combater também a disparidade social entre as regiões do Estado, pois a falta de desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha favorece o aumento da violência”, alertou o coordenador da Comunidade Terapêutica Viva Livre, Jean Carlo de Souza Mendonça.

 “As drogas são responsáveis por 60% das ocorrências policiais e pelo sofrimento de pais, mães e famílias inteiras que muitas vezes sem apoio e orientação veem seus filhos serem usados por traficantes ou levados à morte por conta do vício. Por isto que quero aqui parabenizar o meu xará e dizer que precisamos de mais instituições sérias para resgatar as famílias deste mal ” disse Dr. Jean.

Professores da Escola Estadual Industrial São José, onde teriam ocorrido 23 delitos entre dezembro de 2014 e abril deste ano, entregaram à comissão um documento de reivindicações. Uma das professoras, Licélia Pereira, foi vítima de violência praticada por um ex-aluno, que atualmente seria usuário de crack. "Precisamos de providências para conter a violência no ambiente escolar”, cobrou. Outros professores também relataram saques às escolas, principalmente à noite e nos finais de semana, o que deixaria as instituições sem materiais essenciais ao trabalho.

Violência generalizada — Os professores Jucélia Pereira e Marcos Nunes Vieira disseram que “a violência está tão alastrada que a própria escola tem seus equipamentos roubados por jovens envolvidos no consumo de drogas, tornando vítimas os educadores e estudantes”. Declararam, ainda, que o medo é generalizado, não podendo os cidadãos de bem conversar nas portas das casas, nas ruas ou praças. Aqueles que estudam e trabalham à noite são vítimas de roubos de motos e celulares.

Os estudantes Camila Rodrigues e Vinícius Daniel disseram ter medo de estudar à noite, pois os jovens estão sendo vítimas dos próprios colegas que entraram no mundo do crime. Pediram a instalação de campus da UFVJM na cidade. "Vivemos uma crise da segurança pública que cria um clima de opressão", finalizou o professor Marcos Nunes.

O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais, José Otoni, o Zuim, denunciou que os casos de violência, de roubos de motos, bicicletas e animais, alastrou-se pelo meio urbano e rural, informando que tais fatos ocorrem devido ao baixo número de policiais na cidade.  Propôs a criação de uma Delegacia Regional de Polícia Civil em Araçuaí para atender também às cidades vizinhas, pois muitos casos estavam sendo resolvidos em Pedra Azul a 174 quilômetros, com altos custos e desguarnecendo a cidade quando uma viatura policial teria que se deslocar até aquela cidade.

Tadeu Barbosa, empresário, acrescentou que o quadro de violência está tão problemático que até casos de sequestro e bala perdida já foram registrados.


Emoção em relato — O depoimento mais emocionante que levou o deputado Jean Freire e vários participantes às lágrimas foi o de Anderson dos Santos Luiz, ex  viciado em drogas que teve mais de 20 passagens por delegacias e cadeias. Luiz denunciou a hipocrisia da sociedade que “clama por segurança pública, mas não contribui para que aqueles que entram no mundo do crime sejam resgatados para a vida social”. "É dar murro em ponta de faca. Não existe segurança pública se não der oportunidades a muitos jovens como ele a ter uma vida digna, estudo e trabalho. Quem usa drogas e se vicia quer sair daquele mundo, mas não consegue se não tiver apoio da família e da sociedade", declarou.

Aplaudido por várias vezes, relatou que estava em recuperação na Comunidade Terapêutica Viva a Vida, no município de Jequitinhonha. Disse que a instituição tem apenas 21 internos, mas tem vagas para 40. Ele agradeceu o apoio do deputado estadual Jean Freire que o ajudou diversas vezes quando procurado.


Plantão de polícia em Pedra Azul agrava problemas — O prefeito de Araçuaí, Armando Jardim Paixão, criticou a situação precária das forças de segurança pública no município. “Já tivemos dois delegados e dez detetives na Polícia Civil; hoje não temos nenhum delegado e apenas dois detetives na cidade. Atualmente, a prefeitura tem que ajudar com o fornecimento de 3 funcionários, gasolina e peças para os policiais poderem trabalhar minimamente”, lamentou. Ele também defendeu a criação de uma unidade local do plantão regionalizado da Polícia Civil, tendo em vista que, para registrar boletins de ocorrência aos finais de semana, a Polícia Militar precisa se deslocar até Pedra Azul, a 185 quilômetros de distância.

As palavras do prefeito foram endossadas pelo empresário Tadeu Martins e pelo presidente da Câmara Municipal, Carlindo Dourado de Souza, que também alertou para o fato de o restrito contingente da Polícia Militar local não ter condições de atender todas as ocorrências.

O comandante da 15ª Região da Polícia Militar em Teófilo Otoni, coronel Aroldo Pinheiro de Araújo, também apontou o plantão regionalizado da Polícia Civil como agravante para esse quadro. “O deslocamento até Pedra Azul - 370 quilômetros de ida e volta - deixa Araçuaí desguarnecida de policiais”, ilustrou. Como medida paliativa, ele informou que vai avaliar a possibilidade de deslocar policiais de Itaobim e Teófilo Otoni para reforçar as abordagens a criminosos reincidentes em Araçuaí.

O chefe do 15º Departamento da Polícia Civil em Teófilo Otoni, delegado Alberto Tadeu Cardoso de Oliveira, relatou dificuldades técnicas para a instalação do plantão regional em Araçuaí. Como medida paliativa, ele se comprometeu a suprir a ausência de delegado em Araçuaí deslocando, três vezes por semana, um “excelente profissional” para atuar na cidade. Ele também propôs a criação de um centro de tratamento de usuários de drogas na cidade. “Se você não tratar os dependentes químicos, não consegue sanar a questão da violência”, disse.


Deputado vai continuar a cobrar providências — O deputado Dr. Jean Freire defendeu a união de esforços para resolver os problemas apontados pela população de Araçuaí. Ele defendeu a necessidade de melhorias na estrutura das Polícias Civil e Militar. “É inadimissível não haver um delegado na cidade. Esta é uma necessidade urgente e, assim como a melhoria do efetivo da Polícia Militar, não pode esperar”, completou.

Para o presidente da Comissão de Segurança Pública, deputado Sargento Rodrigues (PDT), o plantão regionalizado da Polícia Civil em Pedra Azul prejudica a população de Araçuaí. Dirigindo-se aos estudantes na plateia, ele alertou para a relação entre consumo das drogas e aumento da violência. “Vocês, jovens, são agentes de transformação, por isso é tão importante que participem e compreendam a responsabilidade que têm nesta questão”, afirmou.

Dr. Jean Freire completou o seu relato chamando todos a se unirem e deixarem de lado suas posições e siglas: “Lutem e façam de Araçuaí e do Vale do Jequitinhonha e Mucuri lugares melhores e mais seguros para todos. Araçuaí é uma cidade pólo e não podemos melhorá-la sem melhorar também as cidades vizinhas. É evidente que temos que unir forças para que possamos vencer a violência e as drogas onde quer que elas estejam. E para isto precisamos de todos os homens e mulheres de bem”.

Fotos: Divulgação
Fonte: Assesssproa de Comunicação deputado estadual Jean Freire

Assista video da ALMG:
Deputados vão cobrar providências
 
 
 
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Plantão regionalizado é questionado em 

Plantão regionalizado é questionado em audiência

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Entidade de Coronel Murta e PM de Itaobim são destaques do Caldeirão do Huck

A entidade e o policial, cuidam da recuperação de dependentes químicos no Vale do Jequitinhonha.

Foto: divulgaçãoEntidade de Coronel Murta e PM de Itaobim são destaques do  Caldeirão do Huck
O Policial Militar Abrão Júnior vai participar do quadro Agora ou Nunca. Ele participou de treinamentos nos estúdios do programa no Rio de Janeiro.
  
Com o avanço do consumo de drogas em todo o país é cada vez mais raro encontrar vaga em locais que tratam dependentes químicos. Seja em um hospital de referência ou em comunidades terapêuticas, a busca por tratamento é intensa.

Na contra-mão dessa realidade, uma instituição localizada na zona rural de Coronel Murta , no Vale do Jequitinhonha,   e o trabalho de um policial militar, na mesma região,  acabaram chamando a atenção do apresentador Luciano Huck, da TV Globo.

A luta do policial e da  instituição, na recuperação de dependentes químicos, será tema do quadro  “ Agora ou Nunca”, do Caldeirão do Huck que vai ao ar na tarde deste sábado  (28).

O Policial  que enviou uma carta para o programa, vai participar do quadro  onde terá que mostrar a sua habilidade para vencer inúmeras provas de diferentes graus de dificuldades.

Caso tenha êxito e vença todos os desafios leva para casa um cheque de R$ 30 mil que ele pretende doar à Comunidade Terapêutica Sementes de Paz, localizada em Coronel Murta.

Equipes de Produção do programa estiveram em Coronel Murta e Itaobim para gravar imagens e depoimentos. 

Pastor Joel Pereira ( de chapéu) fundador e mantenedor da Comunidade Sementes de Paz
Pastor Joel Pereira ( de chapéu) fundador e mantenedor da Comunidade Sementes de Paz

  
Sem ajuda financeira , o pastor Joel Pereira dos Santos, 50 anos,  plantou há dois anos a semente da Comunidade Terapêutica para tratar dependentes químicos em Coronel Murta.
  
Ele fez uma aliança com o Cabo PM Abrão Júnior, militar que atua no PROERD – Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência e em projetos sociais na área da 26ª Companhia da Polícia Militar em Itaobim.
  
Desta parceria, nasceu a Comunidade  Sementes de Paz, que foi instalada  em um prédio construído em 2000 para abrigar uma escola  que nunca funcionou.
  
Em 2013, com aprovação da Câmara,   a prefeitura de Coronel Murta, através de um contrato de comodato,  cedeu o imóvel, que fica na Comunidade Terra Vermelha a 20 km do centro da cidade, para o pastor executar a obra. “Agradeço ao prefeito Eletâncio Freire, à Câmara dos Vereadores, ao promotor Leonardo Morroni e a Policia Militar que  acreditaram no projeto”, disse o pastor.
  
Com capacidade  para atender até 80 pessoas, atualmente a Sementes de Paz abriga 14 residentes.
  
Um deles é o motorista Natim Reis Viana, 38 anos, natural de Itaobim e  que está na Comunidade há 7 meses.
  
“Cheguei aqui pesando 60 quilos e muito debilitado. Hoje estou com 80 quilos e recuperado. Perdi tudo que tinha: família, emprego, amigos. No caminho que eu estava andando, eu hoje não estaria vivo. Antes de vir para cá, minha vida não tinha mais sentido. Aqui na Sementes da Paz, encontrei uma razão de viver”, conta Natim que durante 27 anos, foi usuário de álcool e crack.

Comunidade Terapêutica ocupa prédio de uma escola da zona rural e que nunca funcionou
Comunidade Terapêutica ocupa prédio de uma escola da zona rural e que nunca funcionou

O processo para ingressar na Sementes de Paz , de acordo com o pastor, é simples e basta apenas a pessoa querer

Ele reclama da falta de apoio financeiro. “ Com a ajuda da empresa  Mining Services , gasto  entre 15 a 20 mil para manter a obra”, diz Joel que é um dos acionistas da empresa do setor mineral.
  
“ Já estamos aptos a receber recursos governamentais, mas até o momento não recebemos nada. Se houvesse mais ajuda, poderíamos receber mais pessoas”, lamenta o pastor.
  
Recuperação
Os residentes participam de atividades variadas na Comunidade Terapêutica
Os residentes participam de atividades variadas na Comunidade Terapêutica

  
O processo de recuperação do dependente dura de 6 meses a 1 ano. Após este prazo ele recebe um certificado do tratamento.
  
Na Comunidade, ele participa de  atividades como o plantio de hortaliças, criação de pequenos animais, além de atividades esportivas e espirituais.
  
Os residentes contam com acompanhamento de uma equipe multidisplinar do CRAS da prefeitura municipal.

O prédio,  é dotado de quatro salas amplas, banheiros azulejados, biblioteca, refeitório e quadra esportiva.

 De acordo com o pastor Joel, ainda este ano, será implantado o projeto de lapidação doado pela empresa Lufi, que atua no município.

Ainda segundo ele, a instituição pretende ampliar o atendimento para mulheres, em uma outra fazenda já adquirida. " Só depende de recursos", afirma Joel Pereira.

Quem quiser colaborar com o projeto, as doações tanto financeiras quanto de roupas de cama, colchões  e cestas básicas podem ser feitas através de contato pelos telefones ( 033 ) 8834.81.86-  (33) 9976.17.29 ou ainda pelo 33- 3735.17.29  ( pastor Joel )

Cabo Abrão - 33- 8848.32.20/ 9987.07.83

Doações financeiras
Banco Itaú- agência 5534
Conta Corrente-02234-7

Fonte: Gazeta de Araçuaí

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Pedra Azul quer comunidade terapêutica para usuário de droga

O prefeito de Pedra Azul, Daniel Pures de Oliveira Costa, garantiu que vai ceder um imóvel para abrigar a comunidade terapêutica.

Foto: Willian DiasPedra Azul quer comunidade terapêutica para usuário de droga
Reivindicação foi apresentada em reunião realizada pela ALMG no município
Moradores de Pedra Azul (Vale do Jequitinhonha) querem a implantação de uma comunidade terapêutica para combater o tráfico e o uso de drogas na cidade e na região

. Esta foi a principal reivindicação apresentada durante audiência pública da Comissão de Prevenção e Combate ao uso de Crack e outras Drogas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizada na cidade nesta terça-feira (29/4/14).


Autor do requerimento para a reunião, o deputado Neider Moreira (PSD) foi um dos que endossou a ideia e apresentou requerimento para que a Subsecretaria de Estado de Políticas sobre Drogas tome as providências para responder a essa demanda.

Por sua vez, o subsecretário Cloves Benevides se comprometeu a captar recursos para a implantação da unidade.


O deputado Tadeu Martins Leite (PMDB), que coordenou os trabalhos, também se comprometeu a trabalhar para atender ao pedido.

Ele lembrou que a região do Jequitinhonha não conta com nenhum equipamento de saúde destinado ao tratamento dos dependentes de drogas, que precisam recorrer a outras cidades e até outros Estados para se tratar.


O prefeito de Pedra Azul, Daniel Pures de Oliveira Costa, garantiu que vai ceder um imóvel para abrigar a comunidade terapêutica.


O 2º tenente da Polícia Militar José Roberto Teixeira revelou que apenas este ano foram presos nove traficantes e mais de 60 pedras de crack, números considerados preocupantes para uma cidade com cerca de 25 mil habitantes.


O presidente da Federação de Comunidades Terapêuticas Evangélicas do Brasil, pastor Wellington Antônio Vieira, advertiu para a necessidade de se garantir recursos para o custeio desse tipo de instituição. "Alguém tem que manter esta comunidade”, explicou.

Ele afirmou que o trabalho com o usuário de drogas tem que ultrapassar o combate ao vício e garantir também a reinserção social do ex-dependente. Wellington sugeriu que seja criado o Conselho Municipal Antidrogas, que facilitaria a implantação de uma política pública de combate aos entorprecentes e a implantação da comunidade terapêutica.


Wellington Vieira afirmou que a droga que mais causa problemas é o álcool, e lamentou que o Governo do Estado incentive a produção e comercialização de cachaça.

O pastor defende que os tributos arrecadados com bebidas alcóolicas sejam utilizados no tratamento de dependentes.
Envolvimento da sociedade é considerado fundamental
Autoridades concordam com a necessidade de mudança na política de segurança pública
Autoridades concordam com a necessidade de mudança na política de segurança pública
Autoridades concordam com a necessidade de mudança na política de segurança pública - Foto: Willian Dias
Muitos participantes da audiência pública defenderam maior envolvimento da sociedade para combater o crescimento do uso de drogas.


O deputado Neider Moreira disse que as drogas estão atingindo diretamente as famílias e toda a sociedade. “Precisamsos conversar mais sobre nós, compreender que o Estado é responsável por determinadas questões, mas é necessária a participação de cada um de nós trabalhando de maneira pró-ativa para melhorar a sociedade na qual vivemos”, justificou.

Ele também cobrou um novo modelo de segurança pública e lamentou o fato de que 60% dos assassinatos registrados no Estado estão relacionados ao uso ou tráfico de drogas.


O subsecretário Cloves Benevides concordou com a necessidade de mudança na política de segurança pública e revelou que os 17 mil quilômetros de fronteira seca brasileira não são devidamente vigiados para evitar a entrada de droga no País. “O Brasil não produz drogas, que vêm de outros países. É preciso uma ação de repressão mais estruturada", defendeu.


A presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente de Pedra Azul, Indiana Ribeiro da Silva Capuchinho, disse que é preciso exigir das famílias o trabalho de base e apoio aos usuários.

Ela sugeriu, ainda, uma parceria entre o poder público e organizações não governamentais que já desenvolvem trabalhos de recuperação de dependentes, mas que sofrem com a falta de recursos.


Trabalho voluntário de militar é exemplo na região


Abrão Junior, cabo da Polícia Militar de Itaobim, cidade vizinha de Pedra Azul, faz um trabalho voluntário de recuperação de drogados que tem apresentado resultados muito satisfatórios. Um desses jovens, Douglas Rocha Ramalho, 30 anos, apresentou seu relato durante a audiência pública.


Douglas usou crack por sete anos e há dois conseguiu abandonar o vício com o apoio do militar. O cabo Abrão se dedica a esse trabalho há 15 anos em 30 cidades da região. Segundo ele, cerca de 4 mil pessoas já foram atendidas, mais de 700 pessoas foram recuperadas e duas mil estão em atendimento. “Muitas acabaram se recuperando e se mudaram, e já não tenho mais notícias delas”, ponderou.


O cabo Abrão também é enfermeiro e fez muitos cursos de especialização em recuperação de drogados, a partir do contato com eles no Proer – programa educativo realizado pela PM nas escolas.

Ele conta com a ajuda de voluntários em cada município que atua e agora está se dedicando a conseguir recursos para implantar uma comunidade terapêutica no município vizinho de Coronel Murta.

Por enquanto ele tem que recorrer a municípios distantes do Jequitinhonha e até em Estados como Rio de Janeiro, Bahia e Espírito Santo para buscar tratamento para os dependentes de quem cuida.


Além do tratamento para abandonar o vício, o militar oferece todo apoio para o usuário, para a retomada do emprego e também de atividades educacionais, culturais e físicas.

Fonte:ALMG