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domingo, 5 de janeiro de 2020

Pequi: macio, espinhento, afrodisíaco, cheiroso e gostoso

Cheiroso ou fedorento? Depende do roedor de pequi e das narinas atentas.
Pequi, o rei do Cerrado, complementa renda de agricultores familiares em atividade extrativista.
O pequi é um fruto que ninguém tem sentimentos meia-tigela com ele. Ou adora ou detesta. "Ame-o ou deixe-o", se possível num prato à mão, defende os apreciadores. Tem um cheiro muito forte.
Quem não gosta reclama do cheiro, dos espinhos, da falta de educação à mesa, comendo com os dedos lambuzados daquele óleo amarelo avermelhado, brilhante.

Caroços do pequi retirados do fruto, prontos para serem cozidos e consumidos.

Em dezembro/janeiro, as ruas de Montes Claros, cidades do norte de Minas e Vale do Jequitinhonha são perfumadas - pra nós que gostamos-, com o odor embriagante deste amarelão querido e adorado. É uma verdadeira denúncia da intimidade dos lares cheios de cadeados e muros altos. Até nos condomínios fechados o cheiro grita nos nossos narizes.

No Vale do Jequitinhonha e norte de Minas, as feiras são invadidas com os gritos: "Olha o pequi de Montsclaro!". Metido a conhecedor, consumidor ferrenho, roedor assumido, sem medo dos espinhos, questiono: "Não é de daqui perto mesmo, da Chapadão do Lamarão? Tá com pouca carne...". O vendedor arregala o olho e diz:"Deixa pra lá, Banu. Pequi daqui é tudo assim mesmo, magrim, magrim... Mas é gostoso, pode levar!"
Prato de pequi com arroz, a receita de dicumê mais consumida.
E lá vou eu com um saco de pequi, pensando nos carnudos de Lontra, no norte de Minas, terra do meu amigo Luis Carlos Gusmão, o Lunga, morador de Montes Claros, jornalista de sangue no olho. Ou nos pequi carnudos de Campo Azul, Japonvar, também no norte de Minas, a genuína capital mundial do pequi.

Montes Claros ganha no marketing e no comercialização d@ frut@ do cerrado. Igualzinho Teófilo Otoni que vende as pedras preciosas do Vale do Jequitinhonha e leva a fama de solo produtor de belezas raras, e se chama de capital mundial das pedras preciosas.Caroço de pequi cortado. A gema de cor branca vira castanha se deixar o caroço secar por cerca de 5 dias. 
O pequi exerce uma magia no povo do cerrado e da caatinga. Homens e mulheres acreditam que o consumo do pequi e seus derivados os deixam bastante excitados. Daí a fama do fruto ser uma espécie de afrodisíaco.


Frutos do pequi ainda verde. Quando amadurece, o fruto cai e 
é colhido por agricultores familiares.
Conheça o pequi e suas potencialidades
O pequi, fruto do pequizeiro, é nativo do cerrado brasileiro. É muito utilizado na culinária da região nordeste, centro oeste e norte de Minas Gerais. De sabor marcante e peculiar, o pequi é consumido cozido, puro ou misturado com arroz, frango ou carne de sol.
Da polpa pode se extrair também o azeite de pequi, um óleo usado para condimento e na fabricação de licores. 
Na língua indígena, pequi significa “casca espinhenta”.
De cor verde, quando maduro, possui em seu interior um caroço revestido por uma polpa macia e amarela, a parte comestível.
O consumo do pequi requer cuidado, pois a primeira camada do caroço é uma parte pastosa. Logo depois, há outa camada de inúmeros e minúsculos espinhos encontrados debaixo da polpa. Assim, é indicado que se roa o caroço, levemente, com cuidado, ao invés de mordê-lo. Se morder, como o porco-espinho ou ouriço do mar, ele solta um feixe de pequenos espinhos que pregam na língua, na gengiva e garganta. E como é difícil de retirar os espinhos, pois são bem minúsculos.

O pequi pertence à família das cariocáceas. Pode ser encontrado principalmente no norte de Minas e em toda a região Centro Oeste (considerada a capital da fruta), principalmente no estado de Goiás. Mas, também o fruto é encontrado em Rondônia, Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí, Bahia e Ceará. Há várias espécies. Somente em Goiás podem ser encontradas todas as diversas espécies. 
A frutificação ocorre entre os meses de setembro e fevereiro, com o pico da safra em Dezembro e janeiro.
O pequi faz parte da culinária norte-mineira e goiana, onde é centenária, desde o início do século XVIII, nas antigas vilas de Meia Ponte (hoje Pirenópolis) e Vila Boa (cidade de Goiás). 
O consumo do pequi previne tumores, problemas cardiovasculares e evitam a formação de radicais livres, por ser rico em óleo insaturado, vitaminas A, C e E; fósforo, potássio, magnésio e carotenóides.
Uma unidade do fruto do pequi (aproximadamente 50 g) possui 40 calorias.


Árvore do pequizeiro.

Pequi, o rei do Cerrado, vaticina o violeiro, cantador e pesquisador da "Universidade da Natura", Téo Azevedo, de Alto Belo, em Bocaiúva, no norte de Minas.

Confira a poesia matuta sobre o pequi:   O+Rei+do+Pequi+Teo+Azevedo

Bandeja de pequi, de 350 g, é vendida a R$ 5 reais, no CEASA Minas.

Colheita do pequi gera renda para agricultores familiares
A "panha" do pequi costuma complementar a renda de agricultores familiares. Os frutos são apanhados no chão quando caem do pé, sinal que já estão maduros e prontos para serem consumidos. Não se colhe o pequi direto da árvore.

É uma cultura nativa que só recentemente a EMBRAPA- Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária conseguiu realizar a produção de mudas.

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A "panha" do pequi dos frutos maduros caídos da árvore.

O pequi tem grande importância para as populações agroextrativistas e para economias locais. Alguns catadores extraem até 80% da renda na cadeia produtiva do pequi. 
Embora seja comercializado e consumido in natura, o município de Japonvar, no norte de Minas, a 100 km de Montes Claros, vem realizando diversificadas formas de processamento do uso do pequi (fruto e casca) como venda em conservas, produção de óleo, doce, xampu e sabonete. Anualmente, realiza a Feira Mundial do Pequi, numa valorização do potencial econômico do pequi. Montes Claros realiza a Festa Nacional do Pequi, a 29 anos, em uma valorização cultural, de identidade do catrumano, do sertanejo norte-mineiro.

A safra movimenta cerca de R$ 3,5 milhões na economia local de Japonvar, somente com a comercialização do fruto "in natura". A venda do produto em casca sai em caminhões com destino a Belo Horizonte, São Paulo, Brasília e Goiânia, além de outras cidades mineiras.
Resultado de imagem para Pequi colheita

Cerca de 4 mil pessoas, quase a metade do município, passaram a catar pequi, atividade que envolve homens, mulheres e crianças. O fruto é apanhado no chão, debaixo dos pequizeiros, com os moradores entrando em qualquer fazenda ou sítio, independentemente de quem seja o proprietário da área, para a prática extrativista. Os proprietários não se incomodam com a colheita do fruto nativo.

Um cálculo estimativo da EMATER, de 2017, é de produção de 21,5 mil toneladas do pequi em casca, em Minas, maior produtor do país, com quase toda a produção concentrada no norte de Minas. Goiás fica com a vice-liderança nacional.

Pequi tem cheiro de festa e renda

Para superar a seca e a falta de trabalho, comunidades rurais do Norte de Minas apostam no pequi, um fruto do cerrado, que ganha cada vez mais consumidores pelo país. A fruta retirada do quintal gera renda e auxilia na preservação do meio ambiente.


Foto: Dione Afonso
Na comunidade rural Sambaíba, em Januária, os produtores rurais aliam o extrativismo com a consciência ambiental. Proteger córregos e rios e preservar as árvores frutíferas do cerrado são algumas das medidas adotadas pelas 300 famílias que participam do projeto de divulgação do pequi no Estado.
No pequeno centro de beneficiamento, mulheres da comunidade são responsáveis pelo manuseio do fruto, que vai desde a retirada da polpa até a venda do pequi beneficiado. “Fazemos a retirada do fruto da cabaça, higienizamos e cozinhamos. Daqui o pequi vai direto para a mesa do consumidor”, disse a produtora rural Sercina Lopes de Araújo, de 53 anos.
A receita tradicional de “arroz com pequi” deu espaço a novas iguarias. Farinha, conservas, licores, óleo e até sabão são alguns dos itens vendidos pelos cooperados. “Descobrimos que do pequi podemos extrair várias coisas”, disse o presidente da Associação dos Usuários da Sub-bacia do Rio dos Pochos, José Geraldo Ribeiro Matos.
As comunidades também apostam em novas receitas, como tortas, doces e bolos. “Ainda estamos em fase de teste”, completou a produtora rural Jucelina da Mota Almeida, de 57 anos.
Há nove anos, 186 famílias de Japonvar são responsáveis pela comercialização do pequi em Minas e em São Paulo e Goiás. “Até na merenda escolar nosso pequi está presente. A criançada gosta porque está acostumada a comer em casa”, disse o presidente da Cooperativa de Produtores Rurais e Catadores de Pequi, Josué Barbosa de Araújo.
A produção de pequi movimenta a economia da cidade de 8.822 habitantes. “O pequi gera trabalho, movimenta o turismo e auxilia na preservação da tradição do Norte de Minas”, disse o secretário municipal de Agropecuária, José Afonso Pereira de Aquino.
Para se ter uma ideia da dimensão da produção, no ano passado, apenas a cidade de Japonvar escoou uma média de 10 toneladas do fruto. Neste ano, no auge da produção, a prefeitura contabiliza 15 toneladas do fruto in natura.
Castanha será subproduto da fruta
Um desafio dos produtores rurais é tornar o pequi atrativo para todos os paladares. O fruto, que é conhecido pelo forte aroma, chega de forma tímida a regiões em que é pouco conhecido.
Para conquistar mais apreciadores, o Departamento de Biologia da Unimontes está criando a castanha do pequi. Assim como a castanha de caju, o produto beneficiado do pequi possui alto valor nutricional e maior volume de óleo, conforme estudos da universidade.
De acordo com o professor Sérgio Avelino Nobre, para que a castanha ganhe mercado é preciso garantir maior durabilidade dela. “Estudamos a melhor forma de extrair a água da castanha. Com isso, o produto poderá ser fornecido para outras localidades”, disse. A castanha do pequi é extraída do embrião do fruto presente na semente.
Visibilidade
A capacitação por meio de parcerias com universidades e entidades de classe está auxiliando as comunidades no aperfeiçoamento da produção e na ampliação nas vendas do pequi. “Assim, o produto ganha uma visibilidade maior, o que ultrapassa as fronteiras de Minas”, disse o professor.
E, para isso, membros do Conselho Pró-Pequi, uma entidade civil que auxilia os produtores rurais, querem conquistar uma espécie de selo geográfico. Com ele, o pequi terá uma identificação de origem que comprova a qualidade do produto. A ideia é a de que o fruto seja conhecido como “Pequi do Norte de Minas”, assim como acontece com o queijo Canastra ou a cachaça de Salinas.
Safra de dezembro a março garante farra
O início da safra, entre dezembro e março, é marcado também por festejos e trabalhos nas comunidades do Norte de Minas. Em Montes Claros, a Festa Nacional do Pequi reúne uma média de 35 mil pessoas durante os cinco dias do evento, conforme a Secretaria Municipal de Cultura.
O principal atrativo está nos pratos que valorizam o sabor do pequi. “É, na verdade, uma oportunidade para o produtor rural colocar em evidência as receitas tradicionais de família. É uma forma de manter a tradição viva no Norte de Minas”, disse o secretário Carlos Roberto Borges Muniz.
E foi de uma brincadeira entre amigos durante o festival que surgiu outro evento que tem o mais famoso fruto do cerrado como prato principal. “Após participar de um concurso culinário em que foi premiada, a receita ganhou tanta repercussão entre amigos e parentes que acabou virando festa”, contou a jornalista Felicidade Tupinambá.
Há 14 anos, a Festa do Pequi, como é conhecida na região, preserva o sabor tradicional da iguaria, com o diferencial de trazer a polpa fora da semente. “Quem não é do Norte de Minas não sabe roer o pequi. Acho que isso torna a receita mais gostosa”, brincou a jornalista.
Fonte: Jornal Hoje em Dia

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Pequi beneficiado cria mercado para agricultores familiares

O sabor é marcante, o cheiro característico e a cor intensa aguçam os sentidos. Fruto típico do Cerrado mineiro, o pequi tem transformado a vida de muitas famílias rurais no Território Norte de Minas Gerais.

Em Jequitaí, a cerca de 100 Km de Montes Claros, com ajuda da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), agricultores familiares estão aprendendo as técnicas de beneficiamento do fruto e aumentando as possibilidades de comercialização.
O fruto é colhido no período de dezembro a março. De acordo com a engenheira agrônoma da Emater-MG, Maria Fernanda Nonato, os cursos são ministrados, desde 2014, com o objetivo de agregar renda, uma vez que permite aos agricultores vender o produto beneficiado na entressafra, a preços mais atraentes.
“O beneficiamento aumenta o tempo de conservação do fruto. Seguindo as boas práticas de fabricação, o pequi aumenta sua durabilidade em até um ano”, explica Maria Fernanda.
Segundo a extensionista, são ensinadas as técnicas de conservação por congelamento e por salmoura que permitem a produção do pequi congelado, da polpa congelada e também da conserva de pequi.
Em 2018 já foram capacitados 30 agricultores familiares, em cursos realizados nas Comunidades Rurais de Cana Brava, Vista Alegre e Morrinhos.
Pequi abre mercado para agricultores familiares no Norte de Minas (Divulgação/Emater-MG)
Parceria
Para a realização dos cursos foram priorizados agricultores beneficiários do programa Brasil Sem Miséria (BSM) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Alguns beneficiários do PBSM adquiriram freezeres e os utilizam para o armazenamento da polpa e do pequi em caroço congelados.
Uma parceria com o Núcleo Pró-Pequi, sediado em Montes Claros, viabiliza a aquisição de potes de vidro para a realização dos cursos, participação em feiras e organização da cadeia produtiva do pequi na região.
O beneficiamento tem aumentado o prazo de validade do produto para até um ano, ajudando a eliminar um gargalo na comercialização. A maioria dos extrativistas de Jequitaí coletam os frutos e os comercializam na BR-365.
“São muitas toneladas vendidas e em comunidades rurais do município esta é a única atividade de renda para a população. O valor nem sempre é justo devido a grande variação do mercado comprador”, explica Maria Fernanda.
Ouro do Cerrado
A história do pequi e do Norte de Minas se misturam. A região possui um cerrado abundante e o fruto se destaca principalmente na área gastronômica, sendo muito comercializado no local e também em outros estados como Goiás e São Paulo.
Com o fruto, são feitos pratos tradicionais, como a galinhada com pequi e arroz com pequi, o mais apreciado na região. A polpa possui altos teores de caroteno, proteínas, fibras e vitaminas A e C.
Fonte: Agência Minas

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Novo Conselho Diretor Pró-Pequi tom posse com mais participação social

Número de entidades da sociedade civil a compor o grupo passou de 9 para 12 participantes, de um total de 24

Representantes de 12 de entidades civis e públicas tomaram posse no Conselho Diretor-pró-Pequi , em Montes Claros.
Responsável por comercializar produtos derivados de frutos do Cerrado, no município de Januária, a Cooperativa dos Agricultores Familiares e Agroextrativistas do Vale do Peruaçu (Cooperuaçu) integra pela primeira vez a diretoria do Conselho Diretor Pró-Pequi, apesar de a cooperativa já ter participado de várias reuniões do grupo.
“É um momento de dar voz às cooperativas de produção, porque você tem no mesmo espaço o poder público e a sociedade civil, dialogando e tomando decisões. São raras essas oportunidades e no conselho vamos ter”, disse o coordenador da Cooperuaçu, Joel Sirqueira, ao participar da cerimônia de posse dos membros do conselho para o biênio 2017/2019.
O secretário de Estado de Desenvolvimento Agrário (Seda), Professor Neivaldo, participou da solenidade realizada na tarde de terça-feira (19/12), no Museu Regional do Norte de Minas, no centro de Montes Claros. A sessão foi aberta pelo presidente do Conselho Diretor Pró-Pequi, secretário de Estado adjunto, Alexandre Chumbinho.
“Estamos em um momento solene e festivo”, afirmou Chumbinho, ao empossar titulares e suplentes das 24 instituições e entidades públicas e privadas que vão compor o órgão deliberativo. Ele ressaltou a importância da ampliação do número membros, conforme decreto assinado em outubro pelo governador Fernando Pimentel.
O número de entidades da sociedade civil a compor o conselho passou de 9 para 12 participantes. Outros 12 representam o poder público. “Foi uma ação importante porque, na prática, significa a ampliação da participação dos movimentos sociais nas deliberações do órgão”, afirmou Chumbinho.
Presidido pela Seda, o Conselho Diretor Pró-Pequi é um órgão colegiado e paritário, criado em 2001, cujo objetivo é propor, deliberar e monitorar a execução de projetos e ações de incentivo à produção, beneficiamento e comercialização dos frutos do Cerrado e da Caatinga, integrando as populações que tradicionalmente fazem o manejo racional desses biomas, numa perspectiva de sustentabilidade ambiental e geração de renda.
Para a representante da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Coodevasf), Eleniz Soares Lisboa, a participação do órgão do Governo Federal no conselho é positiva.
“É a primeira vez que participamos do Pró-Pequi. Vamos interagir com várias entidades e instituições, incluindo as universidades, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social dos pequenos produtores, da agricultura familiar”, disse Eleniz.
A Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese) também integra a nova diretoria. “É um dos conselhos mais atuantes no estado. Acredito que com a ampliação iremos enriquecer os debates e vamos continuar atuando para que as decisões sejam efetivas”, disse a diretora regional da Sedese, Maria da Soledade Queiroz, ao participar da mesa de abertura.
Avanços
Durante a posse o secretário Professor Neivaldo falou dos avanços do Conselho Diretor Pró-Pequi a partir de 2015, quando a Seda passou a presidir o órgão.
Além de garantir melhor estrutura para os conselheiros participarem das reuniões, houve também o lançamento de dois editais, que somam cerca de R$ 900 mil, para que agroindústrias familiares possam comprar matéria-prima e equipamentos para o beneficiamento do pequi e outros frutos do cerrado.
“No próximo ano, esperamos também apoiar as universidades para o desenvolvimento de pesquisas”, antecipou o secretário.
Também participam da cerimônia de abertura o subsecretário de Agricultura Familiar da Seda, Lázaro Reis; o secretário Municipal de Cultura, João Rodrigues; e Gláucia Gonçalves, a assessora do deputado estadual Rogério Correia, autor do projeto de lei que criou o Conselho Diretor Pró-Pequi.
Fonte: SEDA MG

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Cooperativa impulsiona o extrativismo sustentável em Januária, no norte de Minas

O trabalho desenvolvido por uma cooperativa busca fortalecer o extrativismo sustentável no Norte de Minas. Fundada em 2013, a Cooperativa dos Agricultores Familiares e Agroextrativistas do Vale do Peruaçu (Cooperuaçu) comercializa produtos derivados de frutos do cerrado, no município de Januária.

Beneficiamento do pequi (Foto: Cooperuaçu/Divulgação)
Um dos principais objetivos da cooperativa é incentivar a produção de frutos do cerrado. Neste caso, o pequi ganha destaque. A cooperativa aproveita todas as formas de comercializar o fruto, que é nativo da região. Dele são extraídos o óleo, a polpa em conserva, creme e farofa da castanha.
Mas, outros frutos também são cultivados e comercializados pelos 60 produtores da cooperativa. Um destes integrantes é o produtor Jorge Martins Correia, de 55 anos, que se filiou à cooperativa desde a fundação. Ele conta que em sua propriedade, com cerca de 12 hectares, são produzidos pequi, coquinho, cagaita, jatobá e cabeça de nego.
“Hoje o lucro que tenho é bastante gratificante; garanto uma renda boa. Prefiro comercializar os frutos, a criar gado aqui. O lucro que obtemos com a criação de gado não se iguala ao lucro com a produção de coquinho, e ainda tem os outros frutos”, afirma o produtor.
Os frutos levados à cooperativa são processados para melhor comercializa-los. “Lá são encontradas as melhores formas para comercializar os frutos. De alguns são feitos doces, outros são tiradas as polpas ou sucos”, explica o produtor.
A exploração de outros mercados, inclusive internacionais, são almejados com parcerias de outras cooperativas. “Nós temos boa relação com a Central do Cerrado, que é a Central de Cooperativas do Cerrado que fica em Brasília (DF). Tem boa relação com Copae, com a Grande Sertão Veredas da Chapada Gaúcha, e com a Grande Sertão de Montes Claros, que é grande parceira comercial. Produzimos o creme de pequi, e, com a ajuda da Central do Cerrado, enviamos algumas receitas para o Japão. Eles aprovaram, e recentemente nos pediram uma carga bem maior”, explica o coordenador da Cooperuaçu, Joel Sirqueira.
Fonte: G1 Grande Minas

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Seca derruba até a safra de pequi no Norte de Minas

Perda de colheita do pequi pode chegar a 80%

Os pequizeiros sempre foram resistentes à escassez de chuvas. Mas, avaliam os produtores, como o Norte de Minas teve quatro ano seguidos de estiagens prolongadas, a espécie também não resistiu e sofreu a drástica queda na produção. Nos últimos anos, os pés de pequi também estão sendo atacados por um besouro que destrói as folhas e as flores da planta, impedindo a produção e matando as árvores.
Seca reduziu safra do pequi no Norte de Minas (Foto: Reprodução)

Penúria em Japonvar
Os efeitos negativos da brusca queda na produção do pequi são sentidos em Japonvar – município de 8,4 mil habitantes. Como em outros pequenos municípios do Norte de Minas, os moradores ficam na expectativa da chegada desta época do ano, com a esperança de ganhar algum dinheiro como catadores do fruto nativo no mato, em um trabalho que envolve famílias inteiras, incluindo as crianças. Desta vez, a redenção não veio.
“Acho que neste ano será colhida apenas 20% da quantidade de pequi que deveria ser produzida na região”, afirma José Afonso Pereira de Aquino, presidente do Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável de Japonvar. “Nos últimos quatro anos, as chuvas foram poucas. A água da chuva foi pouca e ficou na superfície, sem penetrar no solo. Muitos pequizeiros não resistiram e morreram”, diz José Afonso. Segundo ele, a mortandade dos pequizeiros na região de quatro anos para cá também ficou na faixa de 20%.
José Afonso Aquino explica que, em anos anteriores, muitas famílias de Japonvar, além de garantir a compra de mantimentos para o próprio sustento, compraram bens duráveis como geladeira e fogão a gás com a “renda do pequi”. “Teve gente que comprou até carro e moto ou reformou a casa com o dinheiro que ganhou catando o fruto”, relata, lamentando que, neste ano, no entanto, o sagrado “dinheirinho do pequi” não veio por cauda da quebra na safra.
O presidente da Cooperativa dos Pequenos Produtores e Catadores de Pequi de Japonvar (Cooperjap), Josué Barbosa de Araújo, afirma que Japonvar tem cerca de 400 famílias – totalizando em torno de 2 mil pessoas – que, nesta época, acordam cedo para ir para o meio do mato “catar” pequi, que é apanhado depois de cair no chão, normalmente, de madrugada e pela manhã. Como o fruto é nativo, ele é catado no chão pelos moradores de maneira extrativista, independentemente de quem seja dono das propriedades onde estão os pequizeiros.
“Na época do pequizeiro florescer, faltou chuva. Por isso, a safra caiu tanto neste ano”, avalia Josué. “Como nos últimos quatro anos as chuvas foram poucas na região, a produção do pequi foi diminuindo ano a ano”, diz ele. “De fato, o pequi ajuda as famílias carentes e gera muito emprego e renda no município e na região. Mas, neste ano, a situação está difícil”, lamenta.
A situação complicada com a queda da safra de pequi em Japonvar é enfrentada pela pequena agricultora Marilene Aquino de Jesus, a Lena, de 47 anos, mãe de cinco filhos. “Na verdade, para mim, o pequi ajuda a manter a casa, a pagar as contas de água e luz e fazer feira. Ajuda também a comprar cadernos para as crianças, remédios e roupas, pois a gente não tem salário”, relata Lena, reclamando que, com a redução da safra, não sabe como vai cobrir as despesas. Ela conta que planta lavouras na pequena propriedade da família, na localidade de Rancharia, a sete quilômetros da área urbana de Japonvar. “Infelizmente, nos últimos quatro anos choveu muito pouco não colhemos quase nada”, lamenta. “Agora a nossa esperança é que Deus possa mandar chuva”, acrescentou.
Marilene disse que nos anos anteriores, além de catar o fruto no mato, teve uma boa renda com a produção e venda da polpa do pequi – que agrega valor ao produto, sendo comercializada a R$ 20 o quilo. “A queda da produção foi tanta que acho que não vai ter pequi para fazer polpa. O jeito é economizar o máximo possível e esperar que ano que vem possa ter uma boa safra de pequi”, diz a batalhadora mulher.
Outro que sofre diretamente com as consequências da redução da safra de pequi em Japonvar é pequeno agricultor Jovino Soares de Aquino. “Na época do pequi, todo mundo ganha um dinheirinho, até as crianças. O pequi é uma renda que Deus deixou pra nós e que agora está acabando”, diz Jovino. Ele conta que, junto com a mulher, Gasparina, e um filho, Eduardo, sempre dedicou ao negócio do pequi nesta época do ano. “A gente cata, compra e revende o pequi, além de fazer polpa. Compramos, inclusive, de pessoas que catam o pequi dentro do nosso próprio terreno, como se fosse de outro lugar. A natureza produz para todo mundo e todo mundo precisa ser servido”, comenta o agricultor.
Jovino lembra que no ano passado, faturou cerca de R$ 3,5 mil com a comercialização de polpa do pequi. Agora, a expectativa de faturamento é quase zero. “Como a produção caiu muito, a gente nem imagina como será a renda do pequi, se vai ter como ganhar alguma coisa”, afirma o pequeno produtor rural.
Atualmente, a caixa do pequi (25 quilos) está sendo vendida a R$ 30 em Japonvar. Influenciado pela lei da oferta e da procura, o preço é o dobro do praticado no mesmo período de 2015 (R$ 15 a caixa). “Mas não sabemos se esse valor será mantido porque, se a safra cair muito, não terá pequi em grande quantidade. Aí, não terá como carregar caminhões aqui para vender para BH, Goiás, Bahia e outras regiões”, observa Jovino.
Ele testemunha as mortes dos pequizeiros. “Além das folhas, o besouro ataca a raiz dos pequizeiros, que não resistem e morrem. Na minha propriedade, de dois anos para cá, morreram uns 15 pés de pequi”, descreve Jovino.
O agricultor ressalta que, diante desse quadro, a própria comunidade terá que se mobilizar para manter os pequizeiros. “O prejuízo com as mortes dos pés de pequi é muito grande. Vamos ter que produzir mudas de pequizeiro e plantar”, afirma.
Dívida
A Cooperativa dos Pequenos Produtores e Catadores de Pequi de Japonvar (Cooperjap) foi criada com o objetivo de incrementar o extrativismo e aumentar a renda dos catadores de pequi no município. No entanto, há dois anos que a entidade – que tem 180 famílias cooperadas – está parada, devido a uma dívida de impostos e outros encargos com o governo do Estado. O presidente da Cooperjap, Josué Barbosa de Araújo, disse que está tentando negociar o pagamento dos débitos, a fim de que a cooperativa possa retomar os trabalhos e auxiliar os pequenos agricultores e catadores. “Na verdade, embora a dívida esteja em R$ 300 mil, o valor inicial era de R$ 58 mil. O restante é de juros e multas, que estamos tentando negociar para que sejam perdoados. Assim, teremos condições de pagar o que estamos devendo e a cooperativa poderá voltar a funcionar, ajudando os pequenos agricultores”, assegura Josué.
Fonte: Estado de Minas/Luiz Ribeiro.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

É tempo de pequi!

Pequi: macio, espinhento, afrodisíaco, fedorento e gostoso

Pequi, o rei do Cerrado
Macio, espinhento, afrodisíaco e gostoso
Cheiroso ou fedorento? Depende do roedor de pequi e das narinas atentas.
O pequi é um fruto que ninguém tem sentimentos meia-tigela com ele. Ou adora ou detesta. "Ame-o ou deixe-o", se possível num prato à mão, defende os apreciadores.
Quem não gosta reclama do cheiro, dos espinhos, da falta de educação à mesa, comendo com os dedos lambuzados daquele óleo amarelo avermelhado, brilhante.Em dezembro/janeiro, as ruas de Montes Claros e cidades do norte de Minas e Vale do Jequitinhonha são perfumadas, - pra nós que gostamos-. com o odor embriagante deste amarelão querido e adorado. É uma verdadeira denúncia da intimidade dos lares cheios de cadeados e muros altos. Até nos condomínios fechados o cheiro grita nos nossos narizes.

No Vale do Jequitinhonha, as feiras são invadidas com os gritos: "Olha o pequi de Montsclaro". Metido a conhecedor, consumidor ferrenho, sem medo dos espinhos, questiono: "Não é de daqui perto mesmo, da Chapadão do Lamarão? Tá com pouca carne...". O vendedor arregala o olho e diz:"Deixa pra lá, Banu. Pequi daqui é tudo assim mesmo, magrim,magrim... Mas é gostoso, pode levar!"E lá vou eu com um saco de pequi, pensando nos carnudos de Lontra, no norte de Minas, terra do meu amigo Luis Carlos Gusmão, o Lunga, jornalista de sangue no olho. Ou nos de Japonvar, também no norte, a verdadeira capital mundial do pequi.
Montes Claros ganha no marketing e no comércio da fruta do cerrado. Igualzinho Teófilo Otoni que vende as pedras preciosas do Vale do Jequitinhonha e leva a fama de solo produtor de belezas raras.O pequi exerce uma magia no povo do cerrado e da caatinga. Tem homem que acha que dá no couro roendo uma dúzia de caroços, como se @ frut@ milagros@ fizesse marcar 12 horas, num estalo.
O pequi, segundo os livros escolares
O pequi, fruto do pequizeiro, é nativo do cerrado brasileiro. É muito utilizado na culinária da região Nordeste, Centro Oeste e norte de Minas Gerais. De sabor marcante e peculiar, o pequi é consumido cozido, puro ou misturado com arroz, frango, carne de sol.
Da polpa pode se extrair também o azeite de pequi, um óleo usado para condimento e na fabricação de licores. Na língua indígena, pequi significa “casca espinhenta”.

De cor verde, quando maduro, possui em seu interior um caroço revestido por uma polpa macia e amarela, a parte comestível.O consumo do pequi requer cuidado, em razão dos inúmeros e minúsculos espinhos encontrados debaixo da polpa. Assim, é indicado que se roa o caroço, lentamente, ao invés de mordê-lo.O pequi pertence à família das cariocáceas, pode ser encontrado em toda a região Centro Oeste (considerada a capital da fruta), nos estados de Rondônia, Minas Gerais, Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí, Bahia e Ceará, visto que somente em Goiás podem ser encontradas todas as espécies. A frutificação ocorre entre os meses de setembro e fevereiro.

O pequi faz parte da culinária goiana há séculos, desde o início do século XVIII, nas antigas vilas de Meia Ponte (hoje Pirenópolis), e Vila Boa (cidade de Goiás). Por ser rico em óleo insaturado, vitaminas A, C e E; fósforo, potássio, magnésio e carotenóides; sua ingestão previne tumores, problemas cardiovasculares e evitam a formação de radicais livres.
Informação importante: uma unidade de pequi (aproximadamente 50g) possui 40 calorias.

Pequi, o rei do Cerrado, vaticina o violeiro, cantador e pesquisador da "Universidade da Natura", Téo Azevedo, de Alto Belo, em Bocaiúva, no norte de Minas.

Post publicado em 2009, 2011 e 2014, neste Blog, nos janeiros e dezembros. 

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Cadeia produtiva do Pequi é reconhecida pelo Governo Mineiro

Medida terá como principal consequência a concessão de linhas especiais de crédito para produtores de 14 municípios.


O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sede), reconheceu oficialmente nesta quinta-feira (28/5), em Montes Claros, o Arranjo Produtivo Local (APL) do Pequi e outros Frutos do Cerrado. O novo arranjo contempla 14 municípios do Norte de Minas e traz, como benefício imediato, crédito especial da Caixa Econômica Federal (CEF) para os produtores organizados e para os que agregam valor ao pequi.
O coordenador do Núcleo Gestor de Arranjos Produtivos Locais da Sede, Fernando Passalio Avelar, explicou as duas linhas de crédito que beneficiam diretamente os integrantes do APL do Pequi. São elas: a linha Proger – com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) – destinada à expansão de empresas e aquisição de novos equipamentos, veículos, computadores e até mesmo reformas. A taxa é de 0,94% ao mês, com prazo de 48 meses para pagamento e 180 dias de carência. A outra linha disponível é APL Giro, recurso do Programa de Integração Social (PIS) que, como o próprio nome diz, se destina ao capital de giro das empresas com alíquota de 0,83% ao mês e 12 meses para pagamento.
Passalio disse ainda que o Estado está reformulando a política dos APLs e, por isso, pediu às associações e cooperativas do Pequi para contribuírem com sugestões em pontos considerados fundamentais para o desenvolvimento do setor. O novo APL passa, a partir de agora, a fazer parte do Núcleo Gestor da Cadeia Produtiva do Pequi e outros Frutos do Cerrado da Sede, cujo objetivo é articular ações de apoio à cadeia produtiva. Também no Estado, dentro da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), existe o Conselho Diretor Pró-Pequi, responsável pela gestão do Programa Mineiro de Incentivo ao Cultivo, à Extração, ao Consumo, à Comercialização e a Transformação do Pequi.
Os municípios contemplados com essa iniciativa são: Montes Claros, Januária, Chapada Gaúcha, Buritizeiro, Rio Pardo de Minas, São João da Lagoa, Riacho dos Machados, Lontra, Japonvar, Várzea da Palma, Ponto Chique, Coração de Jesus, Arinos e Bonito de Minas. Boa parte dos produtores de pequi do Norte de Minas é organizada em associações e cooperativas, mas há aqueles que não são vinculados a nenhuma entidade.
“A cadeia do pequi é muito importante para o Norte de Minas, atendendo milhares de famílias. Por isso, consideramos fundamental esse novo olhar do governo para essa cultura”, afirmou o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Altamir Rôso. Ele lembra que, no passado, o pequi era fonte de renda apenas nos meses da safra. Entretanto, com a inovação alcançada nos últimos anos, é possível movimentar o setor durante todo o ano na fabricação de derivados do fruto.
Variedade de usos e benefícios à saúde
O pequi é uma árvore nativa do cerrado brasileiro e o seu fruto é muito utilizado nas culinárias mineira e goiana. Dele é extraído o óleo de pequi, a polpa e a castanha. Fabrica-se também farinha, geleia e o licor de pequi. O fruto tem cheiro e sabor marcantes e pode ser consumido cozido puro ou com arroz e frango. Do ponto de vista nutricional, é considerado um alimento rico em vitamina A e potássio; possui propriedades medicinais com ácidos graxos monoinsaturados, altos índices de compostos anti-inflamatórios e é remédio natural para asma.
Atualmente, existem cerca de 40 Arranjos Produtivos Locais (APLs) no estado, em diferentes segmentos da economia. Entre eles estão o de eletroeletrônicos (Santa Rita do Sapucaí), biotecnologia (Grande BH, Triângulo e Viçosa) e software (Grande BH). A união de empreendedores em forma de APL facilita o acesso a linhas de crédito com juros mais baixos, impulsiona a comercialização dos produtos nos mercados interno e externo e possibilita outros benefícios como capacitação, por meio de cursos e workshops. 
Fonte - Agência Minas

terça-feira, 16 de julho de 2013

Pequi vira ouro do cerrado mineiro e goiano

Técnicas de conservação permitem que fruto, antes vendido apenas em regiões produtoras como Norte de Minas e Goiás, ultrapasse barreiras e seja comercializado nos EUA e Europa

Luiz Ribeiro - Estado de Minas - Publicação: 15/07/2013:34


'Antigamente o fruto não tinha valor econômico, pois se resumia ao extrativismo durante a safra. Não tinha como conservá-lo no resto do ano. Quando surgiu o pequi em conserva, decidimos pela montagem da indústria', diz Fernando Lima, empresário (Sólon Queiroz/Esp. EM)
"Antigamente o fruto não tinha valor econômico, pois se resumia ao extrativismo durante a safra. Não tinha como conservá-lo no resto do ano. Quando surgiu o pequi em conserva, decidimos pela montagem da indústria", diz Fernando Lima, empresário
 Fruto símbolo do cerrado, o pequi vive um processo de expansão. Antes restrito ao período de safra entre novembro e fevereiro, agora é comercializado durante o ano inteiro. O milagre neste aspecto está nas técnicas de conservação do fruto, que permitem que os apreciadores possam ter o “ouro do cerrado” no cardápio em qualquer mês do ano. O produto, que antes era vendido basicamente em regiões produtoras como o Norte de Minas e Goiás, passou a ser comercializado também nos grandes centros consumidores como Belo Horizonte e São Paulo. Mas o marcante paladar do pequi chega mais longe: já é exportado para os Estados Unidos e países da Europa. Esse é o tema da segunda reportagem da série Frutas S/A.
Com o aparecimento do alimento em conserva, surgiu uma verdadeira cadeia produtiva do pequi, que ganha outros derivados além das conservas. O consumidor pode apreciar também o molho, a farofa, o óleo, o licor, o doce e até o sorvete de pequi. O fruto compõe, ainda, o cardápio de pratos até então tradicionais. O apreciador pode se sentar em um restaurante e pedir, por exemplo, uma pizza, um crepre ou pasteizinhos de pequi.
O pequi em conserva ganhou o mercado devido ao trabalho de empreendedores como Fernando Lima, de Japonvar, um dos municípios que mais produzem o fruto símbolo do cerrado no Norte de Minas. Ele montou uma pequena indústria, que envasa o pequi em conserva (polpa e o fruto inteiro). Também produz óleo e o creme de pequi. “O município de Japonvar sempre produziu muito pequi, mas, antigamente o fruto não tinha valor econômico, pois se resumia ao extrativismo durante a safra. Não tinha como conservá-lo no resto do ano. Quanto surgiu o pequi em conserva, decidimos pela montagem da indústria”, relata Lima.

Ele recorda que o “ouro do cerrado” passou a ser visto como uma alternativa econômica para Japonvar há cerca de 10 anos, quando foi criada a Cooperativa dos Catadores de Pequi no município, que contou com o incentivo do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae). Mas há algum tempo a entidade entrou em crise por falhas de gestão. “Mas vamos fazer um trabalho para reativar a cooperativa, pois o negócio do pequi melhorou muito”, afirma o prefeito da cidade, Eraldino Soares de Oliveira, lembrando que, entre os meses de novembro e fevereiro, 80% dos moradores do município se dedicam à “cata” do pequi, ofício que envolve homens, mulheres e crianças.

Fernando Lima conta que na última safra adquiriu 15 toneladas do fruto nativo para a produção do pequi em conserva. Além dos mercados de Minas Gerais e São Paulo, grande parte do que é produzido pelo empresário de Japonvar – da marca Riqueza do Cerrado – é destinada à exportação. Um dos responsáveisl pela entrada do fruto nativo no mercado internacional é o empresário Danilo Pinto, de Goiânia. Ele adquire o pequi em conserva da indústria de Fernando Lima, no Norte de Minas, e também têm fornecedores em Goiás. Em parceria com uma empresa especializada no comércio exterior, envia o pequi em conserva para os Estados Unidos e países da Europa como Espanha, Portugal, Inglaterra, Alemanha e Irlanda.
 EXPORTAÇÕES
Danilo conta que, na última safra, exportou três toneladas de pequi em conserva para os Estados Unidos. “Antes da crise internacional cheguei a enviar carga de até 10 toneladas”, diz. Ele conta que “lá fora” os consumidores do “ouro do cerrado” são emigrantes brasileiros, principalmente mineiros e goianos. O empresário acredita que o mercado tem potencial para crescimento. “A aceitação do pequi em conserva está sendo muito boa, com um aumento das vendas em torno de 10% por ano. O consumo cresce à medida em que as pessoas passam a conhecer o produto”, enfatiza o empresário, ressaltando as qualidades do pequi. “Além das diversas formas de aproveitamento na culinária, o pequi faz bem para a saúde, pois combate os radicais livres. Também é rico em vitamina A”.
O exportador ressalta que “acabou aquele estigma de que pequi é coisa de matuto. Hoje, ele é comida de pessoas refinadas. Antes, ninguém acreditava no pequi como produto vendável. Com o tempo, quebrou-se um paradigma e o pequi passou a ocupar as gôndolas dos pontos de vendas, mas será preciso um trabalho demorado para a conquista efetiva do mercado internacional”.
 A transformação no sertão
 O crescimento do mercado do pequi a partir da venda do produto em conserva reflete nos municípios produtores do Norte de Minas, mudando a vida no sertão. Nesses locais, o fruto símbolo do cerrado era a garantia de alimentação durante o período da safra. Agora, o dinheiro que resulta das vendas do pequi também proporcionam a compra de roupas, eletrodomésticos e outros bens de consumo, ajudando centenas de pessoas a amenizar o castigo da seca.

“Uma das grandes vantagens do pequi é que o dinheiro da sua venda fica nos municípios produtores. Ou seja: incrementa a renda e aumenta o Produto Interno Bruto (PIB) dos pequenos municípios”, afirma empresário Danilo Pinto, que compra pequi diretamente nas regiões produtoras e exporta o fruto em conserva. “Outro aspecto é que a partir do momento que perceberam a sua importância econômica, as pessoas passaram preservar os pequizeiros, que não estão mais derrubados para a produção de carvão”, completa. 

O Estado de Minas visitou a zona rural de Japonvar (Norte do estado) para verificar as condições de vida dos moradores antes, durante e depois da safra do pequi. Foi possível observar a importância do fruto na geração de renda e superação diante da falta de chuvas. A produtora Silene Ribeiro de Souza, de 36 anos, mãe de quatro filhos, da localidade de Rancharia, distante oito quilômetros da área urbana, vivia desolada diante da falta de chuvas durante a primeira visita em setembro do ano passado. “Em 2012, a seca foi brava demais. A gente perdeu tudo que plantou”, lamentou Silene, ao lado do marido, o pequeno produtor Josival Aquino de Jesus.

Em janeiro, em pleno período da safra de pequi, o EM voltou à Rancharia e encontrou Silene mais animada. Juntamente com o marido, Josival, e os quatro filhos, ela catava pequi no próprio terreno da família. A caixa do pequi em casca (35 quilos) era vendida a R$ 5. “As coisas melhoraram muito porque o pequi ‘chegou’”, disse a mulher. “ Com o dinheiro do pequi, quero comprar roupas e sapatos para os meninos”, afirmou.
A reportagem retornou na primeira quinzena de junho. Desta vez, Silene, com satisfação, exibiu caixas de sapatos e as roupas que comprou para os filhos com o dinheiro da venda do pequi. “Antigamente, o pequi caía e perdia no mato. Hoje, não tem mais desperdício e está sendo a salvação da gente”, relata a agricultora.
 RESULTADOS
Outra que constata a transformação do mercado do pequi é Anaíra Mendes de Jesus, de 50, também moradora da zona rural de Japonvar. Em janeiro, no período da safra, a reportagem acompanhou a destreza da lavradora no ofício de “catar pequi no mato”. “Cato até 10 sacos (30 quilos cada) de pequi por dia. Para apanhar pequi bom a gente tem que acordar cinco horas da manhã”, disse a mulher, mãe de cinco filhos. Quando recebeu novamente a reportagem, em junho, Anaíra mostrou os resultados do seu esforço como catadora de pequi. “Com o dinheiro da venda do pequi comprei um colchão, um guarda-roupa, um liquidificador, roupas e ainda pude reformar parte de minha casa”, disse. (LR)
 Polpa também é lucrativa
 Uma outra inovação também facilitou os negócios com o fruto-símbolo do cerrado : a venda do pequi em polpa. Muitas consumidores resistem à versão in natura com receio de sofrer algum ferimento na boca devido aos espinhos existentes dentro do caroço do fruto. “Com a polpa do pequi, não existe esse risco”, afirma José Geraldo Rodrigues Botelho, dono de uma indústria de pequi em conserva no município de Ubaí (Norte de Minas).
Formado em medicina veterinária, José Geraldo iniciou a produção em conserva há oito anos, tendo registrado a marca Pequi de Minas. Ele conta que se interessou pelo assunto depois de ser informado sobre a técnica de conservação do pequi (feita à base de água, sal, ácido cítrico e benzoato de sócio) em reportagem do caderno Agropecuário do Estado de Minas.
A cada ano, ele amplia o seu negócio. Na última safra, embalou seis toneladas do produto. “Garanto renda para cerca de 120 pessoas durante a colheita, que vai de dezembro a fevereiro”, diz. O produtor de pequi em conserva de Ubaí fornece para distribuidores de Minas, São Paulo, de todos os estados do Centro-Oeste, além do Distrito Federal, e para o Paraná. Ele diz que já foi sondado para levar o fruto do cerrado para a Arábia Saudita. Porém, afirma que se dedica mais à comercialização junto aos varejistas, atendendo sacolões, mercearias e outros estabelecimentos. “Somente no Mercado Central de Belo Horizonte tenho 17 pontos de venda”, comemora José Geraldo, que atende ainda diversos comerciantes do Mercado Municipal de Montes Claros, cidade cuja culinária tem como protagonistas o próprio pequi e a carne de sol. “O pequi em conserva é um negócio rentável e acredito que vai melhorar muito mais”, vislumbra o produtor. (LR)