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quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Araçuaí: Vale do Jequitinhonha debate Plano Plurianual do Governo Zema

PPAG 2020-2023 será debatido em Araçuaí, no dia 04 de novembro.

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Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, recebe a última audiência pública da Discussão Participativa do Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG) 2020-2023, no interior. A reunião será realizada na próxima segunda-feira (4/11/19), a partir das 8 horas, no Instituto Federal do Norte de Minas Gerais. As inscrições para participar do evento podem ser feitas até as 15 horas do dia 1º de novembro.
O debate sobre o Projeto de Lei (PL) 1.166/19, que contém a peça orçamentária, também foi realizado nas cidades de Montes Claros (Norte), Varginha (Sul) e Belo Horizonte. 
No interior, três áreas temáticas são priorizadas: águas, agricultura familiar e cultura. Na Capital, foram tratadas outras diferentes políticas públicas como educação, assistência social, segurança pública e saúde ao longo de sete dias de atividades.
Em Araçuaí, os trabalhos se iniciam com o credenciamento dos participantes. Após a abertura do evento, às 9 horas, será realizado um painel de contextualização sobre o planejamento e orçamento público; o papel do legislativo na construção das políticas públicas, além, claro, da apresentação do novo PPAG 2020-2023, com as ações e programas do Executivo para as áreas a serem abordadas.
À tarde, após o intervalo do almoço, serão formados os grupos de trabalho sobre a gestão das águas, as ações e programas destinados à agricultura familiar e aqueles voltados à promoção da cultura. O encerramento das atividades está previsto para as 18 horas.
Dinâmica e desdobramentos – Os participantes dos encontros vão discutir os programas e ações contidas no Projeto de Lei 1.166/19, de autoria do governador Romeu Zema, e poderão sugerir supressões, acréscimos e outras alterações nos itens.
Todas as sugestões apresentadas são analisadas e debatidas na Assembleia. Elas podem virar emendas ao projeto do Plano Plurianual e/ou ao projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA), bem como requerimentos a serem encaminhados pelo Parlamento mineiro com a solicitação de informações ou providências a outros órgãos governamentais ou a entidades privadas.
As sugestões da Discussão Participativa que virarem emendas ao texto se somarão às emendas apresentadas pelos deputados durante a tramitação do projeto, que se dá em turno único. Ele será apreciado pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (FFO) ampliada com integrantes das outras comissões permanentes, antes de ser votado em Plenário e se tornar lei.
Planejamento – O Plano Plurianual é uma das quatro peças principais do sistema de planejamento do Estado, ao lado da LOA, da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), ambas anuais, e do Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI), que trata de um horizonte de longo prazo. O PPAG é voltado para o planejamento de médio prazo do Estado, com os programas e ações que serão priorizados num período de quatro anos.
Um novo plano é construído no primeiro ano de cada novo mandato do governo estadual. É o caso do atual, que terá validade entre 2020 e 2023. O PL 1.166/19 prevê a execução de 154 programas, divididos em 836 ações. Os programas estão distribuídos em 14 áreas temáticas, somadas a uma área específica para os demais poderes.
O conteúdo do projeto passa anualmente por discussões na Assembleia Legislativa que têm como eixo central a participação da sociedade. Essas reuniões são realizadas pelas Comissões de Participação Popular e de Fiscalização Financeira e Orçamentária.
Fonte: ALMG

terça-feira, 15 de outubro de 2019

PPAG de Minas em Montes Claros: participação popular define prioridades do Governo de 2020 a 2023

Montes Claros recebe primeira audiência sobre o novo PPAG 2020-2023.

Plano Plurianual, que prevê as ações do Estado para os próximos quatro anos, receberá contribuições da sociedade.Twitter Facebook Email Versão para impressão

Em 2017, Montes Claros também sediou debates sobre o PPAG no Norte de Minas - Arquivo ALMG
Em 2017, Montes Claros também sediou debates sobre o PPAG no Norte de Minas - Arquivo ALMG - Foto: Guilherme Bergamini
A primeira reunião da Discussão Participativa do Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG) 2020-2023 será realizada na segunda-feira (21/10/19), das 8 às 18 horas, na Câmara Municipal de Montes Claros (Região Norte). 
As inscrições para participar do evento podem ser feitas on-line até as 15 horas da sexta-feira, dia 18 de outubro. Mas, quem não conseguir pode se inscrever no local.
Este e os demais debates sobre o Projeto de Lei (PL) 1.166/2019, que contém o PPAG, serão promovidos pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
Três cidades do interior de Minas receberão audiências do PPAG: Montes Claros ( norte de Minas), Varginha (Sul) e Araçuaí (Vale do Jequitinhonha). Nas duas últimas, os encontros serão realizados, respectivamente, nos dias 23 de outubro e 4 de novembro. Em Belo Horizonte, a programação se estenderá do dia 24 de outubro ao dia 5 de novembro.
Em Montes Claros, os trabalhos se iniciam com o credenciamento dos participantes. Após a abertura do evento, às 9 horas, será realizado um painel de contextualização sobre o planejamento e orçamento público e o papel do Legislativo na construção das políticas públicas, além da apresentação do PPAG 2020-2023, com as ações e os programas do Poder Executivo destinados às áreas que serão abordadas.
No interior, três eixos temáticos serão priorizados: águas, agricultura familiar e cultura. 
Na Capital, serão tratadas outras áreas, como educação, assistência social, segurança pública, saúde e infraestrutura e mobilidade, a serem avaliadas nos sete dias de atividades.
À tarde, após o intervalo do almoço, serão formados os grupos de trabalho sobre a gestão das águas, as ações e programas destinados à agricultura familiar e aqueles voltados à promoção da cultura. 
Porém, se houver grupos que se interessem por outras áreas como educação, saúde, desenvolvimento social, meio ambiente, ciência e tecnologia, e outros, poderão debater e elaborar as propostas específicas. A Audiência Pública receberá e validará as propostas apresentadas. 
O encerramento das atividades está previsto para 18 horas.
Dinâmica e desdobramentos
Os participantes dos encontros vão discutir os programas e ações contidas no Projeto de Lei 1.166/19, de autoria do governador Romeu Zema, e poderão sugerir supressões, acréscimos e outras alterações nos itens.
Todas as sugestões apresentadas são analisadas e debatidas na Assembleia. Elas podem virar emendas ao projeto do Plano Plurianual e/ou ao projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA), bem como requerimentos a serem encaminhados pelo Parlamento mineiro com a solicitação de informações ou providências a outros órgãos governamentais ou a entidades privadas.
As sugestões da Discussão Participativa que virarem emendas ao texto se somarão às emendas apresentadas pelos deputados durante a tramitação do projeto, que se dá em turno único. Ele será apreciado pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (FFO) ampliada com integrantes das outras comissões permanentes, antes de ser votado em Plenário e se tornar lei.
Planejamento
O Plano Plurianual é uma das quatro peças principais do sistema de planejamento do Estado, ao lado da LOA, da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), ambas anuais, e do Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI), que trata de um horizonte de longo prazo. 
O PPAG é voltado para o planejamento de médio prazo do Estado, com os programas e ações que serão priorizados num período de quatro anos.
Um novo plano é construído no primeiro ano de cada novo mandato do governo estadual. É o caso do atual, que terá validade entre 2020 e 2023. O PL 1.166/19 prevê a execução de 154 programas, divididos em 836 ações. Os programas estão distribuídos em 14 áreas temáticas, somadas a uma área específica para os demais poderes.
O conteúdo do projeto passa anualmente por discussões na Assembleia Legislativa que têm como eixo central a participação da sociedade. Essas reuniões são realizadas pelas Comissões de Participação Popular e de Fiscalização Financeira e Orçamentária.
Fonte: ALMG

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Em Audiência Pública, denúncia de autoritarismo em nomeação de Reitor da UFVJM

UFVJM vê nomeação de novo reitor como autoritária.

Para comunidade acadêmica e parlamentares, indicação do último colocado em lista tríplice fere autonomia universitária.tter Facebook Email Versão para impressão

Participantes da reunião temem que governo aumente sua influência nas instituições de ensino
Participantes da reunião temem que governo aumente sua influência nas instituições de ensino - Foto: Luiz Santana
No mês de agosto, o presidente Jair Bolsonaro nomeou o professor Janir Soares, último colocado em lista tríplice formada pela própria comunidade acadêmica, reitor da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). A medida foi classificada como autoritária e um desrespeito à autonomia universitária por parlamentares, professores e estudantes, em audiência pública da Comissão de Educação Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A reunião foi realizada na própria instituição, em Diamantina, nesta quinta-feira (5/9/19).
O candidato mais votado foi o então reitor Gilciano Nogueira, que obteve quase 50% dos votos, enquanto Janir Soares, que já assumiu o cargo, foi o escolhido por apenas 8% dos que votaram.
Embora não exista nenhuma vedação legal para que o presidente nomeie o terceiro da lista, nas décadas anteriores era praxe a escolha do primeiro do grupo. Em outras 11 instituições federais, entre as quais a Universidade Federal do Triângulo Mineiro, também não foi observada a classificação dos candidatos para a nomeação dos reitores.
Contexto – Os participantes da audiência não trataram esse posicionamento do governo federal como uma atitude isolada, mas sim como parte de um contexto de agressões à educação.
Nesse sentido, lembraram os cortes de verbas para as universidades e institutos federais e o projeto Future-se, que pretende estimular a captação de recursos privados nas universidades públicas.
O principal temor é o de que, com o apoio a candidatos menos votados, o governo aumente sua influência nas instituições. Em vez de ter um representante para defender seus interesses nas esferas de poder, as universidades poderiam passar a ter um nome de confiança do Poder Executivo federal, mais suscetível às suas vontades, em seus postos de comando.
“A escolha do presidente é amparada legalmente, mas fica marcado o desprezo pelo processo democrático. Se o reitor nomeado não está alinhado com a comunidade acadêmica, está com outras forças”, salientou João Vinícios, representante da associação dos docentes da UFVJM.
Na mesma linha, Cristina Del Papa, coordenadora-geral do Sindicato dos Trabalhadores nas Instituições Federais de Ensino, ponderou que, em vários momentos da história, ações não consideradas ilegais causaram muitos danos. “O costume reiterado é que faz as leis. A tradição é a nomeação do primeiro da lista. Pior do que quem indicou é quem articulou para ser indicado”, disse, sob aplausos da plateia.
Ex-reitor alega ter sido alvo de campanha de difamação
O ex-reitor da UFVJM disse ter sido alvo de uma campanha negativa, para que seu nome fosse vetado 
O ex-reitor da UFVJM disse ter sido alvo de uma campanha negativa, para que seu nome fosse vetado - Foto: Luiz Santana
Vencedor do processo eleitoral interno, o ex-reitor Gilciano disse não saber o que motivou o presidente Bolsonaro a não indicá-lo. Ele relatou, no entanto, ter sido alvo de uma campanha orquestrada para ligá-lo à esquerda e a esquemas de corrupção, para que seu nome fosse vetado.
Segundo o professor, ele foi acusado de envolvimento em desvios de recursos públicos e foi preparado um dossiê, encaminhado ao Ministério da Educação, que reverberava essas denúncias, acompanhado de uma foto de Gilciano com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A seu favor, ele afirma ter conduzido uma gestão reconhecidamente técnica, que pegou a universidade em situação de insolvência e conseguiu equilibrar as contas. “Foi um processo eleitoral longo, difícil, para nada”, lamentou.
Ao perceber que outros fatores estavam em jogo na escolha do novo reitor, Gilciano afirma ter optado por não abrir mão de seus princípios e não assumir nenhum compromisso político.
Apesar das divergências, o ex-reitor se dispôs, contudo, a auxiliar a nova gestão no que for necessário, em prol da UFVJM. “O peso da caneta do reitor é forte, você pode tomar decisões que vão fazer a instituição pagar caro por elas”, ressaltou.
Parlamentares defendem autonomia universitária
A deputada Beatriz Cerqueira (PT), presidenta da comissão e autora do requerimento da audiência, o deputado Marquinho Lemos (PT) e o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) criticaram a nomeação do professor Janir para o comando da universidade e demostraram sua preocupação com o simbolismo dessa medida.
“Vivemos tempos de retrocesso. Como será a reação desse reitor em caso de decisões do MEC que não atendam aos anseios dos alunos e da instituição?”, indagou Marquinho Lemos.
“Não podemos naturalizar essas agressões. O professor Gilciano é uma pessoa querida pela comunidade acadêmica, foi um processo de grande representatividade sua eleição. É importante dar voz à sua indignação”, destacou Beatriz Cerqueira.
Rogério Correia informou que a bancada do PT no Congresso Nacional estuda o que pode ser feito para impedir esse tipo de ingerência, como relatou, do governo federal nas universidades. Está em análise se seria o caso de apresentar um projeto de lei ou uma proposta de emenda à Constituição que garantisse a nomeação dos primeiros colocados nas listas tríplices ou até mesmo um questionamento ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a questão.
Os parlamentares também leram mensagens dos deputados André Quintão, Doutor Jean Freire, Cristiano Silveira e Betão, da deputada Leninha e da deputada federal Margarida Salomão, todos do PT, em defesa do respeito à lista tríplice e à autonomia universitária.
Fonte: ALMG

Rio Araçuaí agoniza. O povo sabe como salvar, mas governantes não.

Vale do Jequitinhonha sofre com escassez de água por falta de investimentos.

Sem as prometidas barragens que ajudariam a armazenar água ou medidas de proteção das nascentes, centenas de comunidades do Jequitinhonha ainda dependem de caminhões-pipa.

Foto: Blog do Banu-2012.Vale do Jequitinhonha sofre com escassez de água por falta de investimentos
Sem políticas de proteção efetivas, Rio Araçuaí, importante afluente do rio Jequitinhonha, corre o risco de secar.
Falta água. E, além da água, faltam ações efetivas para combater o agravamento da escassez de recursos hídricos no Vale do Jequitinhonha. Cursos d’água da região que já correram o ano inteiro hoje estão por um fio.

A cada ano, diminui o volume de córregos e pequenos rios, sem que nada – ou quase nada – seja investido em ações que poderiam salvá-los, como a proteção de nascentes.

Promessas de construção de barragens, que enfeitam os discursos políticos, viram pó. Para piorar, até iniciativas levadas adiante terminaram dando errado, provocando desperdício de recursos públicos. O resultado é um círculo vicioso: para matar a sede, centenas de comunidades rurais dependem de caminhões-pipa das prefeituras que também estão mal das pernas,  pela falta de recursos.Elas permanecem à mercê da ajuda dos governos estadual e federal, muitas vezes transformada em isca para angariar votos.

Audiências públicas realizadas pela Assembléia Legislativa produzem pouco ou praticamente nenhum efeito para mudar a situação de escassez de água no Jequitinhonha.
Audiências públicas realizadas pela Assembléia Legislativa produzem pouco ou praticamente nenhum efeito para mudar a situação de escassez de água no Jequitinhonha.
Esse foi o cenário relatado por representantes de municípios mineiros do Vale do Jequitinhonha que participaram, na quarta-feira (21/8/19), de Audiência Pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG)

Realizada na Comissão de Assuntos Municipais a pedido do vice-presidente, deputado Marquinho Lemos (PT), a reunião foi marcada, entre outros, pela exibição de video mostrando situações de seca e pela defesa da regulamentação, pelo Poder Executivo, da Lei Estadual 12.503, de 1997, conhecida como “Lei Piau”.

A lei cria o Programa Estadual de Conservação da Água, obrigando as concessionárias de serviços de abastecimento de água a investir, na proteção e na preservação ambiental da bacia hidrográfica em que ocorrer a exploração, no mínimo 0,5% de sua receita operacional ali apurada no exercício anterior ao do investimento. Um terço do montante será para reconstituição da vegetação ciliar ao longo dos cursos de água. E também um terço para preservação ou recuperação de nascentes.

Situação diferente estaria ocorrendo em mananciais do Vale, cujos municípios reivindicam, junto com o Norte de Minas, prioridade nas ações e programas de preservação e recuperação mencionados na audiência.

Deputados cobram investimentos
Ex-prefeito de Carbonita, o deputado Marquinho Lemos disse ser preciso chamar a atenção dos governantes e da sociedade para a situação das nascentes. Segundo o parlamentar, seu município deverá sofrer novamente a situação vivida entre 1997 e 1998, quando a Copasa transferiu a captação de água do córrego Curralinho, que secou, para o rio Soledade, um dos maiores da região, que agora também estaria secando. “Mesmo com essa experiência, a Copasa não se preocupou em fazer nada para recuperar nascentes”, disse o deputado.

A deputada Rosângela Reis (Pros), presidenta da comissão, classificou o cenário exposto como triste e preocupante. “Há anos a legislação aguarda regulamentação, enquanto a população está pagando um preço alto pela situação, com prejuízos também à saúde”, disse ela, mencionando problemas que estariam ocorrendo também no Vale do Aço.

Em Berilo, município de 12 mil habitantes, praticamente todos os córregos e pequenos rios estão secos. Segundo a prefeitura local, 3.500 famílias moradoras da zona rural têm que recorrer aos caminhões-pipa para obter água. Um cenário que poderia ter sido evitado por meio da construção, na década de 1990, de cinco pequenas barragens, nas comunidades de Água Limpa, Mamonas, Córrego do Bem-Querer e  Córrego do Buraco. Entretanto, somente a última tem alguma serventia hoje, acumulando água que é aproveitada para matar a sede de animais, ainda assim depois de passar por reforma, afirma a prefeitura.

Dependência de caminhões-pipa ainda é uma realidade no Vale do Jequitinhonha.
Dependência de caminhões-pipa ainda é uma realidade no Vale do Jequitinhonha.
Emergência
Implantados por meio do Programa Emergencial contra a Seca, coordenado pela Copasa, os barramentos foram assoreados pouco depois da conclusão das obras, devido a um suposto erro de projeto,  e hoje acumulam mais terra e areia do que água, conta o secretário de Obras e Desenvolvimento Rural e Urbano de Berilo, João Nelson Pinto. Segundo a prefeitura, as obras teriam sido construídas entre 1995 e 1998. Segundo nota da Copasa, os projetos foram feitos em parceria com o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), que teria sido “responsável pela escolha dos locais e fiscalização das obras”.  A companhia afirma ainda que cabia aos municípios “a operação e a manutenção dessas barragens”.

Difícil acesso 
Uma delas foi feita na comunidade de Água Suja, em córrego de mesmo nome, a nove quilômetros da sede do município, em um local de difícil acesso. O agricultor Adão Fernandes Rodrigues, de 47 anos, que mora a 200 metros da barragem, conta que, na época da construção, percebeu o erro no projeto. “Eu disse que daquele jeito, sem deixar um vertedouro, a barragem iria se encher de terra e areia. Mas o engenheiro não quis me ouvir”, afirma Adão.

Como a obra praticamente nunca funcionou, mesmo morando perto da barragem, o agricultor, casado e pai de dois filhos, continua na dependência do caminhão-pipa da prefeitura, levado à comunidade somente a cada três meses. Nesse meio-tempo, os gastos são inevitáveis. Adão afirma que, às vezes,  para não ficar com sede, vai “até a rua” (área urbana) e compra água, pagando R$ 150 pelo caminhão-pipa de 7,5 mil litros.  

A situação piorou ainda mais nos últimos três anos, quando houve redução do volume de chuvas. Neste ano, segundo o Secretário de Obras de Berilo, João Nelson, a estiagem foi tão intensa que muitas das cisternas para a captação da chuva (com capacidade para 16 mil litros), instaladas nas casas da zona rural dentro de programa do governo federal já estavam praticamente vazias em março.

Moradores da zona rural do município passaram a usar as próprias cisternas para armazenar a água do caminhão-pipa da prefeitura. “A demanda é muito grande e a gente não consegue atender todo mundo. Alguns choram de alegria no dia que o caminhão-pipa chega às casas deles”, conta João Nelson.

Berilo – A água levada pelos caminhões-pipa a comunidades de Berilo é captada no Rio Araçuaí, que está com a vazão reduzida e ainda sofre com os efeitos da mineração.  Os moradores desse municípios calculam  que, no ritmo que se encontra e se nada for feito, o curso d’água vai secar de vez dentro de cinco a seis anos.

Há pelo menos oito anos se ouve falar na região,  de projetos de construção de barragens dos governos estadual e federal (Cemig e Furnas), nas localidades de Santa Rita, no município de Chapada do Norte, e de Funil, na divisa de Berilo e Virgem da Lapa. “O problema é que as barragens nunca saem do papel e o povo continua passando sede.

Fonte: Estado de Minas.

Opinião do Blog

O povo sabe como salvar, mas governantes não.

Mais uma Audiência Pública realizada para discutir a situação de míngua do rio Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, no nordeste de Minas. Nenhuma solução apresentada a não ser a velha lenga-lenga de grandes barragens que mais servem pra ganhos de grandes empreiteiras e alguma beirada para corruptos de ocasião ou de sempre. 

Pouco se discute que há uma grande floresta de eucalipto e a monocultura do café em volta das nascentes e parte alta do curso do rio que suga as águas das pequenas fontes que abastecem a fonte maior, o rio Araçuaí. Quem sustenta o Araçuaí continua sendo o seu principal afluente, o rio Itamarandiba, entre os municípios de Itamarandiba e Capelinha, correndo, mas cada vez mais com menos água. Está todo cercado por eucalipto. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itamarandiba já fez diversas denúncias de represamento sem outorga de diversos ribeirões que mantêm o rio Itamarandiba vivo. Como também dos usos e abusos de sua água para servir ao cultivo do eucalipto.

Soluções há, mas não dá lucro pras grandes empreiteiras, e exige paciência e tempo. 

O Movimento SOS Fanado é um grande exemplo de como salvar um rio em agonia. É uma microbacia do Araçuaí. Há mais de 10 anos, lideranças jovens, ambientalistas e agricultores vem procurando soluções para o rio Fanado que nasce em Angelândia, corta uma vastidão da monocultura do café e eucalipto, em Capelinha, passa em Turmalina, e deságua no rio Araçuaí, entre Minas Novas e Chapada do Norte, no Alto Jequitinhonha. O SOS Fanado tem feito cercamento de nascentes, terraços, curva de nível, barraginhas, ações de educação ambiental, intervenções culturais e ações políticas de cobranças aos gestores municipais e estaduais. Mais ainda: a própria população é quem comanda as ações. O Rio Fanado é um dos principais afluentes do rio Araçuaí. 

A Prefeitura de Angelândia, no Alto Jequitinhonha,  tem um programa municipal que procura segurar as águas das chuvas que se chama Enxurrada Zero. São ações simples com a participação ativa dos produtores, moradores, com orientações técnicas que vem contribuindo para segurar a água no solo e subsolo. É ali na nascente do Fanado a área de atuação criativa, de soluções simples, de resultados, sem grandes gastos financeiros.

Na nascente do rio Araçuaí, nos municípios de Rio Vermelho e Couto Magalhães de Minas, no Alto Jequitinhonha, a Fazenda Raiz, de propriedade do ambientalista Paulo Ribeiro, Secretário Municipal do Meio Ambiente de Montes Claros, aplica várias soluções para manter o rio Araçuaí vivo.

Essas ações, projetos e movimentos são pouco lembrados quando se discute a situação atual e o futuro do rio Araçuaí.

O povo sabe: não existe rio grande, riozão, sem os diversos riozinhos. E é aí que se encontram as pequenas e grandes soluções com envolvimento efetivo da população.

O povo sabe, há muito tempo, das soluções, mas os governantes não.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Serro: Codema admite irregularidades em licenciamento da mineração

Problemas teriam ocorrido na fase inicial do processo. Presença da Herculano Mineração no município dividiu plateia.

Ainda foram criticados no debate os impactos da atividade na região, como riscos à segurança hídrica e à agricultura familiar

Ainda foram criticados no debate os impactos da atividade na região, como riscos à segurança hídrica e à agricultura familiar - Foto: Ricardo Barbosa
Questionada por pesquisadores e movimentos ambientais, a atividade minerária pretendida pela empresa Herculano no município do Serro (Região Central do Estado) dividiu opiniões entre moradores que lotaram audiência pública realizada na cidade nesta quinta-feira (21/5/19), pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
Solicitada pela deputada Beatriz Cerqueira (PT), a reunião teve o objetivo de discutir violações de direitos humanos cometidos pela empresa no processo de licenciamento. A mineradora é acusada de fraudar estudo para liberar a extração e de não ter ouvido previamente populações que serão afetadas pelo empreendimento, a exemplo das comunidades quilombolas que vivem na região.
Essas irregularidades foram admitidas pela atual presidente do Conselho Municipal do Desenvolvimento do Meio Ambiente (Codema) do Serro, Vanessa de Fátima Terrrade.
Ela participou da audiência na fase em que inscritos fazem uso da palavra após os convidados e disse que as irregularidades teriam inclusive motivado a renúncia do presidente anterior do Codema, Paulo Procópio, em abril passado.
As irregularidades mencionadas ocorreram quando da declaração de conformidade do empreendimento, dada pelo conselho em 2018 e uma exigência para se dar início ao processo de licenciamento.
Além de problemas quanto ao processo no Codema, foram criticados no debate impactos da atividade na região, como riscos à segurança hídrica e à agricultura familiar, aumento da violência e do tráfego de caminhões pesados nas rodovias, conforme destacado pela maioria dos convidados da mesa e pelas deputadas Beatriz Cerqueira (PT) e Andréia de Jesus (Psol).
Já na plateia, comunidades presentes, do Serro e cidades vizinhas, se dividiram. De um lado do auditório, contra a mineração, moradores afixaram cartazes pela defesa da água, do turismo e do patrimônio local; do outro, pessoas a favor vestiram camisetas em defesa da empresa e expuseram faixas dizendo que a atividade trará mais empregos, desenvolvimento e dignidade social.
Alternativas - "Compreendemos a necessidade de emprego num País com milhões de desempregados, mas é preciso pensar em outras alternativas e cobrá-las do governo do Estado", frisou Beatriz Cerqueira.
Ela lembrou a situação de famílias e trabalhadores afetados pelos rompimentos de barragens da mineradora Vale em Mariana (Central) e em Brumadinho (RMBH) e defendeu que as pessoas conheçam mais sobre a realidade por trás da mineração.
Em uma plateia dividida, defensores da mineração argumentam que atividade trará emprego
Em uma plateia dividida, defensores da mineração argumentam que atividade trará emprego - Foto: Ricardo Barbosa
Os melhores empregos ficam com pessoas de fora da localidade, muitos dos empregados são contratados por empresas terceirizadas, sem garantias e com alta rotatividade, enumerou a deputada, que também citou impactos ambientais e sobre o modo de vida de comunidades que vivem na região.
"Os conselhos como o Codema são importantes e não se pode abrir mão deles, mas se houve como nesse caso irregularidade ou pressão e tentativa de cercear a manifestação da população, a sociedade pode sentar e cobrar do governo", acrescentou a deputada Andréia de Jesus.
Visita e reunião – A comissão ainda visitará nesta quarta (21), às 8 horas, a Comunidade Quilombola de Queimadas, na zona rural de Serro, que poderá ser impactada pela mineração.
Na sequência, as parlamentares anunciaram um encontro com o prefeito do Serro, Guilherme Simões Neves. A expectativa é que o Ministério Público esteja presente e que sejam discutidos estudos independentes aos da empresa Herculano que tratam dos impactos do empreeendimento pretendido.
Segundo o promotor Henrique Moreira, a decisão do Codema estaria na contramão do plano diretor do município do Serro, que defende resguardar os mananciais, além de o Codema ter se baseado em dados equivocados, conforme citou. "Não se trata de sermos contra ou a favor da mineração, desde que resguardados os direitos e a lei", frisou.
Prefeito fala em pressão e Codema rebate
Conforme também anunciou a presidente do Codema em sua fala, o órgão se reunirá ainda nesta quarta (22.05) pela manhã, para voltar a tratar da questão minerária envolvendo a Herculano na região.
Vanessa Terrade citou que a súmula vinculante 473 do Supremo Tribunal Federal (STF) preconiza que a administração pública deve revogar atos inoportunos ou anular atos ilegais, o que no seu entendimento pode ser feito pela prefeitura diante das irregularidades constatadas no processo do Codema.
"Queremos a ajuda do prefeito, vamos evocar a súmula, ou esperar por um controle externo à administração pública?", indagou ela quanto ao que ocorrerá com a declaração de conformidade já concedida à empresa.
Participando na mesa de convidados em fase anterior da audiência, o prefeito do Serro, Guilherme Simões Neves, disse que pela lei o processo está a cargo do Codema. "Pressões são naturais de um lado e de outro", considerou ele, ao dizer que providências poderão ser tomadas caso haja prova de culpa em alguma irregularidade do processo.
Federação vê omissão do legislativo municipal
Matheus Gonçalvez disse que quilombolas deveriam ter sido consultados sobre empreendimento
Matheus Gonçalvez disse que quilombolas deveriam ter sido consultados sobre empreendimento - Foto: Ricardo Barbosa
O advogado da Federação das Comunidades Quilombolas, Matheus Gonçalvez, lembrou que, conforme convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) da qual o Brasil é signatário, os quilombolas, por serem comunidades protegidas pela União, deveriam ter sido os primeiros a serem consultados previamente sobre o empreendimento.
Ele ainda denunciou que a mineradora estaria pressionando por autorização de suas atividades, inclusive fazendo doações para eventos à prefeitura. Disse ainda que a Câmara Municipal do Serro estaria sendo omissa ao não debater a questão.
O geógrafo Frederico Gonçalvez , da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por sua vez, insistiu na abordagem de erros cometidos pela empresa em estudos apresentados ao Codema. Segundo ele, a análise cartográfica, contrariando esses estudos da mineradora, mostra que haverá sim impacto direto nas águas subterrâneas da região causado pela extração de minério.
Divisão - Moradora da vizinha Santo Antônio do Itambé, Lira Baracho disse temer que os efeitos da mineração respinguem em seu município. "Temos o Parque Estadual do Pico do Itambé, onde vivem espécies endêmicas e onde a mineração e seus efeitos não são bem vindos", disse.
"O emprego na mineração não vai durar para sempre e ainda vai destruir tudo", foi o que afirmou Paulo Sérgio Ferreira, da Comunidade Condado.
O vereador do Serro contestou. "De qual projeto precisamos então, se vivemos uma situação difícil em tudo, na saúde, no emprego, na segurança", disse ele, resumindo o sentimento dos apoiadores da mineração.
Consulte o resultado da reunião.

Fonte: site da Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

Fonte

segunda-feira, 9 de julho de 2018

BR 367: Emenda de Bancada mineira pode garantir asfalto da rodovia


Uma emenda da bancada parlamentar mineira no Plano Plurianual (PPA) do governo federal, para o período 2020-2024, pode ser a saída para garantir recursos para o asfaltamento da BR-367, nos trechos que ligam Minas Novas-Chapada do Norte-Berilo-Virgem da Lapa e Almenara-Jacinto-Salto da Divisa, no Vale do Jequitinhonha.

A proposta foi defendida durante audiência pública da Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta segunda-feira (9/7/18).

Deputados federais e estaduais, políticos locais e lideranças comunitárias defenderam a união de esforços, de forma suprapartidária, para levar adiante a proposta de pavimentação da BR-367 nos trechos que envolvem cidades da região. Segundo os relatos, há anos a população local sofre com trechos de estrada de terra esburacados, às vezes intransitáveis, que isolam comunidades inteiras, com prejuízos econômicos e sociais.
Convocada pelo presidente da comissão, deputado Doutor Jean Freire (PT), a reunião contou com a presença de deputados federais, além de prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias de vários municípios do Jequitinhonha, entre outros convidados. A maioria concordou que sem um esforço coletivo da bancada federal mineira não será possível modificar a situação.



Deputados reafirmam compromisso com a causa
“A Região do Vale do Jequitinhonha sempre foi, historicamente, negligenciada”, lamentou o presidente da comissão, que destacou o compromisso de seu mandato com a luta pela pavimentação da estrada, ressaltando, porém, que essa luta não é somente sua, mas “de todos os homens e mulheres da região”.
O deputado federal Zé Silva (SD-MG) destacou que a 367 liga o Sudeste ao Nordeste do Brasil, tendo por isso importância estratégica. Mas observou que a curto prazo não será possível garantir o asfaltamento, porque a proposta não consta do PPA 2015-2019. Na elaboração do plano, disse, chegou a apresentar emendas pedindo a pavimentação, mas elas não foram acatadas. Por isso, entende que a primeira ação a ser feita, agora, é, em 2019, incluir uma emenda da bancada mineira no PPA 2020-2024, solicitando a destinação de recursos para a obra.


Deputado Estadual Jean Freire, autor do requerimento, e coordenador dos trabalhos da Audiência Pública, na Assembléia de Minas.

(Pitaco do Blog: Todo final de ano, há revisão e adequação das metas e prioridades do PPAG - Plano Plurianul de Ações Governamentais, geralmente realizada no mês de novembro, para o ano seguinte. Portanto, qualquer deputado federal ou cidadão - se abrir para participação popular - pode propor a inclusão da pavimentação da BR 367 para o orçamento da União de 2019).
A BR 367 foi construída no governo de Juscelino Kubitschek para conectar a chamada Região do Descobrimento, no litoral do Sul da Bahia, a Minas Gerais, chegando até Brasília (DF).
Também reafirmou seu compromisso com a causa o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), salientando que “a 367 é instrumento para a retomada do crescimento econômico”. Ele criticou o Governo Federal pelo corte de R$ 600 milhões do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o Dnit. “Isso é inconcebível porque o único caminho para sair da crise é o Estado brasileiro fazer obras, o que gera emprego e impulsiona a economia”, afirmou.
O deputado Padre João (PT-MG) reafirmou a necessidade de “um pacto dos deputados federais, um compromisso real da bancada mineira” para fazer com que o Governo Federal “enxergue como obra estratégica e importante do ponto de vista social a pavimentação da 367”.
Um requerimento foi aprovado com a proposta de uma emenda da bancada de Minas, de 53 deputados federais, o valor de R$ 180 milhões. Os deputados federais presentes se propuseram a articular com os outros colegas para viabilizar tal proposta. 
Lideranças exigem dignidade e respeito
Anísio Reis Lemos Soares, de Chapada do Norte, do Movimento Filhos do Vale, ressaltou que a população do Jequitinhonha “não está pedindo esmola, mas exigindo reconhecimento por tudo o que o Vale significou e significa para o estado e o País. O Estado brasileiro nos deve”, afirmou.
O prefeito de Virgem da Lapa, Diógenes Timo Silva, também entende ser necessário que os 53 deputados federais de Minas se unam, acima de questões partidárias. “O Vale sempre foi abandonado, estamos acostumados com isso e passamos a herança da injustiça para nossos filhos e netos”, lamentou. “Esse povo descendente de negros e escravos exige mais dignidade e respeito”.

Racismo Institucional
Estudiosa da cultura e do modo de vida da população do Jequitinhonha, a professora de Antropologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Liliana de Mendonça Porto disse que é preciso “romper com o racismo institucional”. A pesquisadora afirma que a população do Jequitinhonha é formada em mais de 80% por negros descendentes de escravos. Segundo ela, além do risco de acidentes, a ausência de pavimentação nas estradas resulta em outros problemas graves, como a falta de abastecimento de água e saneamento e a dificuldade de acesso a infraestrutura básica de saúde e educação.
Liliana de Mendonça Porto, antropóloga da  UFPr, denunciou o descaso do Estado como uma prática do racismo institucional.
O prefeito de Berilo, Lázaro Pereira Neves, lembrou que a manutenção do bom estado de trânsito da BR 367 era primordial, mas o fundamental mesmo era a pavimentação dos dois trechos que hoje estão como estrada de terra. Apresentou proposta de Requerimento ao DNIT de encaminhar os recursos para manutenção da rodovia para as Prefeituras Municipais que seriam as administradoras dos trechos que cortam seus respectivos municípios. 
Lázaro Neves, prefeito de Berilo, apresentou Requerimento com a proposta que os deputados federais se unam e apresentem uma emenda de bancada de R$ 180 milhões.

O representante do movimento Filhos do Vale, Nilton Machado, de Chapada do Norte, também destacou a importância das Prefeituras administrarem a Rodovia, pois fariam com mais eficiência do que o Exército e empreiteiras que não conhecem, nem convive com os problemas que a precariedade da Rodovia acarreta para os cidadãos.
Assim, as prefeituras municipais teriam maiores condições de executar os serviços. São elas: Almenara, Berilo, Chapada do Norte, Jacinto, Minas Novas, Salto da Divisa e Virgem da Lapa.

Representantes dos municípios do Vale estiveram avaliando os resultados da Audiência 
com o deputado estadual Jean Freire.


Superintendente do DNIT reclama de incompreensões
Fabiano Martins Cunha, superintendente do DNIT - Departamento de Infra-Estrutura de Transportes Terrestres, Regional Minas Gerais, afirmou que a sua equipe tem comprometimento, mas esbarra em dificuldades administrativas, burocráticas e legais, como as exigências ambientais, que não podem deixar de ser cumpridas.
“Estamos aguardando disponibilidade orçamentária para começar a obra entre Salto da Divisa e Jacinto; para Minas Novas e Virgem da Lapa temos um anteprojeto, e conseguimos a licença provisória que nos permite licitar, mas também não temos como abrir sem orçamento”, justificou.
Pediu compreensão das lideranças políticas e comunitárias, pois todos os esforços estavam sendo feitos, porém esbarrava na questão financeira, de orçamento, pois sem recursos não há como executar o que se planeja.
Ao final da audiência, o deputado Doutor Jean Freire apresentou requerimentos para dar encaminhamento às questões discutidas. Entre as solicitações está a sugestão de que a bancada mineira obstrua, no Congresso Nacional, a votação de projeto que prevê a retirada de recursos para intervenções na BR-367.
Com informações da Assessoria de Comunicação da Assembléia Legislativa de Minas


Pitaco do Blog:
Alguns deputados federais e o próprio Superintendente do Dnit - MG, Fabiano Martins, consideraram a possibilidade de agilizar o processo com a adoção do RDC - Regime Diferenciado de Contratações. Duas leis - a 8.666/93 (Lei de Licitações) e a 12.462/2011 (Regime Diferenciado de Contratações, ou RDC) -  transferem às construtoras e empreiteiras a responsabilidade de fazer o projeto executivo de arquitetura. Isto porque permitem que as licitações para a escolha das empresas que vão tocar a obra sejam feitas apenas com base no projeto básico, no caso da Lei de Licitações, ou do anteprojeto, no RDC.

Para o governo, as leis agilizam o processo e dão mais velocidade às obras. Para os arquitetos, a falta do projeto executivo dá margem a reajustes e alterações constantes no orçamento e nas obras, gerando atrasos e gastos adicionais — que podem ser dos construtores ou mesmo do governo.

Nilton Machado, representante do Movimento Filhos do Vale, que luta pela pavimentação da BR 367.

Ronny Charles Lopes de Torres, advogado da Advocacia-Geral da União, defende o RDC — a lei de 2011, aplicável exclusivamente às licitações relativas às Olimpíadas e à Copa do Mundo — e a tese de que o projeto pronto cria distorções, apesar de reconhecer que a lei de 1993 deixa brechas a gastos extras:

— Um exemplo: imagine-se uma obra que custaria X, teve problemas durante a execução, recebeu os ajustes necessários e acabou saindo por 2X. Esse risco era todo da administração pública, que deveria ressarcir a empreiteira pelos gastos extras. O RDC, reconhecendo tal dificuldade, transfere o risco para as executoras das obras: são elas, com base em sua experiência, que calculam e apresentam uma proposta orçamentária. A melhor proposta ganha, mas se a empresa exceder os gastos previstos, é ela quem arca com a diferença. Ganhamos tempo e reduzimos os custos com os chamados “aditivos”. A empresa só terá direito ao aditivo, se o governo quiser modificar o projeto.

Mas, é preciso garantir o dinheiro de R$ 180 milhões com a Emenda Parlamentar da Bancada Mineira já no ano de 2019.