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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Eu nasci, por graça de Deus, no Vale do Jequitinhonha, dizia dom Serafim

Dom Serafim Fernandes de Araújo nasceu em Minas Novas e morreu em Belo Horizonte em outubro de 2019

Foto: arquivoEu nasci, por graça de Deus, no Vale do Jequitinhonha- dizia dom Serafim
Dom Serafim era referência da Igreja Católica em Minas Gerais
"Eu nasci, por graça de Deus, no Vale do Jequitinhonha...", dizia dom Serafim Fernandes de Araújo. Primogênito de 16 filhos, o cardeal mineiro sempre teve a caridade como principal bandeira e não se cansava de repetir: "Não custa nada fazer o bem".  Admirado por sua postura e erudição, o religioso, que morreu em outubro de 2019, aos 95 anos de idade, foi arcebispo emérito de Belo Horizonte e zelou ao longo de cinco décadas pela arquidiocese da capital.

Dom Serafim foi o autor do Projeto Pastoral Construir a Esperança que, desde sua criação, em 1990, se destacou em todo o país. Criado por uma tia, a qual amava muito, sofria com as desavenças entre os pais biológicos e os adotivos. "Eu não sabia de quem eu era", declarava. Quando descobriu que queria ser padre, aos 7 anos de idade, percebeu que não seria de mais ninguém. Pertenceria a todos que dele necessitassem.

Seminário de Diamantina, onde estudou Dom Serafim
Seminário de Diamantina, onde estudou Dom Serafim
  
Em fevereiro de 1937, após três dias de viagem a cavalo sob chuva forte, ele e o pai venceram a distância entre as cidades de Itamarandiba e Diamantina, no Alto Jequitinhonha, nordeste de Minas. Aquele seria o primeiro dia do menino no seminário onde viveria por muitos anos. Chegou no dia da Purificação de Nossa Senhora. Viu tanta beleza no ambiente iluminado por milhares de velas que se extasiou. O tempo passou e no seu aniversário de 21 anos recebeu um telegrama que mudaria mais uma vez seu destino. Havia sido escolhido pelo reitor para estudar em Roma, na Itália.
  
Desta vez foram 21 dias de viagem, em navio. Nem mesmo os mares revoltos e o terror da II Guerra tiraram o entusiasmo característico da juventude. "Nem pensávamos em perigo. E tive a satisfação de ser recebido pelo Papa Pio XII", contava. Em março de 1949 celebrou sua primeira missa. De volta ao Brasil, em setembro de 1951, retornou à pequena Itamarandiba. Foi aos conterrâneos do Vale do Jequitinhonha que levou suas primeiras palavras de alento, as percursoras de milhares de homilias que viriam nos próximos anos.
 
Dom Serafim foi por muitos anos, Reitor da Universidade Católica de MG(PUC) e costumava visitar Araçuai, para visitar o Campus Avançado que mantinha convênio com a PUC.
Dom Serafim foi por muitos anos, Reitor da Universidade Católica de MG(PUC) e costumava visitar Araçuai, para visitar o Campus Avançado que mantinha convênio com a PUC.
 
 Em maio de 1959, aos 34 anos, foi o primeiro bispo brasileiro a ser escolhido pelo Papa João XXIII.  Até hoje, é o mais novo a ocupar a função. Em 1961 foi convidado pelo pontífice a participar como Padre Conciliar durante o Concílio Vaticano II. Nesse período, transferiu-se para BH, para atuar ao lado de dom João Resende Costa, ao qual sucedeu no governo da arquidiocese, em 1986, se tornando o terceiro arcebispo metropolitano da capital. Foi o reitor mais longevo da PUC Minas, no período de 1960 a 1981.Durante a ditadura, chegou a negociar com os militares em prol de estudantes presos.
 
Dom Serafim e o Papa João Paulo II
Dom Serafim e o Papa João Paulo II
 
 
Em 1976, criou a Fundação Dom Cabral, onde desenvolveu inúmeros projetos sociais. "Seu legado se estendeu por vários aspectos da educação, incluindo de maneira especial os estudantes carentes", diz Emerson de Almeida, cofundador e presidente da FDC.
 
A nomeação como cardeal veio em janeiro de 1998. Já o título de arcebispo emérito de BH foi conferido em 2004, quando dom Walmor Oliveira de Azevedo assumiu o governo da Arquidiocese. "Dom Serafim soube exercitar a compreensão, alargar horizontes e bem lidar com os desafios da sociedade", diz o arcebispo e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Acompanhado por uma multidão, o funeral de dom Serafim durou três dias e seu corpo foi sepultado na cripta da Igreja da Boa Viagem.
Fonte: Estado de Minas

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

O anticristo Bolsonaro

          A figura do anticristo é registrado na Bíblia como aquele que faz o discurso da fé cristã, mas pratica o inverso: prega o ódio e a morte.
            O Blog do Banu publica dois artigos sobre essa análise: um, da cineasta Antônia Pellegrino; outro, do pastor batista José Barbosa Júnior, de Belo Horizonte.

        Bolsonaro, o anticristo
      Ao invés de mão estendida para amizade, o gesto de mão armada

    Antônia Pelegrino*

Mas é Natal. Porque uma criança nasceu em Belém, há tempos. Sua mãe é jovem, cheia de graça, e se chama Maria. Seu pai é o carpinteiro José. Ambos são migrantes, sem-teto. Jesus veio ao mundo, em meio ao feno, numa gruta onde animais se recolhem, para nos ensinar: ama o teu próximo como a ti mesmo. E a cada Natal somos convidados a relembrar a difícil regra. 
"Falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira", "se o presidente da OAB quiser saber como o pai desapareceu no período militar, eu conto pra ele", "você tem cara de homossexual terrível, nem por isso te acuso", diz Bolsonaro, que também afirma: "costumo dizer que não falo o que o povo quer. Eu sou o que o povo quer". 
Na sociedade do ódio acalentada pelo presidente, cada um cuida da sua família. Ao outro, resta a aversão, a desconfiança, o medo. No pânico social de fundo, a solução é a bala, o 38, número da aliança por um país sem futuro. A cotidiana erosão do nosso pacto civilizatório resulta. Segundo pesquisa CNI-Ibope, 50% dos brasileiros aprovam a agenda de segurança pública do governo. Aprovam a ausência de política. O Estado zero. A guerra de todos contra todos. E porque é Natal, recordemos que o Holocausto não começou com as câmaras de gás, mas com falas de ódio proferidas por extremistas, encarnações do Anticristo, cuja máxima é odeia o teu próximo como a ti mesmo.
Contra o horror, é Natal. Uma oportunidade de falarmos do Cristo da história, aquele da dignidade humana e dos direitos da vida, que veio ao mundo ser crucificado e ensinar que o amor vence a morte. Porque uma criança nasceu em Belém. Seus pés inventaram o caminho, sua boca proferiu a verdade.
*Antonia Pellegrino
Escritora e roteirista, edita o blog #AgoraÉQueSãoElas.

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Bolsonaro, um anticristo

José Barbosa Sobrinho*

Há, na teologia cristã, a figura do Anticristo. Muitos creem que ele será ainda revelado, num “gran finale”, como um grande líder mundial, etc… Outros, como eu, acreditam que eles são muitos, e que aparecem aqui e ali na nossa história: Hitler é um dos casos.
Bolsonaro é um Anticristo. Não tenho dúvidas disso! E é exatamente por se apresentar em nome de Deus. O Anticristo é uma figura religiosa e com discursos de amor a Deus, à pátria e pela moral. Porque é esse discurso que engana os incautos cristãos. Daí ser um Anticristo, não por uma oposição clara, mas por tomar para si o discurso do Cristo, negando-o na prática. Desta forma, invertendo os papéis, faz-se o mal em nome do “bem”, prega-se o ódio em nome do “amor” e a mais vil imoralidade em nome da “moral”.
Não é à toa que pastores mercenários, os coronéis da fé e os abusadores eclesiásticos estão ao lado dele. É esse tipo de corte que precede o Anticristo. São esses tipos de líderes que o anunciam e corroboram. Todos têm parte no seu maquiavélico plano de domínio e opressão a partir do discurso religioso. Nenhum deles crê em Deus. O deus deles tem nome, e foi Jesus mesmo quem o denunciou: Mamon. O dinheiro é o deus dessa turma. São lobos em pele de ovelhas, falsificadores da fé, bandidos disfarçados de fiéis.
Quando Bolsonaro, percebendo que está perdendo o jogo e sendo desmascarado a cada novo momento, apela para a “divindade” do seu posto, como o fez ao publicar o vídeo de um pastor do Congo, dizendo que ele (Bolsonaro) é o “escolhido de Deus para o Brasil”, mostra que assumiu para si a prerrogativa do infalível, do messiânico, do divino. Sim! Bolsonaro é um Anticristo! Isto precisa ser repetido.
E é um Anticristo porque além de usurpar o nome de Deus, o faz para oprimir. Todos os atos de seu governo são contrários aos princípios vivenciados por Jesus, o pobre de Nazaré, o periférico, não branco, amigo dos que provocam “balbúrdia”. Enquanto Bolsonaro quer fazer calar as minorias, é a elas que Jesus se dirige. Enquanto Bolsonaro quer explorar os empobrecidos, é com eles que Jesus se identifica. Enquanto Bolsonaro quer armar os “cidadãos de bem”, Jesus diz que “aquele que vive pela espada, morrerá pela espada”…
Qualquer tentativa de uma teocracia cristã é uma ação do Anticristo. Qualquer uma! Teocracia cristã é a negação do ensino do Cristo. Impor sobre a sociedade os “valores da fé cristã” é sempre uma ação diabólica, tendo em vista que os verdadeiros valores da fé cristã estão sempre pautados pela LIBERDADE.
“E conhecereis a verdade, e a verdade vos LIBERTARÁ”.
Que Deus nos livre de toda prisão, opressão e pressão do Anticristo Bolsonaro e sua gangue de falsos profetas.
*José Barbosa Junior – teólogo e pastor da Comunidade Batista do Caminho – Belo Horizonte/MG

Natal dos presépios de Minas

Para o Natal dos presépios

*Petrônio Sousa
Aos poucos vamos perdendo nossas tradições e o sentindo original de nossas crenças e valores mais verdadeiros. Até bem pouco tempo, Minas Gerais vivia em suas cidades e povoados o Natal dos presépios. Dentro das casas, das igrejas, dos centros comunitários, ele sempre estava lá e muitos traziam oferendas para a ele decorar. 
Os presépios eram construídos e movidos pelo mesmo espírito que São Francisco de Assis criou, no século XIII, o primeiro presépio: reverenciar e adorar a vinda do Menino Jesus. E muitos doavam parte de suas casas para a construção de presépios, para algo maior, comunitário, uma obra de todos. E como os Três Reis Magos, todos vinham trazer suas oferendas ao Jesus Cristinho.
Era feito de coisas simples, por pessoas simples, que ainda assim faziam lindas obras, que encantavam e tocavam os corações daqueles que ainda acreditam nas coisas deste mundo. Era a manifestação de uma tradição. Estavam lá, no interior de Minas, como um centro armazenador da devoção humana. O Natal dos presépios é um Natal que remonta a um cenário cristão, de doação, fé e reverência. Contrário ao Natal do Papai Noel.

O Papai Noel é uma personagem criada pela Coca-Cola em 1931, por isso traz suas cores encarnadas, o vermelho e o branco. É um agente descristianizador, patrocinado em todo mundo para apagar a verdadeira imagem do aniversariante do dia: o Menino Jesus. Jesus veio ao mundo como o Filho do Pai, em forma de criança. O Papai Noel diz ser o papai de todas as crianças, mas tem as suas preferidas. Meu Deus, onde essa figura foi colocada.
Sua barriga sugere a gula; o saco cheio, a esnobação; e a sua risada ironiza àqueles que não podem ser seus escolhidos. É uma fraude ao verdadeiro espírito natalino. Cristo nasceu enquanto seus pais viajavam em lombo de mula, quase um refugiado, mesmo assim entrou na casa de todos. Papai Noel viaja em um lindo trenó puxado por renas e visita a casa de poucos, muito poucos.
Falar que Papai Noel é uma alusão a São Nicolau é uma grande heresia. São Nicolau era um santo homem, nasceu em 270 e morreu em 342, aos 71 anos. “Fez o bem, sem olhar a quem”. Fundou orfanatos, saciou a fome dos pobres, protegeu marinheiros, ladrões e mendigos. Viveu sob a égide da caridade. Foi perseguido e preso pelos Romanos. Por seu amor ao seu semelhante, tornou-se Santo.
Papai Noel foi criado e financiado por uma empresa multinacional, vive no polo-Norte, distante de todas as crianças do mundo e no Natal sai presenteando àqueles que podem comprar sua visita. Não tem pai, mãe, filhos ou amigos. Não posso acreditar nele! É, no máximo, uma paródia de muito mau gosto do nosso santo protetor.
Enquanto escrevo este texto, acredito que em alguma casa mineira um presépio tenha recebido uma nova oferta, uma oferenda. Talvez um anjinho de barro, uma pedrinha reluzente, ou quem sabe até um Menino Jesus de madeira. Como estou cá, distante dele, deposito nele este texto, esta oferenda da fé humana ao Menino Jesus, ao Jesus Cristinho – tão lindo, tão menino e tão amado… 
Que Deus abençoe o verdadeiro Natal, o Natal dos presépios e todo aquele que compartilha o Natal por dentro e por fora, o Natal do criador, do nascimento à manjedoura, o Natal natalino, sem outras palavras.
Publicado no www.diariodopoder.com.br/para-o-natal-dos-presepios/, em 23.12.19, às 17:41. 
*Petrônio Souza é jornalista e escritor mineiro. Ele mantém uma coluna semanal sobre política e cultura em mais de 40 jornais Brasil afora. Tem três livros publicados, sendo um de contos e dois de poemas ( “Braço de Rio, Pedaço de Mar”, “Um facho de sol como cachecol”). Em 2005 ganhou o Prêmio Nacional de Literatura "Vivaldi Moreira", da Academia Mineira de Letras, como segundo colocado. É considerado um dos maiores poetas da nova geração. Elogiado por Zuenir Ventura, Aldir Blanc, Ferreira Gular e outros escritores brasileiros. -

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Teste de Natal: Quem disse isso? Jesus Cristo ou Karl Marx?

"Vim causar a divisão entre filho e pai, filha e mãe, nora e sogra. 

Criar inimigos dentro da própria casa". 
Quem disse isso? 
Jesus Cristo ou Karl Marx? 
Faça o teste com essa e outras frases e descubra.
Reprodução

É comum, entre fanáticos religiosos de direita, dizer que “comunistas 
comem criancinhas” ou ainda condenar a teoria criada pelo filósofo 
alemão Karl Marx, que prega a igualdade social. Por outro lado, é 
comum também que pessoas de esquerda digam que Jesus Cristo foi, 
se não o primeiro, um dos grandes socialistas do mundo.
O teste abaixo circula já há algum tempo pelas redes sociais e, em 
semana de Natal, sempre viraliza. 
Das frases abaixo, você saberia dizer quais foram ditas por Jesus 
ou Karl Marx?
Assinale a alternativa correta:
1) “Não pensem que vim trazer paz. Vim trazer a espada. Vim causar a divisão entre filho e pai, filha e mãe, nora e sogra. Criar inimigos dentro da própria casa”
( ) Jesus de Nazaré
( ) Karl Marx

2) “No final das contas, será muito difícil salvar um rico”
( ) Jesus de Nazaré
( ) Karl Marx

3) “Venda tudo o que tem e dê aos pobres”
( ) Jesus de Nazaré
( ) Karl Marx

4) “Não importa o quanto você tem. Importa quem você é”
( ) Jesus de Nazaré
( ) Karl Marx

Respostas: 
1) Jesus (Mateus 10: 34-39); 2) Jesus (Lucas 18:18-30); 3) Jesus (Mateus 19:21); 4) Jesus (Mateus 6: 19-21)
Sim, todas as frases acima, de acordo com a Bíblia, foram ditas por Jesus. Marx, autor que baseou a teoria comunista, talvez fosse um pouco mais moderado…

Publicado na Revista Fórum , em 26 de dezembro de 2017.

Os símbolos do Natal: amor, perdão e gratidão

Por Rossandro Klinjey

"Você já aprendeu a ler o Natal?

Eu sei que tem muitos símbolos no Natal

Um bem conhecido das pessoas e que é bem falado pra gente é esse:

Papai Noel.


Tão bonito, né? Ganhar presente,

Imaginar que alguém vai chegar e vai dar um presente, que vai trazer a nossa alegria,
Mas, na verdade, existe uma coisa mais significativa.

A história do Natal que o cristianismo nos ensina para além das diferenças religiosas.

O Natal tem como objetivo nos fazer apreender o real significado da humanidade.

Por isso que o verdadeiro personagem do Natal é esse aqui:

o Menino Jesus.

E qual é o verdadeiro aprendizado para a humanidade?

É que para a gente conseguir estar juntos a gente precisa aprender a perdoar.

Sabe, ao longo da vida, ao longo de um ano, nós acumulamos mágoas, ressentimentos,
nós machucamos, somos machucados, e somente entendendo que mais do que 70 x 7,
estar sempre perdoando dá sentido à vida e cola as pessoas, as relações para que finalmente a gente entenda o que é o amor.

Que o amor também é fruto de uma coisa que nos faz partilhar a vida um com o outro, porque como diz o poeta Vinicius de Moraes: “é impossível ser feliz sozinho”. E quando a gente partilha, a gente conquista essa capacidade de desenvolver nos outros essa visão que perdoando, compartilhando , a gente vai percebendo que não só as pessoas nos machucam. Elas nos constroem, elas agregam, elas nos fazem melhores, elas nos fazem gente.

Por isso, diante disso, o Natal também nos ensina a ter gratidão pela vida, a ter gratidão pelos outros,  a ter gratidão pela família.

Esse sentimento de perdão, de partilha e de gratidão é como se fosse uma tríade, que finalmente nos chega a entender o verdadeiro sentido que é o amor.

O amor é essa capacidade de ver para além dos defeitos, amando as pessoas não como se fossem perfeitas, mas como elas são. Nos amando não se nós fôssemos excepcionais, mas como nós somos.

Nos amando assim, como Deus nos vê, com todas as nossas falhas. Mas com todo nosso potencial, um amor que vê a luz que há em cada um de nós.

Somos, como diz Jesus, a luz do mundo, o sal da terra.

Por isso, o espírito de Natal é isso. É mais do que dar presentes, é ser para cada um de nós, um presente para nós mesmos e um presente para o outro.

É a capacidade de fazer com que o outro vibre só com a nossa presença, que demonstre sempre compartilhamento, que demonstre sempre perdão, gratidão e, finalmente, amor.

Por isso que eu queria terminar pra vocês com essa música tão linda que a gente aprendeu a cantar , que diz assim:
“não é sobre ter   todas as pessoas do mundo pra si, é sobre saber que em algum lugar alguém zela por ti”.

Pode ser que essa pessoa nem esteja aqui mais, mas em alguma lugar ela zela por ti.

“É sobre cantar e poder escutar mais do que a própria voz, é sobre danças, na chuva de vida que cai sobre nós.”

É saber sentir-se infinito, amando, compartilhando, perdoando e agradecendo tudo o que a vida , e sobretudo a ele, que nos ensinou o sentido de tudo isso".

FELIZ NATAL PRA VOCÊ E SUA FAMÍLIA!

Resultados da pesquisa

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25 de dez. de 2018 - Vídeo enviado por Pingo cat
O sentido do Natal - mensagem de Rossandro klinjey. Pingo cat. Loading... Unsubscribe from Pingo ...
Música Trem-bala, da Ana Vilela

domingo, 14 de julho de 2019

Vivência da Festa do Rosário dos Homens e Mulheres Pretas de Minas Novas.

"Assim descrevo o ápice de minha experiência ao vivenciar os ritos e festejos da Festa de Nossa Senhora dos Homens Pretos de Minas Novas".
 "A mais genuína manifestação de sincretismo cultural e religioso que já presenciei".
Texto Tinga Murta - Junho 2019
Ouço ao longe sons de tambores... não é possível precisar o local exato de onde vem.
É certo que origina na parte baixa da cidade. No vale do Rio Fanado.
Pronto. Rastros de fumaça deixados por foguetórios revelam mais precisamente o local de onde já propagam também, bem baixinho ainda, cantos e louvações.

Partindo da casa onde, outrora, Maria do Carmo e Dário Magalhães criaram seus filhos, me vi diante de dois caminhos possíveis.
Escolhi o da esquerda. Uma escadaria me levou à Rua Monsenhor Aiala e depois à Rua Doutor Martiniano.

Mais foguetórios... os tambores são agora mais potentes e dos cânticos já se pode distinguir um desdobrar de vozes masculinas e femininas se sobrepondo em rico arranjo vocal.
Um pouco mais...uma descidazinha de terra batida e o deslumbre...

No leito do Fanado há um barramento natural. Um travessão... uma lapa de rocha que o cruza ortogonalmente. É lá, sobre esse vau natural que um grupo se destaca.
Sobrevestidos com um avental em suave amarelo, mulheres e homens, irmãos da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos são cortejados por Tambozeiros e protegidos pela Guarda, com suas fardas ornadas sobre o predomínio de tecidos em azul escuro e vermelho.
Crianças também estão por ali. Correm, agacham, saltam, espalham água, naquele alvoroço próprio e único de seres com corações ainda livres para abrir a porta de suas almas, sem temores...sem reservas.

Mais alguns passos e apuro o olhar. Sim, é ela...
Afagada pelas mãos cuidadosas do Rei Velho vejo a Santa.
Foi por ela que todos viemos aqui. 

Os Tambozeiros, o Congado de São Benedito, a Banda de Taquara, a Guarda, os Juízes Maiores, os Irmãos do Rosário e populares em grande número. Como eu...como a criança de olhos de luz que estava ao meu lado...como aquela senhora com um lindo lenço estampado sobre a cabeça...como a moça de cabelo verde...como o cancioneiro que leva o Vale do Jequitinhonha em sua obra e em seu nome...como o homem de barba e bigodes fartos que transforma taquaras e couro em tambores...como...
Assim descrevo o ápice de minha experiência ao vivenciar os ritos e festejos da Festa de Nossa Senhora dos Homens Pretos de Minas Novas. 
A mais genuína manifestação de sincretismo cultural e religioso que já presenciei.
Confio muito na acurada capacidade que Dayse Magalhães tem em avaliar e descrever conteúdos culturais, sobretudo as manifestações do povo do Vale do Jequitinhonha. Não havia dúvidas que os vários convites que me fez nos últimos dois anos me conduziriam a vivenciar momentos de enorme riqueza cultural e espiritual.
Contudo, os cinco, seis dias em que participei dos festejos, me levaram muito...muito mais além.
Minas Novas, passa a simbolizar o lugar geográfico onde vivenciei muitas das mais intensas emoções de minha vida.
Sim. Um lugar geográfico como símbolo, pois não saberia adjetivar o encantamento por que fui tomado percorrendo suas ruas e vielas de fascinante casario ou proseando no aprochego de suas cozinhas, de seus bares, de suas praças...
Nunca mais me esquecerei. Nunca me esquecerei dos ritos e das pessoas: das Novenas, da Buscada da Santa, dos Tambozeiros, do Congado de São Benedito, da Banda de Taquara, da Banda Marcial, da Guarda, da Buscada do Cofre, dos shows musicais... nunca mais me esquecerei de Minas Novas.

Citar os nomes dos inúmeros amigos que fiz, sem cometer a provável injustiça que a memória cansada iria impor seria um risco muito grande.



Mas, risco por risco, com o perdão dos não citados, deixem-me falar só um pouquinho de Dalton Magalhães (meu anfitrião), Deyse Magalhães e Rogério, de Gisélia Coelho (companhia de todas as horas), de Zia (ai... que macarrão delicioso!), de Dalma e Cesinha, de Dária, de Brava, de Arlindo Maciel, Rubão, Altinha e a turma do sítio, de Cardoso, de Marlene, de Jean Freire, Carlos e Felipe Mota, do casal Flávia e Zé Pinheiro, de Lena Neiva, de Serjão...

Não sou fotógrafo. Apenas tenho uma máquina com alguns recursos a mais e um monte de cartões de memória para fazer muitas fotos e “salvar” algumas.



Procurei documentar os festejos e proponho agora divulgar algumas imagens.
Acredito não desagradar àqueles que “emprestaram” suas imagens. Caso haja algum inconveniente, peço que notifiquem para que retire o conteúdo inadequado.
Cópias são livres.
 Apenas peço que, caso uma imagem venha integrar algum trabalho acadêmico ou artigo jornalístico, creditem a Tinga Murta.
Muito obrigado a todos.
Eu, Tinga Murta, recebendo o livro "Dicionário Fanadês, Jequitinhonhês, Mineirês" do escritor minasnovense Carlos Mota.

Texto do Tinga Murta, de Coronel Murta, Médio Jequitinhonha, registrando suas impressões emocionais na vivência da Festa do Rosário dos Homens e  Mulheres Pretas de Minas Novas, no Alto Jequitinhonha, nordeste de Minas.
Fotos de Tinga Murta e Deyse Magalhães.