sexta-feira, 11 de junho de 2021

Não tem conversa com bolsonarista

 

Os bolsonaristas não sabem dialogar, conviver com quem pensa e sente diferente deles. 

Quem não concorda com eles vira inimigo. 

É o protótipo do fascista. 


"Não tem conversa com bolsonarista"

João Paulo Cunha*
"Bolsonaro está cercado do que há de pior, na caserna, nos templos e na economia" - Arquivo/Agência Brasil
O fascismo é o território em que adversários são transformados em inimigos

Não quero papo com bolsonarista. Pode ser até parente próximo, pai, filho ou mesmo o espírito santo. Sem chance. A expressão “troca de ideias” padece de uma crença na capacidade do outro em trazer algo novo para o horizonte, que mereça até mesmo ponderação ou mudança de ponto de vista. Não é o caso dos minions: não tem como ser um deles sem deixar de ser gente. Pelo menos o que entendo por gente. Tem conversa que não vale a pena.

Por isso é preciso mudar de tática. Nada de tentar convencer os imutáveis 25% de almas sebosas. Que subsistam, e é só. Mas precisam ser derrotados. O fascismo é o território em que adversários são transformados em inimigos. O desafio, por isso, não está em conquistar consenso, hegemonia ou mesmo maioria, mas recuperar a civilização isolando quem não tem estatuto ontológico para participar do clube da democracia. O Brasil, sob Bolsonaro, vive no pântano da pré-política.

Por isso, alguns desafios estão postos. Fazer oposição cerrada às políticas do presidente que vêm capando direitos, manietando as instituições e destruindo o país é o primeiro deles. Para esse trabalho estão convocados desde os partidos de oposição aos movimentos sociais, passando por todos os grupos afetados por decisões no campo das políticas públicas e decisões na arena econômica e dos valores culturais. Enquanto o governo existe, é preciso que seja vigiado em seus equívocos, criticado em seus erros, inviabilizado dentro das regras e constrangido em suas boçalidades.

O segundo desafio está em ocupar todas as frentes possíveis para viabilizar o “Fora, Bolsonaro”, do afastamento judicial ou popular ao impeachment. Vale muita coisa nesse caminho, das CPIs aos movimentos de rua, passando por denúncias em foros internacionais de direitos humanos e cortes de defesa da civilização como a concebemos nos últimos 200 anos. Afastar o presidente é um imperativo democrático, não um ato de exceção. A paralisação do processo no Congresso e a blindagem nos órgãos de controle exige uma atitude de coragem que começa nas ruas.

O terceiro caminho é a construção da vitória nas urnas no ano que vem. Pode parecer a via mais condescendente e fácil, mas nem por isso está garantida. A ser mantida a atmosfera de polarização, atravessada pela incapacidade de união das forças democráticas e do cenário de exploração industrial da desinformação criminosa, não está afastada a possibilidade de reedição da última disputa eleitoral, inclusive em seus resultados. Parte minoritária, mas unida e vitaminada pela rede de ódio, pode de novo se alimentar dos mitos da antipolítica e do antipetismo.

 

O “Fora, Bolsonaro” precisa vir pelo afastamento judicial ou popular ou impeachment

 

A mudança de postura política exige apenas humildade em aprender com o passado recente. O que significa estabelecer com competência uma frente feita ao mesmo tempo de valores compartilhados e nomes viáveis. Os dois precisam vir juntos. Quem fala que o principal é o programa ou quem defende apenas os favoritos em pesquisa, faz o jogo da divisão que só reforça o ego e enfraquece os resultados. Que já deu no que deu.

Três são as bandeiras capazes de unir o que a divergência política das forças progressistas, de centro-esquerda ou, simplesmente, racionais, separa. Defesa da democracia como valor inegociável, retomada do combate à desigualdade e proteção do meio ambiente. Quem assina embaixo deve vir junto. As outras demandas serão somadas no processo de alianças posterior. Os nomes para levar esse programa adiante devem ser debatidos a partir daí, com pragmatismo e objetivo definido: ganhar a eleição, não uma vaga no tribunal da vitória moral. De boas intenções, o inferno bolsonarista dos nossos dias está cheio.

Baixo clero militar

Além de fazer oposição ao governo, trabalhar pelo impedimento do presidente por crimes cometidos e construir a vitória eleitoral, recentemente mais um fator passou a dominar o cenário e exigir mais um esforço aos defensores da democracia no Brasil: o combate à ditadura militar. Mas a ditadura não acabou em 1985? O que Bolsonaro está conseguindo fazer é algo que parecia impossível: transformar o que era ruim em algo ainda pior, ao naturalizar o que é inaceitável: uma ditadura militar singular, mas expressiva nos marcos da democracia de fachada.

O atual governo tem mais militares em cargos de ministério e presidência de estatais do que qualquer outro do período militar. Nos escalões inferiores, o recrutamento (a palavra nunca foi tão exata) nas forças armadas para cargos de direção e chefia do serviço público extrapola a casa dos milhares. O presidente é um ex-militar afastado por insubordinação, seu vice é general e o aparelhamento da justiça e das polícias tem a marca compósita da caserna e dos templos evangélicos. Bolsonaro recupera a mitologia da competência militar para cumprir missões em todas as áreas onde o problema parece ser excesso de democracia.

 

É preciso unirmos em torno da defesa da democracia, do combate à desigualdade e da proteção do meio ambiente

 

Militarizou tudo, do meio ambiente à saúde, não por acaso dois dos mais incompetentes setores da administração pública, que vêm enxovalhando o país em dimensão internacional. Pôs o Exército para produzir cloroquina, dirigir agências de controle de medicamentos, comandar a repressão contra defensores do meio ambiente.  Convocou militares da ativa contra as normas disciplinares, insuflou a divisão entre o oficialato, incorporou as polícias em sua visão abrangente de militarização como corpo armado e obediente.

As Forças Armadas nunca foram unidas. A dissenção faz parte de seu DNA, inclusive com revoltas e protestos vindos da caserna. Durante a ditadura militar de 1964-1985, foram pelo menos duas ondas fortes de conspiração, o que mostrava a vida política pulsando nos quartéis. Os protestos, na verdade, não eram contra o endurecimento do regime, pelo contrário, pela cobrança de mais ditadura. Nos dois casos, quem clamava por endurecimento eram representantes das baixas e médias patentes. Como Bolsonaro e sua turma.

 

Militares se nutrem do tripé oferecido pelo chefe: prestígio, poder e dinheiro

 

Mesmo assim, os militares, ainda que capazes de segurar a bagunça no seu pátio, gostavam do que faziam e se sentiram tirados do jogo antes da hora. Negociaram uma anistia que passou por cima de crimes contra a humanidade, o que permitiu que anos depois nomes de torturadores sejam alvo de homenagens e a defesa da tortura feita aos quatro ventos. Agora, inspirados pelo presidente, parece que os revoltosos do fechamento estão de volta. E se nutrem do tripé oferecido pelo chefe: prestígio, poder e dinheiro.

São três alimentos para a alma de qualquer pessoa menos convicta de seus princípios. Os militares ganharam promessas de investimento em seus brinquedos, estão no comando da máquina administrativa (inclusive no ordenamento de despesas civis) e tiveram aumentos e decisões favoráveis em meio a reformas trabalhistas e previdenciárias que afetaram negativamente todas as outras categorias profissionais. São admirados, poderosos e bem pagos.

Por essa e outras, o ex-capitão insiste em chamar as Forças Armadas de “meu” Exército. No sentido da propriedade individual pode ser um erro, mas no que diz respeito à identificação do grupo mais próximo, parece acertar o alvo. Com isso, a oposição de parte dos oficiais e mesmo o pedido de demissão dos comandantes das três armas não parecem incomodar o presidente. Na verdade, reforça a mudança da origem do domínio estabelecido nos quartéis, a partir do rebaixamento da linha de comando rumo aos setores menos graduados e, até então, menos valorizados pela corporação. Uma espécie de baixo clero da farda.

O recente caso de Eduardo Pazuello, general logístico e ex-ministro da Saúde, foi o coroamento da desmoralização dos militares. Tanto dentro de casa como para a opinião pública. Por um lado, rifou um oficial da ativa que carregou nas costas de forma humilhante os erros propositais da política sanitária defendida pelo presidente. Se um general da ativa em cargo de ministro já era uma forma de desobediência dos códigos militares que afirmam independência de governos para reforçar o papel de Estado de seus membros, sua entrega aos leões foi uma demonstração de desprezo.

 

Militarizou tudo, do meio ambiente à saúde, não por acaso dois dos mais incompetentes setores da administração pública

 

Em seguida, sua convocação para um ato político e exposição gratuita em episódio sem maior relevância, como um passeio de motociclistas fantasiados de homem, afrontou novamente as regras profissionais dos militares. Ao entrar em cena encaminhando o arquivamento da denúncia ao general, Bolsonaro remarcou sua posição de comando e plantou mais uma divisão entre os militares. O Exército saiu mais fraco e perdeu no terreno que moralmente sempre se destacou.

O presidente sempre manteve fechados os canais com a democracia. É inimigo da imprensa livre. Foi sempre reticente com partidos. Não confia em empresários, já que não se decidiu se é nacionalista ou liberal. Utilizou-se de todos que davam a ele palanque para sua cruzada antissistema, a começar por Moro, que depois foi descartado sumariamente e vive hoje seu inferno sem horizonte político ou profissional. Merecidamente.

Agora reduz sua interlocução até com a base da qual mais se orgulhava, os militares. Está ficando cercado do que há de pior, na caserna, nos templos, na economia e nas forças de segurança. É com eles que pretende se manter. Na falta de categoria sociológica confiável, esses espécimes atendem pelo nome de bolsonaristas. Eles não merecem papo.

Artigo publicado no https://www.brasildefatomg.com.br/2021/06/10/nao-tem-conversa-com-bolsonarista, no dia 10.06.2021

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domingo, 16 de maio de 2021

Neste domingo, Minas celebra o Dia dos Queijos Artesanais

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Vale do Jequitinhonha tem duas regiões produtivas: a tradicional região do Serro, no Alto Jequitinhonha,  e o queijo Cabacinha na região do Baixo Jequitinhonha.

Segundo a Emater-MG, 85 mil toneladas do produto são fabricadas artesanalmente em Minas, sendo principal fonte de renda 30 mil famílias.

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Fresco ou maturado, os queijos são amados entre os mineiros
Foto
Foto: Paulo Márcio/divulgação

Um dos produtos agropecuários mais característicos do Estado, seja pelo seu 

valor econômico, social, alimentar, histórico, cultural e tradicional, o queijo 

artesanal mineiro tem, merecidamente, uma data pra chamar de sua.

16 de maio é o Dia dos Queijos Artesanais de Minas.

No macarrão, no sanduíche, no omelete, com doce caseiro, como aperitivo 

ou como um lanchinho saudável. O queijo está presente em praticamente 

todas as refeições do mineiro e se tornou uma das opções proteicas mais 

importantes nos lares do Estado.

Tão importante que 85 mil toneladas do produto são fabricadas artesanalmente 

em Minas, sendo principal fonte de renda 30 mil famílias, de acordo com a 

Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais 

(Emater-MG).

Neste domingo, 16 de maio, celebra-se Dia dos Queijos Artesanais de 

Minas Gerais. A data foi instituída há quatro anos pela Lei Estadual 22.506/2017,

reconhecendo a importância de tipos de queijos feitos de leite cru, que não 

passaram por processo de pasteurização.

O dia e o mês escolhidos para essa homenagem remetem ao registro, em 2008, 

do Modo Artesanal de Fazer Queijo de Minas nas regiões do Serro, da Serra da 

Canastra e do Salitre ou Alto Paranaíba. Naquele momento, o jeito de produzir o 

produto foi registrado no Livro de Registro dos Saberes, pelo Conselho 

Consultivo do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O Queijo Minas Artesanal pode ser produzido legalmente em todo o estado 

de Minas Gerais, mas somente os alimentos feitos nas oito microrregiões 

caracterizadas (Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Serras de 

Ibitipoca, Serra do Salitre, Serro e Triângulo Mineiro) são autorizados a 

usarem a nomenclatura na embalagem.

O Queijo Minas Artesanal é um das muitas variedades de queijo artesanal 

produzido em Minas Gerais. Como outros tipos artesanais ele é feito de leite

de vaca cru, sem pasteurização e costuma seguir processos tradicionais de 

confecção, em pequenas propriedades.

“Foi o primeiro queijo a ser caracterizado no Estado. O leite cru tem de ser 

produzido exclusivamente na propriedade produtora. Utiliza pingo, coalho, 

salga a seco e passa por processo de maturação, adquirindo uma casca lisa 

e amarelada”, explica a coordenadora técnica estadual da Emater-MG, Maria 

Edinice Soares.

Estudos apontam que produtores de QMA produzem 50 mil toneladas por ano.  

“A média é de 15,3 quilos por produtor ao dia. O número nos mostra que 

a grande maioria dos produtores é da agricultura familiar e que eles geram 

cerca R$ 1,1 milhão por ano (preços pagos aos produtores)”, informa o também 

coordenador técnico estadual da Emater-MG, o engenheiro agrônomo Milton  

Nunes.

Tipos artesanais 

– Além das oito microrregiões produtoras do Queijo Minas Artesanal, 

Minas tem mais outras seis regiões caracterizadas, ou seja, passaram por 

estudo que identificou e definiu o tipo de queijo. Essas regiões produzem os 

seguintes queijos artesanais: Cabacinha, Serra Geral, Vale do Suaçuí, Alagoa, 

Mantiqueira de Minas e Requeijão Moreno. 

Hoje já se sabe que cada um deles tem características, como o sabor, por 

exemplo, que sofre a influência do clima e pastagem predominantes. A origem e 

manejo do rebanho e até o perfil do produtor também são determinantes no 

tipo de queijo da cada lugar.

O queijo artesanal Cabacinha é produzido na região do Vale do Jequitinhonha. 

É feito de leite cru de vaca, mas a massa é aquecida, sem chegar a 

pasteurizar. Recebe soro fermento, retirado no final da mexedura da 

massa e reservado em temperatura ambiente para ser usado no dia seguinte 

na fabricação do queijo. É moldado manualmente em forma de cabacinha.

Já o queijo artesanal da Serra Geral, produzido em 17 municípios da região Norte de Minas 

Gerais, não tem um processo definido quanto à forma de fazer, segundo a coordenadora Maria 

Edinice.

Por outro lado, os artesanais queijo do Vale do Suaçuí, queijo de Alagoa e queijo da Mantiqueira de 

Minas têm praticamente o mesmo modo de fazer com pequenas diferenças: leite cru de vaca, soro 

fermento e coalho. A massa passa por um processo de cozimento, enformagem e salga salmoura. 

Fontes: Diário do Comércio e informações da Emater MG .

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Pesquisa Datafolha: Lula dispara e lidera com 41% contra 23% de Bolsonaro

 Datafolha: Lula lidera corrida eleitoral de 2022 e marca 55% contra 32% de Bolsonaro no 2º turno

Petista tem 41% no primeiro turno, 18 pontos à frente do atual presidente, 

que deve disputar a reeleição no ano que vem

12.mai.2021 às 17h49

SÃO PAULO

Pouco mais de dois meses após ter seus direitos políticos restabelecidos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a corrida para a Presidência com margem confortável no primeiro turno e venceria o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na segunda etapa, revela pesquisa Datafolha.

O petista alcança 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 23% de Bolsonaro.

Em um segundo pelotão, embolados, aparecem o ex-ministro da Justiça Sergio Moro (sem partido), com 7%, o ex-ministro da Integração Ciro Gomes (PDT), com 6%, o apresentador Luciano Huck (sem partido), com 4%, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que obtém 3%, e, empatados com 2%, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) e o empresário João Amoêdo (Novo).

Somados, os adversários de Lula chegam a 47%, apenas seis pontos percentuais a mais do que o petista. Outros 9% disseram que pretendem votar em branco, nulo, ou em nenhum candidato, e 4% se disseram indecisos.

O levantamento foi realizado com 2.071 pessoas, de forma presencial, em 146 municípios, nos dias 11 e 12 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Num eventual segundo turno contra Bolsonaro, Lula levaria ampla vantagem, com uma margem de 55% a 32%. Ele receberia a maioria dos votos dados a Doria, Ciro e Huck, enquanto o presidente herdaria a maior fatia dos que optam por Moro, seu ex-ministro da Justiça e atual desafeto.

O petista também venceria na segunda etapa contra Moro (53% a 33%) e Doria (57% a 21%).

Já Bolsonaro empataria tecnicamente com Doria, marcando 39%, contra 40% para o tucano. E perderia para Ciro, obtendo 36%, contra 48% para o pedetista.

É a primeira pesquisa do Datafolha feita desde que o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, anulou as condenações judiciais do petista, com a justificativa de que a Justiça Federal em Curitiba não era o foro competente para as ações.

A decisão de Fachin depois foi referendada pelo plenário do STF, que deu a Lula outra vitória relacionada à Lava Jato: o reconhecimento de que o ex-juiz Sergio Moro foi parcial ao condenar o petista no caso do tríplex de Guarujá (SP).

As decisões do Supremo não significam a absolvição de Lula, uma vez que as quatro ações penais a que o ex-presidente responde na Lava Jato seguem tramitando, agora na Justiça de Brasília.

Na prática, o petista readquiriu o direito de disputar a Presidência no ano que vem, e não perdeu tempo em retomar contatos políticos.

Após ter sido imunizado com as duas doses contra a Covid-19, ele viajou a Brasília na semana passada, onde teve encontros com representantes de diversos partidos.

Além de contatos com a esquerda, também conversou com lideranças do centrão e até do MDB, partido que capitaneou o impeachment conta a ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016.

Assim que a pandemia permitir, ele pretende também realizar viagens por estados brasileiros, numa espécie de pré-campanha. Segundo aliados, Lula pretende se apresentar como um político moderado, de centro, e cogita repetir a fórmula de suas duas vitoriosas campanha presidenciais, em 2002 e 2006, com um empresário como vice.

Nesta pesquisa, Lula mantém seu padrão tradicional de apoio, com índices superiores de intenção de voto em segmentos de menor renda e escolaridade.

Ele marca 51% entre os que declaram ter ensino fundamental, e 47% na faixa de renda familiar de até dois salários mínimos mensais.

Por outro lado, seu índice cai para 30% nos que têm curso superior, e 18% no estrato mais rico, o de renda maior do que dez salários mínimos. Mais uma vez, o Nordeste demonstra ser o maior reduto eleitoral para o petista, onde ele atinge 56%.

Bolsonaro, por sua vez, vive um momento de abalo em sua imagem, em razão da criticada gestão da pandemia, que é objeto de uma CPI no Senado.

Ele tem 36% das intenções de voto entre os que declaram estar vivendo normalmente, mesmo com a pandemia, em empate técnico com Lula (33%). Bolsonaro tem promovido aglomerações, e muitas vezes dispensa o uso de máscaras.

Na outra ponta, aqueles que dizem estar totalmente isolados apoiam Lula de forma maciça (58%), contra apenas 8% dados a Bolsonaro.

O presidente tem mais apoio do que a média entre os homens (29%), os eleitores que têm ensino médio (26%) e os de renda de 5 a 10 salários mínimos (30%).

O presidente perde para o petista em todas as regiões, mas tem melhor desempenho no Sul e no Centro-Oeste/Norte, nas quais é forte o agronegócio, uma de suas grandes bases de apoio. Tem 28% em ambas.

Em outro segmento que costuma dar apoio ao presidente, o dos evangélicos, Bolsonaro tem 34%. Mas Lula também vai bem neste grupo, com 35% das intenções de voto, uma situação de empate técnico.

Bolsonaro também sofre os efeitos do aumento do desemprego e do repique da inflação, sobretudo a de alimentos.

No mês passado, o pagamento do auxílio emergencial pelo governo federal foi retomado, mas com um valor mais baixo, o que limitou a recuperação da popularidade do presidente. Dentre os que receberam o benefício, 22% declaram intenção de voto em Bolsonaro, o que não destoa da média geral aferida pelo instituto.

Entre os que se declaram desempregados à procura de trabalho, Bolsonaro tem apenas 16% das intenções de voto. O único estrato profissional em que ele lidera é o dos empresários, com 49% contra 26% de Lula.

Com o avanço da CPI da Covid, os apoiadores do presidente retomaram a participação em manifestações de rua, muitas vezes ignorando os protocolos de proteção contra a pandemia. Isso ocorreu em diversas cidades no Dia do Trabalho, enquanto o próprio presidente prestigiou um ato de motociclistas em Brasília no domingo (8).

As últimas semanas também viram uma intensa movimentação de Ciro, que busca dar uma guinada ao centro, após a volta de Lula ao cenário eleitoral.

Seu partido contratou o publicitário João Santana, que trabalhou com o PT, para mostrá-lo como uma alternativa à polarização representada por Lula e Bolsonaro. Em vídeos divulgados em redes sociais, Santana também tem buscado suavizar a imagem do ex-ministro, conhecido pelo pavio curto.

Ele se sai melhor entre os que têm ensino superior (11%) e no estrato mais rico (13%).

A pesquisa revela ainda que Doria segue tendo dificuldades para capitalizar politicamente o fato de ter trazido ao Brasil a Coronavac, parceria do Instituto Butantan com um laboratório chinês.

Até o momento, cerca de 80% das vacinas aplicadas no Brasil são fruto desta parceria, mas o tucano não tem conseguido transformar esse fato em intenções de voto.

Com relação aos demais candidatos, há dúvidas se vão mesmo concorrer. Huck teria de deixar um lucrativo contrato com a TV Globo, enquanto Moro desgastou-se após a série de derrotas sofrida pela Lava Jato.

Para se reeleger, Bolsonaro também terá de enfrentar um alto índice de rejeição, que ultrapassa metade do eleitorado e poderá ser um complicador, especialmente em um segundo turno. Dentre os entrevistados, 54% dizem que jamais votariam nele.

A rejeição de Lula é a segunda maior, com 36%, seguida pelas de Doria (30%), Huck (29%), Moro (26%) e Ciro (24%).