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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Tucanos lançam Aécio Presidente


O lançamento da candidatura de Aécio para 2014

Por Rudá Ricci, cientista político
O lançamento da pré-candidatura de Aécio Neves à sucessão de Dilma Rousseff é positiva para a democracia brasileira e cria um clima de segurança e tranquilidade entre tucanos. Mas parece trair-se pela falta de timing. Explico: faltam 22 dias para o Natal, data que é seguida pelo clima festivo da passagem do ano. 

Lançar agora não parece ser um ato de marketing ou que promova a candidatura à acolhida popular. 

Se assim é, o lançamento revela algum desespero ou embate no interior do PSDB. Desespero em virtude do apetite petista, da queda de popularidade acelerada do governo Alckmin e, portanto, da busca (também desesperada) de criar uma agenda positiva. 

Já sobre embate, pode significar um cuidado para superar fissuras abertas nas eleições deste ano, em especial, na tentativa de reacomodação dos serristas (ou esvaziamento do poder destes).
Na prática, a tarefa de Aécio é se enraizar no nordeste. 

Já a dos tucanos é reorganizar as tropas em São Paulo.
Publicado no Blog do Rudá Ricci

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Aécio Neves será presidente nacional do PSDB, em 2013


Tucanos com pé no chão

Estou acompanhando, com atenção e gosto, os movimentos do PSDB nacional. Tateiam na direção correta, finalmente. Não entraram na aventura proposta pelo deputado Roberto Freire (de quem tenho admiração por seu passado e por sua pessoa, mas não consigo compreender seus arroubos recentes) que poderia expor a sigla ao desafeto popular, acolheram o recado das urnas com sobriedade e, agora, anunciam Aécio Neves como presidente nacional da sigla, a partir de 2013.

É fato que política e vaidade são sinônimos, mas o maior partido da oposição precisa domar as idiossincrasias de seus caciques regionais ou dá a impressão de despreparo para o governo. 

Aécio se encaixa plenamente na renovação de nomes que Lula inaugurou - juntamente com Eduardo Campos - no sistema eleitoral. Jovem, com discurso técnico (que precisa se atualizar rapidamente), fora do eixo paulista (que alimenta o ódio em quase todo país), conciliador. Tem dificuldades de comandar o nordeste do país, mas somente com exposição nacional pode superar esta lacuna.

O problema dos tucanos, a partir desta superação da insistência ao erro, é elaborar uma plataforma nacional a partir da leitura sobre o novo país, do consumo de massas de produtos com alto valor agregado a partir dos emergentes, em especial, do nordeste e regiões empobrecidas do país. As pequenas e médias cidades tupiniquins se alimentam dos altos volumes de recursos federais (desde aposentadorias e pensões, passando por aumento do emprego público, crédito popular com baixas taxas de juros, bolsa-família e aumento real do salário mínimo). 

Não adianta jogar todas fichas na pujança da iniciativa privada se o país roda a partir da injeção de recursos do Estado. 

Para ser convincente, precisa dialogar com esta nova realidade, mesmo que para se opor. A simples negação está enfrentando uma muralha popular, registrada nas urnas a cada eleição.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Três gerações comandaram o PT desde a sua fundação

Prisão de Zé Dirceu vira página de segunda geração de dirigentes do PT

Zé Dirceu deverá ficar em regime fechado, a partir do segundo semestre de 2013, por um ano e nove meses. 

A prisão em si é um drama pessoal que encobre um virada de página na história do PT. 

Nos anos 1980 a meados de 1990, o Partido dos Trabalhadores foi dirigido por uma geração que optou pela construção de um partido de massas, com mecanismos de tomada de decisão fortemente apoiado na participação direta dos filiados e base da sociedade que legitimava o partido. 

A partir daquela data, até a eleição de Dilma Rousseff, foi a geração de Zé Dirceu (a segunda geração de comandantes petistas) que assumiu o comando e alterou profundamente o perfil partidário. Era a geração do partido de quadros, para retomar o contraponto histórico entre Rosa Luxemburgo e Lênin. Na versão leninista, o partido de quadros é dirigido por profissionais da política, ancorados em forte burocracia partidária e ações planejadas. Também fazia parte deste caldo o etapismo clássico em que um primeiro momento criava condições (objetivas e subjetivas) para o passo seguinte, num encadeamento lógico e linear, tão linear que quase infantil. 

Lula promove uma terceira geração de dirigentes, mais técnicos e forjados na administração pública. São gerentes. 

Contudo, é a segunda geração a que será mais lembrada pela interdição da relação direta do partido com os movimentos sociais e a valorização da economia sobre a política, invertendo os sinais do ideário original petista. 

O mérito da geração que agora tem seus principais líderes condenados à cadeia ou ao exílio político foi a transformação do PT num dos três maiores partidos do país e a imposição da estatalização (o avanço dos braços estatais sobre a vida social) do país. Uma geração que colocou a tomada do Estado como objetivo final de sua ação, a partir do qual girava toda lógica de ampliação do poder político. O Estado como demiurgo. 

Ficou a imagem, para os petistas, como modernização do PT. Não foi. Ao contrário, foi a retomada da velha cantilena leninista da tutela da vida social pela burocracia.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

2014: Dilma, Aécio, Eduardo Campos....


Previsões para 2014

Política não é matemática. Mas, como li outro dia, ser humano adora dar notícia.
Vou arriscar. Se nos pautarmos pelas eleições deste ano, 2014 será similar a 1989: todos partidos lançarão candidatos. Talvez, a exceção seja o PMDB, que não consegue se unificar nacionalmente.
No resto, Dilma disputará com Aécio, Eduardo Campos e mais uns 5 ou 6 candidatos. Marina se prepara, também, com novo partido a ser lançado em 2013.
Com 32 prefeituras a menos em SP e 13 em MG, Aécio não vive o que planejava um ano atrás. Tenta posar de vitorioso, mas poucos analistas acreditam no velho marketing aecista. Se Serra perder na capital paulista para Haddad, a sinalização para o PSB forçar independência em MG (com Lacerda) será quase irresistível.
Análise do cientista político Rudá Ricci, em seu Blog

sábado, 25 de agosto de 2012

Lewandowski revela a face da velha mídia



Imagem: facebook/Thais Krug - RS
Lewandowski faz mídia pirar 
O ministro revisor do julgamento do suposto “mensalão”, Ricardo Lewandowski, inocentou João Paulo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados à época do “escândalo”. As acusações são peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Cunha foi inocentado pelo ministro revisor por falta de provas.
Blog do Cadu - 24.08.12

Logo a grande imprensa tenta diminuir e desqualificar Lewandowski. No primeiro dia, ao proferir seu voto, ele chegou a concordar com o ministro relator, Joaquim Barbosa. Mas a absolvição de João Paulo Cunha criou insônia na grande imprensa.
Como já disse antes por aqui, este julgamento é a última chance da direita brasileira de tentar uma sobrevida política. Estão sem nomes, sem agenda e seus passos são para tentar salvar seu discurso moralista.

Nem isso irão conseguir. Uma cachoeira de revelações criminosas da grande imprensa foi revelada ao país.
Aguardemos mais capítulos da novela midiática criada pela grande imprensa brasileira. A cada derrota ela range seus dentes. 
Se a vida fosse a timeline do Facebook teríamos várias imagens do Lewandowski com a legenda “O PIG pira”.
Mas uma pergunta fica no ar: a grande imprensa vai se retratar com os inocentados no julgamento?
Do Blog do Cadú 

Leia também

Globo 'mensaleira' embolsou R$ 2,7 milhões da agência de Marcos Valério, só na Câmara

Quem 'pariu' o termo "mensalão", agora aguente.

A TV Globo e seus parceiros do PIG passaram 7 anos acusando f

alsamente o deputado João Paulo Cunha (PT-SP)  de ter desviado 

dinheiro público para o "mensalão" no contrato de publicidade da 

Câmara dos Deputados com a agência SMPB de Marcos Valério.

Agora ficou provado nos autos do processo que a maior parte do 

dinheiro desse tal "mensalão" nesse contrato foi embolsada pela TV 

Globo e seus parceiros do PIG, a título de veiculação de propaganda 

na execução do contrato. 

Eis os principais "mensaleiros" da imprensa televisa , e os valores 

embolsados:

TV Globo: R$ 2,7 milhões

SBT: R$ 708 mil

TV Record: R$ 418 mil

Eis os principais "mensaleiros" da imprensa escrita:

Grupo Abril (dono da revista Veja): R$ 326 mil

Grupo Estado: R$ 247 mil

Grupo Folha: R$ 247 mil

Fundação Vitor Civita (do Grupo Abril): mais R$ 66 mil.

Fonte: http://marciabrasileira.blogspot.com.br/

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Os anti-petistas não aceitam o PT ter chegado ao poder


Os Meios e os Fins

Marcos Coimbra - 


08.08.12 



Há os que 

desgostam 

do PT, dos 

petistas e 

de tudo que fazem 

com tal 

intensidade que 

qualquer 

explicação é 

desnecessária. 

Apenas têm aversão profunda pelo que o partido representa.

Alguns a desenvolveram por preferir outros partidos e outras 

ideias. Mas são a minoria. 

Os mais sinceros anti-petistas são os que somente sentem 

ojeriza pelo PT. Veem um petista e ficam arrepiados.Sequer 

sabem a razão de tanta implicância.


Detestavam o PT quando era oposição - dizendo que era 


intransigente - e o detestam agora que está no governo pela 

razão oposta - acham que é tolerante demais. 



Odiavam os petistas quando vestiam camiseta e discursavam na 

porta das fábricas. Hoje, os abominam porque usam terno e 

gravata e a fazem pronunciamentos no Congresso.


Um dos argumentos que invocam para justificar a birra é 


capcioso: o mito da “infância dourada” do PT, quando ele teria 

sido virginal e puro.

O invocam com o intuito exclusivo de ressaltar que teria perdido 


algo que, em seu tempo, não admitiam que tivesse.

O PT abstrato e irreal que criaram é uma figura retórica para 

denunciar o PT que existe de fato - que não é nem menos, nem 

mais real que os outros partidos que temos no Brasil e no 

mundo.

Além desse anti-petismo figadal e baseado em pouco mais que 


um atávico conservadorismo, há outro. Que pretende ser mais 

sóbrio.

Nestes tempos de julgamento do “mensalão”, é fácil encontrá-

lo.

Seus expoentes são mais racionais e menos folclóricos. Usam 

uma lógica que parece sólida.

O que mais os caracteriza é dizer que não discutem os fins e sim 


os meios do PT.

Que não são anti-petistas por definição, mas que repudiam 


aquilo que os líderes petistas fizeram para chegar ao Planalto - 

e passaram a fazer depois que o partido lá se instalou.


Ou seja, sua oposição não questionaria o projeto petista, mas 


sua tática. Não haveria problema no fato de o PT querer estar - e 

estar - no poder. Mas em o partido ter usado meios inaceitáveis 

para lá chegar e permanecer.

Parece uma conversa bonita. E nada mais é que isso.

No fundo, esse anti-petismo é igual ao outro. Sua aparente 


sofisticação apenas dá nova roupagem aos mesmos 

sentimentos.


O que o anti-petismo não perdoa em José Dirceu - e outras 

lideranças que estão sendo julgadas - não é ter usado “meios 

moralmente errados” para alcançar “fins politicamente 

aceitáveis”.

Salvo os mal informados, seus expoentes sabem que o que o ex-


ministro fez é o mesmo que, na essência, fariam seus 

adversários se estivessem em seu lugar - sem tirar, nem por.

Quem duvidar, que pesquise quem foi e como atuava Sérgio 


Motta, o popular “Serjão”, “trator” nas campanhas e governos 

tucanos.


(Com ele, não havia meias palavras: estava em campo para 

garantir - seja a que preço fosse -, 20 anos de hegemonia para o 

PSDB - e que ninguém viesse a ele com a cantilena da 

alternância de poder”. Não foi por falta de seu empenho que 

o projeto gorou.)


O pecado de José Dirceu é ter tido sucesso no alcance dos fins 

a que se propôs - um sucesso, aliás, notável.

Sem sua participação, é pouco provável que tivéssemos o 


“lulopetismo” - um dos mais importantes fenômenos políticos 

de nossa história, gostem ou não seus adversários. Sem ele, o 

Brasil não seria o que é.

Isso é muito mais do que se pode dizer de quase todos os 

contemporâneos.

Mas é essa a realidade.

Enquanto José Dirceu vive sua ansiedade, Sérgio Motta é nome 


de ponte em Mato Grosso, anfiteatro em Fortaleza, centro 

cultural em São Paulo, praça no Rio de Janeiro, edifício em 

Brasília, avenida em Teresina, usina hidroelétrica no interior de 

São Paulo e rua na longínqua Garrafão do Norte, nos rincões do 

Pará.

E de um instituto em sua memória, patrocinado pelo governo 


federal, que distribui importante prêmio de arte e tecnologia.


Gente fina é outra coisa.



Do site do Luis Nassif , com dica de Marlene Sena (facebook)


Marcos Coimbra é sociólogo de Belo Horizonte, diretor do 

Instituto Vox Populi.

quinta-feira, 12 de abril de 2012


PT decide entregar a cabeça do governador Agnelo


O PT decidiu entregar o governador petista Agnelo aos leões. Decisão de Lula. É o preço para poder pegar o governador Perillo, de Goiás, e desidratar ainda mais a oposição. Esta é mais uma demonstração de como o lulismo adota quase literalmente as orientações de Maquiavel. Tem petista que ainda não entendeu isto. Talvez, por não conhecer o estilo de César Bórgia (na ilustração), filho de Alexandre VI, que chegou a matar seu lugar-tenente, Ramiro de Lorque. Mais tarde, Bórgia ordenou que Orsini e Vitellozzo Vitelli, dois de seus subordinados, conquistassem Sinagaglia. Ao chegar com suas tropas em Sinagaglia, Bórgia mandou prender e, mais tarde, executar os três. Maquiavel nunca escondeu sua admiração por Bórgia e chegou a escrever "Descrizione Del modo tenuto dal duca Valentino nell' ammazzare Vitellozzo Vitelli, Oliverotto da Fermo, il Signor Paolo e il Duca di Gravina Orsini" (1502) para destacar como um Príncipe deve sacrificar um súdito para obter a aprovação do povo, mesmo que tenha realizado alguma tarefa definida por ele.
Análise do cientista político Rudá Ricci,em seu Blog

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Dilma tem 77% de aprovação popular, mas governabilidade depende de aliados


Os 77% de aprovação de Dilma

Temo que os 77% de brasileiros que aprovam o governo Dilma, segundo o CNI/IBOPE, estimule a rota de colisão e estilo autocrático do governo federal. Melhor seria que o governo compreendesse que o apoio popular é apenas um elemento da governabilidade no Brasil. 
O fato é que a aprovação popular ao estilo Dilma cresce. A rodada de dezembro indicava apoio popular de 72% da população. O consumo continua sendo a âncora principal desta popularidade, somado ao índice recorde de desemprego. Há, ainda, o aplauso da grande imprensa ao estilo Indiana Jones de enfrentamento dos desvios do mundo político. Assim, cria-se a onda que soma a herança do governo Lula ao aplauso de quem nunca elogiou o estilo negociador do ex-presidente. 
Este aplauso inusitado deixaria o governo em situação confortável caso a Constituição Federal fosse outra. Mas como ela dá muitos poderes ao Congresso Nacional, o divórcio entre opinião pública e dia a dia da gestão política obriga o governo a estar atado aos laços de lealdade com o parlamento e, por extensão, lideranças partidárias. É um jogo mesquinho, mas este é o jogo. 
Dilma, sem dúvida, consegue criar uma imagem de autenticidade porque arrisca justamente perder apoio por agir de maneira que considera justa. Além disto, não faz propaganda pessoal, fala de maneira burocrática, está anos luz do estilo fácil e verborrágico ou mesmo professoral dos últimos dois presidentes, o que cria empatia imediata com o homem comum, destituído de poder e longe das rodas de negociação política. O problema é justamente este: esta opinião das ruas não afeta as relações da elite política do país. 
Interessante que os entrevistados lembraram espontaneamente dos temas que o governo tratou no último período: programas sociais voltados para mulheres, as viagens da Presidente e a política ambiental, todas aprovadas pelos cidadãos pesquisados.  
Os temas que mereceram críticas foram: impostos (65% desaprovam), saúde (63%) e segurança pública (61%). Já 60% dos entrevistados consideram o atual governo igual ao do ex-presidente Lula.
Publicado  por Rudá Ricci no seu Blog

segunda-feira, 5 de março de 2012

Caciques políticos do século XXI


A nova república velha

Seguindo a máxima "Brasil só funciona depois do carnaval", os partidos políticos começaram a acelerar e multiplicar as reuniões para definir as estratégias eleitorais para outubro. Jogo de cena. Na verdade, sem aval dos caciques políticos, nada feito. Na Era Lula, o sistema partidário tupiniquim, que sempre foi um desastre, sucumbiu de vez e voltou, ao sabor do presidencialismo de coalizão, ao velho caciquismo. Senão, vejamos. No PSDB, nada se faz sem FHC, Aécio e, mesmo que sem jeito, Serra. No PT, tudo é mais simples: nada se faz sem Lula. No PSB, o cacique é Eduardo Campos. No PV é Penna. No PPS é Roberto Freire. E assim vai. O PMDB é mais complexo porque se estrutura a partir de caciques regionais. Mas, no fundo, o que temos é a valorização do acordo de bastidor, entre caciques, o que afasta, novamente, o cidadão da política formal. Porque, como explicar que o coronel do PSB em Minas Gerais é um ex-ministro de Lula que responde por ele em terras de Guimarães Rosa? Como explicar que a atual Presidente da República foi catapultada pelo cacique Lula, assim como o candidato a prefeito de São Paulo? E que o candidato do cacique petista em BH é o prefeito do PSB em aliança com o PSDB?
Mas fica a tese: voltamos para o estilo República Velha no que tange ao sistema partidário. 
Com cores de século XXI. 
Cores apagadas.
Texto de cientista político Rudá Ricci, no seu Blog.


Comentário:
É o neocoronelismo de volta à política nacional, apesar dos avanços da democracia participativa. É preciso que a sociedade civil questione e reaja frente ao autocratismo dos nossos representantes políticos e dos gestores de políticas públicas. Em todas as instâncias, federal, estadual ou municipal.

domingo, 22 de janeiro de 2012

A força de Dilma é a força da esperança

A força de Dilma é a força da esperança Ela teve contra si a natural desorganização de início de governo, uma alota da inflação que seus adversários brandiram como sinal do caos, uma verdadeira chacina ministerial – que despedaçou na mídia sete de seus auxiliares – e uma crise mundial que paralisou as economias centrais.
Ela era inexperiente, ia viver à sombra de Lula, não controlaria o PT, não eria capaz de manter unida sua base de apoio e, resumindo, do ponto de vista político, seria “um poste”.
E aí está Dilma Vana Rousseff com um índice de aprovação, ao final de seu primeiro ano de mandato, superior ao que tiveram todos os demais presidentes da República desde que se restabeleceram as eleições diretas neste país.
E se seus méritos pessoais foram grandes e muitos – e ninguém senta naquela cadeira e faz tudo o que quer e muito menos como quer – ela chega a esta posição não apenas por eles.
A solidez da avaliação positiva de Dilma é, sobretudo, a solidez de uma percepção, que não será facilmente destruída, de que esse país pode e está caminhando para ser o que dele sempre esperou, às vezes secretamente, o povo brasileiro: um grande, livre e justo país.
É certo que José Sarney e Fernando Henrique Cardoso, manipulando o terror da inflação, conseguiram picos de popularidade. Mas eram espertezas, não projetos, guinadas e não rumos. Por isso, desfizeram-se.
Foi no governo Lula que se descortinou a face da esperança para o povo brasileiro.
Não tivemos uma revolução, mas o interesse do país e o da população passou a pesar na roda do leme, e ela o percebeu, muito embora tentem nos distrair, seja quando se amplificam as mazelas de que está cheio este país, seja quando nos fazem olhar apenas o céu e esquecer das correntes terríveis em que temos de navegar.
Aí está Dilma, dona de uma força política que faz gaguejarem seus adversários, protegida no julgamento popular - como Lula ficou – dos salpicos de lama com que se a tenta atingir, pronta para por em marcha, agora, a etapa que lhe cabe nesse processo de libertação do Brasil e de dignificação da vida de sua gente.
Essa é, para os que amam de fato o Brasil e o povo brasileiro, a finalidade do prestígio político e da confiança popular: mudar o país. E Dilma, por tudo o que foi e é, sabe disso.
Está em marcha esta mudança e veremos, este ano, como ela se tornará palpável, visível e profunda.
Fonte:Brizola Neto, no seu Blog Tijolaço

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Fusão entre PMDB e DEM

Fusão entre PMDB e DEM por Gaudêncio Torquato 2012 e os sinais de mudança
A política, costuma lembrar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, é a arte de criar condições para tornar possível o necessário.

Para outros, como a escritora chilena radicada em Cuba Marta Harnecker, é a arte de construir forças capazes de modificar a realidade, tornando possível um amanhã que hoje parece impossível.

Entre esses dois pensamentos e o pragmatismo que faz parte de nossa cultura política, deve ser recebida a recente manifestação de próceres do PMDB e do DEM, hoje jogando no tabuleiro dos contrários, a respeito de eventual fusão dos dois entes partidários.

Essa possibilidade, que gera surpresa na esfera política pela condição ímpar dos contendores - de um lado, o principal parceiro do PT na aliança governista e, de outro, o aliado incondicional do PSDB na frente federal da oposição -, seria efetivada antes das eleições de 2014, alicerçando-se na hipótese de parceria bem-sucedida no pleito municipal de outubro deste ano.

Feitas as contas das planilhas, peemedebistas e democratas analisariam o seu desempenho municipal para tomar uma decisão que, seguramente, alteraria profundamente as regras do jogo ora vigentes.

O que motiva a cúpula dos dois partidos?

A vontade comum de abrir um novo capítulo na política, na crença de que o atual sistema se encontra engessado ou, em termos claros, aprisionado aos tabuleiros do PT e do PSDB, que há praticamente duas décadas compõem a dualidade mandonista da Nação.Se ninguém furar o bloqueio o modelo continuará intocável.

O fato é que o Brasil vai bem na economia e mal na política. Os avanços econômicos decorrem de políticas adequadas e corajosas e das riquezas do nosso imenso território. O atraso político deriva da manutenção de um sistema institucional defasado, em que sobressaem um Parlamento apequenado ante o Executivo, um presidencialismo de cunho imperial e um Judiciário com propensão legislativa.

Se o PIB econômico se move pelo piloto automático, o PIB político é puxado por muitos pilotos que não sabem para onde seguir. Não é de surpreender que a política gire em círculos. Portanto, na política está o maior desafio nacional. Dela dependem a modernização das estruturas, os padrões da administração pública, os costumes e métodos.

Por onde e como começar um processo de mudança? A resposta aponta invariavelmente para a reforma político-eleitoral, abrangendo sistemas de voto, normas partidárias e estatutos como cláusula de barreira, financiamento de campanhas, formação de coligações, etc.

E por que tal escopo não é implantado? Ora, por falta de vontade política. A iniciante interlocução entre PMDB e DEM visa a criar as condições para tornar possível o necessário, ou seja, aperfeiçoar a forma governativa.

A manutenção do status quo interessa, sobretudo, ao PT e ao PSDB.Esses dois partidos se têm revezando desde 1994 no comando do País. Ambos usaram (e usam) as bengalas de outras legendas para ganhar apoio no Parlamento e, assim, garantir a governabilidade. Com ofertas no balcão de recompensas - ministérios, autarquias, um quadro com 20 mil postos na administração federal - as duas forças conseguiram registrar boas marcas em seus períodos.

Aduz-se, portanto, que interessa a ambas manter a modelagem que lhes proporciona seguir ocupando o Palácio do Planalto - ao PT vale tudo para expandir o domínio e o PSDB se esforça para voltar a ser o figurante principal.

A polarização está em seu DNA. Para encobrir essa posição e atenuar a desconfiança de parceiros dos dois contendores se passou a falar em presidencialismo de coalizão. A expressão, inicialmente chancelada por Sérgio Abranches, tem sido empregada desde os tempos de FHC para designar uma administração compartilhada.

Ou seja, serve ao propósito de transferir aos aliados o sentimento de pertinência, de corresponsabilidade governativa.

Publicado no Blog do cientista político Rudá Ricci.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Mensalão do PT deve ser julgado pelo STF em 2012. Já o do PSDB...

Mensalão do PT deve ser julgado pelo STF em 2012. Já o do PSDB...
Denúncia aceita há dois anos pelo Supremo Tribunal Federal contra o tucano Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas, não anda. Justiça passou 2011 sem achar duas testemunhas-chaves e à espera de laudo da Polícia Federal sobre assinatura de Azeredo em recibo por repasse de R$ 4,5 milhões de empresa de Marcos Valério.
André Barrocal BRASÍLIA – No último dia do ano judiciário em 2011, 19 de dezembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa mandou aos colegas relatório preliminar, de 122 páginas, sobre a ação penal contra o “mensalão do PT”. Resposta inclusive a pressões internas do STF – o ministro revisor, Ricardo Lewandowski, deu entrevista no fim do ano dizendo que os supostos delitos poderiam prescrever -, o gesto de Barbosa torna possível o início do julgamento do processo em 2012.

Já o embrião da operação que coloca 38 pessoas no banco dos réus por crimes como corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, o chamado “mensalão tucano”, crime pelo qual 15 pessoas são rés, começa 2012 sem a mesma perspectiva.

Também relator do caso, Barbosa ainda não pode concluir nem ao menos um parecer prévio sobre o suposto desvio de recursos públicos em favor da campanha reeleitoral do então governador de Minas e hoje deputado federal, Eduardo Azeredo (PSDB), e de aliados dele.

Há mais de um ano, o ministro tenta, sem sucesso, obter o depoimento de duas testemunhas fundamentais na denúncia de peculato e lavagem de dinheiro apresentada pela Procuradoria Geral da República contra Azeredo.

Também espera, em vão, por um laudo do Instituto Nacional de Criminalística (INC) da Polícia Federal (PF) sobre um documento essencial no processo, um recibo de R$ 4,5 milhões que Azeredo teria assinado depois de receber a quantia da agência de publicidade SMP&B, do empresário Marcos Valério.

As duas testemunhas que Barbosa não conseguiu que fossem ouvidas em 2011 por juízes de Belo Horizonte são José Vicente Fonseca e Maria Cristina Cardoso de Mello.

O primeiro é dono de uma empresa (Sertec) que teria se beneficiado de contratos ilícitos com a gestão de Azeredo em Minas e depois ter doado recursos (públicos na origem) para a campanha do tucano. A segunda trabalhou em 1998 na campanha ao Senado de Júnia Marise, aliada do então governador e cujo caixa teria sido abastecido pelo mensalão tucano.

Vicente e Maria Cristina foram ouvidos pela PF durante o inquérito que depois levaria o Ministério Público a formular a denúncia contra Azeredo. À polícia, Maria Cristina disse ter recebido para a campanha de Júnia R$ 175 mil em dinheiro saído da agência SMP&B.

Já o empresário disse que Azeredo comandava reuniões do próprio comitê de campanha que tomava decisões financeiras. E que Marcos Valério era figura constante no comitê.

Essa versão é mortal para a defesa de Azeredo, que alega que as operações financeiras eram todas de responsabilidade de seu tesoureiro de campanha, Claudio Mourão. Barbosa tenta confirmá-la, mas a Justiça de Belo Horizonte, a quem pediu a oitiva, não conseguiu achar o empresário.

Cronograma descumprido
A denúncia do então procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, contra Azeredo e outras 14 pessoas por peculato e lavagem de dinheiro praticados no mensalão do PSDB foi apresentada em novembro de 2007 ao STF. A corte aceitou-a em dezembro de 2009 - no caso do mensalão do PT, foi mais célere: recebeu a denúncia em abril de 2007 e em agosto, já a aceitava.

Um ano depois, Barbosa montou um calendário de tomada de depoimentos de 26 pessoas arroladas como acusação pela Procuradoria Geral da República, para confirmar o que algumas disseram à PF, como Vicente e Maria Cristina.

O ministro deu 40 dias para a Justiça em Belo Horizonte, a partir das intimações, ouvir 21 delas. As outras cinco seria ouvidas depois, em outras cidades.

Ao longo de 2011, Vicente não foi encontrado pela Justiça mineira e, quando foi, alegou que não tinha condições de saúde de depor. Em setembro, a Procuradoria Geral pediu a substituição dele como testemunha. Barbosa primeiro negou o pedido, insistiu para quem um juiz local o ouvisse, mas depois acabou concordando.

No lugar do empresário, deve agora ser ouvida Vera Lúcia Mourão de Carvalho. Uma personagem importante que chama a atenção não ter sido arrolada como testemunha desde o início pela Procuradoria Geral. Prima do tesoureiro de Azeredo, Vera Lúcia trabalhou na campanha do tucano em 1994, quando ele ganhou, e 1998, quando perdeu.

Ao depor à PF, ela disse, como José Vicente, que Azeredo participava pessoalmente das decisões financeiras da campanha – ao contrário da terceirização para Claudio Mourão, como o tucano afirma ter ocorrido. E que Marcos Valério era presença frequente no comitê desde 1994.

No voto em que justifica a aceitação da denúncia contra Azeredo, Joaquim Barbosa aponta Vera Lúcia como uma das testemunhas mais importantes, pelo que ela já tinha dito à PF. Mas só nove meses depois, em função do “sumiço” do empresário José Vicente, é que ela é chamada a falar.

Já a testemunha Maria Cristina não foi ouvida por não ser achada no endereço indicado por Joaquim Barbosa à Justiça em Belo Horizonte, e depois por estar em viagem. Desconfiado, o ministro chegou a mandar um despacho à capital mineira, dizendo que se negar a depor é crime e insistindo para que ela Maria Cristina seja ouvida. Em 2011, nada.

Perícia demorada
Quem também se mostra um obstáculo à conclusão do relatório de Joaquim Barbosa sobre o mensalão tucano é a própria Polícia Federal, de quem o ministro aguarda há mais de um ano uma perícia do Instituto Nacional de Criminalística.

Na denúncia feita contra Azeredo, a Procuradoria Geral da República inclui a cópia de um recibo de R$ 4,5 milhões que o tucano teria assinado no dia 13 de outubro de 1998, época em que disputava o segundo da eleição para o governo de Minas.

O documento também é peça-chave no processo pois revela uma ligação direta de Azeredo com uma empresa do operador do mensalão, Marcos Valério. Para se defender, o tucano diz que a parte financeira da campanha era com seu tesoureiro, mas se ele assinou mesmo o recibo, a tese vai por água abaixo.

Depois que Joaquim Barbosa aceitou a denúncia, o ex-governador de Minas passou a contestar a autenticidade da assinatura atribuída a ele, algo que não fizera, como o próprio ministro do STF já destacou, durante o inquérito da PF e do Ministério Público que levaria à denúncia formal.

Em setembro de 2010, Barbosa autorizou a abertura de um “incidente de falsidade”, para confirmar a autenticidade da assinatura. Três meses depois, pediu uma perícia no documento ao INC.

Em abril de 2011, reforçou a requisição, em despacho no qual cobra “máximo empenho e celeridade” e dá 60 dias de prazo. Nada. Seis meses mais tarde, a PF solicita mais prazo para concluir a perícia. Barbosa nega e pede o envio imediato de uma análise. O ano de 2011 terminou e nada outra vez.

Uma dificuldade que, nos autos do processso conduzido por Barbosa, se observa que o INC tem enfrentado, é achar o recibo original.

União = atraso
Ao longo de 2011, o relator resistiu ainda a duas tentativas que, na prática, poderiam retardar mais um pouco o desfecho do processo do mensalão tucano.

O candidato a vice de Azeredo em 1998, Clésio Andrade, réu como o tucano, tinha contra si uma ação correndo na Justiça mineira. Como se tornou senador em abril, e portanto passou a ter foro privilegiado, a Procuradoria Geral da República pediu ao STF que juntasse o processo de Clésio ao de Azeredo.

Barbosa rejeitou a proposta, porque as duas ações estão em estágios diferentes. Uni-las, segundo ele, poderia atrasar as duas.

O então vice de Azeredo na gestão 95-99, Walfrido dos Mares Guia, também é alvo de uma ação pelos mesmos fatos. Sem mandato, é réu num tribunal de Minas. Walfrido também quis embaralhar os dois processos, mas Barbosa também negou.

Publicado no site Cartamaior, no da 02.01.2012

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Mediocridade na análise política brasileira

Mediocridade na análise política brasileira
Rudá Ricci A polarização ideológica-partidária que tomou a grande imprensa brasileira empobreceu o já tímido debate político em nosso país. Ficou mais para torcida de auditório que para análise crítica. Dá lombeira ler artigos pró e contra que adotam os argumentos mais insignificantes e confundem desejo com interpretação.
O que dizem os dados de pesquisa sobre política tupiniquim?
1) A maioria dos brasileiros está focada no seu bem-estar. Ponto. Nem de longe se aproxima do debate ideológico que tucanos e petistas-lulistas travam. Menos ainda em relação ao discurso dos partidos satélites
2) Mais da metade dos brasileiros é classe média (aumento de 20% em 2011), num país que se tornou a 6a potência mundial. Se relacionarmos com o item anterior, do ponto de vista político é absolutamente inócuo discutir se o que temos é crescimento do PIB ou desenvolvimento. Para os brasileiros que votam, o que interessa é manter o poder aquisitivo e dar segurança à sua família.
3) O Brasil cresce pouco na Era Dilma, mas o que interessa é que o consumo continua alto. Está ultrapassando 2,5 trilhões de reais ano. Ligeiramente superior ao crescimento do PIB (se comparado a 2010), mas acima. É verdade que houve uma queda no otimismo exacerbado das famílias. Segundo o ICF (Índice de Intenção de Consumo das Famílias), realizado pela CNC (Confederação Nacional do Comércio), as famílias estão menos dispostas a consumir, se comparado a 2010, um recuo de 5,6% (comparação entre dezembro de 2010 e dezembro de 2011). Há controvérsias, contudo, a respeito deste recuo. Vários autores sugerem uma mudança - que seria mais sustentável - no perfil do consumo e início da construção da poupança familiar, algo inédito em nosso país.
4) O governo Dilma Rousseff surfa nesta onda. Não tem competência política, mas consegue somar esta onda consumista e de estabilidade familiar com a "adoção" pela grande imprensa. A grande imprensa aplaudiu a tal "faxina moral" com muita torcida para a montagem da coalizão presidencialista lulista sofrer abalos fatais. Alguns editoriais foram honestos nesta linha; outros, revelaram ressentimento em relação ao lulismo.
5) Mas nada garante que Lula ou o lulismo tenham sido afetados. Pelo contrário. Vários jornais e analistas políticos se esquecem que Lula entrou de sola quando houve algum abalo real na coalizão (em maio). Lula assumiu o comando da campanha de 2012 e chegou a tratar diretamente do futuro do ministro Fernando Haddad. Haveria maior sinalização que Dilma não comanda politicamente? Não há outra sinalização clara além do comando gerencial. E ponto. O resto é sonho ou explicação barroca para dar esperança de vida ao desejo pessoal do analista.

Texto, como sempre lúcido, do professor e cientista político Rudá Ricci, no seu Blog De esquerda em esquerda.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Acomodação do discurso programático de PT e PSDB

Acomodação do discurso programático de PT e PSDBOs governos FHC e Lula criaram uma importante transição nos discursos programáticos dos tucanos e petistas. Se utilizarmos os conceitos piagetianos, seria possível afirmar que os dois partidos hegemônicos do sistema partidário entraram numa fase de assimilação.



A aliança com o PFL postou a proposta tucana mais à direita, fugindo do campo socialdemocrata e partindo para uma aproximação com o campo liberal-conservador.



O PT, em tempos de governo FHC, não conseguia se encontrar. Até que Lula venceu as eleições presidenciais.O lulismo consolidou a proposta estatal-desenvolvimentista, atualizando o projeto getulista. O que empurrou o PSDB para um pouco mais para o canto em que já se encontrava.


O que surpreende é que lideranças tucanas aceitaram esta sina. É fato que procuram, tardiamente, reagir com a criação do PSDB Sindical, importante e correta novidade. Mas é um fato isolado confirmado pelos discursos de suas principais lideranças, de FHC a Serra ou Aécio Neves. Alckmin, infelizmente, não possui programa ou luz própria em termos programáticos. E fora do eixo SP-MG, os tucanos minguam, até mesmo em Estados que governam.


Com a acomodação de PT e PSDB, todo sistema partidário tupiniquim parece precocemente envelhecido, enrijecido. Não porque o "mercado eleitoral" esteja consolidado, estratificado pelas escolhas já amadurecidas. Pelo contrário. Os eleitores não se sentem representados por nada. Todas pesquisas atuais revelam a emergência do cinismo político dos eleitores, o irmão gêmeo do pragmatismo. O que aparta ainda mais o sistema partidário do cotidiano do brasileiro. Não apenas em virtude do que pensa o eleitor, mas principalmente em virtude desta acomodação natimorta de PT e PSDB.
Rudá Ricci, em seu Blog De esquerda em esquerda

domingo, 30 de outubro de 2011

Especulações sobre o impacto político do adoecimento de Lula

Especulações sobre o impacto político do adoecimento de Lula O que chama atenção, num primeiro momento, é a decisão de divulgar imediatamente seu tumor. Foi movimento inverso da tomada por François Mitterrand, em 1981. Mitterand tinha acabado de se eleger Presidente e tinha como referência a morte de Georges Pompidou, que tinha falecido em 1974 vitimado por um câncer linfático.

Mitterrand escondeu de todos seu tumor e divulgou boletins médicos falsos. Em 1992 não conseguiu mais esconder ao ser submetido a uma intervenção cirúrgica. Faleceu em 1996.

A decisão de divulgar gera, do ponto de vista político, um fato que pode ser explorado a ponto de criar uma comoção. Não há, obviamente, nenhuma sinalização nesta direção.

O que se tem de informação é que o tratamento quimioterápico a que Lula será submetido durará 60 dias. Se evoluir positivamente como ocorreu com a então candidata Dilma Rousseff, haverá baixo ou nenhum impacto sobre as eleições do próximo ano.

Se perdurar o tratamento, Lula terá um papel menor na gestão política da campanha petista em São Paulo e Minas Gerais (dois Estados prioritários na avaliação do ex-Presidente), mas criará, como já afirmei, comoção, ou seja, um fato político novo e irracional.

Rudá Ricci, cientista político, de BH