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quarta-feira, 1 de abril de 2020

Líder indígena é assassinado no Maranhão, na Amazônia Real


A Secretaria de Direitos Humanos do Maranhão deslocou a Força Tarefa de Proteção a Vida Indígena (FT-Vida) para a proteção da Terra Indígena Arariboia (Foto arquivo pessoal)

Zezico Guajajara é assassinado no Maranhão

Por:  | 31/03/2020 às 15:53


Segundo informações apuradas pela Amazônia Real, Zezico Guajajara retornava à aldeia, em uma motocicleta quando foi alvejado por um tiro de espingarda. Ainda não há informação sobre o motivo do crime e quem é o assassino. Professor e diretor do Centro de Educação Escolar Indígena Azuru (também conhecida como Escola Zezinho Rodrigues), o líder Guajajara era também líder da Coordenação da Comissão dos Caciques e Lideranças da TI Arariboia (CCOCALITIA). Zezico assumiu a CCOCALITIA justamente nesta segunda-feira (30).
Zezico Rodrigues é o quinto indígena Guajajara assassinado em apenas quatro meses. No dia 1º de novembro, o Guardião da Floresta Paulo Paulino Guajajara foi assassinado também dentro da TI Arariboia. No dia 7 de dezembro, foram mortos os caciques Firmino Prexede Guajajara, da aldeia Silvino, da TI Cana Brava, e Raimundo Benício Guajajara, da aldeia Descendência, da TI Lagoa Comprida. No dia 13 de dezembro, o jovem Erisvan Guajajara, de 15 anos de idade, foi encontrado esquartejado na sede do município de Amarante.

Zezico Guajajara
Em novembro de 2019, Zezico Guajajara foi entrevistado pela agência Amazônia Real por ocasião do assassinato de Paulo Paulino Guajajara. Na reportagem, ele faz um relato sobre o histórico de ameaças e lembrou de outras lideranças Guajajara assassinadas nos últimos anos. Também destacou a respeito das várias denúncias feitas aos governos estadual e federal e solicitações de punições, nos últimos anos, sem obterem respostas.
“Ao longo desse período perdemos os guerreiros sem punições dos matadores. A Funai sabe toda a história, mas também sempre acobertou os casos, ou seja, não pediu maior investigação. Assim, os madeireiros foram pegando fôlego, devido não existir punições dos crimes”, afirmou a liderança na reportagem.
“As ameaças são quase contra todos nós, lideranças e caciques. O governo nunca tomou providências”, destacou Zezico.
A Coordenação da Fundação Nacional do Índio (Funai) do município de Arame, no Maranhão, solicitou no início da tarde desta terça-feira apoio urgente da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) para investigar o assassinato. A Funai no Maranhão também pediu apoio da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança. No entanto, a atuação da Força Nacional, conforme portaria do Ministério da Justiça do final do ano passado, restringe-se apenas a outro território indígena do Maranhão, a TI Cana Brava.

Sepultamento de Erisvan Soares Guajajara em Amarante do Maranhão no dia 13 de dezembro (Foto cedida pela família)

A Secretaria de Estado Direitos Humanos e Participação Popular do Maranhão (Sedihpop) disse, em nota à imprensa, que “lamenta o fato” e que já foram adotadas as providências legalmente possíveis para a esfera estadual. A Sedihpopo informou que acionou a Força Tarefa de Proteção a Vida Indígena (FT-Vida), órgão do governo do Maranhão, com o imediato deslocamento de equipes para a terra indígena. “Ao mesmo tempo, a Polícia Federal está sendo contatada para que assuma a investigação, em face de sua competência legal”, diz a nota.
Os indígenas Guajajara, autodenominados Tenetehára, habitam mais de 11 territórios indígenas na margem oriental do Maranhão; o maior deles é Arariboia. Eles têm uma história de contato com a sociedade não indígena de quase 400 anos marcada por revolta e tragédias. Possuem uma língua que faz parte do tronco Tupi-Guarani e sua população atual é estimada em mais de 27 mil pessoas.
Procurada, a assessoria de imprensa da Polícia Federal no Maranhão enviou nota à reportagem dizendo que “a respeito da morte do indígena Zezico Rodrigues Guajajara, a Polícia Federal foi acionada e irá apurar os fatos por meio da abertura de um Inquérito Policial”.
A assessoria de imprensa do Ministério da Justiça também foi procurada para saber se o órgão ou o ministro Sérgio Moro iriam comentar sobre o caso. A assessoria não fez enviou respostas a respeito. Sobre o pedido da Força Nacional de Segurança Pública, a assessoria do MJ disse que “não chegou nenhuma solicitação de apoio”.
Em nota divulgada em seu site na internet, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) lamentou o assassinato e diz que “com o assassinato de Zezico Rodrigues, o número de homicídios registrados contra indígenas do povo Guajajara desde o ano 2000 chega a 49 – sendo 48 deles no Maranhão e um no Pará.”
“A situação vivenciada pelo povo Guajajara é trágica e exemplar em relação ao contexto de vulnerabilidade a que muitas comunidades indígenas estão expostas em todo o Brasil – mesmo as que vivem em terras já demarcadas e, em tese, contam com a proteção do Estado”, diz o CIMI. (Colaboraram Erisvan Guajajara e Kátia Brasil).

domingo, 13 de outubro de 2019

Parem de matar nossas crianças!



Nota do Movimento de Mulheres Olga Benario expressa repúdio à política genocida do Estado brasileiro.

"Apenas em 2019, 16 crianças foram baleadas  no Brasil pelas mãos do Estado. Agatha, Marcos, Victor, Leticia, Lauane, Kauã.  Segundo um levantamento feito pelo Joining Forces, o Brasil é o país com maior risco de violência contra crianças e adolescentes no mundo. 
Mas não é só assim que o Estado brasileiro tem matado nossos filhos e filhas.
No Brasil são 17,3 milhões de pessoas com até 14 anos em situação de pobreza. 34 % vivem em lares com uma renda inferior à 350 por pessoa. 49, 7% das crianças e adolescentes brasileiros são tem acesso a pelo menos um dos direitos fundamentais, previstos em lei pelo ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, como educação, proteção contra o trabalho infantil, moradia, água e saneamento básico.
Por isso, afirmamos que o  Estado mata!
Mata ao negar atendimento básico de saúde. O Estado mata ao negar o acesso à alimentação adequada nas escolas. Mata ao fechar escolas ou não abri-las em alguns locais: são 8,8 milhões de crianças e adolescentes fora das escolas. Mata ao permitir o desmatamento da Amazônia. Mata ao não garantir moradia digna e saneamento básico. São 13,3 milhões de crianças e adolescentes sem acesso à saneamento e 7,6 milhões sem acesso à água e 5,9 milhões de crianças e adolescentes sem teto.
Nossas crianças também são vítimas da violência sexual: segundo o anuário da violência, 4 meninas de até 13 anos são estupradas por hora no Brasil.
Nossas crianças estão morrendo! E não qualquer criança. Estão morrendo as crianças negras, as crianças indígenas, as crianças moradoras das periferias, aquelas que moram nos interiores de nosso país, as crianças sem teto.
Não podemos permitir isso!
Nós, do movimento de mulheres Olga Benário nos solidarizamos com as mães de cada criança que estado matou, seja por bala, seja por omissão e nos comprometemos a lutar até que a todas as crianças seja garantido o direito a uma vida digna, à saúde de qualidade, educação, lazer, cultura, moradia, etc. Um Estado que precariza tanto a vida de crianças a ponto de matá-las precisa ser combatido, e é papel das mulheres serem vanguarda nesse processo.
Seguimos em luta pela vida de nossas crianças!"

Movimento de Mulheres Olga Benário


quinta-feira, 11 de abril de 2019

Minas Novas: Adolescente de 15 anos espanca e mata colega dentro da escola

Pátio da Escola Estadual Dr Agostinho Silveira, em Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha.
Por Juliana Gorayeb, G1 Grande Minas, 11/04/2019 11h33 .
Uma adolescente de 15 anos morreu em Minas Novas, no Alto Jequitinhonha, nordeste 
de Minas,  no fim da tarde dessa quarta-feira (10.04.19), depois de ter sido espancada 
por uma colega L.M.S, também de 15 anos, dentro da Escola Estadual Dr Agostinho da Silva 
Silveira. 
Segundo informações da Polícia Militar, Maria Aparecida Esteves Otoni foi atacada 
com um prato na cabeça e espancada com chutes e socos na cabeça. Ela chegou 
a ser socorrida pelo Samu, mas morreu horas depois, por traumatismo craniano. 
Segundo funcionários da escola, a adolescente que atacou a colega sofre de 
transtornos mentais.
Em registro da Polícia Militar, os professores relataram que tentaram separar as 
duas adolescentes e tentaram conter a autora, mas não conseguiram a tempo de 
cessar o ataque. Os funcionários afirmam ainda que a autora tem histórico de 
agressões, e que tentou se ferir durante registro da ocorrência, mas foi contida
 por policiais.
O G1 fez contato com a direção da Escola Dr Agostinho Silva da Silveira, mas a diretora 
disse não ter condições de comentar o ocorrido. 
Um funcionário, que preferiu não se identificar, contou que ajudou a socorrer 
Maria Aparecida, e detalhou o que ocorreu no pátio do colégio.
O servidor conta que as duas menores estavam no pátio, durante o recreio. Quando a 
vítima passava, foi surpreendida pelas agressões e não chegou a reagir. O funcionário 
afirma que Maria Aparecida tinha epilepsia e teve uma convulsão depois de sofrer a 
agressão na cabeça. Enquanto ela se debatia, a autora continuou a socando e chutando, 
até que foi afastada do local por um grupo de funcionários. 
Ainda de acordo com o funcionário, as duas são acolhidas por uma instituição que 
presta assistência social a crianças e adolescentes. A autora mora em um abrigo e, 
segundo o funcionário, perdeu o contato com os pais desde criança. 
Ela assistiu ao assassinato da mãe cometido pelo pai quando tinha 3 anos de idade 
e desde então foi acolhida pela instituição. 
O pai dela segue preso.
Ainda de acordo com o servidor público, a instituição social apresentou um laudo 
que diz que a autora da agressões sofre de esquizofrenia, mas que ela nunca teve 
um professor de apoio dentro do colégio. A vítima morava com os pais dela e, 
devido  a más condições financeiras da família, precisava de assistência social 
para comprar remédios controlados  para a epilepsia.
Após o espancamento, a escola interrompeu as aulas. De acordo com o 
funcionário, o corpo de servidores está muito abalado com o ocorrido e uma
reunião foi realizada no colégio na manhã desta quinta (11.04.19) para tentar 
"amenizar a situação".
Para ele, a sensação de impotência é o que causa tristeza.

Fonte: G1

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Estudante agredido no Instituto de Educação é enterrado em Turmalina

Velório aconteceu em Minas Novas e enterro em Turmalina, junto ao jazigo da mãe.

O corpo de Luiz Felipe Siqueira de Sousa, de 17 anos, foi velado em Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, na manhã desta quarta-feira (21,11), e seguiu para Turmalina, na mesma região, onde foi velado na casa do avô e enterrado no fim da tarde. O adolescente foi sepultado junto à mãe, que morreu quando Luiz tinha apenas 3 anos de idade.
O jovem morreu na manhã dessa terça-feira (20.11). Ele estava internado há uma semana no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII após ter sido gravemente agredido por um colega de escola de 18 anos.
O crime aconteceu no pátio do Instituto de Educação de Minas Gerais. A vítima jogava futebol com os colegas, quando houve um desentendimento entre os adolescentes. Imagens de câmeras de segurança mostram que Luiz Felipe foi agredido com socos e pontapés. Ele tentou fugir, mas foi perseguido pelo agressor.
A vítima caiu sobre uma escada e machucou a cabeça em um degrau. Alunos do Instituto de Educação teriam contado que, ao perceber a gravidade da situação, o agressor também tentou ajudar, mas os colegas do jovem o levaram para a sala dos professores. O suspeito foi preso preventivamente.
Luiz foi criado em Minas Novas e há cerca de três anos se mudou para São Paulo com o pai e o irmão mais novo. Ele foi trazido para Belo Horizonte por um tio, que conseguiu para o adolescente uma vaga no Instituto de Educação, uma das escolas mais tradicionais da capital mineira.
Luis Felipe Siqueira de Souza tinha 17 anos (Foto: Divulgação)

Reincidente
O rapaz preso por agredir Luiz Felipe tinha um histórico de atos violentos dentro do Instituto de Educação. Segundo um documento assinado pela diretora da escola, Alexandra Aparecida Morais, e endereçado à Justiça, o aluno “sempre apresentou comportamento agressivo com seus colegas em ambiente escolar. Tem dificuldades de obedecer regras e normas estabelecidas pela escola. Havendo, como provas, vários registros do seu comportamento durante os anos em que esteve presente no Iemg até o momento atual”. O documento pede que o suspeito não seja solto, em nome da segurança dos alunos que testemunharam o crime.
A reportagem ouviu a defesa do agressor, que afirmou que o jovem está assustado e arrependido por tudo o que aconteceu. Segundo William Vaz, defensor público responsável pelo caso, a defesa vai pedir que ele seja julgado por lesão corporal. “Ele não teve a intenção de matar o colega. Houve, sim, a agressão, mas ela não foi iniciada com esse intuito. A pena deve ser maior agora porque a lesão resultou em morte, mas a própria família dele defende que a justiça seja feita, mas da forma certa”, justificou.
Fonte: Hoje em Dia

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Feminicídio em Novo Cruzeiro: Homem dá mais de 30 facadas em ex-mulher, enquanto esta dormia.

Homem esfaqueia ex-mulher mais de 30 vezes enquanto ela dormia em Novo Cruzeiro

Conforme os militares, no local do crime foi encontrada uma carta onde o autor pede desculpa aos pais e aos filhos por cometer o crime

Foto: ilustrativaHomem esfaqueia ex-mulher mais de 30 vezes enquanto ela dormia em Novo Cruzeiro
O homem fugiu do local com a arma do crime
Uma mulher de 32 anos foi morta a facadas na madrugada de 30 de outubro, no Córrego Diamantino, distrito de Novo Cruzeiro, no Vale do Jequitinhonha, no nordeste de Minas. De acordo com a Polícia Militar, Maria Aparecida Nunes dos Santos Sousa foi esfaqueada mais de 30 vezes pelo ex-marido enquanto dormia; a vítima possuía medida protetiva contra o autor. 
Segundo a PM, um dos filhos do casal, um adolescente de 16 anos, acordou durante a madrugada e viu o pai, de 38 anos, com uma faca na mão próximo ao corpo ensanguentado da mãe, que dormia no momento do crime. Ao ver o filho, o homem fugiu do local com a arma utilizada no crime. Ainda segundo a PM, a vítima havia acabado de voltar para a cidade após passar um período em Teófilo Otoni se escondendo do ex-marido.

Conforme os militares, no local do crime foi encontrada uma carta onde o autor pede desculpa aos pais e aos filhos por cometer o crime. A polícia informou ainda que o autor também já havia sido acusado por abusar sexualmente de um dos filhos, que é menor de idade. Até a publicação desta matéria, o homem não havia sido preso.
Fonte: G1

sábado, 28 de julho de 2018

Virgem da Lapa: Mistério cerca corpo encontrado em casa de professor

O corpo estava completamente carbonizado e foi encaminhado para o IML de Teófilo Otoni para identificação. O professor está desaparecido.

Foto: redes sociaisMistério cerca corpo encontrado em casa de professor em Virgem da Lapa
Roupas do professor foram usadas para provocar o incêndio
  
A Polícia Civil vai investigar o misterioso caso de um corpo encontrado carbonizado em uma casa da rua Francisco Badaró no bairro Bela Vista, em Virgem da Lapa, no Vale do Jequitinhonha (MG), nordeste de Minas, na manhã desta sexta-feira (27.07.18).

Há suspeitas de que o corpo seja do professor  Silvano  Oliveira Jardim, conhecido por Silvaninho, de 42 anos; que morava sozinho no local. No entanto, familiares informaram que ele foi visto após o incêndio; andando em direção à Comunidade do Cardoso, a 10 km do centro da cidade. A Polícia disse que checou a informação e que ela não procede. “ O professor está desaparecido”; informou  o Sargento Edú; que atendeu a ocorrência. " Uma vizinha conversou com ele por volta das 7h30m", disse o policial.

Ainda segundo ele, não foi registrada nenhuma reclamação de desaparecimento de outras pessoas na cidade.

O professor atuava na rede estadual de ensino  fundamental mas, segundo a Polícia Militar, estava afastado das funções para tratamento de uma depressão no CAPS- Centro de Atendimento Psicossocial- do município.  

 De acordo com moradores da cidade, o professor é homossexual e dependente de álcool. “ Era uma pessoa querida. Tomava seus porres mas não incomodava ninguém”, disse uma servidora da prefeitura municipal que pediu para não ser identificada.

Vizinhos contaram que era constante a movimentação de rapazes na casa do professor. Não há denúncias de envolvimento dele em casos de pedofilia  mas a Polícia Militar informou que  recentemente ele foi detido por roubo de um celular. Foi ouvido e liberado. "Sempre brigava com os relacionamentos dele”, disse uma fonte.

Incêndio atingiu apenas o quarto do professor- segundo informações da PM
Incêndio atingiu apenas o quarto do professor- segundo informações da PM


MISTÉRIO

A Polícia Militar informou que foi acionada por volta das 8 horas da manhã para atender a ocorrência e que; quando chegou ao local ainda havia chamas no quarto da casa de 5 cômodos onde  foi encontrado um corpo caído de  bruços; próximo à cama. Um vidro de álcool foi encontrado ao lado do corpo,  o que leva a polícia suspeitar que a vítima foi morta antes de ser queimada e que o autor do crime, tentou ocultar provas. Roupas do professor foram usadas para provocar o fogo. 

O portão de entrada da casa estava trancado com cadeado e corrente; e a porta dos fundos trancada por dentro.Vizinhos arrombaram  a porta dos fundos e ajudaram a apagar o fogo.

“ Não foi possível identificar o corpo que estava completamente carbonizado”, informou o Sargento Edu.

 O corpo foi removido no início da tarde; para o IML de Teófilo Otoni após os trabalhos da perícia no local  e até o final da tarde ainda não havia sido identificado. A Polícia Civil vai investigar o caso.

Fonte: Gazeta de Araçuai

domingo, 13 de maio de 2018

Mães se organizam e pedem justiça por filhos assassinados pelo Estado

Mulheres transformaram dor em militância e organizam rede de apoio e de denúncia; encontro nacional ocorre em Salvador

Brasil de Fato | São Paulo (SP)
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Ana Paula Oliveira (centro) e Débora Maria Silva (à direita) na inauguração do Memorial dos Crimes de Maio e do Genocídio Democrático em SP / Rovena Rosa/Agência Brasil
Desde 2014, o segundo domingo do mês de maio, data em que se comemora o Dia das Mães, ganhou significado de luta para a carioca Ana Paula Oliveira. Na próxima segunda-feira (14), o assassinato de seu filho, Jonathan de Oliveira Lima, completa quatro anos.
“É uma data que, infelizmente, o comércio manipula, mas é importante ter um dia especial para celebrar; quando a gente perde um filho, principalmente no mês de maio, fica bastante pesado, difícil de se encarar”, relatou.
Jonathan foi morto aos 19 anos por policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de Manguinhos, no Rio de Janeiro (RJ), com um tiro nas costas. A versão oficial é que o rapaz teria trocado tiros com os PMs.
“Senti como se eles estivessem matando meu filho de novo. Não basta só matar: tem que criminalizar, trocar as versões do que realmente aconteceu. E a gente vê isso, infelizmente, não só no Rio de Janeiro, mas em vários lugares do Brasil”, disse Ana Paula.
A partir do ocorrido, ela começou uma busca por Justiça pelo assassinato, que ainda não foi julgado. “Quando a gente tem um filho arrastado do nosso convívio, a gente vai sendo levada por busca por justiça; por perpetuar a memória deles. É muito importante que mais pessoas conheçam e tenham entendimento que todos os dias são jovens mortos pelo simples motivo de serem pobres, negros e da periferia”, afirmou. 
Assim como ela, outras mães transformaram em militância a dor da perda prematura e injusta de seus filhos e encontram refúgio na empatia de uma rede de mulheres por todo o país.
Se antes não compreendiam o funcionamento do Poder Judiciário, elas passaram a frequentar audiências no Ministério Público; se achavam que não compreendiam nada sobre política, hoje encabeçam manifestações e discursam em microfones nas ruas. É o que conta Rute Fiúza.
Rute é mãe do adolescente Davi Fiúza, que sumiu após uma ação da Polícia Militar da Bahia no bairro de São Cristóvão, em Salvador, em outubro de 2014. Ele tinha 16 anos.
“Eu estava muito na minha zona de conforto. Eu trabalhava no varejo, do trabalho para a casa. Mas eu via o que acontecia, eu me sensibilizava. Mas aí é diferente quando ocorre com a gente”, disse em entrevista ao Brasil de Fato.
“Até então, eu não entendia nada, não sabia como funcionava nada. Inclusive, eu achava que eu era uma pessoa muito frágil. Eu não sabia que eu era tão forte. O desaparecimento dele me despertou.”

Era das chacinas

Uma das articulações mais conhecidas no Brasil é o Movimento Mães de Maio, de familiares das vítimas de ataques, envolvendo forças do Estado. A série de assassinatos vitimou mais de 500 pessoas em menos de dez dias em 2006. Eles ocorreram em uma suposta represália à ofensiva do Primeiro Comando da Capital (PCC) após a transferência de seus líderes
Hoje, mais do que a busca por justiça aos próprios filhos, o movimento ampliou para a denúncia e o combate aos crimes do Estado ocorridos durante o período democrático, a “Era das Chacinas”.
Débora Maria da Silva é uma das fundadoras do movimento. Ela chegou a ser hospitalizada após a morte de Edson Rogério da Silva. O rapaz, que trabalhava como gari, foi assassinado aos 29 anos no dia 15 de maio de 2006, depois de uma abordagem policial.
“Quando meu menino morreu, a gente viu uma conexão, pela mídia, dos crimes. Uma semelhança muito contundente: encapuzados, que vinham de moto com garupa. Todos os crimes foram quase na mesma pegada”, lembrou.
Na baixada santista, litoral de São Paulo, Débora foi atrás de familiares de outras vítimas e se articularam para denunciar os abusos da Polícia Militar. Passaram a ir aos órgãos públicos, como a Ouvidoria da Polícia MIlitar de São Paulo e o Conselho Estadual de Direitos da Pessoa Humana (Condepe), na capital paulista.
“Eu nunca tinha subido para São Paulo. Eu era uma dona de casa que tinha aprendido só a cuidar dos meus filhos. Mas eu aceitei o desafio e vim”, disse. 
Foi em uma reunião no Condepe que Débora conheceu a jornalista Rose Nogueira, autora do livro Crimes de Maio. Rose apresentou à ela a obra e também a luta das Madres de Plaza de Mayo, que denunciam os desaparecidos durante a ditadura militar na Argentina.
“Eu não conseguia ler o livro. Eu não queria encontrar o nome do meu filho ali, eu não aceitava. Mas eu olhava  assim no vagão e fechava. Eu passei quase três meses para abrir o livro e achar o nome do meu filho. Ali eu vi o tamanho dessa luta. E depois eu fui pesquisar as Madres [da Plaza de Mayo] a fundo.”
Outro exemplo de luta para elas foram as Mães de Acari, que se organizaram nos anos 1990 após a chacina em Magé, estado do Rio de Janeiro, que matou 11 jovens.
As Mães de Acari se organizaram nos anos 1990 para encontrar seus filhos desaparecidos. Edmea da Silva Euzébio, que liderava o grupo, foi assassinada em 1993 / Arquivo
Hoje, Débora viaja o Brasil e o mundo para trocar experiências com mulheres que passaram pela mesma perda. Ela também é integrante de um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que investiga os crimes de maio de 2006 no estado. Para Débora, a denúncia da truculência policial e do genocídio da população negra é uma missão deixada por seu filho.

Encontro nacional

Para trocar experiências e propor ações em âmbito nacional, as mães realizam em Salvador (BA), na próxima quarta-feira (16), III Encontro da Rede Nacional de Mães e Familiares de Vítimas do Terrorismo do Estado.
A novidade deste ano é o caráter internacional: integrantes de coletivos dos EUA, da Colômbia e da Palestina terão representantes no evento.
As primeiras edições do encontro ocorreram em São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente. Para Rute Fiúza, que vive na capital baiana, levar o evento ao Nordeste amplia o debate para outras regiões do país.
“Esse encontro, na verdade, é para que se dê visibilidade ao que acontece também fora do eixo Rio-São Paulo. Aqui também tem chacinas e mortos pelo Estado todos os dias”, disse.
Em Fortaleza (CE), por exemplo, um toque de recolher imposto pela PM no bairro do Curió, em 2015, mudou a vida da cuidadora de idosos Edna Carla. Seu filho, o estudante Álef Cavalcante, de 17 anos, estava na rua com amigos e foi executado no que se tornou conhecido como a Chacina do Curió.
“Eu não fui para luta logo. Passei três meses sem fazer nada. Eu só chorava e lamentava”, relatou.
Álef sonhava em entrar no Exército e ser militar, como o avô. “Em nosso estado, em nosso país, temos várias mães órfãs. Você sabe que naquele dia das mães seu filho não vai chegar para dizer 'Mãe, eu te amo'. Essa mãe vai fechar a porta e ele não vai entrar. É uma luta muita grande.” 

Nóis por nóis

Para Ana Paula Oliveira, o apoio das mães é o fortalecimento que elas encontram em si mesmas. “Estampar a foto dos nossos filhos no nosso peito e busca justiça pela memória deles e pela verdade dos fatos é uma forma da gente continuar exercendo nossa maternidade. Quando tenho a oportunidade de estar com outras mães, dizer que nossa luta vem dando resultado”, declarou. 
No caso de seu filho, depois de um ano, um dos policiais envolvidos no caso foi afastado de Manguinhos, local onde ela ainda vive. 
As mulheres relatam que a rede também é importante psicologicamente, já que a luta para comprovar a inocência de seus filhos pode ser árdua e extenuante, como afirma Rute Fiúza. 
“Eu tive síndrome do pânico. Antes eu achava que essas coisas eram pura frescura, na minha ignorância. Hoje eu sou prova viva e eu luto constantemente contra a depressão”, relatou.
No dia 3 de maio, Vera Lúcia Gonzaga, outra fundadora do Movimento Mães de Maio, faleceu. Ela foi encontrada morta em sua casa, na periferia de Santos, litoral paulista. Vera perdeu seu genro, Eddie Joey Oliveira, e sua filha, Ana Paula Gongaza dos Santos, que estava grávida de nove meses, durante os crimes de maio de 2006.
Sua morte é vista no movimento como mais uma consequência dos crimes de maio de 2006, afirma Débora Silva. “A morte da Vera abre um leque para mostrar que não são só nossos filhos que estão morrendo. As doenças oportunistas, o câncer estão acabando com essas mulheres; com seus órgãos reprodutores. Ela foi vítima de um sistema perverso”. 
Vera será homenageada no primeiro dia do encontro nacional das mães em Salvador. Sua história e outros perfis de mães são relatados no livro Mães em luta – dez anos dos crimes de Maio de 2006, publicado nem 2016 e organizado pela Ponte Jornalismo.