sábado, 1 de outubro de 2011

Mudar a Universidade dos Vales não vale (?)
Leida Reis
Nem só dos países árabes vêm os movimentos populares articulados pelas redes sociais. No Facebook, um grupo formado por moradores e pessoas que nasceram nos vales do Jequitinhonha e Mucuri se articula para um ato no próximo dia 7, em Diamantina. Por meio das mensagens, combinam-se fretamentos de ônibus, formação de grupos de estudantes, bandeirolas, narizes de palhaço.

A causa: o protesto contra a expansão da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri para fora das regiões.

O reitor da UFVJM, Pedro Ângelo Abreu, propôs ao MEC a expansão dos cursos, criados pelo então presidente Lula, para as cidades de Unaí e Janaúba, regiões de Noroeste e Norte de Minas. O Ministério acatou o pedido e em Unaí dois empresários ofereceram terrenos. Bom para os jovens destas cidades, que terão opção de ensino público. Lideranças destas cidades contam com a medida, argumentando que para a população carente da região não poderia surgir melhor notícia.

Acontece que os moradores do Jequitinhonha e Mucuri temem que isto descaracterize a universidade e defendem que os recursos sejam revertidos às unidades já existentes e criação de outros campi na própria região. Reclamam, inclusive, que nada foi discutido com a comunidade universitária. Por isso se mobilizam para, no dia 7, exibirem todos os artifícios contra a medida.

Vão contra a idéia de alguns deputados. Almir Paraca (PT) é um dos articuladores para implantação de uma unidade da UFVJM no Noroeste. Trabalhou para isso. Seu primeiro argumento para defender a causa é que aquela região é a única de Minas que não conta com faculdade pública. Além disso, a Universidade dos Vales é a que tem mais identidade com as regiões pobres.

O também petista André Quintão acrescenta argumentação. Está no movimento, mas para que seja implantada simultaneamente uma unidade no Médio Jequitinhonha, seja em Araçuaí, seja em Itaobim. Diz categoricamente que não concorda com a exclusão dos campus de Unaí e Janaúba, pois, para ele, é um equívoco trabalhar contra a construção de qualquer faculdade pública. Se o orçamento da União não comportar as três, ele trabalha para que prioridade seja dada à do Jequitinhonha.
Razões não faltam nesta briga. Dos dois lados.

Leida Reis
Reporter Especial
Jornal Hoje em Dia
+ Lreis@hojeemdia.com.br

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