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terça-feira, 13 de junho de 2017

Moradores de Chapada do Norte protestam contra aumento de subsídios de representantes políticos

O projeto de lei do Executivo Municipal aumenta os subsídios de Prefeito, vice, Secretários Municipais em 29,28%.

      Na noite de 06 de junho de 2017, durante a 6ª Reunião Ordinária da Câmara Municipal de Chapada do Norte, no Médio Jequitinhonha, nordeste de Minas, foi apresentado o projeto de lei Nº 05/2017, vindo do Poder Executivo, do prefeito Diego Soares, que reivindicava um reajuste salarial em 29,28% para prefeito, vice-prefeito e secretários municipais.
O projeto de lei também prevê a recomposição salarial dos servidores municipais com o percentual de 6,29%.

      A solicitação causou grande surpresa nos presentes na reunião pela alta porcentagem, como também pelo fato que, há poucos meses, um documento oriundo do mesmo Poder Executivo decretava Calamidade Econômica e Financeira no município. (Veja cópia do Decreto abaixo). 
Havia justificativa como atrasos de quitação de compromissos como parte dos salários do mês de dezembro de 2016 que ainda não foram efetuados sob a alegação que não há dinheiro em caixa; escolas com precariedades de materiais escolares; entre outros problemas sociais que atingem vários habitantes do município chapadense.
Vereadores de Chapada do Norte reunidos para decidir sobre aumento de subsídios para Prefeito, Vice e Secretários Municipais.
      A notícia logo se espalhou pelas redes sociais, causando espanto e revolta na população chapadense em inúmeras postagens no facebook, por áudios e mensagens no whatsapp e em conversas presenciais, por vários cantos da cidade. 

A partir daí, iniciou-se uma mobilização para que um bom público estivesse presente na reunião extraordinária que ficou previamente agendada para ocorrer, após término do prazo de 48 horas cedido ao pedido do vereador Ronaldo Borges, para analisar o projeto.

Um áudio começou a circular na cidade e nas redes sociais, convocando o povo para a Câmara Municipal:

“Atenção povo de Chapada do Norte! 
Na próxima segunda-feira (12/06), a partir das 10h da manhã, a Câmara Municipal realizará Sessão Extraordinária, onde poderá ser aprovada a correção salarial de 30% para o prefeito, vice-prefeito e os secretários municipais. 
Vá à Câmara Municipal e acompanhe como votará cada um dos vereadores, inclusive o que você elegeu. 
Participe! 
A Câmara é a casa do povo.”

       Embora a citada reunião tenha sido agendada para a segunda feira, dia 12 de Junho, às 10 horas da manhã (e não às 18 horas como acontece nas Ordinárias), vários chapadenses foram se organizando para comparecer à Câmara Municipal, tentando evitar, através de uma manifestação, que o referido projeto fosse aprovado.
Manifestação se deu no Plenário da Câmara e na  rua, em frente ao prédio da reunião.
    Na manhã da segunda feira, dia 12 de Junho, vários manifestantes compareceram à Câmara Municipal, e, sob protestos, acompanharam a aprovação do projeto. 

No final, aconteceram vários xingamentos de "traidores", gritos de "vergonha" e outras manifestações de indignação. Confira no vídeo abaixo.

Confira a votação de cada vereador:
NÃO
Ronaldinho Borges - PHS
Fábio do Granjas - PSDB

SIM
Dinezim do Céu Azul - PDT
Dmilson de Durvalino - PSDB
Paulinho de Totô  - DEM
Nenzim Marques - PPS
Pedrinho de Santo - PDT
Preto Marques - PSDB
Wesley de Branco - PSL
Zé PT - PR

O presidente da Câmara Municipal, João Filipio (PRB), não votou por se manifestar somente na situação de empate, como voto de minerva. 

A Polícia Militar esteve presente no estabelecimento . Segundo o Sargento Guerra, a PMMG queria evitar tumultos e desordem.

Ao final da reunião, o público presente demonstrou sua insatisfação com vaias, palavras de ordem e “aplausos” ao resultado final da Reunião Extraordinária.

Aprovação de aumento salarial para prefeito, vice e secretários municipa...


Fonte: Blog do Mauricio Costa, de Chapada do Norte. Professor do Ensino Fundamental na Rede Municipal. Presidente da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Chapada do Norte. Voluntário no Projeto Canário Livre, Sonho Real.

Visite o Blog e acompanhe as lutas do povo de Chapada do Norte:


Conheça o Projeto de Lei que provocou a ira da população:

Conheça o Decreto 001/2017 que "Decreta a Situação de Emergência Financeira e Administrativa, no âmbito do Município de Chapada do Norte":

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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Veredinha:Projeto que reduz salário de vereadores para R$ 1.500 será debatido.

Foi colocado na pauta da reunião desta quarta-feira, 26 de agosto, às 18 horas, na Câmara Municipal de Veredinha, no Vale do Jequitinhonha, o Projeto de Lei (PL) nº 06/2015, de autoria do vereador Anderson Alves Coutinho (PSDB), que dispõe sobre a fixação do subsídio pago aos vereadores do município na legislatura 2017/2020. A proposição foi protocolada no dia 12 de agosto e se encontra em tramitação.

Conforme o documento, se aprovado, a partir de 1º de janeiro de 2017, todos os legisladores do município passarão a receber R$ 1.500,00. O valor é inferior a dois salários mínimos vigentes.
O PL 06/2015 também proíbe o pagamento de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio ou outra espécie remuneratória aos vereadores. Também está previsto desconto por falta sem justificação no valor do subsídio pago aos legisladores municipais.
Reunião acontecerá no prédio da Câmara Municipal de Veredinha – Foto: Divulgação

Compareça a reunião da Câmara nesta quarta-feira e exija a redução nos subsídios dos vereadores de Veredinha. Sua participação é de extrema importância.
Leia o PL 06/2015 na íntegra
Em Capelinha
Projeto semelhante está em tramitação na Câmara Municipal de Capelinha. O PL 043/2015, protocolado no dia 14 de agosto pelo vereador Luciano Rodrigues Ribeiro Macedo (PROS), prevê a redução dos subsídios pagos aos vereadores, prefeito, vice-prefeito e secretários municipais. Se aprovado, a partir de janeiro de 2017, os vereadores capelinhenses passarão a receber R$ 1.576,00. Já o salário do prefeito será reduzido para R$ 10.244,00. O vice-prefeito passará a receber R$ 5.516,00 e os secretários terão vencimentos de R$ 3.152,00.
Em Diamantina
Moradores elaboraram um projeto de iniciativa popular que também dispõe sobre a redução dos salários pagos aos vereadores, prefeito, vice-prefeito e secretários. O projeto deverá ser apresentado após o recolhimento de 1800 assinaturas de apoio, equivalente a 5% do eleitorado diamantinense.
Fonte: Aconteceu no Vale

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Exclusivo: Ministério PÚblico decide processar Perrellas por uso de dinheiro público no Helicoca.

Deborah Secco e Zezé Perrella: carona no helicóptero
Deborah Secco e Zezé Perrella: carona no helicóptero

A família Perrella tem negócios em Minas Gerais que vão da produção de carne e cultivo de sementes de feijão, arroz e milho a negociação no mercado de futebol profissional.
Donos de avião e de helicóptero, mantêm amizades com famosos e são conhecidos pelas festas que oferecem na Fazenda Guará, propriedade cinematográfica no município de Morada de Minas.
A família tem poder e dinheiro, mas, analisada a declaração de bens do senador Zezé Perrella, disponível na Justiça eleitoral, o que se vê é um cidadão de patrimônio relativamente pequeno: R$ 490 mil.
Ele tem cotas de empresas, conta em bancos e um Mereces Benz, seu maior patrimônio declarado, no valor de R$ 180 mil reais. Zezé não declara nem casa para morar.
Mas promotores de Minas Gerais descobriram que o senador mora num imóvel registrado em nome da Limeira Agropecuária e Participações Ltda., empresa que é uma das chaves para entender os segredos das finanças da família Perrella.
A Limeira Agropecuária é também titular do contrato de leasing do helicóptero Robinson 66, apreendido pela Polícia Federal no município de Afonso Cláudio, no Espírito Santo, em novembro do ano passado, com 445 quilos de pasta base de cocaína.
A empresa Limeira, fundada pelo senador Perrella e hoje sob controle acionário de dois filhos, é proprietária da Fazenda Guará, que, além das festas, proporcionou à família um contrato milionário com o governo de Minas Gerais, através de uma empresa de pesquisa agropecuária, a Epamig.
A Epamig deu à Limeira sementes de feijão, arroz, milho e sorgo, com garantia de compra de toda a produção para o Programa Minas Sem Fome, uma versão local do Fome Zero.
Zero era o risco da Limeira nesse contrato. Não houve licitação e, em quatro anos, a empresa recebeu mais de R$ 14 milhões do governo do Estado.
Segundo o Ministério Público, não se sabe quanto da produção foi efetivamente entregue ao Programa Minas Sem Fome. Na única vez em que houve fiscalização, descobriu-se que, numa safra em que se esperavam quase 200 toneladas de grãos, a fazenda entregou efetivamente 27 toneladas.
O caso resultou numa ação por improbidade administrativa movida contra o senador Perrella, o filho Gustavo e os ex-presidentes da Epamig.
Na ação, o Ministério Público afirma: “Suspeita-se que o preço da produção tenha sido superestimado. É desconhecida, ainda, a forma de controle da distribuição dos produtos agrícolas adquiridos e destinados ao programa Minas sem Fome.”
Outra grave irregularidade desse contrato é o fato de que a Limeira não poderia ter contratos com o governo do Estado, por ter, primeiro, o senador Zezé e, depois, Gustavo entre seus acionistas.
A Constituição do Estado de Minais Gerais proíbe contratos entre o governo do Estado e empresas que tenham deputados estaduais entre seus controladores, como é o caso da Limeira.
Em Minas Gerais, o sobrenome Perrella aparece em outros negócios suspeitos com o governo.
Dois dos restaurantes que servem à Cidade Administrativa, vitrine do governo Aécio Neves, foram concedidos sem licitação ao senador Zezé Perrella.
Ao investigar a denúncia, o Ministério Público descobriu que, na área de alimentação, as irregularidades eram bem mais graves.
Alvimar de Oliveira Costa, que sucedeu o irmão Zezé na presidência do Cruzeiro, é um dos proprietários da Stillus Alimentação, a principal fornecedora de refeições para os presídios.
processo perrellas

Em dois desses presídios, a empresa cobrava pelo transporte do marmitex, mas a comida era feita na própria cadeia, em cozinhas clandestinas.
O caso resultou em duas ações na Justiça, uma na área civil, em que  o Ministério Público pede a devolução de mais de R$ 80 milhões, e outra na esfera criminal, em que Alvimar é um dos denunciados por corrupção e fraude em licitação.
Em Minas Gerais, até os gandulas do Cruzeiro sabem que Alvimar agiu sempre à sombra do irmão. Por conta dessas ações, os bens da família foram bloqueados, em decisões recentes da Justiça, tomadas depois da apreensão do helicóptero com cocaína. Coincidência?
No rastro da apreensão de cocaína em Afonso Cláudio, o Ministério Público confirmou, numa inquérito civil público, que o combustível da aeronave foi pago pela Assembleia Legislativa, através de reembolsos solicitados pelo deputado Gustavo Perrella.
Em um ano, a conta ficou em R$ 15 mil. Seria uma despesa legal, não fosse o fato de que o helicóptero era usado para serviços extraoficiais, como viagem para festas na fazenda e passeios em Vitória e Rio de Janeiro.
“Transportei muitos amigos e artistas”, contou o piloto Rogério Almeida Antunes, num depoimento prestado em Minas Gerais, depois que ele foi solto da prisão no Espírito Santo por tráfico de drogas.
Na conversa com os promotores, ele contou que uma das passageiras mais frequentes é a atriz Deborah Secco, que foi namorada do jogador Roger, ambos amigos do senador Perrella.
O inquérito civil público, em fase final, deve resultar em uma denúncia contra o deputado Gustavo Perrella.
“Ele pode pedir reembolso pelo combustível, desde que o helicóptero seja usado em viagens exclusivamente a serviço do mandato. Está evidente que este não era é o caso”, diz o promotor Eduardo Nepomuceno.
A Assembleia legislativa também pagou por outros voos particulares do senador Zezé Perrella. Quando ele era deputado estadual, entre 2007 e 2011, recebeu mais de R$ 100 mil como reembolso de despesas com combustível de seu avião.
Na prestação de contas de Zezé, o Ministério Público encontrou até uma nota do aeroporto de Salvador, num dia em que a capital baiana realizava o seu Carnaval fora de época.
Zezé Perrella deixou a Assembleia em 2011, depois que se elegeu primeiro suplente na chapa ao Senado encabeçada pelo ex-presidente Itamar Franco.
Itamar estava no PMDB e Perrella, no PDT, mas ambos eram aliados de Aécio Neves. Amigos de Itamar contam que ele tentou resistir à inclusão de Perrella na sua chapa, mas cedeu à vontade de Aécio Neves, também candidato ao Senado e, como ex-governador, o principal chefe político do Estado.
Octogenário ao se eleger, Itamar morreu pouco tempo depois de eleito, abrindo espaço para o suplente Perrella.
O promotor Eduardo Nepomuceno diz que não pedirá apenas o reembolso das despesas de combustível tanto de Gustavo quanto de Perrella, mas a condenação de ambos por improbidade administrativa.
Em Belo Horizonte, eu procurei o gabinete do deputado Gustavo e pedi para falar tanto com ele quanto com o senador. Apresentei a lista de assuntos, incluindo o caso da cocaína encontrada no helicóptero da família.
O assessor de imprensa, Davi Teodoro, me recebeu na recepção e, em pé, disse que o deputado não tinha tempo para dar entrevista.
Deixei o telefone para que ele agendasse uma reunião. Não tive retorno.  Insisti no tema do helicóptero e a resposta de Davi: “Esse caso está encerrado. A Polícia Federal inocentou o deputado”.
No dia em que procurei Gustavo, ele tinha participado da convenção do seu partido, o Solidariedade. Quando estourou o caso do helicóptero, o pai de Gustavo, o senador Perrella, chegou a dizer que a família pensava abandonar a política, com frases como “não precisamos disso para viver”.
Passados sete meses da apreensão do helicóptero e com os traficantes soltos e o processo na Justiça Federal do Espírito Santo caminhando para o arquivo, a família decidiu não só permanecer na política como buscar cargos mais elevados
Na convenção do Solidariedade, decidiu-se fechar aliança com o grupo político de Aécio Neves e reservar para Gustavo a legenda de candidato a deputado federal. Ele pretende deixar a Assembleia Legislativa de Minas para ir a Brasília. Por enquanto, sem o helicóptero.
A aeronave continuará no Espírito Santo até que o Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro julgue o pedido de devolução da máquina aos Perrella.
O candidato a governador de Aécio Neves em Minas Gerais é o tucano Pimenta da Veiga, numa coligação de vinte partidos, entre os quais o Solidariedade de Gustavo e o PDT de Zezé.

Aliados na disputa para governador em Minas
Aliados na disputa para governador em Minas
Sobre o Autor
Jornalista, com passagem pela Veja, Jornal Nacional, entre outros. joaquim.gil@ig.com.br,  no Diário do Centro do Mundo

sábado, 13 de outubro de 2012

A democracia em migalhas


A democracia além do simples ato de votar

Por Alexandre Macedo
Ao iniciar este texto, coincidentemente, ouço a canção “Blues do elevador” do artista maranhense Zeca Baleiro numa rádio FM, que diz assim: “Vejo os pombos no asfalto/ 
eles sabem voar alto/ mas insistem em catar as migalhas do chão”. Paro um pouco e 
reflito sobre a clara e evidente comparação possível de ser realizada entre o pombo e o
cidadão. 

Na letra dessa canção, o músico denota que os pombos, embora sejam pássaros com
alto potencial de voo e podendo chegar a grandes alturas, ficam na maioria do tempo, 
catando migalhas e restos jogados no chão. Se refletirmos bem, o mesmo acontece 
com nós cidadãos e cidadãs. Vamos às provas.

Na Constituição Federal do Brasil, promulgada no ano de 1988, o parágrafo único 
estabelece que “todo poder emana do povo”. Mas, nós brasileiros, ainda não 
entendemos claramente o significado disso. O poder, na prática, não emana do povo 
e sim dos nossos representantes políticos, justo eles que deveriam se curvar perante
as exigências da população. Na realidade, vivemos uma espécie de inversão em nossa
lógica democrática. O povo que deveria possuir o poder se vê refém dos 
representantes políticos, quando, na verdade, deveria ocorrer o inverso. 

Para entender melhor o lugar que nossos representantes políticos ocupam no processo, 
basta analisarmos o exemplo das eleições municipais. Na campanha eleitoral, todos
os candidatos ao cargo de vereador e prefeito se humilham perante o povo; mendigam 
votos, dão abraços, cumprimentam do outro lado da rua, etc. Neste momento, eles 
reconhecem o quanto são frágeis e dependentes do povo, afinal é o povo que tem o poder 
para elegê-los por meio do voto. 

Quando passam as eleições, essa lógica se inverte, e então, o vereador e o prefeito passam 
a ser “autoridades” e o povo, aquele que deveria ditar como deseja a administração da 
cidade, se torna receptor da “boa vontade” e favores daqueles que ele próprio elegeu. 
Resulta-se no fato de que, ao invés de “empregados” do povo, os representantes políticos
se comportam como se fossem “patrões”. Com certeza, tem alguma coisa errada nesta 
história. 
Mas, afinal, de quem é a culpa? 

Parece estranho, mas se analisarmos minuciosamente, a parcela de culpa da sociedade 
civil é muito maior do que a dos representantes políticos. O que acontece, na verdade, é 
que nós cidadã(o)s assistimos “bestializados” a tudo que acontece na Política sem, sequer, 
nos movermos quanto aos acontecimentos. A Constituição nos dá o direito de exercer o 
poder, mas nós cidadã(o)s simplesmente delegamos equivocadamente todo este 
poder unicamente aos nossos representantes. Sendo assim, como eles atenderão 
nossas necessidades sendo que não ditamos a eles o que verdadeiramente queremos? 
Em “democracias” onde só os representantes políticos administram, na maioria das vezes, 
o que sobra são somente as migalhas ao povo. 

Numa simples comparação, seria o mesmo caso de um empresário que tivesse uma 
grande empresa nunca fosse visitá-la para realizar o balanço, fiscalizar as entradas e 
saídas de verbas da conta corrente, etc., e deixasse todo o controle nas mãos dos 
empregados. O que aconteceria? Será que a empresa iria prosperar? Claro que não! 
A mesma lógica acontece também em uma cidade. Sendo assim, a Prefeitura é a “empresa” 
e os secretários, prefeito e outros servidores são os “empregados”, e o “dono” da empresa
é o povo. É com o dinheiro dos altos impostos inclusos nos preços dos alimentos, da 
energia elétrica, da água e de tudo que consumimos é que essa “empresa” funciona. 

Se nós cidadã(o)s, verdadeiros “dono(a)s”, não começarmos a fiscalizar e a ditar a 
maneira como a “empresa” deve funcionar, ela logo mostrará os sinais de falência e 
perderá sua capacidade de produção. Assim também acontece com a democracia. Tal 
palavra deriva-se de dois termos gregos, demos: povo e cracia: poder, ou seja, 
“democracia” significa “poder do povo” e esta é a forma assegurada na Constituição 
na qual deve se basear as relações políticas no Brasil enquanto república. Diante disso, 
cabe a nós cidadã(o)s o interesse de exercer ou não tal poder.

Mais uma eleição se aproxima e a pergunta que fica é: O que mudará nos próximos anos? 
A resposta é: Depende. Se assistirmos mais uma administração passar sem 
participarmos diretamente das decisões, o ritmo lento do desenvolvimento irá persistir. 
Agora, se pelo contrário, nós cidadã(o)s participarmos diretamente, o progresso 
e desenvolvimento de todos os setores é certo, pois ao invés de um pequeno número governar 
a cidade, com a participação do povo, mais problemas serão discutidos, mais soluções 
serão elaboradas e, com certeza, mais rapidamente as questões serão resolvidas. Desta forma, 
o trabalho dos nossos representantes será mais atentamente acompanhado, fiscalizaremos 
de perto nosso dinheiro público e contribuiremos para que nossas cidades tenham 
educação, saúde, saneamento, habitação, lazer, cultura e outras coisas com muito 
mais qualidade. 

Para finalizar, podemos refletir sobre um grave problema que incomoda a 
muitos, principalmente nas cidades pequenas. Falo do “rateio das secretarias”. Será que 
já paramos para pensar em quais são os critérios usados para eleger a pessoa que irá 
comandar uma secretaria? Isso é um assunto sério e que merece nossa total atenção, pois 
o que vemos, a cada quatro anos, é que as pessoas que comandam as secretarias, em
sua maioria, nada conhecem sobre os cargos que lhes são atribuídos. É comum vermos pessoas 
à frente de secretarias do meio ambiente, de obras, da assistência social, cultura, etc., que 
nada conhecem sobre o assunto. Estão lá apenas sendo compensados por favores 
eleitoreiros. Isso deveria ser inadmissível, pois as secretarias são importantes instâncias 
da administração pública por fazerem parte do Poder Executivo. 

Perante a isso devemos nos perguntar: O que a cidade ganha quando uma pessoa assume 
a pasta de uma secretaria sem ter a qualificação necessária para assumir tal cargo? Será que 
o correto não seria que o cargo de secretário (a) fosse preenchido apenas por pessoas 
que fossem profissionais? Trocando em miúdos, será que um pedreiro conseguiria assumir 
a secretaria de meio ambiente? Será que um açougueiro teria qualificação suficiente 
para assumir uma secretaria de saúde? E mais, será que o justo não seria que tais secretário
(a)s fossem indicados pela coligação antes das eleições? Afinal, um(a) prefeito(a) não 
governa sozinho(a) e é importante que o povo saiba quem serão os secretários do Executivo. 
Na verdade, o que adianta ter um bom prefeito e, ao mesmo tempo, termos s
secretários desqualificados ou vice-versa? 

Está aqui um fato aos quais os cidadãos devem cobrar explicações de seus candidatos. Está 
em nossas mãos o poder de também mudar isso. Que não nos contentemos com as migalhas 
da democracia, pois como dizia Sêneca “a maior desgraça de quem não gosta de política é 
ser governado por aqueles que dela gostam. Que possamos repensar nossa participação 
política nas cidades onde vivemos, pois podemos fazer muito por elas. 
E também lembrarmos que o ato de votar é um ato que surte um efeito mínimo pela 
democracia, só isto não basta. 

Afinal, não existe nada de mais impactante no desenvolvimento de uma cidade do que 
uma sociedade civil organizada e atuante junto às decisões políticas que envolvem 
a coletividade. 

O poder é do povo, o que resta agora é assumí-lo e não mais viver de migalhas.

(Publicado originalmente na Revista Avisa, 4ª edição - Capelinha-MG)
Alexandre Macedo
alexandrefernandesmacedo@gmail.com
Assistente Social, pós graduando em Gestão de Políticas, Programas e Projetos Sociais, é colaborador do Movimento Muda Capelinha

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Pedra Azul: Pressão popular impede vereadores aumentarem seus salários

Fim da novela: Projetos de lei de aumento salarial dos agentes políticos são retirados
Por Igor Dias e Will Nascimento
VITÓRIA DO POVO NA CÂMARA MUNICIPAL DE PEDRA AZUL

Aconteceu ontem, no dia 04 de Setembro, a reunião final para votação do projetos de Leis 011/2012 e 012/2012, que versam sobre o aumento salarial dos vereadores, prefeitos e secretários municipais. Da mesma forma que ocorreu no dia 03 de Setembro, a Comissão de Finanças não se reuniu para dar um parecer sobre os projetos de Lei. De acordo com a última publicação, a votação não ocorreu no dia anterior por esse mesmo motivo.
A população novamente lotou a Câmara Municipal e diante de tamanha mobilização popular contrária a aprovação do aumento, os vereadores foram unânimes em retirar os projetos, segundo justificativa de que a Comissão de Finanças não apresentou parecer.
No final da reunião, a população se reuniu na frente da Câmara Municipal, gritando, ovacionando e vaiando durante aproximadamente uns 30 minutos. Gritos de indignação como chamar candidatos de ficha suja também foram ouvidos.

MANIFESTAÇÃO POPULAR SE TRANSFORMA EM BAIXARIA


O que era para ser festa acabou em baixaria. Após a sessão em que os projetos de Lei foram retirados, as ruas em torno da Câmara Municipal se tornaram em verdadeiros campos de batalhas.
As comitivas das Coligações “Pedra Azul é para todos” e “É Tempo de Mudar!” compareceram para acompanhar as discussões e apoiar os seus respectivos candidatos, uma vez que Daniel Costa (Candidato a prefeito) e Cícero Magno (Candidato a vice-prefeito), vereadores do atual mandato são adversários na eleição deste ano. Ao final da reunião, ambas as comitivas não se contiveram em apoiar os seus candidatos e por motivos banais se enfrentaram de forma bruta e ignorante, indo de gestos obscenos,  socos até pauladas.
Verdade seja dita. Novamente a ignorância política tomou o espaço do exercício da cidadania em nossa cidade. Pois o motivo de tanta violência está intimamente relacionado à distorção dos fatos sobre a votação. Fizeram uso de uma ocasião de manifestação popular para colocar em prática estratégias políticas.
Vale a pena ressaltar que ao divulgar a intenção dos vereadores em aumentar o próprio salário, nosso site tinha o intuito de prestar um serviço à comunidade pedraazulense, como deveria ser obrigação de qualquer canal de comunicação, e não alimentar a doença política que existe em nosso município.
Enquanto os interesses de oligarquias sobreporem a interesses do bem comum, certamente não sairemos do ponto onde ficamos. 100 anos e não precisamos lamentar apenas a falta de progresso social e financeiro, mas também da mentalidade do povo!
REPÚDIO A IGNORÂNCIA POLÍTICA!!!
Fonte: www.pedraazul-mg.com