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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Itinga: Morre Seu Juarez, o artesão criativo do entalhamento

Seu Juarez e algumas das peças  de sua criação.

Texto de Jô Pinto, no seu Blog Espaço Livre, no dia 07.02.2019

"Essa quinta-feira, 07 de Fevereiro de 2019, vem carregado de tristeza, a cultura de Itinga e do Vale do Jequitinhonha perdeu um dos seus grandes personagens: Juarez Pereira Marques, mais conhecido como "Seu Juarez",  o grande artista do entalhamento. 

Autodidata, aprendeu, desde moço, a entalhar na madeira réplicas perfeitas de carros e máquinas pesadas, além de outras esculturas. Suas peças ricas em detalhes faziam parecer um automóvel real em tamanho pequeno. Participou de feiras de artesanato , levando e elevando o nome de Itinga a outros quadrantes. Ensinou seu ofício a seus filhos que também são grandes artistas, mesmo que não dediquem a esse oficio.

Fica para nós o legado do homem, do artista, pai, esposo e um cidadão impar que contribui para o engrandecimento da cultura de Itinga e do Vale, através de sua arte. E essa continuará viva e pode ser vista no Memorial que sua família criou para homenageá-lo,  ainda em vida. Está localizado no Distrito de Taquaral de Minas, em Itinga, às margens da BR 367, no Médio Jequitinhonha, no nordeste de Minas."
Retroescavadeira do Seu Juarez. Foto de Rubinho do Vale.

"Meu artista! Dono da coragem e da força, virtudes de um verdadeiro homem. Um homem que sabe compreender os passos da vida e a maneira certa de ensinar o que é viver. Seu Juarez, que sua coragem e força se tornem cada vez mais imensas. Pai, uma palavra pequena,  mas que quando dita se transforma em uma infinidade de valores..." Maristela Marques, filha de Seu Juarez.

O cantor e compositor Rubinho do Vale assim se manifestou nas redes sociais:
"Triste. Partiu mais um Mestre. Um artista amigo, Seu Juarez, Juarez Pereira Marques, se encantou ontem em Taquaral, Itinga. Tomei café várias vezes com ele e Dona Lourdes, sua esposa, também artesã, enquanto eu apreciava a beleza de sua arte, seus tratores e carrinhos, enquanto ele falava do prazer que tinha em fazer aqueles lindos tratores. Um detalhe, nas peças dos tratores, ele não usa um prego, somente madeira e cola e todas movimentam. Minha gratidão é imensa por ter conhecido e convivido um pouco com este artista tão criativo". 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Taquaral se transforma em distrito e população clama por segurança

Taquaral possui cerca de 700 familias de acordo com levantamento do IGTEC-Instituto de Geoinformação e Tecnologia.

Foto: arquivoTaquaral se transforma em distrito e população clama por  segurança
Com elevação a distrito, o lugar passa a se chamar Taquaral de Minas

Neste sábado (26) moradores do então povoado do Taquaral, a 18 km da cidade de Itinga, no Vale do Jequitinhonha, entram em clima de festa. É que, através de lei aprovada pela Câmara e sancionada pelo prefeito de Itinga, Adhemar Marcos Filho(PSDB) , o povoado passa a ser Distrito a partir do dia 29 de dezembro. Com a lei, o lugar passa a se chamar Taquaral de Minas. Mas, o que  a população ganhará com esta mudança?


 As vantagens são inúmeras. Tornando-se distrito, o  povoado ficará apto a receber verbas específicas dos governos Estadual e Federal.

 Enquanto distrito, Taquaral poderá dispor de cartório de registro civil e  poderá sediar uma sub-prefeitura ou administração regional.  Poderá ainda receber agências bancárias, correios, postos para pagamentos de água, luz, telefone, enfim, tornando-se distrito o povoado passaria a funcionar como uma pequena cidade.

Mas nem tudo é festa para as 700 famílias que vivem no lugarejo.

Os moradores pedem mais atenção das autoridades por conta da falta de segurança que tem retirado o sossego e o sono da maioria dos que ali vivem.

As  denúncias são inúmeras,  e um dos motivos seria a migração de marginais   de outras regiões , aumentando a criminalidade no local.

A reclamação também é geral com relação ao barulho dos sons automotivos, presença  de baderneiros que praticam direção perigosa em motos e carros, colocando  a vida das pessoas em risco, e a falta de policiamento para inibir as ações, principalmente nos finais de semana.

Uma das moradoras do lugar, a garimpeira Maria dos Anjos Silva Franca, 62 anos, diz que “fica difícil até pra dormir. Além disso, a falta de segurança é constante”. “ Isso aqui virou um inferno. É som no mais alto volume. Esperamos que alguma coisa seja feita”, espera a idosa

“ Não respeitam ninguém”, concordam os garimpeiros Adail José Gomes Nunes, 36 e Edivaldo Gomes dos Santos, de 53 anos.

Para eles, é  necessário a instalação de um posto policial. “ Os casos de furto e arrombamento aumentaram. Muitos aqui já nem dormem direito com medo dos ladrões. Sabemos que o município é grande e que existem poucos policiais mas,  alguma providência precisa ser tomada”, afirmam os garimpeiros.

Os moradores também pedem instalação de um posto de atendimento bancário, agência dos Correios e mais infraestrutura, como calçamento de ruas e melhorias na captação e distribuição de água.



Situado às margens do rio Jequitinhonha e cortado pela BR-367, o povoado do Taquaral se desenvolveu em torno do garimpo. São inúmeras lavras que se espalham pelo seu entorno, e que garantem a sobrevivência das famílias .

Os chamados “ bamburros”, que são descobertas de  pedras preciosas,  atraem a atenção de compradores e também de criminosos.

Nos últimos três meses foram registrados 2 assaltos violentos e o assassinato de um adolescente de 17 anos, envolvido em pequenos furtos.

“ Estamos assustados. O lugar era pacato. Queremos voltar a dormir tranquilos ”,  dizem os moradores.

 Fonte: Sérgio Vasconcelos,  da Gazeta de Araçuaí

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Jovens não nutrem esperanças em Taquaral, no Médio Jequitinhonha

Jovens não nutrem esperanças em Taquaral, no Médio JequitinhonhaSérgio Vasconcelos repórter

Jovens como Rogério Pereira, Luiz Ferreira, Arlio Silva e Julio César deixaram o Taquaral por falta de oportunidades. Raul Vieira, de 16 anos, reclama que os poucos empregos gerados pela extração do granito não são oferecidos para pessoas do lugar.
O sonho de viver em um lugar onde possam trabalhar, estudar, criar família, está cada vez mais distante para os jovens de Taquaral, povoado pertencente ao município de Itinga.

A 635 km de Belo Horizonte e 43 de Araçuaí, no Médio Jequitinhonha, no nordeste de Minas, e com 10.600 habitantes, o município de Itinga foi o último colocado entre os 853 municípios mineiros com o pior Índice Mineiro de Responsabilidade Social (IMRS), divulgado em abril do ano passado pela Fundação João Pinheiro.

A falta de emprego e os desmandos políticos são apontados pelos jovens como causas do entrave do desenvolvimento do lugar.

“ Quem quiser alguma coisa tem de sair daqui”, lamentam os jovens Rogério Pereira, 18, Luiz Ferreira, 17, Júlio César Santos, 23, Arlio da Silva, 23. Em busca de uma vida melhor, eles foram embora para Campinas, em São Paulo, para trabalhar no comércio varejista. “ Quando tem férias a gente vem para matar as saudades da família”, afirmam.

“ Se tivesse oportunidades a gente não ia embora”, explicam.

Eles não acreditam na emancipação política do lugar.” A população está fria. Isso depende dos políticos. Se aqui virar Distrito já está bom”, conforma-se Raul Vieira Rodrigues, 16 . Ele conta que o lugar convive com o drama da falta de saneamento básico e de investimentos na área de educação e saúde. “ A Copanor fez uma rede coletora de esgotos mas o esgoto está sendo jogado no rio Jequitinhonha”, revolta-se o adolescente.

Para Júlio César Santos, 23, se não houver crescimento não haverá trabalho. O povoado conta com um posto de saúde, uma quadra de futsal, um campo de futebol, 3 igrejas, sendo duas evangélicas e uma católica. Para os jovens, a diversão é uma lan house e uma churrascaria que abre nos finais de semana.

Apesar de tudo, a região é rica em minerais industriais e pedras semi-preciosas. “ Eu trabalhava na extração de mica, cristal, feldspato e topázio”, agora estou desempregado”, lamente Raul Vieira.

Os jovens reclamam ainda que a única empresa que explora granito na região – a K-2- emprega poucas pessoas do lugar. Toda a produção é levada para fora, principalmente para o Espírito Santo.

Postado no Gazeta de Araçuaí, por Sérgio Vasconcelos

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Garimpeiros constroem o povoado do Taquaral

Taquaral: garimpeiros controem povoado

Descoberta de turmalina atrai milhares de famílias para o lugar


Taquaral, Itinga, no Médio Jequitinhonha
As pedras preciosas são matérias minerais sólidas e com grande densidade e pigmentação nas cores : azul, verde, rosa (rubelita) e preta. São encontradas nas profundidades das rochas ou na superfície rasa do solo, formadas a bilhões de anos atrás e usadas como jóias à milhares de anos .

A extração das pedras preciosas e outros minerais no Povoado de Taquaral/Itinga se deu ainda no início do SEC. XX, mas muito pouco explorada . Foi com a vinda da Sra. Maria Gonçalves Soares ( Maria de Amaro )e sua família por volta dos anos de 1953 que se intensificou este tipo de exploração.

Segundo depoimentos da família, a vinda pra essa região se deu com a invasão de garimpeiros em suas terras.

Formação de Taquaral
Sentido-se decepcionada com o ocorrido,vendeu as terras para uma Companhia Mineradora da época. Foi quando juntamente com seus filhos tomou uma difícil decisão de abandoná-las e ir à procura de um novo lugar para morar. Resolveu então, comprar as novas terras,que até então eram do fazendeiro Belizário Fulgêncio.

Acreditando que ali seria improvável a existência de grandes quantidades de minérios nas novas terras, tiveram uma grande surpresa pois as novas terras adquiridas eram mais ricas em minérios, podendo ser facilmente encontradas pedras preciosas em alguns lugares.
A exploração de pedras preciosas na região não era a principal atividade, pois naquela época eram ainda de baixo valor comercial, predominando a criação de animais e o cultivo da lavoura de subsistência.

Com o passar do tempo, a criação dos animais e o cultivo da lavoura foi se tornando cada vez mais difícil, principalmente com a escassez da chuva, cada vez mais agravante.

Lavra do Pirineu, famosa no mundo. Com as descobertas de novas e grandes minas , conseqüentemente a exploração de pedras preciosas se tornou a principal fonte de renda da população de Taquaral, atraindo garimpeiros e investidores dos mais diversos lugares.

Uma destas minas se tornou internacionalmente conhecida pelas boas qualidades de suas pedras produzidas, conhecida pelo nome de Lavra do Pirineu, descoberta por garimpeiros locais.

Lavras e seus nomes populares
Tradicionalmente os nomes das lavras desta região são dadas pelos próprios garimpeiros através das diversidades de cada localidade. Não é regra, mas na maioria das vezes são nomes criados pelos seus próprios descobridores. Como exemplo temos a lavra do Imbaré, nome dado por ali existir grandes árvores chamadas de Imbaré.

Da mesma forma a Lavra da Jurema , mas também temos a Lavra da Pinheira, Lavra do Maxixe, Lavra do Urubu, Lavra do Quarto, Lavra da Pitomba, Lavra do Arroz - de - Leite, Lavra da Malva, Lavra do Engano, Lavra de Dona Mariazinha, Lavra do Sr. Hidelbrando, Lavra da Marmita, Lavra do PT, Lavra do Baixão, Lavra da Cruzinha, Lavra da Caixa d'água, Lavra do Boqueirão, Lavra dos Netos, Lavra do Sr. Percílio e etc.

As fotos deste álbum são da das Lavras "Imbaré". Vamos conhecer um pouco do dia - a -dia de um garimpeiro de 57 anos que desde os 12 anos de idade dedica com prazer a lida do garimpo.

Na companhia de Eustáquio Esteves Vieira vamos conhecer um pouco mais, passo - a - passo de como se garimpa a Turmalina, esta pedra tão cobiçada.

Fonte :TELECENTRO TAQUARAL/ITINGA.



Pesquisa : Evandro B. Esteves E-mail:evandrobesteves@hotmail.com
Fotos: Jailson F. Coutinho E-mail: jailsonfotografo@yahoo.com.br
Taquaral/ItingaMG, 03 de setembro de 2006


Veja aqui o texto e fotos do garimpo em Taquaral:


Este post é dedicado à assídua internauta Érica, Terapeuta Ocupacional, nascida em Araçuaí, com parentes em Taquaral e moradora de Barueri-SP.