sexta-feira, 6 de julho de 2012

Partidos políticos e suas ludibriações: a arte de fazer o povo de palhaço


 “Há homens que são de todos os partidos, 
contanto que lucrem alguma coisa 
em cada um deles”.
(Marquês de Maricá)


Por Alexandre Macedo
alexandrefernandesmacedo@gmail.com

Segundo a Constituição e a Lei n.º 9.096/95, ao partido político cabe assegurar, no interesse do regime democrático,  a autenticidade do sistema representativo” e “defender os direitos fundamentais definidos na Constituição Federal”. Esse seria, em lei, o papel do partido.

Em sua origem, os partidos foram criados para que, grupos de trabalhadores organizados pudessem, em coletivo, buscar com que suas ideologias de sociedade ganhassem força e chegassem a se concretizar quando, na disputa democrática, fizessem valer a vontade de todos aqueles que elaboravam os projetos e ideias dentro do partido. Os partidos, quando foram projetados, tinham como objetivo a constante formação política de todos as pessoas que quisessem participar da vida cidadã dos lugares onde moravam, fazendo com que assim tais sujeitos sejam esclarecidos de seus direitos para poderem exercer a cidadania de forma qualificada. Tinham também como ideal a defesa por projetos de sociedade como: a luta pela efetivação do socialismo, outro lutava pela "humanização" do capitalismo, outros pela preservação do meio ambiente, etc. Hoje, são todos uma coisa só! O que querem é poder, serem eleitos. Para não cair no risco de uma total generalização, faço exceção de dois partidos que ainda não estão corrompidos, mas deixo a vocês a tarefa de descobrir quais são.

E hoje? O que são os partidos? Partidos, minha gente, não passam de comitês que reúnem interesses individuais, mesquinharia e negociatas politiqueiras. Isso mesmo! Esqueçam o significado das siglas. O PSDB, nada tem a ver com "Partido da Social Democracia Brasileira", o PT nada tem a ver com "trabalhadores", o PC do B, nada tem a ver com comunismo, o PV (esse é o mais engraçado...) nada tem a ver com o "verde", a defesa do meio ambiente, etc. Todas essas siglas não passam de palavras "enfeitadas" e demagógicas.


Para bem da verdade, partidos hoje são como empresas. Os filiados e candidatos "comem na mão" dos "caciques" políticos ou presidentes, afinal são eles que "liberam" o direito de candidatura. Em muitos partidos há várias histórias de o(a) cidadã(o) pagar valores altos para terem o direito de se candidatarem.

Partido político, atualmente, é um "câncer" da democracia. Seus filiados não mais discutem política, ideias, projetos, etc., mas sim uma maneira mais fácil de se firmar "alianças sujas" para chegar ao tão sonhado cargo pretendido. 
É uma instituição que visa assegurar necessidades particulares dos envolvidos na trama das barganhas. Quando há"infidelidade partidária" tal situação não deve nem ser mais condenada, pois hoje o político não está sendo infiel à uma ideologia, mas sim a um grupo de pessoas que brigam por interesses próprios. Se fulano deixasse um partido que disputa projetos que favorecem às pessoas mais pobres e migrasse para um partido que defende apenas os interesses dos mais ricos, aí sim seria uma infidelidade partidária. Agora, migrar de um partido para o outro, sendo que todos os partidos possuem a mesma ideologia - a busca pelo poder - esses candidatos estão sendo infiéis a quê? 

Na verdade, todo esse "reboliço" não passa de um circo, programa do Ratinho ou "Casos de Família", onde essa novela só serve para impressionar aqueles que gostam de uma boa polêmica.

O pior de tudo, é que em muitas vezes, há pessoas honestas e competentes que devido à indignação com a situação da política querem pleitear o direito de se candidatarem e acabam sendo barrados pelos grandes "cafetões" da politicagem que usam o partido para se enriquecerem com as alianças sujas. Logo percebe, que tais organizações, são na verdade, um antro de barganhas e politicagem.

Mediante essa situação, é preciso se pensar a boa política de outras formas e não mais esperar que uma sigla partidária irá salvar nossa política desta deturpação realizada pelos usufrutuários do poder. Nós, enquanto cidadãos, poderemos amenizar e muito esse mal. 
O que nos resta é aguardar a nomeação dos eleitos e durante todo o mandato fiscalizarmos todos os atos destes que nos representam. Somente com o controle social é possível, pelo menos por enquanto, buscar com que os nossos políticos representem nossos reais interesses. 

O sistema político em nosso país, como já foi dito, é como uma grande empresa onde os funcionários faltam ao serviço quando sentem vontade e trabalham como querem. A única solução é a fiscalização do dono da empresa, que nesta comparação, é o povo. Afinal, é o "olho do dono que engorda o boi".

Portanto, fiquemos atentos a todo o processo eleitoral em nossas cidades, pois a partir de agora, já podemos identificar o que virá. Que sejamos eleitores exigentes e após as eleições, cidadã (o)s "chatos" que cobram, criticam, reivindicam, exijam e não deixemos nossos EMPREGADOS em paz, afinal, somos nós que pagamos os gordos salários deles. É preciso mudar toda essa situação. 

Voltando ao assunto dos partidos políticos, esses, na minha opinião, deveriam ser extintos. O que fazem é somente um desserviço à democracia. Mas tal fato não é motivo para cair num fatalismo. A democracia pode ser reinventada sempre. Que não nos contentemos com esta maneira como o sistema está posto, mudanças são possíveis a partir das cidades onde vivemos. A primeira condição para que isto aconteça é a união de todos aqueles que repudiam este modelo, afinal, todo poder emana do povo. Que não mais permitamos essa inversão.

Alexandre Macedo
Assistente Social e graduando em Tecnologia em Gestão Pública pela Universidade Federal do Paraná. 

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