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domingo, 9 de fevereiro de 2020

Jovens, por favor, transem!

*Tati Bernardi
Se vocês não transarem antes do casamento, talvez não transem nunca mais!

Jovens deste Brasil, transai e gozai e não vos multipliqueis. Usem camisinha, tomem pílula e transem. Amem, se apaixonem, namorem e transem. Sintam tesão e depois fiquem só amigos, mas transem. Daqui a 10 ou 15 ou 20 anos, se quiserem, tenham filhos, porque é um dos ápices da vida adulta, mas, por ora, foquem o grande ápice da juventude e transem!
Deixem-me alertá-los: a melhor fase da vida é quando as costas não doem constantemente apesar de tantos tratamentos e médicos, os joelhos ainda não estalam (e o barulhinho começa a ficar viciante, porque a gente vicia em cada merda), a neurose está diluída em hormônios, a enxaqueca não funciona como o apito de uma panela de pressão avisando que é hora de parar de pensar em problemas e os antidepressivos ainda não aleijaram nossa excitação. Por favor, jovens, não escutem a tia Damares (Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) e transem muito.


O que a ministra do velório libidinal não conta a vocês é que a abstinência acontece, sem nenhum esforço por parte dos envolvidos, DEPOIS do casamento. Então, jovens, se vocês não transarem ANTES do casamento, talvez vocês não transem nunca mais! 
No escuro da noite, quando as crianças não choram por tudo, os maridos finalmente tiraram o fone de ouvido que usam o dia inteiro, as mães não destroem nossa autoconfiança, os colegas de trabalho finalmente pararam de mandar mensagens, a única coisa que movimenta (em um contido sorriso) meu bigode chinês com preenchimento é lembrar que eu já fui um ser muito transante. Eu já fui jovem e, por Deus, passei o rodo nesse país outrora divertido. 
Um dia revelarei aos meus netos: "Vovó aprontava altas!". E eles, que se tudo der certo serão livres e felizes e terão pais progressistas e estudarão em escolas progressistas e terão psicanalistas freudianos ou lacanianos progressistas, dirão, desapontados: "Não deveria ter parado jamais!".
Eu tenho saudade da escada do prédio da minha mãe. Eu tenho saudade das escadas dos prédios das agências de publicidade onde trabalhei. Eu tenho saudade das escadas das festas que eu frequentava.
Hoje em dia eu tenho preguiça até de conversar em pé, que dirá namorar. Eu olho uma escada já me cai a pressão. Não fosse o elevador, eu moraria para sempre no primeiro andar da minha analista.
Um dia eu e meu marido voltaremos a transar, porque os 40 são os novos 38. A esperança é que seja um com o outro. Rimou! Um dia eu vou estar menos cansada, menos medicada e menos chateada. Rimou! Em vez de rimar, eu preferiria transar. Rimou de novo! Percebam: uma hora nossa mente começa a funcionar para versificar os dias e a casa. Tudo em caixinhas musicais, porque fica mais fácil terminar o dia.
Saudade de perder madrugadas amando, de desaguar rios de lágrimas porque o amor acaba, de começar tudo de novo porque ainda dá tempo.
Jovens, por favor, transem; e ao transar, por favor, se cuidem. Cuidem-se para não pegar doenças, cuidem-se para não engravidar antes da hora e cuidem um do outro. Depois votem direito, votem em um governo que trate de vocês como humanos e não como robôs ou rebanhos ignorantes e assexuados. 

E transem, por favor. 
Transem por mim, pela Damares, por seus avós e, sobretudo, por este país.         
*Tati Bernardi
Escritora e roteirista de cinema e televisão, autora de “Depois a Louca Sou Eu”.
Fonte: Publicado originalmente na folha.uol.com.br/colunas/tatibernardi/2020/01/

Texto sugerido por Rosélia Ferreira, a Neguinha de Itaporé, mãe de dois jovens. Ela é servidora da área da saúde. Mora em Diamantina, no Alto Jequitinhonha. 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Repúdio e denúncia contra violência sexual crescem na internet

Mulheres e homens se manifestam contra o crime de estupro e o machismo da sociedade brasileira.

Caladas desde a infância e a adolescência, mulheres vítimas de estupro, que sentiam vergonha de expor o próprio caso diante da cultura machista brasileira, encontraram um canal aberto para tirar o nó da garganta. O movimento “#Eu não mereço ser estuprada”, criado pela jornalista de Brasília Nana Queiroz e outras 13 participantes, no último sábado, registra na manhã desta terça-feira, 01 de abril, 45,8 mil adesões na internet. São relatos corajosos de mulheres com pouca ou nenhuma roupa, anônimas ou famosas, magras ou cheinhas, exibindo no próprio corpo os dizeres da campanha e suas derivações, que já recebeu o apoio de artistas, como o da cantora baiana Daniela Mercury e da funkeira Valeska Popozuda.

(Nana Queiroz iniciou protesto no Facebook e tem quase 46 mil seguidores)
“Eu sou minha”, “Tire o seu machismo do meu corpo”, “Meu corpo, minhas regras”, “Eu e minha filha não merecemos ser estupradas” são alguns dos “gritos” publicados pelas apoiadoras do movimento e até por alguns homens, que saíram em defesa das vítimas.
“Os crimes não acontecem no beco escuro ou no ponto de ônibus, mas sim no quarto ao lado, com a participação do próprio pai, do primo, de um amigo da família”, denuncia Nana Queiroz, que ouviu o depoimento de uma mulher abusada durante a vida inteira pelo próprio pai. Pela primeira vez, ela criou coragem para se abrir sobre o abuso.
A ação acontece após o resultado de uma pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que apontou que a maioria dos brasileiros acha que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. Segundo o Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips), 65,1% das pessoas – incluindo homens e mulheres – concordaram com essa informação. Já 58,5% concordam com a afirmação “se mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”.
“Não tem a ver com a roupa, mas sim com a mentalidade das pessoas. A culpa é do estuprador e de uma sociedade doente que pensa ser normal culpar as vítimas”, defende Nana Queiroz. Ela lembra que, em um dos posts publicados na página, o uso de rímel em excesso foi acusado de ser provocar o aumento dos casos de estupro em mulheres de países islâmicos.
Paralelamente, a jornalista passou também a sofrer ameaças, em menor número, com a publicação de mensagens agressivas em defesa do crime de estupro. Um deles deixou a jornalista particularmente chocada: num perfil, que já foi apagado, um homem disse que já tinha cometido o crime e faria de novo. Ela decidiu dar queixa na Delegacia da Mulher. A Polícia Federal já está investigando o caso.

Apoio a estupro é investigado pela Polícia Federal.
Apesar da grande repercussão da campanha "Eu não mereço ser estuprada", organizada pela jornalista Nana Queiroz após divulgação da pesquisa que mostrou que 58% dos brasileiros acreditam que “se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros”, várias ameaças e mensagens de apologia ao estupro tomaram conta das redes sociais.
Em reação a este tipo de postagem foi criado o tumblr "Eu não mereço ser estuprada [DENUNCIA]", que reúne postagens agressivas e que apoiam a violência contra a mulher, feitas por "quem defende a cultura do estupro", como diz a descrição da página.
As mensagens ofensivas são salvas e compartilhadas com os outros usuários através das publicações no tumblr, que é mantido de forma colaborativa. 
Investigação
Nessa segunda-feira (31), a Polícia Federal de Brasília informou que já investiga alguns perfis que publicaram na página da campanha mensagens ameaçadoras e de apologia ao estupro. Houve casos mais extremos, onde alguns homens postaram a própria foto afirmando que já estupraram e irão cometer novamente o ato.

Proteção

ONDE PROCURAR AJUDA
Divisão da Mulher, do Idoso e da Pessoa com Deficiência
Rua Aimorés , 3.005, Barro Preto, Belo Horizonte
Telefone: (31) 3291-2931
Núcleo de Atendimento às Vítimas de Crimes Violentos (NAVCV)
Belo Horizonte
Av. Amazonas, 558 – 4° andar, Centro
Telefone: (31) 3270-3294
Horário de funcionamento: das 8h às 18h
Email: navcvbh@gmail.com
Montes Claros
Rua Tiradentes, nº 422 – Centro
(38) 3229-8515
Horário de funcionamento: das 8h às 18h
Email: navcvmoc@yahoo.com.br
Ribeirão das Neves
Rua José Bonifácio Nogueira, n° 130 – Bairro São Pedro
Telefone: (31) 3627-2570
Horário de funcionamento: das 8h às 18h
Email: navcv.rn@gmail.com
Governador Valadares
Em processo de reabertura. Até o momento, não possui sede
Telefone: (31) 3270-3294
E-mail: navcvbh@gmail.com
Fonte: Polícia Civil / Estado de Minas

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O que muda ( e o que permanece) após o beijo gay na novela

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Sexo não é privilégio da juventude


Sexo na velhice


"Neste momento das nossas vidas, Willie e eu estamos num desses umbrais, o da maturidade, quando quase tudo se deteriora: o corpo, a capacidade mental, a energia e a sexualidade.
Que diabo nos aconteceu? (...) Certa manhã nos vimos despidos no espelho grande do banheiro e ambos nos sobressaltamos. Quem eram aqueles velhinhos intrusos em nosso banheiro?
Nesta cultura, que supervaloriza a juventude e a beleza, são necessários muito amor e alguns truques de ilusionista para manter vivo o desejo pela pessoa que antes nos excitava e agora está achacosa e gasta.
Em minha idade respeitável, na qual me dão desconto no cinema e no ônibus, tenho o mesmo interesse de sempre pelo erotismo. Minha mãe, que completou 90, diz que isso nunca acaba, mas é melhor não espalhar, porque o resultado é chocante; supõe-se que os velhos são assexuados, como as amebas.
Por dentro Willie [William Gordon, com quem está casada há 26 anos] não mudou, continua sendo o mesmo homem forte e bom por quem me apaixonei.
Por isso estou empenhada em manter acesa a paixão, embora já não seja o fogo de uma tocha, mas a chama discreta de um fósforo. Outros casais da nossa idade exaltam os méritos da ternura e do companheirismo, que substituem o alvoroço da paixão, mas já avisei a Willie que não pretendo substituir a sensualidade por aquilo que já tenho com a minha cachorrinha. Ainda não..."
star
É dessa forma honesta e divertida que a escritora Isabel Allende, 70, nos introduz ao seu mais recente livro: "Amor" (Editora Bertrand Brasil, 240 págs, R$ 29), que reúne seus principais contos de amor.

Ao falar abertamente sobre sexo e sexualidade na velhice, Isabel presta um grande serviço não só à população de idosos, mas a todos nós que um dia chegaremos lá.
O tema é ainda um tabu, motivo de vergonha e constrangimento para muitos idosos. Mas não precisaria ser assim, dizem os especialistas.

O que se prega hoje é que o sexo na terceira idade pode ser sim prazeroso, mas depende de como encaramos o envelhecimento e de como vamos driblar as limitações naturais desse processo.

Existem, é claro, mudanças fisiológicas reais. O homem pode demorar mais para se excitar, ter ereção e orgasmo. A mulher sofre com a diminuição da elasticidade, o ressecamento vaginal e sente dor durante a penetração.

Alguns medicamentos também podem dificultar a ereção e o desejo, como os anti-hipertensivos ou antidepressivos. Um ajuste na dosagem ou a troca de medicação pode melhorar isso.

Lubrificantes à base de água diminuem a dor da penetração no caso das mulheres. Para os homens, as drogas para disfunção erétil são de grande ajuda --e de preocupação também.

Há um aumento no índice de doenças sexualmente transmissíveis em idosos, incluindo o HIV. Os mais velhos raramente usam preservativos, o que representa um grande risco.
Uma vida sexual ativa também depende de conversa, de trocas. Saber o que é mais prazeroso para o parceiro e fazer as adaptações necessárias também é muito importante nessa fase da vida.

A questão prioritária, porém, é derrubar estereótipos e preconceitos. A sociedade ainda vê a sexualidade muito atrelada à beleza e juventude. Isso coloca uma barreira psicológica, principalmente para as mulheres.

Daí a importância do livro da septuagenária Isabel Allende. Não é negar as dificuldades do envelhecer. Mas sim encontrar formas de dar mais qualidade e alegria aos dias que nos resta.
Avener Prado/Folhapress
Cláudia Collucci é repórter especial da Folha, especializada na área da saúde. Mestre em história da ciência pela PUC-SP e pós graduanda em gestão de saúde pela FGV-SP, foi bolsista da University of Michigan (2010) e da Georgetown University (2011), onde pesquisou sobre conflitos de interesse e o impacto das novas tecnologias em saúde. É autora dos livros "Quero ser mãe" e "Por que a gravidez não vem?" e coautora de "Experimentos e Experimentações". Escreve às quartas, no site.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

É falta de sexo, ó Gajo!


Numa redação do vestibular da Universidade da Bahia, em 2006, foi apresentado o seguinte texto de Camões, para ser interpretado pelos vestibulandos:


"Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
dor que desatina sem doer."
Uma vestibulanda, de 16 anos, respondeu na bucha:
"Ah! Camões, se vivesses hoje em dia,

tomavas uns antipiréticos,
uns quantos analgésicos
e Prozac para a depressão.
Compravas um computador,
consultavas a Internet
e descobririas
que essas dores que sentias,
esses calores que te abrasavam,
essas mudanças de humor repentinas,
esses desatinos sem nexo,
não eram feridas de amor,
mas somente falta de sexo!.”Entendeu, ó gajo?!
A estudante tirou 100, com louvor.
Depois de 500 anos, a jovem descobriu que o problema de Camões era a falta de sexo! Até Freud, que gostava de analisar os textos literários, passou batido na análise dos desejos do poeta luso.