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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Febre amarela e o abandono da saúde pública


Como foi possível termos sido pegos de surpresa com a migração de mosquitos contaminados pelo vírus e de casos da doença da região Norte em direção à Sudeste sem que providências tivessem sido adotadas a tempo?
O uso de doses fracionadas sugere insegurança dos governos quanto à disponibilidade de vacina para imunizar toda a população. Foto: Rovena Rosa/ABr
O desencontro de informações dos órgãos responsáveis pela saúde pública, em especial os do Ministério da Saúde, sobre a febre amarela gerou inicialmente apreensão e pânico na população, seguidos de falsa sensação de segurança. Hoje os principais desafios são motivar as pessoas a se vacinarem, fazer com que acreditem que a vacina é segura e que a doença veio para ficar de forma endêmica mesmo na região Sudeste do país, o que demanda atenção permanente. O ministro Ricardo Barros, do ilegítimo governo Temer, chegou a afirmar em setembro de 2017 que o surto havia acabado e que mesmo assim toda a população seria vacinada de modo preventivo. Os índices de vacinação estão muito aquém disso e os números de casos de febre amarela e de mortes deles decorrentes continuam crescendo.
Em vez de campanhas educativas voltadas a oferecer explicações sobre a doença, para informar que ela se transmite por meio de vetores e como as pessoas devem agir, assistimos com frequência a entrevistas inconsistentes, de cunho personalista e centradas na autopromoção. Alguns fatores contribuíram para isso, entre eles observam-se a perda de prestígio dos profissionais que atuam em saúde pública nas ações de planejamento, nas decisões sobre estratégias de comunicação, prevenção e controle de doenças e agravos à saúde, o desmonte de equipes multiprofissionais de vigilância em saúde (epidemiológica, sanitária, meio ambiente e saúde do trabalhador) na estrutura atual do Sistema Único de Saúde (SUS), a centralização das decisões em instâncias de governo submetidas à logica do loteamento político em detrimento da atuação de técnicos, especialistas, pesquisadores, gestores municipais, trabalhadores e lideranças sociais.
A febre amarela urbana está erradicada no Brasil desde 1942, fruto do trabalho de pesquisadores e profissionais que dedicaram suas vidas ao estudo e controle de doenças transmitidas por insetos (arboviroses) e outros meios, como é o caso do médico, epidemiologista e sanitarista Oswaldo Cruz. Transmitida no ciclo urbano pelo mosquito Aedes aegypti, o risco de sua volta é motivo de grande preocupação. Trata-se do mesmo vetor de outras doenças como dengue, zika e chikungunya, que têm comportamento sazonal, com redução de casos no inverno e diminuição das chuvas, o que pode ter induzido o ministro a cometer erro de avaliação. Hoje, ao lado da epidemia de dengue, a preocupação maior é com a alta incidência de casos de febre amarela silvestre, cujo vírus é transmitido entre macacos (hospedeiros) e seres humanos, quando esses adentram as matas ou vivem em seu entorno, pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes.
Fruto da desinformação, observa-se mortandade de macacos de diferentes espécies pela ação de humanos. Entretanto, é preciso destacar que esses animais são vítimas da doença na sua forma silvestre e que, estando contaminados pelo vírus – ao serem encontrados mortos ou capturados vivos –, são um importante sinal de que o vírus da febre amarela está circulando próximo aos humanos em regiões intermediárias (periurbanas). Mais grave ainda, a diminuição da população de símios faz com que haja mudança de hábitos desses mosquitos que vivem nas copas de árvores em florestas e passem a buscar outros animais para sua alimentação, favorecendo a circulação do vírus da febre amarela entre humanos. Na situação que temos hoje em São Paulo foram priorizadas estratégias de bloqueio vacinal para populações que habitam, trabalham ou frequentam regiões com matas, próximas a áreas de reflorestamento e a corredores ecológicos. Entretanto, esse bloqueio já não é suficiente.
A vacina disponível é fabricada com vírus vivo atenuado, razão pela qual não deve ser usada para gestantes em regiões de baixa incidência de febre amarela, pessoas com alergia grave a ovo, sistema imunológico imaturo (crianças abaixo de nove meses) ou comprometido (imunodeprimidos), em razão da idade ou de doenças debilitantes. É a mesma vacina utilizada desde o ano de 1937. O que se configura em um exemplo típico do que ocorre com as chamadas doenças negligenciadas, que afetam sobretudo países pouco desenvolvidos e populações de baixa renda e condições inadequadas de vida, uma vez que laboratórios privados pouco investem para aprimorar sua tecnologia de produção. Em que pese isso, é preciso enfatizar que a vacina é segura e eficaz, seja usando a dose completa ou fracionada.
A dose completa confere imunidade duradoura e a fracionada requer reforço vacinal após oito anos. Uma questão relevante a considerar é se o país dispõe de estoque suficiente de vacina para proteger toda a população, pois em situação de endemia a estratégia de bloqueio em áreas de maior risco é insuficiente para impedir o avanço da doença na forma silvestre e que voltemos a conviver com a febre amarela urbana. Recomenda-se, então, que toda a população seja vacinada, exceto naquelas situações em que não é aconselhada ou em que o risco de ocorrer um acidente vacinal supera o de a pessoa adquirir a doença.
O uso de doses fracionadas sugere que há insegurança dos governos quanto à disponibilidade de vacina em quantidade suficiente para imunizar o conjunto da população, lembrando que são poucos laboratórios que a produzem e seu uso se estende a outros países. Dessa forma, requer-se transparência por parte do Ministério da Saúde, das Secretarias de Estado e das Secretarias Municipais de Saúde sobre o estoque existente, nossa capacidade de produzi-la em escala a partir de laboratórios públicos e de adquiri-la no mercado.
Ao lado disso, é preciso intensificar o combate aos mosquitos vetores ou potencialmente transmissores dessas arboviroses. Para tanto, urge recompor as equipes de combate a endemias e zoonoses, retomar a Estratégia Saúde da Família e ações de Atenção Básica, que vêm sendo abandonadas pelos governos Temer e Alckmin, na medida em que não atuam de modo solidário aos municípios e deixam de realizar concursos públicos, instituir planos de carreira, formar trabalhadores especializados, propiciando-lhes remuneração condigna e condições adequadas de trabalho para as ações de promoção, prevenção e combate a vetores.
A lógica que prevalece hoje é a da terceirização da contratação de pessoal e de promover gestão privada de serviços, territórios e sistemas por meio de Organizações Sociais e outras modalidades de contratos. Como foi possível termos sido pegos de surpresa com a migração de mosquitos contaminados pelo vírus e de casos de febre amarela silvestre da região Norte do país em direção a Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Bahia sem que providências tivessem sido adotadas a tempo? Faltaram planejamento e prioridade às ações de saúde pública? Por que não houve vacinação em massa nos estados vizinhos, sobretudo em zonas rurais, e agilidade nas providências?
As pessoas também perguntam o que poderia ter sido feito para evitar que o vírus, circulando entre macacos, chegasse novamente bem próximo a grandes conglomerados urbanos? O combate aos mosquitos foi inadequado? No estado de São Paulo, os poucos casos urbanos e as mortes confirmadas decorreram de febre amarela silvestre adquirida no entorno das cidades. Parques estaduais e municipais foram fechados em razão de macacos encontrados mortos. Se houvesse sido realizada a vacinação da população mais vulnerável a tempo e intensificado o combate aos mosquitos nos estados vizinhos, nas matas e regiões urbanas com a utilização de equipes volantes, o risco hoje nas regiões urbanas seria certamente menor. Sobre fatores que também podem ter influenciado o aumento do número de casos citam-se em estudos acadêmicos ao lado da baixa imunização da população, entre outros, influência do clima, relação com o desastre ecológico de Mariana, uso de agrotóxicos em larga escala e ampliação da fronteira agrícola do país.
Monitoramento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo mostra que o deslocamento dos casos de febre amarela silvestre em macacos e humanos em direção à Mata Atlântica e ao litoral do estado se faz em velocidade maior que a esperada e que, mesmo assim, a procura por vacinas permanece bem abaixo do desejável. Assim, urge mobilizar a sociedade para que, consciente da gravidade da doença e da situação epidemiológica, atue junto ao Poder Público para a adoção das medidas de prevenção e dos cuidados preconizados. Tarefa para qual os meios de comunicação podem cumprir importante papel.
A vigência da Emenda Constitucional 29, que congela por vinte anos os gastos em saúde e outras políticas sociais, o subfinanciamento crônico do SUS e a não execução dos orçamentos anuais autorizados pelos parlamentos para as ações de vigilância em saúde, como ocorreu no ano de 2017 no estado e no município de São Paulo, são fatores agravantes, mostrando que ao lado da pouca importância dada por esse governo à saúde pública, é forçoso reconhecer que a situação atual decorre de estratégias equivocadas, incompetência administrativa e falta de compromisso com o SUS, com as universidades públicas e instituições de pesquisa.
Especialistas, técnicos renomados, pesquisadores experientes, gestores competentes, trabalhadores dedicados, cidadãos atentos e órgãos de comunicação que exercem o controle público alertaram que programas importantes dos governos Lula e Dilma estavam sendo interrompidos e que a epidemia de dengue era apenas um sinal de que haveria outras situações tão ou mais preocupantes, uma vez que experiências internacionais mostram que até mesmo o Aedes albopictus deve ser monitorado. Agora é preciso correr atrás do prejuízo! E o Ministério da Saúde ora diz que a situação está sob controle, bastando vacinar os que estão sob maior risco, ora fala em vacinar a população em geral.
Ocorre que há uma lógica perversa em que certos mandatários e gestores – sem qualificação para os cargos que ocupam – colocam-se prioritariamente a serviço de grupos econômicos e de interesses privados, privilegiando compromissos partidários com quem os indicou, buscando vantagens eleitorais e pessoais em detrimento do interesse público e do respeito às diretrizes e princípios de sistemas universais, como o SUS. De forma irresponsável contribuem para jogar na lama a reputação daquele que é mundialmente reconhecido como sendo um dos mais avançados, equânimes e bem-sucedidos sistemas públicos de saúde, que sempre teve elevado reconhecimento pelas ações de relevância pública que sempre realizou com grande competência, como é o caso das ações de vacinação.
Necessário, portanto, acionar já os Ministérios Públicos e a Justiça para haver a responsabilização objetiva, pessoal, desse tipo de mau gestor e, por ocasião da elaboração de programas de governo para as eleições de 2018, deixar claro que não entregaremos cargos estratégicos como os da área da saúde para a política de governabilidade e que vamos prover esses cargos com profissionais que tenham afinidade com o SUS e estejam dispostos a trabalhar por novo tipo de pacto federativo, que exige a instalação de instâncias de governança regional, voltadas ao planejamento, e tomada de decisões de modo compartilhado entre estado, municípios e sociedade organizada, de maneira a superarmos a autossuficiência e o agir autoritário daqueles que acham que o acesso a cargos de direção, seja por meio de golpes ou mesmo em decorrência de vitórias eleitorais, lhes dá o direito de concentrar decisões, prescindir da inteligência alheia e da participação social.
Carlos Neder é médico formado pela USP, mestre em Saúde Coletiva pela Unicamp, foi secretário Municipal de Saúde de São Paulo (governo Luiza Erundina, 1990-92) e atualmente exerce mandato de deputado estadual pelo PT

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Vencer tabu é forma de prevenir riscos de suicídio

Conversa franca, escuta e diagnóstico correto de depressão são defendidos por especialistas em debate público na Assembléia Legislativa.



A subnotificação de casos de suicídio no Brasil é estimada em 40%
A subnotificação de casos de suicídio no Brasil é estimada em 40% - Foto: Sarah Torres
Enquanto países desenvolvidos conseguiram reduzir em até 20% a mortalidade por suicídio nos últimos dez anos, por meio de campanhas de prevenção, no Brasil os casos de suicídio aumentaram em 20% no mesmo período. Esse cenário pode ser ainda mais grave porque haveria uma subnotificação de casos no País, estimada em 40%, conforme alertou nesta segunda-feira (25/9/17) o psiquiatra Humberto Correa da Silva Filho.
Ele foi um dos palestrantes do Debate Público Suicídio: Como Prevenir, realizado pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) dentro da campanha Setembro Amarelo.
Para reverter esse quadro, Humberto Filho (confira documento da apresentação feita pelo palestrante) e demais convidados ressaltaram a importância de campanhas de conscientização, de saber escutar o outro e de profissionais de saúde serem capacitados para lidar com o assunto.
"No Brasil o suicídio ainda é tratado com tabu, como um estigma ou uma vergonha que se tem que esconder. Por isso não temos uma campanha pública de prevenção até hoje, mesmo sendo um problema de saúde pública", afirmou o especialista, que é vice-presidente da Associação Mineira de Psiquiatria e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Segundo Humberto Filho, morre-se mais por suicídio do que por HIV
Segundo Humberto Filho, morre-se mais por suicídio do que por HIV - Foto: Sarah Torres
Para o psiquiatra, é preciso que a sociedade entenda que 100% dos suicídios envolvem uma doença mental e que, portanto, não ocorre por vontade própria, para chamar atenção ou por fraqueza, como ainda preconizaria o senso comum.
“Hoje, morre-se mais por suicídio do que por HIV, mas há uma desproporção no que se investe, se ensina e se fala de um e outro”, exemplificou Humberto Filho, ao defender que a prevenção do suicídio entre de fato na agenda do País, com investimentos em pesquisas, formação de profissionais para lidar com a questão e campanhas de conscientização.
Exemplos - Apesar do quadro que expôs, o especialista apontou como positivas no Brasil iniciativas como a campanha Setembro Amarelo, que vem sendo realizada nos últimos três anos, e trouxe ao debate ações de sucesso em outros países, sobretudo aquelas que atuaram para restringir o acesso a métodos letais mais usados para o suicídio.
Escuta e formação em saúde podem prevenir casos
O deputado Antônio Jorge (centro) disse que o suicídio é a terceira causa de morte evitável no mundo
O deputado Antônio Jorge (centro) disse que o suicídio é a terceira causa de morte evitável no mundo - Foto: Sarah Torres
O deputado Antônio Jorge (PPS), que solicitou o debate, frisou que o suicídio é a terceira causa de morte evitável no mundo, como também mostrou estudo feito em Minas. "Não existe depressivo que não pense na morte, mas não há um protocolo sobre essa investigação do risco. É nosso papel repensar isso e ter a coragem de falar de morte", defendeu o parlamentar.
Sobre o papel da mídia na questão, o jornalista Carlos Viana afirmou que, ao contrário do que se fala, não há restrição legal a que a imprensa aborde o suicídio, e sim uma cultura que ainda trata o assunto como algo individual ou restrito ao âmbito da família.
Defendendo que o suicídio seja abordado pela mídia do ponto de vista da saúde pública, Carlos Vianna disse que o mesmo deveria ser feito sobretudo pelos jornalistas governamentais, assim como em campanhas públicas.
O publicitário Maurilo Andreas, por sua vez, sugeriu que as pessoas usem as redes sociais de forma mais solidária e prestando atenção ao outro. "As redes sociais são amplificadoras da voz que já existe. Mas não há escuta. Por que não usá-las para também ouvir o que o outro está dizendo e no privado procurar saber se está tudo bem", destacou.
Diagnóstico de depressão reduziria casos
A professora da UFMG, Maila de Castro Lourenço das Neves (apresentação), alertou, por sua vez, que o pensamento sobre o suicídio é de duas a três vezes mais prevalente em pacientes com doenças graves não psiquiátricas, a exemplo do câncer.
Maila afirmou que estudar essa população ajuda a delimitar fatores de riscos, assim como investir em formação profissional. Segundo ela, metade dos doentes graves que morrem por suicídio foi a um médico de família no mês anterior, sem que o assunto tivesse sido abordado na consulta, o que mostraria a importância da formação.
"Os médicos alegam que perguntar estimula, mas no fundo não sabem o que fazer com a resposta", avaliou. De acordo com Maila, até um quarto dos pacientes com doenças graves não psiquiátricas desenvolve quadros de depressão, agravando os riscos de suicídio.
Da mesma forma, o geriatra Gustavo Nogueira Cardoso (apresentação), do Hospital das Clínicas da UFMG, afirmou que 90% dos 120 suicídios envolvendo idosos em Belo Horizonte e na Região Metropolitana entre 2009 e 2012 envolveram algum grau de depressão subtratada ou subdiagnosticada. "É preciso ter maior atenção à sintomatologia e oferecer um tratamento correto do idoso", destacou.
Drogas - O uso de drogas eleva em quase dez vezes a chance de suicídio, mas esse dado ainda é negligenciado. Com essa fala, o coordenador do Centro Regional de Referência em Drogas da UFMG, Frederico Duarte Garcia (apresentação), se mostrou preocupado com o fato de que o consumo de drogas, lícitas ou ilícitas, causar modificações no cérebro em formação dos adolescentes.
"É preciso reverter esse papel de exposição ao risco em vez de um papel preventivo da família", defendeu ele, que abordou o suicídio em populações especiais.
Fonte: ASCOM da Assembléia Legislativa de Minas Gerais

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Casos de Malária preocupam população de Diamantina e municípios vizinhos

Um surto de malária identificado no município de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, trouxe alerta para as autoridades sanitárias estaduais e preocupa a população. No dia 19 de dezembro foram confirmados pelos técnicos da Secretaria de Estado de Saúde (SES) seis casos de pessoas infectadas pelo Plasmodium vivax, uma das seis espécies de protozoários que infectam o homem com a doença e o mais comum dos micro-organismos.

Antes de Diamantina, todo o estado de Minas Gerais havia registrado oito casos em 2016. No ano de 2015 inteiro, foram apenas três, sendo que o último tratado em Diamantina foi em 2012 segundo o Datasus. O local que é tratado pela Diretoria de Vigilância Ambiental/Superintendência de Vigilância Epidemiológica Ambiental e Saúde do Trabalhador/Subsecretaria de Vigilância e Proteção à Saúde como o Local da Provável Infecção (LPI) é o garimpo de Areinha, que fica a 140 quilômetros do centro de Diamantina e tem uma população que chega a 2 mil garimpeiros, muitos deles vivem na sede do município.
Todos os doentes estão sendo tratados com medicamentos específicos contra a malária, mas já receberam alta da Santa Casa de Misericórdia de Diamantina. “A área de alerta inicial são os (10) municípios de Diamantina, Couto Magalhães de Minas, sob jurisdição da SRS de Diamantina e Olhos D’Água da SRS de Montes Claros de acordo com as informações preliminares da equipe da SES/MG que encontra-se no local”, informa o alerta sobre o caso divulgado pela SES. O Garimpo Areinha é formando por pequenos garimpos que se estendem por 40 quilômetros ao longo do Rio Jequitinhonha. Não é uma atividade legalizada, pois o rio é tombado naquele trecho, mas há uma disputa judicial que envolve até mesmo questões humanitárias, dada a situação precária em que as famílias de garimpeiros que trabalham no Areinha vivem.







Já foram alertados todos os municípios de limite com o município de Diamantina e as áreas de municípios que possuem divisa ou estão ao longo do rio Jequitinhonha onde há atividade do garimpo. A nova equipe da prefeitura de Diamantina marcou para hoje uma reunião com a SES para se colocar a par das medidas que podem ser tomadas para garantir a segurança da população e o tratamento de possíveis doentes.
Até o momento, segundo o último informe da SES, houve o deslocamento de equipe para investigação e busca ativa de casos no local provável de infecção. Profissionais de saúde dos municípios estão sendo capacitados para o diagnóstico da malária. Medicamentos, kits diagnóstico e de medicamento específico e insumos para o tratamento dos casos estão sendo enviados, bem como material informativo sobre a malária para ser distribuído na área do provável local de infecção.
Está previsto também a adoção de medidas imediatas de prevenção e controle da malária no local, entre elas a borrifação com inseticidas dos LPI. Foi emitido também um alerta para todas as Unidades Regionais de Saúde e para o Ministério da Saúde alertar outros estados sobre a transmissão da malária na área de Garimpo de Areinha, já que há trabalhadores de várias regiões do estado e do país naquele local. Uma videoconferência para os profissionais de saúde sobre a vigilância e tratamento da malária também foi agendada para todas as Unidades Regionais de Saúde.







Observação: Dos 8 casos onde o local provável de infecção foi Minas Gerais (autóctones), um caso (1) foi notificado no município de Lima Duarte em 2015, um caso (01) foi em Simonésia e 6 (seis) foram notificados na área do Garimpo de Areinha ( SRS de Diamantina) no ano de 2016.







Informações sobre a doença
A malária é uma doença febril aguda. Tem como agentes etiológicos o Plasmodium falciparum, P. vivax, P. malariae, P. ovale e P. Knowlesi. Das cinco espécies causadoras da malária humana, o Plasmodium falciparum, o mais letal, e o Plasmodium vivax, são os mais comuns no Brasil. Em poucos dias de infecção o P. falciparum propicia quadro grave, por isto, todo suspeito de malária deve, de imediato, ser submetido ao exame laboratorial. Já o Plasmodium vivax apresenta um quadro de clínico mais brando, de febre, mal estar, cefaleia, porém se não tratado o paciente pode levar a complicações e óbitos.
Os sintomas iniciais são comuns as diferentes espécies de plasmódio. O quadro cínico típico é caracterizado por febre, calafrios, fraqueza, cefaleia, mal estar, o que pode depender das espécies de Plasmodium.
É necessário o exame laboratorial, além disso, avaliação do histórico de deslocamento do paciente suspeito como o diagnóstico diferencial nos casos com febre, particularmente naqueles com história de viagens a área de risco.
O diagnóstico correto só é possível pela demonstração do parasito, ou antígenos relacionados no sangue periférico do paciente. Pela organização Mundial de Saúde (OMS) o exame da gota espessa de sangue é considerado padrão ouro. O teste rápido auxilia, no diagnóstico inicial.
O diagnóstico está descentralizado no estado de Minas Gerais nas Unidades Regioanis de Saúde:
- Unidade Central da SES/MG: Faculdade de Medicina da UFMG. Av. Alfredo Balena, 190.
- URS do estado de Minas Gerais: Locais que realizam o exame: www.saude.mg.gov.br/malaria
O tratamento da malária é realizado segundo a espécie de plasmódio infectante pela especificidade dos esquemas terapêuticos, gravidade do caso e idade do caso.
Segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (MS), o início do tratamento deve ser em tempo oportuno (em até 48 horas do início dos primeiros sintomas) e tem cura.
No Brasil, o P. vivax é a espécie predominante do país, mas com menor gravidade do que o P. falciparum, que é o mais letal.
A malária ocorre de forma endêmica, principalmente na região norte do Brasil (nos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), em outros países amazônicos, no continente africano e outras áreas tropicais.
No Brasil, existe transmissão residual de malária no Piauí, no Paraná e em áreas de bioma da Mata Atlântica nos estados de São Paulo, Rio de janeiro, Minas Gerias e Espírito Santo (Brasil. MS/SVS/Guia de Vigilância em Saúde, MS, 2016). Nessa área não endêmica, (a região extra-amazônia), o Brasil registra menos de 1% do total de casos do país. Porém, a letalidade por malária, é até 100 vezes maior do que a detectada em área endêmica.
Fonte: Estado de Minas e SES-MG

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Municípios do Vale ganham prazo para instalar canil regional


O prazo está definido no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado, no último dia 2 de julho, pelos prefeitos dos municípios de Capelinha, Angelândia e Água Boa.

Foto: arquivoMunicípios do Vale ganham prazo para instalar canil regional
Cães soltos em vias públicas estão causado transtornos em várias cidades da região
As prefeituras de Angelândia, Capelinha e  Água Boa, no Vale do Jequitinhonha (MG) têm até o dia 29 de dezembro  para instalar o Centro de Controle de Zoonoses, que vai funcionar como canil para tratar e castrar cães e gatos de rua.


O prazo está definido no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado, no último dia 2 de julho, pelos prefeitos das três cidades envolvidas: Angelândia, Capelinha e Água Boa.

O documento determina 180 dias para a construção da estrutura física do canil. O projeto inicial previa o gasto de R$70 mil com a obra, além de uma verba mensal para a manutenção.  Agora serão feitas as adequações para atender á demanda também de Água Boa e Angelândia.


Todas as despesas serão rateadas entre as três prefeituras. O lugar escolhido para abrigar o canil foi Resplendor, mas o terreno, no entanto ainda não foi definido.

sábado, 1 de junho de 2013

Cidades do Vale do Jequitinhonha se unem para construir canil

Para os prefeitos , a construção de um único canil para atender a demanda das três cidades foi a melhor solução encontrada para resolver o problema da cachorrada sem dono espalhada pelas ruas

Angelândia, Capelinha e Água Boa no Vale do Jequitinhonha (MG) estão sofrendo com a situação de cães soltos pelas ruas. Os animais não possuem donos e permanecem nas ruas  causando transtornos com o lixo, o trânsito e a possibilidade de ataque aos transeuntes.
  
Visando solucionar a questão,  os prefeitos Thiago Pimenta de Angelândia, Zezinho da Vitalina de Capelinha, Elimárcius de Água Boa, firmaram uma parceria para a construção de um canil,  já que, segundo eles, trata-se de um problema comum das três cidades.
A reunião realizada na terça-feira (28) em Capelinha,  contou com a participação do promotor da Comarca,  Cristiano Moreira.

O acordo, respaldado pelo Ministério Público da Comarca de Capelinha, prevê a construção do canil em área que facilite e encurte a distância para o transporte de cães soltos pelas ruas das três cidades consorciadas. Além disso, a construção do canil através de parceria,  possibilitará o rateio dos gastos com a obra, gerando economia e benefícios aos três municípios.

A previsão é que o canil seja construído no distrito de Resplendor, povoado na divisa de Água Boa e Capelinha, sendo uma escolha dos próprios prefeitos.

Para os prefeitos , a construção de um único canil para atender a demanda das três cidades foi a melhor solução encontrada para resolver o problema e eliminar o risco de ataques ou doenças, proporcionar tratamento e alimentação aos animais e garantir maior segurança e tranquilidade aos moradores das três cidades.


O Prefeito de Angelândia, Thiago Pimenta, acredita que a melhor alternativa para o desenvolvimento dos municípios é a união.
"É preciso uma aliança entre os municípios, para que vejamos quais são os problemas que temos em comum, e buscar uma forma conjunta de minimizar custos e  resolve-los." – disse ele.

Fonte: capelinha.net