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quinta-feira, 23 de abril de 2020

Zema, um governador omisso

Governador Zema diz que respeita a autonomia dos prefeitos para ...
Um governador omisso




Tudo bem que Romeu Zema foi eleito governador de Minas Gerais no susto, mas devia ter sido responsável o suficiente para não aceitar uma situação para qual não estava preparado. Ou, segundo seus próprios termos, “estar recusando o cargo”. No entanto, escolheu a pior forma de se eximir de suas atribuições: não governa de fato.
São muitos os exemplos de sua inépcia, ineficácia e inaptidão para a tarefa. Único representante do Partido Novo à frente de um executivo estadual, Zema chegou com a bandeira do desprezo pelo setor público e a voracidade em privatizar tudo. O discurso que o elegeu se tornou o mantra de sua sustentação: atacar o governo que saía.
O que tinha a oferecer era a experiência com suas lojas e postos de gasolina. Para isso, a tarefa de liderar o setor público foi traduzida na lógica do comércio de miudezas: acertar as contas, administrar pessoal e facilitar a vida do empresariado. Tudo para que ele continuasse com seus negócios em paz, com isenções na medida do possível e sem empecilhos burocráticos. E, é claro, privatizar tudo. Nada de projetos para educação, saúde, transporte, segurança, habitação e cultura. O mínimo de Estado.
romeu zema governador mg

"Assim como o presidente, Zema parece olhar o presente com olhos insensíveis postos no depois de amanhã: mortes inevitáveis e lojas abertas" - Gil Leonardi / Imprensa MG
Jogado no colo de uma função para a qual não tem estatura, Zema tinha ainda como dificuldade a falta de uma turma para chamar de sua, na política e na gestão. Tentou apostar no falso discurso da meritocracia, com processos seletivos entregues a empresas privadas de RH que viram aí um filão original, uma cunha para expandir seus projetos em direção ao setor público, cada vez mais lucrativo no mercado convulsionado do desemprego e da panaceia dos concursos públicos. Há quem diga que eles trabalharam de graça.
Tudo jogo de cena. O governador acabou por se render aos políticos de sempre, às indicações de regra e aos compromissos habituais. Montou uma máquina de pessoas inexperientes e, para piorar, sem qualquer habilidade de negociação, o que o isolou ainda mais no concerto dos poderes, desagradando bancadas, corporações e até mesmo aliados de seu próprio partido que, muitas vezes, votaram contra ele em projetos estratégicos.
Já nos primeiros testes, o novo gestor disse a que veio. Teve atuação vergonhosa no crime da Vale em Brumadinho, atuando como defensor da empresa e da continuidade de sua ação deletéria em termos ambientais, econômicos e humanos. Não foi capaz de demonstrar empatia nem de apontar um reordenamento racional da atividade mineradora. Nem mesmo uma ação dura de fiscalização, acompanhamento e cobrança de responsabilidades.
Com as pesadas chuvas que caíram sobre o estado, repetiu sua atuação de sobrevoo. Se apegou à crise fiscal (tudo é motivo para assacar sua obsessão por contas que não fecham e cobrança do governo anterior) e aprofundou os laços de vassalagem ao governo federal, como menino incapaz de assumir responsabilidades, sempre dependente do irmão mais velho.
Mais uma vez faltou competência e compaixão, não assumiu o papel de líder, não deu a mão, não ofereceu inteligência, nem abriu o caixa. Sempre inadequado em suas manifestações públicas de insensibilidade, Zema dessa vez se excedeu. Queixou-se, ao vivo na TV, de ter sujado os sapatos. Sua imagem, entretanto, já estava enlameada.
Saindo da rota das grandes tragédias naturais e crimes ambientais, o governador preferiu trocar o papel de formulador de políticas sociais pelo de contador geral da caderneta de dever/haver do estado. Na educação, extinguiu dezenas de milhares de vagas de ensino integral. Confessou desconhecer a Fundação Ezequiel Dias (Funed), a mais antiga referência em saúde pública de Minas Gerais. Jurou de pés juntos entregar a Cemig e a Copasa ao mercado.  
Sempre que o governador vem a público, o cidadão mineiro já sabe o que esperar: vai falar do atraso da escala de pagamento de servidores, de 13º salário e reafirmar a submissão ao projeto do governo federal em manietar o desenvolvimento de Minas, impedindo investimento, congelando salários de servidores e privatizando estatais. O grande projeto de Zema é não fazer. O plano de recuperação fiscal é seu sonho de consumo para ficar quieto esperando a chuva passar.
A atual situação da pandemia da covid-19 poderia dar ao governador a chance de se redimir da mediocridade que expressou até agora. No entanto, o que os mineiros estão vendo é confirmação de uma rota de equívocos, a sedimentação de um comportamento de fuga à responsabilidade e a ausência do propósito de liderar esforços e propor uma atuação conjunta com a sociedade e os municípios. Parece ter assumido o lugar de espectador, torcendo para que tudo passe logo.
Chegou, no olho do furacão da pandemia, a ir a Brasília para conversar com Bolsonaro, mas tratou apenas da dívida do estado, como se o novo coronavírus fosse apenas um detalhe. E para mostrar que além de saúde não entende nada de política, trouxe na bagagem seu apoio explícito aos devaneios ditatoriais de Bolsonaro, recusando duas vezes se aliar aos seus pares governadores. Antes do galo cantar, deve negar a democracia pela terceira vez.
De volta para casa, tem falhado na montagem de uma estrutura de isolamento social, de testagem, de atendimento clínico, de proteção dos profissionais de saúde e de garantia de condições de vida para a população. Os dados são aparentemente inconfiáveis, com uma desproporção absurda ente casos suspeitos e confirmados. Não se trata de uma divergência razoável, mas que chega a quase dez vezes.
Minas Gerais testa pouco e Zema disse que não há dinheiro para testar mais, quando todos os estados anunciam programas na área. A instituição que deveria receber investimento para os testes, a Funed, no entanto, não faz parte do repertório de conhecimento do governador. A irresponsabilidade da negação em expandir os exames (deveria se esforçar para fazê-los e não descartar sumariamente a orientação da OMS), sugere a intenção de esconder a situação real da doença.  
Num estado que tem hospitais apenas em cidades-polo, ele não se prontificou a organizar uma rede de atendimento regionalizada, a partir da fundação hospitalar do estado, a Fhemig. Não investiu em hospitais de campanha, como temos visto em outras regiões (chegou a dificultar a criação de uma unidade da PBH no Mineirão, administrado pelo estado), não treinou ou convocou profissionais de saúde. Não se tem notícia da compra de respiradores e outros insumos imprescindíveis, como temos visto em muitos estados, que se mobilizam heroicamente para buscar as máquinas que podem salvar vidas de seus cidadãos. Usa os dados preliminares, aparentemente tranquilizadores, como biombo para sua inação. Diz que Minas fez seu dever de casa, quando na realidade, até hoje, ele não protagonizou nenhuma ação.
Sua única atitude assertiva tem sido a que aponta para a saída do isolamento social. O gestor tem pressa em retomar as atividades econômicas, em abrir o comércio, em ver as pessoas circulando nas ruas. Anunciou a divulgação de protocolos de flexibilização e chegou a comemorar o fato de que as UTIs do estado estão subutilizadas para covid-19. Dados, novamente confusos, que vão de 3% a 86% de acordo com a fonte e a região do estado. O otimismo nunca é o melhor conselheiro em matéria de epidemiologia. A morte é irreversível.
Seus números e opiniões sobre questões referentes à doença já receberam repetidas censuras de especialistas e cientistas. Assim como o presidente, Zema parece olhar o presente com olhos insensíveis postos no depois de amanhã: mortes inevitáveis e lojas abertas. A defesa do falso dilema entre economia e vida apenas esconde a incapacidade de explicitar que o que está em jogo é a oposição entre o lucro ou as pessoas.
Nessa cruzada em direção à insensatez, o gestor estadual convocou professores para voltar às escolas sem qualquer planejamento prévio de trabalho a ser feito. Foi impedido pela Justiça, mas deve voltar à carga. Não é um modo de valorizar a educação das crianças que estão em casa, mas de se vingar de uma categoria que tem sido crítica ao governo. O movimento seguinte foi ameaçar com o atraso do pagamento. Em alguns momentos a ruindade rima com a maldade.
A democracia permite, ao longo do tempo, a correção dos rumos e o novo julgamento das propostas de governo, dos projetos para a sociedade, da definição de caminhos para a economia e do caráter dos governantes. Em alguns momentos, contudo, esse otimismo da história padece de um momento sem volta. A omissão, quando se trata da vida, pode ter consequências aterradoras e irreversíveis. 
*João Paulo Cunha
João Paulo Pinto da Cunha nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 17 de maio de 1959. É formado em Psicologia, Pedagogia, Filosofia e Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Iniciou sua carreira jornalística em 1989, como Assessor de Imprensa da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, onde trabalhou durante oito  anos.
De 1996 a 2014, trabalhou no jornal Estado de Minas. Assumiu o cargo de Subeditor do caderno Gerais.  Posteriormente, foi promovido a Editor  do caderno de Cultura e do suplemento Pensar. Após 18 anos como editor de Cultura, pediu demissão quando foi impedido de escrever sobre política na coluna que assinava semanalmente. 
Desde 2015, é colunista semanal do jornal Brasil De Fato  - MG.
Foi diretor do BDMG Cultural, de 2015 a 2018.
Publicou os livros “Elomar – O Cantador do Rio Gavião” , “Em busca do tempo presente”, lançado em 2011,  com ensaios publicados no Suplemento Pensar e "Penso, logo duvido", lançado em 2019, com ensaios/artigos publicados nos jornais..
Sempre buscou defender em seus textos a necessidade de praticar um jornalismo reflexivo e crítico, sem deixar de lado a boa informação.
João Paulo também atuou como pesquisador da Escola de Saúde Pública de Minas Gerais e foi professor da PUC Minas e do Centro Universitário Newton Paiva nas áreas de psicologia, ética e sociologia.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Zema é o Novo Governo de velhos tucanos

Zema, o Novo Tucanato
por Marco Aurélio Carone, no Novojornal
Secretariado do governo Zema e seus líderes na Assembleia comprovam que o Novo é o velho PSDB mineiro.

Veja quem são.

Nossa matéria “Zema. O Cavalo de Troia”, publicada em 29 de janeiro último, informava a unanimidade entre os analistas políticos de que a eleição de Romeu Zema para o governo de Minas Gerais só ocorreu em função de sua apresentação no período eleitoral como não politico, além da promessa de não adotar em seu governo o fisiologismo dos “finórios tradicionais”. Em síntese um novo modelo de governar.

Confira aqui:

E que, em função de suas decisões e escolhas, os mesmos analistas entendiam que o governador e seu partido foram utilizados estrategicamente por antigas lideranças politicas mineiras, ciente da insatisfação da população com seus nomes e praticas.

Fatos que vinham causando, além de decepção aos eleitores, a morte prematura das carreiras dos parlamentares eleitos em função da proposta do partido Novo.

Houve grande manifestação de internautas eleitores do Zema ou militantes do Novo, insatisfeitos com a sutileza da matéria, que passaram a cobrar do Novojornal, que fossem citados nomes e casos concretos.

Já tínhamos os nomes, porém esperávamos a posse dos deputados estaduais eleitos, o retorno dos trabalhos legislativos, assim como a apresentação da reforma administrativa para satisfazer os internautas leitores.

Constatamos que o desconforto com a situação tinha sido maior. Tanto que, na última terça-feira (05.02) o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), mostrou-se incomodado com as críticas que têm recebido por nomear para o primeiro escalão do governo pessoas que sabidamente são tucanas ou atuaram na gestão do PSDB à frente do Governo do Estado de Minas Gerais.

Ao ser questionado se a ex-secretária de Planejamento do governo tucano Renata Vilhena continuaria prestando serviços para o Estado, Zema não respondeu, disse que ia ao banheiro e não voltou.
O jornal O Tempo, dias antes, noticiara que Vilhena fora contratada por meio da Fundação Dom Cabral (FDC), para prestar serviços para o Estado, e que participara ativamente na elaboração da reforma administrativa apresentada.

A questão relativa a Renata Vilhena, na verdade vinha servindo para tirar o foco da participação maciça de outros integrantes, comprometidos ou participante de governos anteriores do PSDB na gestão de Romeu Zema. Ficando difícil para o governador negar o fato, principalmente após informar a redução do número de pastas de 21 para 12.
Dos 12 secretários, 8 participaram das administrações do PSDB ou são comprometidos com o partido. 
Este número amplia-se para 9 somando a “consultora”, Renata Vilhena, que atuou desde 2003 no denominado “Choque de Gestão”. Primeiro, como Secretária Adjunta de Planejamento e Gestão até dezembro de 2006, quando passou a ocupar a titularidade da Pasta após a candidatura do então Secretário Antônio Anastasia a Vice-Governador do Estado, onde permaneceu nos governos Antônio Anastasia e Alberto Pinto Coelho.

Merece destaque que o vice de Zema, Paulo Brant, foi escolhido pessoalmente por Andréa Neves em 2008, para ocupar a Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, após exoneração da Secretária Eleonora Santa Rosa, amiga de Andréa, que deixava enorme passivo de irregularidades. Oriundo do BDMG, Brant fez uma gestão voltada apenas para corrigir as irregularidades praticadas por Santa Rosa.

Integram hoje o primeiro escalão do governo de Romeu Zema (Novo ou o velho PSDB):
Secretário de Governo, Custódio Mattos, que foi secretário de Desenvolvimento Social durante governo Aécio Neves (PSDB).

Secretário Adjunto de Governo, José Geraldo Oliveira Prado, ex Secretário em 2014, é funcionário de carreira da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais onde chegou a secretário-geral da Mesa, homem de confiança do ex governado Alberto Pinto Coelho.

Secretário da Saúde, Wagner Eduardo Ferreira foi Secretário adjunto da mesma Secretaria de Saúde no Governo Anastasia (PSDB)

Secretário de Planejamento e Gestão, Otto Alexandre Levy Reis, foi dirigente da Magnesita Refratários e da entidade “Gente e Gestão”, que tem como maior cliente a Ambev, pertencente a Jorge Paulo Lemann, um dos principais financiadores da campanha de Aécio Neves (PSDB) a presidência da República em 2014.

Secretário de Desenvolvimento Econômico, Manoel Vítor de Mendonça Filho, foi vice-presidente da Gerdau/ Açominas, uma das maiores financiadoras das campanhas politicas do PSDB.

Secretário de Meio Ambiente, Germano Luiz Gomes Vieira, foi diretor de Prevenção e Combate à Corrupção da Controladoria-Geral do Estado de Minas Gerais, na gestão do PSDB, ocupando a seguir a Secretaria de Meio Ambiente na gestão do PT.

Secretário de Infraestrutura e Mobilidade, Marco Aurélio Barcelos, foi assessor jurídico e ex-diretor da Unidade PPP do Estado de Minas Gerais, executando a PPP da Rodovia MG-50 e do sistema prisional mineiro no governo do PSDB.

Secretaria de Educação, Julia Sant'Anna, integrante da Fundação Lemann, patrocinada por um dos principais financiadores da campanha de Aécio Neves (PSDB) a presidência da República em 2014.

Jorge Paulo Lemann, cotista, junto com Verônica Serra, filha de José Serra, do Fundo Innova. Ambos envolvidos no ruidoso caso da compra de 20% da Diletto, pequena sorveteria com faturamento de R$ 30 milhões, fundada em 2007 pelo empresário paulista Leandro Scabin. De acordo com alguns relatos, Lemann e Verônica Serra avaliaram a empresa em R$ 500 milhões.

O mais espantoso: Jorge Paulo Lemann é dono do Fundo de Investimentos Gera, que tem como objetivo a exploração privada do ensino no Brasil. A exemplo da “Escola Eleva”, em Botafogo, no Rio de Janeiro, onde cada aluno paga R$ 3.900 por mês.

Demonstrando querer manter em funcionamento o mesmo fisiologismo no trato com o Poder Legislativo, Romeu Zema escolheu como seu líder na Assembleia Legislativa o Deputado Luiz Humberto Carneiro (PSDB), eleito em 2002 e reeleito em 2006 e 2010.
Em 2005, foi escolhido, por unanimidade, como líder do PSDB na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, sendo reeleito para esse cargo por cinco vezes consecutivas (2005-2010). Também foi líder do maior bloco de apoio ao ex-governador Aécio Neves, o Bloco Social-Democrata (PSDB, PTB, PMN e PR), por quatro anos (2007-2010).

Nesta quarta-feira (06.02), desprezando os parlamentares do partido de Zema, o deputado Gustavo Valadares (PSDB), foi eleito líder do Bloco de Governo em apoio a Romeu Zema na Assembleia, composto pelos partidos, PSDB, PPS, PP, PSC, Avante, PSB, SD e PHS e Novo, com 21  parlamentares.

Nota da redação: Este levantamento diz respeito apenas ao primeiro escalão do Governo Zema e integrantes do Poder Legislativo.
Marco Aurélio Carone - Editor Novojornal - BH

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Zema nega o NOVO e se alia à velha política mineira


Novo é o novo PSDB.


Zema trai a confiança dos 
eleitores mineiros.

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Zema, o Cavalo de Tróia
Analistas políticos são unânimes na análise que a eleição de Romeu Zema para o governo de Minas Gerais só ocorreu em função de sua apresentação no período eleitoral como não politico, além da promessa de não adotar em seu governo o fisiologismo dos “finórios tradicionais”.
Em síntese um novo modelo de governar.
Hoje, em função de suas decisões e escolhas, os mesmos analistas entendem que ele e seu partido foram utilizados estrategicamente por antigas lideranças politicas, cientes da insatisfação da população com seus nomes e práticas.
Tal análise torna-se crível diante da desenvoltura e rapidez na adesão do governador ao modelo e método que combatia.
Este comportamento vem causando, além de decepção aos eleitores, a morte prematura das carreiras dos parlamentares eleitos em função da proposta do partido Novo.
Alguns destes, já deixaram claro que não concordam com a mudança de rumo, porém serão tragados pelo julgamento popular, por fazerem parte do mesmo partido do governador.
As decisões políticas de Zema deixam claro que a imagem passada durante a campanha de “não político” era irreal e a proposta do partido Novo uma utopia a serviço da mesma estratégia narrada por Homero, do artifício de Ulisses na guerra de Troia para invadir a cidade utópica.
Utopia, palavra grega que significa “lugar nenhum” e o rumo do partido Novo. Caminhando a passos largos para os braços de Hades, deus do mundo subterrâneo.
Pois, para o interior do governo do Novo caminham figuras sombrias, o que sobrou de pior na politica e administração pública mineira, que fatalmente, assim como fizeram no passado, saquearam as finanças públicas mantendo o povo mineiro escravo.
Evidente que soluções existiam. Bastava Zema convocar a qualificada mão de obra da Escola de Governo da Fundação João Pinheiro, referência nacional e internacional, assim como desse espaço no Legislativo para seus colegas de partido.
Indiscutivelmente, ele traiu a confiança depositada pelos eleitores mineiros no projeto que ele representava.
“A política ama a traição, mas abomina o traidor”.
A frase de Brizola trata de episódios no mundo político. Onde a busca pelo poder e pela salvação pessoal e econômica motivaram traições históricas no Brasil e no mundo.
No entanto, aqueles que traíram, por mostrarem sua baixa confiabilidade, dificilmente conseguiram alcançar o prestígio desejado.
Joaquim Silvério dos Reis, um português que vivia no Brasil Colônia, era coronel da cavalaria, fazendeiro, proprietário de minas de ouro e estava falido devido aos altos impostos cobrados pela coroa portuguesa.
Isso o levou a participar do movimento que ficou conhecido como “Inconfidência Mineira”, que tinha como objetivo libertar o Brasil do regime colonial.
Contudo, em 1789, ele delatou o movimento ao governador de Minas Gerais, o Visconde de Barbacena, em troca do perdão de suas dívidas e de alguns outros privilégios.
A traição levou todos os Inconfidentes à prisão e ao posterior enforcamento de Tiradentes.
A imagem de traidor perseguiu Silvério dos Reis durante o resto da sua vida e até após a morte: seu túmulo foi destruído por populares.
Publicado no NovoJornal, por Marco Aurélio Carone, no dia 29.01.2019

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Zema coloca Minas Gerais à venda

Minas Gerais S.A.

"Inspirado nas Casas Bahia, [futuro governador] enxerga o estado que o elegeu como uma futura Casas Minas Gerais" / Gil Leonardi / Imprensa MG
Minas Gerais vem sendo apontada como laboratório do Partido Novo
O governador eleito de Minas Gerais, Romeu Zema, do Partido Novo, se apresentou na eleição como um empresário de sucesso. Dono de lojas de eletrodomésticos, de sofás, financeiras populares e outros negócios, antes mesmo de tomar posse se desfez de parte de seu patrimônio, vendendo dezenas de postos de combustível para um grupo estrangeiro. Até aí, a decisão é dele, as empresas são dele e a lógica de mercado domina a racionalidade dos negócios.
No entanto, Zema defende levar o mesmo método para as empresas públicas, que não são dele, e que respondem por outra lógica que não a do mercado. Em entrevistas, tem apontado a necessidade de sanear empresas, como a Cemig, por exemplo, para aumentar seu valor de mercado, com o uso de práticas de austeridade. Não fala de energia, desenvolvimento, papel social e outras quimeras que estão na origem da estatal nos tempos de JK. O mesmo raciocínio já se ouve em relação a outras empresas públicas.
O governador eleito tem obsessão por caixa, certamente em razão de sua formação para o comércio de miudezas. Inspirado nas Casas Bahia, enxerga o estado que o elegeu como uma futura Casas Minas Gerais. Não falou nada ainda de saúde, educação, saneamento, segurança, cultura e outras áreas decisivas, que não fosse pelo viés do dever e haver. Há uma naturalização de todas as áreas da administração, como se houvesse um consenso sobre o que fazer, cabendo apenas passar a régua nas contas e demitir funcionários.
Zema, desde a campanha, rifando até mesmo o candidato de seu partido à presidência, deixou claro seu alinhamento com Jair Bolsonaro em matéria de economia. Sua aparente postura técnica e sucesso nas atividades empresariais o protegeria da contaminação com o lado escuro da força que emana do capitão reformado. Ele seria um bolsonarista em economia sem o bolsonarismo nos valores regressivos em costumes. A estratégia parece boa, já que daria ao governador eleito o conforto de técnico e a anistia moral.
No entanto, isso não é possível. Em matéria de Bolsonaro, o pacote é completo, como vem sendo evidenciado na composição do próximo governo federal. Nada é tão ruim que não possa piorar no dia seguinte. Podemos esperar para breve em Minas os acenos reacionários, o moralismo comandado pela teocracia sedenta de protagonismo, e o ataque aos direitos sociais a partir do desmonte dos serviços públicos. O militarismo ainda não surgiu no horizonte, mas nunca se sabe.
A ideia de gerir o setor público a partir dos métodos do mundo empresarial não se sustenta na história. Não se trata apenas de atitudes gerenciais distintas, mas de objetos diferentes que exigem ações também singulares. O Estado precisa de práticas fiscais competentes, mas não existe para dar lucro. O interesse público deve ser soberano e estratégico. A administração pública deve ainda obediência à vontade popular, sempre, e não apenas com a chancela da eleição. Democracia direta não é ideologia, mas determinação constitucional.
O mais importante não é a questão dos meios, mas dos fins. A escolha pela gestão empresarial tem como resultado a defesa de interesses também empresariais num contexto no qual eles não podem ser considerados prioritários. O Estado existe para servir aos cidadãos, não à economia de mercado. É sintomático como hoje, em toda a apresentação de políticas públicas, o grande objetivo é sempre “gerar empregos”. Não bons, mais e melhores empregos, como um dia se defendeu, apontando o círculo virtuoso que começa na valorização da educação e das condições gerais da economia, mas qualquer emprego.
A ideia de emprego, como um valor em si, parece dar conta de todos os problemas. Empregados, por exemplo, pressionam menos a saúde e a educação públicas. Se tudo der certo, podem comprar esses direitos na forma de serviços, acelerando ainda mais a roda da empregabilidade. O mesmo argumento serve para todas as áreas, como a segurança bélica, na qual vale tudo para que o trabalhador tenha tranquilidade para voltar para casa. Estamos a um passo de recuperar o crime de vadiagem no código penal. No julgamento moral, ele já está valendo.
Por isso, pelo incentivo ao emprego vale até mesmo abrir mão de direitos trabalhistas. Num paradoxo cruel, retirada de conquistas do trabalho é argumento para valorizar a perspectiva de emprego. Você decide: direitos ou emprego. Nunca emprego com direitos. A carteira de trabalho deixa de ser azul pelo verde-amarelismo da submissão voluntária. A picada aberta por Temer, com o aplauso das classes produtoras e dos tribunais (anti)trabalhistas se tornou uma avenida transitada por terceirizados e precarizados.
Minas Gerais vem sendo apontada como laboratório do Partido Novo, como um experimento que tem como objetivo mostrar que a ideia de gerir a máquina pública com os métodos do setor privado é a salvação da lavoura. Não é uma aposta apenas programática, mas pragmática. Se der certo, pode ser a plataforma para voos mais altos na próxima eleição para presidente. A participação de técnicos ligados ao setor empresarial deverá ser expressiva, formando uma frente para dar suporte ao estado. Minas será cada vez menos Gerais e mais S.A.
A defesa das empresas públicas, entre elas Cemig, Copasa, BDMG, Codemig e até mesmo a incipiente Empresa Mineira de Comunicação, formada pela Rede Minas e Rádio Inconfidência, é uma bandeira já posta na pauta de uma oposição responsável e de uma sociedade que precisa ficar atenta. Sem elas, não teremos serviços de energia, água e saneamento destinados ao cidadão (e sim ao consumidor), política de desenvolvimento e comunicação pública.
O mesmo privatismo selvagem pode chegar logo a outras áreas, com a abertura de espaço para o mercado da saúde, segurança, mobilidade. No caso da educação pública, já vêm sendo anunciado vouchers para cursos complementares, que serão negociados com as empresas do setor. A sirene dos interesses já se faz ouvir. A oportunidade é tentadora e não precisa nem mesmo do tão festejado risco do empreendedorismo: o mercado é cativo e o consumidor não tem escolha, já que precisa viver, beber água, educar os filhos…
Não há melhor negócio que os serviços públicos privatizados. 
Isso não é novo, tem a idade do mundo.
Edição: Joana Tavares, no jornal Brasil De Fato, Minas Gerais

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Governador Zema nomes dos Secretários de Fazenda e Planejamento e Gestão

Conheça os dois primeiros secretários anunciados por Romeu Zema

O governador eleito de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO), fez o anúncio em suas redes sociais, nesta quinta-feira (22/11/2018), dos nomes dos futuros secretários estaduais de Fazenda e de Planejamento e Gestão. O secretário da Fazenda é o contador Gustavo Barbosa, 53 anos, e o de Planejamento e Gestão, o engenheiro Otto Alexandre Levy Reis, 53 anos.
“Definimos que o anúncio dos secretários vai seguir um alinhamento entre as pastas. Dessa forma anunciamos hoje os nomes que vão comandar as secretarias de Fazenda, Planejamento e Gestão”, disse o governador Romeu Zema, que participou, nesta quinta-feira, de encontros com empresários e investidores em São Paulo (SP), seguindo o planejamento de já começar a atrair novos negócios e empresas para Minas antes mesmo de tomar posse no dia 1º de janeiro de 2019.
Perfis:
Gustavo Barbosa é mineiro de Uberaba. Graduado em Ciências Contábeis e pós-graduado em Gestão Executiva de Fundos de Pensão, no Distrito Federal, ele tem a experiência de ter sido secretário de Finanças e Planejamento do Estado do Rio de Janeiro, responsável pelo plano de recuperação fiscal do estado. Ele também foi Gerente Nacional de Previdência Pública e Privada e Gerente de Relacionamento Institucional da Caixa Econômica Federal.
Gustavo Barbosa (Foto: Divulgação/NOVO)

Otto Levy Reis é natural de Belo Horizonte (MG) e graduado em Engenharia Metalúrgica pela UFMG. Já foi vice-presidente de Gente e Gestão, vice-presidente Comercial e de Marketing, tendo sido mais recentemente o Chief Operating Officer (COO) da Magnesita Refratários. Tem diversos cursos no Brasil, Estados Unidos e Japão em Recursos Humanos (RH) e Gestão.
Otto Alexandre Levy Reis (Foto: Divulgação/NOVO)

Fonte: Ascom - Novo