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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Jovens, sorridentes e simpáticos, Haddad e Manuela são o Brasil feliz de novo

POR QUE FERNANDO HADDAD E 

MANUELA D'ÁVILA VÃO GANHAR

"Em 2018, o novo são Haddad e Manuela. Porque parecem o novo. Porque são desconhecidos da imensa maioria da população. 
Porque são jovens. Porque sorriem. Eles são mais fofos, simpáticos, televisivos. Parecem par romântico da novela das nove! Ou apresentadores do Jornal Nacional. 
Têm aquela fotogenia, uma certa leveza, outro um tanto de seriedade. E isso conta muito no Brasilzão verdadeiro, que assiste TV, ouve música sertaneja e evangélica. Lembrando que a maioria dos eleitores é jovem. E mulher", disse o jornalista André Forastieri.

"E Bolsonaro? É o típico capanga falastrão da novela!"


Publicado no www.brasil247.com, em 09.09.18
Por André Forastieri 

Os especialistas em eleições não assistem TV aberta. Não frequentam terminal de ônibus. Não batem papo com o Claudião do posto e a Marcinha da padoca. Não assistem vídeo de funk no YouTube.


No começo do ano o discurso era “a economia vai melhorar e com isso um candidato reformista, que dê continuidade ao governo Temer, terá grande chance de emplacar”.



Incontáveis matérias com a palavra “retomada” no título. O mercado financeiro celebrava. Mas era só sair na rua, longe dos guetos dos ricaços, para ver o aumento das placas de “Aluga-se”.



Foi muita pesquisa, muita estatística, muita teoria. E pouco pé no chão, pouca sola de sapato gasta. Por isso os experts, inclusive alguns cardeais da imprensa, erram tanto.



A retomada não veio, a pauta de Temer foi rejeitada. O próprio FHC disse com todas as palavras: “Quem for o candidato do mercado vai perder”.



Em uma única coisa os experts acertaram, inicialmente: o eleitor em 2018 quer o novo.



Mas depois voltaram atrás. Quando Luciano Huck, Joaquim Barbosa e gente como Amôedo não decolaram, o consenso foi que a eleição ficaria entre os velhos, a polarização habitual, mais do mesmo.



Pois bem: em 2018, o novo são Haddad e Manuela. Porque parecem o novo. Porque são desconhecidos da imensa maioria da população. Porque são jovens. Porque sorriem.



Eles são mais fofos, simpáticos, televisivos. Parecem par romântico da novela das nove! Ou apresentadores do Jornal Nacional. Têm aquela fotogenia, uma certa leveza, outro um tanto de seriedade.



E isso conta muito no Brasilzão verdadeiro, que assiste TV, ouve música sertaneja e evangélica. Lembrando que a maioria dos eleitores é jovem. E mulher.



Haddad e Manuela fazem Geraldo Alckmin e Ana Amélia parecerem os velhinhos vilões da novela. Ultrapassados, cinzentos, ranzinzas.



E Ciro e Marina? Coadjuvantes, jamais protagonistas.



E Bolsonaro? É o típico capanga falastrão da novela!



Para completar, Haddad e Manuela têm ao seu lado um vovô do bem. Injustiçado. Que já fez muito pelos pobres. E hoje promete retornar para trazer os bons tempos pro povo. Lima Duarte como o padim Lula!



A TV, a fé e o marketing nos ensinam que a esperança sempre vence. Que o bem está do lado dos belos. Que o novo é melhor que o velho. Propostas, promessas, isso é tudo detalhe.



A gente escolhe as coisas muito mais pelo coração do que pela razão. Uma imagem fala mais que mil palavras. A foto diz tudo. O casal 20 sorrindo, Lula abençoando. O Brasil Novo, feliz de novo!



E é por isso que Haddad e Manuela vão ganhar.



*Publicado originalmente no Poder 360

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Os homens de bem, os puteiros e a prisão de Lula

*Felipe Pena
Os homens de bem comemoram a prisão de Lula em um puteiro. No ritual macabro, o dono do bordel amarra uma funcionária, arranca sua calcinha e torce seu pescoço na frente de outros homens de bem que bebem a cerveja servida de graça pelo cafetão.
No alto da cena, como a ungir aquela entidade satânica, lá estão as fotos emolduras da presidente do STF e do juiz Sergio Moro. Duas fotos para um mesmo retrato. O retrato do país onde os homens de bem que aplaudem a tortura de prostitutas nuas em praça pública são os mesmos homens de bem que condenam a nudez de uma exposição de arte nas galerias de um museu.
Os homens de bem estão no puteiro da sala de casa, em frente à TV, berrando contra o personagem gay da novela e relativizando o assassinato da vereadora negra e favelada. Os homens de bem não querem a lei. Os homens de bem querem o cassetete, o tiro, a porrada, a bomba.
Os homens de bem não querem saber de provas. Querem condenar. Para os homens de bem, não importa se Lula é culpado ou inocente, não importa se o processo foi acelerado, não importa se a constituição foi rasgada.
Para os homens de bem, primeiro a gente tira a Dilma, depois...
Depois a gente tira o Temer, mas o congresso não deixou.
Depois a gente tira o Aécio, mas a Carmen Lúcia não deixou.
Depois a gente tira o Renan, mas o Gilmar não deixou.
Depois a gente tira o Alckimin, mas ele tem foro privilegiado, é outra história.
Pois é. O foro acabou, mas a procuradora não deixou. Mandou tudo para o TRE e retirou o processo da lava-jato.
Os homens de bem não se importam em ter uma justiça seletiva. Os homens de bem ignoram as malas do Rodrigo Temer Loures, as contas na Suíça do José Serra, os esquemas do João Dória, todos livres, leves e soltos. Os homens de bem são bem simples: eles só querem jogar Lula do avião.
E, se possível, jogam também a Gleise, a Manuela, o Boulos e todo aquele povo do nordeste que mama nas tetas do bolsa-família, com 85 reais por mês. São vagabundos, não são homens de bem para os homens de bem.
Para os homens de bem, a justiça é um puteiro. Mas não é um puteiro comum. É um puteiro supremo, com direito a suingue e chicotada, com tudo. E o que eles gostam não é de um simples ménage à trois, mas de um 6 a 5, bem gostoso, como nas melhores putarias.
Putarias do bem, é claro.
Texto de 
Felipe Pena