segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Governo de Minas libera mais de R$ 2 milhões para serviços de saúde de Turmalina e Minas Novas

A microrregião de Turmalina e Minas Novas terá serviços de média complexidade.




Serão investidos mais de R$ 4 milhões nos serviços ortopédico-traumático, em Turmalina, e hemodiálise, em Minas Novas. 

Governo libera  R$ 1 milhão para a  Saúde de Turmalina

Hospital São Vicente de Paulo, de Turmalina.

A microrregião de Saúde de Minas Novas/Turmalina/Capelinha recebeu do governo de Minas, através da Secretaria de Estado da Saúde, investimentos para adiantar obras dos serviços ortopédico e de hemodiálise. 

Hemodiálise em Minas Novas atenderá a 10 municípios.

Para a Fundação Hospitalar de Minas Novas/Hospital Badaró Júnior, a Secretaria de Saúde liberou R$ 200 mil para dar continuidade à obra do Centro de Hemodiálise. Segundo o presidente da Fundação, Adão Carlos, serão necessários mais R$ 175 mil para a conclusão das obras, provavelmente, em julho de 2016. Posteriormente, será feita a aquisição de equipamentos que ficará em torno de R$ 930 mil.

Deputado estadual Dr Jean Freire, com gestores do Hospital de Turmalina, vistoriando os serviços de ortopedia a ser implantado na Unidade, neste sábado, 07.11.

Segundo o Superintendente Regional de Saúde, Beto Mourão, o problema a ser enfrentado pelo serviço de Hemodíálise em Minas Novas será a sustentabilidade, grande preocupação da Secretaria de Estado da Saúde. Ele informa que serão instalados 14 cadeiras na Unidade, podendo atender também municípios como Água Boa e Malacacheta, além de  8 municípios da microrregião.

Adão Carlos garante que a contratação de um médico nefrologista já está encaminhada. Este é um dos grandes gargalos deste tipo de serviço especializado. A Hemodiálise de Itaobim, no Médio Jequitinhonha, ficou paralisada por mais de 2 anos, devido à falta deste profissional. O salário gira em torno de R$ 35 mil.

Serviço de Ortpedia em Turmalina
O Hospital São Vicente de Paulo, de Turmalina está estruturando o Serviço de Ortopedia Cirúrgico, de média complexidade, tendo recebido R$ 1 milhão para dar andamento ao projeto. 

Anderson Cordeiro dos Santos, diretor da unidade hospitalar, informa que serão adquiridos equipamentos como arco cirúrgico, mesa ortopédica e insumos para cirurgias. Ele acrescenta que três profissionais médicos ortopédicos já estão trabalhando.
  
O Hospital São Vicente e Badaró Junior são referências microrregional, atendendo os municípios de Aricanduva, Capelinha, Chapada do Norte, José Gonçalves de Minas, Leme do Prado, Minas Novas, Turmalina e Veredinha, com uma população de cerca 130 mil habitantes.
Equipe de Minas Novas com o deputado Jean Freire e o o Subsecretário de Inovação e Logística em Saúde, Pedro Mousinho, da Secretaria de Estado de Saúde.

Deputado estadual Dr Jean Freire faz gestão para liberação
Os gestores dos Hospitais de Turmalina e Minas Novas estiveram na Secretaria de Estado da Saúde, acompanhados do deputado estadual Dr Jean Freire (PT), quando fizeram reivindicações para que os recursos fossem liberados e desse prosseguimento à instalação dos serviços que ficaram paralisados no Governo anterior.

Como profissional da área, sendo médico cirurgião, membro titular da Comissão de Saúde na Assembléia Legislativa e representante legítimo do Vale do Jequitinhonha, Dr Jean Freire cobrou do Secretário de Saúde, Fausto dos Santos, o empenho na execução e conclusão das obras e aquisição de equipamentos necessários. 

O deputado esteve neste final de semana, visitando os dois hospitais, lembrando que também viabilizou a liberação de mais R$ 820 mil para investimentos no Pronto Atendimento do Hospital de Turmalina. 

Capelinha perde Clínica Neonatal

Ao transformar o Hospital Municipal em Fundação Hospitalar, Capelinha perdeu o Atestado de Filantropia. Com isso, a Clínica Neonatal prevista para ser instalada na cidade, como referência microrregional, foi suspensa. O Hospital Nossa Senhora da Saúde, de Diamantina, se tornou a referência de clínica neonatal. 
Esta informação é do Superintendente Regional de Saúde, Belo Mourão.

Tragédia anunciada

Publicado em dom, 08/11/2015 - 00:10

Confira o dossiê completo elaborado pelo MAB sobre o rompimento das barragens da mineradora Samarco, pertencente à Vale e BHP Billiton, que causaram uma “tragédia anunciada” em Mariana (MG).
Distrito de Bento Rodrigues em Mariana (MG) soterrado pela lama - Foto: Douglas Magno/O tempo
O dia 05 de novembro de 2015 vai ser lembrado para sempre como mais um dia que o lucro desmedido é colocado na frente da vida do povo. Por volta das 16 horas, a barragem do Fundão, propriedade da Samarco Mineração, localizada no município de Mariana, Minas Gerais, rompeu-se e liberou um mar de lama. A enxurrada lama atingiu outra barragem de rejeitos da mineradora, a barragem de Santarém, que também se rompeu despejando todo seu conteúdo no distrito de Bento Rodrigues, localizado a 15 Km do centro de Mariana. O distrito onde viviam 620 pessoas foi atingido pela torrente e teve 90% de suas casas destruídas.
Os moradores, sem receber nenhum aviso da empresa, correram ao ouvir o som do rompimento da barragem. Fugiram às pressas para os morros e partes altas do distrito. Vários moradores relataram terem visto pessoas serem levadas pela enxurrada. Casas, escolas, rede elétrica, estradas, tudo foi destruído. Os moradores ficaram ilhados e começaram a ser resgatados de helicóptero por bombeiros.
A lama continuou descendo atingindo mais vilarejos no caminho. O município de Barra Longa, distante aproximadamente 70 Km do local da barragem, também foi atingido. A lama invadiu o centro da cidade, mais de 100 pessoas ficaram desabrigadas e muitos moradores ficaram ilhados na zona rural.
As estimativas das autoridades são de mais de 2000 atingidos. Nesse número não estão incluídos todos os municípios que terão abastecimento de água comprometido, rio contaminado e morte de peixes.
Mortos e desaparecidos
Há números controversos de mortos e desaparecidos. Segundo os bombeiros mais de 500 pessoas foram resgatadas. As autoridades confirmaram a morte de três pessoas: um funcionário da mineradora que teve um mal súbito no momento do rompimento, um homem encontrado no Rio Doce próximo a Barra Longa e uma criança de 7 anos do Distrito de Bento Rodrigues que foi levada pela lama. A Samarco apontou 13 trabalhadores desaparecidos. A prefeitura divulgou a lista oficial de atingidos que constam 12 pessoas de Bento Rodrigues, totalizando portanto 25 desaparecidos. Militantes do MAB conversaram com diversos atingidos que relataram ter parentes desaparecidos, outros presenciaram o momento que a lama arrastou moradores, portanto o número de vítimas provavelmente será maior dos dados que estão sendo divulgados.
Abastecimento de água para população
A lama alcançou o Rio Doce no dia 6 e comprometeu a captação de água de várias localidades. A Usina de Candonga, localizada no município de Rio Doce a 100 Km de Mariana, paralisou a geração de energia e abriu as comportas liberando a água e lama. Segundo o Consórcio operador formado pela própria Vale e a Aliança Geração de Energia, a geração foi interrompida para evitar possíveis danos à usina.
Segundo informações oficiais dos órgãos competentes, a lama chegará em Governador Valadares na madrugada deste domingo (08). O serviço de abastecimento do município vai interromper a captação de água até fazer uma análise da qualidade e atestar se é possível seu tratamento para normalizar a captação. Esse procedimento está sendo adotado por todos os municípios que captam água do Rio Doce até o Espírito Santo. Apenas o município de Governador Valadares possui uma população de mais de 270 mil habitantes, toda ela abastecida com água do Rio Doce.
Resíduo Tóxico
A lama da barragem era proveniente da mineração de ferro. Já se sabe que ao menos quatro cursos de água foram atingidos pelo rejeito: córrego Fundão, rio Gualaxo do Norte, rio Carmo e rio Doce. Segundo relato de trabalhadores do setor, o resíduo contém ferro e metais pesados como mercúrio e arsênio, que são elementos altamente tóxicos. Em entrevista coletiva, o presidente da Samarco afirmou que o resíduo é inerte e não prejudica os seres humanos.
Essa não é a opinião dos atingidos que tiveram contato com a lama, muitos relatam mal estar, tonturas, dor de cabeça, dor na garganta. Os voluntários que faziam o atendimento inicial das vítimas também relataram que os atingidos apresentavam sintomas de intoxicação: tonturas, náuseas, dor de cabeça e confusão mental.
O Ministério Público de Minas Gerais já designou cinco promotores para investigar as causas e responsabilidade do desastre. O promotor Carlos Eduardo Pinto informou que serão realizados testes para constatar se a lama é tóxica.
Locais Atingidos
Município de Barra Longa – Foto: Alex de Jesus/O tempo
A avalanche de lama atingiu o município de Mariana (sendo seus distritos afetados: Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo, Paracatu de Cima, Santa Rita, Campinas, Ponte do Grama, Pedras), Barra Longa (e seu distrito: Gesteira), Acaiaca (e seu distrito Goiabeira) e Rio Doce.
De quem é a responsabilidade?
Segundo a própria empresa, as causas do rompimento das barragens ainda são desconhecidas. Noticiários divulgaram a ocorrência de tremores observados pelo Centro de Sismologia da USP (Universidade de São Paulo). Porém, em entrevista concedida pelo professor Marcelo Assumpção, do Departamento de Geofísica da USP à Globo News, o próprio afirmou que os abalos foram de baixa intensidade. Foram tremores fracos que muitas vezes não são percebidos pelas pessoas. Segundo o professor, esse tipo de abalo pode ocorrer todos os dias e dificilmente afetariam a estrutura de uma barragem de rejeitos.
Para o MAB, a divulgação sistemática dessa informação parece uma estratégia da empresa para se eximir das responsabilidades. A empresa é responsável pela construção, manutenção e garantia de que a obra opere corretamente e em segurança. Portanto, qualquer ocorrido é de responsabilidade da mineradora.
No momento do acidente, a Samarco estava realizando uma obra de alteamento na barragem de Fundão e Germano. A empresa ainda não divulgou se houve relação dessas obras ao acidente.
A Samarco Mineração é propriedade da Vale (50%) e da anglo-australiana BHP Billiton (50%), as duas maiores mineradoras do mundo. No ano de 2014 a Samarco obteve um lucro líquido de 2,8 bilhões de reais. A Vale obteve, de abril a junho de 2015, lucro líquido de 5,14 bilhões de reais, enquanto a BHP obteve 6,42 bilhões de dólares até junho de 2015. Portanto, estamos falando de algumas das maiores empresas do mundo. Mesmo com todo esse lucro, essas mineradoras se negaram a investir o mínimo em segurança necessária para evitar uma catástrofe de tamanha magnitude.
A empresa já tinha conhecimento dos riscos
No ano de 2013 o Ministério Público Estadual encomendou um estudo a especialistas que concluíram que fragilidades na barragem poderiam levar ao seu colapso. Por isso, o Ministério Público demandou da Samarco a construção de um plano de emergência e de alerta. Plano esse que nunca foi feito. Vários atingidos de Bento Rodrigues relataram que há anos a comunidade vinha fazendo denúncias sobre a insegurança das barragens.
Tratamento aos atingidos
Por enquanto, o que pode ser observado é uma demora ao atendimento dos atingidos. Não houve plano de evacuação e alerta. A empresa demorou a levar os atingidos para hotéis, o que aconteceu apenas após o Ministério Público ordenar a transferência do povo. Nesses casos de acidentes, as empresas deixam a “poeira abaixar”, individualizam negociações, pagam indenizações irrisórias frente aos danos sofridos e depois abandonam o povo a própria sorte. Essa é a prática que pode ser observada em outros casos parecidos.
Mobilização da sociedade e estado
Resgate de moradores em Mariana (MG) – Foto: Leo Fontes/O tempo
Logo que foi divulgado o desastre a sociedade se mobilizou e iniciou uma campanha de arrecadação de donativos e várias pessoas se apresentaram para o trabalho voluntário. A prefeitura, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Polícia Militar e Civil, Governo de Estado e Governo Federal se mobilizaram e iniciaram o atendimento aos atingidos.
Os atingidos desabrigados foram levados à Arena Mariana, que se tornou um alojamento provisório. Ali as pessoas faziam um cadastro, recebiam atendimento médico inicial e os casos graves foram enviados ao Hospital João XXIII em Belo Horizonte através de helicópteros. A presença e atuação da Samarco foi tardia.
Ainda existem riscos
O complexo de barragens de rejeito onde estavam localizadas as barragens de Fundão e Santarém também possui mais uma barragem: Germano.
A barragem de Germano não apresenta indícios de rompimento, porém o corpo de Bombeiros não descartou a possibilidade de ruptura, que multiplicaria a catástrofe. Essa terceira barragem é duas vezes maior que as duas barragens que se romperam. A população já foi alertada e as atividades na mina da Samarco estão paralisadas.
Trabalho do MAB
Militantes do MAB conversam com autoridades sobre os direitos dos atingidos. Foto: Rafaela Dotta – Brasil de Fato
Nesse sábado, o Movimento dos Atingidos por Barragens seguiu fazendo o trabalho de acompanhamento das autoridades no resgate e atendimento às vítimas, e o trabalho de organização das famílias atingidas. Esse trabalho é fundamental para o empoderamento da população. Para que os direitos do povo não sejam atropelados e os atingidos não sejam esquecidos, a luta e organização se fazem necessárias.
Militantes do MAB acompanharam o trabalho das autoridades, conversaram com atingidos resgatados na Arena Mariana, conversaram com atingidos nos hotéis onde foram alocados, realizaram reuniões com organizações locais e seguem apurando os fatos para contribuir na organização da população atingida.
No dia 12/11 o Movimento dos Atingidos por Barragens, juntamente com lideranças da Igreja, irá realizar a caminhada pelo Direito à Vida, com objetivo de solidarizar as famílias atingidas e reforçar que as empresas responsáveis paguem pelo dano causado a vida do povo. A caminhada será fechada com um debate sobre os direitos dos atingidos e a responsabilidades do acidente.
No dia 17/11 está previsto um debate público em Belo Horizonte reunindo atingidos, governos, parlamentares, sindicatos, movimentos, Igrejas e pastorais sociais para discutir as responsabilidades pelo ocorrido e como ficará a situação das famílias em Mariana e nas outras cidades da região.
O MAB também cobra respostas da empresa sobre o que será feito em relação aos impactos nas cidades de Minas Gerais e Espírito Santo que são banhadas pelo Rio Doce, sobretudo as que tiram água diretamente do rio para o abastecimento.

Marina : Igreja convoca todos os atingidos para a organização e a luta popular

Publicado em seg, 09/11/2015 - 03:29, pelo MAB Movimento de Atingidos por Barragens

Dom Geraldo afirma que a empresa precisa reassentar todas as famílias e convocou todos a lutarem coletivamente.
O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) se reuniu na tarde deste domingo com Dom Geraldo Lyrio Rocha, Arcebispo de Mariana. No encontro, foram debatidos os impactos sociais e ambientais das duas barragens da Vale que se romperam na última quinta-feira (05.11). Oficialmente, 28 pessoas estão desaparecidas entre trabalhadores da Samarco e suas terceirizadas, além de moradores de Bento Rodrigues. Mais de 550 desabrigados estão em hotéis. O mar de lama contaminada avança para o oceano e já atingiu a cidade de Governador Valadares.
Joceli Andrioli, da coordenação nacional do MAB, agradeceu ao bispo e aos padres presentes a acolhida que a organização teve na cidade, a confiança, o companheirismo e reafirmou os laços históricos que unem Igreja e movimento na região. Apresentou a percepção do MAB de que é preciso aprofundar as denúncias tendo claro que os problemas são complexos e que só serão resolvidos pela força da organização popular.
"É preciso ter claro que o foco tem que ser o esclarecimento máximo da população e o envolvimento dos atingidos em um processo de organização de base que provoque mobilização.É preciso ter agilidade nas ações, mas muita clareza e firmeza no que temos que fazer", afirmou. Elecando outras experiências que o MAB já acompanhou em distintas regiões, inclusive em áreas em que houve conquistas por parte dos atingidos, Joceli apresentou o plano de trabalho que prevê a necessária responsabilização da Vale e da BHP que devem garantir as condições mínimas para que a populações possa viver bem na cidade enquanto a empresa não faz o reassentamento. Outra proposta é que haja uma mesa única em que MAB, Arquidiocese, governos e Vale possam discutir a situação dos atingidos.
Dom Geraldo falou do misto de dor e indignação por ter visto a situação dos vilarejos. Conforme afirmou em outros momentos, disse que nunca viu nada parecido. Durante a discussão, falou da clareza que tem de que é preciso que os atingidos não aceitem processos de negociação isolados, individuais. "É preciso conversar com todos e apresentar uma pauta clara que não será conquistada deixando que cada faça por si", afirmou. Também considera que a só um reassentamento, uma Nova Bento Gonçalves, uma Nova Paracatu poderá possibilitar que as famílias voltem a ter os laços e as condições de vida que tinham antes da tragédia, opinião também compartilhada pelo movimento.
O arcebispo disse que a Arquidiocese de Mariana se associa ao MAB nesta tarefa que deve aliar solidariedade, união e organização coletiva. "A opção da Igreja já foi feita. Na luta entre Golias e Davi, nós ficamos ao lado do menino. A posição tem que ser clara e sem ambiguidades: temos que ficar ao lado dos atingidos e não de quem provocou a tragédia", concluiu.
Foi encaminhado uma série de ações nos próximos dias, entre elas a Caminhada pelo Direito à Vida e o debate público Mariana: uma tragédia anunciada que serão realizados na quinta-feira, 12 de novembro, a partir das 16h reunindo MAB, Igreja, sindicatos, ambientalistas. Também haverá uma missa campal ás 18:30h na Praça da Sé no dia anterior, 11\11, em homenagem a todos as vítimas do desastre.
Para Letícia Faria, membro da coordenação estadual do MAB, somente a organização popular fará a empresa assumir as suas responsabilidades. E a participação da Igreja é fundamental com a sua força de denúncia, de presença, de mobilização e de compromisso com a vida que sempre foi muito forte nesta região, seja com Dom Luciano, seja com o trabalho de Dom Geraldo", afirmou.

Tragédia de Mariana foi causada por rompimento de barragem da Vale S.A.

Mais um rastro de destruição e morte na história da mineração e da empresa Vale S.A.

 Nota da Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale S.A.

nota avs barragem
Ontem, dia 05 de novembro de 2015, mais uma notícia chocante e terrível envolvendo a grande mineração e a empresa Vale S.A. nos assola.
Duas barragens da mineradora Samarco Mineradora S.A., joint venture da Vale S.A (50%) e da BHP Billiton Brasil Ltda (50%), e também recebedora de rejeitos de outras minas da Vale S.A na região, dentre as quais a mina de Alegria, se romperam no estado de Minas Gerais, no distrito de Bento Rodrigues, entre as cidades de Mariana e Ouro Preto.
O Distrito encontra-se completamente soterrado por lama tóxica, sendo o acesso ao local apenas possível por helicóptero. Há inúmeros desabrigados e até o momento foram contabilizados ao menos 16 mortos, 45 desaparecidos e inúmeros soterrados.  A situação no local continua muito grave e há riscos de novos desmoronamentos. Inicialmente, somente o distrito de Bento Rodrigues havia sido afetado, mas a enxurrada de rejeitos segue atingindo outros distritos e municípios, tendo chegado a 60 km do local.
O rompimento de uma barragem de rejeitos – estrutura que tem a finalidade de reter os resíduos sólidos, que possuem elevado grau de toxicidade e água dos processos de beneficiamento de minério – não se dá de forma aleatória e não é uma novidade nem para o estado de Minas Gerais nem para o setor minerário. A gravidade do caso exige severa investigação sobre o ocorrido, rigorosa responsabilização dos culpados e reparação integral e indenização a todos os afetados e afetadas.
O que ocorreu foi um CRIME.  Os órgãos fiscalizadores e as empresas têm total responsabilidade sobre a tragédia ocorrida. A quantidade de rejeitos prova que as empresas tinham ultrapassado, e muito, a capacidade da barragem. O laudo técnico realizado pelo Instituto Prístino, a pedido do Ministério Público durante o licenciamento do projeto, já identificava problemas, tais como: a barragem do Fundão e a pilha de estéril União da Mina de Fábrica Nova da Vale fazem limite entre si, caracterizando sobreposição de áreas de influência direta, com sinergia de impacto; a condicionante de monitoramento geotécnico e estrutural dos diques e da barragem deveria ser realizada periodicamente, com intervalo inferior a um ano, indicando risco de acidentes. Esses dois pontos já anunciavam a tragédia e comprovam a política cruel da Samarco, Vale S.A. e dos órgãos responsáveis pela licença do projeto.
A Vale S.A. é uma empresa amplamente conhecia por movimentos sociais, comunidades, sindicatos, acadêmicos, organizações não governamentais e demais segmentos sociais, por seu constante desprezo aos direitos socioambientais. O que mais esta tragédia nos evidencia é o desrespeito a questões fundamentais, como a segurança, tanto dos seus trabalhadores, quanto das comunidades próximas, frente a crescente intensidade da extração mineral e a busca desenfreada pelo lucro das grandes mineradoras.
No momento atual, em que está em jogo a aprovação de um Novo Código Mineral para o país, que permitirá o avanço ainda maior da mineração em território nacional, deve-se considerar as chances reais do crescimento em escala e números do cenário de mortes, desrespeito de direitos, apropriação ilegal de terras, contaminação de mananciais de água e tragédias como a ocorrida ontem.
Em Minas Gerais está para ser votado o Projeto de Lei nº 2.946/2015, de autoria do atual governador Fernando Pimentel (PT), que fragiliza ainda mais o licenciamento ambiental no estado. O referido projeto permitirá reduzir o tempo para a concessão do licenciamento ambiental no estado, fato que beneficiará empreendimentos considerados estratégicos pelo Governo, ampliando ainda mais a insegurança jurídica, os danos ambientais e os conflitos sociais associados a grandes projetos.
A tragédia de ontem mais uma vez nos alerta para o constante impacto socioambiental da mineração. Esse desastre pede de forma urgente um debate público sobre a mineração em grande escala no país e os mecanismos de responsabilização das empresas. A política das mineradoras para com os trabalhadores e as comunidades é a mais perversa possível. Essas empresas lucram bilhões todos os anos e investem muito pouco em segurança, nos trabalhadores e nas cidades.
Várias são as denúncias de irregularidades na construção e ampliação de barragens de rejeitos, citando-se a título de exemplo as irregularidades estruturais nas obras que envolvem a barragem da mina Casa de Pedra em Congonhas/MG, da Companhia Siderúrgica Nacional, bem como as ilegalidades no processo de outorga referente à construção da barragem de rejeitos do sistema Minas-Rio, a ser instalada entre os municipios de Alvorada de Minas e Conceição do Mato Dentro, de responsabilidade da mineradora Anglo American.
Para nós da Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale S.A. o que ocorreu no distrito de Bento Rodrigues não é um caso isolado e sim mais uma tragédia do setor. Grandes empresas como a Vale S.A. possuem a prática de terceirizar suas operações ou criar joint-ventures escondendo seu nome e omitindo compromissos e responsabilidades. Não podemos deixar que os responsáveis pela tragédia saiam impunes.
Exigimos investigação e punição cível, ambiental e criminal das empresas Samarco, Vale S.A. e BHP Billiton Brasil Ltda, responsabilizando-se, também, seus dirigentes de forma pessoal, além de reparação integral e indenização à população de Bento Rodrigues.
Nós da Articulação Internacional enviamos toda a solidariedade à população de Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo, Mariana e região.
Não podemos permitir nem mais uma morte!
BASTA!
Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale S.A.

sábado, 7 de novembro de 2015

Eu quero gozar gostoso



Eu quero gozar gostoso. Quero flertar, quero seduzir, quero transar, quero ter uma vida sexual incrível. Todas nós mulheres queremos!
Queremos ter muita libido, tesão e desejo sexual, queremos viver essa possibilidade maravilhosa que nossos corpos nos permitem: o prazer da
transa, do clímax, do orgasmo! É tão bom, né?
Mas, olha...não é fácil! Uma das coisas que nos impede de viver plenamente nossa sexualidade são as propostas sexuais indesejadas que recebemos todos os dias de estranhos – no ônibus, na rua, na festa, na casa de uma amiga, na faculdade, no trabalho, na fila do banheiro, na praia, na manifestação, na militância, etc. etc. etc.
Cada vez que ouvi um homem que eu nunca vi na vida, com quem eu não estava conversando, a quem eu não dei nenhuma abertura ou intimidade me dizer que queria “me chupar todinha”, “me botar de quatro”, “meter gostoso” ou qualquer coisa do tipo, perdi um pouco da minha capacidade de sentir tesão.
Parece exagero? Acreditem: NÃO É.
Quando eu estou sentada no ônibus tranquilamente vendo a cidade passar pela janela e o cara do banco da frente vira pra trás, me encara e sussurra que se eu quiser ele pode “me deixar toda molhadinha” eu sinto nojo não só do cara, mas também de mim mesma e da minha sexualidade. 
Racionalmente eu SEI que nessa situação quem errou foi o cara que invadiu a minha tranquilidade e violou o meu direito de andar de ônibus em paz pra me fazer uma proposta completamente fora de contexto, indesejada, desagradável e nojenta.
Porém eu SINTO que quem errou fui eu por ter despertado desejo no cara. Me arrependo de ter pego aquele ônibus, de ter sentado naquele banco, de ter saído de casa com aquela roupa, de ter aquele corpo, de ser aquela mulher que foi assediada.
A raiva que sinto de mim mesma é imensa e imediata. Sinto que a culpa foi minha, que tenho que conter minha sexualidade, ser menos feminina, menos mulher, menos livre, menos eu: tenho que ser mais contida, mais discreta, mais recatada, mais invisível. Ruim, né? Agora imagina viver isso todo dia.
Essa combinação de nojo, raiva, culpa e vergonha corta o tesão de qualquer mulher! Por isso, proponho aos homens que me lêem: honrem essa enxurrada de relatos corajosos da campanha #PrimeiroAssédio e melhorem! Entendam de uma vez por todas que na grande maioria
das vezes suas cantadas, gracinhas e propostas obscenas são recebidas como assédio e guardem seus comentários pra vocês.
Com essa mudança de atitude vocês começam a respeitar os direitos das mulheres e a colaborar pra que mais delas gozem mais gostoso!
Marina Motta, 29, é carioca, formada em Ciências Sociais e trabalha com Gênero e Violência na ONU.
Espaço ocupado no Brasil 247 como parte da campanha #AgoraÉQueSãoElas

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

ROMPIMENTO DE BARRAGEM MATOU 16 EM MARIANA.. 45 ESTÃO DESAPARECIDOS

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Ciclo de Debates discute cenário do futebol brasileiro

Evento, que acontece no dia 10/11, na ALMG, terá participação de especialista português, doutor em ciência do desporto.



A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realiza, no dia 10 de novembro, no Plenário, o II Ciclo de Debates Muda Futebol Brasileiro. A atividade tem como objetivos discutir o cenário do futebol brasileiro em suas diversas realidades e destacar aspectos essenciais para seu aprimoramento, como a gestão dos clubes, o papel da mídia, a arbitragem, o fomento ao futebol amador e formação dos profissionais do setor. A primeira edição do evento aconteceu em novembro do ano passado.
O presidente da Comissão de Esporte, Lazer e Juventude, deputado Anselmo José Domingos (PTC), é um dos parlamentares a frente da iniciativa. Segundo ele, o evento marca a continuidade do ciclo de debates, que pretende identificar problemas e propor melhorias para o esporte que é a paixão do brasileiro. “Trataremos de temas de destaque, como o futebol amador, a profissionalização dos árbitros, capacitação e formação de atletas, corrupção, gestão e papel da mídia. Será um momento de grande importância, quando convidados da área mostrarão o que funciona e o que não funciona para o nosso futebol”, explicou. Ainda segundo ele, serão mostrados exemplos de estrutura e gestão nacionais e internacionais para que sirvam de exemplo para a modificação do esporte. “Como presidente da comissão, estou acompanhando de perto a organização do evento, que tem tudo para ser um sucesso”, salientou.
O deputado João Leite (PSDB), ex-goleiro do Clube Atlético Mineiro, também acompanhou os debates e a organização do ciclo de debates. O parlamentar se diz preocupado com a gestão do futebol nacional e salientou que é preciso uma nova geração de gestores, mais qualificados tecnicamente e mais comprometidos com essa paixão nacional. “Queremos também levantar propostas renovadoras para árbitros e para as categorias de base”, afirmou.
Especialista português defende a formação como caminho
O professor e doutor em Ciência do Desporto português, Júlio Garganta, será destaque no ciclo de debates, por meio da palestra “Formação de atletas de futebol: das ruas à profissionalização”. O especialista acredita que um futuro melhor para o futebol se faz com pessoas bem informadas e competentes e tem como consequência a evolução de crianças e jovens. Para tanto, ele defende que se leve aos diversos pontos do Brasil a difusão de educação e cultura, e que isso depende de visão e ambição política. “A aposta no desenvolvimento cultural e formativo é algo que demora a gerar resultados visíveis. Portanto, é preciso iniciar o caminho o quanto antes, ainda que com pequenos passos”, disse.
Júlio Garganta defende, também, que o talento para se praticar o esporte não é necessariamente inato. Para ele, a ideia de que a pessoa “nasce jogador” desmobiliza o trabalho de formação e aperfeiçoamento dos atletas. “Na Europa, se trabalha treino, educação e cultura, mas em outras áreas do planeta ainda se tem predileção pela explicação genética do talento”, ressalta.
Especificamente sobre o futebol brasileiro, o professor sugere que o País tem uma riqueza construída ao longo de muitos anos, mas que pode se perder em poucos anos se a reflexão sobre o modo como evoluir e inventar novas formas de treinamento e jogo não forem trabalhados. “A extensão geográfica brasileira pode ser problema ou oportunidade, uma vez que pode proporcionar uma base de praticantes numerosa e versátil”, completou.
Sobre a responsabilidade do Estado e das entidades esportivas, o palestrante defende que o trabalho deve ser sistêmico e as responsabilidades devem ser divididas. Na opinião dele, o futuro do futebol depende da participação de família, amigos, clubes, treinadores, escolas, professores e poder público. “O melhor investimento governamental passa por criar uma cultura de exigência quanto à formação de profissionais de futebol e, em paralelo, monitorar os processos de formação quanto ao que se faz, como se faz e porque se faz”, concluiu.
Currículo – Júlio Garganta é doutor em Ciências do Desporto e professor da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (Fadeup). Leciona no curso de licenciatura em Ciências do Desporto, nos mestrados em Treino de Alto Rendimento Desportivo e de Desporto de Crianças e Jovens, bem como no curso Doutoral em Ciências do Desporto. Coordenou o Gabinete de Futebol da Fadeup, entre 1992 até 2015, e é membro do Centro de Investigação, Formação, Inovação e Intervenção em Desporto, e do Centro de Estudos dos Jogos Desportivos.
Autor e coautor de trabalhos publicados em revistas e livros, é também membro do conselho editorial de revistas científicas e técnicas. Colabora na formação de professores e de treinadores na Europa, África, Ásia e América do Sul e desempenhou funções no Futebol Clube do Porto, no Sporting Clube de Portugal e, mais recentemente, de 2010 a 2014, na Seleção Nacional de Portugal.
Inscrições - As inscrições vão até às 15 horas da próxima segunda-feira (9/11). No dia seguinte, poderão ser feitas inscrições presenciais na secretaria do evento. A inscrição é individual, e é opcional informar os dados da entidade ou instituição. Para informações gerais sobre o evento, basta procurar o Centro de Atendimento ao Cidadão da ALMG (CAC), na Rua Rodrigues Caldas, 30 - Térreo, Bairro Santo Agostinho, Belo Horizonte, das 7h30 às 19 horas; ou pelo telefone (31) 2108-7800. Para informações técnicas, deve-se procurar a Gerência-Geral de Projetos Institucionais (GPI) pelo telefone (31) 2108-7686.
Programação
Horário
Atividade
9 horas
Abertura
9h30
Palestra Gestão do futebol: modelo brasileiro x modelo internacional - Eduardo Conde Tega (diretor executivo da Universidade do Futebol)
10 horas
Painel - Reestruturação do futebol brasileiro

Tema 1: Organização e gestão - Sérgio Santos Rodrigues (superintendente de Futebol Profissional do Cruzeiro Esporte Clube)
Tema 2: Calendário - Paulo Bracks (Diretor de Competições da Federação Mineira de Futebol)
e Paulo André (diretor do Bom Senso Futebol Clube)
Tema 3: Papel da mídia - Marcos Guiotti (jornalista esportivo)
Tema 4: Impactos da Lei 13.155, de 2015 (Profut) - Lásaro Cândido da Cunha (diretor jurídico do Clube Atlético Mineiro)
Tema 5: Combate à corrupção - Pedro Trengrouse (professor da Fundação Getúlio Vargas e membro da Comissão de Estudos Jurídicos do Conselho Nacional do Esporte)
12 horas
Debates
12h30
Intervalo
14 horas
Palestra Desafios na formação de jogadores de futebol: da rua à excelência - Júlio Garganta (doutor em Ciências do Desporto e professor na Universidade do Porto)
14h40
Painel – Aprimoramento da arbitragem de futebol: profissionalização e uso de tecnologia - Márcio Rezende Freitas (comentarista esportivo) e Juliano Lopes (instrutor Fifa)
15h20
Debates
16h10
Painel – Realidade e perspectiva do futebol amador e das categorias de base em Minas Gerais

Tema 1: Desafios na formação de atletas de base - Genderson Silveira Lisboa (procurador do Trabalho de Minas Gerais) e Próspero Paoli (professor titular da Universidade Federal de Viçosa, doutor e mestre em Educação Física)
Tema 2: Estratégias de fortalecimento do futebol amador: organização de campeonatos, infraestrutura, recursos materiais e fomento - Heleno (vereador de Belo Horizonte), Sérgio Romanelli (supervisor de futebol amador da Federação Mineira de Futebol) e Claúdio Henrique Soares (presidente do Santa Cruz Futebol Clube)
18 horas 
Debates