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quinta-feira, 11 de junho de 2020

Por uma estratégia comunitária do SUS na pandemia


AMOR, ORDEM E PROGRESSO: Mais médicos do Programa Saúde da Família ...
"O SUS potencializa sua eficácia no enfrentamento à epidemia do Covid-19 se conseguir integrar à sua estratégia esta abordagem comunitária. Além do financiamento adequado do sistema, é fundamental uma estratégia correta", afirma o colunista Jeferson Miola em texto assinado em conjunto com quatro autores.
Ao histórico sub-financiamento do SUS, o golpe de 2016 agregou um acelerado processo de desmonte e desfinanciamento via EC 95. Este desmonte, porém, foi ainda mais acentuado nos 15 breves meses de Luiz Henrique Mandetta e sua equipe no Ministério da Saúde.
Na gestão Mandetta, enxotaram médicos cubanos, cortaram o Mais Médicos e esvaziaram a atenção primária. No período dele, a Estratégia de saúde da família [ESF] e as vigilâncias sanitária e epidemiológica foram sucateadas. E, como mostrou o despreparo do Ministério da Saúde no início da pandemia, a produção cientifica e tecnológica do SUS foi negligenciada.
Esse sucateamento enfraqueceu a capacidade do SUS coordenar uma eficiente estratégia comunitária ativa para enfrentar o Covid-19. Uma estratégia baseada na atenção primária e na vigilância em saúde em estreita coordenação com a rede hospitalar e especializada do SUS.
Desde o início da pandemia, o Ministério e a maioria das secretarias estaduais e municipais de Saúde adotaram unicamente uma estratégia passiva e restrita que consiste, basicamente, no atendimento a infectados que acorrem às UPAs e aos hospitais.
Além de não integrar a atenção primária do SUS, esta estratégia também acabou abdicando do controle comunitário de prevenção e transmissão da doença, o que é um grande equívoco.
Sob o pretexto da “incontornável” falta de reagentes no mercado mundial, até hoje não se faz a testagem em larga escala da população; requerimento básico para um planejamento mínimo.
Em plena pandemia, a atenção primária em saúde, que tem capacidade para atender e resolver eficazmente mais de 80% das necessidades e demandas de saúde da população, está funcionando com uma ociosidade que, em muitas realidades locais, ultrapassa os 50%.
Devido a esta “desassistência programada”, pessoas portadoras de doenças crônicas como diabetes, hipertensão, cardiopatias etc, têm seus casos agravados e, inclusive, vão a óbito por falta de acompanhamento clínico ou de receitas para aquisição de remédios de uso contínuo.
As mulheres, além de privadas de exames e consultas periódicas para prevenção precoce de câncer de colo uterino e de mama, não têm acesso a métodos contraceptivos, passando a conviver, muitas vezes, com uma gravidez indesejada. Há, ainda, o agravante das gestantes que não estão sequer conseguindo fazer acompanhamento pré-natal no SUS.
É uma bomba armada. Aos óbitos e adoecimentos graves pela Covid-19, se somarão muitos outros óbitos e agravamentos de doenças devido à escolha pela “desassistência programada”.
Para além [1] das recomendações de natureza geral para a prevenção e controle da propagação da Covid-19 – como isolamento e distanciamento social; restrição da atividade econômica ao menor nível essencial; proteção de empresas, empregos e renda mínima para trabalhadores e pessoas em situação de vulnerabilidade –; e [2] das medidas específicas para cura e tratamento, como ampliação de leitos de UTI e provisionamento de meios e medicamentos; também é necessário ativar-se, urgentemente, [3] a atenção primária e a vigilância em saúde tendo como centro desta ação a saúde da família e da comunidade.
É por meio do trabalho expandido da saúde da família, reforçada com agentes comunitários de saúde capacitados e bem equipados, que o enfrentamento do coronavírus será mais eficaz. No âmbito da saúde da família e da comunidade se consegue [1] rastrear e mapear casos com ampla testagem e visitação de casa em casa em cada território; [2] executar o isolamento específico de contaminados e/ou sintomáticos; [3] prevenir e controlar a propagação da doença; e [4] hierarquizar o encaminhamento de pacientes segundo o nível de tratamento recomendado – ambulatorial, hospitalar ou internação em UTI.
A ação do Covid-19 no organismo humano ainda está sendo investigada. Descobriu-se, por exemplo, que o vírus ilude o sistema imunológico e confunde o diagnóstico clínico, como acontece com pacientes liberados após atendimento médico por apresentarem sintomas leves, apesar do nível crítico de oxigênio no sangue e que, menos de 12 horas depois, falecem.
Com agentes comunitários de saúde equipados com um simples oxímetro portátil [aparelho para medir o nível de oxigênio no sangue] encontrável no mercado a um custo não superior a R$ 150, tais pacientes poderiam ser diagnosticados precocemente e salvos.
A atenção primária em saúde, cuja rede é capilarizada em todo o país, pode fomentar um rico e consistente processo de mobilização das comunidades e dar sustentabilidade ao enfrentamento à pandemia. Isso viabilizaria ações relevantes como de educação em saúde; suporte comunitário às pessoas vulneráveis e isoladas; distribuição de alimentos e artigos de higiene; monitoramento da circulação nas comunidades etc.
Devido à postura irresponsável e desastrosa do governo Bolsonaro, porém, o Covid-19 avança a galope. O Brasil já é o epicentro mundial da doença. Mesmo com subnotificação e manipulação estatística, em algumas semanas o país será recordista mundial absoluto em número de pessoas mortas e contaminadas. A trajetória da epidemia no país seguirá ascendente, se interiorizando e se propagando com altas taxas de reprodução do vírus.
A experiência internacional mostra que a curva declinante da doença é mais lenta que a curva crescente até o pico de contaminação. Isso significa que, após atingir o nível máximo de contaminação, quando iniciar trajetória de queda de infectados, devem ocorrer no país mais mortes que o observado na fase de contágio crescente, que é a que o Brasil se encontra hoje.
Na longa maratona do Covid-19 no Brasil, portanto, é urgente a necessidade de adoção de uma estratégia comunitária ativa do SUS para se diminuir mortes e sofrimentos evitáveis. O que está sendo feito hoje é insuficiente e não aproveita o potencial pleno do SUS.
Esta estratégia da saúde da família e comunidade está dando certo em populações e países com condições socio-sanitárias semelhantes ou até piores que o Brasil, como Mumbai, na Índia, e a maioria das nações do continente africano.
No Brasil, experiências comunitárias que se afiguram como verdadeiros auto-governos [Paraisópolis e favelas em vários Estados] adotaram suas próprias medidas de saúde da família e da comunidade e vêm obtendo resultados mais encorajadores que a média brasileira.
Se ficassem dependentes da estratégia passiva e restrita dos governos, certamente estas comunidades estariam seriamente ameaçadas de genocídio.
O SUS potencializa sua eficácia no enfrentamento à epidemia do Covid-19 se conseguir integrar à sua estratégia esta abordagem comunitária. Além do financiamento adequado do sistema, é fundamental uma estratégia correta.
Este texto, neste sentido, é uma contribuição e, também, um convite para a discussão sobre alternativas de enfrentamento ao coronavírus a partir desta perspectiva.
lcides da Silva Miranda, professor do Bacharelado em Saúde Coletiva da UFRGS
Dário Pasche, professor do Bacharelado em Saúde Coletiva da UFRGS
Jeferson Miola, especialista em Saúde Coletiva pela UFSM; integrante do IDEA
José Mario Neves, doutor em Psicologia Social e Institucional pela UFRGS; do IDEA
Tadeu de Paula Sousa, professor do Bacharelado em Saúde Coletiva da UFRGS.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Capelinha terá Equipe de UBS Itinerante com atendimento nos postos de saúde durante a noite


Lucas Rabelo já atende no PSF do Jardim Aeroporto (Foto: Prefeitura de Capelinha)

A partir do dia 13 de março, Capelinha vai contar com uma equipe de UBS Itinerante formada por um médico, uma enfermeira, um técnico em enfermagem e uma recepcionista. Estes profissionais atenderão a cada dia em um PSF (Posto de Saúde da Família), das 18h às 22h.
A Equipe da UBS Itinerante já está sendo preparada e em breve será divulgado o cronograma de atendimento da primeira semana. De acordo com a secretária de Saúde de Capelinha, Célia Peçanha, os agentes de Saúde, que já visitam as casas regularmente, passarão aos moradores com antecedência as informações sobre o atendimento.
“Nossa intenção, com a criação da Equipe de UBS Itinerante, é prolongar o atendimento após o expediente normal do PSF, que é até às 17h. Com o horário das 18h às 22h poderemos atender, por exemplo, quem trabalha durante o dia, uma mãe com um filho sentindo dor ou com febre. Ao invés de ir ao hospital, a pessoa pode ir ao seu posto de Saúde, que é um local próximo à sua residência. O projeto da Equipe de UBS Itinerante visa à prevenção e a promoção à saúde.”, ressalta Célia Peçanha.
Capelinha é a primeira cidade da região a implantar a Equipe de UBS Itinerante. Inicialmente o projeto, que é uma ideia inovadora da Atenção Básica, abrangerá a área urbana. A Secretaria Municipal de Saúde já planeja novas realizações ainda nesse primeiro semestre e no decorrer do ano. “Estamos elaborando projetos para melhorar a qualidade de vida dos capelinhenses, são ideias funcionais a baixo custo”, informa Célia Peçanha.
Médico no Jardim Aeroporto
Os pacientes do PSF Jardim Aeroporto já contam, deste o dia 13 de fevereiro, com os serviços do médico Lucas Rabelo Barbosa. E também com as visitas domiciliares dos agentes de Saúde.
Fonte:  Ascom Prefeitura de Capelinha

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Médicos do PSF não cumprem 8 horas, diz CGU

Médicos do PSF não cumprem 8 horas, diz CGU Ministério da Saúde ameaça com descredenciamento O Sistema Único de Saúde (SUS) é corrompido por informações falsas em seus cadastros, que permitem a médicos manter o credenciamento em até 17 unidades de saúde, e abrem brechas para o comércio de CPFs com o objetivo de burlar as regras do Programa Saúde da Família (PSF). Como revela reportagem de Roberto Maltchik, publicada pelo jornal O GLOBO, no dia 28 de março, as irregularidades prosperam no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde e suas consequências ficam explícitas em relatórios do próprio governo. ******************************************************************************************** Segundo a Controladoria Geral da União (CGU), em mais de 40% dos municípios, as equipes de saúde da família não cumprem a carga horária. Em 36,5% das 982 cidades fiscalizadas de 2004 a 2009, o atendimento foi considerado deficiente. Nos cadastros do SUS, o psiquiatra Klecius Ramos Mota, de Cocal, no Piauí, é onipresente. Ele tem 17 vínculos, dos quais 16 seriam com o SUS em duas cidades do Piauí e um no Maranhão. Assim, sua carga de trabalho semanal chegaria a 34,14 horas diárias, sete dias por semana. ********************************************************************************************* Já o médico Antônio Nivardo Vieira trabalharia 21,7 horas diariamente, com seus 13 vínculos e 152 horas de trabalho semanais. “Quero estar vivo pra ver o dia em que um médico cumpre sua carga horária no PSF. São contratados para uma jornada de 40 horas semanais, mas não cumprem 20. É um absurdo, um assalto ao dinheiro público e um descalabro das administrações públicas de todos os municípios brasileiros. Deveriam oficializar o hábito para poder fazer correções e não ficar jogando o sujo pra debaixo do tapete”, reclama o usuário dos serviços Antônio Ribeiro da Silva. ********************************************************************************************* Marcela dos Santos, comerciante, afirma que ao se fazer campanha contra altos salários de juízes, deputados e outros políticos os médicos devem também entrar na lista. Uma enfermeira, Maria das Dores Serno, diz que esta prática é antiga. ********************************************************************************************* Médicos do PSF só trabalham dando plantão no hospital. Quem realmente trabalha são os enfermeiros e o pessoal de nível médio. Enquanto o médico trabalha apenas 4 horas por dia, quando trabalha, seu salário é 10 vezes mais que outros profissionais de nível superior. A regra é clara: para receber dinheiro público é preciso ter o serviço de saúde funcionando de acordo com o que manda a lei. O salário varia muito de uma cidade para a outra, mas a justificativa dos médicos não muda. A maior parte deles acha que ganha pouco para cumprir a jornada de oito horas por dia. ********************************************************************************************************* JEITINHO “O médico formalmente é contratado pela prefeitura por uma carga de oito horas e informalmente ele recebe a determinação de trabalhar um determinado número de horas menor do que aquelas que foram contratadas”, afirma Cid Carvalhaes, da Federação Nacional dos Médicos (Fenam). ********************************************************************************************* “Se nós apertarmos, vamos correr o risco de ficar sem o profissional. Nós preferimos ficar com o médico atendendo talvez meio período, 20 pacientes, do que perder esse médico. Não são todos, é lógico, mas alguns deles têm isso aqui como um bico e, às vezes, não se preocupam em prestar um bom serviço”, declara o secretário de Saúde de Novo Gama, Valdemir Guedes. *********************************************************************************************ederação A Federação Nacional dos Médicos) e as outras entidades defendem uma jornada de trabalho de 20 horas e um salário hoje de R$ 9.188,22”, declara Cid Carvalhaes. **************************************************************************** Mas, no Vale do Jequitinhonha, em muitas cidades o salário é muito maior que esse. Os profissionais ganham entre R$ 15 e 23 mil. Acerta-se um salário de R$ 10 mil, no contrato, pois a lei proíbe servidor público municipal ganhar mais do que o prefeito, e completa o alto salário com plantões com valores de R$ 700 a R$ 1 mil por 24 horas. No dia em que o médico faz plantão ele ganha também no PSF, sem prestar serviços. ********************************************************************************************* DESCREDENCIASMENTO DE PSF “Nós descredenciamos, em quatro anos, mais de 18 mil equipes de Saúde da Família, 12 mil de saúde bucal. Nós temos que atacar esse problema aumentando a oferta de médicos. O Brasil tem poucos médicos. É preciso desmascarar essa questão. Nós precisamos de muito mais médicos. Precisamos do dobro do que temos hoje”, afirma o Secretário Nacional de Atenção à Saúde, Helvécio Magalhães.
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Fonte: Jornal Globo e Globo Repórter
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Clique aqui e confira outras reportagens sobre os médicos no Vale do Jequitinhonha
http://blogdobanu.blogspot.com/2011/03/nem-salario-de-14-mil-reais-atrai.html
http://blogdobanu.blogspot.com/2010/06/estado-seleciona-medicos-peritos-para-o.html
http://blogdobanu.blogspot.com/2010/06/nem-por-r-24-mil-medico-quer-trabalhar.html