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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Livro “Privataria Tucana” é lançado na Galeria da Assembléia Legislativa de Minas

Livro “Privataria Tucana” é lançado na Galeria da Assembléia Legislativa de Minas

O jornalista Amaury Ribeiro Jr. lançou, na noite desta segunda-feira, 06.02, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, seu último livro “A Privataria tucana”, que traz denúncias contra personalidades do PSDB e possíveis irregularidades no processo de privatização de estatais, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

Antes do lançamento, na Galeria de Arte do Espaço Político-Cultural Gustavo Capanema, Amaury Ribeiro concedeu entrevista coletiva na ALMG.
O jornalista afirmou que todas as denúncias estão documentadas e podem ser comprovadas e que refletem apenas uma parte das irregularidades que ocorreram. Segundo ele, os desvios de verbas foram conduzidos pelo “alto tucanato de São Paulo”. “Mapeei apenas uma parte da roubalheira. A gente sabe que é muito mais”. A obra também fala de uma possível espionagem promovida pelo ex-governador José Serra contra o também ex-governador Aécio Neves.
O líder do PT, deputado Rogério Correia, que também participou da coletiva, elogiou o trabalho do jornalista. "O livro trouxe uma dimensão política que talvez o Brasil não soubesse", afirmou.
CPI - O deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) acompanhou Amaury Ribeiro Jr. O parlamentar é autor do pedido de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados para apurar as denúncias trazidas pelo livro. Segundo ele, já foram obtidas 206 assinaturas para a abertura da comissão, número superior às 171 exigidas.
Protógenes Queiroz disse que o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), se comprometeu a instalar da CPI, caso sejam confirmadas as assinaturas. Queiroz acredita que ela será implantada após outras três que foram solicitadas anteriormente. Segundo ele, além de quase todos os deputados aliados, o pedido também teve a adesão de parlamentares do próprio PSDB.
Participaram da coletiva deputados federais do PT e do PCdoB, deputados estaduais do PT, PCdoB e PMDB e prefeitos petistas.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Guerra aberta pela Presidência: Aécio defronta Serra.

Guerra aberta pela Presidência: Aécio defronta Serra.
A “Privataria Tucana” chegou a Minas. E dessa vez não foi pelos blogs nem pelas redes sociais. Amaury Ribeiro Jr – autor do livro que conta os caminhos e descaminhos do dinheiro das privatizações, com foco na atuação de gente muito próxima a José Serra - passou uma hora no estúdio da Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte. Foi entrevistado, nesses primeiros dias de 2012, no programa de Eduardo Costa – um apresentador muito popular.
Pra quem não conhece vale explicar: a Itatiaia é um fenômeno mineiro. Sem ligações com Globo, Abril nem com teles e outros bichos, a rádio é a mais tradicional e a mais popular de Minas. Ou seja: a “Privataria” já não está restrita à guerrilha da internet. Chegou ao rádio. Caiu na boca do povo.
A “Folha”, a “Veja”, a “Globo” (sobretudo a “Globo”) tentaram ignorar o livro. Não adiantou. A “Privataria Tucana” saiu do controle.
E não é possível ser ingênuo: a Itatiaia tem ligações com o ex-governador de Minas, Aécio Neves. Se a rádio abriu espaço para Amaury é porque Aécio permitiu ou ordenou. Ou seja: agora é confronto aberto, o tucano que tiver bico maior será o candidato a presidência pelo PSDB.

Publicado pelo Blog do Alberto Bouchardet

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

2011, o ano da mídia golpista, 2012, o ano da privataria

2011, o ano da mídia golpista, 2012, o ano da privataria
A imprensa estará muito menos disposta a comprar uma briga durante a CPI da Privataria – quer porque ela começa questionando a lisura de aliados sólidos da mídia hegemônica em 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010, quer porque esse tema é uma caixinha de surpresas.
Por Maria Inês Nassif*
Em 2005, quando começaram a aparecer resultados da política de compensação de renda do governo de Luiz Inácio Lula da Silva – a melhoria na distribuição de renda e o avanço do eleitorado “lulista” nas populações mais pobres, antes facilmente capturáveis pelo voto conservador –, eles eram mensuráveis. Renda é renda, voto é voto. Isso permitia a antevisão da mudança que se prenunciava. Tinha o rosto de uma política, de pessoas que ascendiam ao mercado de consumo e da decadência das elites políticas tradicionais em redutos de votos “do atraso”.

Um balanço do que foi 2011, pela profusão de caminhos e possibilidades que se abriram, torna menos óbvia a sensação de que o mundo caminha, e o Brasil caminha também, e até melhor. O país está andando com relativa desenvoltura. Não que vá chegar ao que era (no passado) o Primeiro Mundo num passe de mágica, mas com certeza a algo melhor do que as experiências que acumulou ao longo da sua pobre história.

O perfil político do governo Dilma é mais difuso, mas não se pode negar que tenha estilo próprio, e sorte. As ofensivas da mídia tradicional contra o seu ministério permitirão a ela, no próximo ano, fazer um gabinete como credora de praticamente todos os partidos da coalizão governamental. No início do governo, os partidos tinham teoricamente poder sobre ela, uma presidente que chegou ao Planalto sem fazer vestibular em outras eleições. Na reforma ministerial, ela passa a ter maior poder de impor nomes do que os partidos aliados, inclusive o PT. Do ponto de vista da eficiência da máquina pública – e este é o perfil da presidente – ela ganha muito num ano em que os partidos estarão mais ocupados com as questões municipais e em que o governo federal precisa agilidade para recuperar o ritmo de crescimento e fazer as obras para a Copa do Mundo.

Sorte ou arte, o distanciamento de Dilma das denúncias contra os seus ministros, o fato de não segurar ninguém e, especialmente, seu estilo de manter o pé no acelerador das políticas públicas independentemente se o ministro da pasta é o candidato a ser derrubado pela imprensa, não a contaminaram com os malfeitos atribuídos a subalternos. Prova é a popularidade registrada no último mês do ano.

Mais sorte que arte, a reforma ministerial começa no momento em que a grande mídia, que derrubou um a um sete ministros de Dilma, se meteu na enrascada de lidar com muito pouca arte no episódio do livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. Passou recibo numa denúncia fundamentada e grave. Envolve venda (ou doação) do patrimônio público, lavagem de dinheiro – e, na prática, a arrogância de um projeto político que, fundamentado na ideia de redução do Estado, incorporou como estratégia a “construção” de uma “burguesia moderna”, escolhida a dedo por uma elite iluminada, e tecida especialmente para redimir o país da velha oligarquia, mas em aliança com ela própria. Os beneficiários foram os salvadores liberais, príncipes da nova era. O livro Cabeças de Planilha, de Luís Nassif, e o de Amaury, são complementares. O ciclo brasileiro do neoliberalismo tucano é desvendado em dois volumes “malditos” pela grande imprensa e provado por muitas novas fortunas. Na teoria. Na prática, isso é apenas a ponta do iceberg, como disse Ribeiro Jr. no debate de ontem (20), realizado pelo Centro de Estudos Barão de Itararé, no Sindicato dos Bancários: se o Privataria virar CPI, José Serra, família e amigos serão apenas o começo.

A Privataria tem muito a ver com a conjuntura e com o esporte preferido da imprensa este ano, o “ministro no alvo”. Até a edição do livro, a imprensa mantinha o seu poder de agendamento e derrubava ministros por quilo; Dilma fingia indiferença e dava a cabeça do escolhido. A grande mídia exultou de poder: depois de derrubar um presidente, nos anos 1990, passou a definir gabinetes, em 2011, sem ter sido eleito e sem participar do governo de coalizão da mandatária do país. A ideologia conservadora segundo a qual a política é intrinsecamente suja, e a democracia uma obra de ignorantes, resolveu o fato de que a popularidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizimou a oposição institucional, em 2010, e a criação do PSD jogou as cinzas fora, terceirizando a política: a mídia assumiu, sem constrangimentos, o papel de partido político. No ano de 2011, a única oposição do país foi a mídia tradicional. As pequenas legendas de esquerda sequer fizeram barulho, por falta de condições, inclusive internas (parece que o PSOL levou do PT apenas uma vocação atávica para dissidências internas; e o PT, ao institucionalizar-se, livrou-se um pouco dela – aliás, nem tanto, vide o último capítulo do livro do Amaury Ribeiro Jr.).

Quando a presidente Dilma Rousseff começar a escolher seus novos ministros, e se fizer isso logo, a grande mídia ainda estará sob o impacto do contrangimento. Dilma ganhou, sem imaginar, um presente de Papai Noel. A imprensa estará muito menos disposta a comprar uma briga durante a CPI da Privataria – quer porque ela começa questionando a lisura de aliados sólidos da mídia hegemônica em 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010, quer porque esse tema é uma caixinha de surpresas.

Isso não chega a ser uma crise que a democracia não tenha condições de lidar. Na CPI dos Anões do Orçamento, que atingiu o Congresso, os partidos viveram intensamente a crise e, até por instinto de sobrevivência, cortaram na própria carne (em alguns casos, com a ajuda da imprensa, jogaram fora a água da bacia com alguns inocentes junto). A CPI pode ser uma boa chance de o Brasil fazer um acerto com a história de suas elites.

E, mais do que isso, um debate sério, de fato, sobre um sistema político que mantém no poder elites decadentes e é facilmente capturado por interesses privados. Pode dar uma boa mão para o debate sobre a transparência do Estado e sobre uma verdadeira separação da política e do poder econômico. 2012 pode ser bom para a reforma política, apesar de ter eleições municipais. Pode ser o ano em que o Brasil começará a discutir a corrupção do seu sistema político como gente grande. Cansou essa brincadeira de o tema da corrupção ser usado apenas como slogan eleitoral. O Brasil já está maduro para discutir e resolver esse sério problema estrutural da vida política brasileira.

(*) Colunista política, editora da Carta Maior em São Paulo
Fonte: Carta Maior

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Deputado entrega pedido para criação de CPI sobre privatizações

Deputado entrega pedido para criação de CPI sobre privatizações
Rodolfo Stuckert
Marcos Maia,presidente da Câmra dos Deputados, espera que possível CPI não se transforme em mera briga política.

O deputado Delegado Protógenes (PCdoB-SP) entregou nesta quarta-feira, 21.12, ao presidente da Câmara, Marco Maia, o pedido para a criação de uma CPI para investigar possíveis irregularidades em privatizações do Governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

O requerimento foi assinado por 206 deputados. A intenção é averiguar as denúncias apresentadas no livro "A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr.

O livro acusa, entre outras autoridades, o ex-governador de São Paulo José Serra de receber propinas de empresários que participaram das privatizações conduzidas pela gestão FHC.
Protógenes disse que não teme pressões para que parlamentares retirem as assinaturas até a análise do processo para a criação da CPI.
"Todos que assinaram firmaram o compromisso: ‘assinei porque quero esclarecer essa verdade'. Então, dificilmente vão retirar suas assinaturas."
Requisitos
Marco Maia explicou que as assinaturas serão conferidas pela Secretaria Geral da Mesa no início de 2012 e, se o pedido cumprir todas as exigências regimentais, a CPI será criada no próximo ano, juntamente com as comissões parlamentares de inquérito sobre o tráfico de pessoas e sobre o trabalho escravo.

O presidente espera que a CPI sobre privatizações não se transforme apenas em brigas políticas entre governistas e oposição. "É uma CPI explosiva, que tem contornos muito claros de debate político, mas tenho visto também nas declarações dadas pelo Delegado Protógenes que, na verdade, ela tem o intuito de esclarecer os fatos, de dar, inclusive, a oportunidade do contraditório aos acusados pelo autor do livro”, afirmou Maia.

Reportagem – Keila Santana/Rádio Câmara - Edição – Marcelo Oliveira
Postado pelo cientitsta político Rudá Ricci, no seu Blog De esquerda em Esquerda.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A privatização e as fortunas dos homens de confiança de Serra

Amaury Jr: os homens de confiança de Serra e suas contas fabulosas em paraísos fiscais O jornalista Amaury Ribeiro Junior, indiciado no caso da violação do sigilo fiscal de lideranças tucanas e familiares do candidato José Serra, entregou nesta terça-feira (26.10.10) uma carta aos jornalistas. Nela, o repórter vencedor de três Prêmios Esso de Jornalismo --dois deles quando trabalhava no jornal O Globo-- relata parte do material entregue à Polícia Federal referente a investigações feitas sobre o processo de privatização de estatais no governo FHC.
Leia a íntegra do documento:

Nota à imprensa
Aos colegas jornalistas:
Estou passando às mãos de todos cópia de uma pequena parte do material que entreguei hoje à Polícia Federal. Todos os papéis foram obtidos de forma legal sem quebra de sigilo fiscal. Vale lembrar que a documentação refere-se aos anos de 1998 até 2002.

O que foi entregue não é resultado de militância partidária, que nunca tive, e sim da única militância que reconheço e pratico, a do jornalismo. Prova disse é que, em junho de 2005, fui o autor de "Aparece o dinheiro", reportagem de IstoÉ (edição 1863), em que foi exposto o Mensalão do PT. Desejo que a liberdade de imprensa em vigor no país possa servir, agora, ao esclarecimento da população.

São informações oficiais a que tive acesso nos longos anos em que estou trabalhando no tema das privatizações. Pela primeira vez estão sendo trazidas ao conhecimento público. São, portanto, absolutamente inéditas. Foram obtidas judicialmente através de uma ação de exceção de verdade. São documentos da CPMI do Banestado, cujo acesso estava, até então, proibido aos brasileiros. Agora, vieram à luz. Espero que possam, enfim, ajudar a esclarecer um período sombrio do país. Vocês são parte importante e decisiva neste processo.

Chamo a atenção para dois pontos especialmente, ambos alicerçados em informações oficiais obtidas pela dita CPMI na base de dados da conta Beacon Hill do banco JP Morgan Chase e no MTB Bank, ambos de Nova York. A Beacon Hill Service Corporation (BHSC) onde eram administradas muitas subcontas com titulares ocultos. Nos EUA, a BHSC foi condenada em 2004 por operar contra a lei.

No Brasil, inspirada pela designação Beacon Hill, a Polícia Federal deflagrou a Operação Farol da Colina, apurando, entre outras personalidades envolvidas, nomes como os do ex-governador paulista Paulo Maluf e do banqueiro Daniel Dantas. Os pontos em questão são os seguintes:

1 . Os depósitos comprovados (pag. 4/11) do empresário GREGÓRIO MARIN PRECIADO, casado com uma prima de JOSÉ SERRA e ex-sócio do ex-governador de São Paulo (o mesmo SERRA), na conta da empresa Franton Interprises (pag. 3/11), vinculada ao ex-caixa de campanha do próprio SERRA e de FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, RICARDO SÉRGIO OLIVEIRA. A soma de tais valores ultrapassa os US$ 1,2 milhão e cresce sobretudo no ano eleitoral de 2002, quando SERRA foi candidato à Presidência. Mais de 80% dos recursos recebidos pela Franton na Beacon Hill tem origem em PRECIADO. RICARDO SÉRGIO, como se sabe, foi diretor do Banco do Brasil e o grande articulador de consórcios de privatização no período FHC.

2. Os depósitos realizados pela empresa Infinity Trading, pertence ao empresário CARLOS JEREISSATI, (pag 9/11) igualmente na Franton Interprises e RICARDO SÉRGIO. JEREISSATI liderou um dos consórcios que participou dos leilões de privatização e comprou parte da Telebrás. É de conhecimento geral que a formatação de consórcios e as privatizações da Telebrás também tiveram a intervenção de RICARDO SÉRGIO. Em muitas ocasiões se falou de propina na venda de estatais, mas esta é a primeira vez que aparece uma evidência disso lastreada por documentos bancários oficiais.

Tenho certeza da relevância do material e espero que façam bom uso dele. Um abraço a todos e bom trabalho.
Amaury Ribeiro Junior
Repórter


Texto publicado no site http://www.cartamaior.com.br/
Leia mais sobre a privataria e o envolvimento de José Serra e sua família:
http://tudo-em-cima.blogspot.com/livro-os-poroes