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sábado, 18 de janeiro de 2014

Presidenta Dilma faz história: enquadra espião Tio Sam

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Obama é um conciliador e valoriza a cultura política


A posse de Obama

Adam Nagourney publicou, hoje, no The New York Times que o discurso de Obama para esta segunda posse foi mais contundente do que se poderia imaginar. Reafirmou o compromisso com a luta contra a desigualdade e os programas sociais. Também reforçou a preocupação com a mudança climática (que deu o tom de liderança, de protagonismo em relação à agenda mundial) e mencionou diretamente o movimento social pelos direitos dos homossexuais. 

Toda posse tem seu simbolismo e esta também teve o seu toque com o poeta hispânico homossexual Richard Blanco recitando um poema sobre igualdade.

Em 2009 foram 1,8 milhão de pessoas à sua primeira posse. Desta vez, foram 800 mil.

Discurso e número de presentes na posse dizem tudo.
A campanha midiática de 2008 fugiu do controle da coordenação de campanha. Obama foi tomado por todas minorias. Latinos faziam músicas para sua campanha e postavam no youtube. Nada se vinculava à campanha oficial. Acabou que o personagem foi catapultado a algo maior que o legado dos Kennedy. E Obama nunca foi isto tudo. 

Seus colegas de faculdade sempre disseram que se tratava de um conciliador charmoso. Todo conciliador é comedido porque procura dar espaços para os extremos, transformando-os. Ora, de tão atento ao discurso dos outros, é comum que seu discurso se confunda com a mediação. Uma personalidade mediana, enfim.

Enfrentou a crise de 2008, parecia retomar o New Deal, mas fraquejou. 

Dois momentos o recolocaram no eixo democrata: a intervenção na economia, para salvaros dedos do sistema bancário, e o programa nacional de saúde. Paul Krugman lembrou, em artigo publicado hoje em todo mundo, que o vice-presidente Joe Biden havia dito que o Affordable Care Act (a lei de reforma da saúde) tinha sido um "big deal" (um trocadilho, obviamente, embora signifique uma importante conquista).
No final do primeiro mandato, Obama recebeu um outro elemento de seu discurso democrata: a luta contra a indústria de armas, a partir do massacre (mais um na terra de Obama) na escola Sandy Hook, em Connecticut. Mais um simbolismo. 

Porque o que está em jogo naquele país não é exatamente a saúde ou o combate à venda de armas para civis. O que está em jogo é o papel do Estado. 

Como o mundo ficou mais conservador neste novo século, Obama enfrenta o ultraconservadorismo do Tea Party. A tese da "curvatura da vara" de Lênin, neste caso, leva a marca do moderado líder negro: não chega a radicalizar para o outro lado, mas faz algum esforço para trazer a cultura política para o centro. Ocorre que o ultraconservadorismo pautou por tanto tempo os EUA que até a moderação é acusada de esquerdismo.

Obama, de qualquer maneira, agora é mais ele mesmo que em 2009. Tem a chance de ser um liberal moderado que lidera um país ferido em seu orgulho por já não ser a economia pujante que o marcou desde os anos 1930. 

Orgulho ferido sempre é um péssimo conselheiro político. Por este motivo, mesmo sendo agora o verdadeiro Obama, tudo o que fizer será sempre acusado por grande parte dos EUA como radical, socialista, estatizante e anti-americano.

Mas não será nem sombra de Kennedy, nem Clinton, muito menos Martin Luther King Jr.

Será Obama. Pela primeira vez.

Análise de conjuntura de Rudá Riicci, cientista politico

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Eleição de Obama mostra sociedade americana dividida


O significado da reeleição de Barack Obama

Barack Obama está longe de ser o presidente “dos nossos sonhos”. Mas sem dúvida Mitt Romney na Casa Branca seria um pesadelo. Entretanto o mais importante é tentar ver o país por detrás do véu eleitoral e o país que se vislumbra é o de uma sociedade profundamente dividida.

Enquanto eu redigia esse artigo, a apuração na Flórida continuava embaçada. Mas Barack Obama já estava reeleito. Não só isso: tinha uma pequena vantagem sobre Romney. Mesmo que Obama viesse a perder neste estado, esta situação, por si só, indica alguma mudança no panorama político norte-americano.

Claro: Barack Obama está longe de ser o presidente “dos nossos sonhos”. Mas sem dúvida Mitt Romney na Casa Branca seria um pesadelo.

Entretanto o mais importante é tentar ver o país por detrás do véu eleitoral – ainda mais um véu tão espesso quanto este da polarização entre democratas e republicanos no establishment norte-americano.

O país que se vislumbra é o de uma sociedade profundamente dividida. E os termos da divisão não são muito diferentes daqueles que têm vigência em muitos outros países, da Europa submergindo na sua própria crise à América Latina emergente em termos sociais, políticos e econômicos.

De um lado estão aqueles que defendem uma intervenção mínima do Estado na regulamentação da economia e na criação de postos de trabalho. Defendem redução de impostos para os mais ricos e para os ganhos de capital, com a visão de que isso favorece a “atividade econômica”. Os que contabilizam investimentos sociais como “gasto público”. Do outro, os que defendem uma interveção minimamente mais robusta do Estado na geração de empregos, com um sistema de taxação que pelo menos não penalize a classe média e os mais pobres.

Outro ponto que marcou essa eleição também é compartilhado com as sociedades européias, e se refere ao tratamento dos imigrantes. De um lado estão aqueles que defendem uma política mais xenófoba e agressiva no que se refere à imigração; do outro, os que defendem uma política mais tolerante. De ambos os lados dessa questão encontram-se os que mantém uma das duas posições em interesse próprio. Mas também há aqueles que encaram a questão de um ponto de vista mais ideológico: de um lado os que vêm como fundamental uma defesa da “integridade” cultural, nacional, religiosa, ou outra; e do outro os que defendem uma maior abertura à multiculturalidade e à mixagem social, naqueles mesmos campos do espectro espiritual de uma nação, tanto do ponto de vista intelectual quanto do coletivo.

Aliás, sublinhe-se que este último tópico – tratamento dispensado aos imigrantes – foi decisivo nesta eleição norte-americana, segundo vários analistas internacionais, em diferentes mídias. Em 2008 um dos fatores apontados para a vitória de Barack Obama foi sua catalização do voto jovem. Desta vez, muitas análises apontam para o fator decisivo do voto chamado de “latino”, ou seja, dos imigrantes hispano-americanos e de seus descendentes.

Segundo o instituto de pesquisas Pew, há 24 milhões de eleitores “latinos” nos Estados Unidos, e eles estão se tornando rapidamente a maior “minoria” no país, num contexto em que dentro de duas décadas as “minorias” constituirão, todas juntas, a “maioria”. Segundo a estimativa do mesmo instituto, 71% desse voto “latino” foi, desta vez, para Barack Obama, e apenas 27% para Mitt Romney, o que provavelmente decidiu a votação em vários estados, inclusive no estado-chave de Ohio, em que o candidato republicano precisava vencer para ter alguma chance de vitória na contagem geral.

Também deve-se ver aí uma das razões para essa nova situação de equilíbrio que se desenhou na Flórida, onde a geração de “latinos” anti-castristas, formada por aqueles que fugiram da Revolução Cubana e de seus descendentes imediatos está vendo seu espaço político parcialmente ocupado por uma terceira geração que tem outras preocupações, outros compromissos e também outros desenhos ideológicos motivadores.

Se nesta eleição pode-se apontar um perdedor além de Mitt Romney, trata-se do grupo Tea Party. Esse agrupamento de extrema-direita apostou tudo em ocupar o espaço interno do Partido Republicano para bloquear o espaço externo com o objetivo de derrotar não só Obama (apontado pela retórica ridícula do grupo como um “socialista”) mas todo e qualquer princípio ou prática que lembrem, mesmo que de longe, algo semelhante ao New Deal.

Os membros desse grupo certamente alegarão que a derrota de Romney se deve à “desmotivadora” aproximação deste com o “centro”. Podem estar atirando num alvo e acertando em outro. Porque não resta dúvida de que, mantendo-se alinhado na extrema-direita norte-americana (com a indicação, por exemplo, de Paul Ryan como vice), Mitt Romney terminou por tornar-se, ressalvadas as devidas proporções, uma espécie de José Serra ao norte do Rio Bravo, procurando, no final, apresentar-se de modo camaleônico, assumindo cores díspares em seu discurso de acordo com o momento e a circunstância. Isso contribuiu mais para afastar correligionários do que para atrair eleitores indecisos.

Não se deve desprezar o alinhamento de personagens, grupos e setores tradicionais do establishment norte-americano. Neste sentido, Barack Obama também saiu-se melhor do que Romney. Obama conseguiu de um certo modo alinhar atrás de si o conjunto do establishment democrata, sendo a ponta desse iceberg a adesão à sua campanha de Bill Clinton (talvez tendo em vista também uma possível eleição de Hillary daqui a quatro anos). Clinton, simbolicamente pelo menos, traz consigo setores do sindicalismo corporativo norte-americano. Já Romney enfrentou defecções graves em seu campo, como a do governador Chris Christie, de Nova Jersey, depois do desastre do furacão Sandy, e do general Colin Powell, tradicionalmente eleitor republicano (mas que já apoiara Obama em 2008).

Mas também não se deve perder de vista as transformações e tensões que estão redefinindo o desenho interno da sociedade norte-americana.

Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Dois Obamas: fala macia e autodeterminação; e outro, porrete e guerra

Um Obama, no Rio: pela autodeterminação dos povos
Outro Obama, na África: autoriza início de guerra contra Líbia
Em viagem ao Brasil, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu sinal verde à agressão contra a Líbia. Ao mesmo tempo, foi bajulado de forma vergonhosa pela mídia brasileira, que se derramou em elogios ao chefe da Casa Branca.

A política norte-americana segue um provérbio africano: falar macio, mas com um grande porrete na mão.

Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz e do Cebrapaz, afirmou que a hipocrisia do imperialismo se manifestou na visita de Obama, quando o estadunidense declarou no Rio de Janeiro ser a favor da autodeterminação dos povos, ao mesmo tempo que seu aparelho de guerra disparava contra civis na distante Líbia.

"A hipocrisia do imperialismo é enorme. Ao mesmo tempo que prega a autodeterminação para os povos, agride o norte da África para intimidar e aterrorizar aqueles que desejam escolher seu próprio caminho", diz Socorro.

"Na essência, a administração Obama é diferente da anterior apenas na retórica. Essa administração conserva o mesmo interesse mesquinho que as outras, ao investir e perpetuar as ocupações do Iraque, do Afeganistão, que agora se espalha para o Paquistão, e agora na Líbia", protesta.

Socorro disse que a manifestação dos movimentos sociais, no domingo, no Rio de Janeiro, contra a visita de Obama, foi cercada por forte aparato repressivo e alvo de intimidações e ameaças. "Havia cavalaria, tropas do Exército, blindados, helicópteros e atiradores de elite por todos os lados. Na antevéspera, em outro protesto, inclusive 13 militantes foram presos", conta. "O imperialismo não deseja manter a paz. Quer apenas controlar os recursos energéticos, deixando-os ao dispor de seus interesses. Condenamos com veemência a agressão desses países contra a Líbia, um verdadeiro atentado à paz e ao Direito Internacional", finaliza.

Fonte: www.vermelho.org.br

Obama parte e fica sentimento de frustração

Obama parte e fica sentimento de frustração
Nada dos milionários acordos comerciais esperados...
Zé Dirceu
Obama e MichelleEncerrou-se há poucas horas, quando ele partiu do Rio para o Chile e El Salvador, a visita de dois dias ao Brasil (sábado e domingo) do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Quem, correta e legitimamente, investiu muito e criou grande expectativa de milionários e fenomenais acordos comerciais entre os dois países frustrou-se.

Da viagem - e como eu já escrevi aqui no sábado - o que sobrou foram só o show dos rigores da segurança em todos os lugares e o tempo todo, e a simpatia pessoal do presidente e de sua mulher, Michelle, o que registremos, não leva a nada.

Foram assinados 10 acordos entre os dois países, nenhum de peso, que tenha se sobressaído, merecido título à parte e com destaque em reportagem ou ser esmiuçado pela mídia. O presidente Obama tergiversou o tempo todo.

"Apreço não é apoio e parceiro não é aliado"

Apesar do seu brilhantismo oratório, pautou toda a viagem por aquele script velho, roto, já cumprido por antecessores seus em visitas anteriores, com o reconhecimento de que o Brasil era o país do futuro, mas o futuro já chegou, e sobre a genialidade da arquitetura de Brasília.

Para ilustrar o vazio de resultados, fico em um ponto em todo o floreio da oratória do presidente Obama no Brasil - na questão da reivindicação de nosso país a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. Obama ficou vários, muitos tons abaixo do apoio explícito que deu em Nova Delhi, por exemplo, ao pleito de inclusão da Índia, também por uma vaga no mesmo Conselho.

Aqui, o presidente dos EUA disse genericamente que é um parceiro, e como tal, tem apreço pela aspiração do Brasil na ONU. Pois bem, como disse em artigo a correspondente da Folha de S.Paulo em Boston (Massachussets-EUA), Luciana Coelho, apreço não é apoio e parceiro não é a mesma coisa que aliado que apoia um pleito.

Foto: Fábio Pozzebom/ABr

domingo, 20 de março de 2011

WikiObama: como é conduzido o governo dos EUA

WikiObama: como é conduzido o governo dos EUA
Em documentos revelados pelo WikiLeaks tomamos conhecimento de ações do governo norte-americano e seus lobbies para combater a lei do pré-sal e que a Casa Branca pressionou autoridades ucranianas para obstaculizar o desenvolvimento do projeto conjunto Brasil-Ucrânia de implantação da plataforma de lançamento dos foguetes. Portanto, já é hora pararmos com essa ladainha de visita simbólica ou de início de uma nova parceria estratégica. O artigo é de Reginaldo Nasser.
Reginaldo Nasser, na Carta MaiorQual é o real significado, em termos de política externa, da visita do presidente da república imperial? Até que ponto devemos levar em consideração a sua fala?

Em 2009, Obama fez o famoso discurso do Cairo que deverá entrar para a história da diplomacia como um dos mais importantes exercícios de retórica, pois o apoio aos ditadores e a Israel continuou como nunca.

Como esquecer da carta que enviou ao Presidente Lula instando o Brasil a trazer o Irã para a mesa de negociação e dias depois condenar a “aproximação” dos dois países?

Nesse sentido, creio ser apropriado relembrar os ensinamentos do sociólogo alemão, Max Weber, em texto publicado no início do século XX. Weber advertia que aquele que realmente quisesse encontrar o verdadeiro poder do Estado, não deveria dar tanta relevância para os discursos parlamentares ou para as falas dos presidentes, mas sim observar a forma como é conduzida a administração rotineira do Estado.
Que tal uma passada de olhos sobre os acontecimentos dessa semana e verificar a “rotina imperial” ( 12 a 19 de março)?
Após a derrubada de Mubarak, Obama disse que “era a força moral da não-violência, e não a violência, a força moral que dobrou o arco da história para a justiça”. Entretanto o Pentágono e o lobby da indústria de armas dobraram o arco da história contra os manifestantes pró-democracia no Bahrein.


Pode ser mera coincidência, mas é curioso constatar que, após viagem do Secretário de Defesa, Robert Gates, ao Bahreim no dia 11 de Março a Arábia Saudita enviou tropas para aquele país, dando maior consistência ao processo contra-revolucionário
com extrema violência.

Os seis Estados membros do Conselho de Cooperação do Golfo (Bahrein, Kuwait, Omã, Qatar, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos) têm fortes ligações com o Pentágono desde os anos 1990. Receberam dos EUA nos últimos quatro anos grandes quantidades de material militar (veículos blindados, aviões, metr

alhadora e munições) no valor de US $ 70 bilhões
O circulo de poder entre a indústria militar, os Estados do Golfo e o Pentágono inclusive asseguraram uma mudança da doutrina de “mudança de regime “, como no Egito ou Tunísia, para “alteração de regime” a fim de garantir o atual governo.

No dia 18 de março, o Center for Constitutional Rights (Fundado em 1966 por ativistas dos direitos civis nos EUA) divulgou um relatório solicitando a administração de Obama a passar da retórica à ação, e a urgência em adotar medidas concretas para cumprir com as suas obrigações internacionais dos direitos humanos. As denúncias versam sobre questões que vão desde a discriminação racial, execuções extrajudiciais até a prática de tortura no Iraque, Afeganistão e Guantamo (lembram-se da promessa em início de mandato?).

No dia 17 de março, em matéria do The Guardian ficamos sabendo que os militares dos EUA estão desenvolvendo um software que permitirá secretamente manipular os meios de comunicação com falsos nomes para influenciar e espionar as redes sociais com o objetivo de combater as “ideologias extremistas”. O porta-voz Centcom, orgão gerenciador do projeto, esclareceu, sem meias palavras que nenhuma das intervenções será feita em língua inglesa porque seria ilegal!

Na política doméstica, esta cada vez mais claro que Washington perdeu o interesse pelo problema do desemprego. O governo Obama foi derrotado na “guerra de idéias”. Em recente pesquisa de opinião pública, a maioria dos americanos, com razão, já não nota diferença significativa entre democratas e republicanos no que se refere ao debate sobre o deficit. (Paul Krugman The Forgotten Millions, 18/03/ 2011 The New York Times).

Em documentos revelados pelo WikiLeaks tomamos conhecimento de ações do governo norte-americano e seus lobbies para combater a lei do pré-sal e que a Casa Branca pressionou autoridades ucranianas para obstaculizar o desenvolvimento do projeto conjunto Brasil-Ucrânia de implantação da plataforma de lançamento dos foguetes.



Portanto, já é hora pararmos com essa ladainha de visita simbólica ou de início de uma nova parceria estratégica.

(*) Professor de Relações Internacionais da PUC (SP) e Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp e PUC-SP