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sexta-feira, 1 de maio de 2020

12 músicas em Homenagem ao Trabalhador

Candido Portinari, o pintor do café - Revista Globo Rural | Cultura

O Blog do Banu selecionou 12 músicas que falam do trabalho e do trabalhador de todo o mundo.
Uma homenagem ao Dia de Luto e Luta de todos os Trabalhadores: 1º de Maio.
Uma figura muito presente em muitas canções brasileiras é o trabalhador brasileiro. Explorado pelos patrões, recebendo baixos salários, trabalhando mais de 10 horas por dia, em péssimas condições de trabalho, pegando 4 conduções para ir ao trabalho, morando na periferia, sem moradia decente, sem esgotamento sanitário... Sempre cheio de problemas de sobrevivência, dívidas, expectativas e responsabilidades, o trabalhador brasileiro continua a produzir muito. Mas, é pouco reconhecido pelo Estado e pelos donos do capital.
Na crise do coronavírus é quem paga o pato. Salários reduzidos, demissão, sem reserva pra fazer a feira semanal, pagar o aluguel, vivenciando o adensamento no transporte coletivo, sem equipamentos de proteção individual, embolado com a família em poucos metros quadrados... 
E ainda luta para receber a merreca de R$ 600 de Auxílio Emergencial que humilha e revolta milhões de pais, mães e famílias
Mais ainda: o governo Bolsonaro e os empresários querem tirar os poucos direitos trabalhistas que tem, escravizando ainda mais a sua vida. Socorro do Governo vai para bancos (R$ 1,3 trilhão), para Planos de Saúde (R$ 15 bilhões), para grandes empresas (perdão de dívidas, rigidez e aglomeração no trabalho, etc). E para o trabalhador: mais sacrifícios.

No mundo todo, hoje é dia de luta e luto dos trabalhadores. Não é dia de festa, de enganar e esconder o significado, a simbologia dessa data.
Para amenizar os corações dos trabalhadores, estão aí 12 links de músicas em homenagem aos trabalhadores e trabalhadoras.   
1 - Construção – Chico Buarque (1971)
Composição: Chico Buarque
 2 - O Patrão Nosso de Cada Dia – Secos & Molhados (1973). 
Composição: João Ricardo/ Molhados / Secos
A música faz um trocadilho no título da música. Fala da relação abusiva entre patrões e trabalhadores e alude à expressão ‘o pão nosso de cada dia’

3 - Zé Ninguém – Os Juls (2015)

Composição: Daniel Villaça / Fred Brade.

 4 - Trabalhadores Brasileiros – Espermogramix (2006)

5 - Dívidas – Paulinho da Viola

Composição:Paulinho da Viola e Elton Medeiros

6 - Cio da Terra, com Milton Nascimento, Pena Branca e Xavantinho

Composição: Milton Nascimento e Chico Buarque

https://www.youtube.com/watch?v=3BDTbOnC8-I
O Cio da Terra - Pena Branca e Xavantinho - LETRAS.MUS.BR



7 -  Comida - Titãs
Composição: Arnaldo Antunes, Sérgio Brito e Marcelo Fromer.
https://www.youtube.com/watch?v=W5TI7iLvHC4
Música de agora: Comida – Titãs - Blog de Rocha


8 -  Canto das três raças - Clara Nunes

Composição: Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte
https://www.youtube.com/watch?v=Swbt2HGmXmY
Clara Nunes - Canto das 3 raças - YouTube

9 - Ordem e Progresso - Beth Carvalho
Composição : Zé Pinto
https://www.youtube.com/watch?v=fUhKVuGErMU

ORDEM E PROGRESSO (Zé Pinto) - Intérprete: Beth Carvalho - YouTube


10 - Trabalhador Brasileiro - Seu Jorge (2010)
Composição: Seu Jorge
https://www.letras.mus.br/seu-jorge/1089734/
Trabalhador - Seu Jorge - LETRAS.MUS.BR

     
11 - Do Brasil (2008) com Vander Lee
Composição: Vander Lee
https://www.youtube.com/watch?v=oe5ElJcnMyU

Do Brasil Vander Lee - YouTube

12 - Himno La Internacional - versión latinoamericana y caribeña ...

Composição: Letra Eugène Potier (1871) e música Pierre de Geytier (1888).
www.youtube.com › watch
- Traduzir esta página
Vídeo para Hino A Internacional Latino americana e caribenha▶ 5:28

... Latinoamericana y del Caribe de Trabajadores Estatales (CLATE) sobre el Himno de los trabajadores y ...
29 de abr. de 2018 - Vídeo enviado por EstatalesCLATE
Internacional Comunista ganha versão latino-americana e caribenha ...
A Internacional Comunista – hino internacionalista e uma das canções mais conhecidas de todo o mundo – ganhou uma versão latino-americana e caribenha produzida pela Presidência da Confederação Latino-americana e do Caribe dos Trabalhadores Estatais (CLATE).
Com versos e melodias compostas por trabalhadores, o hino se espalhou pelo mundo e, nesta versão em espanhol e português, também é interpretado como um samba.
A letra, escrita originalmente em francês, de 1871, é de Eugène Pottier, um dos revolucionários da Comuna de Paris. E a música, de Pierre de Geyter, é de 1888.
Ouça a nova versão latino-americana e caribenha
A Internacional - Garotos Podres
Versão: Rock brasileiro
https://www.vagalume.com.br › Punk Rock › G › Garotos Podres


Garotos Podres - A Internacional (música para ouvir e letra da música com legenda)! Cortai o mal bem pelo fundo / De pé de pé não mais senhores / Se nada
Hino da Internacional comunista - YouTube
Postado por Álbano Silveira Machado às sexta-feira, maio 01, 2020 Nenhum comentário:
Marcadores: arte, Dia do Trabalhador, música, trabalhador

segunda-feira, 1 de maio de 2017

10 poesias em homenagem ao trabalhador

O Blog do Banu selecionou 10 poemas sobre o trabalhador e seu dia de luto e de luta: 01 de maio.

São crônicas e poemas consagrados de poetas brasileiros, uruguaio, alemão e russo.

“O Quarto Estado”, de Giuseppe Pellizza. 1901, ost, 293 X 545cm


01 - Meu Maio
Vladimir Maiakovski (1893-1930) poeta russo
Caminhando em seus versos, como nas ruas do mundo, nos encontramos na praça pública no dia 1º de Maio, para ouvir e gritar as nossas palavras de ordem, para lutar por nossos direitos, sempre.
A todos
que saíram às ruas
de corpo-máquina cansado,
A todos
Que imploram feriado
às costas que a terra extenua –
Primeiro de Maio!
Meu mundo, em primaveras,
derrete a neve com sol gaio.
Sou operário –
este é o meu maio!
Sou camponês - Este é o meu mês.
Sou ferro –
eis o maio que eu quero!
Sou terra –
O maio é minha era!

02 - Perguntas de um Operário Letrado
Bertolt Brecht (1898-1956), poeta, romancista e dramaturgo alemão

Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas.

03 - Mulher Proletária
Jorge de Lima (1893-1953), poeta brasileiro

Mulher proletária — única fábrica
que o operário tem, (fabrica filhos)
tu
na tua superprodução de máquina humana
forneces anjos para o Senhor Jesus,
forneces braços para o senhor burguês.


Mulher proletária,
o operário, teu proprietário
há de ver, há de ver:
a tua produção,
a tua superprodução,
ao contrário das máquinas burguesas
salvar o teu proprietário.

 04 - NA LUTA DE CLASSES
 PAULO LEMINSKI (1944-1989)  poeta brasileiro
Simples e de poucas palavras, demonstra o impacto da escrita na luta social:
“Na luta de classes
todas as armas são boas
pedras
noites
poemas”
05 - A CANÇÃO DO AFRICANO
 CASTRO ALVES 1947-1981)  poeta brasileiro
O poema “Canção do africano” é datado de 1863.  O autor demonstra claro engajamento abolicionista, expondo, na obra, a dolorida situação dos escravos do período.
[…]O escravo então foi deitar-se,
Pois tinha de levantar-se
Bem antes do sol nascer,
E se tardasse, coitado,
Teria de ser surrado,
Pois bastava escravo ser.
E a cativa desgraçada
Deita seu filho, calada,
E põe-se triste a beijá-lo,
Talvez temendo que o dono
Não viesse, em meio do sono,
De seus braços arrancá-lo!”
06 - NÃO HÁ VAGAS
 FERREIRA GULLAR (1930-2016)  poeta brasileiro
“O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
– porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira”

07 - Tem gente com fome
 Solano Andrade – poeta negro brasileiro (1908-1974)
Trem sujo da Leopoldina 
correndo correndo 
pra dizer 
tem gente com fome 
tem gente com fome 
tem gente com fome 

Piiiii 

estação de Caxias 
de novo a dizer 
de novo a correr 
tem gente com fome 
tem gente com fome 
tem gente com fome 
Vigário Geral 
Lucas 
Cordovil 
Brás de Pina 
Penha Circular 
Estação da Penha 
Olaria 
Ramos 
Bom Sucesso 
Carlos Chagas 
Triagem, Mauá 
trem sujo da Leopoldina 
correndo correndo 
parece dizer 
tem gente com fome 
tem gente com fome 
tem gente com fome 
Tantas caras tristes 
querendo chegar 
em algum destino 
em algum lugar 

Trem sujo da Leopoldina 
correndo correndo 
parece dizer 
tem gente com fome 
tem gente com fome 
tem gente com fome 

Só nas estações 
quando vai parando 
lentamente começa a dizer 
se tem gente com fome 
dá de comer 
se tem gente com fome 
dá de comer 
se tem gente com fome 
dá de comer 

Mas o freio do ar 
todo autoritário 
manda o trem calar 
Psiuuuuuuuuuu

08 - A desmemória 
Eduardo Galeano (1940-2015) escritor, jornalista, cronista e poeta uruguaio
Chicago está cheia de fábricas. Existem fábricas até no centro da cidade, ao redor de um dos edifícios mais altos do mundo. Chicago está cheia de fábricas, Chicago está cheia de operários.
Ao chegar ao bairro de Heymarket, peço aos meus amigos que me mostrem o lugar onde foram enforcados, em 1886, aqueles operários que o mundo inteiro saúda a cada primeiro de maio.
— Deve ser por aqui – me dizem. Mas ninguém sabe. Não foi erguida nenhuma estátua em memória dos mártires de Chicago nem na cidade de Chicago. Nem estátua, nem monolito, nem placa de bronze, nem nada.
O primeiro de maio é o único dia verdadeiramente universal da humanidade inteira, o único dia no qual coincidem todas as histórias e todas as geografias, todas as línguas e as religiões e as culturas do mundo; mas nos Estados Unidos o primeiro de maio é um dia como qualquer outro. Nesse dia, as pessoas trabalham normalmente, e ninguém, ou quase ninguém, recorda que os direitos da classe operária não brotaram do vento, ou da mão de Deus ou do amo.
Após a inútil exploração de Heymarket, meus amigos me levam para conhecer a melhor livraria da cidade. E lá, por pura curiosidade, por pura casualidade, descubro um velho cartaz que está como que esperando por mim, metido entre muitos outros cartazes de música, rock e cinema.
O cartaz reproduz um provérbio da África: Até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caçadas continuarão glorificando o caçador.
09 - A HORA DOS FERREIROS
Pedro Tierra (1948 -     ) poeta brasileiro

Quando o sol ferir
com punhais de fogo
                   e forja
a exata hora dos ferreiros,
varrei o pó da oficina
e a mansidão dos terreiros,
libertai a alma dos bronzes
e dos meninos
desatada em som
e nessa aguda solidão
que em ondas se apazigua
— ponta de espinho antigo —
na carne
         do coração.

Convocai enxadas,
foices, forcados, facões,
grades, cutelos, machados,
a pesada procissão dos  ferros
afeitos ao rigor da terra
                   e da procura
e, por fim, as mãos,
                   resignadas,
multiplicadas no cereal maduro.

Mãos talhadas em silêncio
                   e ternura,
que plantam a cada dia
sementes de liberdade
e colhem ao fim da tarde
celeiros de escravidão.

Esgotou-se o tempo de semear
e inventou-se a hora do martelo.
Retorcei na bigorna outros anelos
e a força incandescente deste mar
de ferros levantados.

Esgotou-se o tempo de consentir
e pôs-se a andar
a multidão dos saqueados
contra os cercados do medo.

Homens de terra
e relâmpago!
Convertei em fuzis vossos arados,
armai com farpas e pontas
a paz de vossas espigas


10 - O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO
 VINICIUS DE MORAES (1913-1980)  Compositor, jornalista e poeta brasileiro
A obra relata a história de um operário que se dá conta da condição injusta de trabalho, fazendo uma crítica à situação a qual os trabalhadores são submetidos e o nascimento da consciência de classe.
O operário em construção

                                Vinicius de Moraes 

E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo: 
- Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu. E Jesus, respondendo, disse-lhe: 
- Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás. 
Lucas, cap. V, vs. 5-8.

Era ele que erguia casas 
Onde antes só havia chão. 
Como um pássaro sem asas 
Ele subia com as casas 
Que lhe brotavam da mão. 
Mas tudo desconhecia 
De sua grande missão: 
Não sabia, por exemplo 
Que a casa de um homem é um templo 
Um templo sem religião 
Como tampouco sabia 
Que a casa que ele fazia 
Sendo a sua liberdade 
Era a sua escravidão. 
De fato, como podia 
Um operário em construção 
Compreender por que um tijolo 
Valia mais do que um pão? 
Tijolos ele empilhava 
Com pá, cimento e esquadria 
Quanto ao pão, ele o comia... 
Mas fosse comer tijolo! 
E assim o operário ia 
Com suor e com cimento 
Erguendo uma casa aqui 
Adiante um apartamento 
Além uma igreja, à frente 
Um quartel e uma prisão: 
Prisão de que sofreria 
Não fosse, eventualmente 
Um operário em construção. 
Mas ele desconhecia 
Esse fato extraordinário: 
Que o operário faz a coisa 
E a coisa faz o operário. 
De forma que, certo dia 
À mesa, ao cortar o pão 
O operário foi tomado 
De uma súbita emoção 
Ao constatar assombrado 
Que tudo naquela mesa 
- Garrafa, prato, facão - 
Era ele quem os fazia 
Ele, um humilde operário, 
Um operário em construção. 
Olhou em torno: gamela 
Banco, enxerga, caldeirão 
Vidro, parede, janela 
Casa, cidade, nação! 
Tudo, tudo o que existia 
Era ele quem o fazia 
Ele, um humilde operário 
Um operário que sabia 
Exercer a profissão. 
Ah, homens de pensamento 
Não sabereis nunca o quanto 
Aquele humilde operário 
Soube naquele momento! 
Naquela casa vazia 
Que ele mesmo levantara 
Um mundo novo nascia 
De que sequer suspeitava. 
O operário emocionado 
Olhou sua própria mão 
Sua rude mão de operário 
De operário em construção 
E olhando bem para ela 
Teve um segundo a impressão 
De que não havia no mundo 
Coisa que fosse mais bela. 
Foi dentro da compreensão 
Desse instante solitário 
Que, tal sua construção 
Cresceu também o operário. 
Cresceu em alto e profundo 
Em largo e no coração 
E como tudo que cresce 
Ele não cresceu em vão 
Pois além do que sabia 
- Exercer a profissão - 
O operário adquiriu 
Uma nova dimensão: 
A dimensão da poesia. 
E um fato novo se viu 
Que a todos admirava: 
O que o operário dizia 
Outro operário escutava. 
E foi assim que o operário 
Do edifício em construção 
Que sempre dizia sim 
Começou a dizer não. 
E aprendeu a notar coisas 
A que não dava atenção: 
Notou que sua marmita 
Era o prato do patrão 
Que sua cerveja preta 
Era o uísque do patrão 
Que seu macacão de zuarte 
Era o terno do patrão 
Que o casebre onde morava 
Era a mansão do patrão 
Que seus dois pés andarilhos 
Eram as rodas do patrão 
Que a dureza do seu dia 
Era a noite do patrão 
Que sua imensa fadiga 
Era amiga do patrão. 
E o operário disse: Não! 
E o operário fez-se forte 
Na sua resolução. 
Como era de se esperar 
As bocas da delação 
Começaram a dizer coisas 
Aos ouvidos do patrão. 
Mas o patrão não queria 
Nenhuma preocupação 
- "Convençam-no" do contrário - 
Disse ele sobre o operário 
E ao dizer isso sorria. 
Dia seguinte, o operário 
Ao sair da construção 
Viu-se súbito cercado 
Dos homens da delação 
E sofreu, por destinado 
Sua primeira agressão. 
Teve seu rosto cuspido 
Teve seu braço quebrado 
Mas quando foi perguntado 
O operário disse: Não! 
Em vão sofrera o operário 
Sua primeira agressão 
Muitas outras se seguiram 
Muitas outras seguirão. 
Porém, por imprescindível 
Ao edifício em construção 
Seu trabalho prosseguia 
E todo o seu sofrimento 
Misturava-se ao cimento 
Da construção que crescia. 
Sentindo que a violência 
Não dobraria o operário 
Um dia tentou o patrão 
Dobrá-lo de modo vário. 
De sorte que o foi levando 
Ao alto da construção 
E num momento de tempo 
Mostrou-lhe toda a região 
E apontando-a ao operário 
Fez-lhe esta declaração: 
- Dar-te-ei todo esse poder 
E a sua satisfação 
Porque a mim me foi entregue 
E dou-o a quem bem quiser. 
Dou-te tempo de lazer 
Dou-te tempo de mulher. 
Portanto, tudo o que vês 
Será teu se me adorares 
E, ainda mais, se abandonares 
O que te faz dizer não. 
Disse, e fitou o operário 
Que olhava e que refletia 
Mas o que via o operário 
O patrão nunca veria. 
O operário via as casas 
E dentro das estruturas 
Via coisas, objetos 
Produtos, manufaturas. 
Via tudo o que fazia 
O lucro do seu patrão 
E em cada coisa que via 
Misteriosamente havia 
A marca de sua mão. 
E o operário disse: Não! 
- Loucura! - gritou o patrão 
Não vês o que te dou eu? 
- Mentira! - disse o operário 
Não podes dar-me o que é meu. 
E um grande silêncio fez-se 
Dentro do seu coração 
Um silêncio de martírios 
Um silêncio de prisão. 
Um silêncio povoado 
De pedidos de perdão 
Um silêncio apavorado 
Com o medo em solidão. 
Um silêncio de torturas 
E gritos de maldição 
Um silêncio de fraturas 
A se arrastarem no chão. 
E o operário ouviu a voz 
De todos os seus irmãos 
Os seus irmãos que morreram 
Por outros que viverão. 
Uma esperança sincera 
Cresceu no seu coração 
E dentro da tarde mansa 
Agigantou-se a razão 
De um homem pobre e esquecido 
Razão porém que fizera 
Em operário construído 
O operário em construção.
Postado por Álbano Silveira Machado às segunda-feira, maio 01, 2017 Nenhum comentário:
Marcadores: arte, cultura, Dia do Trabalhador, operários, poesia
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"Nós somos o Vale.
Nós valemos,
mais pelo que somos,
menos pelo que temos.
Valendo assim,
e assim sendo,
sempre valeremos".
Gonzaga Medeiros

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Álbano Silveira Machado
Banu é o meu apelido. Como Álbano Silveira Machado fui batizado e registrado, na década de 50. Nasci e vivo no Vale. Por mais de uma década,em BH. Sempre fui morador do cerrado e caatinga, de muitos trechos do Vale do Jequitinhonha (Francisco Badaró, Berilo, Minas Novas, Coronel Murta, Araçuaí, Capelinha), no nordeste de Minas, e em Januária e Montes Claros, norte de Minas Gerais, e Brasília. Roedor de pequi, apreciador de andu, torresmo, cachaça, de rios e córregos. Admirador da luta pela vida do povo do semi-árido. Militante das causas populares, nas áreas da cultura, comunicação, da educação, da saúde, políticas sociais, da economia solidária, do desenvolvimento sustentável. Formação em Psicologia, na UFMG, turma de 81. Especialização em Gestão Pública Municipal e Metodologia de Projetos Sociais, pela PUC MG.Sou Mestrando em Ciência do Estado. No trabalho profissional, sempre atuei como psicólogo social. Moro e trabalho em Belo Horizonte, desde 2015. Gosto muito de literatura, poesia, música, estudos, arte popular, futebol e escrever sobre a vida e suas manifestações. Acredito na transformação social, econômica e cultural, em comunhão com a natureza.
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