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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Brasil lidera ranking de combate à fome

Brasil lidera ranking de combate à fome
da BBC Brasil
O Brasil lidera, pelo segundo ano consecutivo, um ranking da ONG ActionAid que mede o progresso de países em desenvolvimento na luta contra a pobreza.
O novo ranking foi divulgado nesta terça-feira (14) no relatório "Who's Really Fighting Hunger?" (Quem realmente está combatendo a pobreza?), em que a ONG analisa os esforços em 28 países para combater o problema.
A ONG considerou o desempenho dos países em categorias como presença de fome, apoio à agricultura em pequenas propriedades e proteção social.
O Brasil é seguido por China e Vietnã. Em último na lista está a República Democrática do Congo.
Agricultura familiar Como em 2009, a ActionAid elogia as políticas sociais adotadas pelo governo federal para reduzir a fome no país, destacando os efeitos benéficos de programas como o Bolsa Família e o Fome Zero.
Entretanto, o relatório destaca o pequeno avanço do Brasil, em relação aos demais países emergentes estudados, na adoção de políticas de incentivo à agricultura em pequenas propriedades.
Nesse quesito, o documento coloca o Brasil na 26ª posição entre os 28 analisados, à frente apenas da República Democrática do Congo (27º colocado) e de Guatemala (28º).
"O governo (brasileiro) começou a investir muito mais na agricultura em pequenas propriedades. Entretanto, ainda há um longo caminho para acabar com a fome e reagir às imensas desigualdades históricas que existem entre os pequenos e grandes produtores", diz o relatório.
"O Brasil tem tido a tendência de concentrar seu investimento em agrobusiness, o que contribuiu para a concentração de terras nas mãos de um pequeno número de pessoas."
"O governo brasileiro (...) precisa evitar a promoção de biocombustíveis às custas da segurança alimentar, pois a expansão dos biocombustíveis está elevando o preço da terra e transformando plantações em combustível", diz o texto.

Com informações da Folha Online

terça-feira, 8 de junho de 2010

A saudade do escravo na velha diplomacia brasileira

A saudade do escravo na velha diplomacia brasileira
As elites brasileiras, tidas por Darcy Ribeiro como das mais reacionárias do mundo, nunca aceitaram Lula porque pensam que seu lugar não é na Presidência, mas sim na fábrica produzindo para elas. A nossa imprensa comercial é obtusa face ao novo período histórico que estamos vivendo. Por isso abomina também a diplomacia de Lula.
Leonardo Boff
O filósofo F. Hegel em sua Fenomenologia do Espírito analisou detalhadamente a dialética do senhor e do escravo. O senhor se torna tanto mais senhor quanto mais o escravo internaliza em si o senhor, o que aprofunda ainda mais seu estado de escravidão. A mesma dialética identificou Paulo Freire na relação oprimido-opressor em sua clássica obra Pedagogia do Oprimido. "Com humor comentou Frei Betto: "em cada cabeça de oprimido há uma placa virtual que diz: hospedaria de opressor". Quer dizer, o oprimido hospeda em si o opressor e é exatamente isso que o faz oprimido". A libertação se realiza quando o oprimido extrojeta o opressor e ai começa então uma nova história na qual não haverá mais oprimido e opressor, mas o cidadão livre.

Escrevo isso a propósito de nossa imprensa comercial, os grandes jornais do Rio, de São Paulo e de Porto Alegre, com referência à política externa do governo Lula no seu afã de mediar junto com o governo turco um acordo pacífico com o Irã a respeito do enriquecimento de urânio para fins não militares. Ler as opiniões emitidas por estes jornais, seja em editoriais seja por seus articulistas, alguns deles, embaixadores da velha guarda, reféns do tempo da guerra-fria, na lógica de amigo-inimigo é simplesmente estarrecedor.

O Globo fala em "suicídio diplomático" (24/05) para referir apenas um título até suave. Bem que poderiam colocar como sub-cabeçalho de seus jornais: "Sucursal do Império", pois sua voz é mais eco da voz do senhor imperial do que a voz do jornalismo que objetivamente informa e honestamente opina. Outros, como o Jornal do Brasil, têm seguido uma linha de objetividade, fornecendo os dados principais para os leitores fazerem sua apreciação.

As opiniões revelam pessoas que têm saudades deste senhor imperial internalizado, de quem se comportam como súcubos. Não admitem que o Brasil de Lula ganhe relevância mundial e se transforme num ator político importante como o repetiu, há pouco, no Brasil, o Secretário Geral da ONU, Ban-Ki-moon. Querem vê-lo no lugar que lhe cabe: na periferia colonial, alinhado ao patrão imperial, qual cão amestrado e vira-lata. Posso imaginar o quanto os donos desses jornais sofrem ao ter que aceitar que o Brasil nunca poderá ser o que gostariam que fosse: um Estado-agregado como são Hawaí e Porto-Rico. Como não há jeito, a maneira então de atender à voz do senhor internalizado, é difamar, ridicularizar e desqualificar, de forma até antipatriótica, a iniciativa e a pessoa do Presidente. Este notoriamente é reconhecido, mundo afora, como excepcional interlocutor, com grande habilidade nas negociações e dotado de singular força de convencimento.
O povo brasileiro abomina a subserviência aos poderosos e aprecia, às vezes ingenuamente, os estrangeiros e os outros povos. Sente-se orgulhoso de seu Presidente. Ele é um deles, um sobrevivente da grande tribulação, que as elites, tidas por Darcy Ribeiro como das mais reacionárias do mundo, nunca o aceitaram porque pensam que seu lugar não é na Presidência mas na fábrica produzindo para elas. Mas a história quis que fosse Presidente e que comparecesse como um personagem de grande carisma, unindo em sua pessoa ternura para com os humildes e vigor com o qual sustenta suas posições.

O que estamos assistindo é a contraposição de dois paradigmas de fazer diplomacia: uma velha, imperial, intimidatória, do uso da truculência ideológica, econômica e eventualmente militar, diplomacia inimiga da paz e da vida, que nunca trouxe resultados duradouros. E outra, do século XXI, que se dá conta de que vivemos numa fase nova da história, a história coletiva dos povos que se obrigam a conviver harmoniosamente num pequeno planeta, escasso de recursos e semi-devastado. Para esta nova situação impõe-se a diplomacia do diálogo incansável, da negociação do ganha-ganha, dos acertos para além das diferenças. Lula entendeu esta fase planetária. Fez-se protagonista do novo, daquela estratégia que pode efetivamente evitar a maior praga que jamais existiu: a guerra que só destrói e mata. Agora, ou seguiremos esta nova diplomacia, ou nos entredevoraremos. Ou Hillary ou Lula.

A nossa imprensa comercial é obtusa face a essa nova emergência da história. Por isso abomina a diplomacia de Lula.

Publicado originalmente na Cartamaior

domingo, 23 de maio de 2010

A mídia ‘vira-lata’ e o acordo Brasil-Irã

A mídia ‘vira-lata’ e o acordo Brasil-Irã
Altamiro Borges *
Apesar da bronca recente que levou do irritadiço José Serra, a jornalista Miriam Leitão mantém-se uma seguidora canina das teses demo-tucanas. No programa Espaço Aberto, da Globo News desta quinta-feira (20), ele entrevistou dois "renomados especialistas" sobre o acordo Brasil-Irã: Luiz Felipe Lampreia e Sérgio Amaral. Excitada com as opiniões emitidas, ela só não informou aos ingênuos telespectadores que ambos são tucanos de carteirinha, serviram ao entreguista FHC e hoje viraram as estrelas da TV Globo no combate hidrófobo à política externa do governo Lula.
Ex-porta-voz e ex-ministro de FHC, Sérgio Amaral nem disfarçou o seu ressentimento e inveja. Para ele, o Brasil não deveria se meter nos conflitos na região. Explicitando o seu servilismo, ele tentou desqualificar o "atual protagonismo" do Itamaraty, afirmando que isto pode prejudicar as relações com os EUA. Repetindo os relatórios da CIA, também garantiu que o Irã é uma ameaça à paz mundial - mas não falou uma linha sobre as ogivas e as ações belicistas do governo ianque. Mais "diplomático", Lampreia, outro serviçal de FHC, também ridicularizou o acordo Brasil-Irã.
Sucursais rastaqüeras da mídia dos EUA
Miriam Leitão não é a única a usar os meios de comunicação, inclusive as concessões públicas, para repetir as velhas teses colonizadas. Na prática, a maior parte da mídia nativa mais se parece com uma sucursal rastaqüera da imprensa ianque - e do Departamento do Estado dos EUA. Ela é a expressão acabada do "complexo de vira-lata", ironizado pelo dramaturgo Nelson Rodrigues. Foi uma entusiasta da política de "alinhamento automático com os EUA", praticado por FHC, e defendeu acriticamente o tratado neocolonial da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

A mídia demotucana sempre foi covarde diante do império e prepotente diante das nações mais sofridas. Ela embarcou com tudo nas 938 mentiras alardeadas pelo presidente-terrorista George W. Bush para justificar a invasão e o genocídio no Iraque, num patriotismo às avessas. Já quando Evo Morales nacionalizou o petróleo da Bolívia, ela exigiu do presidente Lula o rompimento das relações diplomáticas e até o envio de tropas para a fronteira. A mesma arrogância se manifestou quando das negociações sobre Itaipu, num discurso agressivo contra o governo do Paraguai.
Ceticismo, inveja e dor de cotovelo
Esta visão colonizada ficou, mais uma vez, escancarada nas negociações de paz entre Brasil-Irã-Turquia. Num primeiro momento, a mídia apostou no total fracasso da iniciativa. Como relata o professor Dennis de Oliveira, os jornalões conservadores afirmaram que o presidente Lula estaria "perdendo tempo" e "arriscando a credibilidade internacional do país". A Folha estampou em sua manchete que "Irã dá ao Brasil um polêmico protagonismo", num artigo carregado de ceticismo. O Estadão também menosprezou as negociações, prognosticando seu insucesso.

Já quando o acordo foi assinado, a mídia, ainda meio desnorteada, procurou desqualificá-lo. Em nenhum momento, ela enfatizou que os termos do acordo são os mesmos propostos pelo próprio Conselho de Segurança da ONU. O que antes ela defendia, agora se opõe - numa típica postura ideologizada contra o governo Lula. "A aposta no fracasso deu lugar ao ceticismo com misto de inveja e dor de cotovelo", constata Dennis de Oliveira. Na sua oposição ao acordo, o Estadão usou até as declarações infelizes da candidata Marina Silva, que se prestou ao trabalho sujo.
Repercussão mundial omitida
No seu complexo de vira-lata, a mídia colonizada nem sequer repercutiu análises mais isentas da imprensa mundial. O jornal francês Le Monde, por exemplo, elogiou o Brasil e destacou que "o Sul emergente já aparecera antes, em cena que provocou frisson e alarido no palco internacional, em domínios do meio ambiente e comércio. Essa semana, inaugura nova etapa, importante sinal de quanto aumenta o poder desses países. Ei-los ativos em terreno que, até agora, permanecia quase monopólio das tradicionais ‘grandes potências’: a proliferação nuclear no Oriente Médio".

Já o jornal britânico The Guardian realçou que o acordo "marca o nascimento de uma nova força altamente promissora no cenário internacional: a parceria Brasil-Turquia... O que se viu foi que negociadores competentes em negociações bem encaminhadas por dois líderes mundiais destruíram a versão, difundida por Washington, de que o Irã não faria acordos e teria de ser ‘atacado’". Miriam Leitão, Sérgio Amaral, Lampreia, FHC e o presidenciável Serra devem morrer de inveja diante de tantos elogios, que a mídia nativa omite. Podem até cortar os pulsos!

Altamiro Borges é jornalista e colunista do Portal Vermelho

sábado, 22 de maio de 2010

Obama teria encorajado Lula a obter acordo com o Irã

Obama teria encorajado Lula a obter acordo com o Irã, diz agência
Pedido atendido. Mensagem obtida pela 'Reuters' indica que presidente americano incentivou brasileiro a convencer Ahmadinejad para que aceitasse os termos contidos no Acordo de Teerã, anunciado na véspera de Washington encaminhar à ONU proposta de sanções
22 de maio de 2010 0h 00

O presidente dos EUA, Barack Obama, reconheceu a seu colega Luiz Inácio Lula da Silva que um acordo com o Irã sobre a troca de urânio por combustível nuclear "criaria confiança e diminuiria as tensões" no Oriente Médio. Essa ponderação estaria em trechos de uma carta confidencial obtida ontem pela agência Reuters.

O documento teria sido enviado por Obama há cerca de 15 dias, pelo menos uma semana antes do acordo firmado em Teerã com mediação de brasileiros e turcos. A carta não foi divulgada na íntegra e os trechos que vazaram foram justamente os que confirmam a versão do governo brasileiro de que o acordo atendeu as exigências de Washington. O vazamento das informações ocorre no momento em que o Itamaraty trabalha para evitar a aprovação de novas sanções ao Irã no Conselho de Segurança.

A Presidência e o Itamaraty não confirmaram a veracidade dos trechos da carta e resistiam em liberar seu conteúdo integral, sob o argumento de que se trata de uma comunicação pessoal entre chefes de Estado.

"Do nosso ponto de vista, uma decisão do Irã de enviar 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento para fora do país criaria confiança e diminuiria as tensões regionais por meio da redução do estoque iraniano de LEU (urânio levemente enriquecido na sigla em inglês)", disse Obama.

Trata-se exatamente do principal tópico do acordo de Teerã, que prevê o depósito de LEU na Turquia no prazo de um mês e a entrega de 120 quilos de combustível nuclear ao Irã em até um ano. Segundo a Reuters, Obama expressa na carta sua preocupação com a possibilidade de o Irã acumular, em um ano, estoque suficiente para a construção de "duas ou três armas nucleares". Autoridades americanas já haviam mencionado ao Estado essa suspeita.

Em relação ao esforço do presidente Lula em convencer o Irã a cooperar, de acordo com a Reuters, Obama reconheceu que Teerã estava flexibilizando sua posição. "Nós observamos o Irã dar sinais de flexibilidade ao senhor e a outros, mas, formalmente, reiterar uma posição inaceitável pelos canais oficiais da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)", afirmou o presidente dos EUA.

Segundo a Declaração de Teerã, firmada com a mediação de brasileiros e turcos, o Irã se compromete a notificar a AIEA, por escrito, por meio dos canais oficiais, sua concordância com os termos do acordo em até sete dias a contar da data de assinatura do documento, prazo que se expira na segunda-feira.

Em outro trecho, Obama é ainda mais explícito. "O Irã continua a rejeitar a proposta da AIEA e insiste em reter seu urânio de baixo enriquecimento em seu próprio território até a entrega do combustível nuclear", escreveu Obama na carta. Mas, segundo a Declaração de Teerã, "a República Islâmica do Irã diz estar pronta a depositar seu LEU dentro de um mês".

Fonte: http://br.reuters.com

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Paz e Guerra

P A Z

G U E R R A
P A Z
O mundo desperta para um mundo de paz com um acordo entre países que querem autonomia e respeito à soberania dos seus povos.
Guerra
Os senhores da guerra querem aumentar seus lucros, na destruição de consciências e vidas, com fabricação de armamentos e controle do petróleo do mundo asiático.

Revelação: Obama incentivou Lula e voltou atrás

R E V E L A Ç Ã O E X P L O S I V A:
Obama apoiou Lula e voltou atrás
"Do nosso ponto de vista, uma decisão do Irã de enviar 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento para fora do país geraria confiança e diminuiria as tensões regionais por meio da redução do estoque iraniano"
(Barack Obama , em carta enviada a Lula 15 dias antes do acordo com o Irã. Feito o acordo, os EUA desencadearam ofensiva por sanções. Reuters; 21-05-2010)

Vira-lata ou cachorro grande

Vira-lata ou cachorro grande
Selvino Heck
*
Nada contra os vira-latas, nem tudo a favor de cachorro grande. A questão é política e simbólica. Disse o presidente Lula na cerimônia de recebimento do prêmio Nova Economia Fórum 2010, em Madri, Espanha, 18 de maio de 2010:
"O legado que estou deixando é que eu despertei no mais humilde dos brasileiros, de um catador de papel da rua a um economista, a um metalúrgico, a um gráfico, a um pedreiro, eu despertei na consciência dele a idéia de que ele pode e deve chegar à Presidência da República, é só querer e se preparar. (...)
Nós na América do Sul, eu não sei se o Evo Morales está aqui, mas vocês podem fazer um estudo sobre a economia da Bolívia: precisou um índio chegar ao governo da Bolívia para o povo pobre da Bolívia ter um aumento na sua renda e ter aumento na participação da renda nacional. E pela primeira vez, desde 1940, a Bolívia fez reservas, mais de 10 bilhões de reservas, e tem o maior superávit da história da Bolívia. É uma coisa extraordinária.
Demonstra que muito mais do que apenas cursos de doutor, as pessoas precisam ter curso de inteligência e de possibilidades para bem dirigir o seu país."

É disso, sobretudo, que se trata quando se fala de superar o complexo vira-lata, daquela pessoa ou daquele país que se acha sempre o último, o menor, o que não pode nada, que não se afirma e se acha sem poder.
O vira-lata pode ser grande agindo como se o fosse, afirmando-se em suas virtudes, que não são poucas, em sua capacidade de sedução, em sua simplicidade que encanta.

A imprensa nacional e internacional discute a participação do Brasil, do presidente Lula e do ministro Celso Amorim no esforço de negociação com o Irã com apoio da Turquia. O resultado foi um sucesso que grandes países como a Rússia não acreditavam pudesse acontecer.
Logo há a reação de outros grandes países, como os EUA, não aceitando os resultados e mantendo a desconfiança. Setores da grande mídia logo afirmaram seu complexo vira-lata, dizendo que a negociação tinha sido um grande fracasso, porque o Conselho de Segurança da ONU, por sugestão de alguns países, ia manter a proposta de sanções contra o Irã.

O que está em jogo é muito mais que isso e não é de curto prazo.

Tenho viajado muito pelo Brasil pela Rede TALHER de Educação Cidadã e pelo Programa Escolas-Irmãs, ambos vinculados à mobilização social do Gabinete do Presidente da República. E tenho encontrado os índios da Raposa Serra do Sol, Roraima, orgulhosos de serem índios, defendendo seus direitos, culturas, crenças e valores. Estive com os pescadores de São Félix do Araguaia, Mato Grosso, agora pescadores de letras e peixes, acreditando no desenvolvimento de sua comunidade e da região.
Tenho estado com os grupos de economia solidária de Santa Maria, Rio Grande do Sul, que organizam e participam de umas das maiores feiras brasileiras e latino-americanas, onde mostram sua produção solidária e cooperada, sinalizando um novo tempo e um novo mundo. Encontro os catadores e recicladores que discutem o lixo e a cidadania e a construção de um novo país. Vejo os quilombolas orgulhosos de seus quilombos e história. Os moradores de rua querem espaço e reconhecimento. Os sem-terras exigem dignidade: lutam, resistem e produzem.

Os brasileiros, felizmente, não são mais coitadinhos que dizem amém. Aprenderam, na luta contra a ditadura e pela democracia, a construir movimentos sociais que conquistam direitos. Elegeram governos democrático-populares que democratizam a gestão pública, constroem igualdade e justiça e colocam como prioridade os direitos do povo pobre e dos trabalhadores. Não se rendem mais às elites que por séculos mandaram no país com os olhos voltados para o estrangeiro e para o mundo dos ricos. Valorizam suas próprias raízes, cultura e valores. Não têm mais complexo de vira-lata.

Disse o presidente Lula na sessão de abertura da 14ª Cúpula do G-15 em Teerã, Irã, 17 de maio: "Atravessamos juntos os anos difíceis da hegemonia do pensamento único. Éramos uma das poucas vozes dissonantes do projeto conservador defendido pelos seguidores do Consenso de Washington.
Nunca hesitamos na defesa de um mundo mais democrático, onde todas as vozes pudessem ser ouvidas. A crise em que está mergulhada a economia mundial, sobretudo nos países desenvolvidos, mostra que nossos diagnósticos de anos atrás eram basicamente corretos. Sabemos como o descolamento do setor financeiro em relação ao setor produtivo levou a economia mundial à beira do abismo.
Sabemos como esse descontrole foi alimentado pela crença cega e fundamentalista do mercado, ao qual se atribuíram condições de auto-regulação perfeita da atividade econômica. Há alguns anos começamos a ouvir vozes que afirmavam que um outro mundo era possível. Hoje temos claro que um outro mundo é necessário, é imprescindível."

A pax americana que reinou no século XX já não reinará no novo século e milênio. Estamos assistindo à passagem de um mundo bipolar para um mundo multipolar com muitos atores e protagonistas.
América Latina e África estão pedindo passagem.
Os vira-latas são muitos e querem ser ouvidos.
Os cachorros grandes estão perdendo o trem da história.

* Selvino Heck é Assessor Especial do Presidente da República do Brasil. Da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política