quarta-feira, 27 de novembro de 2013

450 kg de cocaína entre políticos não são notícia? Para a Globo, Veja e Folha de São Paulo não

Leonardo Lucena - Minas 247 – A Polícia Federal realizou na segunda-feira 26 uma das maiores apreensões de cocaína de sua história, ao flagrar nada menos que 450 quilos de cocaína na carga de um helicóptero pilotado pelo assessor parlamentar Rogério Almeida Antunes. O que já seria uma notícia de destaque ganhou mais ênfase pelo fato de o aparelho pertencer à empresa agropecuária do deputado estadual Gustavo Perrela, do partido Solidariedade, de Minas Gerais. Outro componente bombástico está na informação de que Gustavo é filho e protegido político do senador Zezé Perrela (PDT-MG), ex-presidente e sempre manda-chuva no Cruzeiro Esporte Clube, clube que acaba de se sagrar campeão brasileiro de futebol.

Qualquer manual de jornalismo explica que um caso como esse deve, necessariamente, ganhar um grande destaque em qualquer veículo de comunicação que se preze. Nele estão reunidos todos os elementos de uma história de repercussão. Tanto mais pelo histórico de suspeitas e denúncias que cercam a vida dos Perrela, especialmente do senador Zezé. No entanto, o chamado principal veículo de comunicação do País, o Jornal Nacional, da Rede Globo, não divulgou, em sua edição da mesma segunda 26, poucas horas, portanto, depois da divulgação da apreensão, nenhum segundo a respeito do fato. Uma notícia quentíssima virou, ali, uma não notícia.

O jornal O Globo, também da família Marinho, fugiu da história. E o jornal Folha de S. Paulo, da família Frias, que já usou muita tinta para histórias de menor repercussão, noticiou o caso com cuidado e discrição, protegendo nomes e históricos. Perderam os espectadores e leitores, mas, principalmente, perderam esses veículos, cujos critérios de seleção de notícias ferem cada vez mais os interesses do público.
O espanto pelo boicote ao fato é maior ainda quando se verifica o currículo dos Perrela. O deputado Gustavo, que a princípio procurou se afastar de seu piloto, na verdade o havia nomeado assessor na Assembleia Legislativa de Minas. Um cargo de confiança. Prometeu, para hoje, a exoneração de dele, mas, até o início da tarde, nada ocorrera oficialmente.

Quanto ao pai de Gustavo, o conhecido Zezé Perrela, as polêmicas vão ainda mais longe. Em 2011, quando el era suplente do então senador Itamar Franco, o Ministério Público de Minas Gerais deu início a investigações para desvendar como o parlamentar comprou uma fazenda avaliada em cerca de R$ 60 milhões no município de Morada da Minas (vídeo abaixo). A suspeita é a de enriquecimento ilícito.



Primeiro suplente do senador Itamar Franco, cartola e ruralista tem patrimônio invejável que o TRE desconhece.

Ministério Público investiga patrimônio de Zezé Perrella

Promotoria quer saber se o cartola possuía rendimento compatível com os bens que adquiriu no tempo de parlamento.

A Polícia Federal já investiga a suspeita de enriquecimento ilícito de Zezé Perrella. Trata-se de um inquérito referente à gestão do cartola no Cruzeiro Esporte Clube. Em maio do ano passado, o deputado e o irmão dele, Alvimar de Oliveira Costa, foram acusados de lavagem de dinheiro e evasão de divisas na venda do jogador Luisão.
Em torno de sua gestão na presidência do Cruzeiro, Zezé ainda deve importantes explicações. A venda do zagueiro Luisão, em 2003, levou a PF a indiciar o parlamentar pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, em 2010. O zagueiro teria sido negociado por US$ 2,5 milhões (cerca de R$ 4,8 milhões) com o empresário Juan Figger. Segundo a PF, um time uruguaio, o Central Espanhol Futebol Clube, teria sido usado pelo empresário como uma espécie de "laranja" para a venda do jogador, que teria ido para o Benfica, de Portugal, por US$ 1 milhão a menos do que o informado no Brasil. O objetivo desta negociação seria a não declaração de dinheiro ao Fisco. O clube uruguaio teria negociado 50% dos direitos do jogador ao Benfica. Por sua vez, Zezé Perrela negou as acusações e disse que vendeu 100% dos direitos de Luisão ao empresário pelo valor de R$ 4,8 milhões.

Em 2011, quando Zezé Perrella já era senador, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Minas Gerais abriu investigação sobre o uso de verba indenizatória da Assembleia de Minas para abastecer os seus jatinhos particulares. Perrela teria apresentado, em um ano e meio, 29 notas fiscais que somavam R$ 26,3 mil para justificar o abastecimento dos seus jatinhos. As notas teriam sido ressarcidas pelo Legislativo mineiro.

Apesar das denúncias, o parlamentar informou que não se sentia constrangido as abastecer seus aviões com dinheiro público, uma vez que, segundo ele, as viagens tinham como finalidade o cumprimento da sua agenda parlamentar.

Ok, pode ser que os Perrela tenham todas as justificativas do mundo para a polêmica trajetória de enriquecimento da família.
Mas isso também não é notícia?

Fonte: Brasil 247

2 comentários:

Enzo Terra disse...

Pode visualizar nos 3 orgãos de imprensa que citou, reportagens sobre a apreensão desta droga no helicóptero da família Perrella. Faça uma imprensa séria e sem direcionamento por conveniência ou então feche este blog. Pare de achar que os leitores são todos mal informados e aceite as críticas e faça publicação dos comentários com qualquer teor.

Álbano Silveira Machado disse...

Sr. Enzo Terra,
somente depois das redes sociais denunciarem a omissão da grande mídia, foi realizada alguma cobertura, tímida, do fato. Um flagrante com quase meia tonelada de cocaína, no valor de R$ 10 milhões, envolvendo representantes políticos, é um fato e tanto.
Somente ontem, quarta-feira, a grande mídia controlada e comprada por um certo grupo político, acordou para o fato. Depois de cobrada pelos seus próprios leitores, espectadores e radiouvintes.
Realmente, o povo não é bobo e sabe quem é a Rede Globo, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Revista Veja, Estado de Minas, O TEMPO, Hoje em Dia e redes de TVs.
O povo sabe quais os interesses que estes órgãos de comunicação defendem. E você e eu também sabemos.

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