domingo, 22 de março de 2020

Datafolha: Com muito medo, 73% aprovam quarentena. 97% se cuidam. Para maioria, haverá mais mortes entre velhos e pobres.


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Maioria tem medo de coronavírus e apoia medidas de contenção, diz Datafolha.
Em pesquisa, 73% aprovam quarentena; jovens e mais ricos predominam entre os que pararam de trabalhar.

Folha de S.Paulo, 22.03.2020 - Datafolha.
A chegada da pandemia do novo coronavírus assustou o brasileiro e mudou seu cotidiano.
Medidas recentes adotadas por diferentes governos modificaram a vida nas cidades. Já não se pode circular livremente, e diversos estabelecimentos —públicos e privados— tiveram que fechar suas portas nos últimos dias.
Ainda assim, a maioria dos entrevistados pelo Datafolha diz concordar com esse tipo de ação mais severa.
A percepção foi colhida por pesquisa do Datafolha de quarta (18) a sexta (20), feita por telefone devido à pandemia. Foram ouvidas 1.558 pessoas e a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou menos.
As ações oficiais para tentar conter o vírus têm alta aceitação: 92% concordam com a suspensão de aulas, 94% aprovam a proibição de viagens internacionais e 91% são favoráveis à interrupção nos campeonatos de futebol do país, por exemplo.
Para prevenir contágio você acha necessário:
Resposta estimulada e única
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fechamento de fronteiras é apoiado por 92%. O encerramento do comércio, em vigor em várias cidades, divide opiniões: 46% são a favor, 33% são contra e 21%, aprovam parcialmente.
A suspensão de celebrações religiosas, ponto contencioso com alguns líderes evangélicos, é aprovada por 82%.
Já a quarentena temporária, ou seja, o isolamento forçado em casa, tem apoio de 73%, ante 24% que a rejeitam e 2% que se dizem indiferentes.
Neste sábado (21), o governo paulista anunciou uma quarentena de 15 dias no estado, a partir da terça (24).

Você é a favor ou contra que o governo proíba por algum tempo todas as pessoas de saírem nas ruas para diminuir o contágio do coronavírus?

A favor
73
Contra
24
Indiferente
2
Não sabe
1


Evitar bares e restaurantes, que ainda estão abertos na maior parte do país, é medida aprovada por 86%. Já o veto a reuniões em casa tem apoio de 76%.
A população tem bastante conhecimento sobre o vírus e teme ser contagiada. Praticamente todos (99%) dizem saber da questão, 72% deles se considerando bem informados. Para 24%, o grau de informação é mediano, e 3% se veem desinformados.

Você diria que está bem informado, mais ou menos informado ou mal informado sobre o coronavírus?


Está mal informado
Está mal informado
Está bem informado72
Está mais ou menos informado24
3
Está mal informado


Três quartos dos ouvidos (74%) têm medo de ser infectados pelo vírus que causa a Covid-19. Desses, 36% dizem ter muito medo, e 38%, um pouco. Mulheres são mais preocupadas: 44% têm muito medo, ante 35% dos homens.

Você diria que tem muito medo, um pouco de medo ou não tem medo de ser infectado pelo coronavírus?


Um pouco de medo38
Muito medo36
Não tem medo26


O maior índice de pessoas que acham que não serão contaminadas é justamente entre o grupo de risco mais evidente, aqueles com mais de 60 anos: 19%.

E você diria que a chance de você ser infectado pelo coronavírus é grande, média, pequena ou não existe chance de ser contaminado?

Tem chance
83
Grande
20
Média
33
Pequena
30
Não tem chance
12
Não sabe
5


No momento, 97% dizem estar tomando precauções acerca do risco de ser infectado. A maioria (63%) afirma lavar mão e rosto, 59% buscam algum tipo de isolamento social, 46% adotaram a desinfecção com álcool em gel e 25% estão evitando aglomerações.

Quais atitudes você está tomando para evitar ser infectado pelo coronavírus?

Está tomando atitudes para evitar o contágio
97
Lava as mãos/rosto/nariz
63
Evita sair de casa/Quarentena/Isolamento social
59
Utiliza álcool gel
46
Evita aglomerado de pessoas
25
Evita abraçar e beijar as pessoas
8
Usa máscara
7
Mantém a casa limpa
6
Alimentação correta/boa alimentação
4
Cuida da higiene pessoal aumentando o número de banhos por dia
3
Evita contato com as pessoas/Não cumprimenta as pessoas/Evita contato físico
3
Higiene/higienização (sem especificação)
3
Redobra a higiene (sem especificação)
2
Usa luvas
1
Lava roupas/calçados quando chega da rua
1
Mantém a casa arejada/sempre aberta para o ar circular
1
Toma medicamentos naturais/vitaminas diariamente
1
Trabalha em regime de home office
1
Evita levar as mãos no rosto
1
Utiliza braço/antebraço ao espirrar ou tossir
1
Higienização de objetos/celular
1
Outras respostas
6
Não está tomando nenhuma atitude
3


Já o impacto da pandemia sobre o cotidiano é visível: 37% pararam de trabalhar, 55% deixaram de ir a aulas, 76% interromperam atividades de lazer e 46% não saem mais às ruas. Além disso, entre os ouvidos, 10% relataram ter alguma dificuldade para comprar alimentos, e 14%, remédios.

Durante os últimos dias, por causa do surto do coronavírus, você teve alguma dificuldade para:

Sim, muita dificuldade
7
Sim, um pouco de dificuldade
7
Não teve dificuldade
80


O contato físico, central para a transmissão do vírus, cessou segundo o relato dos entrevistados: mais de 75% já não beijam, dão a mão em cumprimentos ou abraçam as pessoas. Também cancelaram viagens 43%.

Durante os últimos dias, por causa do coronavírus, você deixou de:

Abraçar outras pessoas
77
Cumprimentar outras pessoas com aperto de mão
77
Sair para atividades de lazer
76
Beijar outras pessoas
75
Sair para ir à escola/faculdade/curso
55
Sair na rua
46
Fazer alguma viagem que estava programada
43
Sair para trabalhar
37


Entre aqueles que pararam de trabalhar, a maioria era composta de jovens, mais ricos e escolarizados.
O percentual daqueles que dizem ter adotado o trabalho em casa é mínimo: 1%.
A pandemia é vista com gravidade. Para 88%, trata-se de um problema sério, ante 11% que a relativizam e 1% que não sabem dizer.

Você acredita que o surto do corona vírus é muito sério e todos devem se preocupar ou não há motivo para tanta preocupação?

Muito sério
88
Não há motivo para tanta preocupação
11
Não sabe
1


Já a percepção da taxa de letalidade da doença é dividida. Para 45%, muitos morrerão no Brasil; 46% acham que poucos, e 9% não sabem avaliar.
E quem vai morrer? O Datafolha mostra que, para o brasileiro, serão os mais velhos (85% acham isso), os mais pobres (50%) e homens (40%, ante 13% de mulheres e 37% que creem em isonomia).

Na sua opinião, quais grupos serão mais atingidos pelo coronavírus?

Mais homens
40
Ambos/indiferente
37
Mais mulheres
13
Não sabe
9



Na sua opinião, quais grupos serão mais atingidos pelo coronavírus?

Mais velhos
85
Ambos/indiferente
7
Mais jovens
6
Não sabe
1


Na opinião dos entrevistados, a crise vai durar, em média, 98 dias. Acham que ela será curta, menos de 30 dias, 22%, enquanto outros 22% creem num período de 30 a 60 dias. Já 17% veem um horizonte de 60 a 90 dias, e 8%, de 90 a 120 dias.

Até 30 dias
22
Mais de 30 a 60 dias
22
Mais de 60 a 90 dias
17
Mais de 90 a 120 dias
8
Mais de 120 dias até 1 ano
16
Mais de 1 ano
1
Não sabe
13

Foram entrevistados 1.558 brasileiros adultos que possuem telefone celular em todas as regiões do país. A margem de erro é de três pontros percentuais. Coleta de dados feita por telefone entre 18 e 20 de março de 2020.
No universo entrevistado, 45% têm em casa uma pessoa do grupo de risco etário (60 anos para cima) e 35% possuem plano de saúde - são 84% entre os mais ricos.

Há pessoas com mais de 60 anos na sua casa?


Não55
Sim45


Há bastante homogeneidade nas opiniões segundo os diversos estratos da pesquisa.
No geral, os entrevistados consideram o Brasil um pouco preparado para a crise (54%), enquanto 34% acham que o país não está pronto. Acham que está muito 10%, índices que se assemelham na avaliação do brasileiro em si, do SUS, da rede privada de saúde e de empresas.

Na sua opinião, o Brasil está preparado para enfrentar o coronavírus?


2
Não sabe
10
Muito preparado
54
Um pouco preparado
34
Nada preparado
2
Não sabe



Na sua opinião, em relação ao novo coronavírus, os brasileiros de um modo geral estão:

Mais preocupados do que deveriam
20
Menos preocupados do que deveriam
44
Na medida certa
34
Não sabe
2


INSTITUTO EVITOU PESQUISA NA RUA DEVIDO AO VÍRUS
A pesquisa Datafolha realizada de quarta (18) a sexta-feira (20) utilizou o método telefônico para evitar o contato pessoal entre pesquisadores e entrevistados em meio à pandemia.
Os limites impostos pela técnica não prejudicaram as conclusões devido à amplitude dos resultados apurados e pelos cuidados adotados. A pesquisa procurou representar o total da população adulta do país.
Esse método não se compara à eficácia das pesquisas presenciais feitas nas ruas ou nos domicílios. É por isso que, apesar de aproximadamente 90% dos brasileiros possuírem acesso pelo menos à telefonia celular, o Datafolha não adota esse tipo de método em pesquisas eleitorais, por exemplo.
O método telefônico exige questionários rápidos, sem utilização de estímulos visuais, como cartão com nomes.
Além disso, torna mais difícil o contato com os que não podem atender ligações durante determinados períodos do dia, especialmente os de estratos de baixa classificação econômica.
Assim, mesmo com a distribuição da amostra seguindo cotas de sexo e de idade dentro de cada macrorregião, e da posterior ponderação dos resultados segundo escolaridade, dados com método telefônico não são comparáveis com os de pesquisa de rua anteriores.
Foram entrevistados 1.558 brasileiros adultos que possuem telefone celular em todas as regiões do país. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
Fonte: Folha de S.Paulo, 22.03.2020.1h00.

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