quinta-feira, 2 de março de 2017

"Carnaval do Pode" termina e BH avalia o grande sucesso da folia

Se foram três milhões de pessoas ou não, isso não muda a energia e a satisfação de quem passou a festa na capital

PUBLICADO EM 02/03/17 - 03h00, no jornal OTEMPO

“Sereia homem, sereia mulher, sereia criança”... Era uma sereia a cada metro nos últimos cinco dias em Belo Horizonte, ironicamente, uma cidade sem mar, mas invadida pela fantasia, pela purpurina e pela folia. Como a água salgada que avança sobre a terra, a festa encheu o coração do belo-horizontino de “empoderamento” carnavalesco, do sentimento de pertencer a uma cidade que tem blocos, música e, por que não, um oceano inteiro de foliões, de sereias.
Se foram três milhões de pessoas ou não, isso não muda a energia e a satisfação de quem passou a festa na capital. “Tenho 28 anos, e hoje BH, para mim, é uma opção no Carnaval”, batia no peito uma mulher, que, durante o desfile de um bloco, ainda contava da amiga, que saiu de Campinas (SP) para passar o feriado na cidade. Do alto de um trio elétrico, de um prédio ou de uma passarela, observando a multidão, ou no meio dela, sem conseguir dar um passo à frente, não tinha quem não se apoderasse do lugar de carnavalesco.
A mesma turma que ocupou as ruas da capital com batuques lá atrás para fazer essa festa, agora até arriscou um disco autoral, querem lançar o “axé mineiro”. Se eles conseguiram fazer a folia chegar a esse momento, podem sonhar com uma multidão cantando “Drink do Amor”, do bloco Juventude Bronzeada, como fizeram tantas vezes com “Pequena Eva”, da Banda Eva.

Mas somos novatos e como uma criança de 7 anos não podemos exigir a sabedoria dos mais velhos, de cidades que têm Carnaval há mais de meio século. Estamos todos aprendendo, não só o folião é novato, mas também o ambulante, que tem que sair da frente do bloco; o policial, que precisa distinguir folia de baderna; o poder público, que tem que continuar quebrando cabeça para coordenar a multidão; e os organizadores dos blocos, que devem seguir abusando da criatividade.
“A gente ficou muito surpreso com a plateia belo-horizontina”, disse o veterano Pedro Luís, da banda carioca Monobloco, estreante em nosso Carnaval profissionalizado. “A cultura de trio elétrico em Salvador tem 67 anos, a gente é um bebê”, disse Geo Cardoso, do Baianas Ozadas, que usou o mesmo trio que o Monobloco, ambos conduzindo multidões parecidas neste ano.
“Nossa preocupação é só fazer com que o crescimento não perca a qualidade do desfile, de nosso ideal de todo mundo brilhar”, ressaltou um dos idealizadores do Carnaval e do Então, Brilha!, Gustavito Amaral.


Segura o xixi, solta o lixo

Uma das grandes queixas desse Carnaval, além das milhares de caixas de isopor dos ambulantes parados no caminho da folia, eram os poucos banheiros químicos no trajeto dos blocos, que faziam os foliões despejarem o xixi no caminho ou chegarem apertados nos equipamentos ao fim do percurso, para ainda encarar imensas filas. Se conter a necessidade estava difícil, segurar a latinha e o copo vazios, nem se fala. A falta de lixeiras, ou ao menos de sacos plásticos, também deixou as ruas sujas durante os blocos até a limpeza da prefeitura no fim do dia. Algo a se pensar para o próximo ano na listinha de aprendizados: como resolver a sujeira. (JS)


Mil e quantos?

Comparando com o público que arrasta no Rio de Janeiro, a organização do Monobloco chegou a estimar que de 400 mil a 700 mil pessoas estavam na Pampulha nessa terça-feira (28) acompanhando o desfile, como se 300 mil de diferença fosse pouco. Muitas das contagens de foliões foram, provavelmente, superestimadas, chutadas mesmo. Ninguém conseguia calcular ao certo a multidão, nem mesmo a prefeitura com suas câmeras. Nessa quarta-feira (1°), a reportagem tentou arriscar esse cálculo com base na extensão em m² apenas das avenidas ocupadas pelos três maiores blocos, desprezando as vias transversais, e considerando cinco pessoas por m² (usual em multidões). O Monobloco cairia, então, para 84 mil. O Baianas Ozadas, que falava de cima do trio 500 mil foliões, não passaria de 126 mil, e o Então, Brilha!, o qual se especulou 150 mil, seria de 44 mil. (JS)


Bloco anda, cidade para

Em 2017, a Empresa de Transportes e Trânsito (BHTrans) já colocou uma lição do Carnaval de 2016 em prática e não deixou os blocos fecharem a avenida Brasil, para não emperrar o caminho para os hospitais. Ok, as ambulâncias chegaram lá. Mas em vários outros pontos da cidade, não se saiu do lugar. A prefeitura afirmou que irá reunir todos os acertos e erros para fazer um balanço, que será apresentado à imprensa nos próximos dias, e já se conversa sobre alterar o trajeto de alguns blocos, o que deverá causar polêmica. Mesmo assim, o prefeito Alexandre Kalil comemorou o sucesso do “Carnaval do pode”, em referência a uma folia mais liberal para quem quis fazer a festa. (JS) 

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