sexta-feira, 31 de março de 2017

Novas reservas de lítio podem alavancar desenvolvimento no Vale do Jequitinhonha

Um estudo da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) do Serviço Geológico do Brasil divulgado nessa quinta-feira (30.03) revelou novas reservas de lítio no Vale do Jequitinhonha, nordeste de Minas Gerais, com alto potencial de exploração econômica. A pesquisa, que começou em 2012, mapeou todas as reservas do metal no país.


Foram localizados 45 depósitos de lítio associado a pegmatito (espécie de rochas), na maior parte em território mineiro. Os pesquisadores também analisaram locais já conhecidos e “mineralizados”, e verificaram que há potencial para ampliar a atividade econômica também nessas regiões.



Segundo o presidente da CPRM, Eduardo Jorge Ledsham, a descoberta de novos depósitos no nordeste de Minas é desafiadora. “Além dos salares, pegmatitos também são fontes de lítio”, disse. “A extração é feita pela Companhia Brasileira de Lítio para utilização na indústria de vidro e cerâmica. Ainda faltam investimentos em tecnologia para aproveitar o recurso na produção de baterias ou medicamentos, por exemplo”, diz.



Com essa descoberta, o Brasil pode aumentar em 20 vezes suas reservas. Hoje, o país tem 0,4% das reservas de lítio do mundo. A estimativa é que, em 2019, já responda por 8%, tornando-se o quinto país no ranking de reservas mundiais. Atualmente o país produz 1% do mineral em uso no mundo, o que equivalente a 48 mil toneladas. Argentina, Chile e Bolívia, juntos, agrupam cerca de 70% das reservas conhecidas de lítio do planeta, estimadas em mais de 13 milhões de toneladas, segundo dados da CPRM.



O metal, que é chamado de “petróleo branco”, tem custo de cerca de US$ 30 mil a tonelada, mas esse valor tende a subir com a demanda. O valor de mercado total do lítio no mundo deve subir para US$ 43 bilhões já em 2020, segundo a consultoria norte-americana Market Research.



A demanda por esse metal para a produção de itens de alta tecnologia tem aumentado, mesmo com a crise econômica global. “O lítio vai sair da coxia e se apresentar em palco principal. O metal é altamente procurado pela sua aplicação em baterias. Países que querem se tornar competitivos precisam estar atentos, e o Brasil está de olho,” comenta.



A oportunidade de negócio pode alavancar a economia dos países latino-americanos, prejudicada pela queda dos preços das commodities tradicionais, como petróleo, soja e gás.



A diretora de Desenvolvimento Sustentável na Mineração do Ministério de Minas e Energia, Maria José Salum, falou da importância estratégica deste projeto para Minas Gerais. “Além de atrair investimentos, a descoberta pode trazer um desenvolvimento regional e geração de empregos aos moradores do Vale do Jequitinhonha,’’ diz.



Para o superintendente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Paulo Brant, nascido no Vale do Jequitinhonha, o estudo abre novas possibilidades. “A primeira fase do projeto é um avanço, mas é preciso que o governo estadual invista, para que os pesquisadores prossigam com o projeto,” diz.



O projeto “Avaliação do Lítio no Brasil” está inserido no empreendimento Minerais Estratégicos conduzido pela CPRM, dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Fonte: OTEMPO

Complemento e Comentário do Blog do Banu



O MINERAL
O lítio (grego lithos, pedra ) é um elemento químico de símbolo Li, número atómico 3 e massa atómica 7 u, contendo na sua estrutura três prótons e três elétrons. Na tabela periódica dos elementos químicos, pertencente ao grupo (ou família) 1 (anteriormente chamado 1A), entre os elementos alcalinos. 
Na sua forma pura, é um metal macio, de coloração branco-prateada, que se oxida rapidamente no ar ou na água. É um elemento sólido porém leve.  Tem um grande poder oxidativo, é facílimo de sofrer corrosão e possui densidade igual a 0,534 gramas por centímetro cúbico. É o metal mais leve, com uma densidade aproximadamente a metade da água. Como os demais metais alcalinos, é monovalente e bastante reativo. Por esse motivo, não é encontrado livre na natureza. 

APLICAÇÕES
Devido ao seu elevado calor específico, o maior de todos os sólidos, é usado em aplicações de transferência de calor e, por causa do seu elevado potencial eletroquímico é usado como um ânodo adequado para as baterias elétricas.  O lítio é um componente comum nas ligas metálicas de alumínio, cádmio, cobre e manganês, utilizados na construção aeronáutica, e está sendo empregado com êxito na fabricação de cerâmicas e lentes, como a do telescópio Refletor Hale de 5,0 metros de diâmetro de "Monte Palomar".


  • Aplicações militares - como aditivos energéticos nos propelentes dos foguetes. nas bombas de hidrogênio e bomba atômica.
  • Cerâmicas e vidrarias - é um dos materiais para a fabricação de acessórios de cozinha. 
  • Graxas lubrificadas - capacidade de engrossar os óleos e, por isso, é um lubrificante muito útil na indústria, em especial sob altas temperaturas.
  • Indústria Elétrica e Eletrônica - componente importante do eletrólito e um dos eletrodos nas baterias.
  • Indústria Nuclear - como um absorvedor de nêutrons nas fusões nucleares. Ganhou interesse na produção de fluido refrigerante nos reatores nucleares.
  • Medicamentos - utilizado no tratamento do transtorno bipolar e auxiliar para casos de diagnósticos relacionados como transtorno esquizoafetivo e depressão. utilizado por seus efeitos reguladores de humor, antimaníaco e, secundariamente, antidepressivo nervosa.
  • Metalurgia - utilizado como um fundente para a solda ou para brasagem.
  • Purificação do ar - remover o dióxido de carbono, sendo um bom depurante do ar.
  • Óptica - material limpo e translúcido utilizado pelos técnicos de óptica para transmitir os raios infravermelhos e ultravioletas.
  • Química - produção de polímeros e na química fina.



Itinga e Araçuaí detém 100% das reservas medidas de lítio de Minas Gerais

A notícia acima não é nenhuma novidade para o povo do Vale do Jequitinhonha, da comunidade científica e da CPRM - Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, do Ministério das Minas e Energia. Este estudo que teve a colaboração de garimpeiros, mineradores e outros moradores do Vale mostra a potencialidade deste mineral para o desenvolvimento da região.

Além de agradecimento à Mineradora CBL - Companhia Brasileira de Lítio, Araçuaí Mineração (Sigma Mineração), um agradecimento pessoal é feito aos moradores do Vale. Na abertura do livro/documento com 276 páginas está registrado:

"A todo o povo do Vale do rio Jequitinhonha, pela hospitalidade, espírito de colaboração

e preciosas informações fornecidas, em especial aos senhores José Milton Chaves de Oliveira (José Crente), Djalma Ribeiro Alves (Dida) e José Alves dos Santos (Zezé das Tesouras), de Araçuaí;

aos senhores Arnaldo do Nascimento Vieira, Onias Ferreira de Oliveira, Júlio Teixeira da

Silva (Julinho; Montes Clarinhos), Alberto Valter Dias Cardoso, Normande Ferreira de Barros e Milton Nunes, de Salinas;

e aos senhores Gilney Araújo Aguilar (Ney), Adilson Vieira (Dil) e José Geraldo Lages Aguilar (Badaró), de Coronel Murta".

O estudo "Avaliação do Potencial do Lítio no Brasil - Área do Médio Jequitinhonha", mostra a grande riqueza do Distrito Pegmatítico de Araçuaí, dividido em dois campos pegmatíticos, Campo Pegmatítico de Virgem da Lapa - Coronel Murta - Rubelita caracterizado por pegmatitos berilífero - turmaliníferos) e Campo Pegmatítico de Itinga (caracterizado por pegmatitos estanífero - litiníferos). Novos estudos acrescentam ao distrito os campos de Ribeirão da Folha, em Minas Novas (caracterizado por pegmatitos turmaliníferos ricos em rubelita), e Capelinha,(caracterizado por pegmatitos berilíferos. 

Outros estudiosos propõem a existência de outros dois campos pegmatíticos no distrito, Campo Pegmatítico de Salinas e Campo Pegmatítico de Medina - Pedra Azul. Entretanto, nenhuma informação a seu respeito é apresentada, pois, eles ainda estão sendo pesquisados. 

Leia mais, acessando o documento da CPRM:


Segundo o Anuário  Mineral Brasileiro, do DNPM - Departamento Nacional de Pesquisa Mineral, de 2010, Itinga detém 97,7% das reservas medidas de lítio (espodumênio), e Araçuaí os 2,3% restantes. Ou seja, 100% das reservas de Minas.  Quantidade similar ocorre com o Lítio (petalita), com 100% das reservas medidas.
Em 2011, as reservas mundiais de lítio, em óxido de lítio contido, eram de 12,9 milhões de toneladas, tendo como destaques mundiais o Chile (58,0%), a China (27,1%), a Austrália (7,5%) e a Argentina (6,6%) . 


Em janeiro de 2016, o deputado estadual Jean Freire esteve com o presidente da CODEMIG, Marco Antônio Castelo Branco, debatendo a implantação de industrias no Vale do Jequitinhonha. Um dos assuntos foi a exploração do lítio e feldspato para a fabricação de cerâmica, baterias e medicamentos.

Para que serve o lítio?
O lítio tem diversas aplicações. Porém, o mais conhecido é na fabricação de baterias. O Governo federal montou um grupo de trabalho para estudar a produção do lítio metal, usado no fabrico de baterias de telemóveis e de carros elétricos. O lítio é considerado a "gasolina do futuro".

O deputado estadual Jean Freire esteve no ano passado com o presidente da CODEMIG - Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais, Marco Antônio Castelo Branco, para debater o aproveitamento do lítio em industrias de cerâmica, baterias e na área de fabricação de medicamentos, no Médio Jequitinhonha.

O lítio é uma medicação muito útil no tratamento de doença psiquiátrica conhecida como comportamento bipolar, principalmente os sintomas maníacos. Ele também é utilizado para prevenir outros episódios do transtorno bipolar.
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Exploração do lítio causa doenças e impactos sócio-ambientais.
Mas, a exploração do lítio também traz problemas sérios quanto ao meio ambiente e provocação de doenças respiratórias, de pele, ocasionando câncer em pessoas em contato direto com o mineral.

A comunidade do Barreiro e arredores à mineração da CBL, na divisa de Araçuaí com Itinga, no Médio Jequitinhonha, tem grandes ocorrências de doenças derivadas da exploração do lítio, assim como diversos trabalhadores se afastaram das atividades de trabalho na mineração devido a doenças graves.

Outro fato grave é a verdadeira destruição do rio Piauí, que divide Itinga de Araçuaí. Toda a água que corria do rio é utilizada, sugada, pela mineração efetuada pela CBL. Muito pouco a empresa investe na recuperação ambiental de seu entorno totalmente destruído na exploração mineral.
A CBL tem o monopólio da exploração do lítio, no Brasil.
Um estudo publicado, em 2013, alerta pela precariedade da exploração do lítio pela CBL:

"Responsável pela metade da riqueza que circula em Araçuaí (MG), a mineração no local é realizada, no entanto, de forma informal e predatória, sendo responsável por impactos socioambientais negativos, como poluição sonora, do ar e da água e danos à saúde da população. Na região, encontra-se uma das únicas reservas de lítio lavrável confirmadas do Brasil, explorada pela Companhia Brasileira de Lítio (CBL). O minério é usado, no país, em especial para fabricação de vidros, tintas, cerâmicas e pela indústria nuclear. A CBL é responsabilizada por jogar efluentes nos rios de Araçuaí e por dispor os rejeitos da lavra de forma inadequada. Além disso, a empresa também é considerada causadora de danos socioambientais em Divisa Alegre (MG), onde beneficia o minério de lítio para obtenção de carbonato de lítio e de hidróxido de lítio".

Portanto, a exploração mineral do lítio deve ser debatida com a sociedade, definindo medidas de prevenção, ações protetivas à vida do bioma , da fauna, flora e da vida das pessoas.

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