sexta-feira, 18 de setembro de 2015

DER vai fiscalizar carretas e proibir transporte ilegal de madeiras de eucalipto na LMG 677, em Lelivéldia

Transporte de madeira de eucalipto em veículos bitrem é ilegal.
DER promete fiscalização e proibição de tráfego na LMG 677.

“Agora é com o DER. Não são vocês mais que terão que fazer o controle, colocando suas vidas em risco. O sofrimento está no fim”. Este foi o desabafo de alívio do deputado Dr. Jean Freire ao receber a informação do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER/MG) de que irá, em caráter de urgência, fiscalizar o tráfego de carretas de eucalipto na LMG 677, que liga Virgem da Lapa a Ijicatu (distrito de José Gonçalves de Minas), passando por Lelivéldia (distrito de Berilo), no Vale do Jequitinhonha.

O compromisso foi externado pela Diretora de Fiscalização do órgão, Maria Luiza Machado Monteiro, na audiência pública realizada nesta manhã pela Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG) para debater o transporte de eucalipto nos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Autor do requerimento para realização da agenda, o deputado estadual Dr. Jean Freire questionou o modo como é feito o cultivo e transporte das árvores; mas ressaltou sobretudo seu papel de intermediador entre o povo e o governo estadual, visando a solução de problemas e a geração de benefícios para os Vales.
Tráfego não autorizado — “Iremos à região fiscalizar cada caminhão. Afinal, o DER jamais recebeu um pedido de licença para passagem na região”, garantiu Monteiro. A diretora — que representou na audiência também o Secretário de Transporte e Obras Públicas, Murilo Valadares —, é taxativa ao afirmar que o tráfego de tri-trens na LMG 677, assim como em qualquer via não asfaltada, é proibido em qualquer horário do dia.
Bloqueio do tráfego — Os moradores de Lelivéldia vinham bloqueando a passagem de veículos com eucalipto na LMG desde a última quinta-feira, 10, quando um motociclista da comunidade morreu em acidente com uma carreta. Na sexta-feira, 11, o parlamentar passou horas tentando mediar um acordo entre moradores e motoristas responsáveis pelo transporte de eucalipto na região. De um lado, cidadãos que buscavam uma solução para o descaso das empresas e, de outro, motoristas que estavam impedidos de trafegar por conta do fechamento da estrada pelos moradores revoltados com o ocorrido.

Após uma tensa conversa com ambas as partes, com o apoio da Polícia Militar, Dr. Jean conseguiu, em comum acordo, que a estrada fosse liberada para aqueles que ali estavam. A condição foi a de que nenhuma carreta voltaria a trafegar naquele trecho até que uma solução fosse acordada entre os representantes da Suzano Papel e Celulose, empresa responsável pelo eucalipto transportado, e representantes dos moradores do distrito na audiência pública desta quinta-feira.

“Lelivéldia é castigada pela poeira, barulho e risco de acidentes. E o transporte de eucalipto aumenta consideravelmente este quadro”, resume Dr. Jean Freire.

Empresa não comparece — A Suzano, apesar de ter garantido a participação no encontro, não enviou representante, fato gerador de indignação aos mais de vinte moradores do Vale do Jequitinhonha presentes ao encontro.

“A ausência de representante da empresa mostra a falta de compromisso com nosso povo”, resume o presidente da Câmara Municipal de Berilo, Wanderley dos Reis Freitas.

A opinião do edil foi corroborada pelo prefeito do município, Igor Maciel Coelho: “Vim para escutar da Suzano e do governo estadual o que fariam. Nenhum morador do Vale pode mais perder suas vidas por irresponsabilidade de uma empresa”.

Para o delegado regional da Polícia Civil de Capelinha, Thiago Rocha Ferreira, os ganhos financeiros não deveriam se sobrepor à responsabilidade social. “O lucro tem que ser compartilhado com quem sofre as consequências ruins”, afirma.
Danos permanentes — O vereador de Berilo, Davidson Pereira dos Santos enfatiza os danos causados pelo plantio de eucalipto ao meio ambiente e à sociedade: “Os poços secaram, as plantações de frutas estão prejudicadas. As crianças estão tendo doenças respiratórias, as pessoas convivem com a poeira dos caminhões, os hospitais ficam sobrecarregados”.

Para a representante dos movimentos sociais do Vale do Jequitinhonha e agente da Cáritas Diocesana de Araçuaí, Cléa Amorim de Araújo, entre os anos 80 e 90, cerca de 1200 nascentes secaram no Jequitinhonha em função do desmate e queimadas para plantio do eucalipto e criação de fornos. “Esse não é um dado só de estatística. É o que vimos ao andar pela região e é o que sentimos na pele”, desabafa.
Em um depoimento emocionado, o ex-vereador de Berilo, Joveliano dos Santos (“Jovino”) reforçou os prejuízos: “O veneno desce pelas águas. Pais, mães, crianças adoecem sem saber que tipo de veneno está bebendo”.
Polícia sem pistas de motorista assassino - O delegado regional de Polícia Civil de Capelinha, Thiago Rocha Ferreira, explicou que a delegacia de Minas Novas, que tem a jurisdição de Berilo, está sem delegado atualmente, mas que uma delegada de Capelinha foi designada para investigar a morte recente que aconteceu na LMG-677 em Lelivéldia. O motorista responsável fugiu do local e ainda não foi identificado. Thiago Ferreira incentivou os moradores a repassar as informações que tiverem e a colaborar com as investigações.

Importante apoio — Presente à audiência, a Promotora de Justiça e Coordenadora do Centro de Apoio às Promotorias de Direitos Humanos e Apoio Comunitário, Nívia Mônica da Silva, ressalta a prova de cidadania e exercício da democracia apresentado pelos presentes.

Silva informa que analisará todos os Termos de Ajustamento de Conduta firmados na região para fiscalização. A promotora informou, ainda, o telefone da ouvidoria do Ministério Público, para denúncias.


Ações programadas — Além da fiscalização por parte do DER, um colegiado formado por representantes do Vale do Jequitinhonha, poderes legislativo e executivo municipais da região e o deputado Dr. Jean Freire se propôs a ir à sede da Suzano em São Paulo, para tentar ouvi-los.

O parlamentar apresentou também requerimento solicitando que a Comissão de Transportes peça ao DER a formação de uma comissão com representantes da ALMG para verificação in loco do estado físico da LMG 677 e coleta de dados sobre o transporte de eucalipto.

Outro encaminhamento da audiência pública é a criação do Movimento dos Atingidos pelo Eucalipto (MAE).

"Pra mim a audiência foi muito válida e acredito que os objetivos que a comunidade anseia serão alcançados. Dr. Jean abraçou a nossa causa, tem sido muito atuante, empenhado desde o primeiro momento, dando apoio na questão jurídica, o que deixa os moradores mais confortáveis, mais seguros do que estão fazendo”, afirmou Adalberto de Souza Cunha, vice-prefeito de Berilo.


Assessoria de Comunicação do deputado Jean Freire
Fotos: divulgação
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Um comentário:

Paula Lopes disse...

É importante avaliar os interesses real da população. Será que estão avaliando o impácto finaceiro que todo esse movimento causou a população e aos mais de 300 motoristas de bitrem desempregados? "A plantação acabaria até com nascentes de rios. Pesquisadores, porém, refutam essas teorias. Dizem que o eucalipto tem os seus benefícios e, se for plantado de maneira adequada, não causa prejuízos. Além disso, o eucalipto exerce uma outra função: diminui a pressão sobre os remanescentes de mata nativa." DEVEMOS APOIAR O PLANTIU DE EUCALÍPTO E O SEU TRANSPORTE COM BITREM, POIS É MAIS SEGURO QUE O TRITREM. O absurdo aqui, é tritrens rodar livremente! Não sei quem no seu juízo perfeito e usando do poder que dispõe, daria licença para TRITRENS rodar em quaisquer rodovia que seja!

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