quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Prefeituras quebradas cobram R$ 44,9 bilhões do Estado e da União

Governo Federal deve R$ 33,92 bilhões e o Estado deve R$ 11 bilhões, segundo a AMM

Municípios do Vale têm R$ 875 milhões a receber do Estado e da União.

São R$ 575 milhões da União e cerca de R$  300 milhões do Estado.



Em Divisa Alegre, no Vale do Jequitinhonha, nordeste de Minas, os
professores não recebem salários desde outubro por causa dos atrasos nos
repasses do governo do Estado e do Governo Temer. Eles representam
50% da folha salarial do município, e a situação já afeta as demais atividades
econômicas, com redução drástica de vendas no comércio e uma perspectiva
de fim de ano difícil para grande parte dos moradores.

A realidade é a mesma para a maioria das cidades da região, por causa dos
quase R$ 11 bilhões de dívidas do governo de Minas Gerais com as prefeituras,
de acordo com cálculos da Associação Mineira de Municípios (AMM).
E também da falta de repasse dos recursos federais da Lei Kandir que o
Tribunal Superior Federal determinou, em novembro de 2017, para o Governo
Federal pagar R$ 33,92 bilhões.

O prefeito de Divisa Alegre, Marcelo Olegário (PRB), reclama que, além de não ter
dinheiro para pagar os professores, também não terá com o pagar o 13º salário
para os demais servidores e reclama da ausência de perspectivas “Os professores
estão sofrendo, passando dificuldades. Isso afeta toda a economia da nossa cidade.

Os armazéns não estão vendendo como antes, têm dificuldades para receber o que
já foi vendido, e vai travando toda a economia. O pior é que a gente olha para essa
situação, e estamos de mãos atadas, porque o problema não é com a gente, é com o
Estado”, desabafou o prefeito. E com a União, esqueceu-se de dizer.

A situação de Divisa Alegre se repete em 80% das cidades da região, de acordo
com o presidente da União dos Municípios do Vale do Jequitinhonha e prefeito de
Pontos dos Volantes, Leandro Santana (PSDB). “Essa é a realidade dos municípios
mineiros. A maioria deles já não consegue pagar os salários dos professores. Na
nossa cidade, estamos utilizando recursos próprios para manter o salário, mas são
poucas as prefeitura que têm recursos em caixa para fazer o pagamento”, avalia.

Ele não acredita que haverá alguma mudança, com o pagamento dos repasses
nesse fim de mandato. “Infelizmente, não há nada que esperar desse governo que
ainda não sabe como irá pagar o 13º salários do funcionalismo estadual”, diz.

O governo de Minas afirma que está em busca de um acordo judicial com os
municípios para o pagamento dos repasses em atraso.

O governador eleito, Romeu Zema (Novo), por sua vez, já se encontrou com prefeitos
de grandes cidades nesta semana para discutir o assunto. Ele destaca que é
preciso tomar conhecimento do caixa do Estado para ver como solucionará o problema.

Já estive reunido com vários grupos de prefeitos e prefeitas e expliquei que ainda
não tivemos acesso ao fluxo de caixa do nosso Estado. A partir do momento em
que assumirmos realmente o governo, em janeiro, é que teremos condições de
fazer uma projeção real sobre a retomada regular dessas transferências e como
faremos para negociar e quitar os passivos que ficarão do atual governo estadual
com os municípios mineiros”, afirmou governador eleito.

Falta de repasses do Governo Federal

Minas e os municípios mineiros têm R$ 135 bilhões a receber da União devido às
perdas da Lei Kandir. O próprio STF já reconheceu  a dívida. Deste total,
R$ 33,92 bilhões são dos municípios de Minas.

O Governo Temer não paga e fica por isso mesmo.
Os prefeitos estão bravos como um leão com o governador 
Pimentel, mas estão como um gatinho com o governo Temer. 

Municípios do Vale do Jequitinhonha têm R$ 575 milhões a
receber do Governo Federal
Segundo cálculo da Fundação João Pinheiro, os municípios do Vale do 
Jequitinhonha, no nordeste de Minas, têm a receber da União mais de 575 
milhões em razão da desoneração de ICMS provocadas pela Lei Kandir. 

Recursos a receber do Governo Federal por cada município.
 Fonte: Fundação João Pinheiro e ALMG.

MEDIO JEQUITINHONHA


ALTO JEQUITINHONHA

MUNICÍPIO
VALOR R$

MUNICÍPIO
VALOR  R$
Araçuaí
24.134.018,78

Angelândia
10.048.659,66
Berilo
9.480.029,85

Aricanduva
5.460.656,64
Cachoeira do Pajeú
9.459.330,19

Carbonita
12.620.100,57
Chapada do Norte
9.175.170,31

Capelinha
21.668.870,57
Comercinho
7.517.210,93

Couto Magalhães de Minas
7.366.509,07
Coronel Murta
8.283.091,86

Datas
6.378.730,08
Francisco Badaró
6.914.463,97

Diamantina
28.539.139,12
Itaobim
12.900.289,07

Felício dos Santos
5.839.052,17
Itinga
9.404.040,64

Gouveia
9.881.076,28
Jenipapo de Minas
6.560.037,89

Itamarandiba
24.159.751,15
José Gonçalves de Minas
4.962.808,75

Leme do Prado
7.532.065,52
Medina
12.025.575,50

Presidente Kubitschek
4.983.134,88
Monte Formoso
5.192.186,03

São Gonçalo do Rio Preto
8.282.193,25
Novo Cruzeiro
12.739.428,98

Senador Modestino Gonçalves
8.202.674,72
Padre Paraíso
9.894.601,11

Serro
14.425.470,80
Pedra Azul
20.515.807,66

Turmalina
15.565.208,88
Ponto dos Volantes
8.719.637,93

Veredinha
7.832.843,52
Virgem da Lapa
8.060.650,18



T O T AL
186.928.359,63

T O T A L
248.242.543,03







BAIXO JEQUITINHONHA


MUNICIPIO
VALOR R$

Almenara
18.656.248,71

Bandeira
5.679.410,48

Divisopolis
7.081.536,78

Divisa Alegre
9.654.727,80

Felisburgo
7.208.106,38

Jacinto
8.776.422,23

Jequitinhonha
14.483.572,09

Joaíma
10.328.182,01

Jordânia
6.883.263,70

Mata Verde
8.015.923,70

Palmópolis
5.056.972,76

Rio do Prado
5.806.013,71

Rubim
8.156.460,22

Salto da Divisa
16.666.529,20

Santa Maria do Salto
6.369.376,96

Santo Antônio do Jacinto
8.152.837,87

T O T AL
140.597.584,58





Os valores a receber de cada município podem ser acessados no link:

Movimento de prefeitos é político, diz governo de Minas.

O advogado-geral de Minas Gerais, Onofre Batista, disse que a dívida
do estado com os municípios se dá por um problema de deficiência
de caixa e que vê o requerimento da AMM como um “gesto político”.
O problema do estado hoje são deficiências de caixa, que ele vive
momentaneamente, desequilíbrios de caixa, mas que depois o estado
acerta, deixa em dia. Mas a questão política fala mais alto.

Eles precisam dar uma resposta política na cidade deles.
Aí fizeram esse movimento mais político”, disse Batista.

O advogado-geral falou que as dívidas do estado com os municípios
são “elevadas”, mas não chegam ao montante informado pela
AMM. Onofre Batista afirmou ainda que o estado pretende repassar
os valores do ICMS para as cidades mineiras, mas que o valor total da
dívida só será pago em “longo prazo”.

Por fim, o advogado-geral destacou que dívida não gera intervenção
e que a medida pressupõe uma melhora. Segundo ele, uma intervenção
na véspera da troca de governo seria “inerte, inócua e estéril”.

A ação interventiva é uma ação que corre no Supremo, ela é uma
ação que pressupõe uma melhoria de quadro. E a gente sabe que
o problema que a gente vive é um problema de desequilíbrio do quadro
federativo. Tanto que Minas tem créditos a receber elevadíssimos, como
da Lei Kandir, do Fundef, que está pra receber, como a decisão da
semana passada, do Fundo de Participação dos estados, que
está estimando que R$ 14 bilhões não foram passados para o fundo”,
afirmou Batista.


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