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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Trabalhadores da Educação entram em greve, a partir de 11 de fevereiro

A greve por tempo indeterminado é por cobrança do pagamento do Piso Salarial, aplicação do mínimo legal na educação, quitação do 13º salário e Plano de Atendimento.

Trabalhadores protestaram também contra a discriminação do Governo Zema que prioriza a Polícia Militar para pagamento de salários e reajuste salarial.
Na tarde desta quarta-feira, 5/2/2020, trabalhadoras e trabalhadores em Educação, representando todas as regiões de Minas Gerais, aprovaram greve por tempo indeterminado na rede estadual de ensino, a partir de 11 de fevereiro. A Atividade aconteceu no pátio da Assembleia Legislativa.

A categoria reivindica propostas de pagamento do Piso Salarial Profissional Nacional, direito respaldado pela Lei Estadual 21.710/2015 e pela Lei Federal 11.738/2008, bem como o cumprimento estrito do repasse de 25% da receita corrente líquida do Estado para a Educação, o que não foi executado no ano passado pelo governo Zema.
Também luta pela quitação do 13º salario de 2019, a interrupção de políticas que dificultam o acesso à Educação, como sistema de pré-matrículas online, Plano de Atendimento, fusão de turmas, demora na publicação das remoções e resolução de designação.

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) ressaltou também que a apresentação de propostas de reajustes salariais a apenas um setor do funcionalismo só demonstra o desprezo que o governo Zema tem pela Educação, sendo urgente uma resposta concreta contra tal postura.

Zema prioriza a Polícia Militar em reajustes salariais e quitação do pagamento do 13º salário. 

Foi votado e aprovado o seguinte calendário de lutas:
– 6 e 7/2 – Rodas de conversa sobre a conjuntura enfrentada pela Educação mineira e visitas às escolas;
– 10/2 – Conversas com pais e estudantes nas escolas.
– 11/2 – Início da greve por tempo indeterminado.
– 12 e 13/2 – Mobilização nas escolas e realização de assembleias locais e regionais.
-14/2 – Realização de Assembleia Estadual.
– Moção de Repúdio ao reitor da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), que processa estudantes e professores por se manifestaram em defesa da educação democrática.
– Moção de apoio e solidariedade à greve dos petroleiros e petroleiras em todo o país.

Fotos: Isis Medeiros/Sind-UTE/MG
Assessoria de Imprensa: StudiumEficaz

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

SIND UTE denuncia: Zema privilegia policiais e despreza os outros servidores

Professores prometem realizar diversas manifestações de rua contra o parcelamento dos salários


O governador Romeu Zema deu mais uma prova que prefere uns servidores públicos a outros. Na sua escala de pagamento dos salários ele prefere pagar primeiro o pessoal da segurança pública que receberá a totalidade no dia 10 de janeiro. Enquanto isso, os trabalhadores da educação receberão até R$ 2.000; e os da saúde até R$ 3.000. 

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (SIND-UTE/MG) denunciou a manobra do Governador, mostrando que ele desrespeita cerca de 70% do funcionalismo estadual, desprezando o pessoal da educação. E acrescenta: em uma manobra contábil, declarou na prestação de contas que pagou o 13º integral a todo o funcionalismo.

Leia a Nota de Repúdio do Sind-UTE:

"Nota de Repúdio

Governo de Minas despreza a educação: categoria segue sem 13º e, agora, com salários parcelados em janeiro de 2020.

O Estado segue precarizando os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras do ensino público. Ao anunciar a escala de pagamento para janeiro de 2020, a gestão estadual mantém a política de predileção a uma pequena parcela do funcionalismo e relega à Educação o parcelamento de salários.
O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) vem a público repudiar essa medida nefasta do governador Romeu Zema, que só tem onerado a categoria e aprofundado o desmonte da educação. A injusta escala ficou da seguinte forma:
– 1ª parcela: no sétimo dia útil de janeiro serão depositados até R$ 2.000 para toda categoria e até R$ 3.000 para os servidores da saúde.
– 2ª parcela: os valores restantes serão todos quitados no dia 20 do próximo mês.
– Segurança Pública: receberá o pagamento integral no dia 10/1/2020, e a segunda parcela do 13° salário no dia 21/1/2020.
Ao tratar de maneira desigual os trabalhadores e as trabalhadoras em educação, o governador ignora a categoria.
Desde agosto, a direção estadual do Sind-UTE/MG reivindicou nas mesas de negociação o pagamento do 13º salário e propostas de cumprimento da Lei Estadual 21.710/2015, que estabelece o Piso Salarial como um direito legal à categoria. Sem nenhum cronograma proposto, o governo do Estado ignorou a gravidade da situação.

A Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) afirmou ao Sindicato, na reunião do último dia 18/12/2019 (veja aqui), que, por meio de uma manobra contábil, declarou na prestação de contas a quitação integral do 13º salário a todo funcionalismo. Assim, faltou com a verdade e colocou em risco a vida de milhares de famílias.
Quando não executou o repasse constitucional de 25% da receita corrente líquida do Estado para a Educação, Romeu Zema deixou de investir quase R$ 3 bilhões na área. Parte desse recurso foi destinado para pagar o 13º à Segurança Pública, deixando 46% dos trabalhadores e trabalhadoras do ensino público estadual sem o recebimento do direito.
Não é razoável um governador dar continuidade ao processo de sucateamento dos direitos trabalhistas, vulnerabilizando 70% do funcionalismo público com mais parcelamento de salários.
O gerencialismo de Zema precisa ser interrompido, imediatamente. O ano de 2019 foi bastante explícito quanto a sua forma de governar, que nada de “novo” tem a oferecer, se não a velha política de colocar a educação em segundo plano.
Em 2020, mostraremos, mais do que nunca, que a Educação deve ser tratada com respeito. O debate não é mais sobre aceitar ou não. Nossa luta será nas ruas.
Estamos juntos e juntas, inarredáveis na batalha pela manutenção dos nossos direitos.
O Estado tem a obrigação de nos respeitar".

terça-feira, 26 de novembro de 2019

UFMG homenageia líder histórico de trabalhadores rurais do norte de Minas

A UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais, do ICA - Instituto de Ciências Agrárias, campus Montes Claros, presta uma homenagem ao líder histórico dos trabalhadores rurais do norte de Minas, Antônio Inácio Correa, de Januária, que completa 80 anos.

Antônio Inácio Correa nasceu em Januária, na região de Bonito de Minas, em 1939, em um pequeno sítio. Ele cursou até a terceira série, em turmas multisseriadas - 1ª, 2ª e 3ª séries numa sala só, com um quadro negro e uma professora -, na sua comunidade rural. Depois, fez a quarta série na Escola Caio Martins, na cidade. Ele conta que, desde criança foi curioso e lia tudo o que conseguia acessar de papel escrito. Escutando notícias no rádio e participando da vida comunitária foi atinando que as coisas estavam "fora de lugar". Como agricultor familiar frequentava reuniões no Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Como católico foi um fervoroso participante de Comunidades Eclesiais de Base. 

Por ser um dos poucos lavradores com leitura e escrita, destacou-se a lavrar atas de reuniões diversas. Foi eleito Secretário do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Januária. Em pouco tempo, virou um ativista da Comissão Pastoral da Terra, na década de 80. E botou a boca no trombone, com força e coragem, ao denunciar as grilagens de terras e expulsão de trabalhadores rurais de suas glebas, em encontros e movimentos estaduais e nacionais.

Em 1984, foi um dos pioneiros ao participar da fundação do MST Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, tornando-se o representante do movimento no norte de Minas. Rodou a região em reuniões e Encontros de luta pela terra. Em ocupações e resistências históricas como em Cachoeirinha, em Varzelândia, e Vereda Grande, em Januária e São Francisco. Quase todos os dias, ele marcava ponto no Fórum de Januária, na Promotoria Pública, ao denunciar a perseguição dos grileiros aos lavradores. Junto com Elói Ferreira da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Francisco, formou uma dupla de potentes lideranças daqueles que não tinham voz nem vez.
Eloy foi assassinado em 16 de dezembro de 1984 por grileiros e pistoleiros ligados ao maior latifundiário de Minas, Antônio Luciano. Latifundiários da região anunciavam que esse era um aviso para outras lideranças como Antônio Inácio de Januária e Valdeci de Varzelândia. Valdeci sofreu um atentado, mas sobreviveu.

Antônio Inácio sempre foi de bom diálogo, firme e de muita coragem. Um homem de paz. Conversava inclusive com os algozes, tocando em sua humanidade. Procurava e cobrava de autoridades - policiais, delegados, promotor de justiça, juiz de direito, prefeitos, vereadores - a garantia de direitos de posseiros e lavradores da região. 

Nas décadas de 70 e 80, grandes empresas chegavam na região e queriam tomar conta de tudo. Comprava alguns pedaços de terra e cercavam centenas, milhares de hectares. Ameaçavam os posseiros, queimavam casas, destruíam roças, expulsavam as famílias. Antônio Inácio enfrentava estas situações, denunciando, organizando os trabalhadores na resistência de ficar em suas terras. Sua liderança dava coragem aos companheiros que enfrentavam os invasores.

Em 1984, Antônio Inácio começou a escrever uma coluna no semanário Folha de Januária, jornal independente de uma pequena cooperativa de bancários que abriu espaços para as lutas populares. Em 1988, a Editora Vozes selecionou algumas das suas crônicas e publicou o livro "Um Lavrador no Reino do Latifúndio - a luta secular de Davi contra Golias".
Suas escritas incomodavam a elite local que pressionava a direção do jornal, cortando propaganda devido aos escritos de Antônio Inácio que virou leituras de formação e organização política nos grupos de trabalhadores da região. Alguns anos depois, escreveu  capítulos dos livros “Pioneiros do MST” e “História dos Gerais”.

Eleito presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Januária intensificou ainda mais o seu trabalho. Rodou a região, orientando na fundação de associações e sindicatos de trabalhadores. Participou da fundação da CUT - Central Única dos Trabalhadores como também do Partido dos Trabalhadores, em Januária.

Em palestras e debates públicos sobre questões do campo, em Januária, ele ia pra platéia, cheia de fazendeiros e trabalhadores rurais. Quando abriam a fala, lá estava ele colocando o contraponto, a vivência e parecer dos oprimidos. Criava um desconforto na elite dirigente local. Começou a ser chamado pra compor Mesa, mas não lhe davam a palavra. Ele levantava e falava sem microfone. Temido e respeitado, começaram a ouvi-lo. Puxava  a orelha de bispos e padres que não tinham preferência pelos pobres. 

Sua luta ia muito além da garantia e acesso à terra. Debatia a necessidade da criação de políticas públicas para os agricultores familiares; a formação política da juventude; a democratização dos usos da água; questionava o modelo de desenvolvimento na produção da miséria de muitos, na destruição dos cerrados e veredas. Participou ativamente da organização da Comissão de Direitos Humanos de Januária, nas décadas de 80 e 90.

Aposentou-se. Mas, não da luta e da vida. Tem muito o que ensinar às novas gerações.

Por esses e vários motivos, é justa a homenagem que a UFMG presta a essa liderança histórica dos trabalhadores rurais do norte de Minas e de todo o semiárido mineiro.

Com meu amigo Antônio Inácio, na sua casa, em Januária, saboreando um pouco a sua sabedoria e as lembranças de muitas lutas travadas no Vale do São Chico. 

Leia o convite da Homenagem. 
E vá lá!

Homenagem a Antônio Inácio Correia
O mestrado associado entre a UFMG e a Unimontes em Sociedade, Ambiente e Território 
convida para o Seminário em homenagem a Antônio Inácio Correia.
Nascido em 1939, Antônio Inácio Correia é agricultor, foi presidente do Sindicato de 
Trabalhadores Rurais de Januária. Autor do livro “Um lavrador no reino do latifúndio” e 
de capítulos dos livros: “Pioneiros do MST” e “História dos Gerais”.
Nos anos de 1970 e 1980, carvoeiros e grileiros chegaram aos gerais do Norte de Minas 
devastando os cerrados e expulsando agricultores da terra. Naquela época, Antônio dirigia 
o Sindicato de Trabalhadores Rurais de de Januária. Ele liderou a luta em defesa na 
natureza e da agricultura familiar da região, organizando a resistência à tomadas de 
terras e à destruição dos cerrados e veredas.

Data: 26 de novembro, às 14h
Local: Auditório do Bloco C – Instituto de Ciências Agrárias da UFMG
Avenida Universitária, 1.000 - Bairro Universitário - Montes Claros - MG 
Fone: (38) 2101-7710
O evento é gratuito e aberto ao público.

domingo, 7 de abril de 2019

Lula: um ano de prisão, mas o povo não esquece ele

Mesmo preso, o ex-presidente continua a despertar sentimentos e opiniões opostas / (Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)
Há quase um ano sem contato direto com o que acontece do lado de fora das paredes da Polícia Federal de Curitiba, em um silêncio forçado, Luiz Inácio Lula da Silva causa impacto na vida de muitos brasileiros. Aos 73 anos, o ex-presidente continua a despertar sentimentos e opiniões opostas.
De um lado, aqueles que reconhecem que grande parte da população foi beneficiada por suas políticas públicas. São os que sentiram na própria pele como as condições de vida melhoraram durante seus governos. Do outro, os que reproduzem um discurso de que Lula é um atraso para o país e, a todo custo, tentam manchar sua imagem. Tal dualidade é constante na vida política do ex-presidente, mas, sua importância na história do país é inegável. São diversos os motivos que fazem com que Lula não caia no esquecimento da população e não saia dos holofotes da mídia.  
Campanhas, atos políticos, processos, investigações e falas públicas contundentes. Esse são os cenários geralmente associados a ele. Ao longo de sua trajetória, a imagem do homem que respira política na maioria das vezes sobressai a do Lula pai e avô. Mas, subjetividades, crenças e opiniões - pilares fundamentais na formação de todo o homem político -  o fazem um ser humano como todos os outros.
Perdas inestimáveis 
A primeira vez que apareceu em público após ser preso, foi para participar da cremação de seu neto, Arthur Lula da Silva, que morreu aos sete anos idade. Com base no artigo 120 da Lei de Execução Penal, o ex-presidente foi autorizado pela Justiça Federal a participar da cerimônia. 
Por alguns segundos, entre o carro da Polícia Federal e a sala onde seu neto estava sendo cremado, apoiadores e jornalistas puderam vê-lo. Abatido, acenou rapidamente, sem esconder a dor de avô, que acabara de perder um de seus netos de forma tão trágica. 
“Nunca vi meu pai tão triste desde que eu me entendo por gente. Nunca. Ele falou que não achava justo, que não era a ordem natural, que tinham pessoas mais velhas que poderiam ter ido, que ele não entendia… Disse para o Arthur que o esperasse no céu, que ele iria levar o diploma da inocência dele”, conta Lurian Lula da Silva, filha mais velha do ex-presidente, que pode ficar apenas 1h30 com sua família, em um momento de luto tão grande. “Não foi suficiente. Ele estava há quase um ano preso, longe da convivência familiar. Longe do dia a dia do neto”. 
Além de ser privado de liberdade sem que o julgamento chegasse aos tribunais superiores do país, essa a terceira perda familiar em um curto período de tempo que Lula sofre. Em fevereiro de 2017, quase um ano após ser alvo de condução coercitiva determinada por Sérgio Moro, Marisa Letícia Lula da Silva, esposa do petista, morreu vítima de um AVC. Companheira de vida e de luta do ex-presidente por mais de 30 anos, militou ao lado de Lula desde meados dos anos 70 e encorajou outras mulheres a se juntarem ao movimento sindical.
Foi duramente atacada ao longo de sua trajetória por estar do mesmo lado da trincheira que Lula, o aconselhando e apoiando ao longo de seus dois governos. Costureira da primeira bandeira do PT, sua perda foi sentida por todos os militantes e apoiadores do partido, que carinhosamente a chamavam de "Dona Marisa", assim como Lula.
Em janeiro deste ano, Lula foi impedido de participar do velório de seu irmão mais velho, Genival Inácio da Silva, de 79 anos, conhecido como Vavá, que morreu em decorrência de um câncer no pulmão. 
“Ele resiste pelos que já foram e pelos que ficaram”, diz Lurian, que assume não saber de onde Lula continua tirando forças para lutar em defesa de sua liberdade e pelo resgaste de outro projeto de sociedade. O projeto que tirou o Brasil do mapa da fome, que inseriu pobres e negros na universidade e melhorou as condições de vida e trabalho no campo. 
“Todo mundo fala: ‘Lurian, tenha força, porque ele é gigante’. De fato, ele é gigante. A cada cem anos surge um como ele, tanto quanto homem, quanto pai, quanto político. Ele é um cara que sobreviveu a tudo. Sobreviveu à miséria, à fome, ao preconceito, à perseguição, à ditadura. Ele tem uma coisa que acho que é muito da Família Silva, de tentar ter bom humor em algum momento de dor para poder resistir”, relata a primogênita. 

"Ele é gigante", diz Lurian Lula da Silva, filha mais velha de Lula (Foto: Ricardo Stuckert)

Já Dilma Rousseff acredita que são justamente as violações e perseguições como as que ela e Lula enfrentam cotidianamente, que dão força para resistir. Torturada durante a ditadura militar brasileira, a ex-presidente argumenta que Lula também sofre uma forma de tortura, preso em uma solitária, longe do povo. 
“O sofrimento, a injustiça e a tortura fazem, na verdade, crescer dentro de alguns de nós a vontade de lutar, sobreviver para dar a volta por cima e vencer os nossos algozes. Vencer não pela força, mas pela superioridade que mostramos ao ficar vivos, ao manter a espinha ereta, a mente lúcida e os nossos princípios fortalecidos pela certeza de que estamos do lado certo da história. É exatamente o caso de Lula”, pondera.
A ex-presidente acrescenta “Ele sabe que naquele cubículo em que foi jogado está acompanhado de milhões de brasileiras e brasileiros que o amam, gente que o admira e, também, gente que sabe que, neste momento histórico, sem ele, o país continuará se desfigurando”.
Origem nunca esquecida 
De uma família de nove irmãos, Luiz Inácio passou pelas mesmas dificuldades que outras tantas crianças camponesas do semiárido nordestino. Nascido em outubro de 1945, no município de Caetés, no agreste pernambucano, a fome foi uma companhia constante em sua infância. 
Na opinião de Gleisi Hoffmann, deputada federal pelo Paraná (PT), as origens de Lula o tornaram o que é e lhe deram condições de resistir contra perseguições em toda sua trajetória política.  
“Lula é o retrato mais bem acabado do povo brasileiro. Do homem simples, lutador, do trabalhador, daquele que luta para sobreviver. Justamente por ser assim, ter vindo da onde veio e chegado à presidência da República, soube o que fazer como presidente.  Como ninguém, Lula sentiu a falta de oportunidade na vida. E seu governo foi um grande governo de oportunidades, por isso o povo melhorou, teve condições de prosperar.”
Quando falam sobre ele, muitas pessoas citam Dona Lindu, mãe do petista, que criou nove filhos pequenos sozinha e é sempre relembrada nas falas do ex-presidente. “A força [de Lula] vem de Dona Lindu. Ele sempre disse que ela dizia para ele: ‘Teima meu filho. Teima que dá certo’. E ele é um teimoso convicto. A força vem do povo, da confiança que ele tem de poder melhorar as coisas”, complementa Hoffmann. 
Líder popular
As imagens históricas de Lula são sempre acompanhadas de muitas mãos, de muita gente, de muitos abraços. A comunicação com o povo é incontestável marca do ex-presidente. Preso, privado de contato com seus próprios familiares e da população, foi por meio de cartas e bilhetes que encontrou uma forma de se expressar sobre o que acontece no Brasil e continuar a defender seus posicionamentos. 
“Sempre caminhou ao lado do povo”, afirma Paulo Okamotto, presidente do Instituto que leva o nome do ex-presidente. “Ele sabe que é uma pessoa muito querida pela população, que tem muito carinho dos trabalhadores, muito reconhecimento. E isso, para ele, é uma tranquilidade para enfrentar as adversidades que a vida apresenta. É o que tem mantido sua força”. 

(Foto: Juca Martins)

Okamotto também avalia que “os últimos anos foram de muita provação para Lula” e o define como um “profundo conhecedor do povo brasileiro”. “Quem conhece o Lula, quem de alguma forma já conversou com ele, viu como ele trata as pessoas, como ele se preocupa, realmente se apaixona porque ele é um político diferenciado. Faz política com P grande. O legado que Lula construiu e constrói é pela prática dele”, sustenta. 
Destaque internacional
O legado do petista não reverbera apenas nas falas daqueles que trilharam ao seu lado. Os números mostram os feitos de seu governo:  Em 2002, o Brasil ocupava a 13ª posição no ranking global de economias medido pelo PIB (Produto Interno Bruto) em dólar, segundo dados do Banco Mundial e FMI. Em 2011, um ano após Lula sair da presidência, chegou a ocupar a 6ª posição. 
Após seus governos, a nota do Brasil no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, que era de 0,649 no início dos anos 2000, chegou a 0,755.  Entre 2003 e 2010, houve um aumento real de 80% no salário mínimo, além de programas de transferência de renda essenciais como o Bolsa Família. Hoje, consolidado como referência internacional, atende mais de 13,9 milhões de famílias, que recebem, em média, R$ 178. O coeficiente Gini, cálculo do Banco Mundial para medir o índice de desigualdade de renda, também apresentou melhora: passou de 58,6, em 2002, para 52,9, em 2013. 
Dilma Rousseff ressalta que alcançar essa e outras marcas fez com que o Brasil chamasse atenção de potências mundiais. “Nos fortaleceu ao mostrar que nossos sonhos eram realizáveis. Deixou claro aos milhões de brasileiros, sempre excluídos do poder e vítimas da injustiça social, que era e é possível, e necessário, uma vida melhor para os mais pobres. E isto, sem violência e sem guerras. Demonstrou que a redução da desigualdade é um pré-requisito para a paz, a democracia e um efetivo desenvolvimento”, afirma a ex-presidente. 
Para ela, Lula foi subestimado pela elite, que não aceitou como um retirante nordestino poderia ter uma capacidade de articulação política tão grande e ser aclamado pelo povo. “Eu tive a oportunidade e o orgulho de, por várias vezes, assistir ao reconhecimento da liderança de Lula, nos aplausos e nas entusiasmadas manifestações feitas nos encontros internacionais. Ao perceberem o tamanho de Lula, o desprezo das elites brasileiras se transmutou numa perigosa mistura de ódio e medo”. 
São muitas as opiniões sobre ele. Mas até mesmo quem o critica não têm argumentos suficientes para negar que a história do Brasil se mistura, em muitos momentos, com a história de Lula. “Ele é filho de Dona Lindu. Ele teima, ele resiste, ele tem consciência que ele vai lutar até o fim e que ele só sai dali com a inocência dele”, garante Lurian Lula da Silva.

 Fonte: BrasildeFato

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

FETAEMG: Presidente Vilson Silva pede apoio aos deputados federais contra a reforma da previdência social

O presidente da FETAEMG, Vilson Luiz da Silva, vem se reunindo com com os deputados federais de Minas Gerais, para dialogar sobre a possível reforma da previdência social.

Vilson vem pedindo o apoio dos congressistas, para que eles votem contra a PEC 287, cujo texto prevê alterações nas regras de aposentadoria que prejudicam, principalmente, a classe trabalhadora rural. Dentre as principais mudanças estão a elevação da idade mínima de aposentadoria para 65 anos e a equiparação desta idade para homens e mulheres.

O presidente Vilson está atuando massivamente para impedir que a PEC 287 seja aprovada. Ele está dialogando diretamente com os deputados que votaram a favor da PEC 55 (congelamento de gastos públicos), falando sobre os prejuízos que a reforma previdenciária trará à classe trabalhadora e solicitando o apoio dos congressistas contra a reforma.

Vilson lembra que, ao contrário do que o governo Temer defende, não existe nenhum déficit na previdência social. O que existe é um plano que visa prejudicar os trabalhadores para beneficiar políticos, grandes empresários e banqueiros. 

Dados da Associação Nacional dos Fiscais da Receita Federal (Anfip), do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) e do estudo da Dra. Denise Gentil, economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro, alertam que enquanto os economistas do governo federal apontam em 2015 um déficit de R$ 85 bilhões, no mesmo ano, as planilhas da Anfip anunciaram um superávit de R$ 24 bilhões. Ou seja, a reforma da previdência é desnecessária.

Por isso, a Fetaemg é contra essa perversidade e vem atuando para impedir que a reforma seja aprovada e com isso, os direitos de trabalhadores e trabalhadoras sejam mantidos. Só com justiça social os trabalhadores do campo e da cidade poderão viver de forma digna. 


Faça parte desta luta. 

Junte-se a nós! 

E diga não à Reforma da Previdência Social.

Fonte: site da FETAEMG

sábado, 12 de novembro de 2016

Mais de 120 pessoas foram parar no hospital após almoço de Sindicato em Berilo

Há suspeitas de infecção alimentar. Foi servido arroz, farofa e frango desfiado.

Foto: divulgaçãoMais de 120 pessoas foram parar no hospital após almoço de Sindicato em Berilo
Hospital Municipal de Berilo ficou congestionado

Pelo menos 120 pessoas, no município de Berilo, no Vale do Jequitinhonha,  distante 364 km de Belo Horizonte, passaram mal neste sábado, (12) após um almoço servido na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais daquele município.

 A maioria das vítimas é de pequenos agricultores. Existe a suspeita de infecção alimentar. Foi servido arroz, farofa e frango desfiado.

O almoço, preparado pelos próprios funcionários do sindicato, foi servido após a apresentação da previsão orçamentária da entidade . O presidente Sindicato, Geraldo Gomes de Sousa, não foi localizado para falar sobre o assunto.

Amostras dos alimentos foram recolhidas para análise.

Os participantes do almoço começaram a passar mal por volta das 16 horas e foram encaminhados para o hospital local, com suspeitas de infecção intestinal.

O hospital  ficou congestionado. Apenas com um médico de plantão, foi preciso acionar mais duas médicas na cidade vizinha de Francisco Badaró  e sete auxiliares de enfermagem que estavam de folga, para auxiliar nos atendimentos.  

O município de Francisco Badaró também  enviou várias caixas de soro para os atendimentos.  Dois pacientes, da comunidade de Lagoinha, foram transferidos para o hospital São Domingos em Virgem da Lapa, a 28 km de Berilo,. Eles estão internados sob observação.

Até as 19 horas deste sábado, 12 pessoas continuavam internadas no hospital Municipal Nossas Senhora dos Pobres, em Berilo.Eles não correm risco de morte.

 Sérgio Vasconcelos, no Gazeta de Araçuaí.

Governo inicia repasse de recursos do 2º semestre para Escolas Família Agrícola

Atualmente, Minas Gerais conta com 21 Escolas Família Agrícola que atendem, juntas, cerca de 1.880 alunos do Ensino Fundamental, do Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA). 

O Vale do Jequitinhonha conta com EFAs em Araçuaí, Comercinho, Itaipé, Itinga, Itaobim, Padre Paraíso, Veredinha e Virgem da Lapa.



Foto: arquivoGoverno inicia repasse de recursos do 2º semestre para Escolas Família Agrícola
EFA do Jacaré, no município de Itinga 

A Secretaria de Estado de Educação (SEE) iniciou o repasse do recurso financeiro destinado ao pagamento do segundo semestre das bolsas dos estudantes que participam do Programa de Apoio às Escolas Família Agrícola (EFA) do Estado de Minas Gerais.
 O recurso é repassado em duas parcelas, sendo uma referente ao primeiro semestre e, a outra, ao segundo. Ao todo, em 2016, a SEE irá repassar às EFAs R$ 9.447.485,04, sendo R$ 4.924.181,10 no segundo semestre.  
EFA Bontempo, em Itaobim
EFA Bontempo, em Itaobim
​A Escola Família Agrícola é uma Escola Comunitária, sem finalidade econômica, formada a partir de uma associação de famílias de agricultores familiares, instituições e/ou pessoas afins que, organizadas, a criam para oferecer educação apropriada aos seus filhos.
Atualmente, Minas Gerais conta com 21 Escolas Família Agrícola que atendem, juntas, cerca de 1.880 alunos do Ensino Fundamental, do Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Repasse de recurso

EFA Araçuai
EFA Araçuai

O Programa de Apoio Financeiro à Escola Família Agrícola do Estado de Minas Gerais foi instituído pela Lei 14.614, de 31 de março de 2003.

O programa visa beneficiar as escolas que são gerenciadas por uma associação autônoma, composta de pais, pessoas e entidades comprometidas com o desenvolvimento da agricultura familiar; que oferecem cursos gratuitos de Ensino Fundamental e Ensino Médio, com educação profissional; que aplicam o método pedagógico da alternância; e que têm como objetivo a formação integral do aluno, com a transmissão, inclusive, dos conceitos e conteúdos do desenvolvimento sustentável.

A escola que atende às determinações da Lei e entrega a documentação correta dos alunos para a SEE recebe uma bolsa que é calculada a partir da per capita do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).


Pedagogia da alternância


O objetivo das EFAs é levar a educação especializada a localidades isoladas no meio rural. Elas são administradas pelas cooperativas familiares dos agricultores e oferecem o Ensino Fundamental e o Ensino Médio nos mesmos moldes das escolas estaduais. Além disso, incluem na grade curricular atividades relacionadas ao dia a dia no campo, como acompanhamento da safra, plantio sustentável, colheita, uso adequado de agrotóxicos, entre outros temas. Também são oferecidos cursos técnicos agrícolas certificados pelo Ministério da Educação (MEC).
Fonte: Agência de Minas

segunda-feira, 25 de maio de 2015

ALMENARA REALIZA A 14ª EDIÇÃO DA FESTA DA MANDIOCA



No cardápio haverá pratos típicos derivados da mandioca (Foto: Divulgação/Arquivo/Radar do Vale)
Almenara (MG), no Vale do Jequitinhonha, realiza a partir de sexta-feira (5 de junho) a 14ª edição da Festa da Mandioca. 

A programação do evento, que além de pratos típicos conta com atrações musicais, seguirá até domingo (07.06). 

A entrada é gratuita até às 18h. Após esse horário, o valor do ingresso é de R$ 3 na sexta, R$ 5 no sábado, e R$ 3 no domingo.

Cartaz da Festa da Mandioca 2015 (Foto: Reprodução)
No cardápio, pratos típicos como beiju, tapioca, bolo de mandioca, pão de mandioca, biscoitos, mandioca cozida, refogados, caldos, farinha de mandioca. 

Para os organizadores, a Festa da Mandioca é um dos principais eventos e é culturalmente muito expressiva. "Um dos principais objetivos do evento é fortalecer a agricultura familiar, divulgar a cultura da mandioca no município e região. Além de desenvolver canais de comercialização e incentivo da agroindústria".

História

A primeira grande Festa da Mandioca aconteceu no mês de junho de 2002 e reuniu aproximadamente 10 mil pessoas.

A última edição da festa, em 2014, atraiu um público de aproximadamente 10 mil pessoas que participaram de apresentações culturais, exposição de produtos da agricultura familiar, feira de biscoitos, de artesanato, rua de lazer e estação saúde, concurso da raiz da mandioca, além de shows artísticos.

A região de Almenara possui cerca de 700 hectares de mandioca com produtividade da ordem de 15 mil quilos por hectare.

Serviço

14ª Festa da Mandioca de Almenara
Local: Parque de Exposições, localizado na Rua Tude Tupy, Centro.

Fonte- Radar dos Vales