Com a cantora Marina
Prado, acompanhada pelo violão de seu pai, Marcos Prado.
Faça uma lista de
grandes amigos
Quem você mais via há
dez anos atrás
Quantos você ainda vê
todo dia
Quantos você já não
encontra mais
Faça uma lista dos
sonhos que tinha
Quantos você desistiu de
sonhar
Quantos amores jurados
pra sempre
Quantos você conseguiu
preservar
Onde você ainda se
reconhece
Na foto passada ou no
espelho de agora
Hoje é do jeito que
achou que seria?
Quantos amigos você
jogou fora
Quantos mistérios que
você sondava
Quantos você conseguiu
entender
Quantos segredos que
você guardava
Hoje são bobos ninguém
quer saber
Quantas mentiras você
condenava
Quantas você teve que
cometer
Quantos defeitos sanados
com o tempo
Eram o melhor que havia
em você
Quantas canções que você
não cantava
Hoje assobia pra
sobreviver
Quantas pessoas que você
amava
Hoje acredita que amam
você.
Marina Prado tem 27
anos.
Ele é cantora,
violonista, produtora musical e diretora da empresa Quintal do Poeta Escola de
Música.
Começou sua carreira aos
11 anos ao lado de seus pais, os músicos Marcos Prado e Leninha Prado.
Em seus 16 anos de
carreira, canta estilos diferentes: do Samba ao Jazz.
Com interpretação
singular, Marina Prado sabe alcançar o público de todas as idades e com
repertório musical selecionadíssimo promove reflexão e diversão ao público.
O FESTIVALE - Festival de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha realiza uma segunda etapa da 36ª edição, na cidade do Serro, no Alto Jequitinhonha, de 13 a 19 de outubro desse ano.
Na última semana de julho, como é de tradição desde 1980, o 36º FESTIVALE aconteceu na cidade baiana de Belmonte. Com o apoio total do Governo da Bahia e da Prefeitura de Belmonte, as atividades foram desenvolvidas, mas de forma reduzida do programado. O governo Zema se recusou a patrocinar o evento por se realizar em outro Estado. Estavam previstos a liberação de R$ 350 mil, sendo R$ 250 mil da Secretaria de Cultura e R$ 100 mil do IDENE - Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas. A FECAJE espera a liberação dos recursos financeiros aprovados na revisão do PPAG - Plano Plurianual de Ações Governamentais, em novembro de 2018, e incluídos no Orçamento do Estado.
A Diretoria da FECAJE - Federação das Entidades Culturais e Artísticas do Jequitinhonha decidiu que haveria uma outra etapa nesse ano. A primeira foi na foz do Rio Jequitinhonha, no encontro do rio com o mar. A segunda será na nascente do rio que brota nos arredores do povoado de Milho Verde, no município do Serro.
As atividades previstas seguem o mesmo formato do realizado na primeira etapa com shows, oficinas, festival de música, Noite Literária, feira de artesanato, apresentações teatrais, rodas de conversa (debates), Mostra de cultura popular, Mostra de fotografias e videos, homenagens, Barraca do Festivale e muitos encontros, "embora haja tantos desencontros". A FECAJE já divulgou o Edital para inscrições nas oficinas, Festival de Música, Feira de Artesanato e Noite Literária.
EDITAIS DAS Oficinas, Festival da Canção, Noite Literária e Feira de Artesanato do 36º FESTIVALE "DA FOZ À NASCENTE", no Serro, de 13 a 19 de outubro de 2019.
Quatro cidades se candidatam para realizar o 37º FESTIVALE
Durante o 36º FESTIVALE , em Belmonte-BA, quatro cidades se inscreveram para sediar a realização do 37º FESTIVALE, na última semana de julho de 2020: Almenara, Araçuaí, Divisópolis e Novo Cruzeiro. Almenara já realizou o FESTIVALE duas vezes; Araçuaí três vezes. Novo Cruzeiro e Divisópolis ainda não realizaram o evento.
Pensando bem, Dias Toffoli tem razão: devemos desidratar a Constituição
* Lênio Luiz Streck
Leio na ConJur que [o ministro presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias] “Toffoli diz ser preciso ‘desidratar’ a Constituição para destravar a economia”.
E aí pensei no seguinte:
Talvez, o ministro Dias Toffoli tenha razão. Talvez só nos reste mesmo desidratar a Constituição. E sabem por que faço essa assertiva absolutamente paradoxal?
Explico. Devemos desidratar a Constituição porque ela é boa demais. Ela exigiu — e já digo isso usando o verbo no passado — demais de nós. A Constituição de 1988, como dizem famosos e não famosos juristas, concedeu direitos demais. Parte do baixo clero jurídico chega a dizer que a Constituição deu deveres de menos. Enfim...
Ocorre que as pessoas esquecem que, ao “dar direitos”, a Constituição constitui. Ela obriga. Ela constitui-a-ação, como escrevi há 25 anos. Porque traz junto desses direitos as responsabilidades que eles impõem.
A Constituição exige que sejamos uma democracia. Mesmo que não queiramos. Exige que cumpramos o que o país escolheu prometer.
Nossa Constituição exige cidadania. Exige de nós que saibamos respeitar o Estado Democrático de Direito. Tudo isso está interligado. É triste, mas eu repito o que venho dizendo junto com autores como Gilberto Bercovici, Martonio Barreto Lima e Marcelo Cattoni: a Constituição está sendo erodida.
É exatamente por isso que me permito afirmar: a Constituição exigiu demais dos juristas e políticos brasileiros. Ouso dizer, tristemente, que não fomos e não somos merecedores desta Constituição.
A CF/88 exigiu algo que não tínhamos e não temos. Para entender melhor o que quero dizer, recorro ao Os Irmãos Karamazov, em que Dostoiévski apresenta a fábula d’O Grande Inquisidor, na qual Ivan Karamazov conta a seu irmão mais jovem, Alyosha, uma fábula segundo a qual Jesus Cristo volta à Terra e é preso pela Inquisição. No cárcere, o grande Inquisidor diz a seu ilustre prisioneiro que “resistir às tentações do Mal em seu período no deserto foi sua ruína”. “Você exigiu demais de nós”.
Ao resistir — diz o Inquisidor a Jesus — “você também passou a exigir demais do homem, incapaz de resistir às tentações da mesma maneira”. Segundo o Grande Inquisidor, o homem é fraco, incapaz de oferecer qualquer resistência quando é tentado (uma confissão: quando estou meio down, releio esse texto — é tão denso; profundo; lancinante; já tentei ler para uma plateia e não consegui chegar até o final, pela emoção que o texto exala).
Lendo que devemos desidratar a nossa Constituição, tenho a convicção de que fomos incapazes de resistir às tentações advindas de um direito menor, dos moralismos, dos punitivismos e quejandos. Não fomos fortes.
Não resistimos às teses pragmatistas tipo “os fins justificam os meios”. Como disse o Grande Inquisidor a Jesus, parecemos incapazes de resistir às tentações que nos são constantemente apresentadas.
Daí minha ousadia em afirmar: Sim, ministro Toffoli, temos de desidratar a Constituição... porque não fomos ortodoxos na sua aplicação. Fomos e somos lenientes. Eis os ingredientes para essa tempestade perfeita:
i) O voluntarismo interpretativo, o pamprincipiologismo e coisas do gênero;
ii) O realismo retrô, que relegou a doutrina a um segundo plano;
iii) Um constitucionalismo de efetividade (sic) que gerou um neoconstitucionalismo irresponsável;
iv) Um dualismo metodológico que coloca a normatividade em segundo plano (fazendo valer mais a tal “voz das ruas”, e seus moralismos afins);
v) Uma dogmática jurídica tosca, sem sofisticação teórica, que respira por aparelhos em livros que glosam decisões judiciais e fazem resumos de resumos;
vi) A moralização do Direito (que ao mesmo tempo o desmoraliza, no sentido ruim da palavra); e
vii) O ensino jurídico estandartizado, que jogou no mercado uma multidão de pessoas com formação deficiente (afinal, assim como no Parlamento, também existe o “baixo clero” jurídico), aliado a um equivocado modelo de concursos públicos, sobre o qual já escrevi à saciedade.
Pronto. Eis a receita para o fracasso da Constituição mais rica já produzida no século XX. Não fomos fortes o suficiente para construir as condições para a superação dos obstáculos. “Juristas de pouca fé”, se me permitem a alegoria.
Eis a receita que, paradoxalmente ou não, dá razão ao ministro Dias Toffoli. A comunidade jurídica não é merecedora da Constituição. Talvez precisemos de uma bem magrinha, desidratada, esquálida. Talvez como a de 1969, que era extensa, mas sem direitos.
Nós não temos o que a Constituição exigiu de nós. Não fomos capazes de, em 30 anos, colocar-nos à altura das exigências constitucionais. Hoje não temos condições nem de afirmar, com segurança, que os julgamentos têm de ser imparciais. Poxa. Trinta anos de Constituição e parcela considerável da comunidade jurídica acha normal que existiam relações não-republicanas entre juiz e acusação.
Sim, a Constituição exigiu demais. Formamos uma multidão de pessoas que hoje desdenham da Constituição. O processo penal e civil, de condição de possibilidade, virou obstáculo e inimigo. Até onde chegamos...
Falhamos por não saber ler e compreender o sentido da Constituição, quando nos diz claramente que o Brasil é uma República que visa a reduzir a pobreza, fazer justiça social... Isso é demais para um país como o Brasil.
Talvez seja por isso que, aos olhos do Ministro, só nos resta desidratar a Carta. Faço essa interpretação propositiva de sua fala. Tenho de acreditar que ele disse isso como uma crítica — ou uma ironia — à inefetividade de nossa Constituição. Sou um jurista de fé.
Se for isso, estamos juntos. De minha parte, eu não desisto. Desidratar o que nosso Direito produziu de melhor até hoje não é a saída. Fazer isso é capitular diante dessa mesma sanha autoritária que organiza uma cruzada anti-institucional. Insisto: do modo como estamos “levando” o Direito e a Constituição, é possível dizer que, fossemos médicos, estaríamos fazendo passeatas contra vacinas e antibióticos. Médicos contra remédios, juristas contra direitos. Paradoxo dos paradoxos.
A saída? É estar à altura do que a Constituição exige de nós.
Não desidratemos a Constituição. Tenhamos a coragem de elevar-nos à altura daquilo que ela exige de nós.
Jurista, professor de Direito Constitucional e pós-doutor em Direito
Lenio Luiz Streck , 21.11.55, gaúcho, é um jurista brasileiro, conhecido principalmente por seus trabalhos voltados à filosofia do direito e à hermêutica jurídica. É professor dos cursos de pós-graduação em direito da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leoóldo-RS, e atua como advogado.
Procurador de Justiça aposentado, foi membro do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, de 1986 a 2014.
Streck é autor ou co-autor de dezenas de livros que versam sobre hermenêutica jurídica, direito constitucioal, direito processual e direito penal. Sua obra O que é isto - decido conforme minha consciência?, publicada pela Livraria do Advogado, é o primeiro volume de uma coleção lançada pelo autor (Coleção "O que é isto?"), sendo considerada um libelo contra as diversas formas de decisionismo judicial.
Apresenta semanalmente o programa Direito & Literatura, levado ao ar pela TV Justiça e pela TV Unisinos. E o quadro "Compreender Direito", toda quarta-feira, na Rádio Justiça.
Berilo: VIII Fórum da Mulher do Vale abordará juventude, tecnologia equestão quilombola. As mulheres do Vale continuam se movimentando. Há 8 anos, cerca de 400 mulheres marcam um encontro em alguma cidade do Vale. É ali que elas se sentem e se alimentam da energia, da solidariedade e da força de cada uma. E saem dos encontros ainda mais empoderadas, prontas pra luta contra a opressão e pela libertação feminina. E contam com o apoio de alguns homens sensíveis e solidários, aumentando a corrente da resistência.
Nos dias 23
e 24 de agosto de 2019, no Ginásio Poliesportivo, será a vez da cidade de Berilo, no Médio Jequitinhonha, nordeste
de Minas.
Berilo está localizada no Médio Jequitinhonha, a 600 km de BH; a 265 km de Diamantina: 60 km de Araçuaí; 40 km de Minas Novas; 247 km de Almenara; 295 km de Teófilo Otoni.
O evento contará com a
participação de mais de 400 mulheres de todo o Vale do Jequitinhonha, do Mucuri, líderanças políticas, sindicais, comunitárias, professoras, artesãs e jovens estudantes da Universidade
Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), do IFNMG, campus Almenara e Araçuaí.
Impulsionado pelo Polo Jequitinhonha da UFMG, como em
todos os anos, desde 2011, fomenta as discussões sobre o combate à violência de gênero
na região, o crescente feminicídio, o empoderamento da mulher e o espaço das
mulheres na política. Neste ano, o tema específico será Juventude, Tecnologia e a questão quilombola.
Empoderamento. Mulheres discutem unificação de lutas. Foto: Marina Belardo.
Fortalecer a voz e a atuação femininas com vistas à emancipação social e à cidadania plena. Essas são alguns dos objetivos do Fórum da Mulher. Além da troca de experiências e informações, por meio de debates, mesas redondas e palestras, a iniciativa também envolve as participantes em um intercâmbio de saberes populares e acadêmicos, dos quais elas extraem conhecimento e consciência para batalharem por seus direitos.
Mulheres quilombolas
Um dos principais eixos de discussão desta edição será sobre os “Direitos e a situação da mulher no Quilombo”. Berilo é o município mineiro com o maior número de comunidades quilombolas, que são grupos étnicos, predominantemente constituídos de população negra rural ou urbana, que resistiram à escravidão. Há 27 comunidades quilombolas em Berilo. Em 2016, a Coquivale organizou o I Encontro de Mulheres Quilombolas do Vale do Jequitinhonha, na comunidade de Santo Isidoro.
Participante de cinco das sete edições, Maria Joana Rodrigues Trindade conta que o Fórum faz as mulheres acreditarem que as dificuldades podem ser vencidas junto com outras mulheres, pois elas “têm o poder de fazer acontecer”. Para ela, o evento tira participantes da zona de conforto e abriu espaço para elas ganharem conhecimento e terem oportunidades. “Bom seria se todas as mulheres pudessem participar do Fórum para elas entenderem que podem tirar seu próprio sustento, não importa qual seja seu trabalho”, conta a artesã.
Luta.Passeata do último Fórum, em Diamantina. Foto: Bárbara Ribeiro.
A psicóloga e artesã de Chapada do Norte, Adriane Coelho,a Drica, considera que um dos principais frutos do Fórum é a rede de enfrentamento à violência contra a mulher. Iniciada em Turmalina, o projeto envolve uma articulação de diferentes grupos, como o Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS) e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG). Esse assunto aparece em todas as edições do evento e será tema de uma das mesas redondas deste ano, a qual contará com a presença de membros da rede e da delegada Dra. Kíria Silva Orlandi, titular da Delegacia de Atendimento à Mulher de Diamantina.
Duas grandes lideranças do movimento de mulheres: a psicóloga e artesã de Chapada do Norte, Adriane Coelho, a Drica; e uma referência política das mulheres trabalhadoras rurais, a Dôra de Piô, presidenta do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Coronel Murta.
No primeiro ano, ele foi impulsionado por demanda das cidadãs, apoiadas pela UFMG, por intermédio do Programa Polo Jequitinhonha e do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher (NEPEM). Naquela vez, o cenário foi a cidade de Jequitinhonha. O evento se viu marcado pela construção coletiva da “Carta Aberta das Demandas das Mulheres do Vale do Jequitinhonha” - clique aqui e leia - , que tornou pública à população e aos organismos estatais e não-estatais as reflexões e proposições realizadas e debatidas no primeiro Fórum.
O Fórum da Mulher do Jequitinhonha foi realizado em 2011, em Jequitinhonha; 2012, em Itaobim; em 2013, em Capelinha; em 2014, em Araçuaí; em 2015, em Virgem da Lapa; em 2017, em Araçuaí; em 2018, em Diamantina; e em 2019, será em Berilo.
Em 2017, em Araçuaí, no V Fórum, decidiu-se retomar a carta, procurando refletir sobre quais demandas haviam sido atendidas, em especial pelo Governo Estadual, bem como por parte das prefeituras e dos órgãos competentes da Região, em uma construção participativa no processo de formulação de políticas públicas para a população feminina.
Aos poucos, o Fórum tornou-se um espaço de grande importância na vida das Mulheres do Vale. Primeiro, por servir como lugar de auto-percepção, e segundo por possibilitar a reflexão conjunta. Tendo muito a dizer sobre suas próprias experiências e potencialidades, elas são capazes de aliar o que sabem a políticas públicas que promovam dignidade e proteção para todas e todos, seja em seus municípios, no estado ou no país.
Além de conduzir os debates das edições posteriores, o documento, ao elencar ações em resposta aos problemas existentes, também auxilia o poder público. E é por isso que se deve compreender tal reunião como um espaço de debate, reflexão e denúncia dos temas que impactam as vidas das mulheres do Jequi.
Além disso, é um lugar de grande importância por ser um ambiente de auto-percepção e que, ao mesmo tempo, possibilita a reflexão conjunta. As mulheres têm muito a dizer sobre suas experiências e potencialidades e sobre as possibilidades de articulação destas vivências e especificidades com políticas públicas existentes e que poderão ser desenvolvidas em todos os lugares do país.
Para mais informações:
Evento: VIII Fórum da Mulher do Jequitinhonha – 2019