quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Eu torço para o Governo dar certo

Para o governo dar certo, eu torço e apresento algumas sugestões...

1) Torço para ele aumentar o salário mínimo e seu poder de compra;


2) torço para ele manter um ministério exclusivo para defender o direito do trabalhador;

3) torço para ele favorecer as classes mais empobrecidas;

4) torço pra ele abaixar o preço dos combustíveis como gás, gasolina e diesel;

5) torço para ele respeitar as diferenças religiosas, étnicas, sociais e de gênero, propiciando políticas públicas de inclusão a quem precisa;


6) torço pra ele abandonar as velhas manias do "toma lá dá cá" com o Congresso, Senado, Governadores, prefeitos e demais representantes políticos, como também com os grandes grupos empresariais e corporações diversas;

7) torço pra ele respeitar a Constituição e o Estado Democrático de Direito, reconhecendo  o contraditório, as posições divergentes de outros brasileiros;

8) torço para ele proteger o aposentado, não tirando direitos adquiridos e melhorando a vida dos que contribuíram com o INSS;

9) torço para que ele não aceite a reforma trabalhista proposta por TEMER e deixada lá para escravizar  o trabalhador assalariado;

10) torço para ele apoiar a diversidade cultural e os valores artísticos da nossa terra;

11) torço para ele não deixar que políticos já citados ou suspeitos ou investigados em atos de corrupção façam parte do governo;

12) torço para que ele não entregue as nossas riquezas como o pré-sal para as grandes empresas internacionais;

13) torço para que ele tenha cuidado com os agrotóxicos que envenenam os alimentos no nosso prato de todo dia e decrete a sua diminuição ou proibição.

14) torço para ele investir mais recursos na saúde, fortalecer o SUS, limitar as ações dos Planos de Saúde e fiscalizar a aplicação dos recursos, não permitindo que o mercado e corporações como as médicas e fabricantes de equipamentos/medicamentos se enriqueçam com a doença dos brasileiros, principalmente os mais pobres;

15) torço para que a educação continue sendo feita por professores em salas de aula, que as cotas sejam mantidas, que a transmissão e produção do conhecimento sejam  livres, que a autonomia das nossas Universidades seja garantida;

16) torço para que o governo respeite os servidores públicos como cidadãos que escolheram a profissão para trabalhar - e trabalham muito -, prestando serviços públicos honestamente e não se servir do que é público;

17) torço para  que o governo desprivatize o Estado e controle as ações do Mercado, priorizando o atendimento à maioria da população, principalmente de quem mais precisa;

18) torço para que a previdência seja salva com o pagamento de bilhões de dívidas de grandes empresas e cidadãos milionários e não cobrando a conta de quem luta pra sobreviver;

19) torço para que o governo entenda que os movimentos sociais são organizações  de desejos e sonhos coletivos e não sejam criminalizados;

20) torço para que o conhecimento científico nacional e a produção de tecnologias aqui produzidas sejam prioridades de governo;

21) torço para que o governo respeite a soberania do Brasil e não se rebaixe a nenhuma outra nação;

22) torço para que o governo entenda que os símbolos e valores do Brasil são um patrimônio de todos os brasileiros e não apenas de defensores de políticas de direita;

23) torço para que o governo contribua para a felicidade geral dos brasileiros.

Se você também torce para o bem do país e dos brasileiros cobre dele essa posição.

Se você contribuiu pra ele entrar lá, seja ainda mais firme, da mesma forma que defendeu a sua entrada lá.

Seja coerente, não seja hipócrita!

Este texto foi produzido a quatro mãos, a partir de um post inicial de Gino Pedro, de Araçuaí - MG, na sua página do Facebook.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Bolsonaro votou contra o Tradutor de Libras como profissão. Agora, bate palmas para sua mulher.

LEI QUE REGULAMENTA TRADUÇÃO DE 

LIBRAS É DE MARIA DO ROSÁRIO (PT-RS) E BOLSONARO VOTOU CONTRA


A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, gerou repercussão ao fazer seu discurso em Libras (linguagem brasileira de sinais) na solenidade de posse do marido, Jair Bolsonaro.
Jornalista Patrícia Lélis denuncia que a Lei que regulamenta a profissão do tradutor de Libras é da deputada federal Maria do Rosário (PT-RS). 
"Falam dos esquerdistas mas no final usam as leis que aprovam e ainda querem palmas", critica Patrícia; Bolsonaro já disse à deputada petista que ela não merecia ser estuprada por ser "muito feia" e foi condenado a pagar R$ 10 mil.
www.brasil247.com, 2 DE JANEIRO DE 2019 ÀS 13:03  
A proposta que deu origem à lei (PL 4673/04) foi apresentada pela deputada Maria do Rosário (PT-RS) e aprovada pela Câmara em 2009, na forma de um substitutivo elaborado pela relatora, deputada Maria Helena (PSB-RR). A mesma deputada que ouviu de Bolsonaro em 2003 que "ela não merecia ser estuprada". 
Considera-se a Libras uma língua por possuir corretamente os níveis linguísticos fonológico, morfológicos, sintático e semântico, e o que vai diferenciar essa língua das demais é a sua modalidade visual-espacial, pois, o que denominamos de palavra na língua oral-auditiva, na Libras é denominado por sinais.
Maria do Rosário, reeleita deputada federal, já ouviu de Bolsonaro que não merecia ser estuprada por ser "muito feia". Ele foi condenado a pagar R$ 10 mil à parlamentar pelas ofensas. Sua condenação foi confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Maria do Rosário elogiou o discurso de Michelle: "gesto positivo".

Conheça o perfil técnico-empresarial e político-conservador do Governo Zema.

Toma posse o Governo neoliberal de Romeu Zema
Secretariado tem perfil político conservador e técnico-empresarial

Custódio Mattos, do PSDB,  ligado a Aécio Neves, será Secretário de Governo.

Atual Secretário do Meio Ambiente, Germano Vieira, permanece no cargo.

Governador Romeu Zema e vice Paulo Brant.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO), empossa os Secretários de Estado com perfil político tradicional e técnico-empresarial. O condutor político da gestão será um ex-secretário no governo Aécio Neves e ex-presidente do PSDB-MG, Custódio Mattos. O Secretário do Meio Ambiente da administração de Fernando Pimentel (PT) permanece no cargo.

Os outros Secretários têm experiência em gestões anteriores ou são originários do meio empresarial.  

Veja abaixo o perfil dos Secretários do Governo Zema:
Secretaria de Estado de Governo e Secretaria de Estado de Casa Civil e de Relações Institucionais.

Custódio Mattos
Amigo do vice-governador Paulo Brant, Custódio Mattos, ex-prefeito de Juiz de Fora, presidiu o PSDB mineiro em 2007 e foi secretário de Desenvolvimento Social na gestão do tucano Aécio Neves. Também foi Secretário de Desenvolvimento da Prefeitura de Belo Horizonte, na gestão de Márcio Lacerda. Experiente, Mattos também foi deputado  estadual e federal por três mandatos. Aceitou convite de Zema para ser o titular da Secretaria de Governo.
Mineiro de Bicas, na Zona da Mata, Custódio Antonio de Mattos é formado em Direito pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Tem mestrados em Administração Pública, pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e em Ciências Sociais pela Universidade de Birmingham, Inglaterra.
Possui especialização em Gestão Empresarial Avançada, já foi diretor do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). É aposentado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) do Governo Federal como técnico de pesquisa e planejamento na área previdenciária. 
Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão 
Otto Alexandre Levy Reis  - natural de Belo Horizonte. Graduado em Engenharia Metalúrgica pela UFMG. Já foi vice-presidente de Gente e Gestão, vice- presidente Comercial e de Marketing, tendo sido mais recentemente o Chief Operating Offficer (COO) da Magnesita Refratários. Têm diversos cursos no Brasil, Estados Unidos e Japão em Recursos Humanos (RH) e Gestão.

Secretaria de Estado de Fazenda
Gustavo de Oliveira Barbosa - mineiro de Uberaba, tem 53 anos. Indicado por Gustavo Franco, guru da economia neoliberal nacional. Ele é graduado em ciências contábeis e tem pós-graduação em gestão executiva de fundos de pensão. Gustavo Barbosa já ocupou a Secretaria de Finanças e Planejamento do Estado do Rio de Janeiro, entre julho de 2016 e fevereiro de 2018, ainda na gestão do governador Luiz Fernando Pezão (MDB). Foi gerente nacional de Previdência Pública e Privada e gerente de relacionamento institucional da Caixa Econômica Federal.

Secretaria de Transportes e Obras Públicas - SETOP
Atual Secretaria de Estado de Infra-Estrutura e Mobilidade
Marco Aurélio Barcelos Silva - 38 anos, é mineiro de Belo Horizonte. É bacharel em Direito pela UFMG. Tem especialização em Direito Público pela PUC Minas (2005) e em Finanças pelo IBMEC Business School (2007). Ele é mestre em Direito Administrativo, em Direito e doutorando em Direito do Estado pela USP. Ele exerceu os cargos de assessor de ministro do Superior Tribunal de Justiça – STJ (2009 a 2011). Foi também consultor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em projetos de concessões e parcerias público-privadas.
Secretaria de Estado de Educação e Secretaria de Estado de Esporte 
Julia Sant'Anna - Júlia Sant’Anna é doutora em Ciência Política pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e mestre em estudos de desenvolvimento pela University of London.
É servidora concursada do estado do Rio de Janeiro na carreira de especialista em políticas públicas e gestão governamental. Há oito anos, exerce funções estratégicas na Secretaria de Educação fluminense, sendo, até dezembro, Subsecretária de Infraestrutura e Tecnologia.

Secretaria de Estado de Saúde 

Wagner Eduardo Ferreira - É médico. Tem especialização em Clínica Médica na Santa Casa de Misericórdia de BH e mestrado em Infectologia pela Universidade de São Paulo (USP). É professor assistente de Clínica Médica da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais desde 1993. Foi consultor da Organização Mundial da Saúde para a América Latina de DST/AIDS, vice-presidente da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), além de ter sido presidente do MG Transplantes.

Também participou do grupo que fundou e criou o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Estado de Minas Gerais. Trabalhou por 17 anos no Hospital João XXIII. Já publicou vários trabalhos científicos na área da saúde.
Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social, Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania e Secretaria de Estado de Turismo .
Atual Secretaria de Estado de Impacto Social.

Elizabeth Jucá - A pasta que reunirá as atuais Secretarias de Trabalho e Desenvolvimento Social será ocupada pela economista Elizabeth Jucá. Radicada em Juiz de Fora, na Zona da Mata, desde 1 ano de idade, Beth Jucá, como é chamada, é servidora pública efetiva do município mineiro, tendo ocupado os cargos de Controladora Geral do Município e Secretária de Planejamento e Gestão e de Saúde.
É master em Liderança e Gestão Pública, especialista em Finanças pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), onde também se graduou em Ciências Econômicas. Concursada como técnica de Nível Superior III, também é professora da Faculdade Vianna Júnior. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Organizações Públicas, atuando principalmente com os temas: planejamento, financiamento em saúde, orçamento público, patrimônio cultural, regionalização e controle interno.
Secretaria de Estado de Cultura
Vice-governador Paulo Brant - 66 anos, nasceu em Diamantina, mas desde os 4 anos vive em Belo Horizonte. Filho de família típica mineira, com pai juiz e desembargador. Economista (PUC-MG), engenheiro civil (UFMG), professor.  Mestre em economia na UFMG e Especialização em Estratégia Empresarial na Fundação Dom Cabral/INSEAD. Foi Secretário de Cultura de Belo Horizonte, na gestão de Márcio Lacerda. 

Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário
Ana Maria Soares Valentini - Natural de Capitólio, no Sul de Minas, Ana Maria Soares Valentini é produtora rural e engenheira florestal, formada pela Universidade Federal de Viçosa em 1984. Tem especializações em Administração Rural e em Gestão Ambiental de Projetos Agrícolas.
Representa o agronegócio  mineiro. Atualmente, ela preside a Associação dos Produtores Rurais e Irrigantes do Noroeste de Minas (Irriganor) e produz grãos em uma propriedade rural em Bonfinópolis de Minas, na região Noroeste do estado. Participa, desde 1987, do Programa de Desenvolvimento do Cerrado, que contou com o apoio do governo japonês para ampliar as áreas agricultáveis de soja no Brasil. Entre seus trabalhos como engenheira de pesquisa florestal esteve em meados dos anos 80 no projeto na Amazônia ˜Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais”, coordenado pela fundação WWF ( World Wide Fund for Nature), Organização não governamental internacional que atua nas áreas da conservação, investigação e recuperação ambiental.
Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e Secretaria de Estado de Desenvolvimento e Integração do Norte e do Nordeste de Minas Gerais.
Atual Secretaria de Desenvolvimento Econômico.
 Manoel Vitor de Mendonça Filho - Natural de Belo Horizonte,  Manoel Vitor de Mendonça Filho é engenheiro formado pela Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas  (FGV) e especializações em Gestão Avançada pela Fundação Dom Cabral e INSEAD (European Institute of Business Administration) e em Total Quality Management  pela JUSE (Union of Japanese Scientist and Engineers).
Foi membro dos conselhos estratégico da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil, do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e do Conselho Deliberativo do Instituto Minas pela Paz. Foi vice-presidente da Gerdau.
Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
Germano Luiz Gomes Vieira - Mineiro de Lavras, cidade do Campo das Vertentes. Ele é servidor público estadual efetivo. Graduado em Direito, professor universitário, especialista em educação ambiental, mestre em Direito público pela Universidade Católica Portuguesa de Porto/Portugal.
Atuou como diretor de prevenção e combate à corrupção pela Controladoria Geral do Estado, e exerceu cargos e funções no Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, no Instituto Mineiro de Gestão das Águas, na Fundação Estadual do Meio Ambiente e na Secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, de onde é servidor concursado.
Secretaria de Estado de Segurança Pública e Secretaria de Estado de Administração Prisional.
Atual Secretaria de Estado da Segurança Pública.
General Mário Lúcio Alves de Araújo - Mineiro de Montes Claros, o General da Reserva tem formação de oficial de Infantaria e bacharelado em Ciências Militares. Possui curso de aperfeiçoamento em Infantaria, mestrado e doutorado em Ciências Militares e curso de Comando e Estado-Maior, no Rio de Janeiro (RJ). Também tem curso de Política, Estratégia e Alta Administração pela Escola de Alto Comando e Estado-Maior do Exército. No âmbito profissional, o general foi o Comandante da 4ª Região Militar em Belo Horizonte (MG), entre 2014 e 2015.
Polícia Militar de Minas Gerais
Giovane Gomes da Silva – Comandante-geral
Marcelo Fernandes – chefe do Estado Maior
Polícia Civil
Delegado da Polícia Civil Wagner Pinto de Souza

Corpo de Bombeiros
Edgard Estevo da Silva – Comandante-geral
Erlon Dias do Nascimento Botelho – chefe do Estado Maior
Controladoria-Geral do Estado 
Rodrigo Fontenelle de Araújo Miranda - Radicado em Brasília (DF) após aprovação em concurso público na Controladoria Geral da União (CGU), Rodrigo Fontenelle de Araújo Miranda é doutorando em Administração pela Universidade de Brasília (UnB), mestre em Contabilidade também pela UnB, pós-graduado em Finanças pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC) e graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 
Rodrigo já foi auditor Federal de Finanças e Controle da Controladoria-Geral da União (CGU). Lotado em Brasília/DF, até dezembro, e está cedido ao Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, exercendo o cargo de Chefe da Assessoria Especial do Controle Interno, no Governo Temer. 
Advocacia-Geral do Estado 
Sérgio Pessoa de Paula Castro - Natural de Belo Horizonte, Sérgio Pessoa é graduado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e Mestre em Direito Administrativo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Servidor público efetivo, é procurador do Estado de Minas Gerais, desde 1998, tendo exercido os cargos de Procurador-Chefe da Consultoria Jurídica e Advogado-Geral Adjunto. Sérgio também tem experiências na área acadêmica e ficará responsável pela Advogado Geral do Estado.
Ouvidoria-Geral do Estado  
Simone Deoud Siqueira - Nascida em Barbacena, também na Zona da Mata, Simone Deoud Siqueira será responsável pela Ouvidoria Geral do Estado. Graduada em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1986, a advogada tem mais de 30 anos de experiência em Direito Civil, Empresarial, contratos e obrigações, e societário. Atuou como profissional liberal e em empresas nos ramos de engenharia e infraestrutura. Atualmente é consultora jurídica.

Brasil já possui projetos e tecnologias para irrigar Nordeste

Bolsonaro quer entregar riquezas em troca de bugigangas


Marcelo Camargo/Agência Brasil
Depois da constatação de que o país possui uma longa e até premiada experiência de combate à seca nordestina, o esforço de Jair Bolsonaro para importar tecnologia israelense lembra um dos piores momentos da história brasileira, ocorrido no século XVI, após o desembarque das caravelas de Pedro Álvares Cabral.
Como aprendemos nos livros de história, antes de se transformar numa operação de guerra e extermínio a colonização portuguesa atravessou uma etapa de sedução dos povos nativos, com a oferta de bugigangas -- espelhinhos, roupas, colares -- em troca do acesso a riqueza do país e a seu território. Capazes se atrair lideranças indígenas com uma troca que só beneficiava a Corte Portuguesa, os colonizadores abriram caminho para séculos de pilhagem e exploração, cujo saldo até hoje enfeita palácios e igrejas cobertas de ouro brasileiro em Lisboa.
Vexame devastador para uma candidatura que jamais ofereceu a população nordestina o tratamento devido, o episódio possui pelo menos um  agravante. Os chefes indígenas do século XVI que eram atraídos pelo ouro de tolo dos colonizadores pelo menos tentavam obter mercadorias que não eram capazes de produzir, enquanto Bolsonaro oferece o imenso mercado brasileiro para tecnologias que o país já produz ou tem condições de produzir. Com isso, o Brasil não só perde chance de gerar empregos e conhecimento próprio mas desperdiça investimentos já feitos. 
Na civilização do século XXI, quando grande parte da riqueza de um povo se traduz em pesquisa, inovação e conhecimento, a postura de Bolsonaro para importar tecnologia israelense -- como se o Brasil fosse um deserto de equipamentos, ideias e iniciativas -- chama atenção por vários aspectos, a começar pela pressa. Em 26 de dezembro, o presidente eleito anunciou uma viagem do ministro Marcos Pontes a Israel, para tratar de uma parceria "muito bem encaminhada" para a importação de tecnologias de irrigação e dessalinização. Na mensagem, Bolsonaro tratou o assunto com a velocidade das decisões urgentes, inquestionáveis e, acima de tudo, bem estudadas. Disse que durante a visita a Israel, a se realizar já no primeiro mês do governo,  Marcos Pontes seria ciceroneado por Ofir Akunis, ministro de Ciência e Tecnologia daquele pais. Também antecipou que, após a volta do ministro ao Brasil, aqui seria instalado um "projeto piloto" para "retirar água salobra de poço, dessalinizar, armazenar e distribuir para agricultura familiar, estendendo o projeto para mais localidades após testes e ajustes".  
Embora o twitter do presidente pareça  referir-se a um país sem qualquer conhecimento para enfrentar um drama que afeta diretamente um quarto da população, a realidade é outra. Há mais de três décadas o Brasil desenvolve técnicas variadas  de irrigação de solo e dessalinização da água para responder as necessidades diversas do território nordestino, que cobre uma área 70 vezes maior que o Estado de Israel, com grandes diferenças climáticas entre uma área e outra, que pedem soluções tecnológicas igualmente diversas. Engenheira do Instituto Militar de Engenharia, bolsista do Ciência sem Fronteiras, a brasileira Nadia Ayad já ganhou um prêmio internacional em função de pesquisas para dessalinização.
Numa ação de outra natureza, a gigantesca obra de engenharia que foi a Transposição do São Francisco é parte desse esforço e bem sucedida em relação aos objetivos fixados.
Em outra situação, as cisternas permitiram à região atravessar uma das piores secas da História -- sem o colapso social de outros tempos. No caso específico das tratativas com Israel, em três décadas foram instaladas entre 3500 a 4000 dessalinizadoras no nordeste brasileiro.  Em entrevista publicada pelo UOL, o professor Kleper Borges França, coordenador do Laboratório de Dessalinização na Universidade de Campina Grande, explicou:
"Temos a dessalinização por processos térmicos, por energia solar, através de destilação, por compressão de vapor, de membrana --que é a mais utilizada mundialmente--, que vêm sendo utilizadas em comunidades. E também temos novos caminhos, como a membrana cerâmica, que nós da Universidade Federal de Campina Grande desenvolvemos", diz. "Precisamos melhorar, óbvio. Mas o que precisamos é de mais investimento do governo federal e de órgãos de fomento para incentivar cientistas a desenvolver tecnologias e deixar de comprar membranas dos gringos, porque isso deixa mais caro o sistema".
Do ponto de vista diplomático, a dessalinização importada é parte de um pacote muito mais amplo. Inclui a decisão de transferir a embaixada brasileira para Jerusalém, medida que implica em assumir um lado num conflito externo ao país, contrariando mais de 70 anos de história brasileira e centenas de resoluções da ONU que determinam o retorno de Israel as fronteiras anteriores a Guerra dos Seis Dias, há meio século.
A prioridade assegurada às relações com o governo israelense tem pouca relação com a economia daquele  país, em 55o. lugar entre a maiores do mundo e uma população equivalente a do Ceará.

Saúde: Servidores mineiros temem pelo futuro da Funed

Fundação tem grande relevância no SUS e em políticas públicas da saúde, mas convive com fantasma da privatização

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)
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A Funed fabrica principalmente os medicamentos mais simples – e essenciais – da rede pública / Foto: Divulgação Funed
Um dos grandes receios dos servidores e da população a respeito do governo Zema (Partido Novo) é o funcionamento da Fundação Ezequiel Dias (Funed). Durante a campanha eleitoral para o Executivo do estado, em um debate transmitido na televisão, o empresário deixou claro desconhecer a entidade e os trabalhados desenvolvidos por ela. 

A gafe deixou os trabalhadores da instituição apreensivos e, na época, os funcionários até redigiram uma carta para explicar ao então candidato sobre a importância da fundação. Depois do acontecido, Zema afirmou ter interesse em manter a Funed em atividade. No entanto, o pós-eleição não é de tranquilidade. A partir do modelo de governo do Partido Novo e o histórico profissional de Zema, setores da sociedade temem que a organização seja privatizada.

Para enfrentar o momento e traçar um panorama de reivindicações para os próximos quatro anos, um congresso acontece na Fundação ao longo desta semana. Os trabalhadores também realizaram uma manifestação, na manhã de quarta-feira (19), para levantar alguns direcionamentos, como relata o funcionário da Funed e diretor do Sindicato Único dos Trabalhadores de Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde-MG) Érico Colen.

“Queremos mostrar que a gente quer um projeto público estatal. Desde sempre, tanto nas gestões tucanas quanto na petista, existiram tentativas de privatização da entidade”, pontua Érico. Ele declara que, atualmente, Zema e o governo de transição estão se mostrando abertos para a possibilidade de fortalecimento da empresa, mas que a postura “não é motivo para ilusões”.

“Vamos continuar cobrando, nos mobilizando. Defendemos que o Estado não deve ser esse que só tributa e fornece serviços, mas um Estado produtivo, com indústrias que trazem soberania nacional para a assistência farmacêutica. Desejamos o desenvolvimento do SUS [Sistema Único de Saúde], da pesquisa em saúde”, garante o sindicalista.

Dia a dia da fundação

A cidade de Belo Horizonte tem 121 anos. A Fundação Ezequiel Dias, 111. Os primeiros trabalhos da organização se deram na área de pesquisa de vigilância sanitária e epidemiológica, efetuando o controle de doenças virais e parasitárias. 

A partir da década de 1970, a produção farmacêutica foi iniciada. Hoje, a Funed trabalha de forma integrada com o SUS e fabrica principalmente os medicamentos mais simples – e essenciais – da rede pública, como dipirona, por exemplo. Além disso, existe ainda o setor de pesquisa e estudos laboratoriais, onde são efetuadas as análises de diagnósticos de dengue.

“Nós temos uma unidade para a confecção dos medicamentos antirretrovirais, que atendem ao tratamento das pessoas soropositivas. Temos indústria de soros antipeçonhentos, que tratam picadas, e estamos agora com a fábrica da vacina, que tenta a produção completa da vacina contra a meningite C. Nosso medo é que, com a privatização, a sociedade perca essas indústrias e o Estado tenha que comprar a preços altíssimos o que a gente já economiza produzindo”, declara Érico.

Bolsonaro promete perseguir professores, quem pensar diferente e cortar direitos de trabalhadores

Virada geral

Tereza Cruvinel*


Ano novo, governo novo, problemas velhos e novos. Temores novos.
A posse presidencial de hoje já vem carregada de sinais sobre a era Bolsonaro. O ritual será o mesmo, mas o esquema de segurança é algo sem precedentes. Os jornalistas vão enfrentar dificuldades inéditas na cobertura, com deslocamentos controlados, em ônibus do próprio governo e o acesso limitado até aos populares. A imprensa terá que aprender a lidar com um presidente que, imitando Trump, hostiliza veículos e jornalistas e prefere se comunicar pelas redes sociais, acreditando que a mediação da imprensa está dispensada graças a ela. Verá que está enganado. Jair Bolsonaro já ameaçou cortar seletivamente verbas de publicidade e tem chamado de fake news reportagens fundamentadas que lhe desagradam. Seus filhos não se cansam de insultar jornais e jornalistas pelas redes. Não vai ser fácil.
A expectativa positiva com seu governo é alta, as interrogações são muitas e faltam respostas para os problemas mais urgentes e graves. Começando pela questão da governabilidade, o governo começa sem que Bolsonaro, eleito “contra tudo que está aí”, tenha se rendido à evidência histórica de que não poderá governar sem uma base partidária consistente no Congresso. De Jango a Dilma, passando por Collor, a história ensina que os presidentes, por mais votos ou popularidade que tenham, descolam-se do chão, podendo cair, se não conseguem se entender com o Congresso. Não conseguirão implementar o programa eleitoral com que se elegeram se não tiverem votos.
A insistência de Bolsonaro na articulação da maioria através das frentes temáticas de parlamentares é arriscadíssima. Janeiro começa com os blocos partidários se alinhando, tendo como eixo a eleição dos presidentes das duas Casas. O pequeno partido dele, o PSL, não tem unidade nem estratégia para obter um resultado minimamente confortável na eleição das Mesas. O mais provável é que as raposas da velha política – Renan Calheiros no Senado e Rodrigo Maia na Câmara – levem a melhor. Ainda que sejam outros os eleitos, Bolsonaro não governará (vide Dilma) se não conseguir um pacto de colaboração com eles.
Bolsonaro herda os velhos gargalos na infraestrutura, o desemprego alto, o déficit fiscal elevado, o caos na saúde e uma economia que se recusa a deslanchar, mas na véspera da posse o que temos não são propostas para estes problemas. É o anúncio de medida que vai ao encontro do eleitorado que ele seduziu com o discurso de que vai “pegar pesado” na questão da violência e da insegurança, a liberação da posse de armas decreto. O Congresso pode tomar como primeira provocação a dispensa de seu aval à alteração da lei do desarmamento. Em verdade, ele deve tentar afrouxar regras previstas no decreto que regulamentou a lei. Legalmente talvez possa fazer isso, mas politicamente é contraindicado. A medida tende a ser judicializada. O PT já estuda o questionamento jurídico do decreto e o Datafolha acaba de apurar em pesquisa uma rejeição crescente à liberação da posse de armas (61%).
É provável que tenhamos uma espécie de governo de duas cabeças. Na área econômica, o ministro Paulo Guedes e equipe implementando medidas ultraliberais com as quais esperam turbinar a economia. Na outra ponta, teremos o presidente tocando uma agenda relacionada com seu discurso ideológico: jogo duro com a criminalidade, contra a esquerda “comunista” e os movimentos sociais, desideologização da escola (sem partido), como se o problema da educação no Brasil fosse este, e não a baixa qualidade e a evasão dos jovens antes de terminarem o segundo grau.
As interrogações são muitas, e nem dá para falar aqui dos resultados da política externa altamente ideológica que ele promete. Mas, passada a posse, começa o tempo das cobranças, e é bom mesmo que cada pasta apresente suas prioridades para os primeiros cem dias, como pediu Bolsonaro. O povo aplaude mas não se alimenta de bravatas ideológicas.