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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Indústria do agrotóxico se une ao Ibama em pesquisa com abelhas, tentando limpar imagem

Bayer, Basf e Syngenta, associadas à mortandade das polinizadoras, querem financiar estudos. 

Ministério Público Federal contesta: poderá haver manipulação e influência em novas regras para o setor

por Cida de Oliveira, da RBA publicado 15/12/2017 13h11
ARQUIVO/IBAMA
Abelhas.jpg
Mais do que produzir mel, abelhas são fundamentais na polinização de mais de 70% das culturas agrícolas e de espécimes da flora, desempenhando papel importante na preservação das matas e floresta
São Paulo – Em todo o mundo, colmeias de diferentes espécies de abelhas estão desaparecendo. Para os cientistas, são diversas as causas. Mas os agrotóxicos são a principal. E os transgênicos, produzidos pelas mesmas empresas, começam a ser associados a essa mortandade, que compromete não só a produção de mel como a agricultura como um todo, a preservação das florestas e da biodiversidade. Afinal, as abelhas são fundamentais na polinização de mais de 70% das culturas agrícolas e da flora.
Na tentativa de limpar sua imagem, cada vez mais manchada em todo o mundo em meio a processos na Justiça e desvalorização de suas marcas, os fabricantes investem em estudos em parceria com instituições respeitadas.
No Brasil não é diferente. Por aqui, a nata da chamada indústria do veneno se juntou a outros setores do agronegócio e a sindicatos patronais, criando a Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A).
Além da Bayer (que está comprando a Monsanto), Basf e Syngenta, participam da entidade diversas associações representativas do agronegócio, como a Brasileira do Agronegócio (Abag), Nacional de Defesa Vegetal (Andef), dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Mato Grosso (Aprosoja/MT), Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), além da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindveg) e Aprosoja Brasil. 
No final de novembro, a entidade, juntamente o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) lançou editalque oferece apoio financeiro a pesquisas sobre o tema.
Serão destinados R$ 2,8 milhões para as propostas contempladas. E a maioria dos recursos virá do setor privado. A A.B.E.L.H.A investirá R$ 1,9 milhão, enquanto que o CNPq, MCTIC e Ibama injetarão R$ 300 mil cada um. 
O objetivo, segundo a chamada, é produzir conhecimento científico sobre insetos polinizadores para aplicação direta no desenvolvimento de metodologias de avaliação de risco de agrotóxicos, na valoração do serviço ambiental de polinização prestado por insetos para o aumento da produtividade agrícola e no conhecimento da biodiversidade destes polinizadores no Brasil.
Entretanto, para os procuradores da 4ª Câmara de Meio Ambiente do Ministério Público Federal, os objetivos podem ir bem além desses. Afinal, o edital fala, entre outras coisas, em produção de conhecimento a ser usados em uma revisão do Manual de Avaliação de Risco Ambiental de Agrotóxicos para Abelhas. O documento é a principal diretriz da políticas de proteção e de fiscalização.
Ou seja, eles temem que essas pesquisas, pagas em sua maioria pela indústria, sejam manipuladas e que seus resultados, eventualmente adulterados, venham a embasar diretrizes para o setor. Na prática, a situação das abelhas, que já é crítica, pode se agravar mais ainda.
Para tentar barrar o avanço da proposta, os procuradores mandaram ao CNPq ofício de impugnação. O documento não tem o poder de sustar o edital, mas é um instrumento para questionamento formal, que antecede outras medidas administrativas e até jurídicas para derrubá-lo.
"O que nos chama atenção é que há a possibilidade desses estudos, pago em sua maior parte por recursos do setor privado interessado, que constituem a A.B.E.L.H.A, virem a ser usados em uma revisão do Manual de Avaliação de Risco Ambiental de Agrotóxicos para Abelhas. O custeio por empresas privadas, entidades sindicais patronais que constituam possíveis alvos da regulação e consequente fiscalização acarreta óbice intransponível à celebração da parceria em fomento", disse à RBA o coordenador do GT Agrotóxicos e Transgênicos do MPF, o procurador Marco Antonio Delfino de Almeida.
De acordo com o procurador, o edital fere o artigo 40 da Lei nº 13.019/2014, que veta a celebração de parcerias que tenham por objeto, envolvam ou incluam, direta ou indiretamente, delegação das funções de regulação, de fiscalização, de exercício do poder de polícia ou de outras atividades exclusivas do Poder Público (clique aqui para ler o ofício do MPF).
Procurados pela reportagem, o CNPq e o Ibama não se manifestaram até o término da edição.

Mais mortes

O edital é duramente criticado também por especialistas ouvidos pela reportagem. A principal crítica endossa as desconfianças do Ministério Público Federal: o conflito de interesses manifesto no financiamento de pesquisas que podem influir nas normas para regulação e fiscalização do setor.
No Brasil, a Basf, Bayer e Syngenta se destacam na produção de insumos químicos para o solo, agrotóxicos e outros produtos voltados à agricultura em geral e ao reflorestamento, especialmente eucalipto. A árvore nativa da Austrália, associada à desidratação dos solos brasileiros, usada principalmente na produção de celulose, é também a planta mais atraente para as abelhas. "A flor do eucalipto produz o néctar do qual elas se alimentam e com o qual vão produzir o mel", disse uma fonte.
Entre os agrotóxicos produzidos por essas indústrias estão os neonicotinoides, substâncias consideradas mortais às abelhas conforme estudos realizados em diversos países.
No final de junho, a revista científica Science divulgou pesquisa cuja conclusão é que agrotóxicos à base de nicotina – os neonicotinoides – são prejudiciais à reprodução e à vida das abelhas (acesse o texto, em inglês, clicando aqui).
Realizada em uma área total de 2 mil hectares do Reino Unido, Hungria e Alemanha, o estudo expôs um grupo de abelhas aos neonicotinoides, e outro grupo a campos livres de agrotóxicos. Na Hungria, o número de colônias que sobreviveu foi 24% menor nos campos expostos aos venenos. Na Alemanha, os efeitos não foram tão nocivos, o que poderia ser explicado pelas condições de saúde das colônias. Conforme pesquisadores, apenas 10% da dieta das abelhas alemãs contém plantas tratadas com esses produtos, enquanto na Hungria e no Reino Unido essa taxa ultrapassa 50%.
Os especialistas ouvidos destacam ainda que, além dos agrotóxicos, o pólen de plantas transgênicas como o milho, a soja e o algodão – produzidas por essas mesmas empresas parceiras dos órgãos públicos no edital – também são nefastas. "Esse pólen, que faz parte da alimentação das abelhas, fica impregnado nas colmeias, contaminando o mel, e trazendo riscos à saúde das abelhas e dos consumidores. A situação tende a ficar ainda mais grave com as novas plantas geneticamente modificadas, como a laranja, cujos testes foram autorizados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio)".
  • Fonte: www.redebrasilatual.com.br/ambiente/2017/12
Sem abelha, sem alimento. Veja o video sobre a importância das abelhas na polinização e produção dos alimentos:




quinta-feira, 21 de maio de 2015

Caminho das flores: projetos de manejo de flora garantem o cultivo sustentável das sempre-vivas no Alto Jequitinhonha

As práticas agregam valor aos produtos da flora nativa 

e ampliam os potenciais do comércio local

Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL   |   Por: Carolina Pinheiro
     
« Top 10: árvores extraordinárias
Nos confins dos Gerais, dezenas de comunidades extrativistas se espalham por pradarias repletas desempre-vivas (da família Eriocaulaceae), cuja maioria das espécies é endêmica da Serra do Espinhaço. Colhida durante o ano todo, a planta é um marco da economia de subsistência no Alto Jequitinhonha
De Serro a Diamantina, cerca de três mil famílias se ajustam a uma mesma cadeia produtiva. 
O biólogo do Instituto Pauline Reichstul, Renato Ramos, esclarece que pelo menos 20 municípios localizados entre as Serras Negra e do Cabral estão envolvidos direta ou indiretamente com a atividade. “O mercado de flores ornamentais gera renda para a população desde o início do século passado”, diz. “O pico da comercialização foi na Segunda Guerra Mundial, quando as flores eram utilizadas para a fabricação de arranjos fúnebres”, esclarece.
A coleta indiscriminada resultou, em 1997, na proibição do extrativismo, medida que gerou impacto imediato na rotina dos povos tradicionais. Do entrave, brotou o ímpeto capaz de transformar a realidade social dos moradores. Há 14 anos, diversos projetos de manejo controlado da flora são desenvolvidos em comunidades como a de Galheiros, na zona rural de Diamantina, e de Andrequicé e Raiz, distritos de Presidente Kubitschek.
As novas perspectivas asseguram fonte de trabalho e renda para inúmeras pessoas. “Os principais objetivos são diversificar a produção e incrementar os serviços, estimulando a capacidade de autogestão dos participantes”, afirma Ramos. Entre as ações – que contam com o apoio do SEBRAE, UFVJM e EMATER – destacam-se o cultivo de flores típicas em vaso para fins paisagísticos e a implantação de campos de flores experimentais para a confecção de artesanato. As práticas agregam valor aos produtos da flora nativa e garantem a oferta sustentável de matéria-prima, ampliando os potenciais do comércio local.
A região de biodiversidade farta tem no vínculo do sertanejo com as flores o caminho alvissareiro para a manutenção da cultura popular integrada ao meio ambiente. Não à toa o paisagista Roberto Burle Marx apelidou os campos rupestres do Cerrado de “o jardim do Brasil”.
Via Passadiço Virtual, de Fernando Gripp, de Diamantina.

sábado, 8 de setembro de 2012

SENAR oferece cursos em Almenara, Itamarandiba, Itinga e Turmalina


Cursos terão 160 horas de duração com turmas de 15 alunos


Fonte: A Voz
Diário do JequiInscrições abertas para cursos do SENAR no Vale.
Fonte: divulgação- Jornal A Voz.
Estão abertas as inscrições para os cursos FIC-Pronatec (Formação Inicial Continuada do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) oferecidos pelo SENAR MINAS. 

Podem se inscrever estudantes do 2º e 3º anos do ensino médio da rede pública estadual, inclusive alunos da Educação de Jovens e Adultos, trabalhadores rurais e beneficiários dos programas federais de transferência de renda.
O programa de formação é gratuito e será ministrado nos turnos da manhã (8h às 12h) e tarde (13h às 17h), de segunda a sexta-feira, com 15 alunos por turma. A carga horária mínima dos cursos é de 160 horas.
Informações nos Sindicatos dos Produtores Rurais dos municípios.
Municípios atendidosCursoData de Realização
AlmenaraBovinocultura de Leite e Derivados do Leitede setembro a dezembro


ItamarandibaApiculturasetembro a dezembro
ItingaDerivados da Mandiocasetembro a dezembro



Teófilo OtoniViveirista de Plantas e FloresInício em outubro
TurmalinaApiculturaOutubro a dezembro

sábado, 3 de março de 2012

Exposição de Orquídeas em Diamantina
via Passadiço Virtual